quarta-feira, 18 de abril de 2018

Um Grande Milagre



Satsang é um grande milagre! Ter o coração voltado para este encontro, para este momento, é um grande milagre! Na mente, você está sempre inquieto e infeliz, portanto, a oportunidade de investigar a natureza da Verdade sobre si mesmo é um grande milagre!

Você nunca tem dado atenção para si mesmo e, agora, tem essa oportunidade. Sua mente está sempre ligada a pessoas, ideias, coisas, imagens… Assim, essa oportunidade de dar atenção a si mesmo e abandonar a mente é um milagre! Observe como você funciona, quais são as suas reações, motivos, intenções, lembranças, memórias, imagens… Tudo isso está atrelado a situações externas, imaginárias, ligadas ao pensamento. É assim que a mente funciona. Esse não é o seu Estado Natural, Real; essa não é a Verdade sobre você. Na Índia, eles tem um nome para essa Verdade sobre você: Samadhi. Isso não é especificamente um estado, mas é o seu Ser, Aquilo que está fora de todos os estados conhecidos da mente. Nessas falas, eu chamo Isso de Meditação. Meditação é o seu Estado Natural. 

A mente, que é aquilo que se ocupa com ideias, pessoas, coisas e imagens, é uma imaginária e fictícia prisão, a qual você construiu em volta de si mesmo. Enquanto você estiver preso nessa prisão imaginária, não estará em seu Ser, em seu Estado Natural. Uma coisa é certa: o Real não é imaginário, mas tudo que você pode viver na mente é. Então, essas coisas, pessoas, ideias, imagens e ocupações na mente são todas imaginárias. O que você precisa é ir além das tendências desse falso “eu”, que é a mente no movimento dela. Assim, é um verdadeiro milagre você estar aqui podendo investigar, inquirir, observar, duvidar desse movimento, que é o velho e conhecido movimento da mente. 

Não existe nada peculiar nesse momento presente, pois ele não é, basicamente, diferente do passado ou do que o futuro irá apresentar. Entretanto, existe “algo” presente que está além desse presente momento, além do passado e do futuro. Essa é a Beleza, o Milagre, a Graça de Satsang! Estamos falando dessa Presença! Eu Sou sempre agora! Não se trata do que acontece. Coisas aconteceram no passado, estão acontecendo no presente e acontecerão no futuro, mas o que faz toda a diferença é que Eu Sou! Esse “Eu Sou” é essa Presença imutável, que não está ligada ao corpo, à mente, e nem aos acontecimentos no tempo. Então, o que faz este presente momento ser tão diferente? Obviamente, minha Presença, meu Ser, minha Natureza Verdadeira. Você precisa tomar ciência Disso, ou continuará no tempo, no presente, no passado, caminhando para o futuro, preso às situações, circunstâncias e acontecimentos, confundindo-se com o corpo e com a mente. Quando isso acontece, você fica preso nessa prisão imaginária da mente. O passado está nas recordações, memórias; o futuro, nas imaginações, desejos e sonhos; e, entre o passado e o futuro, está o medo presente, a ansiedade presente.

Portanto, esse presente momento fica assim, carregado com o passado (remorso, culpa arrependimento…) e com o futuro (desejo, sonho, imaginação…). Essa é a prisão desse personagem imaginário, desse falso “eu”. Então, você termina dando realidade a situações transitórias, como sentimentos, pensamentos, emoções, sensações e percepções. Tudo isso está atrelado ao corpo e às experiências da mente, não é Você, não é a Verdade sobre Você! Quanto mais você faz isso, mais fortalece a ilusão de ser uma entidade separada no tempo e no espaço, vivendo uma história humana. Dessa forma, você fica sempre preso a essa limitação de tempo e espaço — um tempo criado pela mente e um espaço criado pelas sensações e percepções dos sentidos; pela ideia de um corpo presente. Tudo isso é resultado da ignorância acerca da Verdade sobre si mesmo. 

Não existe uma causa particular para os acontecimentos, tudo está apenas acontecendo. O particular é imaginário. A mente cria uma relação de causa e efeito na tentativa de explicar o que acontece para uma suposta entidade particular presente no tempo e no espaço. Na verdade, o tempo é irreal, o espaço é irreal, o particular é irreal e os acontecimentos também. 

Então, nosso convite, em Satsang, é para que você vá além do que a mente está produzindo. Ela tem produzido isso tudo, toda essa noção de realidade, corpo, mente, mundo, tempo, espaço, pessoa, história… Essa é a ilusão dessa identidade separada. Assim, permaneça nessa gratidão interna por esse milagre chamado Satsang, pela oportunidade de estar presente nessa investigação.

Namastê.

* Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite do dia 19 de Março de 2018 - Encontros online todas as segundas, quartas e sextas às 22h - Pará participar baixe o Paltalk em seu smartphone, computador ou tablet. 

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Assim é a sua Natureza Real





Há um real e definitivo Estado Natural de Ser. Você não pode permanecer na ilusão quanto a isso, mesmo porque você nasceu para essa Realização. A Vida tem uma representação impessoal, ou seja, Ela não se importa com as ideias que você tem. A mente egoica, por natureza, vive se importando com todo e qualquer pensamento sobre o mundo externo ou o mundo interno. Dentro de sua busca de satisfação e preenchimento, ela faz isso, e é algo constante em todos.

A ilusão da impermanência de seu Estado Natural faz com que você se confunda, permanentemente, com aquilo que não é real, porque você não sabe nada a respeito de “quem você é”. Você tem uma ilusão sobre si mesmo muito ampla e forte: você se vê como um ser impermanente e completamente identificado com o que acontece externamente ou internamente. Estar confundido com isso é o que eu chamo de “identificação com a mente egoica”. Sim, há algo impermanente, mas isso não é real, não é Você em seu Ser, em sua Natureza Verdadeira.

Durante longos e longos anos, você tem se confundido com a mente egoica e, assim, tem se confundido com estados que vêm e vão; são assim seus estados internos e a sua representação externa desses estados. Então, você tem se confundido com emoções, pensamentos, sensações físicas e percepções sensoriais. Você acredita que isso é você, e, por já ter observado que isso é impermanente, que vem e vai, acha que este é o seu estado real.

Quando você vem a Satsang, eu o convido a ver que isso tudo é uma ilusão. Você está se confundindo com ilusórios estados que vêm e vão e, assim, está dando identidade ao que não tem esse é o sentido de dualidade, o tão badalado sentido de separação.

As sensações vêm e vão, assim como os pensamentos, as emoções, o corpo…  É apenas nesse sentido que não há nada permanente nesse mundo. A impermanência é o sinal daquilo que aparece e desaparece; esse é o selo que marca todas as aparições. Enquanto você se mantém dessa forma, tomando isso como algo real para si mesmo, como sendo “você”, permanece na ilusão da dualidade, não importa o quanto você saiba falar e ensinar sobre isso, nem o quanto você fale sobre amor, paz, liberdade, felicidade e consciência.

A Autorrealização tem uma marca infalível, assim como a ilusão tem um selo que facilmente se pode identificar. Quando falamos de Autorrealização, estamos falando de Realização de Deus, de Consciência de Deus, de Consciência não dual, e Isso não é o que vem e vai. Assim, não podemos falar de Iluminação, ou Autorrealização, se essa “marca” (do aparecer e desaparecer) ainda está presente, e se você se identifica com estados que vêm e vão, ainda.

