terça-feira, 30 de janeiro de 2018

A Real Meditação



Olá, pessoal. Boa noite! Sejam bem-vindos a mais esse encontro aqui pelo Paltak.

É sempre maravilhoso estarmos juntos! É sempre um momento de grande importância para todos nós. Nesses encontros estamos procurando compartilhar com você qual é o real significado daquilo que todos procuram, o significado real da busca de todos... O que estamos, de fato, buscando é qual o significado real da felicidade.

É algo muito habitual a mente buscar um significado para as coisas que acontecem ou procurar dar um significado para isso. A vida comum, a vida humana, tem se mostrado bastante complicada em razão disso. A mente, quando procura um significado para o que acontece ou dá um significado ao que acontece, sempre traduz isso dentro de sua limitação. Basicamente, aí está o sentido da ilusão pessoal.

A Vida tem uma amplidão, extensão, ou uma representação que o intelecto jamais será capaz de definir a mente não pode alcançar isso. A Vida nunca se mostrará a você... Você não tem como apanhar o significado dela, pois ela sempre permanecerá como algo desconhecido. Por mais que o pensamento procure traduzir, interpretar isso, e sentir-se à vontade com essa ocupação, tudo o que a mente pode fazer, aqui, é criar uma imaginação ela vai falsear a Realidade!

Quando você vem a Satsang, quando nos colocamos nessa posição, na qual nos encontramos nessa noite, temos a oportunidade de nos abrir ao desconhecido. Embora jamais você possa capturar Isso, apesar de jamais conseguir, de alguma forma, capturar o significado da Vida, o significado da Verdade ou o significado da Felicidade, Isso é algo que você pode viver. Conhecer intelectualmente, explicar intelectualmente, traduzir intelectualmente... Jamais! Mas, o Mistério, a Verdade, o Desconhecido, a Vida, a Felicidade pode ser vivida.

Todos acompanham isso?

Então, quando estamos em Satsang, estamos convidando você a ver Isso, fazendo-lhe uma convocação para você olhar de perto essa Realidade, essa Realização, que é a Realização de sua Natureza Verdadeira, porque você é a Vida. Porém, Isso não é possível dentro dessa ilusão, do pensamento comum, dessa crença de “ser alguém”. O Despertar, a Iluminação, a Realização de Deus, da Verdade, é assumir aquilo que você É, e o que você É, em sua Natureza Real, é a impessoalidade.

Esses “graves” problemas humanos (porque é assim que os problemas são considerados) estão assentados nessa ilusão, que é a ilusão da egoidentidade. Nela não há Verdade, Felicidade, Paz, Amor, nem a Inteligência; nela não há o fim do sofrimento. Tudo isso é possível quando essa ilusão termina, não está mais aí. Foi para isso que você nasceu! Você nasceu para descobrir a Verdade de Deus; nasceu para reconhecer Aquilo ou Quem você É e o reconhecimento disso é o fim dessa ilusão a ilusão de ser uma entidade separada da Vida, do Todo, da Verdade, de Deus, da Felicidade, da Inteligência e da Liberdade.

Essas falas são profundamente desafiadoras, porque elas desafiam você a parar de sofrer e isso representa, para a mente, um grande absurdo, algo de fato inconcebível. É verdade! Na mente o fim do sofrimento é impossível, porque nela o fim da ilusão, do sentido de separação, é impossível, entretanto, esse é o desafio.

Ver a “mente” aqui significa “conhecê-la”, ou seja, ver aquilo que, de fato, ela representa, que é a imaginação, apenas. É uma quantidade enorme de conceitos, de crenças, de pensamentos e de imagens com os quais você se confunde, embola, mistura, preenche, e assim você aparentemente se afasta de sua Identidade Real, daquilo que, na verdade, você É. Reparem que essas falas estão sempre dizendo algo muito básico e bastante direto. Não temos, aqui, interesse em fazer rodeios. Queremos sempre ir direto ao ponto, àquilo que de fato nos interessa e o que nos interessa, aqui, é descobrir quem verdadeiramente você é, ou O que você é.

O Ser não é “alguém” que se descobre, então, não se trata de quem você É. O Ser é a Realidade Indefinível, Indescritível, o Puro Desconhecido. Então, não se trata de quem “você” é, mas O que é você, O que verdadeiramente É.

Todos que estão a sua volta representam, dentro do campo da mente, uma parte dessa crença. Para você, todos que o cercam, do ponto de vista da mente, fazem parte dessa mesma imaginação. Todos coparticipam dessa mesma crença é algo comum a todos e isso significa um obstáculo de grande consideração. Em outras palavras: todos a sua volta representam aquilo que você acredita ser; todos parecem “pessoas” e você os vê assim, como vê a si mesmo. Ir além disso tudo é algo que requer uma entrega profunda, absoluta, sem reservas.

É muito fácil chegar aqui e dizer para você: “Você é Isso!”. Será muito fácil depois você sair repetindo isso. Mas, a repetição disso, a afirmação verbal, intelectual, disso não é a Realidade; é somente mais uma crença! Então, se faz necessário um trabalho bastante real nessa direção e é isso que estamos propondo a vocês, dentro desses encontros. Se pudéssemos dar conta disso aqui pelo Paltalk em outras palavras, resolver isso aqui pelo Paltalk –, seria ótimo, assim como, através de uma fala, da leitura de alguns livros ou assistindo a alguns vídeos. Entretanto, com pesar, informo a vocês que isso não é possível.

Eu ficaria muito feliz se todos que entrassem nessa sala despertassem com apenas alguns encontros, aqui. Porém, esse Despertar não acontece dessa forma. Ele tem um modo de acontecer e não temos como conhecer um caminho secreto para indicar para vocês. Confesso que, se eu conhecesse um caminho secreto, indicaria esse caminho para vocês. O Céu é algo muito desejável todos querem ir para o Céu. Então, se eu conhecesse uma portinhola secreta, eu até tentaria ajudar a todos que estão nessa sala, para vocês passarem por essa portinhola e chegarem ao Céu mais rápido.

Realização não é como vocês estão lendo nos livros, nas páginas do Facebook ou assistindo a vídeos no Youtube. Realização é o Estado de Buda, é o Estado de Cristo, é o Estado de Ramana Maharshi, de Jiddu Krishnamurti, de Anandamayi Ma. Realização é você em seu Estado Natural, mas, esse Estado é o fim desse “você”, como você se vê nesse contexto social, neste exato momento.

Alguns estão prescrevendo práticas espirituais de diversos tipos e uma das mais comuns, nos tempos atuais, é a famosa prática da meditação. Eu preciso lhe dizer: a prática da meditação não vai resolver isso. A prática da meditação pode, a princípio, fazê-lo perceber que você não é o corpo, a mente, o pensamento e, portanto, não é uma entidade separada do mundo. Entretanto, a meditação como prática apenas lhe dá lampejos disso. A Meditação, que se define como a Pura e a Direta Realização, não é uma prática; é você assentado em seu Estado Natural! Isso requer a autoanulação a anulação desse falso “eu” , de forma total, completa e radical.

