sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Permaneça em sua Real Natureza


Este é um momento de Consciência, de Presença, de Silêncio, de contato com a Realidade. Onde quer que algo esteja presente, está presente nesta Consciência. Este momento é algo assim. Quando algo desaparece, essa Consciência ainda se mantém; quando algo está presente, aí está essa Consciência. Quando algo está acontecendo ou aparecendo, é essa Consciência, mas quando isso desaparece, também é a mesma Consciência. Não há mudança! É algo que permanece imutável, sempre presente.

Os objetos, os sentimentos, as sensações e os pensamentos aparecem, mas não estão separados da Consciência, e, quando desaparecem, a Consciência se mantém. Estamos tratando, em Satsang, desta Consciência, desta única Realidade que mantém todas as coisas. A Realidade dos objetos, das aparições, é a Realidade da Consciência, e Isso é algo inegável.

Essa Consciência é Meditação, é Presença, é a imutável Realidade, além da mente e do corpo. Portanto, quando tratamos do fim da ilusão, estamos tratando exatamente desta Consciência. Agora mesmo, você está presente, e essa é a única certeza! Não é você como o corpo, nem como a mente; é Você como Consciência. A Consciência está ciente das aparições, como, por exemplo, dos pensamentos, das sensações, das emoções, dos pés, das mãos, do corpo… O que nós, geralmente, concebemos como objetos são, de fato, somente nomes e formas que mudam, os quais são sobrepostos, pela mente e pelos sentidos, a essa sempre presente Consciência.

Portanto, quando falamos desta Realidade, estamos tratando de Deus, sinalizando essa Verdade presente aqui e agora, além do corpo, da mente, das sensações, das experiências, dos sentimentos, dos objetos e de todas as aparições. A base, a substância, de toda experiência é uma só: Consciência! É como a tela do cinema, da TV ou de um quadro, nas quais apenas as imagens mudam. A tela de um quadro é sempre a mesma. Você pode jogar tinta nela, pintar uma imagem e depois limpá-la para colocar outra tinta e produzir outra imagem, pintar um novo quadro, mas ainda será a mesma tela! Você é a tela! Você é a Consciência!

Quando se identifica com uma imagem, você se torna aquela imagem. Você está sendo convidado a permanecer em sua Natureza Real. Portanto, seja bem-vindo ao seu Estado Natural, que é Meditação, que é Presença, que é Consciência. Desidentifique-se das imagens, e faça isso neste momento! Não transfira isso, como se fosse uma responsabilidade do Guru, de Deus. Você já é Isso! Conhecer a si mesmo em qualquer aparição é Amor. Isso é possível! Você está aqui apenas para isso: conhecer a si mesmo; conhecer a sua Natureza Real, Essencial.

Contudo, eu fico observando o quanto você se perde nas aparições. Quando um sentimento, um pensamento e uma sensação física aparecem, você embarca neles, como se você fosse o corpo, a mente, essa sensação ou esse sentimento. Quando faz isso, lá está você de volta ao velho jogo, à velha mente egoica. Então, você volta para Satsang, tem um encontro com o Guru e ele faz você se lembrar desse Silêncio de novo, para, em seguida, você esquecê-Lo mais uma vez. Mas, assim que você se volta de novo para a Consciência, dá um leve e pequeno passo para fora desse mundo mental de conflito, de medo, de sofrimento, de problemas e dificuldades. Então, você está de volta ao lar! Entretanto, quando a mente surge, você fica inquieto novamente, pois seus apelos são muitos sedutores e você está viciado em pensar, em sentir, em ser “alguém"; está viciado no mundo (o mundo são essas criações que o pensamento produz aí para esse "você" que você acredita ser).

Satsang o convida a ir além dessa limitação "eu sou o corpo", o que faz desaparecer a ideia "eu estou no mundo". Quando a ideia "eu sou o corpo" não está, a ideia "eu estou no mundo" também não está e, quando não se está no mundo, não há mais problemas de nenhuma ordem. O que permanece é a sua Realidade, que é Amor, Paz, Felicidade, o Estado livre do "eu" e dos conflitos criados por essa ilusão. O "eu" é uma ilusão, uma convincente fraude.

Isso não pode ser intelectual. Não guardem e repitam essas palavras, porque isso não vai funcionar! Você precisa vivenciar Isso! É como entrar numa autoescola: você faz uma base teórica e depois vai para dentro do carro, ao lado do seu instrutor. Ele não é tão bobo para entrar no carro e deixar tudo exatamente sob o seu controle; então, ele, também, tem um pedal de freio só para ele. Ele tem um pedal de freio para ele porque você é muito agitado. Você vai achar que já sabe fazer tudo sozinho, vai se atrapalhar um bocado e colocar em risco o carro da autoescola. Ele sabe disso, então ele vai com muita calma, com muito cuidado, do seu lado.

Participante: Mestre! É necessário tomar consciência em vários momentos do dia?

Mestre Gualberto: É necessário Acordar, o que significa assumir a Consciência. Até agora, a sua vida tem sido se manter identificado com os pensamentos, com as sensações, com as emoções, enquanto que a sua Natureza Real é Consciência, Na qual tudo isso apenas surge e desaparece. Recomendo vir ao Satsang presencial para investigar isso melhor.


*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite de 28 de Novembro de 2016 Encontros online todas as segundas, quartas e sextas as 22h - Baixe o App Paltalk e participe!

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Realizar Deus é Ser Deus


É bom estarmos juntos em mais um momento como este. Foi importante você ter descoberto o valor dessa aproximação, que temos aqui nesse encontro, porque estou lhe comunicando algo que você já carrega dentro de si mesmo. Eu não preciso lhe dar informações sobre isso, até porque não é possível dá-las.

Se um dia você encontrar alguém declarando, afirmando, que pode lhe dizer a verdade, afaste-se dele, ou dela, porque isso não é possível. Não é possível “alguém” lhe comunicar a verdade. Não é possível, nem é necessário, e, no entanto, estamos aqui diante de algo bastante paradoxal. É preciso ser informado sobre Isso, mas ninguém pode nos dar informações sobre Isso. A beleza desse encontro, a importância dele, é que eu posso lhe informar sobre Isso, mas é impossível para mim, ou para qualquer um que esteja em seu Estado Natural, dar “informações” sobre o significado da Verdade.

Então, é algo realmente importante estarmos dentro desse espaço. A Verdade não é comunicada, não através de informações, ela não pode ser comunicada. A real comunicação da Verdade é pelo despertar de sua Presença, dentro de você. Assim, quando você tem um encontro como esse, que estamos tendo aqui hoje, está em um momento muito importante. Esse é um momento para o despertar da Verdade e não para o conhecimento da Verdade.

Quando você está diante de algo, como uma escultura, uma pintura ou uma bela paisagem, não é a forma que está lhe comunicando algo, mas aquilo que está oculto por trás dessa forma, dessa escultura, pintura ou paisagem; é aquilo que está por trás disso que lhe comunica este estado interno, que você experimenta como o silêncio, a beleza, a paz, isto termina sendo comunicado e a representação física da pintura, da escultura, da paisagem, é apenas um formato externo, aparente, sensorial dessa coisa. Quando você se depara com um mestre vivo, não é a forma, mas é o que está por detrás da forma, que comunica algo... Assim, não é a fala, mas o silêncio por trás da fala.

Na Índia, eles têm uma expressão muito bela – Darshan –, que significa “o encontro com a forma de Deus”. Quando você se depara com uma foto de um mestre vivo, ou de um mestre que já não está mais em seu corpo físico, ou depara-se com uma escultura dele, uma imagem esculpida em pedra, ou você se depara diretamente com a forma física de um mestre – a presença de Deus naquela forma humana –, olhar para aquela forma, seja uma fotografia ou uma escultura, uma imagem ou ele em sua forma física, esse é o contato com a visão de Deus na forma. Darshan é “ter a visão de Deus”.

