quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Quando não há desejo, há paz e totalidade.


Essa é mais uma bela oportunidade de estarmos juntos. O que fazemos por aqui? Será essa mais uma procura, mais uma busca, ou nosso interesse aqui é outro? É necessário que você compreenda o que estamos fazendo aqui ou isso será apenas outra busca, outra procura - que nada mais é que o desejo de se livrar do problema do desejo.

Existe uma diferença entre investigar o desejo e desejar se livrar dele. O que eu tenho notado é que as pessoas não estão dispostas a ir além do desejo; elas têm o desejo de se livrar do desejo. Você pode ter uma atitude de investigação da natureza do desejo ou pode ter o desejo de se livrar do desejo. Aqueles que procuram se livrar do desejo querem, na verdade, encontrar a Felicidade. É uma coisa impossível livrar-se do desejo para obter a Felicidade, a Paz!

Então, as pessoas querem se libertar do desejo, mas isso porque elas têm um desejo, que é o da Felicidade, da Paz. Veja qual é o problema real: a Felicidade e a Paz não nascem quando o próprio desejo se livra do desejo. O desejo jamais irá se livrar do desejo e, assim, jamais haverá Paz e Felicidade. É necessário investigar a natureza do desejo, da infelicidade, do conflito. 

O que estou dizendo é que você jamais vai saber o que é a Paz, a Felicidade, ou o “fim do desejo”, desejando realizar Isso. A Felicidade, assim como a Paz, não pode ser encontrada, e o “fim do desejo” não é algo que se obtém pelo desejo. Em outras palavras, o fim do desejo é a Paz, é a Felicidade, mas você não termina com o desejo através do próprio desejo.

Se essa investigação tem sucesso, você penetra na natureza do desejo. Esse Estado do “não desejo” não busca absolutamente nada! Então, esse Estado é de Suprema Completude, Felicidade e Abundância! Olhe como isso é interessante! Essa Totalidade é absoluta Paz, e Ela já está presente; não é algo que se encontra pelo desejo. Você não encontra a Paz, a Felicidade, pelo desejo. Nesse Estado livre do desejo está a Paz, a Felicidade, e isso nasce da investigação da natureza do desejo e não do desejo de se livrar do desejo. Está claro isso?

Você investiga a natureza do desejo e isso termina com ele. Quando não há desejo, existe Paz, Felicidade, esse sentido de Totalidade. Então, você não se liberta do desejo, porque seu Estado Natural já é livre dele. Repare que estamos dando uma chave para você, despercebida por muitos que passam anos estudando esse tipo de assunto.

Você não está aqui trabalhando para que os desejos terminem, mas sim para constatar a sua Natureza Verdadeira e, para isso, você precisa investigar a natureza do desejo. Você não vai chegar à Felicidade, à Paz, ao Ser. Você vai descobrir em si mesmo o obstáculo, a barreira que o impede de constatar Aquilo que já está presente. É por isso que você não alcança a Iluminação, não realiza Isso no futuro. A Realização de Deus, a Iluminação, é algo presente aqui e agora. Tudo que você precisa é descobrir o que o está impedindo de ser Aquilo que Você é.

O seu trabalho é constatar essa ilusão, que é a ilusão da mente com os seus desejos. Assim, você sabe que o que realmente está buscando não é nada mais do que essa Completude, a Paz desse Estado Natural, que é o Estado de “não desejo”. Entretanto, não é uma busca para se livrar do desejo, através do desejo, e chegar a esse Estado; é uma investigação, uma observação do movimento do desejo. Você apenas vai observar como a mente se projeta para se preencher com suas imaginações, e isso é o fim do desejo, o fim da ilusão de uma entidade na experiência do desejo.

Repare que isso não tem nada a ver com o desejo de parar de desejar ou com qualquer esforço que se possa fazer a fim de se obter essa Realização. Não se trata de um esforço, mas de um trabalho paciente, em si mesmo, de anulação do condicionamento, desse movimento egoico, desse movimento da mente.

Quando você observa a si mesmo, você é realmente forçado a admitir que, a cada dia, você é um prisioneiro dos desejos. Você é um prisioneiro da mente e dos seus projetos, da mente e das suas imaginações. Então, quando você diz algo como “Eu sou prisioneiro de centenas de desejos”, termina confessando que isso o afasta da sua Natureza Essencial, que é Paz. Esses desejos são a base do conflito, do sofrimento, e, quando isso está presente, não há Paz, Felicidade.

Existem muitos buscando a Paz, a Felicidade, a Iluminação, o “fim do desejo”, mas essa busca é totalmente equivocada e sem propósito, ou seja, é somente mais uma “viagem” do ego. O ego adora esse movimento de ir para algum lugar e, agora, está em busca da Iluminação. Inclusive, hoje em dia, já existem muitos egos “iluminados”, e outros estão se “iluminando” em razão desse esforço, porque eles estão buscando isso e, quando eles buscam, terminam encontrando.

Ao redor do planeta, todos os dias surgem novos egos “iluminados” e, aqui no Brasil, também está acontecendo isso – é uma espécie de epidemia global, porque todos estão procurando isso, estudando, aprendendo e “se iluminando”... É uma espécie de realização de um desejo, como uma formação de terceiro grau, em que você procura aquilo, torna-se especializado tecnicamente em determinado conhecimento, que lhe dá uma qualificação e, então, se torna uma pessoa “iluminada”. Ainda, se você gosta de falar, de se apresentar, torna-se um “guru”. É claro que isso não tem nada a ver com o Estado Natural, que é Felicidade, Completude, Liberdade, Inteligência.

O Estado Natural é um Estado livre do sofrimento, livre da contradição desse falso “eu”. Quando a Realização está presente, a sua mente não está. No Estado Natural não tem “alguém”; não tem, ali, um guru, uma “pessoa”, um professor.

Vamos ficar por aqui e até o próximo encontro. Namastê!


*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite do dia 06 de Novembro de 2017 Para participar dos nossos encontros online é só abaixar o app Paltalk no seu computador ou smartphone, encontros todas as segundas, quartas e sextas as 22h.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe aqui o seu comentário

Compartilhe com outros corações