terça-feira, 27 de setembro de 2016

Tudo o que você procura é a verdade sobre si mesmo


Consciência, Presença, é o real sentido do Ser. Agora mesmo você é essa Consciência, agora mesmo você é esta Presença, não há como escapar disso. Essa Consciência, essa Presença, é a natureza da Realidade. Não está faltando Presença, não está faltando Consciência, isso é algo que nunca falta. Está faltando a ciência dessa Presença, a ciência dessa Consciência, e é isso que nós sempre investigamos nesses encontros. Isso porque essa Presença, essa Consciência, tem imposto a si mesmo uma aparente limitação. Ela se impôs essa aparente limitação, que é a limitação do pensamento, que é a limitação da percepção. É basicamente isso que nós chamamos de inconsciência.

Porém, não podemos dividir essa Consciência, que é sinônimo de Presença, em inconsciência e consciência; não existe tal coisa. Não há inconsciência real nessa Consciência. Essa Consciência é sempre Consciência, e ela é sempre esta Presença, o que significa que essa Consciência está sempre presente. Esta Presença é a pura Consciência, a natureza do Ser é ser Consciência, a natureza do Ser é ser Presença. Essa é a verdade divina, é a verdade de Deus. Essa Consciência também é chamada de Felicidade. Na Índia, eles chamam de Ananda. Ananda é Felicidade, portanto, essa Consciência que é “Chit”, é também “Sat” (Ser, Verdade), e também Ananda (Felicidade). 

Nosso trabalho, em Satsang, tem como objetivo essa direta constatação. Não se trata de ter algum conhecimento especial para essa constatação, portanto, não se trata de aprender sobre isso. Não precisamos de uma especialização para essa constatação, precisamos sim é de uma entrega. É necessário que você se entregue a essa Presença, se renda a essa Presença. Em outras palavras, significa desistir dessa mente egoica, desse sentido de separação, o que significa se desidentificar dos pensamentos e dessa ilusória percepção. Então, aquilo que está presente se manifesta. 

Participante: É preciso passar pela santidade para constatar o seu estado natural?

Mestre Gualberto: A natureza do Ser é pura sanidade, e sanidade é santidade. Então, que fique claro: é necessário abandonar toda ilusão. A ilusão da separatividade é a causa de toda miséria, de todo sofrimento no mundo. Miséria e sofrimento não são a natureza do Ser. Então, santidade ou sanidade, que é a natureza da Consciência, que é a natureza do Ser, é o fim da miséria, é o fim da ilusão da separatividade. 

Então, a sanidade, ou santidade, deve ser compreendida dessa forma. Isso é ir além da ilusão, além do sofrimento, além da mentira, além desse sentido de separatividade. O ego vive nessa ilusão, nessa mentira, e esse é o único pecado. A pecaminosidade está nesse sentido de separação. Quando isso está presente, a ilusão está presente, a mentira está presente, o sofrimento está presente. 

É necessário, sim, ir além da ilusão da separatividade, além de todo esse equívoco, além de todo esse formato que a mente egoica conhece. O homem vive há milênios no medo, na inveja, na ansiedade, no ciúme, no desejo, na ambição, e tudo isso está dentro desse formato da mente egoica, dessa forma como a mente egoica se move. É necessário ir além de tudo isso, além dessa dependência da mente egoica, dessa escravidão, dessa ilusão. 

Nesse sentido, a Verdade não é para aqueles que vivem na mentira. A Verdade só está presente quando não há mentira. A Verdade é o real, e o real está presente quando não há ilusão. O ego, em seu modelo, é pura ilusão. O sentido de um “eu” presente em sua inveja, ciúme, posse, controle, ambição, desejo, medo, é pura ilusão. Não há como aquele que está se aplicando em realizar essa constatação da Verdade casar isso com a mentira, casar isso com a ilusão, casar isso com esse estado egoico de pura ignorância, de puro medo, de puro desejo, de puro sofrimento. 

É necessário ter uma vida voltada para a Verdade, uma vida de equilíbrio, uma vida de entrega a essa Verdade. O ser humano tem abusado demais em razão dessa identificação com a mente egoica e seus desejos, seus medos e sua constante busca de prazer. O ser humano tem abusado demais do corpo, tem se envolvido em todo tipo de ações que prejudicam essa máquina, esse mecanismo, esse organismo. Então, podemos perceber com isso que não há amor à Verdade. 