Nós temos tratado dessa Real Meditação em Satsang, sobretudo em encontros presencias. A Real Meditação é o final da identificação com a ilusão de um experimentador, aqui e agora. Não se trata de uma prática meia hora, uma hora por dia, meia hora pela manhã, meia hora pela tarde ou meia hora pela noite. Nada disso! É necessária a entrega de todo medo, de toda escolha, decisão, vontade, crença. Então, descobrimos a Real Meditação, que não é mais uma prática, não é mais uma “portinhola secreta” ou um caminho “rápido” e “seguro”.

Na verdade, a Realização é uma aventura para além do conhecido, que implica o fim de tudo aquilo que a mente conhece. A mente criará inúmeras estratégias, diversas formas de escapar disso, vai se disfarçar de diversas maneiras, irá até se espiritualizar e é capaz, também, de se “iluminar”. Dessa forma, a “pessoa” logo se torna uma pessoa “iluminada”, mas isso não significa, ainda, a Verdade do fim do medo, do sentido de separação e de toda essa ilusão ela ainda está lá. Ela pode estar sublimada, ter se sutilizado bastante, mas ela continua lá, ainda.

Você acompanha isso? Consegue ouvir isso bem? Não está escandalizado, nem com raiva de mim?

Hoje em dia, fala-se muito de um “despertar” coletivo da humanidade. Eu não vejo assim! No meu modo de ver, a humanidade é o que sempre foi e ela será o que é hoje. A Iluminação não é uma questão para o coletivo. Não se pode falar desta Realização como um movimento em massa acontecendo; isso é mais uma fantasia! A Realização de Deus, a Realização da Verdade é para você, aqui e agora, e não para a humanidade; é para você, que está sendo chamado por esta Graça, por esta Presença, por esta Verdade, porque está no seu momento. Esse não é o momento da humanidade, é o seu momento; não é o momento da massa humana, é o seu momento.

Achamos muito agradável essa ideia de um despertar coletivo da humanidade, porque é algo muito “romântico” e “animador”, é uma visão muito entusiástica da vida, de que “todos estão despertando”. Isso não é verdade! Você está nesse processo de Despertar... A humanidade não! O Despertar é para o fim da ilusão do indivíduo e não para o fim da ilusão da consciência humana, da consciência da humanidade. Você que está diante dessa fala, diante desse encontro, nesse momento, esse é o seu momento! Não imagine o coletivo nisso, porque não há nenhum coletivo nisso. Você está sozinho (a) para Despertar, para reconhecer Aquilo que É, a Verdade sobre si mesmo, sobre si mesma!

Alguma pergunta?

Ok, pessoal! Vamos ficar por aqui. Valeu pelo encontro. Aguardo todos aqui presencialmente. Namastê.


*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite de 20 de Dezembro de 2017 Encontros online todas as segundas, quartas e sextas as 22h - Para participar baixe o App Paltalk em seu computador ou dispositivo móvel (smartphone ou tablet). 

sábado, 27 de janeiro de 2018

Como viver além do sofrimento?



Mestre: Quando você está olhando para mim, o que você vê?

Participante I: Nenhuma confusão!

Mestre: Por quê? Porque não há pensamento, não há preocupação, não há passado, não há futuro. Quando não há nada disso, não há tristeza, não há medo, desordem, caos. A vida humana fica nesse “equilíbrio” entre o medo e o desejo, porém, na sua vida Real, não há nada disso. Hoje eu vivo a minha vida Real e todos vocês são parte disso.

Você precisa decidir viver além da mente, do pensamento. Você realmente não precisa do pensamento. Minha dificuldade com você é lhe mostrar isso, que é o segredo da minha alegria. Não permita em você o pensamento. Como você faz isso? Observe-se! Quando o pensamento aparece, você olha para ele. Quando você só olha para ele, o pensamento não tem nenhum poder. Mas, quando você não olha, ele captura-o e, quando isso acontece, você demonstra tristeza, alegria, medo, desejo – “Eu quero isso!... Eu odeio isso!”... Pensamentos! Tudo isso porque você foi capturado.

Meus olhos estão sempre limpos, porque eu não acredito em pensamentos. Pratique isso a todo tempo, agora! Todo momento é sempre agora, mas vocês são preguiçosos. Vocês devem praticar isso, até que isso se transforme em seu Estado Natural, pura Consciência. Quando isso é o seu Ser, você é o Amor. Não há problema no Amor, não há problema em Deus... Deus é Amor! 

Vocês estão viciados no pensamento, no sentimento, na emoção, na sensação, na excitação e isso cria a ilusória identidade. Não existe nenhuma identidade, a não ser aquela criada pelo pensamento, dando vida à sensação, à percepção, à experiência acontecendo nesse instante. Também, não há nenhum problema na sensação, na percepção, na emoção, nem no pensamento, mas é que você não olha para ele e para o lugar que ele tem. Quando você olha para o pensamento, ele já assume o lugar que deve assumir.

As pessoas me perguntam e têm dúvida sobre isso, ou, quando elas não perguntam diretamente, fica implícita no que dizem. Sem dúvida que o pensamento é necessário e elas dizem: “Como eu posso viver sem pensamento?”. O pensamento é parte da vida, não há nenhum problema nele. É o pensamento que torna possível as coisas acontecerem, ou melhor, viabiliza, aparentemente, coisas acontecerem.

Tudo, que você vê no seu mundo externo, foi construído pelo pensamento. A cadeira onde você está sentado, o piso onde você está assentado, esse prédio onde você dormiu essa noite, a cama onde você se deitou para dormir... Absolutamente tudo foi construído pelo pensamento. Olhe para o seu corpo... Ele, também, foi construído pelo pensamento, é fruto do desejo (o pensamento do sexo surgiu na cabeça da sua mãe e do seu pai e olha você aí).

Tudo, absolutamente tudo, é construído pelo pensamento. Então, não há nenhum problema com o pensamento. O problema todo é sempre a ilusão de uma entidade presente, determinando para si, na ilusão da “pessoa”, o preenchimento em uma realização, em um pensamento, através de um pensamento e pelo próprio pensamento. Enquanto esse Natural Estado de Ser, que é Meditação e ausência de identificação com o pensamento, não se estabiliza de forma definitiva, o trabalho não está feito ainda. Realização não são entradas e saídas em um estado de ausência de identificação. Há muita confusão sobre isso, por aí, quando dizem: “Eu estou muito triste, mas eu não sou a tristeza, porque isso vem e vai” – isso está corretíssimo, é exatamente assim, mas esse não é o seu Estado Natural.

Isso é como pegar um elevador e subir até o sétimo andar de um prédio como este, mas não dá para ficar lá o tempo todo – você terá que descer; depois você sobe novamente, no outro dia, em outro momento. Você vai ao supermercado e volta. Você precisa subir novamente no prédio, pegar o mesmo elevador, subir e descer. Enquanto houver esse “sobe e desce”, ainda está presente ao “sobe e desce”, mas, pelo menos agora, você sabe que essas variações de estados internos não têm realidade, porque isso está atrelado à “pessoa”, ao sentido de “pessoa”.

