quarta-feira, 31 de maio de 2017

A Vida não carrega nenhuma história






A base para a revelação da Verdade é essa investigação sobre você mesmo, acerca de quem verdadeiramente você é. Até esse momento, você está se confundindo com a ilusão de existir alguém presente nessa experiência humana, pois você foi educado para acreditar nisso. Você se vê como uma entidade, uma pessoa, alguém presente dentro do corpo. É necessário ir além dessa ilusão!

O seu condicionamento lhe diz que você está separado, experimentando objetos separados de você. Os olhos veem coisas do lado de fora; os ouvidos escutam sons que vêm do lado de fora; o cheiro também vem do lado de fora. Ou seja, os sentidos estão voltados para o exterior, para sensações externas, e essa é a ilusão de que existe separação entre o experimentador e o que ele experimenta — o experimentador dentro e a experiência fora. Dessa forma, temos sujeito e objeto, e isso não é verdade.

Toda experiência está acontecendo sem o experimentador; é somente a experiência dessa Consciência. Sem Consciência não há experiência. É o pensamento que tem uma história para contar sobre a ilusão entre experimentador e coisa experimentada, mas o pensamento é somente uma imaginação, uma ficção, mais uma experiência, também, nessa Consciência. É bem interessante isso, algo de grande importância, porque, quando fica claro, compreendido, mesmo que intelectualmente, que não existe separação entre pensamento e pensador, coisa observada e observador, aquele que escuta e aquilo que é escutado, nós temos já uma base para não mais confiarmos nessa ilusão de que existe alguém presente.

 “Alguém presente” é somente um condicionamento, uma crença. Não existe “alguém”! Por exemplo: agora, aqui, a ilusão é de que existe a separação — “nós estamos aqui e você está aí”. Assim, nós teríamos, nessa mesma sala, nesse presente momento, alguém ou alguns no Brasil, outros na Índia, outros nos Estados Unidos e outros em Singapura, o que não é verdade! Existe somente uma experiência acontecendo nesse instante, e ela é essa Consciência. Ela assume a forma, o som, o “ouvir”, a localidade (Brasil, Singapura, Estados Unidos, etc.) e assim por diante, mas é a mesma Consciência em sua expressão. Uma única Realidade presente.

Somos quarenta e dois participantes nesta sala do Paltalk e, aqui, temos mais cinco presencialmente. Contudo, não existem “pessoas” nesta sala. Não existe “alguém” falando e “outros” ouvindo. O que temos é somente a experiência em si, nela mesma. A experiência nela mesma é a Consciência, e não uma experiência para “alguém”. É a experiência nela própria, por ela própria, nela mesma. Essa experiência é pura Consciência, pura Presença. Essa é a base para o fim da dualidade, do sentido de separação. Quando não há dualidade, não há conflito, medo e sofrimento. Todo o seu problema está na ilusão de que “você” está aí, na experiência desse “alguém”, desse “mim”, desse “eu” (“eu e a minha história”, “eu e minha dor”, “eu e meus problemas”).

Portanto, a forma real de lidar com os pensamentos é não se confundir com eles. Em outras palavras, é não se ver como o pensador deles. Todo problema começa porque você acredita estar no controle, ser o responsável, mas, se observar de perto, vai perceber que os pensamentos acontecem de forma semelhante à chuva: sem qualquer controle da sua parte. Quando esses pensamentos acontecem e você acredita que são seus, você se confunde com a história que eles contam e, então, passa a existir nessa ilusão de ser alguém que tem problemas. Todos esses pensamentos giram em torno dessa autoimagem, que é aquilo que você acredita ser. É essa autoimagem que tem problemas — problemas com outras pessoas; problemas de ordem emocional, psicológica, de saúde; problemas com o passado, com o futuro… A autoimagem, esse “sentido do eu”, está lutando para mudar as coisas, o que é uma ilusão. Assim, o conflito, o sofrimento e o medo permanecem.