É necessário um equilíbrio, uma disciplina, uma certa prudência com relação a essa máquina, a esse mecanismo. O homem tem abusado disso. Comida demais, sexo demais, drogas... todo tipo de busca de sensações, criando cada vez mais uma insensibilidade maior no corpo, tornando o corpo cada vez mais insensível. Todos vocês conhecem muito bem esse tipo de coisa. Esse mecanismo, esse “corpo-mente” está aqui para essa constatação. Se ele for destruído... foi destruído.

Então, a sanidade é fundamental. Essa sanidade é essa santidade, é esse equilíbrio, é essa disciplina; é esse mecanismo, esse “corpo-mente” dedicado a essa entrega, a essa Verdade. É necessário que você dedique todos os seus anos, todos os seus meses, todos os seus dias, todas as suas horas, a essa entrega, a essa constatação da natureza real do Ser. Você precisa de um corpo saudável, ou com uma relativa saúde, para que isso seja possível. Então, é completamente desaconselhável todo esse abuso. A natureza egoica, essa natureza da mente, é essa constante busca do prazer.

Participante: O excesso de trabalho também está incluso nesse abuso?

Mestre Gualberto: O excesso de trabalho também. Na verdade, o trabalho não é assunto da fala deste encontro aqui, mas o trabalho também é uma grande prisão, uma grande e maravilhosa prisão. Não subestimem o ego quanto ao trabalho, ele ama essa coisa. Isso lhe dá um forte sentido de existência. Há uma grande realização, há um grande prazer nisso. Não é só a questão do dinheiro que se obtém, mas o próprio trabalho, em si, é muito preenchedor. O ego transforma qualquer coisa em uma fonte grande de prazer, de preenchimento, de realização. É necessário equilíbrio.

Você está aqui para Deus, e não para trabalhar. Você está aqui para realizar Deus, e não para viver transando o tempo todo, comendo o tempo todo. A mente tem isso: ela busca refúgio, ela busca a sua continuidade... essa constante busca de realização, de satisfação, de prazer, e quando você faz isso, se confunde com a mente. Aí, você se torna um escravo — um escravo do prazer da comida, do prazer do sexo, do prazer do trabalho. Estou colocando aqui três exemplos, mas são muitos, são diversos! Tem, também, a escravidão do prazer de beber, de fumar, de cheirar... Essa completa identificação com o corpo. 

A mente adora esse sentido de ser alguém na experiência do fazer, do sentir, do obter, do realizar. A pergunta foi se a santidade é fundamental... A santidade é essa sanidade. Sem essa sanidade, não há santidade. É algo completamente insano viver no corpo, identificado com o corpo; viver para satisfazer os desejos da mente egoica, com os quais o corpo se confunde. O corpo se confunde com eles e você se confunde com o corpo. Então, fica sempre aí o sentimento de ser o corpo, de estar no corpo, de ser alguém dentro do corpo, porque os pensamentos giram em torno dessas satisfações, dessa busca, dessa procura de realizar desejos. Percebem a importância disso que estamos colocando?

Toda a sociedade, toda a cultura — esse mundo em que vivemos —incentiva isso, explora isso. As pessoas adoram ir ao shopping. Há uma constante procura por objetos; há uma constante procura pela experiência dos sentidos — tocar, sentir... “Eu sou o corpo, eu sou alguém, eu preciso obter isso, obter aquilo”. A mente gira em torno dessa procura constante de prazer, de satisfação, de realização de desejos. Se ela se mantém presa nisso, você está em uma prisão e, assim, você impõe a si mesmo essa limitação. Quando você se confunde com a mente, você está impondo a si mesmo essa limitação de que você é o corpo, de que você precisa disso ou daquilo. 

Tudo o que, na verdade, você procura, não está na mente. Tudo o que você procura, de forma real, é a Paz, o Amor, a Liberdade, a Felicidade do Ser, essa natureza da Consciência, que é “Sat-Chit-Ananda”. Tudo o que você procura é a verdade sobre si mesmo, sobre si mesma. 

