sexta-feira, 29 de setembro de 2017

É fundamental desaprender



Para vocês, aprender é uma coisa muito importante. No entanto, para mim, fundamental é desaprender. Desaprender significa voltar a essa inocência. O descobrimento da Verdade sobre você nasce desse desaprender, é resultado desse desaprender.

Todas as crianças, quando começam a falar, referem-se a si mesmas na terceira pessoa. Isso significa que elas veem seus próprios corpos e o que passa em suas cabeças de uma forma desidentificada. Assim, elas dizem: “Ana gosta de bolo”; “João não quer brincar”; referindo-se a si mesmas como um corpo e uma mente que fazem parte de uma totalidade. Isso porque elas ainda não aprenderam – ainda não foi ensinado para elas – a crença a respeito de quem elas são.

Todo o seu problema está nesse sentido de culpa, pelo fato de você se sentir autor e responsável por aquilo que acontece, como sendo alguém presente fazendo aquilo. Tudo que você faz na vida, faz por culpa, impelido pelo medo, e isso é resultado dessa coisa que você aprendeu, dessa crença que você adquiriu na infância – a crença de quem você é. Por isso, eu comecei dizendo que é preciso desaprender. A não ser que você desaprenda, sempre sentirá medo e culpa; a não ser que você vá além do conhecimento, sempre se sentirá responsável.

Para você, a responsabilidade é importante porque, em sua crença, ela traz ordem e equilíbrio. Mas na verdade, a responsabilidade impõe medo, gera culpa. É evidente que ser alguém é se sentir assim – com medo, com culpa – e quando você se sente assim, não é leve, não é feliz! Então, diferente do que você pensa, a responsabilidade não traz ordem, mas sim o caos, a confusão. Toda a miséria no mundo é a miséria da culpa, algo criado por esse sentido de responsabilidade, que não nasce da Liberdade. A Liberdade nasce da Alegria, da Leveza, da Felicidade, e Isso não produz caos ou desordem.

Por que é interessante investigar tudo isso? Porque, assim, você descobre que o que você construiu com toda essa cultura e educação, não produziu o que você esperava. A mente criou uma expectativa de um mundo pacífico, feliz e ordeiro, mas ela mesma foi criada por essa confusão. Assim, a confusão no mundo é a confusão da vida privada. Enquanto houver desordem em você, haverá desordem no mundo.

Portanto, compreenda isso claramente: você está aqui apenas para ser quem Você é, e Isso já é a ordem do mundo, já é a paz e a felicidade do mundo.

O que eu poderia dizer para você? Pare de se preocupar em colocar ordem em suas relações próximas; coloque ordem dentro de você primeiro! Para isso, volte à inocência, desaprenda tudo que lhe foi ensinado, abandone o compromisso, a responsabilidade e o desejo de mudar qualquer coisa do lado de fora. Então, você realiza a sua Real Natureza – quando desaprende tudo.

O Sábio não está se ocupando em cuidar do mundo, Ele apenas está quieto em seu próprio Ser, em sua Natureza Essencial. Dessa forma, Ele pode presenciar as ações de Deus; Ele mesmo não está separado disso, não tem nada fora do lugar!

Repare o que estou dizendo para você neste encontro: confusão, desordem, culpa, medo, responsabilidade, tudo isso faz parte da ilusão que se aprende; toda a complexidade da vida é a complexidade da mente. Você sente a vida complexa, mas não é exatamente assim. A mente é que é complexa, porque ela está cheia de tudo isso, isso é parte do condicionamento dela, da programação dela; esses são os seus padrões.

Esse é o encontro com a Verdade, que é a simplicidade de Ser, onde nada se sabe. Quando não se sabe nada, a Simplicidade está presente. Não fica ninguém para a responsabilidade e, portanto, para a culpa, o medo e a desordem. Então, volte-se para dentro! Investigue profundamente “Quem sou eu?” e não “O que são os outros?” ou “O que é o mundo?” ou “Quem é Deus?”... Investigue “Quem sou eu?”: quem sou eu antes da cultura, da educação, do conhecimento? O que é esse “eu” antes desse nome e dessa forma, desse corpo e dessa história?

Percebam, esse é o modo de desaprender tudo! Isso é Meditação! Quando isso está presente, o Sábio nasce e, com Ele, a Felicidade, a Ordem, a Paz, a Liberdade, a Inteligência, a Verdade. Quando a inocência está, Deus está! Essa inocência é essa Simplicidade Natural.

Então, termino dizendo isso para você: a única coisa que importa é aquela coisa que é fundamental… desaprender tudo, abandonar o conhecimento, abandonar o pensamento! Com isso presente, toda a noção de tempo termina. Passado é memória, é conhecimento, é pensamento. O presente é conhecimento, memória, pensamento. O futuro, imaginação, conhecimento, pensamento... desaprenda tudo!


Isso é tudo. Namastê.


*Transcrito a partir de uma fala na noite de 18 de Agosto de 2017
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terça-feira, 26 de setembro de 2017

O que significa viver?



Bem-vindos a mais esse encontro aqui pelo paltalk.

É de fato uma alegria estarmos juntos e assim nos aproximarmos dessa Verdade, que é a única coisa que importa. Dessa forma, vocês estão se prontificando a saber, de fato, quem são, que não se trata de compreender o significado da vida, mas descobrir o que significa viver. O significado da vida é, intelectualmente, ter alguma teoria sobre isso. Porque não se pode saber o significado da vida, a mente pode construir inúmeras teorias sobre isto, porém, descobrir o que é viver é uma coisa completamente diferente.

Quando você está na mente, perdido nela, viver significa, basicamente, sofrer. Há poucos momentos de alegria em razão de alguma realização externa, de alguma coisa boa acontecendo para essa pessoa, que você acredita ser. Quando acontecem algumas coisas boas, “as coisas” que a sua mente deseja, que o seu ego espera, como expectativas e desejos preenchidos, satisfações realizadas, nesses momentos você tem essa breve alegria, baseada em uma situação boa, em circunstâncias favoráveis. Então, basicamente, é isso que vocês chamam “viver” – a alegria e o sofrimento, que dependem do que acontece a cada um de vocês.

Portanto, você vive na dualidade, entre a alegria e o sofrimento, o prazer de uma satisfação realizada e a dor de uma frustração, e isso é o que tem chamado de “minha vida”. Vocês estão tentando compreender tudo isso, acreditando que, quando são capazes de compreender isso, são capazes, também, de colocar um fim nisso. Então, o apelo da mente está sempre dentro do campo da mente, e tudo o que ela pode fazer está dentro dela própria, com suas soluções e respostas baseadas no conhecimento e na experiência. Porém, vocês não percebem que isso, ainda, está dentro da ilusão de tempo e espaço – um tempo criado pela ilusão de “alguém” presente pensando, e o espaço criado pela ilusão de “alguém”, vivendo dentro do corpo e cercado de objetos externos a si mesmo.

O que ainda não ficou claro para você é que tudo isso é somente uma experiência mental. Você acredita que está dentro do corpo e que o corpo está dentro do mundo, o que não é verdade. O mundo sempre aparece com o aparecimento do corpo e o corpo sempre aparece com o aparecimento da mente, porém, ela só pode aparecer porque há uma Consciência presente, para que ela assim apareça. Então, quando voltamos à fonte, damos um passo para trás, nós perguntamos o que é anterior ao corpo, aí nós temos a mente. Vamos ver isso agora: anterior ao mundo, nós temos o corpo; anterior ao corpo, nós temos a mente; e anterior à mente, nós temos a Consciência – essa é a Fonte, onde tudo aparece.