A Vida não carrega nenhuma história. A Vida é aquilo que se apresenta neste momento presente, neste instante. Portanto, não há pensamentos sobre o que acontece e não há passado, presente e futuro. Não há “alguém” responsável ou capaz de se ocupar com isso. Na Índia, eles chamam de Maya essa ilusão da dualidade, da separatividade, a existência de um “eu” e aquilo que acontece do lado de fora, na forma de pessoas, lugares e objetos; “eu e a minha história”; “eu, o mundo, e Deus”. Portanto, precisamos entrar fundo nisso, para soltar essa ilusão da dualidade, da separatividade — Maya.

Participante: Em novembro de 2016, uma de minhas melhores amigas se envolveu num acidente de carro e morreu no local. Ela tinha um filho de cinco anos... A pergunta é: como eu poderia vencer esse medo?

Mestre Gualberto: Não é sobre “um medo”. É preciso nos aproximarmos dessa coisa chamada medo. O medo ligado a uma situação particular, ou a qualquer outra situação, é sempre medo. Não importa do que temos medo, pois existe somente o medo. Agora, por que o medo está presente? Essa é a questão! Por que o medo está presente? Porque o sentido de separação está presente. O sentido de separação se baseia no pensamento, no que ele “diz” sobre aquilo que acontece. Repare que o pensamento acontece dentro do tempo. Ou seja, quando há espaço para tempo, há espaço para pensamento.

É quando o pensamento aparece que o medo aparece. O pensamento é a base do medo; é a base dessa separação entre esse “eu” e o perigo iminente para esse “eu”. A ilusão do “eu” sustenta a ilusão do perigo para esse “eu”, e o que sustenta isso é o pensamento. Medo é algo sempre ligado a tempo, porque é algo sempre ligado a pensamento. O pensamento sempre trata do passado ou do futuro, onde o medo é possível. Se não existe passado ou futuro, não existe pensamento e, portanto, não há medo. Então, a minha recomendação aqui é: abandone o pensamento! Abandone o “eu”! Isso é possível agora! 

*Fala transcrita a partir de um encontro online na noite de 17 de Abril de 2017
Encontros online todas as segundas, quartas e sextas as 22h para maiores informações de como participar acessem o link: http://mestregualberto.com/agenda/encontros-online

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Você nasceu para descobrir que nunca nasceu






Há algo fundamental para você, para o qual você está sendo convidado nessa vida, nessa existência. Essa é a razão pela qual você está aqui, nisso que nós encaramos como vida humana, nisso que nós chamamos de vida, nesse mundo. Você está aqui para uma única coisa: Felicidade! Apenas para isso! Felicidade é possível, é a única possibilidade real nesse mundo. Contudo, só é possível quando você está além dele. Enquanto sua visão for a visão comum, a visão de todos à sua volta, você estará numa interpretação equivocada daquilo que você está presenciando.

Essa existência é somente um show, mas um show que você não pode apreciar quando é cego. Você precisa de olhos para assistir a esse show, e a mente egoica veda tudo. A mente egoica coloca uma “cortina” entre você e a Realidade. Curiosamente, essa Realidade última é Você, mas a mente é a cegueira, e isso lhe incapacita de assistir a esse show. É isso que significa ser miserável, ser sofredor.

Você está aqui para acordar, o que significa poder assistir ao show e nunca mais estar na escuridão. A palavra Guru, na Índia, significa “Aquele que o faz perceber a Luz”, “Aquele que abre seus olhos”, “Aquele que tira você da escuridão”. O Guru é aquele que lhe dá olhos para ver, ouvidos para ouvir e coração para sentir a beleza desse show.