Então, esse prédio, com esse movimento nele, que é o “movimento do elevador”, é como o movimento da identificação e o da desidentificação. Assim, numa hora você está identificado e noutra está desidentificado; numa hora você está no alto e noutra está mais embaixo;  numa hora você está no sétimo andar, noutra está no primeiro andar ou no térreo.

Você tem todos os dias para trabalhar isso, aprender a olhar e a ouvir, aprender o que é pensamento e aprender a “pensar”. Aqui, “pensar” é sem o pensador e não no sentido de um verbo, onde você seria o autor desse pensamento. Aqui, “pensar” é lidar com os pensamentos sem se confundir, sem confusão. Conseguem perceber onde vocês têm negligenciado? Que vocês são muito condescendentes com pensamentos e com os sentimentos, quando eles aparecem no corpo? Muito condescendentes com as crenças – “Ela não gosta de mim!... Ele está ‘dando bola’ para ela, mas ele é meu!”?

É tão estranho isso! Você não só está ocupado demais com os próprios pensamentos, identificando-se com eles, como quer, ainda, se identificar com os supostos pensamentos que o outro está tendo. Em outras palavras, você é tão intrometido psicologicamente que quer adivinhar o que o outro pensa sobre você ou sobre alguma situação, qualquer que seja ela – de tão viciado que você é em pensamentos! Você ama isso, ama estar ocupado – isso é uma ocupação.

Então, essa questão de “ser uma pessoa” é fundamental para você. Há uma conspiração (familiar, regional, nacional, internacional, mundial e “cósmica”) para você “ser alguém”. A ideia central é: “Seja alguém; sofrer faz parte disso – não reclame!”; “Seja alguém e sofrer faz parte! Todo mundo sofre, o importante é ser alguém!”. Assim, todo mundo leva isso numa forma natural, ou seja, “ser alguém no meio de muitos e ter problemas como todos têm”. Todos os problemas estão baseados no pensamento sobre o que aparece, acontece, inclusive no pensamento sobre o “pensamento que aparece”.

A ideia da identificação com o pensamento cria sobre ele uma suposta realidade, que é somente uma imaginação, tornando-se muito real para você. Você quem? O suposto pensador, a suposta “pessoa”. Se algo fizer você sofrer, deixe aquilo. Não é simples? Se o seu marido faz você sofrer, deixe-o e, se o pensamento faz você sofrer, deixe-o; ou você deixa o pensamento ou deixa o marido. Se, na imaginação, seu marido trai você e faz sofrer, deixe o marido, mas não imagine mais, porque, quando tiver outro marido, você vai imaginar a mesma coisa. Então, você deixa o marido e deixa a imaginação, também!

As pessoas vivem reclamando que outras estão provocando sofrimento na vida delas. Elas precisam abandonar o sofrimento, mas não estão dispostas a isso, porque, por exemplo, elas querem “continuar com o marido”, imaginando sendo traída e sofrendo. A base é: “Seja feliz”, mas ser feliz (de verdade) significa viver sem imaginação, independentemente de ter marido ou não, porque a ideia é que “o marido faz sofrer” – estou dando o exemplo do marido, mas pode ser qualquer outra coisa: a namorada, o filho, a família.

O problema é que você acredita que algo externo está lhe fazendo sofrer, enquanto estou dizendo que o que está fazendo você sofrer é a imaginação de “ser alguém que não suporta aquilo”, e, ao mesmo tempo, suporta, porque nunca faz nada para “aquilo” terminar aí dentro de você. Ninguém, nem nada, obriga você a sofrer, contudo, sofrer é a coisa mais desejada, porque a imaginação é o que mais se deseja. Então, todos amam o sofrimento. A exceção são os sábios, que não irão continuar carregando uma vida pessoal, com histórias, nem continuarão com queixas; irão simplesmente fazer o que precisa ser feito para não sofrer mais. Esses são almas raras!

Tudo que lhe interessa é ser “alguém”, então, a maior insanidade é permanecer sofrendo, reclamando do sofrimento sem fazer nada. Se você tem um câncer, em uma parte do corpo, você vai para o médico para ver o que pode ser feito, para cuidar dessa parte do corpo e, assim, cuidar do corpo. Mas, isso é assunto do médico, porque, nesse assunto, você não pode fazer muita coisa. O médico talvez possa fazer alguma coisa (Muito “talvez”, não é?), mas isso não é assunto seu.

Agora, tem assuntos que são só seus e de mais ninguém. Se alguém lhe faz sofrer, não adianta dizer: “Pare de me fazer sofrer! Eu não suporto mais isso! Eu não quero mais viver assim!”. Isso não resolve, porque ele não está interessado em você, está interessado nele. É um exemplo de algo que somente você pode resolver, mas você só resolve da forma real. O que as pessoas fazem? Elas entram nessa substituição. Se algo lhes faz sofrer, elas substituem por outra coisa que acreditam que não vai fazê-las sofrer. Porém, logo descobrem que “aquilo”, também, está lhes fazendo sofrer e substituem por outra coisa; depois descobrem que isso, também, está lhes fazendo sofrer.

Por que isso tudo está acontecendo? Porque, basicamente, o sofrimento não está fora; o sofrimento está dentro delas e elas estão sustentando isso. Não tem nada a ver com o outro; tem a ver com o modelo de procura pelo desejo de ser “alguém”. Então, a pessoa sustenta o modelo, porque ela não está disposta a terminar com o sofrimento; ela gosta disso, ama o jogo da substituição. Todos vivem nessa desonestidade – é a natureza do ego. Você não está em busca da Verdade sobre si mesmo, que é a libertação do sofrimento. Você está em busca de algo que lhe preencha, inclusive na dor. Não é isso?

Não é o lado de fora, não é o outro, não é o mundo, não é o marido, não é o pensamento. É o pensamento sobre o pensamento; é a ideia sobre o pensamento; é o pensamento sobre o marido, sobre o outro. Somente há Felicidade quando não há, absolutamente, nenhum sofrimento e não há sofrimento somente quando você está, absolutamente, só. Estar só não é estar sem o outro, sem o mundo, não é estar sem família, sem filhos, sem relacionamentos com pessoas, como o padeiro, o jardineiro, o namorado. Estar só significa permanecer desidentificado desse falso “eu”.

Então, você não toma mais a decisão de abandonar o outro e sim de abandonar o sofrimento. Se o outro não suportar sua felicidade, literalmente, ele se afastará de você. Porém, esse é um assunto “dele”, porque ele está querendo compreender a “mecânica” da coisa. Precisa investigar isso, vir para o Satsang, e, talvez, ele não queira investigar isso, mas, sim, continuar sofrendo, vivendo na ilusão desse sofrimento. A sua pergunta inicial foi sobre essa questão do “vício de ser uma pessoa” – está aí a resposta!