*Transcrito a partir de um encontro online na noite de 3 de Agosto de 2016 - Encontros todas as segundas, quartas e sextas às 22h - Participe



domingo, 25 de setembro de 2016

A Alegria em Deus


A alegria é o sinal clássico da Liberdade! No entanto, alegria não é viver sorrindo. A Alegria Real é silenciosa. Ela transmite a Presença, mas é silenciosa. Ela diz: “estou aqui”, mas não faz estardalhaço. Ela fica bem invisível, mas diz: “estou aqui, se você pode me ver, ok! Se você não pode me ver, tudo bem também!” Alguns poucos podem ver, muitos outros não podem. A grande maioria não pode, não tem olhos para ver.
As pessoas estão se confundindo com a falsa alegria – essa alegria do sorriso, alegria do mostrar que está bem, da aparência, do status... Essa falsa alegria é aquilo de querer demonstrar para todos à sua volta que você é feliz. É por isso que as pessoas, quando viajam, tiram fotos: para dizer para os outros que elas são mais felizes do que eles, que elas têm mais liberdade do que eles, que têm mais dinheiro do que eles, e desfrutam mais da vida do que eles. Uma coisa de status, de ostentação... Pura vaidade! Coisa de mente egoica mesmo, da mente estúpida...
Mas a Alegria Real é essa aqui: a Alegria de Ser o que você É, sem conflito, sem sofrimento, sem buscar mais do que isso aqui, mais do que aquilo que se apresenta neste momento, com o coração agradecido, com um sorriso nos lábios ou não (isso não importa). Essa Alegria diz: “estou aqui”, mas não é para todos, não é para que eles vejam. Essa Alegria não é exibicionista, não é para humilhar ninguém, não é para dar autoimportância, não cria status, não é vaidosa. Essa é a Alegria de Deus e, como tudo que Deus faz, é simples e sem ostentação, mas de uma grande beleza para aqueles que têm olhos para ver!
A mente é cega, o ego é cego, não vê nada. Por isso, ele se diverte em fazer os outros tristes, se exibindo, se mostrando mais feliz do que os outros – o que é pura vaidade, pura imbecilidade, pura idiotice. No entanto, aquele que está interessado na Vida como ela É não está preocupado em ser alguém para alguns, em se mostrar para outros. A sua alegria é silenciosa, está neste momento, não precisa de nada do lado de fora, é um transbordamento...
É só a mente que conhece status, que conhece essa alegria eufórica, exibicionista, egoica...

*Trecho de um fala ocorrida durante o retiro em Tiruvannamalai - Índia em Setembro de 2016

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

A inútil compreensão intelectual sobre a verdade


Sejam bem-vindos a mais este encontro pelo Paltalk! 

Esses encontros online não se constituem em trabalho, pois este não consiste em uma fala. Pior do que uma fala é a ilusão do entendimento dela, dentro desse contexto chamado Satsang. Pior do que uma fala, em Satsang, é a ilusão da concordância com a fala. Satsang não é um assunto como uma matéria de escola, que você aprende e depois entra concordando ou admitindo um perfeito conhecimento daquela matéria. Satsang, basicamente, significa  constatação direta; não é algo intelectual. Algo intelectual você aprende nos livros, você aprende com professores, com oradores, com palestrantes. Aqui, não tratamos de algo que possa ser aprendido, tratamos de algo vivencial. Portanto, aqui, investigação não é acompanhar intelectualmente uma fala, mas um mergulho direto; um direto “perceber”, “sentir”, “vivenciar”.

Hoje, há muita intelectualidade aí fora, sobre todos os assuntos. É curioso, porque é muito fácil aprender essa linguagem e sair repetindo isso, como se estivesse vendo, percebendo, sentindo, vivenciando diretamente. Isso é uma tremenda ilusão! Esse imaginário “eu”, esse imaginário “ser”, essa imaginária “pessoa” é exatamente isso: um movimento de cópia, um movimento de imitação, um movimento de repetição. O ego carrega esse dinamismo e é exatamente isso que funciona como um véu, que oculta a realidade do Amor, da Paz, da Liberdade, da Felicidade que está nesta Realização. É necessário ver isso claramente, sentir isso claramente, silenciar..ou podemos teorizar sobre isso durante toda a vida. A cada dia, novos entendidos aparecem, o acesso a esse conhecimento teórico de palavras fica mais fácil, mas não há verdade nisso. 

Todos acompanham isso?

Realização não está no campo do intelecto, não está no campo das explicações, nesse dinamismo do ego. É necessário ver claramente – e não verbalmente, teoricamente, conceitualmente – que você é essa Realidade, que você é essa transparente Presença, que é Consciência, que é Silêncio, que é Felicidade, que é a ausência de ilusão. É dessa aproximação direta que tratamos vivencialmente, experimentalmente. Não teoricamente! Não verbalmente! Não como uma teoria, como uma crença... uma crença advaita que, como um papagaio, você repete, vivendo nesse imaginário “eu”, falando de uma imaginária consciência, vivendo efetivamente na ilusão da ignorância, no apego, no desejo, no medo, com todos os conflitos de uma mente completamente barulhenta, em desordem, perturbada, desorientada... Vivendo, assim, com uma fala aprendida, falando do que não sabe, criando canções sobre isso, concordando com falas e dando explicações acerca disso, criando poesias, poemas sobre isso. Tremenda ilusão! 