O que me traz aqui é a Compaixão, que significa esse movimento misterioso de alegria de poder assistir a tudo isso e compartilhar. O que traz você aqui é algo aí dentro que diz que a vida não pode ser só isso: nascer, crescer, virar um rapazinho ou uma mocinha, arrumar um namorado ou uma namorada, ficar noivo, casar, ter três, quatro, meia dúzia de filhos, criá-los, dar-lhes uma educação formal para que eles ganhem dinheiro e façam o mesmo que você fez… Depois esses filhos também casam, têm filhos, e você se torna avó ou avô, quando, então, já está com muitas rugas no rosto e caminhando para o túmulo.

Há algo em você que diz que a vida não é somente isso. Em meio a todo esse processo, há um profundo descontentamento, uma insatisfação, um medo, um vazio existencial e uma procura constante de preenchê-lo com coisas, viagens, entretenimentos e toda forma de prazer. Há algo dentro de você que sinaliza que deve haver algo maior que tudo isso. Esse “algo maior” é o que chamei de “show”. Na Índia, eles chamam de lila, a brincadeira divina, a brincadeira de Deus.

Identificado com a mente egoica, nesse sentido de separatividade, você está cego! Não pode desfrutar desse show, não pode enxergar essa brincadeira divina, não pode ver que tudo isso é apenas um sonho… um sonho divino, um sonho de Deus. Portanto, o que o traz aqui é que há em você uma insatisfação, um vazio, que nada do lado de fora pode preencher.

Você está aqui para desfrutar desse show. Há uma profunda e indescritível alegria em desfrutar desse show. Felicidade é o seu estado natural de ser: Silêncio! Felicidade é o seu estado natural de ser: Liberdade! Felicidade é o seu estado natural de ser: Consciência! Quando não há mais ego, não há mais sofrimento. O sofrimento está presente quando o conflito está presente, o qual está presente na “cegueira”, quando há escuridão. O conflito está presente quando há separação entre você e Deus. Quando há esse véu, há a ilusão do sentido de separatividade, e, então, há medo. Nessa separação, o conflito; no conflito, esse sofrimento.

Você está procurando por alguma coisa… nas coisas! E “alguma coisa” não está nas coisas! Essa “alguma coisa” que você procura está além do conhecido, além do tempo, além da mente. Em outras palavras, isso está além de relacionamentos. Você jamais vai encontrar o desconhecido no conhecido. O outro, as coisas e os lugares são o conhecido. Você não vai encontrar Felicidade, Paz, Liberdade e Amor no outro, nem em coisas e lugares do lado de fora. Só a mente separatista conhece esse lado de fora. Isso é parte dela. Sua Natureza Real é o desconhecido. Sua Natureza Real está além de tudo que está aparecendo do lado de fora. Só a mente procura o que é conhecido. Seu Ser não está buscando nada, não está procurando nada, não confia em nada, não aceita absolutamente nada como sendo real. Seu Ser está pronto, completo… Puro Amor, pura Felicidade, pura Liberdade, pura Sabedoria! O seu Ser é essa não conceitual Consciência, algo além do tempo, além do conhecido, além do corpo, da mente, dos objetos, das experiências, das sensações… além desse “mim” e desse “outro”!

Há um incondicional Amor autorrefulgente por detrás dos seus olhos. Seu Ser é autorrefulgente! Não há nada além Dele! Sua mente egoica está agarrada ao conhecido. Toda sua experiência de vida, nessa cegueira, está ligada a pessoas, objetos e lugares. É isso que o seu pensamento produz todos os dias. Sempre isso! O tempo todo! A sua mente está sempre ocupada, fazendo um barulho inacreditável. Ela é muito barulhenta e está sempre girando em torno de pessoas, coisas, lugares e da realização de um “eu” pessoal, nesse contato com objetivos, desejos, intenções, motivações… Tudo baseado em exterioridades. Dessa forma, você se mantém sempre pobre, miserável, dependendo de pessoas, objetos e coisas.