Como a mente é muito hábil em racionalizar, ela vai fazer isso. Se ela for uma mente educada, treinada, que estudou bastante tempo essa questão da Iluminação, que já assistiu a muitas falas, visitou muitos gurus, estudou muitos livros, assistiu a muitos vídeos, ela vai, infalivelmente, racionalizar, e, nesse momento, você poderá cair em uma armadilha a armadilha de estar “iluminado”, sem estar nada iluminado; de estar “realizado”, sem estar nada realizado.

Seu Estado Natural é imutável. Você é Consciência; essa é sua Natureza Verdadeira. Então, se você está entrando em estados que trazem esta “marca” de aparecer e desaparecer, é sinal de que você, ainda, está se confundindo com a mente egoica; nesse ou naquele aspecto, você está preso à ilusão, ainda. Então, é fundamental se investigar isso, e isso é algo que não pode ser feito intelectualmente. É necessária a rendição desse falso “eu”; é preciso soltar essa marca de identidade pessoal, que faz com que você esteja em um momento de uma forma e no momento seguinte de outra.

A diferença entre uma tela de cinema e os filmes que ali aparecem, é que esses vêm e vão, mas a tela continua a mesma; uma mesma tela para muitos filmes. Alguns filmes tratam de romantismo, outros de terror, suspense e assim por diante, mas a tela permanece a mesma. Assim é o seu Estado Natural, diferente dessas imagens que vêm e vão, porque seu Ser permanece imutável, intocável por qualquer experiência, sensação, emoção, pensamento.

Porém, se você está vivendo a experiência do pensamento, da sensação, da emoção, da percepção e está se embolando com isso, não adianta racionalizar, dizendo que “isso não é real, vem e vai”, embora seja um fato. Realmente, isso vem e vai, mas você, também, está indo e vindo com isso essa é a ilusão de “ser alguém” , e é assim para todos. Então, se você se sente iluminado, esse é o teste de qualidade, é a prova de fogo. Se você é Real, então você é Isso o tempo todo é um Jivamukti, um Ser liberto em Vida (liberto dessas identificações, da ilusão do “experimentador”). Compreendem isso?

Eu comecei falando que a Vida não se importa com você, porque ela carrega a “marca” da impessoalidade, da naturalidade, da realidade, da imutabilidade. Tudo que aparece na Vida muda, mas a Vida, em Si, é O que É. Ela pode se expressar mudando, mas é, em Si mesma, imutável. Assim é a sua Natureza Real, a sua Identidade Real. É disso que tratamos, quando você vem a Satsang (que não é o que estão chamando de satsang por aí).


* Transcrito a partir de uma fala em um encontro presencial no Ramanashram Gualberto em Campos do Jordão em dezembro de 2017

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Enquanto você não descobrir o amor em si mesmo...




Viver é uma arte! Assumir responsabilidade sobre si mesmo e ser feliz é uma arte. Quando você é verdadeiramente feliz, não está preocupado com o mundo, com ninguém! Na verdade, ninguém quer compartilhar dessa sua Felicidade. Então, você assume Isso e Deus se encarrega de trazer para sua proximidade somente aqueles que estão dispostos a viver essa Felicidade, a descobrir o “perfume” que Você tem. Você tem que ser livre, independente! Você não pode ser carente, necessitado, ficar buscando apreciação, reconhecimento, amor, amizade, companheirismo, cumplicidade… Estar só é Felicidade!

Eu vejo pessoas sofrendo de solidão, mas elas não estão sós, pois estão acompanhadas internamente de carências, de desejo de apreciação, de pessoas… Elas não estão, definitivamente, sozinhas. Eu estou só! Somente estando só, você descobre o Amor em si mesmo, e o Amor é uma doação. Eu sou Amor e estou doando Amor. Quem está perto de mim não está me dando nada; não tem ninguém me dando nada! Eu estou só, já “morri”, já perdi tudo! Como vou sofrer de solidão? Entenda o que é estar só: estar só é Amor!

Então, quando você vê as pessoas sofrendo de solidão, elas estão sofrendo de imaginação, do desejo de serem alguém para alguém, de terem outros para si mesmas. Elas são carentes, estão buscando coisas para preenchê-las e fazem algo para serem preenchidas: assistem a filmes, vão a parques, a baladas, ao teatro, associam-se a clubes… tudo para não ficarem sós. Mesmo assim, elas estão sós, no meio da multidão, mas é um “só” cheio de gente, profundamente povoado de carências e necessidades psicológicas.

Você está só, de fato, quando está livre do ego, deste falso “eu”; livre do mundo, de coisas, pessoas e da necessidade de estar em lugares. Aí, sim, você está só, então a Existência inteira se derrama e diz: “Eu estou com Você”. Assim, Você está entre as plantas, entre os animais e as pessoas… Você está cercado do Universo inteiro e ele está dentro de Você. No ego, este “estar só” é estar isolado, cheio de preferências e escolhas, de imaginações, de supostas necessidades e de carências psicológicas.

Os nossos pais e avós morreram em solidão. O Sábio não morre em solidão; Ele morre só, não em solidão. Eu não vivo em solidão, mas estou só. Estar só é ver a Verdade na ilusão. Eu estou sempre falando de você. Você tem que descobrir Isso, a beleza que é estar só. Por que as pessoas se casam, têm filhos? Por que, depois dos filhos, elas começam a desejar netos, e, depois que tem netos, começam a desejar bisnetos? Por que isso? Porque elas querem estar preenchidas, continuar se preenchendo em suas imagens prediletas. Tem imagem mais predileta do que um filho, depois um neto e depois um bisneto? Tudo para não ficarem sós. Então, as pessoas se casam, buscam companhia… mas elas têm companhia, mesmo? Você acha que têm? Observe: quando você está acompanhado, está realmente acompanhado? O outro sabe o que se passa aí dentro e realmente se importa com você? O outro sente a sua dor de “ser alguém”? Assim, você está só, mas é um “só” em solidão, na multidão; é um “só” desejando muito, muitos. Então, não há Liberdade. Enquanto você não descobrir o Amor em si mesmo, jamais vai receber Isso do mundo externo, jamais vai descobrir Isso na multidão.

* Transcrito a partir de uma fala em um encontro presencial na cidade de Campos do Jordão, no Ramanashram Gualberto no mês de novembro de 2017
Acesse a nossa agenda e se programa para estar conosco: http://mestregualberto.com/agenda/agenda-satsang

terça-feira, 10 de abril de 2018

Conflito é sinal de resistência à Vida!