Deus, a Verdade, não é um assunto de cabeça. O ego (esse sentido de ser alguém) é muito, muito, muito habilidoso. Nós estamos, cuidadosamente, pacientemente, de forma dedicada e amorosa, descobrindo a importância dessa honestidade, a honestidade dessa entrega à Verdade. Essa é a única forma real de nos mantermos livres desse dinamismo ilusório, desse dinamismo da mente egoica, desse sentido de separação tentando se passar por algo diferente. Estamos falando de uma realidade presente nesse instante. Nós estamos procurando isso no futuro e isso é algo que está presente quando a ilusão desse dinamismo egoico, essa mente egoica, não está.

Isso está claro, gente? 

A Meditação está presente quando não há essa identificação, quando não há nenhuma prisão a esse movimento da mente egoica. Somente a Meditação é esse real espaço. Nesse real espaço, a Verdade está, Deus está, a Liberdade está, a Felicidade está. Você não pode, aqui, querer ver confirmadas as suas crenças. Na mente egoica, você sempre se sentirá identificado com o que acontece do lado de fora, como se aquilo estivesse acontecendo para atingir alguém e esse alguém fosse você, ou com o que acontece do lado de dentro, como pensamentos, sentimentos, emoções, sensações (isso no corpo, como sendo o corpo). 

Portanto, a Realização é algo muito real quando não há teorias sobre isso, quando você está disposto a ir além das crenças, além das teorias. É necessária essa sensibilidade... Total e apurada sensibilidade a tudo que se mostra, interiormente e externamente. Quando há essa sensibilidade, você não se confunde com isso, não torna isso algo pessoal, não mais confia nessa experiência de alguém, desse alguém que você acredita ser. Então, nessa sensibilidade, nessa delicada sensibilidade, a Meditação acontece, a desidentificação com a ilusão do “eu” acontece. Isso é Meditação! 

Quando a Meditação está, não tem você. Quando você está, não há Meditação, há só contração. São duas palavras: ou há Meditação ou há contração. A contração é esse sentido de ser alguém dentro do corpo. É exatamente assim que você se sente, em especial, quando está preso a alguns sentimentos, a algumas emoções, sensações e pensamentos. Alguns são mais significativos do que outros, são mais importantes do que outros, para fazê-lo se sentir assim, nessa contração. Então, você está estressado... Aí está você! Quando está triste, aí está você; quando está alegre, aí está você; quando está nervoso, aí está você... Uma contração no corpo – o sentido de ser alguém ali, naquela dada experiência. Quando você está preocupado, é essa “pessoa” que está preocupada, com suas coisas, com os seus assuntos. Isso é tudo muito pessoal! Isso é muito íntimo da pessoa, uma contração. Então, quando a contração está presente, não há Meditação. Quando há Meditação, não há essa contração, não há alguém nessa experiência, não há experiência para alguém. Quando há Meditação, você não está e, quando você não está, embora os sentidos do corpo estejam plenamente alertas, não há alguém nessa experiência. Então, o ouvir é de uma grande sensibilidade, o olhar é de uma grande sensibilidade, o sentir, presente aí, é de uma grande sensibilidade. Isso tudo ainda está acontecendo a você, mas não tem esse “você”. 

Não sei se isso faz algum sentido para você... 

Então, “você” não está mais aí, não há mais a briga, o conflito, o desejo, o medo, as imaginações, o futuro, o passado... Esse relaxar em sua Natureza Essencial, em sua Natureza Real, fora da ilusão, dessa ilusão “eu sou o corpo”, “eu sou alguém aqui”, “eu tenho algo a conseguir, a conquistar”, “eu tenho algo do qual tenho que me livrar”... Então, isso tudo desaparece completamente. Desaparece tudo! Completamente! Tudo vai, tudo cai! Não tem mais essa contração, não há mais o sentido de alguém. Essa é sua Natureza Real, sua Natureza Verdadeira, Você em seu Ser. Seu Ser é Você!  E isso é Vida - A Vida Real! 

