quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

A Ciência e a Arte da Liberdade e da Felicidade


Aqui, tratamos daquilo que eu considero fundamental, de maior importância, que é a resposta direta para essa sua busca permanente pela Felicidade. O que o impede de viver Isso? Qual é o real impedimento? Os pensamentos. Eles têm mantido você dentro desse impedimento.

Observe o que os pensamentos produzem dentro de sua cabeça: conflito, guerra, confusão, caos, contradição, loucura… Você, na mente, vive completamente louco! Quando você acredita em pensamentos, você está louco, completamente louco! Pensamento é sinal de loucura! Você não precisa de pensamentos, mas quando acredita que precisa, você se embola com eles; aí está a loucura! Não é possível realizar a Felicidade pensando. Esse é o segredo dos Sábios, o segredo da Sabedoria. Vocês conseguem ver isso?

Então, o que nós estamos fazendo em Satsang? Descobrindo a arte de Ser, a arte da Felicidade, que é a arte da Liberdade. Eu resolvi não mais sofrer, então, deixei de me ocupar com pensamentos. Ninguém o obriga a sofrer, como ninguém o obriga a beber, fumar ou a ter alguma outra prática. Isso são apenas hábitos, vícios. Portanto, é você quem decide: “Não vou mais sofrer, não vou mais produzir sofrimento, não vou mais brigar, não vou mais criar confusão”. A mente vive em confusão. Ela adora isso! Confusão, guerra, problemas… vocês adoram isso!

Viver no ego é viver na mente, e não há Amor e Paz quando você vive em sua mente. Você entende? Isso é muito simples. A mente está criando confusão o tempo todo dentro de você. As imaginações não terminam nunca: “Ele não gosta de mim”; “Ela não gosta de mim”; “O mundo é cruel demais”; “Eu nunca tenho sorte na vida”… É isso mesmo? Então, não há chance nenhuma! Você está viciado em pensamentos, em comparações… Você se compara com quem tem mais, para se sentir inferior, e com quem tem menos, para se sentir superior. Isso é o ego, é o problema. Não é belo ver a verdade do que está sendo dito aqui?

Participante: A gratidão também é uma ilusão?

M. Gualberto: Também! Não há nada pelo que ser grato e não há ninguém a quem devamos ser gratos. Só tem Deus fazendo tudo! Quem se sentiria agradecido? E quem se sentiria agradecendo? Aquele que espera ser agradecido, quando não recebe isso, sente a ingratidão e, portanto, a injustiça. Então, esperar ser agradecido é tão miserável quanto a ilusão da autoimportância de querer parecer ao outro que é grato, agradecendo.

Quando você soma zero mais zero, você tem um valor positivo ou negativo? Zero mais zero é igual a zero! Quando um ego se sente grato e agradece a um outro ego, isso não passa de um zero sendo somado a zero. Isso não tem valor nenhum, porque isso não vai além do ego; ambos não saíram da esfera da ilusão da egoidentidade. Um ego que dá, sente-se feliz por dar, e um outro ego que recebe, sente-se agradecido, feliz, por receber. Esse que dá, sente-se importante e digno de ser reconhecido e agradecido pelo outro, por ter sido tão generoso, tão nobre, tão grande, tão especial; e o outro que recebe, fica grato, mas nada disso tem qualquer relação com a Felicidade! A Felicidade está além da gratidão e da ingratidão, do dar e do receber. A gratidão está no reino da imaginação; a Felicidade está no reino da Verdade.

A Felicidade é o centro mais profundo — um centro sem bordas, sem circunferência — do seu Ser. No centro mais profundo do seu Ser, está a Felicidade. Esse trabalho, em Satsang, se propõe a levar você além do ego e sua imaginação; além de todas as coisas bonitas consideradas importantes pelo ego, como o imaginário amor, a imaginária gratidão, a imaginária bondade, a imaginária liberdade, a imaginária felicidade… Você está cheio de crenças, imaginações, acerca do que é o Amor, a Felicidade, a Verdade, a Paz… Tudo fantasia!

Estou falando sobre essa Ciência, que significa ir além do sonho, desse sonho da mente, e viver essa direta experiência de Ser. Você é esta Consciência, esta Presença, esta Realidade, e Isso é a Felicidade de seu Ser. Está claro isso?