Assim como um quadro, uma escultura ou uma paisagem lhe trazem ou despertam algo dentro de você, que é comunicado aí dentro... Não é o quadro, a paisagem ou a escultura em si, mas aquilo que essa “coisa” comunica internamente; isso que desperta algo em você... Desperta essa beleza, essa paz, esse silêncio.

Darshan é algo que podemos comparar a isso... Essa Presença divina é comunicada diante desse olhar, desse contato – isso é o Darshan... É uma fala de comunicação interna. No instante do Darshan, o que comunica não é a fala, é o que há por trás dessa fala; não é o olhar, é o que está por trás desse olhar; não é essa presença física, mas o que está por trás dela. Assim, acontece uma comunicação não verbal, não intelectual, algo não teórico.

Isso é algo como se todos vocês estivessem, agora, com um piano aí e eu com outro aqui. Então, eu toco uma nota nesse instrumento musical e, como estamos dentro da mesma sala, quando toco essa nota, todos os pianos presentes, por uma questão de ressonância, essa mesma nota irá receber a mesma vibração. Assim, se eu toco a nota “lá”, por uma questão de ressonância, em todos os pianos essa mesma nota irá ressoar. Isso é chamado de ressonância. Observem que o piano de vocês não fez exatamente nada, ele apenas respondeu a essa ressonância. O contato com a Realidade, com a Verdade, é algo assim. É num contato desse nível onde a Verdade se revela, pois Ela já está presente. Essa é a forma de comunhão, ou comunicação, ou despertar.

Então, esse Silêncio, Amor, essa Consciência, Presença, Verdade, desperta em você dessa forma: por pura ressonância. Esse é um momento importante por isso. Satsang é um momento do despertar dessa ressonância, desse Amor, desse Silêncio, dessa compreensão, dessa Verdade, dessa Consciência. Isso é transmitido por uma espécie de ressonância.

Satsang é isso, não um ensinamento. Você não precisa ser ensinado. Você está aqui apenas para ser despertado; para descobrir que há uma nota, a “nota lá”, nesse “instrumento musical” que você trouxe para essa sala. Na verdade, é assim que o ensino é comunicado; esse é o ensino real. Então, a forma do guru, ou do discípulo, é somente a embalagem, pois o conteúdo é único. A embalagem pode parecer diferente, mas é o mesmo conteúdo; esse conteúdo é o Silêncio, a Verdade, a Felicidade.

Está claro isso? O conteúdo é apenas um, mas as embalagens são muitas. Então, há muitas formas de gurus e de discípulos, mas a diferença está somente nas embalagens, pois o conteúdo sempre é o mesmo. Há somente uma única Verdade, uma única Realidade, um único Deus, uma única Consciência, Presença, Felicidade, Liberdade.

Você pode acompanhar isso?

Agora, se você não traz o seu “piano”, não toma ciência de que essa nota “lá” está presente nele. Acontece que você quer a realização da Verdade, quer a Felicidade, o Amor, a Sabedoria, mas não traz o “piano” para dentro da sala. Se você está querendo realizar a Verdade, tem que estar disposto a realiza-la, e tem que trazer o seu “piano”. Compreendem o que eu quero dizer, com “trazer o piano”?

Como você vai realizar Aquilo que você é, afastando-se disso o tempo todo? Se está ocupado apenas com as coisas do corpo, da mente e do mundo, como você irá além disso? Se a sua vida é criar filhos, cuidar de marido, mulher, família, é alcançar algo para essa “pessoa”, que você acredita ser, como você pode saber quem de fato você é? Como você pode ir além dessa historinha criada pelo desejo?

Realizar Deus é ser Deus. Portanto, é necessário ser O que você nasceu para ser. Essa é a sua única e real necessidade. Quando Isso é realizado, tudo o mais à sua volta assume o lugar, que tem que assumir; e você não se preocupa com mais nada. O que estou lhe dizendo aqui não é uma teoria, é a verdade para esse mecanismo chamado Marcos Gualberto.

Você é Deus! Como Deus se preocupa com alguma coisa? Como Deus pode se afligir com problemas familiares? Ou se preocupar com problemas de saúde, de dinheiro ou com qualquer outra necessidade? Então, a única coisa que importa é realizar o que você nasceu para realizar. Assim, literalmente, Deus vai suprir todas as necessidades desse mecanismo, desse organismo, desse corpo. Tudo o que Deus precisa, Deus tem, porque Deus é tudo. Portanto, a única coisa que você precisa é desaparecer e deixar Deus fazer muito bem o trabalho que Ele pode fazer, sabe fazer e tem o poder de fazer.

Tudo isso acontece nesse Darshan. Deus é ser Deus... Esse é o fim do sentido de um “eu” presente se sentindo separado, distante, e precisando de alguma coisa.


Vamos ficar por aqui. Até o próximo encontro. Namastê!


*Transcrito a partir da fala em um encontro online na noite do dia 13 de Setembro de 2017
Encontros online todas as segundas, quartas e sextas as 22h (exceto em períodos de retiros). 
Para participar baixe gratuitamente o App Paltalk.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Um Devoto da Verdade


Olá pessoal! Boa noite! Sejam bem-vindos a mais esse encontro aqui pelo Paltalk. Maravilha estarmos juntos em mais esse encontro.

Sempre que estamos aqui, a sua disposição interna precisa ser aquela da inteligente curiosidade, porque é necessário que você descubra aquilo que Você é. Não temos que perder muito tempo com a tentativa de provar a você que a vida sem essa Realização não tem qualquer significado. Parece-me que é aqui que começa todo o trabalho de forma séria, no formato objetivo, aplicado e dedicado. Talvez seja esse o significado real da palavra “devoto”.

O devoto da Verdade é o discípulo da Verdade; é quando você começa a se perguntar: “Afinal, qual é o significado de tudo isso?”. Então, o devoto real é aquele que é o discípulo verdadeiro, o discípulo da Verdade. Algumas pessoas vêm a esses encontros e me passam a impressão de que, ao me ouvir, eu tenho que convencê-las de que a vida delas não tem qualquer significado. Ou seja, elas ainda não perceberam que, de fato, não há nenhum significado na vida delas.

Eu não estou aqui para convencê-lo de que você é infeliz, até porque a mente tem um movimento de autodefesa bastante forte. Então, se eu tenho que convencê-lo de que você não é feliz, significa que você ainda não conseguiu ver, por si mesmo, que a sua vida não tem nenhum sentido. Significa que você não está pronto para ser um devoto da Verdade.

Um discípulo da Verdade é aquele que não precisa ser convencido de que precisa descobrir um sentido, em meio a esse “não significado” da vida. Então, o trabalho começa! Então, a única coisa que importa para você é descobrir, em meio a essa vida sem significado, algum sentido para tudo isso. Parece-me que esse é o sentido real da palavra “discípulo”. Então, repassando isso: o discípulo é o devoto da Verdade, é aquele que não precisa ser convencido de que precisa ter um encontro com Deus, com a Verdade dele próprio. A Inteligência Real aparece a partir desse ponto.

Nessas falas, eu faço uma distinção muito clara entre “inteligência” e Inteligência. A Inteligência Real é aquela que nasce do trabalho do despertar, da autorrealização. Não importa o quanto você seja inteligente em qualquer área, em qualquer modelo da vida, essa não é a Inteligência Real. A sua habilidade em lidar com qualquer área, modelo ou nível da existência em particular, não representa Real Inteligência. Então, essa Inteligência Verdadeira é a Inteligência do Sábio, Daquele que descobre, em meio a essa vida sem significado, a razão de sua própria existência.