Isso é curioso, porque o que se aplica na relação com o outro, aplica-se com relação a “qualquer coisa”, até mesmo na relação com o próprio corpo. Se você se sente gorda ou magra demais, acredita que tem um nariz torto, ou algo lhe incomoda no próprio corpo, resolva isso! Aquilo que pode ser resolvido deve ser resolvido, e o que não pode ser resolvido, já está resolvido e não é mais assunto seu, para você resolver.  Você precisa se libertar disso psicologicamente, internamente, e somente assim não há sofrimento! Compreendem o que estou dizendo? Se for algo que você possa fazer, você vai lá e faz; se for algo que você não possa fazer, já está feito. Ou seja, você acolhe isso inteligentemente, desidentifica-se da história que o pensamento cria sobre esse assunto e você está livre do sofrimento. Sempre, o segredo é estar só.

Participante II: Estar só consigo mesmo, não é?

Mestre: Só! Sempre só! “Só” é desidentificado do que o pensamento cria sobre o próprio corpo, sobre o outro ou sobre o mundo à sua volta. Isso é o primeiro e último passo para a Felicidade, para a Liberdade, para viver inteligentemente. Todavia, é da pessoa, da ilusão do sentido de “pessoa”, ela ser preguiçosa e, por ser preguiçosa, ela vive substituindo. Então, o ego vive fissurado em dietas para emagrecer ou em técnicas menos dolorosas para obter o que deseja. Ele fica substituindo o que é “fácil” por algo que é “mais fácil”, o que é “mais fácil” pelo que é “bem mais fácil”, assim por diante, e o problema, basicamente, é somente um: a identificação com pensamentos.

O problema não é ser gordo ou ser magro, nem não estar com o marido perfeito, a mulher perfeita ou a família perfeita. O problema é não ficar só. A família está numa escala menor, mas é a representação do mundo, de todas as famílias do mundo. A grande família humana está exemplificada nessa sua família de cinco pessoas: você tem três irmãos, uma irmã, e a família humana está toda aí. Essa família de cinco pessoas, que está aí, é você. “Eita! Agora pegou! Estava tão animado! Achei que era somente me afastar fisicamente da família... agora pegou”!

Participante III: A gente arruma outra família para colocar no lugar, não é, Mestre?

Mestre: A substituição... você substitui maridos, esposas, filhos (até filhos você substitui). Claro! Por que não substituir os filhos?  Você adota sobrinhos como filhos... adota gatos, cachorros, e eles passam a ser “seus filhos”! Se você substitui o outro, sempre substitui tudo. Aqui, não se trata disso! Realização não é isso! Realização é a consciência da Verdade sobre si mesmo. Então, você precisa estar em si mesmo, precisa estar só; não é isolado, é só! É saber dizer “sim” e dizer “não”, para poder estar só. É saber se desidentificar de histórias que não dizem respeito a você, que são pensamentos, que outros tentam lhe vender ou emprestar, e você os assume como sendo uma verdade para você (seu ego está vivendo disso, está vivendo nisso).

Não é raro, é muito comum, uma mãe, que os filhos casaram, foram embora, ainda estar resolvendo os assuntos da família desses filhos, cuidando dos netos, e sentindo-se responsável por eles. Você não sabe dizer “não”, está identificada com a história do outro e isso lhe dá um preenchimento sofrível muito aprazível, doloroso (Olhe que contradição nos termos!), porque você ama isso. Você está sofrendo, mas gozando. Isso não tem nada a ver com a sua realidade, somente com a fantasia de continuar sendo “alguém” para “alguns”, tendo “alguns” para “alguém”, para você, para si mesmo. Olhe como essa questão de ser uma “pessoa” é vasta no mundo.

Participante II: É uma multidão, Mestre!

Mestre: Você nunca renuncia a essa interna multidão, porque isso lhe dá um sentido de “pessoa”. Mediocridade total! Como pode haver Felicidade, Inteligência, Liberdade, Sabedoria? Corrijam-me se estiver errado!


*Transcrito a partir de uma fala em um encontro presencial 
de João Pessoa em Dezembro de 2017
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quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

A verdadeira Arte é a Arte da Felicidade


Em Satsang, estamos diante de algo bastante singular, pois é aqui que nos aproximamos de uma constatação direta da Verdade sobre nós mesmos.

Em alguns momentos, quando você tem a oportunidade de ficar sozinho, sem nada, e, por alguma razão, não está ocupado com atividades externas, fica muito claro para você que, nesse momento, você experimenta uma tremenda carência interna, uma profunda insuficiência, um “vazio existencial”, como alguns chamam. Isso é comum a todos, parece ser um destino comum a todos, além de ser, também, algo que produz uma forte necessidade de preenchimento, para afogar essa carência, esse vazio. É isso que nos leva a uma ação, a uma constante ação...

Para sua informação, o que nós chamamos de grandes obras construídas pelo intelecto ou pela emoção do homem nasceram desse estado de carência, de insuficiência e dor. Então, quando você está admirado diante de um quadro – que você chama de uma bela obra de arte – ou diante de uma escultura, uma música, um poema, uma novela escrita, um livro, um grande best seller, tudo isso é resultado dessa busca de preenchimento interno, que levou aquele, assim chamado, “artista”, “músico”, a uma atividade que fez nascer aquilo. Porém, aquilo que é tão admirado, paradoxalmente, nasce de muita dor, muito sofrimento, muita carência... Você pode procurar na história dos grandes mestres da pintura, da música, da dança, e descobrir o que os motivava em suas obras.

O que eu estou dizendo, em outras palavras, é que a Felicidade não cria nada, não produz nada. A mente produz, mas o Ser não! Ele não age, não faz. O Ser é puro Ser, é pura Consciência, é aquilo que sustenta as aparições, não precisa de autoexpressão. Isso é bastante diferente da mente, que precisa, tem uma necessidade de preencher a si mesma com a expressão.

Um homem como Buda, Ramana, ou Krishna, não tem qualquer necessidade de autoexpressão através da mente, porque não há mente ali; não há mais esse vazio, essa frustração, nem esse desejo da ação para compor poemas, esculturas, pinturas, músicas. Com isso, não estou falando que a arte não possa acontecer, mas essa é uma Arte completamente diferente, daquilo que nós consideramos arte, nascida dessa frustração existencial.

Kabir, Rumi e outros santos e sábios também fizeram poemas e canções. Alguns Sábios escreveram livros, Jesus deixou suas falas, Ramana deixou o seu Silêncio. Todavia, os sábios e os santos não estavam lá. Não tinha “alguém” ocupado com uma ação, com a construção de alguma coisa; aquilo era somente um acontecimento. É assim com as falas que nascem em Satsang, que nascem desse Silêncio, dessa Consciência, dessa Presença, que não nascem da frustração, da carência, nem do desejo de autoexpressão.

Então, vou repetir isso para você: é possível que essa ação apareça, mas não é a ação da frustração. A fala que nasce em Satsang ou as ações que nascem dessa Presença, dessa Consciência, são um transbordamento dessa Alegria, dessa Liberdade, dessa Felicidade. Isso é a verdadeira Arte... é o resultado direto da Meditação, desse Estado Natural.  A verdadeira Arte é a Arte da Felicidade!

Qualquer coisa que você chama de arte e não nasceu da Felicidade, não é arte genuína. A Verdade é a base de toda manifestação genuína, mas não é uma necessidade que nasce do desejo de autoexpressão, dessa motivação geral que a mente conhece de se preencher na ação. Se nós nos aproximarmos disso, veremos que tudo isso só pode dar uma felicidade, uma alegria e uma realização efêmeras.