*Transcrito a partir de uma fala em encontro online na noite de 15 de Dezembro de 2017
Encontros onlines todas as segundas, quartas e sextas as 22h 
Para participar baixe o App Paltalk gratuitamente em seu computador ou dispositivo móvel

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

A real resposta se revela no Silêncio



Aqui, nesses encontros, nós tratamos sobre a Real Natureza, e isso é algo que está além das palavras. Não importa a quantidade de fatos que nós podemos investigar aqui, o objetivo desses encontros é conseguirmos ir além das palavras.

A Verdade não é um acúmulo de fatos, é algo sem causa… Assim, esse Eu Sou – que é sobre o que nós tratamos aqui – não é algo abstrato, não é um conceito ou uma ideia. O ensinamento da Verdade não é uma transmissão de conceitos. A real resposta se revela no Silêncio, aparece nesse Silêncio. É preciso uma abertura, ou seja, é necessário se permitir ser tocado pela Verdade, e isso é algo que requer uma real sensibilidade ao Silêncio. O Silêncio carrega a fragrância da Verdade!

Quando você escuta uma música e se preocupa muito com o significado da letra, você para de ouvir a melodia. Quando você vai ouvir música, você não pode se preocupar muito com o significado das palavras; a Verdade não se revela nas palavras, e sim, no Silêncio. Portanto, a minha recomendação a você é: permaneça na música, mergulhe nessa música, não se preocupe com a letra. Quando isso acontece, essa abertura à própria música, ao próprio Silêncio nas palavras, pode trazer você de volta para casa. Sua casa é sua Real e Verdadeira Natureza.

Quando você diz “eu sou uma mãe” ou “eu sou um filho”, você não está dizendo nada sobre Você. Quando você diz “eu sou um americano” ou “sou um brasileiro”, você continua sem dizer nada sobre Você. Assim, as palavras dentro desse encontro, com essa música, estão apontando para algo anterior a tudo isso. Esse é um novo tipo de conhecimento… não é um conhecimento que nasce do acúmulo de informações, de experiências e de percepções de fatos, mas é um conhecimento direto do seu próprio SER, de sua própria Natureza Real – o conhecimento de quem Você é.

Todo conhecimento de experiências, de fatos e de conceitos é externo àquilo que Você é, no entanto, esse conhecimento do qual estamos falando aqui é algo direto. Então, quando você diz “eu sou uma mãe” ou “eu sou um filho” ou “sou americano” ou “sou brasileiro”, isso não significa absolutamente nada. Esse é o tipo de conhecimento que a mente tem, que a mente busca, que a mente deseja… Não há Verdade nesse tipo de conhecimento! Esse Verdadeiro Conhecimento do qual falamos em Satsang é o conhecimento de sua Natureza Real, e ela é não-objetiva, não-espacial.

O propósito desse encontro é voltar para casa, ou descobrir a casa Aqui e Agora. Este conhecimento é o Real Conhecimento de Si mesmo. Você precisa investigar a si mesmo; não aquilo que está do lado de fora, mas aquilo que Você é, Aqui e Agora, dentro de si. Na maior parte do tempo, você está vivendo de uma forma reativa, ou seja, dando respostas a exterioridades. Quero convidá-lo a se observar, a observar suas reações, observar onde está acontecendo esse movimento. Você logo constatará que ele está apenas na exterioridade e, portanto, são meras ações reativas. A mente vive reativamente, enquanto o seu Ser Real nunca reage. A mente está reagindo o tempo todo, enquanto seu Ser permanece inatingível, Pura Consciência… O seu Ser não está preso a esse conhecimento de fatos, de experiências – o conhecimento objetivo. O seu Ser é pura Liberdade e, nessa Liberdade, está a Paz, a Felicidade de sua Natureza Verdadeira, de sua Natureza Real.

Então, você não pode descobrir a Verdade sobre si mesmo externamente, através do conhecimento ou da experiência objetiva. Conhecimento Real sobre si mesmo é a libertação de todo condicionamento e, portanto, de todo conhecimento que a mente, a experiência e a observação produzem, e que pode ser demonstrado ou explicado através de fatos.

É preciso descobrir a música; a música pode revelar o Ser, enquanto a palavra pode apontar para Isso. Estamos usando essa expressão música e palavra dentro desse contexto, dentro dessa fala, exclusivamente. A ênfase nessa fala está sempre apontando para o que está além da fala e, nessas palavras, apontando para a própria música.