Todos os conflitos são sinais de resistência à Vida! Conflito na vida é resistência à Vida! A vida em conflito é sinal do “sentido de alguém” presente nesse experimentar. A vida, em si, não carrega conflito; a pessoa, em si, não vive sem conflito; a pessoa é esse “alguém” no experimentar.
Se não houver resistência, todas as vezes que você se deparar com a vida, não terá conflito. Quando não há resistência, não há conflito e, assim, Você é a Vida! Mas, todas as vezes que você se deparar com a vida e houver conflito, “você” será o conflito, nessa “vida pessoal”. Ou seja, o conflito é o sinal da presença da “pessoa”. Esse sentido de ser e ter, que é o que cria essa “minha mente”, esse “meu eu”, esse “mim mesmo”, é o sentido da vida que jamais deixa de carregar o conflito, porque “você” está lá, sempre resistindo ao que É, àquilo que acontece.
Nada está acontecendo pelo fato de você estar presente. O que parece estar acontecendo é a Vida se expressando, e Ela não é pessoal, não é a presença deste “você” que determina, controla ou muda as coisas que acontecem. A presença desse “você” é a resistência; é a ilusão de uma “vida pessoal” na Vida única, na única Realidade, que é a Vida como Ela É. A ciência ou a arte da Felicidade, que é viver sem conflito, é viver a Vida como Ela É. Isso significa uma profunda confiança naquilo que acontece, como sendo Deus acontecendo, a Verdade acontecendo. Isso significa não ser importante, não resistir, não ser pessoal, ou seja, não ser o “experimentador” nessa experiência que é a Vida.
Todas as vezes que você estiver sofrendo, será a ilusão de alguém presente batendo de frente ou confrontando com aquilo que a Vida manifesta, com aquilo que Ela É! Não há nenhum sofrimento, conflito e problema, quando não há resistência, que é quando não há o “eu”, essa mente egoica, esse movimento separatista que cria essa dualidade “eu e a vida”, “eu e aquilo que acontece". Nessa separação, você tem o conflito, porque tem a resistência. O que eu estou dizendo é que viver sem ego é muito simples! Viver no ego é que é complicado, porque viver dessa forma requer muita coisa.
Para ser feliz, basta Ser! Para ser infeliz, basta ter qualquer coisa: ideias, crenças, conclusões, opiniões, julgamentos, comparações, objetos, pessoas, resistência. Você não precisa de nada para ser feliz, porque essa é a sua Natureza como Ser. Agora, você precisa de qualquer coisa para ser infeliz, porque essa não é a sua Natureza como Ser. Ser infeliz é a natureza da mente dualista, ilusória, do “sentido de alguém” presente, sempre tentando ajustar, reformar, consertar, controlar, determinar.
Não é simples isso? Estar nessa separação entre “você” e o que vai acontecer é conflito. Isso é ser uma “pessoa”, o que é uma ilusão, porque não há “pessoa”; há somente um movimento de pensamentos, crenças, opiniões, julgamentos e desejos, com os quais você se confunde, se identifica. Assim, você passa a existir separadamente, para “ser alguém”, e, é claro, para sofrer ‒ o ego não pode viver sem isso.
É por isso que eu encontro poucos interessados no que tenho para compartilhar. Todos querem ser alguém, ter, alcançar ou realizar algo; todos querem resistir! É como se estivesse faltando alguma coisa, agora, para serem felizes! A mente egoica cria isso, essa ilusão dessa “pessoa” que precisa de algo.
No dia em que não houver mais aí essa imaturidade, esse posicionamento, que é baseado nesse desejo de ser, ter, fazer, poder realizar algo ou chegar a algum lugar, a Existência toda se derramará! Quando você não mais deseja, nada mais lhe falta. A Verdade é a única forma de você ser, verdadeiramente, milionário, multimilionário; você não deseja nada, porque nada lhe falta. A maneira de ser pobre e profundamente miserável é tendo desejo. Os pobres querem ser ricos, os ricos querem ser milionários, os milionários querem ser multimilionários. Todos são pobres!
Nessa resistência, a pobreza se mantém. A pobreza é essa miséria, essa alienação de sua Verdadeira Natureza, que é Riqueza, Plenitude, Completude, Felicidade. Essa alienação é a verdadeira pobreza, a qual está em cima da resistência. O que está faltando? Qualquer coisa que esteja faltando torna você miserável… qualquer coisa! Não importa o quanto você é milionário ou bilionário, se tem algo faltando, você continua pobre, um pedinte. Porém, se você não tem desejo, você é um Príncipe, um Rei!
Depois que Buda deixou os seus três palácios e toda a sua riqueza, que o tornava miserável, ele passou a andar como um Rei. Depois que ele abriu mão de tudo e não era mais rei, não tinha mais os palácios, nem o reconhecimento público, tornou-se um verdadeiro Rei. Quando Acordou, foi além do desejo, e, então, passou a andar e viver como Rei. Ramana Maharshi também viveu como um Rei!

* Transcrito a partir de uma fala em um encontro presencial realizado em Fortaleza, em Setembro de 2016.


sexta-feira, 6 de abril de 2018

O Conhecimento Real é vivencial



Estamos diante de algo do qual nada pode ser falado. Satsang é algo surpreendentemente inexplicável. A Verdade É ‒ é simplesmente assim. Nada pode ser dito sobre Isso. Então, esse encontro é um momento sem explicações; é um momento de revelação da Verdade, do Silêncio. Essa é a grandeza, a simplicidade e a singularidade de Satsang. Pode parecer muito estranho o que você escuta aqui, mas posso lhe garantir que, quanto mais você tenta conhecer sobre a Verdade, mais se distancia Dela, mais você fica dentro desse “sono”.

Esse é o momento de viver essa Presença, senti-La, ter a Sua revelação, e não a explicação sobre Ela. Eu não sou um filósofo, um professor ou um pregador que você está ouvindo. Não existe nenhum caminho, nenhuma fórmula, nenhum método ou sistema para você conhecer Isso, para que Isso se revele a você. É possível você desaparecer Nisso, mas não “você” compreender Isso. Em outras palavras, Isso não é algo objetivo, que “você”, como um sujeito, pode conhecer. Você não pode segurar Isso em suas mãos e dizer: “Eu apanhei isso! Tenho isso aqui comigo, agora é meu!” ‒ isso não é possível!

Se você for a um professor de Advaita-Vedanta, ele lhe dará explicações, falará da natureza não dual da Existência, da natureza da Verdade… Então, ele lhe dirá que tudo já é o que é, que a Verdade é algo que está presente e que a sua verdadeira natureza é essa Verdade. Enfim, ele vai lhe dizer bastante coisa, dará a você muitas explicações, e, dessa forma, você terminará aprendendo sobre isso.

Aqui, nesses encontros, o que você faz é investigar a natureza da Verdade sobre si mesmo; não se trata de ter um conhecimento sobre Isso. Esse tipo de conhecimento é, também, parte da ignorância, porque é algo meramente teórico; são apenas palavras acumuladas, com as quais você cria um novo conhecimento. Na realidade, Consciência é Conhecimento, mas é um outro tipo de conhecimento. Não é o conhecimento de palavras, é o Conhecimento de Ser. Esse é o real Conhecimento da Verdade, o puro Conhecimento, que é Ser, Consciência, o qual não se trata de um conhecimento verbal, intelectual. Assim, você pode conhecer palavras, como: amor, verdade ou liberdade. Contudo, conhecer a palavra amor não significa conhecer o Amor; conhecer a palavra verdade não significa conhecer a Verdade; conhecer a palavra liberdade não significa conhecer a Liberdade, assim como conhecer a palavra Deus não significa conhecer Deus. Portanto, a palavra não é a coisa em si.

A Verdade é existencial, enquanto que o conhecimento da mente é não existencial, é verbal, teórico, conceitual. Então, aquilo que a mente conhece como verdade, liberdade, Deus e amor são somente palavras. Assim, ou você é Isso ou você fala sobre Isso. Percebem a diferença? Se você é Isso, então não é um professor, não é alguém que está falando sobre isso ‒ você está vivendo Isso! Se você é um professor, está apenas falando sobre Isso. Então, essa é a diferença clara entre o Sábio e o filósofo; entre Ser e meramente conhecer.