O começo da Inteligência ou o Despertar da Inteligência está no autoconhecimento. A palavra “autoconhecimento” também tem sido muito mal compreendida, porque não se trata de conhecer as particularidades da personalidade, as particularidades do “eu”. Há diversos cursos que favorecem esse tipo de “autoconhecimento” - o que nada mais é que uma aproximação psicológica a respeito desse “eu”.

Aqui, quando uso a expressão “autoconhecimento”, estou falando de algo completamente diferente disso. Autoconhecimento é a compreensão de que não existe nenhum “eu” a ser compreendido. Portanto, não se trata de uma aproximação psicológica através da introspecção, da autoanálise ou de qualquer outra técnica. A autorrealização, que é o começo da Inteligência, é fruto dessa Inteligência e começa na investigação desse falso “eu”. O discípulo é o devoto da Verdade, e o devoto é o discípulo verdadeiro. É aqui que começa a Inteligência e isso floresce em autorrealização.

A investigação da Verdade sobre si mesmo é o princípio da Sabedoria, esse Algo que está presente no fim desse falso “eu”. Quando a ilusão desse “eu” termina (e isso é para o discípulo, que é o real devoto), o Sábio – que é o próprio Guru, o próprio Mestre – se manifesta. Reparem que não há separação entre o discípulo e o Mestre – ambos são um só. Aquele que devota a sua vida à Verdade, é um verdadeiro devoto – esse é o real discípulo e o verdadeiro Sábio.

Então, quando você vem a Satsang, não é para ser convencido de que a sua vida não tem qualquer significado sem essa Realização. Você encontra-se em Satsang porque tudo isso já está claro para você. O que quero dizer é que eu não sou o Guru que vai convencê-lo a se tornar discípulo da Verdade ou devoto verdadeiro. Quando você chega aqui, isso tem que estar dentro de você. Agora fica clara a expressão: “Quando o discípulo está pronto, o Mestre aparece!”.

Eu tenho percebido que alguns de vocês, aqui nessa sala ou mesmo nesses encontros, não têm um interesse real nisso. É só um interesse intelectual, é só mais um encontro interessante, onde alguém tem uma fala bastante interessante de se ouvir. Você precisa estar disposto a ir além da ilusão desse falso “eu” e esse é o sinal do verdadeiro discípulo ou devoto.

Como já foi colocado, o discípulo real é o verdadeiro devoto; é aquele que olha a sua vida e percebe que, realmente, nada faz sentido sem a Verdade. Para o verdadeiro devoto, todos os atos, ações, pensamentos, empreendimentos, objetivos não têm qualquer sentido sem essa Realização. A única coisa que importa para o discípulo-devoto é a Realização da Verdade. Tudo vai para segundo plano e, na razão em que esse trabalho aprofunda dentro dele ou dela, isso vai para terceiro plano, quarto plano. Nada tem qualquer sentido, porque não há nenhum sentido na vida sem a Realização disso que Você é, da Verdade sobre si mesmo.

Só mais uma coisa aqui para você: A única coisa que importa é essa entrega, essa determinação; é quando a Verdade pode se expressar como o Real Significado. Não se trata do real significado da vida, porque a própria Vida é o seu próprio significado.

Pronto, turma! Vamos ficar por aqui! Valeu por encontro!


Namastê!

*Transcrito a partir de um encontro online na noite de 08 de setembro de 2017 
Encontros online todas as segundas, quartas e sextas as 22h - (exceto em períodos de retiro). 
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sexta-feira, 29 de setembro de 2017

É fundamental desaprender



Para vocês, aprender é uma coisa muito importante. No entanto, para mim, fundamental é desaprender. Desaprender significa voltar a essa inocência. O descobrimento da Verdade sobre você nasce desse desaprender, é resultado desse desaprender.

Todas as crianças, quando começam a falar, referem-se a si mesmas na terceira pessoa. Isso significa que elas veem seus próprios corpos e o que passa em suas cabeças de uma forma desidentificada. Assim, elas dizem: “Ana gosta de bolo”; “João não quer brincar”; referindo-se a si mesmas como um corpo e uma mente que fazem parte de uma totalidade. Isso porque elas ainda não aprenderam – ainda não foi ensinado para elas – a crença a respeito de quem elas são.

Todo o seu problema está nesse sentido de culpa, pelo fato de você se sentir autor e responsável por aquilo que acontece, como sendo alguém presente fazendo aquilo. Tudo que você faz na vida, faz por culpa, impelido pelo medo, e isso é resultado dessa coisa que você aprendeu, dessa crença que você adquiriu na infância – a crença de quem você é. Por isso, eu comecei dizendo que é preciso desaprender. A não ser que você desaprenda, sempre sentirá medo e culpa; a não ser que você vá além do conhecimento, sempre se sentirá responsável.

Para você, a responsabilidade é importante porque, em sua crença, ela traz ordem e equilíbrio. Mas na verdade, a responsabilidade impõe medo, gera culpa. É evidente que ser alguém é se sentir assim – com medo, com culpa – e quando você se sente assim, não é leve, não é feliz! Então, diferente do que você pensa, a responsabilidade não traz ordem, mas sim o caos, a confusão. Toda a miséria no mundo é a miséria da culpa, algo criado por esse sentido de responsabilidade, que não nasce da Liberdade. A Liberdade nasce da Alegria, da Leveza, da Felicidade, e Isso não produz caos ou desordem.

Por que é interessante investigar tudo isso? Porque, assim, você descobre que o que você construiu com toda essa cultura e educação, não produziu o que você esperava. A mente criou uma expectativa de um mundo pacífico, feliz e ordeiro, mas ela mesma foi criada por essa confusão. Assim, a confusão no mundo é a confusão da vida privada. Enquanto houver desordem em você, haverá desordem no mundo.

Portanto, compreenda isso claramente: você está aqui apenas para ser quem Você é, e Isso já é a ordem do mundo, já é a paz e a felicidade do mundo.

O que eu poderia dizer para você? Pare de se preocupar em colocar ordem em suas relações próximas; coloque ordem dentro de você primeiro! Para isso, volte à inocência, desaprenda tudo que lhe foi ensinado, abandone o compromisso, a responsabilidade e o desejo de mudar qualquer coisa do lado de fora. Então, você realiza a sua Real Natureza – quando desaprende tudo.

O Sábio não está se ocupando em cuidar do mundo, Ele apenas está quieto em seu próprio Ser, em sua Natureza Essencial. Dessa forma, Ele pode presenciar as ações de Deus; Ele mesmo não está separado disso, não tem nada fora do lugar!

Repare o que estou dizendo para você neste encontro: confusão, desordem, culpa, medo, responsabilidade, tudo isso faz parte da ilusão que se aprende; toda a complexidade da vida é a complexidade da mente. Você sente a vida complexa, mas não é exatamente assim. A mente é que é complexa, porque ela está cheia de tudo isso, isso é parte do condicionamento dela, da programação dela; esses são os seus padrões.

Esse é o encontro com a Verdade, que é a simplicidade de Ser, onde nada se sabe. Quando não se sabe nada, a Simplicidade está presente. Não fica ninguém para a responsabilidade e, portanto, para a culpa, o medo e a desordem. Então, volte-se para dentro! Investigue profundamente “Quem sou eu?” e não “O que são os outros?” ou “O que é o mundo?” ou “Quem é Deus?”... Investigue “Quem sou eu?”: quem sou eu antes da cultura, da educação, do conhecimento? O que é esse “eu” antes desse nome e dessa forma, desse corpo e dessa história?

Percebam, esse é o modo de desaprender tudo! Isso é Meditação! Quando isso está presente, o Sábio nasce e, com Ele, a Felicidade, a Ordem, a Paz, a Liberdade, a Inteligência, a Verdade. Quando a inocência está, Deus está! Essa inocência é essa Simplicidade Natural.

