sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Lembrar-se de Deus é lembrar-se de Si mesmo


Você não vai mudar o lado de fora, não vai salvar, consertar, reformar alguma coisa. Você não vai mudar o destino da humanidade, do homem; não vai parar as guerras, acabar com a fome, espiritualizar a humanidade, nem salvar a flora ou a fauna. As pessoas se importam com isso, vivem em suas exterioridades, em um mundo projetado pelo pensamento. A Felicidade não! A Felicidade já salvou o mundo! Ela é como um quadro, no qual a imagem do mundo aparece. Uma vez que a Felicidade está presente, o mundo está a salvo! Então, não se preocupe em, na mente, salvar o mundo. Trabalhe o fim da mente e o mundo fica aos cuidados da Felicidade. Eu sei que vocês foram ensinados a serem boas pessoas, e é possível ser uma boa pessoa depois de muito treino. Porém, uma boa pessoa ainda é parte de um mundo perdido, sem salvação. Sem “pessoa”, ou seja, na Felicidade, o mundo está a salvo, mas não foi você quem o salvou. Quando você desaparece, o mundo fica livre, porque você é a doença; você é o vírus, a bactéria. A ilusão de “ser alguém” causa a dor, deixa o mundo enfermo – isso é a doença do mundo! 

Você é a maldade do mundo, desse mundo que só existe para pessoas, nas pessoas e com as pessoas. Não tem nada de errado com o mundo! Na visão da Felicidade, o mundo é o que é, mas, na visão da pessoa, o mundo é miserável, sofredor, está doente, perdido, precisando de salvação. Deixe o mundo em paz! Deixe o outro em paz! Enquanto houver “você”, há o outro. Certo filósofo disse: “O inferno é o outro!”. Não sei se era isso que ele queria dizer, mas, pelo menos, é o que estou dizendo… Enquanto você estiver presente, o outro será infernal; quando você não estiver mais presente, não haverá mais inferno. O Amor é invencível, impoluto, imbatível. O Amor é a Natureza do Ser, que é a Felicidade. Não tem inferno, desordem, caos, nem confusão, quando há Amor, que é Consciência, Felicidade. 

Então, a lição que fica para você é: não espere, não busque, não tente encontrar, desconecte-se. Você está conectado o tempo todo, acessando um mundo específico. Desconectado, esse mundo específico desaparece e fica a Vida como Ela é: Real! O mundo fica como ele é: Real! É só desconectar! Na Índia, eles chamam isso de Samadhi… Ser, Consciência, Felicidade! É a desconexão da ilusão, das aparições da mente e suas criações imaginárias, do sentido ilusório de um “eu” presente. Desconexão… Samadhi! Isso é Beatitude, Bem-Aventurança… Isso é O que é, Isso é Felicidade, que é quando o mundo não precisa ser salvo; quando não tem nenhum mundo doente precisando de cura.

Como soa isso para você? Para mim, soa como algo assim: Silêncio, Quietude… Não interfira, deixe como está, não se envolva, não se meta nesses assuntos! “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus!” – está na Bíblia, no Salmo 46, versículo 10. Desconsidere a “pessoa” que você acredita ser quando ela for ofendida, magoada, chateada, aborrecida, maltratada, desprezada, desacreditada, rejeitada… Desconsidere a “pessoa” que você acredita ser nesses momentos. Olhe como é prático isso! Pare de invocar seu poderio, sua realeza, seu poder de alterar o que os outros pensam e esperam de você. Isso tudo é medo, sofrimento. Desconsidere isso, anule-se! Aceite ser nada, ser sem ego. Ego, aqui, é a resposta que reage, de uma forma muito rápida, numa autodefesa amedrontada, querendo impor sua vontade, seus desejos, controles, suas determinações… Puro ego! Isso sustenta e mantém a miséria, a ilusão. Isso deixa o mundo enfermo!

Você precisa de algum tempo nisso. Você vai à academia uma vez a cada seis meses e espera algum resultado… Levará muito tempo! Talvez, antes que você veja qualquer resultado, o corpo já tenha dado algum “piripaque”, porque a frequência não é essa, o aconselhamento não é para ir de seis em seis meses. Essa observação daquilo que se passa aí “dentro” e o que se passa “fora” deve ser feita momento a momento. É nesse momento que você deve observar a linguagem que sai da sua boca, os pensamentos que aparecem na sua cabeça, como você olha para alguém, como você fala com alguém, o que pensa sobre alguém ou sobre uma dada situação, quais são as suas reações diante do que acontece… É nesse momento! É momento a momento e não daqui a seis meses! Você precisa treinar isso, trabalhar isso, colocar o coração nisso, dormir e acordar com isso.

Você acorda e se lembra de Deus – lembrar-se de Deus é lembrar-se de Si mesmo. Você dorme, acorda e o primeiro pensamento pela manhã é observar o pensamento. O pensamento é: observe o pensamento! Então, você dá um passo para trás e observa o pensamento que observou o pensamento. Pela manhã, você já acorda assim, passa o dia assim e, então, você tem um santuário, onde você está devotando a sua vida a Deus. 

Lembro que, quando eu era criança, vivia orando. Eu não sabia nada sobre Meditação, sobre essa atenção, sobre o movimento da mente. Eu ficava curioso e meu pai dizia: “É assim mesmo! Feche seus olhos, coloque suas mãos sobre os joelhos e coloque sua mente em Deus!”. Então, ele me ensinou a meditar, mesmo sem sabermos o que era isso. Eu entrava no ônibus, naquela época, e ficava com a mente em Deus, porque a mente era muito barulhenta, cheia de pensamentos feios e eu me sentia mal com aquilo. Eu sabia que tinha algo errado, mas não sabia o que era. 

Então, você acorda pela manhã e já começa a colocar a sua mente voltada para Deus, para a oração, para a prece, para a lembrança do Divino… Colocar o seu coração voltado para aquela imagem que lembra Deus, para O que está além dela, além da própria mente. Então, a mente começa a se tornar pura. Na Índia, eles chamam de Sattva esse poder de tornar a mente pura. A mente, a princípio, é cheia de pecados, cheia de desejos, sempre voltada para o exterior, para as coisas externas, para os objetos. Ela quer uma bolsa nova, um sapato novo, uma casa nova, um namorado novo… É sempre alguma coisa nova! A mente está sempre entediada de si mesma, porém ela acha que está entediada dos objetos antigos que ela tem. Na verdade, a mente está entediada dela mesma, ela não se suporta e, então, quer alguma coisa nova. Ela fica nesse jogo de substituição, sempre voltada para o exterior. Então, você acorda pela manhã e já coloca a sua mente nessa observação. Quando faz isso, você já coloca sua mente em Deus, voltada para a observação do seu movimento.

*Transcrito a partir de uma fala no encontro presencial de João Pessoa em Julho de 2017 Acesse a nossa agenda e se programe para estar conosco: http://mestregualberto.com/agenda/agenda-satsang

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