Não dá para realizar isso fazendo alguma coisa. Só é possível realizar isso constatando isso presente nessa ausência do “fazer”, do “tentar realizar algo” ou “deixar algo”. Todo e qualquer esforço o afasta disso. Você está em plena consciência, mas sem esforço. Você em plena consciência e sem esforço não é alguém; é essa Presença, é essa Realidade. Repare que todas as vezes que você se confunde com pensamentos, com imaginações, com o futuro, com o passado, com uma dada situação do lado de fora ou com uma sensação, aí está você de volta ao corpo, na ideia de ser alguém, e é claro que isso é um problema! O único problema que você tem é você, está dentro desse dinamismo – o dinamismo pessoal, a autoconfiança, a autoimagem, o desejo de ser ou de deixar de ser. 

Alguma pergunta? Ok, pessoal! Vamos ficar por aqui! Valeu pelo encontro! 

Namastê! 

Fala transcrita a partir de um encontro online ocorrido na noite de 5 de Agosto de 2016 - Encontros todas as segundas, quartas e sextas às 22h - Baixe o App Paltalk e participe

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Quem quer a Verdade?


A realidade presente, que é nosso próprio Ser, é essa Realidade. É nesse contato que você estabelece novamente uma ligação direta com o “coração”. Aqui, o coração se refere a essa absoluta Realidade, essa pura Inteligência. A mente tem se afastado do coração, por estar agindo de uma forma independente, e assim tem criado todo tipo de dano, quando ela faz você acreditar que você é “alguém” no mundo. É apenas isso que a mente tem feito: tem lhe dado a crença de que você é mundano. 

Esse trabalho se propõe a ajudá-lo a perceber essa Realidade, essa Inteligência absoluta. Isso só é possível quando você retorna ao Coração, com nossa fala, nosso olhar, ouvir e sentir, enfim, a nossa vida estabelecida inteira e completamente no Coração, nessa absoluta Realidade, Inteligência pura. Quando essa absoluta Realidade está brilhando em toda sua glória, graça e esplendor, nós temos presente essa Inteligência absoluta, essa Sabedoria absoluta.

É como um dia de sol sem nuvens. Quando tratamos dessa realização, nós estamos tratando dessa absoluta, pura, Inteligência, que é esse dia de sol sem nuvens. Quando a mente egoica aparece é como uma pequena nuvem que cobre esse sol. Um dia Ramana levantou um dos seus dedos e disse: “esse dedo é um dedo pequeno, mas ele pode cobrir o sol”. Quando você coloca o seu dedo na frente de um dos olhos, é um dedo pequeno, mas ele pode cobrir, ocultar o sol. Quando uma nuvem pequena surge lá em cima, ela, também, pode cobrir o sol. A pessoa, em sua ignorância, diz que não existe sol, porque não pode vê-lo. 

Quando você olha daqui, uma nuvem do tamanho de uma mão é suficiente para cobrir o sol. Mas é você quem vê o Sol coberto, oculto, escondido. Essa é a “pessoa”, em sua ignorância. É a ilusão lhe traz essa experiência. Quando a nuvem cobre o sol, a pessoa ignorante diz que não existe sol, porque ele, ou ela, não compreende claramente isso: o sol está sempre ali, brilhando. O que está cobrindo o sol, na realidade, é só uma experiência, uma ignorante experiência pessoal, dizendo que não há sol. De fato, o sol não está coberto, pois quando a nuvem se dissipa ele brilha novamente, mas, na verdade, ele nunca deixou de brilhar. Assim é a realidade dessa Consciência, Inteligência, dessa absoluta Realidade, que está sempre presente, mas quando a mente se afasta do coração a nuvem cobre o sol. Isso é só uma metáfora que, talvez, não seja totalmente perfeita, mas não importa. 

Você tem deixado essa Inteligência absoluta, essa Consciência da realidade. Assim, você imagina a sua vida cheia de conflitos, problemas, isso porque se identifica como uma “pessoa”, apresenta-se com uma identidade nessa experiência corpo/mente/mundo. Então, você se vê como “alguém” no mundo, mundano, e imagina seus problemas como sendo reais, semelhante a essa pessoa ignorante, que imagina não haver o sol. Isto porque ela só está vendo aquilo que pode ver, que são as nuvens... As nuvens de suas crenças, ideias, de seus conceitos e preconceitos, desejos, medos, preocupações. São, somente, crenças; é a mente afastada dessa Consciência, dessa Presença, dessa Inteligência absoluta... Afastada do coração. Isso me soa como algo dito de uma forma muito real, verdadeira... Soa como algo muito simples.