Quando há Amor, não há necessidade de palavras, como: “Eu amo você”. Quando há Verdade, não existe necessidade de explicações longas, lógicas, conceituais sobre Isso. A Verdade pode ser sentida, vivenciada; não pode ser conhecida, nem explicada. Na verdade, é possível se explicar a Verdade, mas assim Ela é destruída, já não está lá, porque Ela não está nas explicações, na fala. Quando eu digo que você pode sentir Isso, viver Isso, quero dizer que você pode estar presente Nisso, que Isso está presente em você, sendo Você! O que temos nesses encontros, como nos retiros, é a oportunidade de estar nesse direto “sentir”, de puramente Ser ‒ Isso é a Verdade, é o Amor, é a Liberdade! Isso é Deus!

Esse é o verdadeiro trabalho da Realização. Você não pode examinar Isso como algo que está do lado de fora. Esse “sentir” é o único Conhecimento possível, pois você não pode examinar Isso, que está somente dentro, como se fosse algo externo, do lado de fora. Esse “sentir”, esse Ser, é o único Conhecimento possível, o qual chamo de Conhecimento Real, que é Consciência. Então, esse Conhecimento Real, que é Ser, é a Sabedoria! O conhecimento que é entendimento e compreensão de palavras é pura ignorância, mas não é a bela Ignorância do Sábio; isso é mero intelectualismo e entendimento verbal, teórico. Então, esse conhecimento é verdadeira ignorância, e isso não representa Realização, porque não representa Consciência.

Quando há Consciência, o verdadeiro Conhecimento está presente, e, então, a Verdade não pode ser ignorada. Nesse sentido, conhecer Deus é Ser Deus, pois não se trata de aprender sobre Deus. Também, não se trata de aprender sobre o Amor, a Verdade, a Liberdade, mas, sim, de ser esse Amor, essa Liberdade, essa Verdade. A Verdade está nesse Silêncio, nessa Consciência, nesse Amor, nessa Liberdade; não está nessas palavras.

Então, essa vivência é Consciência, algo que acontece dentro de você. Você não vai ouvir, ler, nem aprender sobre Isso. Há somente uma forma direta de vivenciar Isso, que é através da devoção e pelo Despertar na autoinvestigação — a autoinvestigação traz o Despertar dessa vivência direta e a devoção é aquilo que torna isso possível. Você não pode ler Isso nas escrituras, nem pode ouvir de alguém.


* Transcrito a partir de uma fala de um encontro online realizado em 5 de Fevereiro de 2018.

terça-feira, 3 de abril de 2018

Você não sabe nada sobre quem você é



Você não sabe nada sobre quem você é. O que você tem sobre si são crenças e elas não ajudam em nada, pelo contrário, só fortalecem o sentido de “alguém”. Por isso que não dá certo trabalhar esse Despertar sozinho; não tem nenhum trabalho sozinho! Você pode ler sobre Isso, ouvir um professor e até aprender essa coisa toda, mas isso não constitui um trabalho. O trabalho, sempre, é da Graça, desse Amor de Deus.

O que dissolve isso que aí está, é a verdade de que isso não está aí. Você se vê como uma egoidentidade, mas Deus não o vê assim. Você se vê como um pecador, um sofredor, uma “pessoa”, “alguém”, porém, a Consciência, a Graça, o Guru, não vê você assim. 

Quando as pessoas iam até Cristo, ao Mestre, e apresentavam-lhe uma enfermidade, Ele as curava e lhes dizia: “Vá em paz e não se equivoque mais. Não peque novamente. Não se confunda mais com o corpo”. Ou seja, não se confunda com o experimentador na experiência do pecado. Ele não estava dando realidade ao pecado ou ao pecador; estava dizendo: não se confunda mais com isso.

Então, o que eu tenho a dizer a vocês todos é: relaxem… As coisas acontecem, mas, também, deixam de acontecer. O que não está sempre aí não pode aterrorizar você, não pode assustá-lo. Aquilo que é real está sempre aí e mantém-se como a Verdade, não é atingido jamais por qualquer coisa, porque não tem outra coisa a não ser a Verdade presente! Percebem a beleza da Realização de Deus, da Iluminação, do Despertar, ou como você queira chamar Isso.

Dá para acompanhar o que estou dizendo?

Eu não estou negando o que você sente aí. Não estou negando a sua experiência; estou dizendo: entre fundo nela! Descubra o que é que está por trás dessa, assim chamada, “experiência”. Assim, você vai descobrir que o fundo, o cerne, o coração dessa experiência é sem essa “pessoa” aí, sem um experimentador. Então, o fundo da experiência da dor é Amor. Por trás da mais profunda dor, decepção, frustração, não existe nenhuma dor, decepção ou frustração. Não tem “alguém” lá; não há experimentação na experiência. Isso quebra esse modelo de repetição, porque não há mais a crença na continuidade de uma falsa identidade no prazer — que, na verdade, é dor — de viver e repetir, vez após vez, o mesmo problema. Então, há um rompimento, uma quebra, uma solução de continuidade, um fim para isso, e isso não é trabalho seu.

Eu não estou lhes trazendo informações que vocês já adquiriram lendo livros advaitas, neoadvaitas, o Curso em Milagres, ou outras coisas. Ao me ouvir no coração, vocês verão que estou apontando para algo fora do conceito, da teoria. Portanto, basta ouvir; não capture e transforme isso em mais uma informação, em um conhecimento, porque, dessa forma, você ainda estaria dentro da dualidade, mas agora acreditando numa nova coisa.

O seu real escutar também está dentro do desconhecido. É somente o conhecido que reconhece palavras. Sempre que abro a boca é para dizer algo que está fora das palavras. Nesse momento, se você desiste, você se permite a cura. Contudo, o ego é muito ansioso, é parte do jogo dele querer a “Coisa”, e é por isso que ele se torna um especialista.

* Transcrito a partir de uma fala em um encontro presencial na cidade de Fortaleza em Dezembro de 2017

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Eu não consigo parar de pensar, então, como posso ir além da mente?



A proposta, nesse trabalho, é ir além da mente, embora haja uma grande confusão sobre o que isso significa realmente. Existe, por exemplo, a preocupação com a necessidade de parar de pensar, porque, para muitos, ir além da mente é isso. Então, existe sempre aquela pergunta: “Eu não consigo parar de pensar, então, como posso ir além da mente?” Essa é uma dúvida muito comum. Na realidade, esse pensar não pode ser parado. Compreendam: não é que esse movimento não possa parar, ele não pode “ser parado”. Percebam a diferença. 

Então, essa preocupação de fazer parar o pensamento, é uma preocupação do próprio pensamento; percebam a clara diferença disso. Realização é o seu Estado Natural, além da mente, portanto, além do pensamento, mas você não pode parar o pensamento ‒ isso é algo que precisa ficar muito claro para você, dentro desse trabalho. Você pode tocar em algo bastante importante, estando nesse trabalho, se compreender que a mente pode parar, mas você não pode pará-la; que o pensamento pode parar, mas você não pode pará-lo. Ou seja, é possível estar além da mente, nesta não-mente, e isso acontece quando não há mais esse movimento do pensamento; é muito sutil essa diferença. Quando não há mais o pensar, a não-mente está. Porém, você não chega a essa não-mente parando de pensar, pois não é um trabalho da mente acabar com a própria mente, destruí-la.