Então, termino dizendo isso para você: a única coisa que importa é aquela coisa que é fundamental… desaprender tudo, abandonar o conhecimento, abandonar o pensamento! Com isso presente, toda a noção de tempo termina. Passado é memória, é conhecimento, é pensamento. O presente é conhecimento, memória, pensamento. O futuro, imaginação, conhecimento, pensamento... desaprenda tudo!


Isso é tudo. Namastê.


*Transcrito a partir de uma fala na noite de 18 de Agosto de 2017
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terça-feira, 26 de setembro de 2017

O que significa viver?



Bem-vindos a mais esse encontro aqui pelo paltalk.

É de fato uma alegria estarmos juntos e assim nos aproximarmos dessa Verdade, que é a única coisa que importa. Dessa forma, vocês estão se prontificando a saber, de fato, quem são, que não se trata de compreender o significado da vida, mas descobrir o que significa viver. O significado da vida é, intelectualmente, ter alguma teoria sobre isso. Porque não se pode saber o significado da vida, a mente pode construir inúmeras teorias sobre isto, porém, descobrir o que é viver é uma coisa completamente diferente.

Quando você está na mente, perdido nela, viver significa, basicamente, sofrer. Há poucos momentos de alegria em razão de alguma realização externa, de alguma coisa boa acontecendo para essa pessoa, que você acredita ser. Quando acontecem algumas coisas boas, “as coisas” que a sua mente deseja, que o seu ego espera, como expectativas e desejos preenchidos, satisfações realizadas, nesses momentos você tem essa breve alegria, baseada em uma situação boa, em circunstâncias favoráveis. Então, basicamente, é isso que vocês chamam “viver” – a alegria e o sofrimento, que dependem do que acontece a cada um de vocês.

Portanto, você vive na dualidade, entre a alegria e o sofrimento, o prazer de uma satisfação realizada e a dor de uma frustração, e isso é o que tem chamado de “minha vida”. Vocês estão tentando compreender tudo isso, acreditando que, quando são capazes de compreender isso, são capazes, também, de colocar um fim nisso. Então, o apelo da mente está sempre dentro do campo da mente, e tudo o que ela pode fazer está dentro dela própria, com suas soluções e respostas baseadas no conhecimento e na experiência. Porém, vocês não percebem que isso, ainda, está dentro da ilusão de tempo e espaço – um tempo criado pela ilusão de “alguém” presente pensando, e o espaço criado pela ilusão de “alguém”, vivendo dentro do corpo e cercado de objetos externos a si mesmo.

O que ainda não ficou claro para você é que tudo isso é somente uma experiência mental. Você acredita que está dentro do corpo e que o corpo está dentro do mundo, o que não é verdade. O mundo sempre aparece com o aparecimento do corpo e o corpo sempre aparece com o aparecimento da mente, porém, ela só pode aparecer porque há uma Consciência presente, para que ela assim apareça. Então, quando voltamos à fonte, damos um passo para trás, nós perguntamos o que é anterior ao corpo, aí nós temos a mente. Vamos ver isso agora: anterior ao mundo, nós temos o corpo; anterior ao corpo, nós temos a mente; e anterior à mente, nós temos a Consciência – essa é a Fonte, onde tudo aparece.

Assim, o que você chama de experiência, seja ela qual for, como toda experiência do corpo, através dos sentidos (sensações do tato, da visão, da audição, do paladar, do olfato), ou toda experiência da mente (pensamentos, sentimentos, percepções, emoções, lógica, raciocínio), ou seja, qualquer experiência aparecendo está aparecendo como uma experiência na mente. Todavia, tudo isto é uma experiência na Consciência. É “você”, na experiência, que tem a percepção do mundo, do corpo e da mente, então, tudo o que é percebido no mundo, no corpo, é percebido pela mente, porém, continua sendo “você” que percebe a mente, o corpo, o mundo.

A pergunta, então, é: “Quem é você”?

Você é essa Consciência, é a Fonte, é o início de tudo. Portanto, não é você que está dentro do corpo, nem o corpo está dentro do mundo; o mundo e o corpo estão dentro de você. Perceba como isso é claro. Na mente, você tem medo da morte, porque está dando identidade ao corpo, e ele não tem nenhuma identidade, separado da mente. Porém, a mente não tem nenhuma identidade real separada da Consciência. Tudo é somente essa Consciência. Sendo assim, buscar o significado da vida é algo completamente absurdo, porque o que você chama de vida é a ilusão de “alguém” que está vivo; não tem alguém vivo. Assim, se não tem alguém vivo, quem está buscando o significado da vida? A ilusão, a crença, esse conceito de “eu”, isso tudo, é um falso eu. O que quero dizer para você claramente é: você não é real.

As experiências da “pessoa”, que você acredita ser, recebem uma interpretação falsa, e, consequentemente, você tem amigos, inimigos, parentes, família (pai, mãe, filhos, tios, netos). Você não está contente com a própria complicação que se tornou sua vida – a vida desse falso eu, que você acredita ser – e ainda quer resolver o problema deles, também. Você quer atrapalhar a vida dos filhos, dar solução aos problemas dos amigos, quer proteger os parentes; você quer ajudar o mundo, que é, na verdade, o mundo que existe somente na sua cabeça. Por isso, os Sábios chamam tudo isso de sonho. A ilusão de ser alguém cria o mundo para esse “alguém” viver e, como não pode estar sozinho, ele cria todos esses personagens. Isso tem sido o modelo do “eu”, desse falso eu.

A pergunta para você é essa: não é possível soltar tudo isso, ou você tem que continuar vivendo assim, como esses que estão, supostamente, à sua volta? Porque eles acreditam nisso e você acredita neles e, tanto eles, quanto você, estão nessa confusão. Tudo bem que eles continuem acreditando nisso, porém, se você parar de acreditar nisso, eles desaparecerão, perderão essa importância. Uma vez que você descubra que você não tem problemas, perceberá que o problema deles está dentro da cabeça deles, também. Uma vez que você saiba que está livre, ficará claro que tudo é somente um drama, que tudo isso é somente uma crença. Não existe “você”, nem “eles”; existe somente a Consciência e isso é a Vida.

Essa Vida, que é Consciência, é inteligência, não conhece o sonho, a ilusão e, portanto, não conhece o sofrimento, o medo. Podemos chamar isso de Liberação, Realização de Deus ou Iluminação. 

Pode parecer muito estranho esse ponto de vista, esse modo de ver, porém, isso é assim. Esse é o momento de você descobrir Isso – de ir além do mundo, do corpo, da mente e de tudo o que ela tem criado à sua volta.


Ok! Vamos ficar por aqui. Até o próximo encontro. Namastê!

*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite do dia 31 de Julho de 2017
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quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Não há nenhuma distância entre você e a Verdade!



O que estamos fazendo nesses encontros? O que é estar aqui em Satsang?

Primeiro, você precisa perguntar se existe alguma distância real entre você e a Verdade. Todas as vezes, eu me deparo exatamente com essa dificuldade em Satsang: tentar, através das palavras, mostrar que não há nenhuma distância entre você e a Verdade!

Afinal, qual é a distância entre essa Consciência e os objetos dos quais Ela está consciente (corpo, mente, e mundo)? Existe alguma distância? Que distância é essa? Onde se cria, se produz, essa distância?

Se você investigar isso, de forma simples e direta, verá que não há distância; que essa separação não é real; que essa Consciência está presente sempre, e a mente, o corpo e o mundo estão aparecendo Nela — não são coisas separadas.

Em outras palavras, você apenas olha através de uma crença, de uma ideia, do pensamento acerca dessa experiência acontecendo. Você nunca entra a fundo nessa experiência. No entanto, se o fizer, descobrirá que não existe alguém presente nela; há somente a experiência acontecendo na Consciência. Dessa forma, a mente, o mundo, o corpo, as sensações, as emoções, os sentimentos, e os pensamentos estão acontecendo sem a ilusão da separação, da dualidade.