Você tem se identificado com o mal, com a negatividade, com o pessimismo, com o derrotismo ou com as esperanças, os desejos e os sonhos, com o pior ou o melhor da vida. Esse “pior da vida” e “melhor da vida” é o pior e o melhor que a mente diz que existe. Para mim, basicamente, isso é estar fora dessa Inteligência absoluta, que é Consciência, Realidade e Sabedoria. Então, você se identifica com errôneas, equivocadas condições, sejam elas positivas ou negativas. Você confunde a sua vida com essas condições, e essas condições são apenas crenças mentais. Assim, você conserva essas nuvens.

Em Satsang nossa proposta é a dissipação da ilusão dessas nuvens, as nuvens dos seus problemas. Não estamos preocupados com seus problemas. Não é, exatamente, com essa nuvem ou aquela, em particular, que estamos preocupados. Aqui, não estamos nos ocupando de nos preocuparmos com essa, aquela ou todas as nuvens. Estamos nos ocupando em nos libertamos dessa ilusão, que é a ilusão de que existem nuvens, e isso significa o fim da ilusão dos problemas. Uma vez que você esteja de volta ao Coração, seu sol brilhará novamente e cada coisa, em sua vida, será impregnada desta Presença, Consciência, Inteligência absoluta. 

Isso é estranho para você? Você prefere seus sonhos, esperanças e desejos? Ganhar na loto? Encontrar um novo casamento? Ou a felicidade em uma realização profissional? 

Estamos tratando em Satsang do fim da ilusão, que é a ilusão da separação, da separatividade, do sentido de “alguém” presente no mundo. A experiência direta daqueles que realizam e realizaram essa compreensão é de que quanto mais você se ocupa com a “pessoa” que você acredita ser, mais problemas você tem.  Isto porque só você tem problemas. A vida não tem problemas. A pessoa tem problemas, a vida não conhece problemas. A pessoa não conhece a vida e só conhece problemas. 

Você diz: “eu prefiro a real situação da vida”.  A pergunta é: “o que significa uma real situação da vida”? A vida conhece situações. Se tiver “alguém” que prefere algo, esse “alguém” está preso às suas preferências; se as coisas acontecerem de uma forma como não prefere que aconteça, ele está em conflito. É necessário se libertar da ilusão de ser “alguém que prefere algo”. Quando você diz “mas é no sentido da verdade”, no “sentido da verdade” não há preferência, pois na Verdade não há escolha... A mente escolhe, a pessoa escolhe. A Verdade é impessoal, é essa própria Presença que resplandece, brilha, é autoefulgente. Nela “você” não está, o “eu” não está, assim como o “mim”, o sentido de “alguém”. Isto significa o Despertar. 

O ponto é que ele, ou ela, não compreende Isso. Essa ou aquela pessoa jamais compreenderá Isso. O Despertar está além da pessoa. As pessoas querem saber o que é essa Realidade absoluta, querem encontrar Deus, a Verdade, mas elas não podem. Deus é o final dessa ilusão da “pessoa”. Essa absoluta Realidade é o final dessa ilusão, que é a ilusão de “alguém” que pode encontrá-la... É o final da ilusão de estar no mundo, sendo “alguém” vivendo uma experiência humana, corpórea, pessoal, individual, como parte de uma estrutura cultural e social. Tudo isso precisa terminar, porque só tem continuidade na ilusão, não na verdade. Nosso interesse e empenho total nesses encontros é o fim do sentido do “mim”, do “eu”, e isso é completamente devastador. 

Você pergunta: “então, só estamos aqui para nos dissolver?” Eu diria que nós só estamos aqui para descobrir que não estamos aqui. Estamos aqui para descobrir que não somos absolutamente coisa alguma, algo para se dissolver. Nós somos absolutamente nada... Nada é o que nós somos, de forma absoluta, e isso é pura Consciência, pura Inteligência, absoluta Realidade, absoluta Verdade. Isso significa Iluminação, Despertar, Realização de Deus, ou como nós queiramos chamar Isto, mas é o fim do “eu” e das crenças, sejam elas as crenças dos bêbados dos botequins ou as dos filósofos; as crenças mundanas ou as espirituais; as crenças tolas ou as sábias. 