Muitos estão tentando isso, por exemplo, em todo tipo de prática de meditação, mas, na verdade, por detrás dessa prática está a mente tentando destruir a “mente”. Ramana chamava isso de “o ladrão, vestido de policial, tentando capturar o ladrão”. Então, eu quero tranquilizar você sobre essa questão de tentar parar a mente: não faça qualquer esforço para parar o pensamento, pois isso é um esforço da própria mente, do próprio ego. Não é necessário praticar nenhuma ação contra a mente, porque isso seria a mente lutando contra ela mesma; você dividindo a mente em duas (uma é o “policial” e a outra é o “ladrão”).

Não tente parar a mente! A única coisa que você pode fazer é ficar quieto e observar! Isso não requer nenhum esforço e é algo muito simples: você apenas para e observa, e deixa a mente maluca solta; não faça nada contra a mente, nem faça nada a favor dela. Não fique a favor nem contra a maluquice que se passar na sua cabeça, pois tudo são pensamentos, e eles não são seus; nem a cabeça é sua, ela é do corpo. A cabeça pertence ao corpo e os pensamentos pertencem à mente, porém, você é essa Consciência, onde surgem o corpo, com a cabeça, e a mente, com os pensamentos.

Eu sei muito bem qual é o problema que acontece com você e vou lhe contar agora. Você já decidiu que existe algo errado com a mente e, então, ficou contra ela, tornou-se inimigo dela. Entretanto, foi aí que você foi capturado pela própria mente. Então, às vezes você diz “Eu não suporto mais esses pensamentos”, como se esse estado não fosse o próprio pensamento “nervoso” dizendo isso. Mas, quem está dizendo isso? Assim, a mente se separa e ela, agora, quer matar a “mente”, e você fica nesse jogo ‒ essa é a dualidade, em que há uma separação: um pensamento querendo matar outro; um sentimento querendo destruir outro. 

Realização é fruto da Consciência! Na Consciência não há separação, dualidade, nem há mente. Então, nesse Estado, você apenas assiste à mente, e não há nada errado com ela. Às vezes, pela manhã, você olha para o céu, o vê cheio de nuvens, mas não diz que tem alguma coisa errada com ele; não reclama do céu porque ele está cheio de nuvens. Você não diz: “Eu quero que essas nuvens todas desapareçam, para ficar somente o céu azul”. Os pensamentos são como as nuvens que, às vezes, aparecem no céu, nesse “céu” que é a Consciência, e, quando você apenas fica quieto e observa, essa observação é como um vento suave, que começa a varrer o céu e as nuvens começam a se dissipar.

Então, reparem no que eu disse: o pensamento pode desaparecer, parar, mas você não pode fazê-lo desaparecer, parar. Não é o seu esforço que vai fazer isso, porque esse esforço ainda é o pensamento “nervoso”, é o movimento do próprio pensamento. Estou lhe falando sobre a arte de permanecer desidentificado da mente, deixar a mente e sua maluquice desaparecerem naturalmente, sem esforço. Olhe com profunda reverência, não seja um lutador. Apenas assista! Permaneça destacado, desidentificado, distante, apenas observando. A boa notícia é que, quanto mais profundamente você observa, mais profunda é a sua Consciência; o “céu” fica limpo e o “sol” brilhando, maravilhoso! Essa é a forma de lidar com a mente e, então, toda a Vida se torna transparente, sendo Ela a própria Consciência!


* Transcrito a partir de um encontro online da noite do dia 07 de Março de 2018 

quinta-feira, 29 de março de 2018

A Vida é um acontecimento sem alguém




Você não pode fazer destas falas uma coleção de palestras, uma coleção de conversações, acreditando que, através do estudo dessa coleção, você possa vir a realizar a Verdade.

A primeira coisa, aqui, é abandonar todo tipo de fantasia, toda ilusão, inclusive a ilusão de se obter esse Estado (que não é bem um estado). Esse Estado, que em nossos tempos modernos é conhecido por Iluminação, não é algo a ser alcançado. Isso não ocorrerá em 3 meses, em 24 meses ou em 40 anos. Essa Realidade de Ser, que chamamos de Estado Natural, não é algo no tempo. Contudo, como você está “vivendo” dentro desse sonho de tempo e espaço, é preciso encarar isso, sim, como um trabalho, o qual lida com o tempo e com o espaço. Sem dúvida, o assentar nesse Estado Natural é o resultado de um trabalho.

Para alguns leva mais ou menos tempo que para outros, mas não existe nenhum método rápido. Não existe nenhum sistema ou prática que possa conduzir você até este momento, até este instante. Quando falo de Autorrealização ou deste Estado Natural, estou falando da rendição desse falso “eu”, do fim da ilusão desse falso “eu”. Assim, o único propósito – se é que podemos usar esta palavra – deste encontro é investigar a natureza ilusória do falso “eu”. Não vamos construir a Verdade através de um método ou sistema ultrarrápido. Aqui, nós estamos investigando a ilusão desse sentido de alguém presente se separando do mundo, da vida, da experiência.

Quando você era criança, ainda numa idade precoce, você era encorajado a se identificar com o personagem associado ao nome que deram a esse corpo. Começaram a chamar esse corpo por um nome e, a partir daquele momento, o cérebro associou o nome ao corpo, o que lhe deu a crença da existência de uma identidade dentro dele. Veja como é simples isso! Quando olharam para esse corpo e o chamaram de Maria, o cérebro aí associou a palavra Maria a esse corpo, e o pensamento imaginou uma entidade presente. Assim surgiu essa ilusão; a ilusão da pessoa que tem um nome. Então, tudo que começou a acontecer em volta desse mecanismo biológico parecia confirmar que aquilo estava acontecendo a Maria.  Então, “Maria” estava nessa experimentação, o que é pura imaginação, uma grande mágica nesse teatro divino; e o mágico está oculto.

Há supostas entidades presentes na experiência que denominamos vida. Os personagens parecem crescer, mas não há nenhum personagem ali; há só mecanismos biológicos crescendo, apresentando certas características, habilidades e funções – algumas puramente biológicas e outras mecânicas. Tratam-se apenas de máquinas vivas, máquinas biológicas.

Você, agora mesmo, não está aqui ouvindo. Isso é só um processo, uma função, uma característica, uma habilidade mecânica e biológica dessa estrutura, para a qual inventaram um nome. Aquilo que você chama de “eu” é uma ficção. Não tem ninguém aí! Só há um mecanismo respondendo de forma fisiológica, sensorial e mecânica aos estímulos “internos” e “externos”.

Então, quando você vem parar nesse espaço chamado Satsang, é hora de acordar. Agora você compreende qual o significado da palavra “acordar”. Acordar, aqui, significa ver este jogo não intelectualmente, mas diretamente; ver que não tem alguém presente aqui e agora. A Vida é um acontecimento sem alguém. Chega um momento em que tudo está acontecendo, mas sem a ilusão de um experimentador; isso é Iluminação! Tudo fica definitivamente assentado como Realidade, como Verdade, e você é Paz, Amor, Liberdade e Felicidade. Não há mais sofrimento, porque não há mais ilusão, não há mais sono.