Assim, o que você chama de experiência, seja ela qual for, como toda experiência do corpo, através dos sentidos (sensações do tato, da visão, da audição, do paladar, do olfato), ou toda experiência da mente (pensamentos, sentimentos, percepções, emoções, lógica, raciocínio), ou seja, qualquer experiência aparecendo está aparecendo como uma experiência na mente. Todavia, tudo isto é uma experiência na Consciência. É “você”, na experiência, que tem a percepção do mundo, do corpo e da mente, então, tudo o que é percebido no mundo, no corpo, é percebido pela mente, porém, continua sendo “você” que percebe a mente, o corpo, o mundo.

A pergunta, então, é: “Quem é você”?

Você é essa Consciência, é a Fonte, é o início de tudo. Portanto, não é você que está dentro do corpo, nem o corpo está dentro do mundo; o mundo e o corpo estão dentro de você. Perceba como isso é claro. Na mente, você tem medo da morte, porque está dando identidade ao corpo, e ele não tem nenhuma identidade, separado da mente. Porém, a mente não tem nenhuma identidade real separada da Consciência. Tudo é somente essa Consciência. Sendo assim, buscar o significado da vida é algo completamente absurdo, porque o que você chama de vida é a ilusão de “alguém” que está vivo; não tem alguém vivo. Assim, se não tem alguém vivo, quem está buscando o significado da vida? A ilusão, a crença, esse conceito de “eu”, isso tudo, é um falso eu. O que quero dizer para você claramente é: você não é real.

As experiências da “pessoa”, que você acredita ser, recebem uma interpretação falsa, e, consequentemente, você tem amigos, inimigos, parentes, família (pai, mãe, filhos, tios, netos). Você não está contente com a própria complicação que se tornou sua vida – a vida desse falso eu, que você acredita ser – e ainda quer resolver o problema deles, também. Você quer atrapalhar a vida dos filhos, dar solução aos problemas dos amigos, quer proteger os parentes; você quer ajudar o mundo, que é, na verdade, o mundo que existe somente na sua cabeça. Por isso, os Sábios chamam tudo isso de sonho. A ilusão de ser alguém cria o mundo para esse “alguém” viver e, como não pode estar sozinho, ele cria todos esses personagens. Isso tem sido o modelo do “eu”, desse falso eu.

A pergunta para você é essa: não é possível soltar tudo isso, ou você tem que continuar vivendo assim, como esses que estão, supostamente, à sua volta? Porque eles acreditam nisso e você acredita neles e, tanto eles, quanto você, estão nessa confusão. Tudo bem que eles continuem acreditando nisso, porém, se você parar de acreditar nisso, eles desaparecerão, perderão essa importância. Uma vez que você descubra que você não tem problemas, perceberá que o problema deles está dentro da cabeça deles, também. Uma vez que você saiba que está livre, ficará claro que tudo é somente um drama, que tudo isso é somente uma crença. Não existe “você”, nem “eles”; existe somente a Consciência e isso é a Vida.

Essa Vida, que é Consciência, é inteligência, não conhece o sonho, a ilusão e, portanto, não conhece o sofrimento, o medo. Podemos chamar isso de Liberação, Realização de Deus ou Iluminação. 

Pode parecer muito estranho esse ponto de vista, esse modo de ver, porém, isso é assim. Esse é o momento de você descobrir Isso – de ir além do mundo, do corpo, da mente e de tudo o que ela tem criado à sua volta.


Ok! Vamos ficar por aqui. Até o próximo encontro. Namastê!

*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite do dia 31 de Julho de 2017
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quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Não há nenhuma distância entre você e a Verdade!



O que estamos fazendo nesses encontros? O que é estar aqui em Satsang?

Primeiro, você precisa perguntar se existe alguma distância real entre você e a Verdade. Todas as vezes, eu me deparo exatamente com essa dificuldade em Satsang: tentar, através das palavras, mostrar que não há nenhuma distância entre você e a Verdade!

Afinal, qual é a distância entre essa Consciência e os objetos dos quais Ela está consciente (corpo, mente, e mundo)? Existe alguma distância? Que distância é essa? Onde se cria, se produz, essa distância?

Se você investigar isso, de forma simples e direta, verá que não há distância; que essa separação não é real; que essa Consciência está presente sempre, e a mente, o corpo e o mundo estão aparecendo Nela — não são coisas separadas.

Em outras palavras, você apenas olha através de uma crença, de uma ideia, do pensamento acerca dessa experiência acontecendo. Você nunca entra a fundo nessa experiência. No entanto, se o fizer, descobrirá que não existe alguém presente nela; há somente a experiência acontecendo na Consciência. Dessa forma, a mente, o mundo, o corpo, as sensações, as emoções, os sentimentos, e os pensamentos estão acontecendo sem a ilusão da separação, da dualidade.

Dualidade significa duas coisas acontecendo: a “consciência” testemunhando e a mente, o corpo e o mundo aparecendo de uma forma independente… mas isso não é real! A mente não é independente, o corpo não é independente, o mundo não é independente! Não existe separação, não existem duas coisas! O pensamento não é independente do pensador! Na verdade, o pensador é só uma crença, uma ideia, mais um pensamento também, que não funciona de uma forma independente dessa Testemunha, dessa Consciência.

Não há pensador, pensamento, corpo e mundo como algo separado, com uma vida independente. Tudo isso é real, mas apenas nessa Consciência. Você não precisa se livrar do pensamento, nem da mente ou do corpo. Quem estaria tentando fazer isso? Apenas a ilusão da separação, da dualidade; a ilusão de alguém que está presente como o pensador, separado do pensamento; o observador separado daquilo que ele observa; aquele que se sente separado daquilo que é sentido.

Todo o problema que você tem se encontra na ideia de que há uma vida sua, particular, acontecendo; a ideia de que essa vida é a vida de alguém  alguém e suas escolhas, desejos, determinações, intenções... Portanto, você está brigando com quem? Discutindo com quem? Reclamando com quem? Todo seu problema com o outro é um problema com quem? Todo seu problema com o mundo, todo seu problema com a própria mente, com o corpo, é um problema com quem? O seu conflito é com sua namorada, com sua esposa, marido, vizinhos?

Você gosta de alguns e não gosta de outros… Então, de quem é que você gosta? Quem é importante para você? Com quem você se dá muito bem? Reparem que é a mesma dualidade, é o mesmo sentido de alguém presente. “Alguém presente” sempre tem amigos e inimigos; é a mesma ilusão: se você tem amigos, tem inimigos também; se você gosta de alguém, tem alguém de quem você não gosta; se você está amando alguém, tem alguém que você não está amando. Você não pode ter uma coisa sem ter a outra. Essa é a dualidade, a ilusão da separação!

Então, quem é que o perturba ou o faz feliz? Ora você está feliz, ora você está triste, mas quem é que o deixa assim? Quem é esse que se sente feliz ou triste? Por que é que ele se sente assim? Por que tem algo do lado de fora tornando-o feliz ou triste? Para quem existe essa separação? Para quem existe essa dualidade?