Assim, a coisa mais importante nesse encontro é o Silêncio e não a palavra; é o mergulho, a imersão na própria música. Dessa forma, é essencial descobrir como observar a si mesmo, como observar o que se passa internamente, quais os seus motivos, intenções, razões, reações. Comece a fazer isso, Aqui e Agora, nesse instante. Isso traz à estrutura essa sensibilidade, essa vulnerabilidade para esse encontro consigo. Isso é Real Meditação!


*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite de 03 de Novembro de 2017
Encontros online todas as segundas, quartas e sextas as 22h  
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quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Quando não há desejo, há paz e totalidade


Essa é mais uma bela oportunidade de estarmos juntos. O que fazemos por aqui? Será essa mais uma procura, mais uma busca, ou nosso interesse aqui é outro? É necessário que você compreenda o que estamos fazendo aqui ou isso será apenas outra busca, outra procura - que nada mais é que o desejo de se livrar do problema do desejo.

Existe uma diferença entre investigar o desejo e desejar se livrar dele. O que eu tenho notado é que as pessoas não estão dispostas a ir além do desejo; elas têm o desejo de se livrar do desejo. Você pode ter uma atitude de investigação da natureza do desejo ou pode ter o desejo de se livrar do desejo. Aqueles que procuram se livrar do desejo querem, na verdade, encontrar a Felicidade. É uma coisa impossível livrar-se do desejo para obter a Felicidade, a Paz!

Então, as pessoas querem se libertar do desejo, mas isso porque elas têm um desejo, que é o da Felicidade, da Paz. Veja qual é o problema real: a Felicidade e a Paz não nascem quando o próprio desejo se livra do desejo. O desejo jamais irá se livrar do desejo e, assim, jamais haverá Paz e Felicidade. É necessário investigar a natureza do desejo, da infelicidade, do conflito. 

O que estou dizendo é que você jamais vai saber o que é a Paz, a Felicidade, ou o “fim do desejo”, desejando realizar Isso. A Felicidade, assim como a Paz, não pode ser encontrada, e o “fim do desejo” não é algo que se obtém pelo desejo. Em outras palavras, o fim do desejo é a Paz, é a Felicidade, mas você não termina com o desejo através do próprio desejo.

Se essa investigação tem sucesso, você penetra na natureza do desejo. Esse Estado do “não desejo” não busca absolutamente nada! Então, esse Estado é de Suprema Completude, Felicidade e Abundância! Olhe como isso é interessante! Essa Totalidade é absoluta Paz, e Ela já está presente; não é algo que se encontra pelo desejo. Você não encontra a Paz, a Felicidade, pelo desejo. Nesse Estado livre do desejo está a Paz, a Felicidade, e isso nasce da investigação da natureza do desejo e não do desejo de se livrar do desejo. Está claro isso?

Você investiga a natureza do desejo e isso termina com ele. Quando não há desejo, existe Paz, Felicidade, esse sentido de Totalidade. Então, você não se liberta do desejo, porque seu Estado Natural já é livre dele. Repare que estamos dando uma chave para você, despercebida por muitos que passam anos estudando esse tipo de assunto.

Você não está aqui trabalhando para que os desejos terminem, mas sim para constatar a sua Natureza Verdadeira e, para isso, você precisa investigar a natureza do desejo. Você não vai chegar à Felicidade, à Paz, ao Ser. Você vai descobrir em si mesmo o obstáculo, a barreira que o impede de constatar Aquilo que já está presente. É por isso que você não alcança a Iluminação, não realiza Isso no futuro. A Realização de Deus, a Iluminação, é algo presente aqui e agora. Tudo que você precisa é descobrir o que o está impedindo de ser Aquilo que Você é.

O seu trabalho é constatar essa ilusão, que é a ilusão da mente com os seus desejos. Assim, você sabe que o que realmente está buscando não é nada mais do que essa Completude, a Paz desse Estado Natural, que é o Estado de “não desejo”. Entretanto, não é uma busca para se livrar do desejo, através do desejo, e chegar a esse Estado; é uma investigação, uma observação do movimento do desejo. Você apenas vai observar como a mente se projeta para se preencher com suas imaginações, e isso é o fim do desejo, o fim da ilusão de uma entidade na experiência do desejo.

Repare que isso não tem nada a ver com o desejo de parar de desejar ou com qualquer esforço que se possa fazer a fim de se obter essa Realização. Não se trata de um esforço, mas de um trabalho paciente, em si mesmo, de anulação do condicionamento, desse movimento egoico, desse movimento da mente.