Dualidade significa duas coisas acontecendo: a “consciência” testemunhando e a mente, o corpo e o mundo aparecendo de uma forma independente… mas isso não é real! A mente não é independente, o corpo não é independente, o mundo não é independente! Não existe separação, não existem duas coisas! O pensamento não é independente do pensador! Na verdade, o pensador é só uma crença, uma ideia, mais um pensamento também, que não funciona de uma forma independente dessa Testemunha, dessa Consciência.

Não há pensador, pensamento, corpo e mundo como algo separado, com uma vida independente. Tudo isso é real, mas apenas nessa Consciência. Você não precisa se livrar do pensamento, nem da mente ou do corpo. Quem estaria tentando fazer isso? Apenas a ilusão da separação, da dualidade; a ilusão de alguém que está presente como o pensador, separado do pensamento; o observador separado daquilo que ele observa; aquele que se sente separado daquilo que é sentido.

Todo o problema que você tem se encontra na ideia de que há uma vida sua, particular, acontecendo; a ideia de que essa vida é a vida de alguém  alguém e suas escolhas, desejos, determinações, intenções... Portanto, você está brigando com quem? Discutindo com quem? Reclamando com quem? Todo seu problema com o outro é um problema com quem? Todo seu problema com o mundo, todo seu problema com a própria mente, com o corpo, é um problema com quem? O seu conflito é com sua namorada, com sua esposa, marido, vizinhos?

Você gosta de alguns e não gosta de outros… Então, de quem é que você gosta? Quem é importante para você? Com quem você se dá muito bem? Reparem que é a mesma dualidade, é o mesmo sentido de alguém presente. “Alguém presente” sempre tem amigos e inimigos; é a mesma ilusão: se você tem amigos, tem inimigos também; se você gosta de alguém, tem alguém de quem você não gosta; se você está amando alguém, tem alguém que você não está amando. Você não pode ter uma coisa sem ter a outra. Essa é a dualidade, a ilusão da separação!

Então, quem é que o perturba ou o faz feliz? Ora você está feliz, ora você está triste, mas quem é que o deixa assim? Quem é esse que se sente feliz ou triste? Por que é que ele se sente assim? Por que tem algo do lado de fora tornando-o feliz ou triste? Para quem existe essa separação? Para quem existe essa dualidade?

Isso é muito claro, não?

Tudo isso está acontecendo nessa ilusão de estar se confundindo com a crença de ser alguém separado, no controle desse momento, dessa experiência, ou seja, do pensamento, da sensação, da emoção, do mundo, do corpo, do “outro”...

Reparem que estou sempre apontando para o Estado Natural, fora da dualidade, fora da ilusão, fora dessa separação entre sujeito e objeto, entre observador e objeto da observação. Reparem que nesse Silêncio, que é Consciência, que é Presença, não existe separação. Ela surge apenas como uma crença, quando você, como uma entidade, se separa do que está acontecendo. É sempre uma crença, uma ideia, a ilusão de alguém presente criando uma distância  “eu e o corpo”, “eu e a mente”, “eu e o mundo”... Como se houvesse duas coisas!

Aqui está, diante de você, o desafio desse trabalho, que é se aproximar intimamente dessa constatação; o desafio de não se separar para não produzir conflito, sofrimento, ilusão. Quando você se separa, você cria o conflito. Não se separar significa parar com essa guerra, parar com o medo, parar com o sofrimento. Você deve fazer esse trabalho agora, nesse instante, até que Isso comece a tomar forma, até que Isso comece a assumir o lugar que precisa ter aí.

Lembre-se que você está indo no sentido inverso — a ilusão da separação, a ilusão da mente egoica está indo para uma direção e você está indo para o sentido inverso; a mente egoica, a mente separatista, a mente ilusória, está indo e você está voltando. Você está saindo dessa rota, dessa via, dessa mão, está saindo dessa estrada! Você está saindo do ego, da dualidade, da ilusão, de Maya, do sono, da inconsciência, da mente egoica, da história da pessoa... Você está muito acostumado com essa estrada, com essa via e, agora, você está pegando uma outra via: a via de volta… de volta para casa.

Casa, aqui, é sinônimo de Felicidade, Liberdade, Consciência, Sabedoria.

 Namastê!

*Transcrito a partir de um encontro online na noite do dia 13 de Fevereiro de 2017
Encontros todas as segundas, quartas e sextas as 22h - Para participar é só baixar o Paltalk App.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Quando você busca do lado de fora, você esquece quem Você é.


Nestes encontros, estou apontando para Aquilo que considero principal, e que não é a fala em si. A sua experiência com o mundo dos sentidos, com o mundo sensorial, é a experiência que a mente conhece e valoriza. Você tem uma educação, um condicionamento tal, que o faz estar sempre voltado para o mundo externo, para o mundo dos sentidos.

Minha ênfase, nesses encontros, é sempre sinalizar para você o que considero a coisa principal: o seu próprio reconhecimento, Aquilo que você é aí dentro e não a experiência que você conhece, mas a Natureza onde essas experiências estão surgindo, onde estão aparecendo... A Natureza da experiência em si, que é essa Consciência que Você é.

Toda sua frustração existencial está baseada nessa orientação que você vem tendo a partir dos sentidos. Dizendo de outra forma: você está esquecendo de quem você é e está se confundindo com as experiências dos sentidos. Para a mente egoica, tudo o que interessa é a experiência dos sentidos. Então, se você observar bem, você está muito impressionado com o que vê, com o que escuta, com o que toca, com o que percebe. A percepção sensorial, para você, é algo muito importante e sempre fica a serviço dessa egoidentidade, que é essa pessoa que você acredita ser. Então, você não olha a partir Daquilo que você é; você olha a partir da mente, você escuta a partir da mente, você fala, toca, sente a partir da mente... Aqui, eu me refiro a essa mente separatista, a essa mente egoica.

É por isso que não há beleza em sua vida, porque não há profundidade. A natureza da pessoa é ser superficial, é a natureza do ego. Por mais que você tenha coisas muito bonitas à sua volta, você continua superficial, olhando para as pessoas como uma pessoa. Você fala com as pessoas como se fosse uma pessoa; você escuta alguém como se você também fosse alguém. Então, todo o seu contato com o mundo externo é só um reflexo dessa superficialidade interna da mente egoica, porque não há profundidade e, quando não há profundidade, não há Riqueza, não há Graça, não há Beleza, não há Verdade.

Funciona mais ou menos assim: você se vê como alguém e quer se preencher no outro; você quer se tornar rico no outro, profundo no outro, pleno, feliz... Você quer viver o amor, quer viver a liberdade, mas sempre no outro. O que nós fazemos nesses encontros chamados Satsang? Nós investigamos a natureza ilusória desse “eu” que você acredita ser, o que é fundamental, pois isso, de imediato, liberta você de esperar alguma forma de preenchimento no “mundo" do lado de fora.

O ego vive de uma forma muito carente, muito amedrontada, dependente... bastante infeliz. Ele precisa de apreciação, de reconhecimento, do amor vindo do outro – sempre de lá para cá, de fora para dentro. É uma busca constante de ser alguém para o outro. Essa é a natureza do ego e você precisa ir além disso, além dessa ilusão de ser alguém, desse que tem feito sua vida ser tão superficial. O tédio nasce disso, a solidão, a depressão, a ansiedade, a timidez e todas as formas de medo nascem disso, porque não há profundidade.

Uma coisa básica que você precisa compreender para ir além da mente egoica é que você precisa descobrir o Amor que não depende do outro, a Paz que não depende do outro, a Liberdade que não depende do outro. Para isso, você precisa sair da mente, deixar essas imagens que a mente produz o tempo todo na sua cabeça sobre quem é ele ou quem é ela para você. Você não pode depender disso! Somente assim você estará começando a ser sério consigo mesmo, a apreciar a Vida como Ela é.