Isso é muito claro, não?

Tudo isso está acontecendo nessa ilusão de estar se confundindo com a crença de ser alguém separado, no controle desse momento, dessa experiência, ou seja, do pensamento, da sensação, da emoção, do mundo, do corpo, do “outro”...

Reparem que estou sempre apontando para o Estado Natural, fora da dualidade, fora da ilusão, fora dessa separação entre sujeito e objeto, entre observador e objeto da observação. Reparem que nesse Silêncio, que é Consciência, que é Presença, não existe separação. Ela surge apenas como uma crença, quando você, como uma entidade, se separa do que está acontecendo. É sempre uma crença, uma ideia, a ilusão de alguém presente criando uma distância  “eu e o corpo”, “eu e a mente”, “eu e o mundo”... Como se houvesse duas coisas!

Aqui está, diante de você, o desafio desse trabalho, que é se aproximar intimamente dessa constatação; o desafio de não se separar para não produzir conflito, sofrimento, ilusão. Quando você se separa, você cria o conflito. Não se separar significa parar com essa guerra, parar com o medo, parar com o sofrimento. Você deve fazer esse trabalho agora, nesse instante, até que Isso comece a tomar forma, até que Isso comece a assumir o lugar que precisa ter aí.

Lembre-se que você está indo no sentido inverso — a ilusão da separação, a ilusão da mente egoica está indo para uma direção e você está indo para o sentido inverso; a mente egoica, a mente separatista, a mente ilusória, está indo e você está voltando. Você está saindo dessa rota, dessa via, dessa mão, está saindo dessa estrada! Você está saindo do ego, da dualidade, da ilusão, de Maya, do sono, da inconsciência, da mente egoica, da história da pessoa... Você está muito acostumado com essa estrada, com essa via e, agora, você está pegando uma outra via: a via de volta… de volta para casa.

Casa, aqui, é sinônimo de Felicidade, Liberdade, Consciência, Sabedoria.

 Namastê!

*Transcrito a partir de um encontro online na noite do dia 13 de Fevereiro de 2017
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terça-feira, 19 de setembro de 2017

Quando você busca do lado de fora, você esquece quem Você é.


Nestes encontros, estou apontando para Aquilo que considero principal, e que não é a fala em si. A sua experiência com o mundo dos sentidos, com o mundo sensorial, é a experiência que a mente conhece e valoriza. Você tem uma educação, um condicionamento tal, que o faz estar sempre voltado para o mundo externo, para o mundo dos sentidos.

Minha ênfase, nesses encontros, é sempre sinalizar para você o que considero a coisa principal: o seu próprio reconhecimento, Aquilo que você é aí dentro e não a experiência que você conhece, mas a Natureza onde essas experiências estão surgindo, onde estão aparecendo... A Natureza da experiência em si, que é essa Consciência que Você é.

Toda sua frustração existencial está baseada nessa orientação que você vem tendo a partir dos sentidos. Dizendo de outra forma: você está esquecendo de quem você é e está se confundindo com as experiências dos sentidos. Para a mente egoica, tudo o que interessa é a experiência dos sentidos. Então, se você observar bem, você está muito impressionado com o que vê, com o que escuta, com o que toca, com o que percebe. A percepção sensorial, para você, é algo muito importante e sempre fica a serviço dessa egoidentidade, que é essa pessoa que você acredita ser. Então, você não olha a partir Daquilo que você é; você olha a partir da mente, você escuta a partir da mente, você fala, toca, sente a partir da mente... Aqui, eu me refiro a essa mente separatista, a essa mente egoica.

É por isso que não há beleza em sua vida, porque não há profundidade. A natureza da pessoa é ser superficial, é a natureza do ego. Por mais que você tenha coisas muito bonitas à sua volta, você continua superficial, olhando para as pessoas como uma pessoa. Você fala com as pessoas como se fosse uma pessoa; você escuta alguém como se você também fosse alguém. Então, todo o seu contato com o mundo externo é só um reflexo dessa superficialidade interna da mente egoica, porque não há profundidade e, quando não há profundidade, não há Riqueza, não há Graça, não há Beleza, não há Verdade.

Funciona mais ou menos assim: você se vê como alguém e quer se preencher no outro; você quer se tornar rico no outro, profundo no outro, pleno, feliz... Você quer viver o amor, quer viver a liberdade, mas sempre no outro. O que nós fazemos nesses encontros chamados Satsang? Nós investigamos a natureza ilusória desse “eu” que você acredita ser, o que é fundamental, pois isso, de imediato, liberta você de esperar alguma forma de preenchimento no “mundo" do lado de fora.

O ego vive de uma forma muito carente, muito amedrontada, dependente... bastante infeliz. Ele precisa de apreciação, de reconhecimento, do amor vindo do outro – sempre de lá para cá, de fora para dentro. É uma busca constante de ser alguém para o outro. Essa é a natureza do ego e você precisa ir além disso, além dessa ilusão de ser alguém, desse que tem feito sua vida ser tão superficial. O tédio nasce disso, a solidão, a depressão, a ansiedade, a timidez e todas as formas de medo nascem disso, porque não há profundidade.

Uma coisa básica que você precisa compreender para ir além da mente egoica é que você precisa descobrir o Amor que não depende do outro, a Paz que não depende do outro, a Liberdade que não depende do outro. Para isso, você precisa sair da mente, deixar essas imagens que a mente produz o tempo todo na sua cabeça sobre quem é ele ou quem é ela para você. Você não pode depender disso! Somente assim você estará começando a ser sério consigo mesmo, a apreciar a Vida como Ela é.

Você precisa olhar para aquilo que se apresenta, nesse momento, e não se confundir, não se deixar impressionar, não olhar a vida de uma forma romântica, acreditando que algo do lado de fora, ou alguém do lado de fora, vai lhe dar aquilo que você já tem aí dentro. Quando você busca do lado de fora, você esquece quem Você é.

Quando você começa me ouvir, eu destruo os seus relacionamentos, porque eu quero que você encontre o Amor em si mesma, em si mesmo. Só então você pode ir para fora, namorar, casar, ter filhos, amigos, porque nada mais poderá fazer você sofrer, inclusive - e principalmente - os namorados, amigos, maridos, filhos... Isso que você chama de “meu mundo” e que é só a historinha de um personagem que você acredita ser.

Está difícil acompanhar isso?

Essa historinha é a sua miséria, não é a sua felicidade. Primeiro, você encontra a si mesmo e realiza a Felicidade; depois vai para fora. Isso é completamente diferente do que vocês têm aprendido. Vocês já ouviram frases como: “você jamais será feliz se não fizer o outro feliz!”. Isso é uma mentira! Você não está aqui para fazer o mundo feliz; você está aqui para reconhecer que não existe nenhum mundo e que, portanto, não existe nenhum outro além de Você.

A sua libertação e felicidade são a libertação e felicidade do mundo. Mas o mundo e o outro não estão separados de Você. Então, você realiza quem Você é, e não o que o outro é, quando realiza a Felicidade. Esse modo de pensar “eu e o outro” é totalmente equivocado, pura dualidade.