Quando você observa a si mesmo, você é realmente forçado a admitir que, a cada dia, você é um prisioneiro dos desejos. Você é um prisioneiro da mente e dos seus projetos, da mente e das suas imaginações. Então, quando você diz algo como “Eu sou prisioneiro de centenas de desejos”, termina confessando que isso o afasta da sua Natureza Essencial, que é Paz. Esses desejos são a base do conflito, do sofrimento, e, quando isso está presente, não há Paz, Felicidade.

Existem muitos buscando a Paz, a Felicidade, a Iluminação, o “fim do desejo”, mas essa busca é totalmente equivocada e sem propósito, ou seja, é somente mais uma “viagem” do ego. O ego adora esse movimento de ir para algum lugar e, agora, está em busca da Iluminação. Inclusive, hoje em dia, já existem muitos egos “iluminados”, e outros estão se “iluminando” em razão desse esforço, porque eles estão buscando isso e, quando eles buscam, terminam encontrando.

Ao redor do planeta, todos os dias surgem novos egos “iluminados” e, aqui no Brasil, também está acontecendo isso – é uma espécie de epidemia global, porque todos estão procurando isso, estudando, aprendendo e “se iluminando”... É uma espécie de realização de um desejo, como uma formação de terceiro grau, em que você procura aquilo, torna-se especializado tecnicamente em determinado conhecimento, que lhe dá uma qualificação e, então, se torna uma pessoa “iluminada”. Ainda, se você gosta de falar, de se apresentar, torna-se um “guru”. É claro que isso não tem nada a ver com o Estado Natural, que é Felicidade, Completude, Liberdade, Inteligência.

O Estado Natural é um Estado livre do sofrimento, livre da contradição desse falso “eu”. Quando a Realização está presente, a sua mente não está. No Estado Natural não tem “alguém”; não tem, ali, um guru, uma “pessoa”, um professor.

Vamos ficar por aqui e até o próximo encontro. Namastê!


*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite do dia 06 de Novembro de 2017 Para participar dos nossos encontros online é só abaixar o app Paltalk no seu computador ou smartphone, encontros todas as segundas, quartas e sextas as 22h.

domingo, 7 de janeiro de 2018

O que a honesta investigação lhe revela sobre o corpo?



A Verdade está nesta base: toda a noção de tempo aparece na mente. Quando não há mente, não há tempo. Abandone toda noção do “eu” e, então, não haverá mais tempo. Quando não há tempo, não há problema.

Por que você precisa do tempo? Eu não preciso do tempo porque ele não é importante para mim. Que dia é hoje? Não sei... Todos os dias são iguais para mim – domingo, sábado, etc.

Para você, qual a diferença entre as letras do alfabeto? Qual a diferença entre a, b, c...? Isso faz alguma diferença para você, na sua vida? Em uma palavra você usa a letra “a” e numa outra você usa a letra “z”.  Mas que diferença isso faz? Isso muda alguma coisa para você? Existe alguma diferença emocional ou psicológica para você? Isso provoca alguma dor em você? Ou você se sente especial quando a palavra pede a letra “a” e você coloca a letra “a”?  Aí você se sente especial. É assim? Não!

É assim que o sábio lida com o que acontece: não faz a menor diferença para ele! Isso não o torna importante, não o torna inteligente, também não o torna estúpido, nem infeliz... Tudo só acontece, e não tem nada a ver com ele. Tudo só acontece, e não tem nada a ver com Você em seu Estado Natural!

No entanto, você tem que buscar no pensamento a informação do tempo. O tempo é só uma convenção que o intelecto criou. Ele dá nome aos dias, às horas... bobagem. É só uma convenção, não é uma realidade empírica que se pode tocar e provar.

Tempo e espaço são uma prisão. Repare que você está preso quando carrega a noção de que tem hora para pegar o voo porque o avião pode sair sem você, hora de atender o paciente porque ele vai ficar sem a consulta dele e você vai ficar sem o seu dinheiro. Sempre quando entra o tempo, entra a prisão. Sim ou não? Pense em algum momento em que o tempo está presente sem prisão. Não existe. Até mesmo para chegar nesse salão tem hora. Você está tão bem em ser o que é, mas tem que subir estas escadas na hora marcada... Para que tudo isso? 