Você precisa olhar para aquilo que se apresenta, nesse momento, e não se confundir, não se deixar impressionar, não olhar a vida de uma forma romântica, acreditando que algo do lado de fora, ou alguém do lado de fora, vai lhe dar aquilo que você já tem aí dentro. Quando você busca do lado de fora, você esquece quem Você é.

Quando você começa me ouvir, eu destruo os seus relacionamentos, porque eu quero que você encontre o Amor em si mesma, em si mesmo. Só então você pode ir para fora, namorar, casar, ter filhos, amigos, porque nada mais poderá fazer você sofrer, inclusive - e principalmente - os namorados, amigos, maridos, filhos... Isso que você chama de “meu mundo” e que é só a historinha de um personagem que você acredita ser.

Está difícil acompanhar isso?

Essa historinha é a sua miséria, não é a sua felicidade. Primeiro, você encontra a si mesmo e realiza a Felicidade; depois vai para fora. Isso é completamente diferente do que vocês têm aprendido. Vocês já ouviram frases como: “você jamais será feliz se não fizer o outro feliz!”. Isso é uma mentira! Você não está aqui para fazer o mundo feliz; você está aqui para reconhecer que não existe nenhum mundo e que, portanto, não existe nenhum outro além de Você.

A sua libertação e felicidade são a libertação e felicidade do mundo. Mas o mundo e o outro não estão separados de Você. Então, você realiza quem Você é, e não o que o outro é, quando realiza a Felicidade. Esse modo de pensar “eu e o outro” é totalmente equivocado, pura dualidade.

A mente vive o tempo inteiro ligada a essa imaginação. É isso que produz o seu sonho, o sonho de sua vida, essa história da egoidentidade, da pessoa que tem um nome, que tem um pai, que tem uma mãe (ou já teve), que tem irmãos, tem amigos... Tem tanta coisa e vive profundamente embolado em meio a tudo o que tem. Vive preocupado, assustado, enciumado, tentando controlar, tentando manter, proteger, só para não ser infeliz quando isso tudo for embora.

Ser alguém, se ver como alguém, é muito miserável. Quando você se vê como alguém tem sempre alguma coisa nova chegando à sua vida e essa “coisa nova” fica velha e você quer substituir por outra coisa nova, que depois quer substituir por outra, porque aquela já ficou velha também... Então, não há Liberdade.

Em Satsang, eu o convido a desaparecer, a ser somente Aquilo que você nasceu para ser. Então, tudo já foi embora e, curiosamente, tudo já está presente!

Aqui, funciona com uma “matemática” diferente: quando você não tem nada, você tem tudo. No ego, na mente, é outra “matemática”: você tem tudo, mas não tem nada, porque não tem a si mesmo. É muito miserável ser alguém...


Ok? Vamos ficar por aqui! Namastê!

*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite do dia 11 de Agosto de 2017 
Encontros online todas as segundas, quartas e sextas as 22h - Para participar é só baixar o App Paltalk.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

O Encontro com a Verdade


Estes são encontros de descobertas, de diretas constatações. Satsang significa, verdadeiramente, o encontro com a Realidade, o encontro com a Verdade. Diferente de um encontro com um professor, aqui você não precisa ter um preparo. Não é uma matéria que você, por exemplo, por estar aqui pela primeira ou segunda vez, está um pouco mais atrasado que os demais. Essa é uma fala de investigação de uma realidade presente que é possível que você tenha esquecido, mas não é um assunto que você internamente desconhece; Isto já está presente aí. Mas é preciso tomar cuidado com isso. É importante que você acompanhe isso pacientemente, cuidadosamente, com o coração voltado para isso, para essa constatação, para aquilo que estaremos propondo para você.

Você pretende realizar a Felicidade... A Felicidade é o fim do sofrimento. No entanto, já começamos a nos deparar com um aspecto bastante paradoxal nestes encontros chamados Satsang. Felicidade é o fim do sofrimento, mas, na verdade, a busca da felicidade e sofrimento são sinônimos. A própria busca da felicidade alimenta e sustenta o sofrimento, porque um outro nome para a busca é "alguém" na procura. "Alguém" na procura é a pessoa, que é a entidade que sofre. A entidade que sofre, que é a pessoa na busca, significa sofrimento.

Então, o sofrimento busca se livrar do sofrimento; isso é o que a pessoa faz. Isso não é a busca da Verdade, é a busca da felicidade. Ou seja, a busca da felicidade é, na verdade, a busca do sofrimento. Tudo o que se faz na busca da felicidade é alimentar a "pessoa", a "entidade" na procura dessa coisa. Assim, ficamos num círculo, num circuito fechado. A primeira coisa estranha de ouvir em Satsang é que "pessoa" é sinônimo de sofrimento, e sofrimento significa a busca da felicidade; na própria busca está a "pessoa", o sofrimento e a infelicidade. Então, a felicidade que se procura é a infelicidade.

Tudo o que você tem feito na sua vida, na procura da felicidade, está sustentando a infelicidade, porque tudo o que você tem feito na sua vida é buscar sofrimento na procura da felicidade. Esse é um assunto bastante singular, bastante ímpar, fundamental. Tudo o que você faz é para ser feliz, mas na verdade é para ser infeliz, pois quando você entra em ação nesta busca, nesta procura, está a "pessoa", que está muito atrapalhada e não sabe nada de felicidade, porque a natureza da "pessoa" é ser infeliz. Não existe uma só "pessoa" feliz neste planeta. Momentos de alegria e prazer não é ser feliz, momentos de preenchimento pessoal e satisfação não é ser feliz.

Ser feliz é Ser, e ser só é possível quando não há pessoa. Quando não há  "pessoa" não há busca!  Quando não há  "pessoa"  não há nenhuma busca de felicidade, nem da libertação da infelicidade. Quando não há "pessoa"  não há busca, quando não há busca a felicidade está presente. A felicidade está presente quando não há "pessoa", quando não há busca. A felicidade está presente quando "você" não está. Quando "você"  aparece você transforma qualquer prazer em uma aquisição pessoal, e quer que isso se repita vez após vez, após vez; isso é a própria busca, a busca da felicidade, que produz a infelicidade, que é a busca do sofrimento.

Outra coisa sobre isso é: não se iluda. É algo bastante ingênuo, desproposital e por demais estúpido, essa "pessoa" falar de uma não pessoa, dizendo, por exemplo: "não tenho nada para fazer, nada para realizar, nada para alcançar e nada para buscar". Então, essa aparente e ilusória entidade separada fala de si mesma como se não existisse, só porque ouviu a frase “aparente entidade separada", "ilusória entidade separada". Percebam o velho truque da mente: uma hora a mente acredita na "pessoa", outra hora ela não acredita na "pessoa", mas é a mesma velha mente; uma hora a mente acredita que não é iluminada, outra hora acredita que já está iluminada.

É necessário compreendermos isso, com todo o nosso coração, senão vocês vão cair na velha armadilha da "ambição do iluminado", do desejo de iluminar. Se seu desejo de iluminar for muito forte de uma forma equivocada, essa Presença não assenta aí de uma forma definitiva, mas o pensamento cria uma iluminação. Então, se a pessoa diz que não há nada para fazer, para encontrar, para buscar; se a "pessoa" diz que "não há pessoa falando de si mesma", ela está deitada numa rede, essa rede se chama Advaita Vedanta. Quando essa rede balança para um lado ela fala de "não dualidade", quando ela balança para o outro ela fala de Sat-Chit-Ananda (Felicidade-Consciência-Ser). Esta é uma extraordinária e confortável crença, algo como tomar um milkshake, uma coisa muito confortável; algo delicioso antes da crise, mas é só uma crença-sentimento presente enquanto dura toda essa verbosidade, essa fala, esse blá-blá-blá. Mas, cedo ou tarde, na privacidade do coração, algo vai se mostar insuficiente. Cedo ou tarde o movimento extraordinário, desconhecido e estupendo que é a vida vai declarar que essa crença-sentimento não é suficiente.

