quinta-feira, 3 de novembro de 2016

A verdade é vivencial






Nessas falas, nós estamos fazendo apenas observações e, nessas observações, investigando aquilo que, aparentemente, como um véu, como uma cobertura, oculta a verdade de nossa Natureza Real, de nossa Natureza Essencial. 

É importante que se compreenda que a maior de todas as certezas — algo bastante óbvio, claro, presente — é a de que nós estamos, neste momento, aqui... Estamos presentes aqui. A coisa mais óbvia de todas é o fato de que há uma Presença presente, e Isso somos nós mesmos! Essa é a primeira coisa, bastante óbvia: “Eu Sou”. Se eu não estivesse presente, eu não estaria, por exemplo, consciente destas palavras, nem consciente destes pensamentos que aparecem, nem destes sentimentos, destas sensações, destas percepções dos sentidos. Então, a primeira coisa é essa. A segunda, é que isso é conhecido; há um “conhecer” a respeito disso. A primeira é esse “Eu Sou”; a segunda é o reconhecimento deste “Eu Sou”, é conhecer esse “Eu Sou”. 

Assim, essa observação precisa ficar clara para você. Você, aqui, está investigando a natureza da Verdade, a natureza da Consciência, a natureza do Ser, sua Natureza Real, Isto que está sempre presente… presente e ciente. Esse “Eu Sou” é algo presente e essa ciência deste “Eu Sou” também é algo presente. Então, são a primeira e a segunda coisa. 

Portanto, nós temos esta qualidade fundamental do Ser. A qualidade fundamental do Ser é Ser, o que, aqui, eu não coloco como uma qualidade, mas como Aquilo que É. Ser é Aquilo que É! As qualidades fundamentais do Ser são esse “Conhecer” e esta Presença. Assim, a natureza do Ser é Presença, a natureza do Ser é ciência do Ser, é Consciência, é Conhecer. Então, o que mais você pode perceber a respeito disso é que está constantemente ciente de Ser, ciente desta Presença e dessas experiências, como os pensamentos, as sensações, as emoções, os sentimentos e as percepções sensoriais. 

Por que isso é importante? É importante porque isso não é algo que permanece oculto, velado. O que faz isso parecer velado e oculto é essa constante ocupação da mente com ela própria. A mente se ocupa porque se perde, porque se confunde, porque se identifica com os pensamentos, com as sensações, com as experiências, com as emoções. Então, Aquilo que está presente e consciente fica velado. 

Você é sempre Isso presente, que é Consciência, que é esse Conhecer, mas como a sua atenção está inteiramente perdida nas experiências dos sentidos, dos pensamentos, das sensações, das emoções, você se confunde com essas experiências e torna isso algo que, de fato, não é. Você faz isso ser algo pessoal. Assim nasce o sentido ilusório de alguém presente, e isso é o véu que oculta essa realidade que é ser Consciência, que é ser esse Conhecer. 

Todos acompanham isso? 

Isso é como um espaço aberto. Você tem um espaço aberto, completamente aberto. Neste espaço, algumas coisas são colocadas, mas elas não aumentam nem diminuem este espaço. Assim são as experiências, as sensações, as emoções, as percepções e os pensamentos acontecendo aí. Assim como esses objetos não aumentam ou diminuem este espaço, estas experiências — que são aparições presentes nessa Presença, nessa Consciência — também não alteram nada. Mas aqui é que está a coisa toda! Desde pequeno você está viciado em se confundir com esses objetos. Você é o Espaço, mas se confunde com os objetos e se perde neles. Assim, você se limita como uma entidade, como uma pessoa, como alguém...  Alguém que tem um nome e uma forma; alguém que tem uma história, uma mente, um corpo e está vivendo no mundo. Só que mente, corpo e mundo são objetos nesse Espaço, e a presença de alguém aí é só a ideia desse próprio pensamento ocupado com ele mesmo, em suas experiências de percepções, sensações, emoções e sentimentos, que ele traduz de uma forma individual, particular e pessoal. 

Dá para acompanhar isso? 

Então, nós temos a origem e a continuidade dessa ilusão. Assim surge toda noção de tempo e espaço, de nascer e morrer, de ser alguém, de ter alguns. Identificada com o corpo, a mente teme perder essa experiência. Você se confunde com a mente e, então, o medo passa a ser seu, quando a morte se aproxima. É muito simples esse fenômeno da morte. A morte não acontece para você, não é a sua experiência; a morte é só uma experiência do pensamento. É com o pensamento que você se confunde, então, a morte passa a ser temida. Estou citando a questão da morte, mas serve para toda experiência que você tem. É assim quando você se confunde com a ideia de ser alguém. Quando você se confunde com a ideia de ser alguém, você tem coisas. 