Tudo o que a mente produziu é um misto de conforto e desconforto para ela. Você está sentando agora; sentar-se é algo muito confortável, num sofá, numa cadeira, num banco. Mas é confortável por quanto tempo? A mesma cadeira que o faz se sentir confortável, daí a pouco começa a dar-lhe dor nas costas. O tempo cria o conforto e o desconforto. Os objetos que a mente produz criam conforto e desconforto. Tudo isso é prisão.

Olhe para o seu corpo: é delicioso tomar um sorvete, comer um pedaço de bolo... é delicioso na boca, mas quando chega no estômago, aquele bolo produz gazes que ficam presos e, então, você sente dor. Oh! O bolo estava tão bom mas o efeito do bolo não está nada bom! O corpo é assim, na boca o prazer, no estômago... (risos) O corpo é uma prisão, é uma construção do pensamento também.  Há um intervalo entre o prazer do bolo na boca e o efeito dele no estômago. Há um intervalo, olhe o tempo... O que você vai fazer com isso? Você tem que ir além do corpo, você tem que ir além do tempo, além dos objetos que estão lhe dando prazer e dor. 

Não existe nada na sua vida, tanto externa quanto internamente ao corpo, que seja Felicidade. Tudo é tão efêmero, tão passageiro e tão miserável enquanto dura, que no fundo, no fundo, investigando matematicamente, há mais dor do que prazer. O marido, por exemplo, dá prazer mas dá infelicidade também. Os filhos dão alegria e tristeza ao mesmo tempo. Uma namorada, um namorado... Estou certo ou estou errado?

Enquanto a mente se mantém presente, mesmo o momento de prazer está cheio de dor. Se você for honesto nesta investigação, perceberá o quanto de miséria, medo, dependência, posse, desejo, existe no prazer. Não existe nada que o torne mais miserável do que necessitar de algo ou de alguém para sentir prazer, para encontrar prazer...


Agora vocês sabem porque pessoas não querem me ouvir! (risos)

*Trecho de uma fala ocorrida durante um retiro de 15 dias, no Ramanashram Gualberto na cidade de Campos do Jordão no mês de Outubro de 2017

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Tudo isso precisa terminar



Aqui, neste encontro, estamos diante de uma forma real de ouvir sobre isso. Nós podemos entrar em contato, a princípio, com o lado meramente teórico e verbal desse assunto, ou podemos ter a oportunidade que vocês estão tendo aqui, onde nosso interesse não é em palavras. Não temos nada a acrescentar a você do ponto de vista de um ensinamento, não temos nenhum conhecimento. Portanto, não se trata de algo para ser aprendido – não nesse encontro, nessa sala. Se o seu objetivo é aprender sobre isso, eu recomendo procurar algum livro que possa informá-lo sobre isso. Livros e palestras são ferramentas importantes para aprender sobre uma determinada matéria ou assunto.

O assunto que nos interessa nesse encontro é a investigação da Natureza Real, da Verdade sobre nós mesmos. Como a Verdade não se encontra em palavras, só há uma forma de se investigar isso, e essa forma é esse “ouvir correto”. Então, quando você se depara nesse encontro com o Silêncio que nasce dessa observação interna, você pode se deparar com a Verdade. Portanto, não há nada de intelectual nisso!

Essa ação, essa atividade implica nessa ausência de qualquer ideia preconcebida. Nós não estamos, aqui, lutando para chegar a um objetivo imaginado – Sabedoria não é o resultado disso. Você não constata a Verdade do seu ser lutando. Dessa forma, você nem imagina e nem luta. Portanto, a imaginação, a luta e a base de uma ideia preconcebida é totalmente falsa. Nós não podemos contar com isso em Satsang.

Satsang significa encontro com o Ser – com seu próprio Ser – a natureza da Verdade. Então, isso não é uma matéria de estudo. Aqui, você investiga a natureza da ilusão, uma vez que a natureza da Verdade não pode ser alcançada. Assim, você alcança uma visão da ilusão. Uma vez que a ilusão é vista, não há mais qualquer ilusão ali. Então, quando o falso é visto como falso, o Verdadeiro já está presente. Assim, nós não traremos o seu Ser de algum outro lugar, não vamos alcançá-lo e puxá-lo com uma corda. Não se trata de adquirir ou de capturar a Verdade, mas de uma simples constatação de sua presença quando a ilusão termina. Quando a ilusão é vista, ela desaparece… então ela termina. Essa é a grandeza, a excelência, a beleza de Satsang.