O sofrimento vai ressurgir de novo mais uma vez, e mais uma vez, e mais algumas vezes. E esse sofrimento vai impelir essa, assim chamada, "não pessoa", que ainda é bem pessoal, a procurar felicidade, e essa procura da felicidade vai produzir ainda mais infelicidade. Pior do que não ter qualquer ensinamento sobre isso, é conhecer profundamente isso. Se a pessoa diz que não há nada para fazer, ela está numa situação bem pior do que qualquer pessoa que não sabe nada sobre isso. Se a pessoa sente que não existe nada de fato para fazer, para encontrar, para buscar, para realizar, ela está numa situação pior do que aquela pessoa que nunca ouviu nada sobre Realização. Isto porque Realização não é uma questão de entendimento intelectual, é uma questão de Presença, de Consciência, de percepção direta. Se a pessoa acredita não precisar, ainda carregando a ilusão de ser uma pessoa, está precisando muito. Se ela acredita não precisar, sua condição é muito pior do que aquela que se dispõe a investigar isso, isso porque ela nega a si mesma a possibilidade de ir além dessa ilusão, que é a ilusão de acreditar que não precisa, precisando.

É fundamental que você perceba de um modo direto aquilo que está sendo proposto para você em Satsang. Estamos propondo para você o fim da busca, mas não a ilusão de se falar no fim da busca. O fim da busca é quando a busca termina e não é quando se verbaliza “não há mais busca”. Verbalizar “não há mais busca”, enquanto a busca não termina, é muito cômico, é muito hilário, é bastante engraçado. Então, o que precisa ser feito, até não precisar ser feito, de fato precisa ser feito. Enquanto houver a ilusão de uma entidade presente nessa experiência, que é a experiência da "pessoa" de "ser alguém", é uma grande ilusão se falar de um "não alguém", ainda, sendo "alguém"; de um não trabalho, de um não fazer, de uma não rendição, de uma não entrega, ainda, se sentindo "alguém", ainda se sentindo uma "pessoa". Porque essas assim chamadas falas Advaitas não falam sobre isso?

Enquanto só se conhece a sombra, falar de luz é imaginação; na Índia, chamam isso de "ilusão da ignorância". Não há de fato qualquer ignorância, mas existe a ilusão da ignorância. Essa ilusão da ignorância pode se passar por clareza, também; clareza de não ignorância, clareza de não ilusão, e ainda é ilusão da ignorância. “Não há nada para se fazer, não há ninguém para fazer qualquer coisa” - isso é a verdade, mas é a verdade para Buda, para Ramana Maharshi, para Jesus, para Krishna, para Marcos Gualberto. Quando as pessoas vem a mim e repetem essas falas, digo "ok, é maravilhoso, é exatamente assim", e pergunto para elas: "mas isso é a sua compreensão ou é a repetição da minha fala ou da fala de outros?"

É tão confortável repetir aquilo que outros dizem... Mas seja honesto, cheque. Quando você vai sair do hotel você tem que fazer o check out; então, eu diria para você "faça o check in e depois o check out. Seja honesto e cheque sua verdadeira vida". Olhe para si mesmo, momento a momento, não só quando estiver entusiasmado diante de uma fala como essa, ouvindo e repetindo, ou escrevendo e recitando poesias. Olhe para isso de uma forma direta, em primeira mão, faça o check out... Veja se você já pode ir embora, se já "fechou sua conta". Cheque se isso é a verdade de sua própria experiência, ou se é uma crença, que é mais um pensamento e uma ideia, mais uma crença, sobre isso.

A vivência direta é a prova! Não uma prova para outros, mas para si mesmo. Onde quer que você esteja lá estará esta Presença, que é esta Consciência, que é esta Graça, que é esta Verdade.  Então, faça o check out. Vocês querem a Verdade mesmo ou vocês querem a teoria sobre isso? Teorias vocês adquirem em livros e ouvindo falas como esta aqui no Paltalk, ou assistindo a vídeos de Marcos Gualberto, Eckart Tolle, Mooji. A prova existencial dessa Realização não é a fala, não é a expressão.

Você sabe quanto tempo uma semente passa no interior da terra até que possa germinar? Eu vou lhe dizer: é o tempo que se faz necessário para cada semente. Cada semente está no interior da terra, na escuridão da terra, oculta dos olhos de todos e da luz solar, até que no momento certo ela germina, ela brota. O tempo para cada semente é o tempo que ela precisa, mas, durante este tempo, ela permanece quieta, não aparece, se mantém oculta em silêncio, em profundo silêncio, até que, no momento certo, a vida, a existência lhe impulsiona para a germinação. A semente explode e deixa de ser semente quando ela germina. Não adianta tentar forçar isso.

Quando é que você estará maduro? Quando estiver maduro. Antes disso é uma fraude, é só mais uma ilusão, é só mais um forçar de barra. Então, crianças, fiquem quietas, mergulhem em si mesmas, fechem a boca... Deixem essa semente aí, deixem o silêncio tomar conta dela. Aqui o tempo é a coisa que menos importa. Aqui o que importa é a fecundidade, é o poder intrínseco, é o potencial interno, é a verdade presente nessa semente, o poder que ela tem, o poder que ela traz, o potencial dela para trazer Isso à tona, para realizar Isso, para manifestar Isso.


OK? Namastê!


*Transcrito a partir de um encontro online acontecido na noite do dia 25 de novembro de 2016 - Encontros online todas as segundas, quartas e sextas as 22h - Para participar baixe o Paltalk no seu computador ou smartphone.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

O fim dessa imagem que você faz de si mesmo é o Despertar



Nesses encontros, você se volta para o reconhecimento acerca de quem você é, e você tem se afastado disso há muito tempo. É tudo uma questão de autoesquecimento! Você precisa voltar Àquilo que você É, o que implica em voltar para casa. Esse afastamento de si mesmo é esse autoesquecimento.

Sua Natureza Real não é alguma coisa. O pensamento em sua cabeça e o sentimento presente no seu corpo fazem com que você se sinta “alguma coisa”. Você se sente alguém, se sente algo, se sente algo dentro de muitas coisas. A sua experiência de corpo e mente é a experiência de alguém – isso é a experiência de alguma coisa. Tudo isso acontece porque você esquece quem de fato você É. Dessa forma, você se sente uma coisa entre muitas outras; se sente uma pessoa entre muitas. Você esquece esse Eu Sou, para se confundir com o corpo e a mente e, assim, você se vê como uma coisa.

É como todo esse espaço nessa sala: você é esse espaço, mas como se esquece disso, você se confunde com qualquer objeto que aparece aqui. Você se confunde nessa confiança, nessa crença de que é alguma coisa, enquanto que, na realidade, você é todo esse espaço!

Quando chega em Satsang, a princípio, você acredita que vai resolver os seus problemas, que vai terminar com os seus sofrimentos. Você acredita que o Despertar, a Iluminação, é o fim dos seus problemas, dos seus sofrimentos. Você fica muito preocupado com essa questão da Iluminação. Antes, você tinha diversos outros problemas, e agora você tem um problema maior que todos os outros. Um problema que quando é resolvido, resolve todos os outros!