Estar em Satsang é estar diante da Vida, da real Felicidade. Essa Vida, Verdade, Felicidade, é algo dentro de Você, mas é algo além da mente. Essa é a última satisfação, a Alegria inefável, sem motivo, algo sempre presente, além dessa ilusão do “eu”.

Estamos juntos?

A Felicidade é aquilo que vive dentro de nós, com todo o seu frescor e pureza, algo que não pode ser contaminado com a mente e seus desejos, projetos, intenções, premeditações. A verdadeira Felicidade não advém, não surge das coisas. Se a Felicidade pudesse vir das coisas, ela deveria ser maior quando tivéssemos mais coisas, menor quando tivéssemos menos coisas, e completamente nula quando não tivéssemos nada. Mas não é bem assim...

O rico é aquele homem que possui muitas coisas, mas ele não é infalivelmente feliz, pois, contrariamente, ele tem muito mais preocupações. Nem o pobre, que tem muito pouco, é necessariamente infeliz por isso. Porém, quando o pobre e o rico vão dormir, quando ambos estão em sono profundo, estão em perfeita paz, sem nenhuma preocupação, sem nenhum sofrimento, ou seja, o pobre não tem dívidas, nem o rico tem preocupações; nenhum dos dois estão doentes, também. Todos se sentem profundamente felizes, quando conseguem um sono profundo, de preferência sem sonhos − Ramana falava sobre isso.

A Felicidade está na ausência da “mente egoica” e não na presença ou na ausência de coisas. Não importa se você é muito rico ou muito pobre: se está no ego, é estar em infelicidade e miséria; se está sem ego, é estar em Felicidade Absoluta!

A verdadeira Arte da Felicidade é a Arte de Ser!


Meu convite para você, em Satsang, é: abandone a ilusão do “eu”. Quando está livre desse desejo de obter alguma coisa ou de se livrar de qualquer coisa, você pode ir além dessa frustração, dessa carência, desse tédio e da solidão... você pode ir além desse destino comum a todos!


*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite de 27 de Setembro de 2017 Encontros todas as segundas, quartas e sextas as 22h - Para participar baixe no seu computador ou smartphone o App Paltalk

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Como ir além do desejo?



Participante: Mestre, esses dias, eu estava andando pela praia e percebi que não havia em mim o mesmo desejo de estar ali que antes havia. E eu não fiz nada para que isso acontecesse; o desejo, simplesmente, não estava mais ali. Então, queria perguntar: qual a origem do desejo?

Mestre Gualberto: Eu vou dar para vocês uma nova aproximação desse assunto. Você não pode separar corpo e mente. O desejo está profundamente enraizado em você mesmo. Você não precisa e não pode ficar livre do desejo, sabendo que o desejo é em sua mente. Se você sabe que o desejo está em sua mente (já estudou muito sobre isso), não pode se livrar dele simplesmente conhecendo intelectualmente o seu mecanismo. A compreensão intelectual do mecanismo do desejo nunca é e jamais será suficiente para a libertação do desejo, porque você não separa corpo e mente.

A compreensão intelectual de qualquer assunto, mesmo no mundo da ciência, é totalmente insuficiente, visto que é necessária a experiência, o contato direto e real com a experiência, para que esse conhecimento seja efetivo. Quando você estuda geometria, química, medicina, ou qualquer outra área, precisa da experiência direta. Então, quando estuda geometria, o matemático precisa estar em contato com formas geométricas e áreas para saber o que ele estudou na teoria; o químico precisa estar em seu laboratório e, na prática, ver as suas fórmulas químicas e como as moléculas e os átomos se combinam; o médico precisa do contato direto com o corpo humano (os músculos, os ossos, etc.) e todos os seus sistemas que, na teoria, ele estuda na faculdade. Então, não é possível, mesmo no mundo do conhecimento material, viver sem a experimentação; tem que haver experiência e experimentação.

Assim, o conhecimento teórico sobre o assunto do “desejo”, ou seja, o mero conhecimento teórico, técnico, intelectual, desse assunto não é suficiente. Por isso, você pode passar muitos anos estudando falas sobre realização de Deus, lendo sobre isso, e nada disso irá funcionar. Nem mesmo o contato com uma prática ascética, espiritual, mística, irá funcionar. O que os Sábios conhecem acerca da libertação do desejo é que isso é algo que funciona somente através de um método ou de uma metodologia bastante específica; isso tem um modo de acontecer. Você precisa de uma mudança nesse “mecanismo”, e isso você não alcança intelectualmente. O entendimento verbal, intelectual, conceitual disso não dá certo, não irá provocar essa mudança.

Você precisa de uma mudança nesse “mecanismo”, nessa estrutura corpo-mente. Quando falamos “mente”, estamos falando em todo esse processo de sentimento, emoção, sensação, percepção, tudo isso faz parte desse “mecanismo”. Então, você precisa de uma mudança na mente e no corpo. Na mente (os sentimentos, as emoções, as percepções, os sentidos), o veículo é o corpo, e o processo é todo de cognição mental. O que nós chamamos de corpo é sensação e percepção, que ainda é parte da mente; ele está vivo em sensações, em experiências-sensações (frio, calor, duro, flácido, flexível) – isso é a experiência do corpo.

Portanto, quando falamos de realização de Deus, de autorrealização, estamos falando de algo que acontece nessa estrutura. Então, o intelecto, assim como a comparação, cognição, dedução, lógica, é somente uma parte pequena da função daquilo que, aqui, estamos chamando de “mente”. Então, precisa ficar claro que palavras não irão resolver, o conhecimento não irá resolver. Assim, essa mudança se faz necessária, e ela acontece nessa estrutura corpo-mente. Não é o desejo de ser livre que lhe dará liberdade, porque o desejo é, também, somente uma intenção volitiva, ainda do intelecto. Por isso que não se consegue a liberdade desejando-a; é necessário um trabalho de mudança nessa “máquina”, na estrutura das próprias células; é preciso uma mudança fisiológica, biológica, química, etc.

Com o propósito de trazer essa libertação, na história humana, já foram criados muitos sistemas, todos feitos com essa proposta – alguns trabalhando a parte física, como a Hatha Yoga, outros trabalhando a mente, como a Raja Yoga, outros trabalhando o lado dos sentimentos, emoções, como a Bhakti Yoga, etc. Tudo isso porque já se sabe que é necessária uma mudança completa e integral nesse corpo, nessa “máquina”. Então, mais uma vez, estamos diante da necessidade de um trabalho altamente científico e que funcione. Quando mencionamos Satsang, estamos falando de um contato com esse trabalho científico e funcional, não a palavra satsang, que hoje em dia está sendo muito usada no mundo ocidental, até muito abusada, também, porque qualquer encontro é assim denominado.