Seu Ser é autorrefulgente, carrega um brilho próprio e natural, atemporal. Pura Liberdade! A mente, condicionada a esse modelo comum, uma presa capturada por maya, pela ilusão, não consegue ver esse jogo, essa leela, essa brincadeira divina, esse show. Portanto, você está aqui para uma única coisa: desfrutar do Divino, desfrutar de Si mesmo, porque Você é o Divino — a criança brincando nessa manifestação. Na Índia, eles têm um nome para aquele que está, conscientemente, dentro desse jogo, dessa brincadeira, desse sonho. Eles chamam de Bhagavan. É aquele que não sofre, que vive como um Jivamukti; aquele que está liberto em vida!

Você é essa Presença, essa Consciência, esse Incondicional Amor, essa Liberdade, essa Felicidade… Não há absolutamente nada fora isso em você. Qualquer coisa fora isso, não é você, é parte da ilusão da separatividade. Você não é medo, desejo, depressão, mágoa, ansiedade, ressentimento, ciúmes, inveja… e por aí vai. É uma lista enorme! Você não é sentimentos negativos nem positivos. Você está além de tudo isso! Não tem alguém como você, porque não tem alguém aí. Você não é um ser único, você é o único Ser. Não sei se percebem a diferença… Você é o único Ser! Você é O que Eu sou, O que Ele é. Você é Tudo! Você é Nada!

Estar iluminado não é ver tudo iluminado, é só ser a Luz de tudo. Isso é Felicidade! Isso é estar além do nascimento e da morte! Isso é Consciência, Atemporalidade, Meditação! Você, em seu Estado Natural, é Meditação. Nada de se sentar de pernas cruzadas, cantar mantras, respirar de uma certa forma— isso não é Meditação, é prática de meditação. Meditação é o Estado Natural, fora do tempo. Não tem nada a ver com uma prática ou com silenciar o pensamento.

Este instante, agora mesmo, é Meditação, quando não há separação; quando não há “eu e você”; quando não há “eu e o pensamento”. O pensamento não é o problema. Os objetos são aparições e, também, não são problemas. Não há problemas!

Quando nos encontramos, o fazemos para você assumir Isso: a Verdade sobre quem Você é! Chega de histórias, crenças, condicionamentos, conceitos sociais, cultura, conhecimento… Podemos jogar tudo isso fora! Não serve! Aqui, a gente desaprende tudo. Você precisa desaprender tudo! Todo esse conteúdo não serve para nada! Vamos incinerar isso, colocar fogo nessas coisas. Você precisa apenas Ser… simples, natural, real. Dessa forma, o “fogo” está presente e você é Deus em sua brincadeira, brincando consigo mesmo! Pura Alegria!

Você nasceu para descobrir que nunca nasceu e, portanto, não pode morrer, não pode sofrer! Você não está nesse mundo! Esse mundo, esse show, essa brincadeira divina, é que está em você! 

*Transcrito a partir de um encontro online em 12 de Abril de 2017
Encontros online todas as segundas, quartas e sextas as 22h 
Para maiores informações de como participar clique aqui

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Liberdade é assumir a Verdade de sua Real Natureza






Nesses encontros, nós temos a oportunidade de nos sentarmos juntos, de nos aquietarmos e entrarmos nesse momento de investigação, nesse momento de silêncio.

É fundamental compreender que a vida é um jogo. Na verdade, uma brincadeira divina. Só resta a você desidentificar-se internamente, psicologicamente, e tudo ficará bem. Estou dizendo que você precisa deixar a vida seguir e apenas permitir que tudo seja visto dessa forma. 

Não há nada o que fazer! Tudo já está acontecendo! Tudo já está acontecendo segundo essa Vontade Divina! Aquilo que prevalece na sua vida é essa Vontade Divina, que é aquilo que acontece.