As pessoas escrevem para mim, e dizem: “Eu quero a Iluminação!” E eu pergunto: “Porque você quer a Iluminação?” E elas dizem: “Meus pais agora vão me compreender!”, “A minha esposa vai me amar!”, “Eu não vou mais sofrer!”… Mas deixa eu dizer algo para você: Iluminação não é o fim dos seus problemas, não é o mundo em paz com você, não são os seus problemas todos resolvidos. Iluminação é sair dessa posição: “Eu sou alguma coisa”, “Eu sou alguém”… Você esquece a sua Natureza Real, e você se confunde com uma crença, uma ideia, uma imagem e, essa imagem tem problemas, tem inimigos, quer a salvação... Essa imagem é essa “alguma coisa”.

O Despertar, a Realização, a Iluminação, é o fim dessa imagem que você faz de si mesmo, a imagem de ser alguém, a ideia de que você é um objeto nesse espaço. Quando isso cai, o espaço fica! E é claro que o espaço não tem nenhum problema. Nesse momento, você é esse espaço e, como tal, você não está preso às experiências; elas acontecem no corpo e na mente. Da mesma forma, qualquer coisa pode acontecer a um desses objetos que aqui estão nessa sala, mas isso não atinge esse espaço, não fere, não arranha esse espaço onde os objetos aparecem.

Então, a Realização, a Iluminação, não é o fim dos seus problemas; é o fim da ilusão de que tem alguém presente para ter problemas, que tem alguém presente para sofrer, para ficar magoado, para se sentir ofendido ou rejeitado, para se deprimir ou se sentir eufórico… A Realização não tem nada a ver com aquilo que você acredita, porque tudo isso ainda faz parte da mente... É quando, então, você se move dessa posição, na qual acredita e sente que é alguma coisa, para algo inteiramente novo, inteiramente desconhecido. Você reconhece quem você é, sua Real Natureza, a Verdade sobre si mesmo, a Verdade desse espaço impessoal. Sua Verdadeira Natureza é Pura Consciência, Puro Espaço, o Nada.

Enquanto você se considerar uma pessoa, vai ver o mundo como uma pessoa o vê; vai sentir o mundo, como uma pessoa o sente. A Realização é sair desse sonho! Quando alguém que está acordado vê você se mexendo na cama, chorando, gemendo, gritando, e percebe que você está em um sonho (que é um pesadelo), ela vê o seu sofrimento, se compadece de você e o toca dizendo: “fulano, acorda!”. Quando você acorda, o sonho termina imediatamente. Repare que não leva um segundo para o sonho terminar; é de imediato. Por isso, aqueles que realizam isso dizem que não leva tempo, porque é uma mudança imediata; a mudança aqui é do sonho, da ego identidade, para o seu Ser, para a sua Real Natureza. Isso, de fato, não leva nenhum tempo, não é uma questão de tempo.

Não é possível tratarmos desse assunto aqui. Pelo menos, não agora, pois isso é algo muito paradoxal para a mente que vive no tempo, que se vê no tempo, que criou a ilusão do tempo; tudo leva muito tempo para a mente. Aconteceu no tempo, é o passado; está acontecendo agora, é o tempo presente; precisa do futuro, então tem uma outra forma de tempo. A mente está viciada nisso, e todo o nosso trabalho aqui é para que você tome ciência de quem você é, aqui e agora.

Aqui e agora, não há tempo, mas a mente aí não vai dizer isso! Por exemplo, um trabalho aconteceu aqui, por vinte e um anos; esse foi o tempo que a mente pediu para deixar o seu desejo de continuidade. Ela brigou por continuar por mais vinte e um anos [depois que Ramana apareceu]. Isso não requer nenhum tempo – O que é agora aqui, sempre foi – mas isso só ficou claro, quando a mente se foi. Vocês não têm que se preocupar com essa questão. Isso é algo maior que vocês, maior que a mente… tudo isso é uma ação misteriosa do desconhecido, uma ação divina, uma ação da Graça. Nessa ação da Graça, esse espaço se revela como a sua Real Natureza. Então, o sentido de ser alguém, de ser alguma coisa, ser um objeto nesse espaço, desaparece instantaneamente.

É como a água para chegar no estado de vapor (na física se conhece isso): ela tem que esquentar, esquentar e esquentar... ela não evapora com noventa e oito, noventa e nove graus... ela tem que chegar precisamente a cem graus Celsius. Quando isso acontece, ela perde o seu estado de água e passa a ser vapor d’água imediatamente; mas ela levou um tempo para chegar a cem graus. O Despertar é algo assim, é um amadurecimento, é um florescimento, é uma constatação, é quando não há mais uma temperatura de noventa e sete, noventa e oito, noventa e nove graus. Por enquanto, esse mecanismo corpo-mente está nessa posição de identificação com a ilusão de uma ego-identidade, de uma pessoa na experiência, se confundindo com os seus humores; e trabalhando o reconhecimento disso, a soltura disso, nessa investigação, nessa entrega, nesse olhar para isso, de novo, de novo, de novo...

Tudo isso parece muito desesperador hoje, mas chegará o dia em que você vai rir de todos esses esforços, todas essas viagens para Satsang – calor no Nordeste e frio no Sudeste, milhares e milhares de horas de voo – e na verdade você não saiu do lugar, você nunca deixou de ser quem você é, você não conseguiu ser o que você não é. Esse é o maior de todos os mistérios: você, sendo a Realidade, está à procura Dela. Então, chegará um dia que você vai rir de tudo isso.

O problema não está no desejo pela Realidade, o problema está naquilo que a mente tem dito para você sobre a Realidade, e é nisso que você está tentando encontrá-la. O que nós estamos fazendo juntos é ver o que não é a Realidade. Você já foi enganado por si mesmo, por muito tempo, por esse próprio movimento equivocado da mente sobre a Natureza da Realidade. Então você busca a Realidade em relacionamentos amorosos, em bens materiais, em realizações profissionais, na beleza física, ou todo tipo de coisa....

Aqui, eu o encontro nesse pesadelo e o sacudo para acorda-lo desse sonho; empurro você da cama, se for necessário… se tocando em seu braço não consigo, eu o empurro da cama para você sair dessa suposta realidade, para você soltar esses desejos. Então, você já não quer casar de novo, por exemplo, porque vê que é tudo igual; você não está mais preocupado em fazer fortuna, fazer dinheiro para obter coisas, porque você vê que a Realidade não está lá... que a Felicidade, a Liberdade, o Amor, a Paz, não está lá. Então, eu te dou uma sacudidela na cama para você acordar, para você abandonar essa bobagem.

Esse foi o trabalho do meu guru comigo, e é o meu trabalho com você. Como eu faço isso? Como ele fez comigo: Ele entrou em meu quarto e me empurrou da cama. Vinte e um anos é caso de empurrão mesmo! Não basta um toque leve no braço direito para tirar o outro do seu sonho, do seu pesadelo; tem que levar um empurrão mesmo. Como Ele fez isso? Como eu faço com você! Você vê uma foto minha no Facebook e você sonha comigo... Você nunca tinha me visto no Facebook, mas depois você se depara com a minha foto, olha em meus olhos, e eu estou olhando para você e dizendo: “Cadê você, menino? Estou esperando você!”. Foi assim que Ele fez comigo! Você entra aqui no Paltalk, escuta a minha voz por três minutos, e diz: “Quem é esse cara?”. Você está navegando pelo Youtube, se depara com um vídeo meu, e diz: “Quem é esse cara?”.

Eu sou o fim dos seus pesadelos! Não estou dizendo que será fácil mostrar para você a inutilidade de continuar confiando nesse sonho como sendo algo real para si mesmo; mas estou dizendo que posso fazer o meu trabalho. Quando você deixa de acreditar em tudo, você deixa de ser alguém, você deixa de ser alguma coisa, você deixa de ser um objeto nesse espaço, para ser o próprio espaço... o sono termina, o sonho termina e o pesadelo também!


Namastê.

*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite de 28 de Julho de 2017 - Para participar dos nossos encontros onlines é só baixar o App Paltalk no seu computador ou dispositivo móvel. Participe!

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