Assim, se não há mais separação entre “eu e a vida”, “eu e o mundo”, “eu e Deus”, não há mais medo, não há mais passado nem futuro. Isso é o desmantelamento total de todas as falsas certezas e seguranças, de todas as crenças e condicionamentos; é o Despertar da Sabedoria, a Realização de Deus! Então, a Verdade que está presente aflora! É estranhamente familiar a clareza, a sensação, a percepção de que sempre fomos Isso!

Portanto, isso não é uma ação no tempo; é o fim do tempo! Não se preocupe com o tempo; ele é só uma preocupação do pensamento. Não há tempo para isso que Você É; não há tempo para esse desmantelamento de suas crenças, o que eu chamo de colapso da ilusão. Essa Consciência, essa Presença, esse Ser, que não é esse mecanismo com um nome, com uma história, com seu antigo modelo programado, agora está presente como Pura Inteligência, Pura Liberdade, Pura Realidade.

As características, tipo e jeito de ser de cada um não estão ligados ao Ser, à Essência. Esse Ser, que é Consciência, que é Presença, é “algo” completamente “sem jeito”. A Realidade desse Ser é indefinível, inefável, inominável, indescritível, literalmente “sem jeito”.

* Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite do dia 22 de Janeiro de 2018
Encontros online todas as segundas, quartas e sextas as 22h - Participe!

segunda-feira, 26 de março de 2018

Existe apenas uma Natureza presente




Você, em sua Natureza Real, não é uma entidade separada, não é uma pessoa. Você é essa Onisciência, essa Onipotência, essa Onipresença. Eu falo de sua Natureza Real! A mente, o corpo e suas experiências… nada disso é você! As experiências da mente e do corpo são experiências da Natureza. Mesmo a ideia da presença de um mundo também é só uma crença. Você descobrirá que não existe nenhum mundo, nenhum universo; existe apenas uma Natureza presente, que é só uma expressão dessa Onipresença, dessa Onipotência, dessa Onisciência. Isso não é pessoal!
Essa é uma visão clara dessa Realidade, que está além do nome, da forma, do corpo, da mente e do mundo. A experiência “mundo” é uma experiência “corpo-mente”, que é natural, existencial, mas não é pessoal. Eu sei que isso o destrona como uma entidade presente, tira esse “você” do seu reinado. A princípio, isso é muito desesperador, porque todos os seus desejos e sonhos, todos os seus projetos, não têm qualquer importância real, porque são só imaginações, e nada disso está acontecendo para “alguém”. Tudo aquilo que você vive, quando se refere a si mesmo como o corpo e a mente, é algo que acontece de uma forma natural, mas não está acontecendo para você em sua Verdadeira Natureza, para esse Você Real.
Nesse momento, por exemplo, existe a experiência “corpo” neste ouvir e neste falar, mas não há “alguém” ouvindo ou falando. Isso é bastante engraçado… Se você se reconhece nesse Você Real, em sua Verdadeira Natureza, você descobre que é esse Imperecível Ser, essa Imutável Presença, essa Indescritível Consciência. Portanto, você nunca nasceu nem nunca morrerá. Tudo é essa Consciência, tudo é esse Ser!
Quando esse sentido do “eu” – preso a experiências, sentimentos, emoções e sensações – desaparece, o sentido ilusório de “pessoa” desaparece. Quando eu falo isso, as pessoas acreditam que serão completamente aniquiladas. De certa forma, elas estão certas! Mas, na verdade, elas não serão aniquiladas… Elas nem existem! Haverá apenas a constatação de que nunca houve pessoas presentes; de que não há pessoas!
Nessa Realização, você descobre que nunca esteve aí como uma entidade separada. Assim, você não é aniquilado; você, simplesmente, não é real! No entanto, há Algo presente quando esse “você”, que você acredita ser, não está; e esse “Algo” é indescritível! Você é sempre Isso (a palavra “sempre” também não é adequada). Você é Isso que é anterior ao tempo, Pura Inteligência, Pura Graça, Pura Beleza, Pura Verdade, Pura Felicidade (não teoricamente, não conceitualmente, não verbalmente). Apreender o significado Disso é Iluminação, é Liberação.
Aquilo que o traz a esse espaço é esse anelo pela Verdade, que é essa própria Presença, que é Onisciência, que é Onipotência. É um chamado da Graça para a Graça. Aqui, essa noção tão comum a todos, de verdade e ilusão, bem e mal, divino e profano, certo e errado, do que é e o que não é, todo esse fenômeno de contraste, vai perdendo completamente a importância, porque isso está ligado à mente, àquilo que a mente conhece. Essa dualidade é muito importante para o sonho, no qual você é muito importante!
Quando você acorda pela manhã, você não dá mais importância nenhuma ao sonho que teve à noite, certo? Era só um sonho, e tudo aquilo desapareceu! Bastou você acordar para perceber que aquilo só estava em sua cabeça. Da mesma forma, você realiza essa constatação da ilusão “ego-eu-mim-pessoa”. Quando esse sonho termina, tudo isso termina.
Essa ilusão é só o modo como o pensamento representa aquilo que acontece. A questão é que você passou muito tempo – e ainda está – preso a esse modelo. Você se confunde com esses pensamentos, com a ideia desse experimentador na experiência “corpo-mente-mundo”. Então, o mundo passa a ser real para esse “alguém” dentro do corpo. Isso está dentro desse sonho “eu-ego”.
Esse espaço chamado Satsang é um convite para a Liberação. A Liberação é o fim dessa ilusão! Isso significa esse Silêncio não dual, o fim do sentido de um “eu” presente, o fim desse “seu mundo”. A vida continua seguindo, tudo continua acontecendo como tem acontecido desde sempre — já está acontecendo sem você, mas você acredita que está nisso. Quando não há mais essa ilusão de você presente nisso, o sofrimento termina. Todos os seus problemas estão nessa base chamada “você”, que é essa ilusão de ser alguém. Então, o seu problema é uma ilusão. Quando você vai além desse “você”, fica somente esse Você Real, que não é um “você” pessoal, particular.
Portanto, fica aqui esse convite para trabalharmos isso. A única coisa que você está aqui para fazer é isso. Você não tem mais nada a fazer nesse mundo!

*Transcrito a partir de um encontro online na noite de 26 de Agosto de 2016 (2ª parte) Encontros todas as segundas, quartas e sextas as 22h - Baixe o App Paltalk e participe

sexta-feira, 23 de março de 2018

O que é a Realização?




Em Satsang, nós estamos investigando a natureza ilusória do “eu”. Você nunca duvida da verdade dessa pessoa que você acredita ser, desse “eu”. A sua crença é a de que ele tem um nome e uma forma. Mas o que é, basicamente, esse “eu”? Quando os pensamentos aparecem, você nunca questiona a verdade deles, ou para quem esses pensamentos estão acontecendo. Você nunca se importa em buscar a fonte desses pensamentos, em encontrar a origem deles. Você nunca, ou quase nunca, se pergunta: “O que é esse movimento interno de pensamentos acontecendo? Afinal, o que isso significa? Para quem isso ocorre?” A ideia é que esse “eu” é aquele para quem isso ocorre, então, você se refere a si mesmo como esse “eu” - esse é o primeiro pronome que se aprende.