Vocês não estão aqui para aprender algo, mas sim para descobrir que não há qualquer coisa para “alguém”, que não há esse “alguém” que pode ou precisa aprender algo, ou, ainda, descobrir alguma coisa. A questão não é “se tornar”, não é “vir a ser”, não é “chegar”. A questão é mergulhar nesse Silêncio... É ir além da ilusão do pensamento, dessas imaginações que o pensamento cria; ir além dessas ideias e descrenças, dos conceitos e das noções de certo e errado. Você está aqui apenas para ser e para ser você não precisa “vir a ser”, “se tornar”, “chegar”. É uma simples questão de “voltar”, de “se tornar”, mas este “se tornar” não é uma ação positiva no sentido do fazer algo, mas do relaxar em Ser. É isso o que nós chamamos de Meditação e isto significa a dissipação dessas nuvens, ou da única nuvem, que é a ilusão da separatividade.

Essas falas são de pura investigação e a investigação apenas constata o que é; não produz provas, apenas constata o que já está ali.  Ela não vai alterar a cena, o quadro; não vai mudar ou acrescentar; ela vai constatar. A Sabedoria, tal qual a Verdade, é algo assim: constatável e não pode ser produzida.  Assim é Deus, o Amor, a Paz, essa Verdade sobre você. Isto é constatável, mas não pense sobre isso, pois assim você estará de volta à mente, afastando-se novamente do Coração, dessa direta e simples Realidade que é Ser, que é Meditação. 

A verdade é que pessoas não se aproximam desses encontros para irem além dessa ilusão. Elas querem, em seus dias mesmo sem o sol, um pouco de luz, de claridade. Elas não querem ver as nuvens dissipadas, que são suas crenças, teorias, conceitos, ideologias, convicções... Querem ter isso e ao mesmo tempo um dia iluminado. Elas não estão interessadas no Sol, o Sol da Realidade, Verdade e Inteligência absolutas, porque Isso seria o fim dos seus dias, desses dias que elas imaginam que poderiam ser dias melhores. Isto significa o fim da “pessoa” e seus dias. Na Índia, esse Sol sem dias pessoais eles chamam de Samadhi... Essa vida direta no Coração, como pura Presença, Consciência... Como Realidade e Inteligência impessoais. 

São poucos, bem poucos, os que estão dispostos a Isso, pois significa o fim da “pessoa” e sua história. Há muito conforto nas crenças, embora seja muito desconfortável. A crença traz conforto, mas um conforto muito assustado, muito cheio de medo, mas a pessoa adora isso. O ego prefere o conforto desconfortável e medroso de suas crenças do que o fim completo de suas crenças e desse desconfortável conforto... Sem isso ele não é nada e é desse Nada que estamos tratando em Satsang... Esse Nada absoluto que é pura Consciência, pura Realidade.

A verdade é que você, de fato, não quer Despertar, apesar de parecer que não quer dormir. Ouvir só a fala talvez seja algo muito inofensivo. Você não quer Despertar, apenas ser... Ser o seu próprio Ser. Quem quer a Verdade? Quem quer Despertar? Compreendem isso? Eu quero lhe dar Isso! Todo o meu esforço está nessa direção, mas você está muito encantado com seus dias nublados. 

*transcrito a partir de um encontro online via Paltalk na noite de 10 de Agosto de 2016 - Encontros todas as segundas, quartas e sextas às 22h - Participe 

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

O Florescer da Verdade


 
Esse momento, em Satsang, é o momento do florescer dessa Verdade, que é essa Realidade que respira como Você; é a cessação, é o fim dessa continuidade; é a solução dessa continuidade; é o fim de todas essas expressões do medo. 

Todos só conhecem – ou, na mente, só podem conhecer – os padrões que se repetem, que fazem parte desse conjunto cultural, humano, social, educacional. Isso é algo que se tornou habitual, comum, bastante natural para ser questionado, para haver qualquer dúvida sobre a validade ou realidade disso como sendo a Vida Real.

Por isso, não há outra forma de você despertar, de realizar Deus, realizar a Verdade sobre si mesmo, a não ser que isso seja questionado. É quando você é desafiado a ir além da inveja, além do ciúme, além do apego e do desapego, além do desejo e do não desejo, além desse, assim chamado, “amor”, que carrega o ódio como seu oposto. É aí que está o que é tão apreciado socialmente, humanamente, culturalmente, como relacionamentos humanos... Essa bela e antiga questão da família.

Amor é Consciência e Nele há Liberdade. Essa Liberdade está presente quando a Realidade da Verdade está presente, e isso está presente como Você, quando respira como a expressão do seu Ser, como a expressão do seu Coração. É necessário o despertar da Sabedoria, e isso acontece quando o Amor floresce na Verdade dessa Realidade.