Permita cada coisa acontecer, cada coisa aparecer… Aparecer como é! É importante que você lembre que os pensamentos também fazem parte disso; os sentimentos também. Você também é parte disso que está aparecendo. Não tem nada fugindo dessa Vontade Divina! Isso pode soar muito estranho, mas é assim. Essas respostas de ações, pensamentos, sentimentos, tudo isso é parte dessa aparição, disso que está aparecendo. Quando você não se confunde mais como "alguém presente" nessas aparições, você está livre! Você é essa Liberdade! Os problemas aparecem apenas quando você se confunde com a crença de ser “alguém”, que tem que assumir responsabilidades, nessa ideia de ser o autor, o realizador, o fazedor, aquele que escolhe, aquele que decide, aquele que manda.

Não existe nenhum indivíduo cuidando dos seus próprios assuntos. O que prevalece é essa Inteligência, essa absoluta Presença, Aquilo que não pode ser explicado. O que prevalece é esse Silêncio. Todos estão preocupados em se livrar da mente – isso é a mente procurando se livrar da mente. Todos estão tentando, de uma forma muito dura, muito complicada, se livrar da mente. A forma mais rápida é simplesmente perguntar: “Para quem esses pensamentos estão acontecendo?" ou “De onde esses pensamentos vêm?”. Então, nós chegamos a um ponto onde não há alguém… Porque não há alguém! Os pensamentos, os sentimentos, as sensações e as emoções são aparições sem um autor. Isso é Liberdade! Liberdade é assumir a Verdade de sua Real Natureza, de sua Real Identidade, que não é pessoal. Não há “pessoa”, não existe o “eu”! 

Isso é muito básico… Muito estranho, mas básico. É estranho e básico, mas fundamental! Essa percepção direta Disso, sentir Isso de uma forma direta, é lindo demais! Quando você usa palavras, você destrói Isso, porque Isso está além das palavras, além dos pensamentos. Palavras como “despertar”, “iluminação”, “realização”, também são apenas palavras. 


*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite de 14 de Novembro de 2016 - Encontros online todas as segundas, quartas e sextas-feiras as 22h. Para participar baixe o Paltalk App, para maiores informações clique aqui

 

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Deus é a única Verdade sobre Você!





O que fazemos juntos nesses encontros? Estamos nos aproximando de uma investigação acerca de quem nós verdadeiramente somos. É importante que você compreenda algo básico aqui nesse encontro chamado Satsang, que significa “encontro com O que é”, "encontro com a Realidade, com a Verdade". Aqui, a primeira coisa é a compreensão de que você não é os seus pensamentos. Essa é a primeira coisa a ser compreendida e precisamos ter isso muito claro. Você não é os seus pensamentos! Isso significa que qualquer ideia que você tenha sobre si mesmo não é você, ou seja, seu nome não é você; seu corpo não é você; sua mente não é você. É interessante falarmos do corpo e da mente nessa investigação. 

Primeiro, o seu corpo não é bem seu. A natureza lhe emprestou temporariamente um mecanismo, com um par de olhos e de ouvidos, uma única boca e um único nariz, um par de pernas, braços e mãos. Esse corpo, você sabe, é todo ele uma herança, algo que você herdou dos seus antepassados. Portanto, ele não é seu. Da mesma forma, o que você chama de mente é somente um condicionamento cultural. A língua portuguesa, ou inglesa, ou alemã, é uma coisa aprendida, de acordo com a cultura do lugar em que você nasceu. Se você fala tâmil, português, inglês ou alemão, é porque esse corpo nasceu dentro dessa cultura. 

Os pensamentos que passam em sua cabeça são, também, culturais. Um pensamento político, social, as ideologias, as crenças religiosas, tudo isso faz parte de um condicionamento cultural. Alguns pensamentos são bons, outros são ruins; alguns pensamentos são para o bem e outros são para o mal. Repare que você pode observar  esses pensamentos, essas ideologias, crenças políticas, sociais… Ou seja, você pode observar tudo que lhe foi ensinado. É possível uma observação daquilo que se passa tanto no corpo quanto na mente. Então, você não é o corpo e nem é a mente. Da mesma forma, você pode observar sentimentos, sensações, emoções, percepções, e, se tudo isso pode ser observado, trata-se de algo externo, ainda do lado de fora. Se isso pode ser testemunhado, não é você. Então, tanto o que se passa “dentro” ou “fora”, ainda é algo externo a Você; não é Você. 