Repare que a criança muito pequena não começa tratando dela mesma como um “eu”; ela chama o corpo pelo próprio nome. Ela diz, por exemplo: “Manuela gosta disso”, “Manuela não quer isso”… É como se ela tivesse uma clara percepção de que está tratando com uma terceira pessoa, quando se refere a si mesma. Todas as crianças são assim! Aí, elas vão crescendo e descobrem – ou melhor, passam a acreditar – que são um “eu”, uma entidade presente, uma entidade separada, com um corpo e um nome. Aí, começam a referir-se a si mesmas como “eu”, e não falam mais de si mesmas na terceira pessoa. Vocês todos podem observar isso em qualquer criança; você também era assim.

Assim, na verdade, ver-se como uma entidade separada, como uma pessoa, como um “eu”, é um condicionamento. Depois que você se vê como esse “eu”, você aprende tudo aquilo que acontece a ele: cada sentimento, emoção, tristeza, doença, o “estar bem”, o “estar mal”… Então, você sempre diz: “Sinto-me triste”, “Sinto-me alegre”, “Sinto-me mal”, “Sinto-me bem”, “Eu estou com dor”, “A minha cabeça dói”, “A minha perna dói”, “O meu coração dói”, “eu estou deprimido”, “Eu estou feliz”… Reparem que é sempre esse “eu” presente.

Se você descobrir para quem isso acontece, você descobrirá a natureza ilusória desse sentido de alguém na experiência. Então, você realizará a constatação dessa Liberdade, que é a sua Natureza Divina, que é a sua Natureza Real. Você jamais dirá novamente: “Estou triste”, “Estou alegre”, “Estou doente”, “Estou pobre”, “Estou rico”, “Estou morrendo”. Portanto, se a ilusão desse “eu” na experiência some, fica só a experiência, que acontece em absoluta Liberdade. Não há conflito na experiência! A experiência está na dualidade existente entre esse sentido de um “eu” presente e a própria experiência, o próprio acontecimento, o próprio evento, incidente, acidente, a própria emoção, o próprio sentimento, o próprio pensamento.

A dualidade é a base do conflito, que é a base do sofrimento, que é a base do medo. A Realização é a constatação da natureza ilusória da existência de alguém nessa experiência do viver. A Vida é aquilo que acontece, e Ela não está acontecendo para alguém. Isso é Liberação! Quando essa Liberação está, então Deus, a Verdade, a Felicidade, o Amor, a Liberdade e a Sabedoria estão, porque não há mais ilusão. Assim, encontre para quem isso acontece; descubra se realmente existe esse “eu”. Você fará uma grande descoberta! Você descobrirá que esse “eu” nunca existiu; que você, de fato, nunca existiu; que não existe tal coisa como “você”, “ele” ou “ela”. “Ele”, “ela” e “você” nunca nasceram! Por nunca terem nascido, não podem morrer!

*Transcrito a partir de uma fala online na noite do dia 26 de Agosto de 2016 - Encontros online todas as segundas, quartas e sextas as 22h baixe o Paltalk App e participe

terça-feira, 20 de março de 2018

A Verdadeira Felicidade é Ser




O fato é que eu não comunico outra coisa a não ser Aquilo que Você É. Então, isso está impregnado de um poder muito real. Eu trago você para você; eu lhe dou de presente a si mesmo; eu lhe trago o perfume de sua Real Identidade, que é Felicidade, que é Amor, que é Paz, que é Completude, onde não falta nada.

Você pergunta: “Onde tem alguém vivendo Isso?” Não pode ter “alguém” vivendo Isso! Isso só pode estar presente quando não há “alguém”, que é quando não há mais busca. Por isso que você não encontra Isso na filosofia, na religião, nas práticas espirituais… Isso não está em nenhuma prática; Isso está quando “você” não está. Isso é o final das práticas, o final da busca de virtudes, de melhoramento pessoal, de evolução… Isso é a ausência do ego, a ausência do “mim”, do “eu”.

Assim, é claro que isso — como a única “Coisa” Real — não pode ser comparado a nada, porque nada se compara a Isso! Você não pode substituir Isso por nada, porque nada pode substituir Isso! Portanto, você não pode pensar, criar ideias, sobre Isso, ou tentar comparar Isso a relacionamentos humanos, a realizações do lado de fora. Você não pode colocar Isso paralelamente a essas outras coisas. Tudo isso tem que desaparecer! Você tem que sacrificar tudo por Isso, por essa Realização, por essa Presença presente, que é Consciência, que é Realidade, que é Verdade.

A verdadeira Felicidade é Ser Isso! Não se trata de buscar soluções, porque não há problemas a serem resolvidos. Quando você para de ir para fora, quando você para de buscar algo lá, os problemas desaparecem, porque não tem mais “você”. Então, a Felicidade, que estava envergonhada por ter sido substituída por desejos e conquistas, volta, aparece de novo; aí o Amor, que você tinha tentado substituir por ligações prazerosas com o sexo oposto ou com o sexo em comum, volta; deixa o esconderijo e volta para você. Com a Paz é a mesma coisa: Ela, que tinha ficado envergonhada e se escondido, porque você estava amando o conflito, amando brigar, incompreender, opinar, criar discussões, volta e toma o lugar Dela; o Amor toma o lugar que foi sempre Dele; a Felicidade volta para casa… Isso é Iluminação! A Sabedoria, que também tinha se escondido por causa de suas ações baseadas no pensamento, e, portanto, estúpidas, volta; e volta trazendo Compaixão, Beleza, Verdade, Clareza, Sinceridade, Honestidade.

A Verdade não é um dogma, não é um credo. A Verdade é uma Realização, é o Florescer de Cristo, é o Florescer de Deus — você florescendo como Deus, como Cristo. Então, a sua fala é a sua própria mensagem, e não uma mensagem emprestada da teologia, dos livros sagrados, dos Sutras, dos Upanishads, dos Vedas, do Alcorão, da Bíblia… É a sua mensagem, porque é a sua Realização. Por isso Jesus disse: “Brilhe a vossa luz!”. É a sua luz que tem que brilhar, não é a minha. Não fique falando da minha luz; faça a sua brilhar!
Quando você realiza o Cristo, você é o Cristo! Não falo do carpinteiro de Nazaré. Ninguém pode ser o carpinteiro de Nazaré, o personagem histórico que andou pelas praias da Galileia. Krishna e Buda foram únicos também. Esse não é o tempo deles, é o seu tempo. Pare de falar deles e fale de Você, de sua Compaixão, de seu Amor, de sua Verdade, de sua Sabedoria, de sua Autenticidade. Fale de Si; desse “Si” que é esse “Eu Sou”.

Você não precisa citar ninguém para dar autenticidade à sua voz, para dar verdade à sua fala. Seu Ser é a autenticidade da sua voz e também do seu silêncio. Quando você é real, tudo fica real: a sua fala, o seu silêncio, seus movimentos, seus gestos, seu fazer, seu não fazer… Tudo que vem de você, em seu Ser, é real.

Quando você reivindica para si a autoridade de dizer a partir do seu Ser, ou você é um louco, ou você é um Sábio. Sem nenhuma colaboração, sem nenhuma ajuda, sem nenhum apoio acadêmico, filosófico, espiritualista, ou você fala como um louco, ou como um Sábio.

Então, eu não sei em qual categoria eu me enquadro, mas que é divertido, é.

* Trecho de uma fala em um Satsang Presencial no Ramanshram Gualberto em Campos do Jordão no mês de Julho de 2017

sábado, 17 de março de 2018

A Verdade não é fruto do conhecimento, é fruto do Amor!