Você não pode adquirir isso diante de um professor, tudo o que ele pode lhe dar é conhecimento. Tudo que um livro, uma palestra ou um professor podem lhe dar são novas instruções. Somente a Verdade expressa, comunica a Verdade. A Verdade é o próprio Ser, a própria Consciência… Então, aqui, temos a importância de um verdadeiro Guru. Esse é o verdadeiro Guru, é quando você tem a felicidade de se deparar com essa Presença do lado de fora, essa Presença externa é o Sábio, aquele que é a Verdade! Um Sábio, Aquele que está em seu Estado Natural, não é um professor.

Então, percebam o que significa a oportunidade de ouvir diretamente isso? Ouvir isso é estar diante da Verdade, conhecer sobre isso é estar diante de um professor.

Esse conhecimento, hoje em dia, está em toda parte! Você tem fácil acesso a esse conhecimento! Porém, ouvir isso de verdade é muito raro… Satsang real é estar diante do Guru. E, aqui, o Guru é o próprio Ser, a Consciência, a Graça, a Verdade. Então, seu próprio Ser é essa Presença. Esse momento é único para você. Não estamos lhe ensinando nada, estamos apenas diante do Silêncio. É desse Silêncio que brota a resposta a “Quem sou eu?”. Esse é resultado da Meditação e não do conhecimento, da experiência, da especialização, da habilidade de comunicar ou entender isso.

A Verdade não pode ser alcançada, como já colocamos, ela pode apenas despertar! Quando tudo está completamente pronto, quando todos os obstáculos são afastados, todas as crenças, conclusões, opiniões, julgamentos, imaginações… quando todos os desejos terminam, então a Verdade se expressa. 

O movimento da mente acontece dentro de você assim: “Quando eu olho para mim, eu observo claramente isso… Sou forçado a admitir que cada dia sou prisioneiro de centenas de desejos!” Então, não há Felicidade, não há Liberdade, não há Paz! Se a investigação daquilo que somos é o fim de toda ilusão, então nós temos esse despertar – o despertar da Verdade. Tudo isso precisa terminar, essa é a condição para essa revelação, para essa manifestação Real.

Não existe uma quantidade de estudos que possam ser feitos, de livros que possam ser lidos, ou palestras que possam ser escutadas para que isso aconteça. O que eu estou dizendo é que é necessário um mergulho em si mesmo, para além da mente. É necessário um trabalho de completa renúncia a esse falso “eu”. Por isso. eu recomendo a todos estarem em contato com a Verdade, diretamente! Nesse sentido o Guru é essencial, e um trabalho de entrega e rendição é fundamental, sem isso não há trabalho acontecendo.

Você poderá passar uma vida inteira estudando sobre esse assunto, lendo todos os livros que já escreveram – e que ainda serão escritos – ouvindo todas as falas, aprendendo sobre tudo isso, dominando o assunto e até fazendo palestras sobre isso. Poderá tornar-se, inclusive, um grande professor conhecido mundialmente, como nós temos em nossos dias! No entanto, tudo que teremos é uma pessoa instruída, culta… Meu convite a você é para desaparecer! É o fim dessa pessoa, é o fim de todo conhecimento. Essa Realização é a Realização do que eu chamaria de desconhecido. A Realização do Desconhecido! Esse é o Real Conhecimento.

A Realização é a constatação de um conhecimento que nunca será conhecido. Portanto, nunca poderá ser ensinado ou aprendido. Essa é a Arte da Felicidade, que é Meditação, Ser, Sabedoria. Isso está presente quando você não está, quando todo o sentido de pessoa evapora.


*Transcrito a partir de uma fala em encontro online na noite de 25 de Outubro de 2017 - Encontros todas as segundas, quartas e sextas as 22h - Baixe o App Paltalk e participe!



terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Autoconhecimento: O Reconhecimento do Eu Real