A mente vive o tempo inteiro ligada a essa imaginação. É isso que produz o seu sonho, o sonho de sua vida, essa história da egoidentidade, da pessoa que tem um nome, que tem um pai, que tem uma mãe (ou já teve), que tem irmãos, tem amigos... Tem tanta coisa e vive profundamente embolado em meio a tudo o que tem. Vive preocupado, assustado, enciumado, tentando controlar, tentando manter, proteger, só para não ser infeliz quando isso tudo for embora.

Ser alguém, se ver como alguém, é muito miserável. Quando você se vê como alguém tem sempre alguma coisa nova chegando à sua vida e essa “coisa nova” fica velha e você quer substituir por outra coisa nova, que depois quer substituir por outra, porque aquela já ficou velha também... Então, não há Liberdade.

Em Satsang, eu o convido a desaparecer, a ser somente Aquilo que você nasceu para ser. Então, tudo já foi embora e, curiosamente, tudo já está presente!

Aqui, funciona com uma “matemática” diferente: quando você não tem nada, você tem tudo. No ego, na mente, é outra “matemática”: você tem tudo, mas não tem nada, porque não tem a si mesmo. É muito miserável ser alguém...


Ok? Vamos ficar por aqui! Namastê!

*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite do dia 11 de Agosto de 2017 
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quinta-feira, 14 de setembro de 2017

O Encontro com a Verdade


Estes são encontros de descobertas, de diretas constatações. Satsang significa, verdadeiramente, o encontro com a Realidade, o encontro com a Verdade. Diferente de um encontro com um professor, aqui você não precisa ter um preparo. Não é uma matéria que você, por exemplo, por estar aqui pela primeira ou segunda vez, está um pouco mais atrasado que os demais. Essa é uma fala de investigação de uma realidade presente que é possível que você tenha esquecido, mas não é um assunto que você internamente desconhece; Isto já está presente aí. Mas é preciso tomar cuidado com isso. É importante que você acompanhe isso pacientemente, cuidadosamente, com o coração voltado para isso, para essa constatação, para aquilo que estaremos propondo para você.

Você pretende realizar a Felicidade... A Felicidade é o fim do sofrimento. No entanto, já começamos a nos deparar com um aspecto bastante paradoxal nestes encontros chamados Satsang. Felicidade é o fim do sofrimento, mas, na verdade, a busca da felicidade e sofrimento são sinônimos. A própria busca da felicidade alimenta e sustenta o sofrimento, porque um outro nome para a busca é "alguém" na procura. "Alguém" na procura é a pessoa, que é a entidade que sofre. A entidade que sofre, que é a pessoa na busca, significa sofrimento.

Então, o sofrimento busca se livrar do sofrimento; isso é o que a pessoa faz. Isso não é a busca da Verdade, é a busca da felicidade. Ou seja, a busca da felicidade é, na verdade, a busca do sofrimento. Tudo o que se faz na busca da felicidade é alimentar a "pessoa", a "entidade" na procura dessa coisa. Assim, ficamos num círculo, num circuito fechado. A primeira coisa estranha de ouvir em Satsang é que "pessoa" é sinônimo de sofrimento, e sofrimento significa a busca da felicidade; na própria busca está a "pessoa", o sofrimento e a infelicidade. Então, a felicidade que se procura é a infelicidade.

Tudo o que você tem feito na sua vida, na procura da felicidade, está sustentando a infelicidade, porque tudo o que você tem feito na sua vida é buscar sofrimento na procura da felicidade. Esse é um assunto bastante singular, bastante ímpar, fundamental. Tudo o que você faz é para ser feliz, mas na verdade é para ser infeliz, pois quando você entra em ação nesta busca, nesta procura, está a "pessoa", que está muito atrapalhada e não sabe nada de felicidade, porque a natureza da "pessoa" é ser infeliz. Não existe uma só "pessoa" feliz neste planeta. Momentos de alegria e prazer não é ser feliz, momentos de preenchimento pessoal e satisfação não é ser feliz.

Ser feliz é Ser, e ser só é possível quando não há pessoa. Quando não há  "pessoa" não há busca!  Quando não há  "pessoa"  não há nenhuma busca de felicidade, nem da libertação da infelicidade. Quando não há "pessoa"  não há busca, quando não há busca a felicidade está presente. A felicidade está presente quando não há "pessoa", quando não há busca. A felicidade está presente quando "você" não está. Quando "você"  aparece você transforma qualquer prazer em uma aquisição pessoal, e quer que isso se repita vez após vez, após vez; isso é a própria busca, a busca da felicidade, que produz a infelicidade, que é a busca do sofrimento.

Outra coisa sobre isso é: não se iluda. É algo bastante ingênuo, desproposital e por demais estúpido, essa "pessoa" falar de uma não pessoa, dizendo, por exemplo: "não tenho nada para fazer, nada para realizar, nada para alcançar e nada para buscar". Então, essa aparente e ilusória entidade separada fala de si mesma como se não existisse, só porque ouviu a frase “aparente entidade separada", "ilusória entidade separada". Percebam o velho truque da mente: uma hora a mente acredita na "pessoa", outra hora ela não acredita na "pessoa", mas é a mesma velha mente; uma hora a mente acredita que não é iluminada, outra hora acredita que já está iluminada.

É necessário compreendermos isso, com todo o nosso coração, senão vocês vão cair na velha armadilha da "ambição do iluminado", do desejo de iluminar. Se seu desejo de iluminar for muito forte de uma forma equivocada, essa Presença não assenta aí de uma forma definitiva, mas o pensamento cria uma iluminação. Então, se a pessoa diz que não há nada para fazer, para encontrar, para buscar; se a "pessoa" diz que "não há pessoa falando de si mesma", ela está deitada numa rede, essa rede se chama Advaita Vedanta. Quando essa rede balança para um lado ela fala de "não dualidade", quando ela balança para o outro ela fala de Sat-Chit-Ananda (Felicidade-Consciência-Ser). Esta é uma extraordinária e confortável crença, algo como tomar um milkshake, uma coisa muito confortável; algo delicioso antes da crise, mas é só uma crença-sentimento presente enquanto dura toda essa verbosidade, essa fala, esse blá-blá-blá. Mas, cedo ou tarde, na privacidade do coração, algo vai se mostar insuficiente. Cedo ou tarde o movimento extraordinário, desconhecido e estupendo que é a vida vai declarar que essa crença-sentimento não é suficiente.

O sofrimento vai ressurgir de novo mais uma vez, e mais uma vez, e mais algumas vezes. E esse sofrimento vai impelir essa, assim chamada, "não pessoa", que ainda é bem pessoal, a procurar felicidade, e essa procura da felicidade vai produzir ainda mais infelicidade. Pior do que não ter qualquer ensinamento sobre isso, é conhecer profundamente isso. Se a pessoa diz que não há nada para fazer, ela está numa situação bem pior do que qualquer pessoa que não sabe nada sobre isso. Se a pessoa sente que não existe nada de fato para fazer, para encontrar, para buscar, para realizar, ela está numa situação pior do que aquela pessoa que nunca ouviu nada sobre Realização. Isto porque Realização não é uma questão de entendimento intelectual, é uma questão de Presença, de Consciência, de percepção direta. Se a pessoa acredita não precisar, ainda carregando a ilusão de ser uma pessoa, está precisando muito. Se ela acredita não precisar, sua condição é muito pior do que aquela que se dispõe a investigar isso, isso porque ela nega a si mesma a possibilidade de ir além dessa ilusão, que é a ilusão de acreditar que não precisa, precisando.