No entanto, isso tem criado uma ilusão, na qual você tem colocado toda a sua vida, a sua existência – a ilusão de que isso é algo pessoal, algo seu, tão íntimo que você se confunde com ele, acreditando ser isso. Então, você se confunde com os pensamentos, como se eles fossem você. Esses pensamentos são tomados, aí, como sendo você mesmo. Quando você fala, a ilusão é que essa fala é você. Quando o pensamento acontece aí, a ilusão é que você está pensando, que esse pensamento é seu. Assim, quando acontece um sentimento, isso “é você”. Da mesma forma, “é sua” uma sensação, uma percepção, uma emoção. Isso está acontecendo ao corpo e à mente e você se confunde com o corpo e dá uma identidade a esse movimento da mente. Estar se confundindo assim nós chamamos de “estar identificado”, e esse é o estado comum a todos, é o condicionamento que tem criado a ilusão de uma identidade presente em tudo isso, pensando, sentindo, amando, odiando, triste, alegre, saudável, doente… É assim que você se confunde com o corpo. 

Pergunta: O que é esse Despertar, essa Realização, essa Iluminação? 

Mestre Gualberto: A iluminação é o fim dessa ilusão de uma entidade presente na experiência desse instante, seja qual for a experiência. Não se trata de alguém presente aqui e agora, mas é exatamente o fim dessa ilusão de que existe uma entidade presente nesse instante, nesse momento. Trabalhar isso é a real Meditação. 

Meditação é a arte de Ser, mas Ser não significa estar presente como “alguém”. Ser significa o fim dessa ilusão de uma identidade separada, da ilusão de um “eu”, desse “mim”, dessa “pessoa” com sua cultura, história, seus sentimentos, suas sensações, emoções e percepções. Estamos aqui fazendo algumas afirmações que podem ser testificadas por você mesmo. A Realização não requer nenhuma crença. Aquilo que chamamos de Realização é algo que pode ser verificado como sendo sua Verdadeira Natureza, o seu Ser Real. 

Portanto, estar em Satsang significa estar nesse encontro com a Realidade, com a Verdade de sua Natureza Real. Isso é o fim do sofrimento, do conflito e do medo. Esse é o Despertar da Sabedoria! Autoconhecimento não é o conhecimento de um “eu”, mas sim o reconhecimento da Verdade de que não há qualquer “eu” para ser conhecido, e isso é o Despertar da Sabedoria. Quando há autoconhecimento, está presente essa Autorrealização, o Despertar da Sabedoria, e, assim, você está além da limitação, que é a limitação da cultura, de toda forma de condicionamento, do conhecimento e da experiência. Você nasceu para realizar Isso! Você nasceu para a Realização de Deus!

Deus é a única Verdade sobre Você! Deus é a única Realidade, e onde há Deus, não há conflito, medo e sofrimento; não há nascimento ou morte. Assim, é fundamental realizar Isso, O que Você é. Isso não tem nada a ver com qualquer realização externa. Não importa o que você já realizou ou pretende realizar externamente. Sem essa Realização da Verdade sobre você mesmo, toda e qualquer realização do lado de fora não significa absolutamente nada. A única coisa que realmente vale a pena, que realmente importa, é realizar Deus! Você nasceu apenas para Isso! Essa Realização de Deus é a Realização da Felicidade!

Transcrito a partir de uma fala via em um encontro online na noite de 24 de Abril de 2017 - 
Encontros online todas as segundas, quartas e sextas as 22h - Para maiores informações clique aqui

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