Satsang nos mostra a importância da devoção e do autoconhecimento. Autoconhecimento não é o conhecimento do “eu”, deste falso “eu”. Nós empregamos essa palavra “autoconhecimento” nos referindo ao verdadeiro conhecimento, ao reconhecimento do Eu Real, que é o Ser. E esse “verdadeiro conhecimento” é o desconhecido. Isso é o que nos habilita a alcançar essa Completude, essa Verdade Última sobre nós mesmos.
Então, esse caminho da autoinvestigação, essa jornada, implica em uma rejeição total da ilusão da mente egoica, de toda essa nossa usual atividade mental, mesmo a mais elevada. É necessário abandonar essa ilusão; a mente egoica é pura ilusão. É para isso que você está hoje nesse encontro.
Aquele que compreendeu inteiramente a futilidade dessa busca pela Felicidade, pela Verdade, pela Benção e Graça de Deus nesse mundo mental, nesse mundo da dualidade, pode empreender essa jornada de retorno, esse pode voltar-se para a Fonte, através da autoinvestigação e da devoção, e descobrir que o Coração é o lugar onde a Verdade está assentada. Você realiza isso dentro de si mesmo, indo além da mente, além da ilusão desse falso “eu”. Então, a Meditação se torna a inteira compreensão dessa devoção, entrega e rendição à Verdade, e você pode empreender lentamente esse retorno, essa jornada, para descobrir a si mesmo, descobrir Aquilo que Você é, a Verdade sobre Você. Quando você descobre a futilidade da busca pela Verdade nesse mundo da dualidade, você está pronto para esse momento.
O mundo dos nomes, das formas, das imagens, das aparências, faz parte desse sonho. Esse é o mundo conhecido, é o mundo da mente, dos pensamentos. E é nesse mundo que a mente egoica, em seu sonho, se move. Na Índia, eles chamam isso de Avydia, que significa ignorância; é quando a mente egoica toma nomes e formas, e se separa da Realidade como uma entidade, como alguém presente Aqui e Agora. Essa é a ilusão, a ignorância, Avydia. Toda a sua visão do mundo é Avydia, é a visão particular de uma entidade separada. Você não está diante da Realidade; você está se confundindo com a mente, e assim, toda a sua visão é da dualidade, da separação.
Não há nenhuma verdade no pensamento. Pensamento é só a imaginação de nomes e formas; algo dentro do conhecido. Enquanto essa ilusória identidade não se convencer da impossibilidade de encontrar Felicidade, Paz e Liberdade do lado de fora, a ilusão irá continuar. A Verdade está no desconhecido e não no conhecido. Todos os seus desejos estão dentro do conhecido. É necessário conhecer a necessidade do fim do conhecido. Essa é a informação nesse encontro para você. Conhecer que não precisa conhecer, absolutamente, nada! Esse é o paradoxo da Verdade. Vocês estão cheios de conhecimento, cheios do conhecido e, portanto, cheios de desejos. Enquanto não houver intimamente esse total convencimento de que não se pode encontrar essa Felicidade no mundo dos objetos, como é que essa Liberação se tornará disponível a ser alcançada, a ser realizada?
Essa perfeita Felicidade, essa completa Liberdade, esse total Amor, é a natureza do verdadeiro Eu, é a natureza do Ser. Então, o seu único e legítimo desejo é pela Real Felicidade. Desejar a Felicidade é algo muito legítimo; todos os seres desejam a Felicidade, e não há nenhum problema nisso; isso é o que todos intimamente procuram, embora não tenham consciência disso. O problema está na busca desse desejo nos objetos, na experiência da própria mente, no conhecido.
Portanto, todos os desejos são um desejo pelo Ser. No entanto, quando essa busca se dirige a objetos, ela está dentro da mente egoica, e esse é o problema. Porque isso está dentro da dualidade, da ilusão da separação. Por isso, é fundamental compreender a verdadeira natureza do desejo. Então, o desejo termina quando a mente retorna para a própria Fonte. Assim, ela sai dos objetos, do sonho, da ilusão, da dualidade. Avydia termina e, então, você está de volta em casa.
A verdade do desejo é a busca por Deus, é a busca pela Verdade, é a busca pelo verdadeiro Ser. Quando ela se dirige para os objetos, o sentido egoico aparece, o sentido da dualidade, da mente separatista aparece. Todos estão no desejo, buscando a Felicidade. A busca pela Felicidade nasce desse desejo de encontro consigo mesmo. Inclusive aquele que diz não acreditar em Deus está em busca da Felicidade, então, ele está em busca de Deus, está em busca de Si mesmo, está no desejo pela Verdade.
Só há Deus em toda parte. Deus a procura de Si mesmo. Quando Deus procura a Si mesmo, o jogo começa.

*Transcrito de uma fala em um encontro online na noite do dia 15 de Novembro de 2017 -Encontros online todas as segundas, quartas e sextas as 22h. Baixo o Paltalk App e participe.

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