É fundamental que você perceba de um modo direto aquilo que está sendo proposto para você em Satsang. Estamos propondo para você o fim da busca, mas não a ilusão de se falar no fim da busca. O fim da busca é quando a busca termina e não é quando se verbaliza “não há mais busca”. Verbalizar “não há mais busca”, enquanto a busca não termina, é muito cômico, é muito hilário, é bastante engraçado. Então, o que precisa ser feito, até não precisar ser feito, de fato precisa ser feito. Enquanto houver a ilusão de uma entidade presente nessa experiência, que é a experiência da "pessoa" de "ser alguém", é uma grande ilusão se falar de um "não alguém", ainda, sendo "alguém"; de um não trabalho, de um não fazer, de uma não rendição, de uma não entrega, ainda, se sentindo "alguém", ainda se sentindo uma "pessoa". Porque essas assim chamadas falas Advaitas não falam sobre isso?

Enquanto só se conhece a sombra, falar de luz é imaginação; na Índia, chamam isso de "ilusão da ignorância". Não há de fato qualquer ignorância, mas existe a ilusão da ignorância. Essa ilusão da ignorância pode se passar por clareza, também; clareza de não ignorância, clareza de não ilusão, e ainda é ilusão da ignorância. “Não há nada para se fazer, não há ninguém para fazer qualquer coisa” - isso é a verdade, mas é a verdade para Buda, para Ramana Maharshi, para Jesus, para Krishna, para Marcos Gualberto. Quando as pessoas vem a mim e repetem essas falas, digo "ok, é maravilhoso, é exatamente assim", e pergunto para elas: "mas isso é a sua compreensão ou é a repetição da minha fala ou da fala de outros?"

É tão confortável repetir aquilo que outros dizem... Mas seja honesto, cheque. Quando você vai sair do hotel você tem que fazer o check out; então, eu diria para você "faça o check in e depois o check out. Seja honesto e cheque sua verdadeira vida". Olhe para si mesmo, momento a momento, não só quando estiver entusiasmado diante de uma fala como essa, ouvindo e repetindo, ou escrevendo e recitando poesias. Olhe para isso de uma forma direta, em primeira mão, faça o check out... Veja se você já pode ir embora, se já "fechou sua conta". Cheque se isso é a verdade de sua própria experiência, ou se é uma crença, que é mais um pensamento e uma ideia, mais uma crença, sobre isso.

A vivência direta é a prova! Não uma prova para outros, mas para si mesmo. Onde quer que você esteja lá estará esta Presença, que é esta Consciência, que é esta Graça, que é esta Verdade.  Então, faça o check out. Vocês querem a Verdade mesmo ou vocês querem a teoria sobre isso? Teorias vocês adquirem em livros e ouvindo falas como esta aqui no Paltalk, ou assistindo a vídeos de Marcos Gualberto, Eckart Tolle, Mooji. A prova existencial dessa Realização não é a fala, não é a expressão.

Você sabe quanto tempo uma semente passa no interior da terra até que possa germinar? Eu vou lhe dizer: é o tempo que se faz necessário para cada semente. Cada semente está no interior da terra, na escuridão da terra, oculta dos olhos de todos e da luz solar, até que no momento certo ela germina, ela brota. O tempo para cada semente é o tempo que ela precisa, mas, durante este tempo, ela permanece quieta, não aparece, se mantém oculta em silêncio, em profundo silêncio, até que, no momento certo, a vida, a existência lhe impulsiona para a germinação. A semente explode e deixa de ser semente quando ela germina. Não adianta tentar forçar isso.

Quando é que você estará maduro? Quando estiver maduro. Antes disso é uma fraude, é só mais uma ilusão, é só mais um forçar de barra. Então, crianças, fiquem quietas, mergulhem em si mesmas, fechem a boca... Deixem essa semente aí, deixem o silêncio tomar conta dela. Aqui o tempo é a coisa que menos importa. Aqui o que importa é a fecundidade, é o poder intrínseco, é o potencial interno, é a verdade presente nessa semente, o poder que ela tem, o poder que ela traz, o potencial dela para trazer Isso à tona, para realizar Isso, para manifestar Isso.


OK? Namastê!


*Transcrito a partir de um encontro online acontecido na noite do dia 25 de novembro de 2016 - Encontros online todas as segundas, quartas e sextas as 22h - Para participar baixe o Paltalk no seu computador ou smartphone.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

O fim dessa imagem que você faz de si mesmo é o Despertar



Nesses encontros, você se volta para o reconhecimento acerca de quem você é, e você tem se afastado disso há muito tempo. É tudo uma questão de autoesquecimento! Você precisa voltar Àquilo que você É, o que implica em voltar para casa. Esse afastamento de si mesmo é esse autoesquecimento.

Sua Natureza Real não é alguma coisa. O pensamento em sua cabeça e o sentimento presente no seu corpo fazem com que você se sinta “alguma coisa”. Você se sente alguém, se sente algo, se sente algo dentro de muitas coisas. A sua experiência de corpo e mente é a experiência de alguém – isso é a experiência de alguma coisa. Tudo isso acontece porque você esquece quem de fato você É. Dessa forma, você se sente uma coisa entre muitas outras; se sente uma pessoa entre muitas. Você esquece esse Eu Sou, para se confundir com o corpo e a mente e, assim, você se vê como uma coisa.

É como todo esse espaço nessa sala: você é esse espaço, mas como se esquece disso, você se confunde com qualquer objeto que aparece aqui. Você se confunde nessa confiança, nessa crença de que é alguma coisa, enquanto que, na realidade, você é todo esse espaço!

Quando chega em Satsang, a princípio, você acredita que vai resolver os seus problemas, que vai terminar com os seus sofrimentos. Você acredita que o Despertar, a Iluminação, é o fim dos seus problemas, dos seus sofrimentos. Você fica muito preocupado com essa questão da Iluminação. Antes, você tinha diversos outros problemas, e agora você tem um problema maior que todos os outros. Um problema que quando é resolvido, resolve todos os outros!

As pessoas escrevem para mim, e dizem: “Eu quero a Iluminação!” E eu pergunto: “Porque você quer a Iluminação?” E elas dizem: “Meus pais agora vão me compreender!”, “A minha esposa vai me amar!”, “Eu não vou mais sofrer!”… Mas deixa eu dizer algo para você: Iluminação não é o fim dos seus problemas, não é o mundo em paz com você, não são os seus problemas todos resolvidos. Iluminação é sair dessa posição: “Eu sou alguma coisa”, “Eu sou alguém”… Você esquece a sua Natureza Real, e você se confunde com uma crença, uma ideia, uma imagem e, essa imagem tem problemas, tem inimigos, quer a salvação... Essa imagem é essa “alguma coisa”.

O Despertar, a Realização, a Iluminação, é o fim dessa imagem que você faz de si mesmo, a imagem de ser alguém, a ideia de que você é um objeto nesse espaço. Quando isso cai, o espaço fica! E é claro que o espaço não tem nenhum problema. Nesse momento, você é esse espaço e, como tal, você não está preso às experiências; elas acontecem no corpo e na mente. Da mesma forma, qualquer coisa pode acontecer a um desses objetos que aqui estão nessa sala, mas isso não atinge esse espaço, não fere, não arranha esse espaço onde os objetos aparecem.