Portanto, não há só o medo da morte do corpo, há o medo da morte dessa ou daquela experiência, nas quais a mente está mantendo sua vida. Então, você tem medo de ser traído, de ser enganado, de ser abandonado… Esse é o estado comum da pessoa. A pessoa jamais deixa de sofrer, porque “pessoa” significa sofrimento. Essa é a experiência particular e individual da separatividade. A separatividade, basicamente, é isso: é o sentido de alguém aqui. E não tem alguém aqui! Essa ilusão de alguém aqui é esse véu, que é a ocupação e identificação com esses objetos. Você está identificado com pensamentos. Eles não são só uma aparição, eles são a sua própria vida, a sua própria história... A história de alguém! Então, esse alguém está fugindo da dor, está escolhendo as experiências. Escolher as experiências é fugir da dor. Por isso que há uma dor profunda aí, nesse sentindo de alguém presente. É a dor do sentido de separação! 

Simplificando isso: esse imaginário “eu” está em seu imaginário mundo, experimentando a falta de paz e buscando a paz; experimentado a falta de liberdade e buscando a liberdade; experimentado a falta de felicidade e buscando a felicidade; experimentando a falta de amor e buscando o amor... O amor nos relacionamentos e a felicidade nos prazeres, nas coisas. Compreender isso intelectualmente é muito fácil. Você escuta isso, lê sobre isso, memoriza e repete, mas nada se resolve. Então, é desaconselhável você ficar prestando atenção em minhas falas e guardar isso. Você está ouvindo essas falas apenas para observar esse movimento e não para aprender sobre isso. É para observar esse movimento acontecendo aí dentro. 

Essa busca da paz, da felicidade, do amor e da liberdade para a pessoa, é a mente brincando de encontrar, dentro dela mesma, algo que ela quer fabricar. Mas o que ela pode fazer é encontrar o que ela é. Essa mente, nesse sentido de separatividade, é sofrimento, é ilusão, é dor. Essa ausência da Paz, essa ausência da Felicidade, essa ausência da Liberdade, essa ausência do Amor, essa ausência de Deus é totalmente aparente - aparece nessa identificação com a mente egoica, nessa ilusão de uma entidade presente na procura disso, mas é algo totalmente ilusório. Tudo que esse sentido do “eu” busca é Felicidade, Amor e Liberdade, mas essa busca, centrada na ideia de um “eu”, é o próprio problema. 

Você não pode realizar Deus estando aí. Se você está, Deus não está. Não importa a quantidade de teorias que você tenha sobre isso, o quanto tenha lido e estudado, e o quanto você seja capaz de repetir isso com bastante maestria. Isso não faz de você aquilo que Você É! A Verdade não é eloquente pelas palavras; a Verdade é eloquente pela Felicidade, pela Liberdade, pela cessação da mente egoica. 

Quando o sentido de separação não está, a Verdade está! Então, a eloquência da Verdade está na ausência do sentido de separação, não está no conhecimento teórico sobre isso. E a mente egoica é muito esperta em transformar esse conhecimento em algo, também, dela. Todo o propósito da filosofia, da religião e da ciência para revelar a Verdade é inútil, porque eles se ocupam com aquilo que é conhecido como transformação. Então, religião não funciona, ciência não funciona, filosofia não funciona... Tudo isso não significa nada! É algo completamente estúpido! Algo fabricado, também, pela mente. Transformação é uma palavra que raramente eu uso, porque, de fato, não há nada que possa ser feito. Você é irrecuperável, não tem como se fazer um conserto! Então, a palavra “transformação” não se aplica bem aqui. É completamente inadequada! 

A Verdade é vivencial na ausência do sentido de separação, e isso é o fim da mente e de todo o seu conhecimento, de todas suas experiência, de toda sua ciência, filosofia e religião. Nessa Realização, nessa Verdade, há o “Conhecer” sem o conhecedor. O Sábio não sabe. Ele é o “Conhecer” sem o conhecedor. Se você que está me ouvindo sabe algo, precisa desaprender isso! Essa Realização dissolve essa ilusão do conhecedor, do experimentador, do homem religioso, do filósofo ou do cientista. Nesta Realização, está o verdadeiro “Conhecer”, que não é o “conhecer” do conhecedor; é o verdadeiro “Saber”, que não é o “saber” daquele que sabe. 