A Verdade É! Nada pode ser dito sobre a Verdade, e o que for dito não será a Verdade, irá falsificá-la. A Verdade é algo que não necessita de nenhuma explicação ou explanação, e você não está aqui para ouvir sobre Ela. A Verdade é “algo” que é você. Não se trata do que você alcança entendendo isso, intelectualmente, e, portanto, não precisa ouvir bastante sobre isso e depois tirar alguma conclusão. Isso não é como uma matéria escolar, que você estuda por algum tempo, aprende e depois fica sabendo, nem é algo para você ficar sabendo. Quem estuda muito isso, torna-se um “professor advaita”, mas a Verdade não é advaita (não-dual) nem dvaita (dual); Ela está além de ambas.

Hoje em dia, nós temos muita gente ensinando advaita são os professores da não-dualidade. Nós não tratamos disso aqui; não estamos dando explicações, nem fazemos explanações sobre a Verdade, porque isso já não seria a Verdade. A Verdade é incomunicável! Satsang não é um espaço de ensino. Se você está em algum espaço chamado “satsang” e o que é ensinado é advaita, você não está em Satsang, mas sim numa sala de aula. Repare no que nós estamos colocando para você: a Verdade não é comunicável; você está Nela. Você não pode Ser sem Ela.

Então, a gente não aprende a Verdade. Essa é a beleza de estar em Satsang. Diante de um Satsang real, você é despertado para a Verdade, não é ensinado sobre Isso. Não existe nenhum caminho para a Verdade. Existe, sim, a possibilidade de se reconhecer como a Verdade, mas não há nenhum caminho para Ela; isso não é uma realização externa. Posso dizer que Ela pode ser sentida, mas não explicada. Você pode estar presente Nela, mas Ela não pode vir de fora para você, como um conhecimento externo, um aprendizado; é, antes, uma constatação direta, interna e não um aprendizado externo.

Todos acompanham isso?

A Verdade não é algo que você pode segurar em sua mão, mostrar para alguém e dizer: “Olhe, está aqui”. Não é assim. Você pode sentir e viver Isso, mergulhar Nisso, porque Isso está aí como sua Natureza Verdadeira, mas não há nenhum caminho externo para Isso. Talvez haja um único caminho, que é o Amor. O Amor é o caminho direto para a Verdade, e a devoção à Verdade é o caminho direto para essa Constatação presente, aqui e agora a Verdade do Ser, de Deus; a real Beleza, Graça e Felicidade. Você está pronto para isso ou ainda quer muita coisa lá fora? Você ainda quer ver muita coisa do lado de fora ou conhecer essa única “Coisa” do lado de dentro? Essa é uma noite de constatação Disso; um momento de encontro com o caminho do Amor, da Realidade, da Felicidade.

Não se trata de um conhecimento, pois ele é um tipo de ignorância, não é a Verdade. A palavra “ignorância” tem dois aspectos interessantes: existe uma Ignorância de grande beleza e outra de tremenda estupidez; são dois aspectos da “ignorância”, tornando essa palavra bastante interessante. Quando você vem a Satsang, eu lhe ofereço um tipo de Ignorância, que é aquela de grande beleza.

O primeiro tipo de ignorância, que é a de grande estupidez, é a ignorância do conhecimento; essa não vai lhe revelar a Verdade, jamais! Então, você vai estudar todos os livros do mundo, sobre os assuntos mais diversos, e irá se tornar uma pessoa muito culta, instruída, mas, na verdade, será uma pessoa presa à ignorância estúpida, que é a ignorância do conhecimento. Alguém assim terá que desaprender tudo isso para constatar a Verdade dentro de si mesmo. Quando você vem a Satsang, eu lhe ofereço um outro tipo de ignorância, que é a de grande beleza; essa é a Ignorância de não saber, de puramente Ser. Então, a Verdade se revela na beleza dessa Ignorância.

O Sábio é aquele que não sabe. Ele carrega essa inocente Ignorância de não saber, ficando simplesmente a Verdade presente, e não o conhecimento. Enquanto isso, o homem erudito, culto, de grande saber, carrega essa estúpida ignorância de não saber quem é ele mesmo; conhece os grandes mistérios do universo, material e espiritual, mas não sabe quem ele é. Saber quem você é não requer conhecimento, requer essa Natural Ignorância de não saber, de puramente Ser. 

O que estou dizendo é que a Verdade não pode ser ignorada por Aquele que simplesmente É, que vive em seu puro Ser; não há ignorância para Ele. Então, a Verdade não pode ser ignorada. Krishnamurti era um Sábio que vivia essa Ignorância, na qual a Verdade não pode ser ignorada. Todo ser realizado é um só e o mesmo Ser; não há diferença entre Ramana Maharshi, Krishnamurti, Osho ou qualquer outro. A Verdade é algo sempre presente, e não pode ser ignorada. O homem culto está perdido em teorias, dogmas, escrituras e muitos livros. O Sábio está mergulhado em seu próprio Ser e não está perdido, porque Ele simplesmente “não está”, para poder se perder. Quando você “está”, você se perde. Alguém na floresta pode se perder, mas, se não há ninguém na floresta, não há como se perder. Está simples isso?

A Verdade não é fruto do conhecimento, é fruto do Amor. O único caminho é o caminho do Amor, e assim você se torna Um com o Amado. Então, a Verdade é sentida, não é explicável, é uma experiência de Deus. O que quer que seja dito sobre a Verdade, não é a Verdade. Você tem que sentir Isso, desaparecer Nisso, pois não existe nenhuma forma Disso ser expresso em palavras. Você não pode segurar, aprender e ensinar Isso. Você pode viver Isso somente aqui e agora.

Então, o Guru não é um professor. Ele é um transbordamento de sua própria Natureza Divina, que é a Natureza daqueles que estão à sua volta é o mesmo Ser, a mesma Verdade. É por isso que aqueles que conhecem a Verdade sabem que a Psicologia, a Filosofia, a Espiritualidade e as ciências ocultas não podem ajudar. Aqueles que, verdadeiramente, realizaram Isso, estão assentados Nisso, na sua Natureza Verdadeira, e sabem que nada disso pode ajudar.

Vou dizer só mais uma última coisa: quanto mais você tenta aprender, estudar, pesquisar, ler, ouvir sobre Isso, mais você dorme. Todo esse esforço é completamente inútil e, na realidade, é um forte aliado da “mente egoica”, para que tudo continue na mesma; é apenas mais um pouquinho de instrução e controle (o que, na verdade, o ego adora), porque você não pode realizar Isso pelo lado de fora. Você não pode realizar Isso, como se Isso viesse para você, de fora para dentro; não é uma conquista, uma realização do “eu”, que é a mais estúpida ignorância a forma comum da ignorância aprendida, da qual o ego muito se orgulha, se envaidece.

Não está havendo um Despertar da humanidade; isso é conversa de alguns. Está havendo uma proliferação do conhecimento da espiritualidade, ou seja, a proliferação dessa ignorância atrelada ao conhecimento da espiritualidade. Não está havendo o Despertar da humanidade, está havendo, sim, o Despertar de alguns, desses ou daqueles, que estão prontos para atender a esse chamado, nesse momento, para o reconhecimento de sua Verdadeira Natureza, da Verdade do puro Ser, dessa bela Ignorância do não saber, a ignorância do Sábio.


*Transcrito a partir de um encontro online na noite de 31 de Janeiro de 2018
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