Então, a Realização, a Iluminação, não é o fim dos seus problemas; é o fim da ilusão de que tem alguém presente para ter problemas, que tem alguém presente para sofrer, para ficar magoado, para se sentir ofendido ou rejeitado, para se deprimir ou se sentir eufórico… A Realização não tem nada a ver com aquilo que você acredita, porque tudo isso ainda faz parte da mente... É quando, então, você se move dessa posição, na qual acredita e sente que é alguma coisa, para algo inteiramente novo, inteiramente desconhecido. Você reconhece quem você é, sua Real Natureza, a Verdade sobre si mesmo, a Verdade desse espaço impessoal. Sua Verdadeira Natureza é Pura Consciência, Puro Espaço, o Nada.

Enquanto você se considerar uma pessoa, vai ver o mundo como uma pessoa o vê; vai sentir o mundo, como uma pessoa o sente. A Realização é sair desse sonho! Quando alguém que está acordado vê você se mexendo na cama, chorando, gemendo, gritando, e percebe que você está em um sonho (que é um pesadelo), ela vê o seu sofrimento, se compadece de você e o toca dizendo: “fulano, acorda!”. Quando você acorda, o sonho termina imediatamente. Repare que não leva um segundo para o sonho terminar; é de imediato. Por isso, aqueles que realizam isso dizem que não leva tempo, porque é uma mudança imediata; a mudança aqui é do sonho, da ego identidade, para o seu Ser, para a sua Real Natureza. Isso, de fato, não leva nenhum tempo, não é uma questão de tempo.

Não é possível tratarmos desse assunto aqui. Pelo menos, não agora, pois isso é algo muito paradoxal para a mente que vive no tempo, que se vê no tempo, que criou a ilusão do tempo; tudo leva muito tempo para a mente. Aconteceu no tempo, é o passado; está acontecendo agora, é o tempo presente; precisa do futuro, então tem uma outra forma de tempo. A mente está viciada nisso, e todo o nosso trabalho aqui é para que você tome ciência de quem você é, aqui e agora.

Aqui e agora, não há tempo, mas a mente aí não vai dizer isso! Por exemplo, um trabalho aconteceu aqui, por vinte e um anos; esse foi o tempo que a mente pediu para deixar o seu desejo de continuidade. Ela brigou por continuar por mais vinte e um anos [depois que Ramana apareceu]. Isso não requer nenhum tempo – O que é agora aqui, sempre foi – mas isso só ficou claro, quando a mente se foi. Vocês não têm que se preocupar com essa questão. Isso é algo maior que vocês, maior que a mente… tudo isso é uma ação misteriosa do desconhecido, uma ação divina, uma ação da Graça. Nessa ação da Graça, esse espaço se revela como a sua Real Natureza. Então, o sentido de ser alguém, de ser alguma coisa, ser um objeto nesse espaço, desaparece instantaneamente.

É como a água para chegar no estado de vapor (na física se conhece isso): ela tem que esquentar, esquentar e esquentar... ela não evapora com noventa e oito, noventa e nove graus... ela tem que chegar precisamente a cem graus Celsius. Quando isso acontece, ela perde o seu estado de água e passa a ser vapor d’água imediatamente; mas ela levou um tempo para chegar a cem graus. O Despertar é algo assim, é um amadurecimento, é um florescimento, é uma constatação, é quando não há mais uma temperatura de noventa e sete, noventa e oito, noventa e nove graus. Por enquanto, esse mecanismo corpo-mente está nessa posição de identificação com a ilusão de uma ego-identidade, de uma pessoa na experiência, se confundindo com os seus humores; e trabalhando o reconhecimento disso, a soltura disso, nessa investigação, nessa entrega, nesse olhar para isso, de novo, de novo, de novo...

Tudo isso parece muito desesperador hoje, mas chegará o dia em que você vai rir de todos esses esforços, todas essas viagens para Satsang – calor no Nordeste e frio no Sudeste, milhares e milhares de horas de voo – e na verdade você não saiu do lugar, você nunca deixou de ser quem você é, você não conseguiu ser o que você não é. Esse é o maior de todos os mistérios: você, sendo a Realidade, está à procura Dela. Então, chegará um dia que você vai rir de tudo isso.

O problema não está no desejo pela Realidade, o problema está naquilo que a mente tem dito para você sobre a Realidade, e é nisso que você está tentando encontrá-la. O que nós estamos fazendo juntos é ver o que não é a Realidade. Você já foi enganado por si mesmo, por muito tempo, por esse próprio movimento equivocado da mente sobre a Natureza da Realidade. Então você busca a Realidade em relacionamentos amorosos, em bens materiais, em realizações profissionais, na beleza física, ou todo tipo de coisa....

Aqui, eu o encontro nesse pesadelo e o sacudo para acorda-lo desse sonho; empurro você da cama, se for necessário… se tocando em seu braço não consigo, eu o empurro da cama para você sair dessa suposta realidade, para você soltar esses desejos. Então, você já não quer casar de novo, por exemplo, porque vê que é tudo igual; você não está mais preocupado em fazer fortuna, fazer dinheiro para obter coisas, porque você vê que a Realidade não está lá... que a Felicidade, a Liberdade, o Amor, a Paz, não está lá. Então, eu te dou uma sacudidela na cama para você acordar, para você abandonar essa bobagem.

Esse foi o trabalho do meu guru comigo, e é o meu trabalho com você. Como eu faço isso? Como ele fez comigo: Ele entrou em meu quarto e me empurrou da cama. Vinte e um anos é caso de empurrão mesmo! Não basta um toque leve no braço direito para tirar o outro do seu sonho, do seu pesadelo; tem que levar um empurrão mesmo. Como Ele fez isso? Como eu faço com você! Você vê uma foto minha no Facebook e você sonha comigo... Você nunca tinha me visto no Facebook, mas depois você se depara com a minha foto, olha em meus olhos, e eu estou olhando para você e dizendo: “Cadê você, menino? Estou esperando você!”. Foi assim que Ele fez comigo! Você entra aqui no Paltalk, escuta a minha voz por três minutos, e diz: “Quem é esse cara?”. Você está navegando pelo Youtube, se depara com um vídeo meu, e diz: “Quem é esse cara?”.

Eu sou o fim dos seus pesadelos! Não estou dizendo que será fácil mostrar para você a inutilidade de continuar confiando nesse sonho como sendo algo real para si mesmo; mas estou dizendo que posso fazer o meu trabalho. Quando você deixa de acreditar em tudo, você deixa de ser alguém, você deixa de ser alguma coisa, você deixa de ser um objeto nesse espaço, para ser o próprio espaço... o sono termina, o sonho termina e o pesadelo também!


Namastê.

*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite de 28 de Julho de 2017 - Para participar dos nossos encontros onlines é só baixar o App Paltalk no seu computador ou dispositivo móvel. Participe!

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

O que é a realidade?


Olá, pessoal! Sejam bem-vindos a mais esse encontro aqui pelo Paltalk! É muito bom estarmos juntos, com você se dando essa oportunidade da investigação da Natureza do Ser.