Você precisa de uma mudança química, biológica, neurofisiológica, completa nessa “máquina”, ou seja, onde se fizer necessário, o trabalho precisa acontecer. Então, é impossível a liberação, neste mundo, da ilusão da separação, da dualidade, pelo mero conhecimento intelectual disso. Você pode, verbalmente, dizer que está livre, falar de forma magistral e escrever livros sobre isso, mas estamos falando de algo vivencial, real na experiência. Isso só é possível nessa mudança. As próprias células cerebrais, assim como algumas células no corpo, precisam ter essa disposição de Consciência de não-separação, de não-dualidade.

Ninguém sabe o lugar da Consciência no corpo e, então, a ciência confunde impulsos elétricos cerebrais, a forma como esses impulsos são desenhados em um “mapa”, com Consciência – que não são estados que possam ser mapeados por impulsos elétricos cerebrais; o que pode ser mapeado são estados atrelados à biologia do corpo e a estados da mente. Então, estamos falando de outra coisa. Quando falamos de Consciência, falamos de algo presente que não pode ser descrito, desenhado ou mapeado, acompanhado por meros impulsos elétricos.

Veja que, quando falamos do fim do desejo, estamos falando de uma mudança profunda nessa estrutura. Você tem em seu corpo toda a memória animal de um macho desejando a fêmea e vice-versa; nas células do corpo está toda a memória de um peixe, de um pato, de um macaco, de um galo, etc.; está tudo aí. Portanto, o mecanismo do desejo não é intelectual, é biológico, é físico. Compreendem o que eu quero dizer?

Assim, quando você sente um desejo, é somente a repetição de algo presente na memória biológica. Então, não basta o conceito intelectual “não quero desejo”, porque esse é um outro desejo; por detrás desse “não quero desejo” tem, também, um outro processo que acontece completamente inconsciente aí, que é o medo. Veja o quanto isso é por demais complexo, para ser simplificado com uma simples frase, como: “não deseje”, ou “pare de desejar”, ou “pare de pensar”, ou “pare de sentir”. Está claro isso? Vejam que essa pergunta, que parece tão simples, tem uma resposta que exige muitas palavras e, mesmo assim, nenhuma garantia de compreensão disso, nem mesmo intelectual.  Essa é a primeira parte da resposta, que já ficou claro.

Agora na segunda parte, eu estou lhe explicando porque a coisa acontece, somente porque você está aqui, e você não sabe como aconteceu. O que de fato aconteceu, é que houve uma mudança, aconteceu um trabalho, nessa estrutura. Então, independentemente de você querer ou não ter desejo, isso caiu. Por exemplo, quando você via um carro bonito, não apenas apreciava o carro (“Que carro bonito”), pois acontecia automaticamente, rapidamente, numa velocidade incrível, um processo de comparação com o seu carro, ou com o fato de não ter nenhum carro, e aí você sentia: “era esse carro que eu queria”... “ah, se eu tivesse um carro assim”. Agora, você olha para o carro e vê o quanto é bonito, mas não há nenhuma aflição, nenhuma comparação, e você se pergunta: “Mas havia isso e agora não tem mais”?... “Que coisa sem sentido, desejar o que eu não tenho, sofrer por algo que eu não tenho”... então, você não entende.

O exemplo que vale para um carro vale para um homem bonito ou uma mulher bonita... Você olha (“Puxa, como ela é bonita”), mas não quer essa mulher para você (“Não tem nada a ver”); é bonita lá, pois não há desejo, não há comparação, porque, nessa “estrutura”, esse modelo, essa programação, já não está mais aí. Isso explica porque alguns nascem nesse mundo sem desejo, ou com poucas coisas ainda que lhe atraem nesse mundo. Um dia será provado, cientificamente, que todas as células carregam uma memória, que não é o DNA; é uma outra espécie de memória, de programação − é a programação do galo, do macaco, do peixe, bem como a programação da inveja, da comparação, do medo.

Aqui em Satsang, você está passando por um processo onde seus “arquivos estão sendo apagados”, onde os “aplicativos estão sendo desinstalados”. Esse processo é o despertar da Consciência no corpo, nessas células, em todo esse “mecanismo”. Isso, que já é conhecido há muitos e muitos anos, é chamado de despertar da Kundalini.

Para o homem ordinário, comum, basta a “vida” como a do galo, do macaco, do peixe; bastam esses aplicativos lá. Esse homem vive trinta, quarenta, cinquenta, setenta anos, e morre, levando para o túmulo com ele, também, a inveja, a ambição, o desejo, etc., ou seja, tudo o que conhecemos como padrões da “mente” egoica. Porém, para você que está dentro desse processo de “desinstalação de programas e aplicativos”, esse “mecanismo" precisa ficar livre do medo, o que causa a comparação, a base do desejo; desejo é medo, através da comparação. “Eu não tenho, quero ter”, “eu tenho, mas não é igual, quero ter”... Isso é medo, e a comparação e o desejo vêm dele.

Então, nesse processo, quando esse “aplicativo” é desinstalado da “máquina”, as células agora começam a trabalhar nessa dimensão nova e, agora, existe Consciência presente − você não é somente um animal, como um galo, um macaco, um peixe. Se você olhar para o reino animal, verá os pavões brigando, porque tem uma fêmea e algo os incomoda; eles brigam, um deles se mostra mais bonito e ficará com a pavoa. Tudo isso também está acontecendo com você, mas precisa ter um fim.

Você é a própria Consciência, a Liberdade, é Amor e Felicidade. Não há medo, aí, em sua Natureza Verdadeira, mas você está identificado com o corpo, com essa estrutura e nela, nas próprias células dessa estrutura, está a memória do pavão, do macaco, do galo, do peixe. Nesse trabalho, no contato com um campo de Presença, uma energia nova funciona como desinstalador dos “aplicativos”. Assim, essa energia entra no sistema, nesse “celular”, que é o seu corpo, e como um vírus ela se espalha e vai desinstalando os sistemas. Isso explica porque, para alguns “celulares” (o corpo), esse processo é tão traumático que dá alguns revertérios, algumas reações desagradáveis, como dor de cabeça, tontura, calor no corpo.

Então, o corpo está passando por um processo, exposto a essa energia nova – a energia do Guru (uma outra palavra para a presença da Graça), que é algo real, entrando nesse sistema, invadindo a estrutura, o corpo, e se espalhando por aí, provocando essas mudanças profundamente necessárias. Dessa forma, a presença do Guru funciona como um “catalisador” dessa energia. Catalisador é uma expressão usada em química, definida como uma substância capaz de alterar a velocidade de uma reação química, ou seja, aquilo que facilita a mudança de uma substância, através de um método científico. A Presença do Guru, a Presença da Graça, da Consciência na forma, reverbera aí, há uma ressonância, e essa ressonância provoca uma mudança desse “mecanismo”, na estrutura das próprias células, especialmente nas células cerebrais. Então, há uma “sintonização”, uma afinação, e todo o processo acontece.