Isso é possível quando não há mais o sentido de separação. Há uma só e única realidade, que é Consciência, que é Ser, que é Presença. Essa compreensão precisa chegar a você, mas de uma forma tão forte e tão real que derrube você e suas crenças, você e suas teorias, você e seus conceitos, ideias, filosofia, religião e ciência. Isso tem que chegar a você de tal forma que quebre a ideia de que você está aí presente na experiência de ser alguém no mundo. 

Portanto, Deus é a Realidade! Não é a palavra Deus, é a realidade Deus; não é a crença Deus, é a realidade Deus. Deus só é real quando você não é; Deus só está quando o mundo não está, quando a mente não está, quando o corpo não está. Então, há uma Verdade nessa ausência do sentido de separação, mas não há mais nenhuma filosofia sobre isso, nenhum conhecimento, nem explicações ou ideias. Eles chamam isso de Despertar ou Iluminação. 

Não é “você” iluminado, não é “você” desperto, não é “você” realizado. É Deus realizado! É Deus desperto! Então, essa transformação não é uma transformação... É uma completa revolução; uma destruição do antigo. 

Como está isso para você? 

Você vai aprender isso? Tem palestrante decorando essa fala? Não vai servir! Você vai dar aula sobre isso, mas é “blá, blá, blá”. 

A Verdade não é conhecimento! A Verdade é ausência do sentido de separação! A Verdade é Realização! Foi o que o meu Guru me deu. O Guru lhe dá isso, Deus lhe dá isso, a Graça lhe dá isso, a Consciência lhe dá isso: o fim desse “você”, que você acredita ser. Você não fica para tratar disso! Não tem mais você! 

Uma vez que isso esteja estabelecido aí (não teoricamente, não filosoficamente, mas como o experimentar da Realidade, onde não há você experimentando), há uma cessação do sentido do experimentador. A natureza última dessa experiência, quando não há o experimentador, é Deus! Não é você e Deus; é Deus! A experiência última é Felicidade! Não é a felicidade de alguém; é a Felicidade! 

O mais alto propósito da filosofia, da religião e da ciência é revelar isso, mas, de fato, não estão revelando isso. Então, não tem funcionado, não está dando certo, porque não há ausência da mente egoica nessas ciências. Essa ausência da mente egoica só é possível quando há Meditação. Meditação é o fim da separação, é o fim da dualidade, é o fim de alguém presente neste instante, neste momento. Isso é Meditação! 

A Meditação é a natureza da Consciência… Eu disse Meditação, e não a prática da meditação! Isso é outra coisa! Isso é muito primário ainda! A natureza da Meditação é ausência do pensador, é ausência do experimentador, é ausência do sentido do “eu” e sua história, é ausência da “pessoa”. Na Índia, eles chamam de Samadhi, que é você em seu Estado Natural. Aí não há você e o mundo, não há você e a mente, não há você e Deus, não há você e crenças, não há você e conceitos, não há você e palavras. 

Você, em seu Estado Natural, é Liberdade, é Amor, é Felicidade, é Consciência, é Paz. As palavras devem ser usadas aqui nessas falas, ou entre nós, apenas para irmos além delas. Caso contrário, ficamos teorizando e até criando discussões sobre isso, infindáveis! Aí, são dois egos estúpidos discutindo sobre a Realidade de Deus, que está fora do ego. 

Quando você vai a um Sábio, não discuta com ele, porque ele é Deus! Você é Deus! Só tem Deus, se você é Sábio! Se você não é Sábio, suas ideias, crenças, conceitos e falas são estúpidas, estão dentro da dualidade; são só pensamentos filosóficos, religiosos, espirituais, esotéricos e místicos aprendidos através da leitura de livros, mas não servem para nada. São apenas entulhos... entulhos mentais! São objetos nesse Espaço aberto. Tem um Espaço, que é Consciência, que é a sua Natureza Real, que está ocupado com esses objetos inúteis, traduzidos como conhecimento. 

Como está isso para você? 

Se você quer isso de verdade, tem que desaparecer, e você só desaparece quando o Guru arranca a sua cabeça. O Guru é a Presença, não é uma pessoa; é a Consciência, é a Verdade! Quer tenha a forma ou não, Ele tem que decepar a sua cabeça! A Verdade precisa derrubar este você, que você acredita ser, desse ringue. Se ela derruba este você nesse ringue, este você não se levanta mais. É nocaute! É daí para a sepultura! Não tem como este você voltar a uma próxima luta! Você não suportará mais, porque a luta terá acabado, porque você terá acabado, e não haverá médico para salvá-lo.

*Transcrito a partir de um encontro on line na noite de 12 de Outubro de 2016 via Paltalk
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