Qual é a sua realidade? O pensamento, assim como o sentimento, tem criado uma realidade: a experiência desse momento, pelo pensamento e sentimento... A mente consegue dar uma realidade a isso – a realidade que a mente cria e imagina.

A pergunta para você é: O que é a Realidade? Nós temos a Realidade e temos a “realidade” que a mente cria. Saber sobre essa oportunidade de investigação e assumir isso como algo real para a sua vida, é o que, aqui, nós temos de fundamental... É dedicar o seu coração, toda sua energia, disposição, a essa grande descoberta da verdade sobre si mesmo, a descoberta da Realidade.

Hoje, os meus dias são dias de Realidade. Eu percebo o quanto, na mente, as pessoas vivem aflitas, procurando criar para elas mesmas algo que as preencha, que possa realizá-las e dar a elas “paz e liberdade”, “amor e felicidade”. Porém, elas estão caindo, vez após vez, nessa armadilha da “realidade” que a mente cria. Isso é como a experiência de enxugar gelo... Você pode tentar isso, o quanto quiser, pelo tempo que quiser, mas o gelo nunca vai secar. Ninguém, até hoje, conseguiu enxugar gelo, nem conseguiu a felicidade sendo “alguém”, fazendo escolhas, tomando decisões, trabalhando em direção aos seus projetos.

Você já fez uma faculdade, já conseguiu uma noiva ou um noivo, casou, alugou ou comprou uma casa, já teve dois filhos ou meia dúzia, já se tornou um empresário, montou uma banda de Rock and Roll (descobriu que tem uma boa voz para cantar e tornou-se vocalista da banda), tornou-se popular e agora você tem muitos fãs, viaja pelo mundo, mas continua tentando sufocar essa infelicidade através do uso de drogas e de outros expedientes.

Não é possível enxugar gelo, não é possível ser feliz. Felicidade não é alguma coisa que você alcança, que trabalha, trabalha, e realiza. Na verdade, quanto mais você busca isso, mais se afasta disso. O “gelo” está sempre do lado de fora e não tem como você realizar a Verdade do lado de fora – isso que eu acabei de chamar de “realidade” da mente. É necessário ir além da mente, além da sua experiência pessoal.

O sentido de pessoa é uma grande limitação, é a única autolimitação. Baseados nisso estão os seus sonhos, que são parte da mente, dessa ilusão de ser “alguém”. Quando se movimenta, você se afasta de si mesma, de si mesmo, porque todo movimento é para a exterioridade, para fora. Não há nenhum movimento nesse instante. Assim, isso não é alguma coisa para ser alcançada, conquistada; é sim algo para ser presenciado nesse instante, como a única Realidade que está aqui e agora.

Essa não é a realidade da mente, porque a realidade dela está na noção de espaço e tempo. No espaço estão as coisas que a mente cria e que ela busca alcançar; no tempo está a noção de realização e processo para se chegar lá. Essa é a realidade da mente, a realidade do “eu”, do “mim”, da pessoa que você acredita ser. Então, você precisa do tempo e do espaço. É por isso que a mente é muito gulosa – ela adora ter coisas. Ela busca se preencher em objetos, amizades, em relacionamentos... Ela vive cercada de uma grande multidão. O comportamento da mente é sempre nessa direção: multidão de coisas, multidão de pessoas, multidão de informações.  Ela está sempre fugindo, na sua limitação, e sempre procurando preencher essa limitação com infinitas coisas. Esse movimento dela cria somente confusão, porque, quanto mais coisas ela tem, mais aflita e limitada ela se sente.

Uma coisa curiosa sobre a mente, é que tudo que ela toca, ela envelhece, e depois quer substituir, porque aquilo não a preenche mais. Quando você encontra uma coisa nova, como um carro, uma casa, um namorado, um marido, algumas semanas depois, ou dias, ou horas, ou minutos, isso já está velho. Tudo que a mente toca, ela envelhece e depois quer substituir. No começo ela fica eufórica, sente-se preenchida, valorizada e realizada, tentando “enxugar gelo”, ou seja, encontrar a felicidade nas coisas dela.

Quando não há mente, não há nada velho, não há nada novo. Escutem isso: quando não há mente, não há espaço para coisas, não há tempo para projetos, desejos, sonhos; quando não há mente, há somente a Realidade Única, Verdadeira, que não é a realidade da mente (tempo, espaço, objetos, realizações, sonhos, desejos); quando a realidade da mente não está, a Realidade deste instante é essa Consciência, é essa Presença, é esse Amor, é essa Paz, é essa Felicidade, é a Realidade do Ser, é a Realidade de Deus.

Isso é simples ou é complexo? Você está aqui para descobrir que está Aqui. O que quero dizer é o seguinte: somente estar aqui é Real. Estar Aqui é Ser! Ser é estar Aqui! Agora é Aqui, além do tempo e do espaço. Além da mente é Aqui e não há nada além Disso. Então, isso é Realização de Deus, é a Realização da Felicidade.

Quando você está em Satsang, algo acontece e a noção do tempo e espaço desaparece. O que acontece é que você está Aqui. Talvez isso signifique, no relógio, três segundos, mas você não precisa de três segundos para constatar que o único lugar é Aqui e a única coisa Real é Aqui, onde todo sentido de um “eu” não está, com suas escolhas, desejos, suas pequenas ou grandes coisas, e assim por diante.

Esse recado para você tem esse propósito: fazer-lhe constatar que a única Realidade é Aqui. Aqui é o lugar onde seu Ser não tem nenhuma noção de espaço e tempo... Aqui! Podemos usar qualquer palavra no lugar dessa expressão, todavia estamos apontando para Aquilo que é não espacial e atemporal... Aqui!

Ok! Até o próximo encontro! Namastê!

*Transcrito a partir de um encontro online na noite do dia 21 de Julho de 2017 
Encontros todas as segundas, quartas e sextas as 22h - Para participar é só baixar o App Paltalk

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Esse sonho chamado sua vida


Afinal sobre o que tratamos nesses encontros, nesse momento chamado Satsang? Satsang é a definitiva resposta para todas as perguntas. Essa resposta definitiva, que se encontra dentro de cada um de vocês é o anelo de cada coração, onde está o fim para toda essa ilusão que tem sido a “sua vida”.

O que representa essa “sua vida”? De um modo convencional, habitual, como todos se posicionam, nessa assim chamada “sua vida”, você está deixando aqui registrado em letras, em diários ou não, uma história pessoal, de “alguém” presente dentro do corpo, vivendo uma história no mundo. Qual é a realidade disso, a verdade por trás dessa história?

Vamos ver se a gente aprofunda um pouco mais isso, perguntando quem é essa “testemunha”, que testemunha aquilo que ela mesmo vivencia para poder registrar, em letras sobre um diário ou na forma de lembranças, de memória, de recordações. Podemos falar sobre essa “testemunha”. Há, de fato, uma “testemunha” nesse contexto? Aqui, nessa atenção sobre tudo o que está acontecendo no corpo, como percepções, sensações, emoções, pensamentos, enfim, toda essa experiência do viver... Existe “alguém” nisso? Existe, de fato, uma “testemunha” em tudo isso, “alguém” que pode deixar o registro de tudo isso, dizendo "isso aconteceu a mim”? O que é isso afinal?