Você não faz nada, e qualquer coisa que você faça, “quem estaria fazendo”? Você não tem nenhuma realidade fora dessa Consciência. Qualquer plano, método, sistema que você aplique, não vai dar certo, embora isso, também, esteja sendo tentado, como nas diversas técnicas de meditação que já estão no mundo. Vez por outra, aparece alguém que entra no mar, tem uma experiência “de uma luz que se abriu” e diz que “descobriu o caminho”; é somente uma experiência no mar, mas aí um novo sistema é criado e também introduzido nesse repertório. Nada disso dá certo; o que dá certo é a shakitpat, a Presença tocando você. Então, a Presença do Guru é esse elemento essencial para a constatação da Verdade de que você já tem toda a “Coisa”.

Por isso que as pessoas passam anos ouvindo falas de Krishnamurti, nas quais ele fala sobre o desejo, e você passa anos lendo Krishnamurti (ele dá toda essa explicação da mecânica do desejo), mas nada lhe aconteceu − você continua com desejo.


Então, o que nós estamos fazendo aqui? Estamos expostos a esse olhar, a esse toque físico, a essa palavra, a esse Silêncio, a esse sopro. O que estamos fazendo aqui? Estamos expostos a esse clima, a essa atmosfera. Há uma atmosfera à minha volta... nada pode chegar dentro dessa atmosfera, pode entrar nesse campo. Nada! Nenhum modelo de pensamento, nenhuma forma de crença. Assim, quando você está aqui, você está diante dessa Graça. 


*Transcrito a partir de um fala em um retiro no mês de Outubro de 2017 no Ramanashram Gualberto em Campos do Jordão 

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Amor é Sabedoria, é Inteligência, é Liberdade, é Felicidade!



Aqui, nesse encontro, estamos descobrindo como ir além dessa ilusão, descobrindo a vida livre desse sentido de separação e, naturalmente, livre de conflitos.

Você sabe que a base do conflito é sempre a divisão, a cisão entre “eu” e o “mundo”, “eu” e o “outro”, “eu” e a “vida”. Um belo dia, você pode se deparar com o seu Estado Natural – eu tenho chamado isso de o florescer do Despertar, o florescer dessa realização de Deus – e, quando você se depara com Isso, não há mais divisão, não há mais conflito.

A sua dúvida é se esse é um estado possível, no entanto, essa é uma colocação totalmente errônea. A realização da Verdade não é um estado. A Verdade, a Realização, Você como Consciência, como aquilo que eu chamo de Estado Natural, não é um estado; então, a dúvida não deveria ser essa. Você deve, sim, questionar-se e duvidar desse estado comum de divisão, de separação e conflito, no qual o sofrimento está presente; ou seja, duvidar disso que você chama de vida – confusa, desorientada, infeliz, problemática... É disso que você deve duvidar! Isso que você chama de vida tem apenas um valor secundário. A Vida Real é Você em seu Estado Real, e esse não é um estado secundário, é um estado simples, natural, primário.

Portanto, em Satsang, estamos tratando de algo muito simples, muito básico, bastante primário! Estamos tratando da Vida como ela é, sem as interferências da mente, do pensamento, desse suposto experimentador. Em um instante de Silêncio, no qual os pensamentos desaparecem totalmente, você reconhece a Vida como ela é! A Vida é somente essa Consciência, essa original Consciência.

Aqui, estamos sempre em contato com a nossa Real Natureza, que está sempre presente, que é essa única Realidade. Essa é a sua Real Natureza: é Amor, é Deus, é Silêncio, é Vida. Isso é Satsang! O que você chama de “mundo de nomes e formas” é só o resultado do pensamento, da atividade da mente. Por isso, a nossa ênfase está na Meditação.

Isso está claro?

Então, nosso espaço real é essa Consciência! É necessário evitar essa identificação com o corpo, com a mente e todos os objetos que ela projeta. Assim, você tem a possibilidade de permanecer em seu Ser, em sua Consciência, em sua Vida Real, naquilo que é Natural!

Essa é a Verdade sobre si mesmo, a Verdade sobre o que Você é. A ignorância começa quando o pensamento passa a nomear coisas, separando isso da Realidade. Quando o pensamento nomeia algo, a mente assume esse conhecimento, separando-se dele. Ela faz isso para se manter como uma entidade no controle. Escolha, poder e controle: a mente egoica não vive sem isso. Isso é total ignorância; o conhecimento é a base da ignorância. É necessário ir além do pensamento e seu conhecimento.

Nós ouvimos muito que conhecimento é poder, mas o poder é ignorância! Tudo o que a mente conhece está dentro da sua limitação. O conhecimento é sempre limitado e, portanto, carrega o peso da ignorância. A Verdade está na Sabedoria, e Sabedoria é Amor – mas não esse “amor” que a mente conhece. O Amor que estamos tratando aqui não tem nada a ver com poder, com conhecimento, com pensamento! Amor é Sabedoria, é Inteligência, é Liberdade, é Felicidade!


O que nós temos conhecido por “vida” (que não é real) é uma vida centrada no pensamento, no conhecimento, na escolha, no poder – que é ignorância e que eu chamei agora há pouco de movimento secundário. Essa é a vida artificial que a mente conhece, enquanto que a Vida Real é essa ação natural primária da Consciência, que é Amor, Sabedoria, Inteligência, Liberdade; que é a Real e Verdadeira Felicidade! Essa é a Natureza da Verdade sobre si mesmo. Essa é a sua Natureza Real!

*Transcrito a partir de um encontro online na noite do dia 22 de Setembro de 2017
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quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

A Arte da Liberdade e da Felicidade


Aqui, tratamos daquilo que eu considero fundamental, de maior importância, que é a resposta direta para essa sua busca permanente pela Felicidade. O que o impede de viver Isso? Qual é o real impedimento? Os pensamentos. Eles têm mantido você dentro desse impedimento.

Observe o que os pensamentos produzem dentro de sua cabeça: conflito, guerra, confusão, caos, contradição, loucura… Você, na mente, vive completamente louco! Quando você acredita em pensamentos, você está louco, completamente louco! Pensamento é sinal de loucura! Você não precisa de pensamentos, mas quando acredita que precisa, você se embola com eles; aí está a loucura! Não é possível realizar a Felicidade pensando. Esse é o segredo dos Sábios, o segredo da Sabedoria. Vocês conseguem ver isso?

Então, o que nós estamos fazendo em Satsang? Descobrindo a arte de Ser, a arte da Felicidade, que é a arte da Liberdade. Eu resolvi não mais sofrer, então, deixei de me ocupar com pensamentos. Ninguém o obriga a sofrer, como ninguém o obriga a beber, fumar ou a ter alguma outra prática. Isso são apenas hábitos, vícios. Portanto, é você quem decide: “Não vou mais sofrer, não vou mais produzir sofrimento, não vou mais brigar, não vou mais criar confusão”. A mente vive em confusão. Ela adora isso! Confusão, guerra, problemas… vocês adoram isso!

Viver no ego é viver na mente, e não há Amor e Paz quando você vive em sua mente. Você entende? Isso é muito simples. A mente está criando confusão o tempo todo dentro de você. As imaginações não terminam nunca: “Ele não gosta de mim”; “Ela não gosta de mim”; “O mundo é cruel demais”; “Eu nunca tenho sorte na vida”… É isso mesmo? Então, não há chance nenhuma! Você está viciado em pensamentos, em comparações… Você se compara com quem tem mais, para se sentir inferior, e com quem tem menos, para se sentir superior. Isso é o ego, é o problema. Não é belo ver a verdade do que está sendo dito aqui?