A pergunta que eu faço a você, em Satsang, é: Quem é você? Quem é esse “mim”, esse “eu”, e de quem é essa história que você vai me contar? Quem é essa “pessoa” que está registrando essa memória, como recordações ou anotações em um diário? É aqui que Satsang representa o início de um trabalho sobre si mesmo.  A palavra Satsang significa “encontro com a Verdade”, ou “na proximidade, próximo, da Verdade”.

O que eu tenho para lhe dizer, nesse encontro, é que tudo isso que acabei de colocar aqui, em palavras, é apenas um “sonho” acontecendo para “alguém”. Quando você sonha, está acordado no sonho, não é isso?  Enquanto sonha, você está acordado; nunca sonhando. Ao menos, não tem facilidade de perceber que durante o sonho aquilo é só um “sonho”, que de fato só está acontecendo como imagens, aparecendo e desaparecendo na mente. No geral, quando você sonha, está acordado no sonho e, acordado nele, você não suspeita que é um sonho, nem mesmo que esteja dormindo. Como você pode estar dormindo, fazendo e registrando tanta coisa, passando por tanta coisa?

Assim, quando você se depara com esse encontro com a Verdade, que é Satsang, há a oportunidade da possibilidade de dar início a um trabalho para descobrir que essa assim chamada “sua vida”, também, está acontecendo como um “sonho”. Você não está acordado. Como acontece no sonho à noite, está acontecendo, agora, num “sonho” – esse sonho chamado “sua vida”.    

Na Índia, eles chamam de sadhana essa jornada de investigação, de imersão, de mergulho, nesse descobrir. Portanto, sadhana é o trabalho que se faz necessário para “acordar”, um trabalho para trazer o Despertar desse “sono”, no qual o “sonho” está acontecendo, que é esse sonho de ser “alguém” – alguém pensando, sentindo, fazendo, realizando, nascendo, crescendo, adoecendo, envelhecendo e morrendo. O “sonho” está acontecendo... Tudo isso é a história.

Para quem está aqui pela primeira, segunda vez, quer você concorde ou discorde (o que dá na mesma, porque concordar com isso é uma crença e discordar disso tem como base, também, uma crença), o que estamos colocando, o que eu estou dizendo, é que você casou, teve filhos, ou até netos, está namorando ou procurando namorado, namorada, ou não, tudo o que você fez ou está fazendo é “dormindo”. Você está dormindo e em um sonho, no qual você é a “testemunha” do que acontece, mas, também, é o experimentador do que acontece, com um corpo e uma mente na experiência do mundo.

Então, percepções, emoções, pensamentos, imagens, tudo isso é experimentado nessa relação com a vida fora, internamente ou externamente, como um sonho. Há somente uma possibilidade de você sair desse “sono”, onde esse “sonho” acontece: é indo além da mente. Isso porque esse mundo, essa “sua vida”, está somente dentro da sua cabeça, pois é somente um “sonho”;  um movimento de pensamentos criando uma história, para a suposta “pessoa” acordada; é uma ficção.

Quando assiste a filmes, você consegue estar diante de um entretenimento, que é parte, está dentro, da indústria do entretenimento. Você assiste ao filme que está sendo vendido por essa indústria e, durante o momento de entretenimento, você sabe que tudo o que acontece ali é uma ficção... Você está se divertindo, curtindo, desfrutando desse filme. Porém, quando olha para “sua vida”, você não consegue perceber que ela, também, está sendo muito divertida, exatamente como um filme, que tem dramas, tragédias e comédias... É a sua vida: dramas, tragédias e comédias. Então, ela é muito divertida.

Se você fosse um observador vendo um “filme” chamado “Minha Vida”, iria ver como é divertido... Nada é tão sério, dramático e, curiosamente, nada é tão cômico, também, mas, basicamente, é somente um “filme”. Quando você está “dormindo”, mas acordado somente no sonho, está se confundido com a “testemunha”,  o experimentador do que acontece, e tudo fica muito, muito, muito grave, sério, difícil. Então, não é divertido, não é um entretenimento e nem é um bom sonho, mas sim um pesadelo, e por isso não vale à pena continuar “dormindo”, “sonhando”.

Despertar! É necessário Despertar, porque somente despertando você pode ver todos os “filmes”, desfrutar deles, e ver que eles estão apenas acontecendo, como um  entretenimento; a vida como ela é, como se apresenta. Ao estar desidentificado da ilusão, dessa “testemunha” que experimenta, dentro desse “sonho”, nesse “sono” de ser “alguém”; uma vez que você esteja livre disso, tudo o que está presente é essa única Presença, que é Consciência, que é Deus, Aquele que se diverte. Na índia, eles chamam todos esses fenômenos, onde há muitos filmes e uma versatilidade enorme de eventos, incidentes e acontecimentos, de Lila, que significa “brincadeira de Deus” (“a superprodução e a produtora cinematográfica”).

Deus é a única realidade presente, que vai do ponto A ao ponto Z. Há somente Ele – Ele nascendo, morrendo, vivendo; Ele em toda a Liberdade de Ser O que Ele é. A única liberdade que você tem é assumir essa Liberdade que Ele é, assumindo a sua Real Natureza, reconhecendo-se como Consciência, Presença, Verdade, Deus, ou seja, acordando, despertando, saindo desse “sonho”.

Enquanto, na mente, você continuar se confundindo com esse “sonho”, você é o sonhador, que é aquele que pensa estar acordado, mas que de fato está dormindo. Você nasceu para Acordar, para Despertar... Nasceu para ser reconhecido, livre do nascimento e da morte, e para reconhecer que tudo mais é somente um “sonho” ou uma produção Daquele que faz todas as coisas, segundo o Seu querer, a Sua própria vontade. A sua liberdade é se desidentificar dessa ilusão de ser “alguém”, e isso se dá saindo do “sono”, abandonando o “sonho”, despertando!

Na verdade, só há Deus e Ele não está separado de nenhuma dessas aparições, porque essas aparições são aparições Nele. Então, mesmo o “sonho”, no “sono”, é um assunto Dele. Assim, em outras palavras, se desencarregue de ser uma “testemunha” daquilo que não é seu; se desencarregue dessa ilusão de ser alguém”, neste “sono”, no “sonho”  de ser “alguém”.

Em uma linguagem religiosa diríamos: Tudo é a Vontade de Deus! Você não tem nada a ver com isso. Então, não há nada do que se queixar ou se vangloriar,  se orgulhar ou se envaidecer, nem há nada do que reclamar, murmurar, pois isso tudo está somente na ilusão de ser “alguém” e no “sonho”, que é esse “alguém” fazendo, sendo alguma coisa; “alguém” importante ou sem importância nenhuma, saudável, doente, rico, pobre, pequeno, grande... Essa é a ilusão da mente dualista, que sustenta esse sentido de separatividade, essa ilusão de “testemunha” experimentando.

Reparem que tudo que colocamos em Satsang traz você para esse espaço, que é Meditação, que é a ausência do sentido de “alguém” nessa experiência do falar, do sentir, do pensar, do fazer, do “sonhar”...

Ok, pessoal. Basta por hoje. Namastê

*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite do dia 1° de Fevereiro de 2017 
Encontros online todas as segundas, quartas e sextas as 22h - Baixe o App Paltalk e participe! Para maiores informações acesse: http://mestregualberto.com/agenda/encontros-online

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