Participante: A gratidão também é uma ilusão?

M. Gualberto: Também! Não há nada pelo que ser grato e não há ninguém a quem devamos ser gratos. Só tem Deus fazendo tudo! Quem se sentiria agradecido? E quem se sentiria agradecendo? Aquele que espera ser agradecido, quando não recebe isso, sente a ingratidão e, portanto, a injustiça. Então, esperar ser agradecido é tão miserável quanto a ilusão da autoimportância de querer parecer ao outro que é grato, agradecendo.

Quando você soma zero mais zero, você tem um valor positivo ou negativo? Zero mais zero é igual a zero! Quando um ego se sente grato e agradece a um outro ego, isso não passa de um zero sendo somado a zero. Isso não tem valor nenhum, porque isso não vai além do ego; ambos não saíram da esfera da ilusão da egoidentidade. Um ego que dá, sente-se feliz por dar, e um outro ego que recebe, sente-se agradecido, feliz, por receber. Esse que dá, sente-se importante e digno de ser reconhecido e agradecido pelo outro, por ter sido tão generoso, tão nobre, tão grande, tão especial; e o outro que recebe, fica grato, mas nada disso tem qualquer relação com a Felicidade! A Felicidade está além da gratidão e da ingratidão, do dar e do receber. A gratidão está no reino da imaginação; a Felicidade está no reino da Verdade.

A Felicidade é o centro mais profundo — um centro sem bordas, sem circunferência — do seu Ser. No centro mais profundo do seu Ser, está a Felicidade. Esse trabalho, em Satsang, se propõe a levar você além do ego e sua imaginação; além de todas as coisas bonitas consideradas importantes pelo ego, como o imaginário amor, a imaginária gratidão, a imaginária bondade, a imaginária liberdade, a imaginária felicidade… Você está cheio de crenças, imaginações, acerca do que é o Amor, a Felicidade, a Verdade, a Paz… Tudo fantasia!

Estou falando sobre essa Ciência, que significa ir além do sonho, desse sonho da mente, e viver essa direta experiência de Ser. Você é esta Consciência, esta Presença, esta Realidade, e Isso é a Felicidade de seu Ser. Está claro isso?



*Transcrito a partir de uma fala em encontro online na noite de 15 de Dezembro de 2017
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segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

A real resposta se revela no Silêncio



Aqui, nesses encontros, nós tratamos sobre a Real Natureza, e isso é algo que está além das palavras. Não importa a quantidade de fatos que nós podemos investigar aqui, o objetivo desses encontros é conseguirmos ir além das palavras.

A Verdade não é um acúmulo de fatos, é algo sem causa… Assim, esse Eu Sou – que é sobre o que nós tratamos aqui – não é algo abstrato, não é um conceito ou uma ideia. O ensinamento da Verdade não é uma transmissão de conceitos. A real resposta se revela no Silêncio, aparece nesse Silêncio. É preciso uma abertura, ou seja, é necessário se permitir ser tocado pela Verdade, e isso é algo que requer uma real sensibilidade ao Silêncio. O Silêncio carrega a fragrância da Verdade!

Quando você escuta uma música e se preocupa muito com o significado da letra, você para de ouvir a melodia. Quando você vai ouvir música, você não pode se preocupar muito com o significado das palavras; a Verdade não se revela nas palavras, e sim, no Silêncio. Portanto, a minha recomendação a você é: permaneça na música, mergulhe nessa música, não se preocupe com a letra. Quando isso acontece, essa abertura à própria música, ao próprio Silêncio nas palavras, pode trazer você de volta para casa. Sua casa é sua Real e Verdadeira Natureza.

Quando você diz “eu sou uma mãe” ou “eu sou um filho”, você não está dizendo nada sobre Você. Quando você diz “eu sou um americano” ou “sou um brasileiro”, você continua sem dizer nada sobre Você. Assim, as palavras dentro desse encontro, com essa música, estão apontando para algo anterior a tudo isso. Esse é um novo tipo de conhecimento… não é um conhecimento que nasce do acúmulo de informações, de experiências e de percepções de fatos, mas é um conhecimento direto do seu próprio SER, de sua própria Natureza Real – o conhecimento de quem Você é.

Todo conhecimento de experiências, de fatos e de conceitos é externo àquilo que Você é, no entanto, esse conhecimento do qual estamos falando aqui é algo direto. Então, quando você diz “eu sou uma mãe” ou “eu sou um filho” ou “sou americano” ou “sou brasileiro”, isso não significa absolutamente nada. Esse é o tipo de conhecimento que a mente tem, que a mente busca, que a mente deseja… Não há Verdade nesse tipo de conhecimento! Esse Verdadeiro Conhecimento do qual falamos em Satsang é o conhecimento de sua Natureza Real, e ela é não-objetiva, não-espacial.

O propósito desse encontro é voltar para casa, ou descobrir a casa Aqui e Agora. Este conhecimento é o Real Conhecimento de Si mesmo. Você precisa investigar a si mesmo; não aquilo que está do lado de fora, mas aquilo que Você é, Aqui e Agora, dentro de si. Na maior parte do tempo, você está vivendo de uma forma reativa, ou seja, dando respostas a exterioridades. Quero convidá-lo a se observar, a observar suas reações, observar onde está acontecendo esse movimento. Você logo constatará que ele está apenas na exterioridade e, portanto, são meras ações reativas. A mente vive reativamente, enquanto o seu Ser Real nunca reage. A mente está reagindo o tempo todo, enquanto seu Ser permanece inatingível, Pura Consciência… O seu Ser não está preso a esse conhecimento de fatos, de experiências – o conhecimento objetivo. O seu Ser é pura Liberdade e, nessa Liberdade, está a Paz, a Felicidade de sua Natureza Verdadeira, de sua Natureza Real.

Então, você não pode descobrir a Verdade sobre si mesmo externamente, através do conhecimento ou da experiência objetiva. Conhecimento Real sobre si mesmo é a libertação de todo condicionamento e, portanto, de todo conhecimento que a mente, a experiência e a observação produzem, e que pode ser demonstrado ou explicado através de fatos.

É preciso descobrir a música; a música pode revelar o Ser, enquanto a palavra pode apontar para Isso. Estamos usando essa expressão música e palavra dentro desse contexto, dentro dessa fala, exclusivamente. A ênfase nessa fala está sempre apontando para o que está além da fala e, nessas palavras, apontando para a própria música.

Assim, a coisa mais importante nesse encontro é o Silêncio e não a palavra; é o mergulho, a imersão na própria música. Dessa forma, é essencial descobrir como observar a si mesmo, como observar o que se passa internamente, quais os seus motivos, intenções, razões, reações. Comece a fazer isso, Aqui e Agora, nesse instante. Isso traz à estrutura essa sensibilidade, essa vulnerabilidade para esse encontro consigo. Isso é Real Meditação!


*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite de 03 de Novembro de 2017
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