Então, Ela tem que tomar forma, tem que estar brilhando em seus olhos, tem que estar na melodia da canção da sua fala, na transparência desse corpo físico, que aparece dentro de um cenário – mas Ela aparece como o próprio cenário, sem se separar dele; não é um elemento dentro do cenário, é todo o cenário Nela e Ela em todo o cenário. 

Iluminação é isso! É o fim do sentido de alguém no contexto do existir como uma entidade experimentando, sendo alguém para alguns, e tendo alguns para si mesmo – ele sendo alguém, ou ela sendo alguém. É essa Consciência, essa Presença, essa Realidade, essa Verdade, Aquilo que é Você, como Você, que respira, que é real, como Deus é real. Ele só pode ser real em Você. Se Ele não se apresenta como Você, ele é só uma crença, da qual o pensamento pode tratar, sobre o qual pode-se criar grandes tratados, escrever muitos livros... Outros irão ler esses livros e irão ficar cansados, porque teoria não enche barriga, cardápio não alimenta ninguém.

Isso precisa estar vivo! Vou repetir: Isso precisa estar vivo!

Os sacerdotes não conseguem fazer isso! Os representantes de Deus não conseguem fazer isso! Os, assim chamados, Gurus não conseguem fazer isso! Os professores de filosofia e de religião não conseguem fazer isso! Tratam muito bem de trazer o cardápio e lhe apresentar pratos deliciosos, mas deixam você com água na boca...
 
*Transcrito a partir de um vídeo gravado no Ramanashram Gualberto na cidade de Campos do Jorão em Junho de 2016

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Você está pronto?


O que me parece o grande problema é vocês não compreenderem o que vieram fazer aqui. Colocam tempo, dinheiro, chegam aqui e não compreendem que esse momento, aqui, é um momento de bem-aventurança, de Consciência; é um momento de Liberação, de Amor, de Deus na sua vida; é um momento de Verdade, mas parece que vocês não valorizam isso. 

Tem sido assim há milhões de anos. A ilusão tem se sustentado, permanecido, em particular, há milhares de anos, para o, assim chamado, ser humano, e você, vindo ao Satsang, tem um recado desse... É a Consciência, a Presença falando com você. É a Verdade se expressando para você, mesmo ela não precisando se autoexpressar. Ela, que não se expressa nunca, coloca Isso numa linguagem humana, também, para você ir além dessa ilusão de "ser um ser humano", para que você seja somente O que Você é, mas você não aprecia isso. 

Alguém ontem perguntou: "Você pode me dar Isso? A gente pode receber isso?" Perguntaram isso para Ramana. O U. G. Krishnamurti, quando foi até Ramana, perguntou: "Senhor, existe iluminação?" Ramana respondeu que sim. Então, ele perguntou, ainda:  "Senhor, você pode me dar isso?" Ramana olhou em seus olhos e disse: "Posso, mas você pode receber?" 

Então... você está pronto? Esta é a pergunta. Parece-me que essa é a grande dificuldade. Vocês parecem que estão vindo assistir a um palestrante, ouvir um terapeuta... Não sei... Parece que, nessas falas, eu tenho que convencê-los de que vocês precisam Disso. 

Vocês não vêm nem com a maturidade de perceber o quanto é infantil não reconhecer a Verdade, essa coisa tão premente, tão urgente, de ir além do ego, do “eu”; ir além dessa ilusão, dessas crenças de ser uma "pessoa" no corpo, como a namorada ou o filho de alguém; o pai, a mãe... Eu fico aqui e parece que tenho que tentar convencer uma de vocês de que ela não é mãe, que não tem ninguém como mãe, que é uma mentira isso. 

Todo dia você acorda pela manhã para reconhecer que você não é uma pessoa e que não faz a menor diferença, como uma entidade separada, nesse planeta Terra, muito menos no Universo.

O corpo volta para a terra, o corpo é da terra, o corpo é a terra. Não tem mais nada. O corpo vai para a terra. O corpo é composto de quê? De água, cálcio, sais minerais... é tudo terra, terra e água... Acabou... O resto são só sonhos, semelhantes aos sonhos que você tem à noite. Quando você sonha que está fazendo algo e acorda, percebe que aquilo era uma mentira, não era real. É a mesma coisa essa "sua vida” aqui; é só isso: um sonho. Compreendem isso? Um sonho, mas nesse sonho você acredita que é mãe, que tem que tomar conta, proteger e que tem que salvar, ajudar, apiedar-se, que "tem que"... Tudo mentira, faz de conta. 

Para o Jnani, aquele que está livre do ego, tudo é uma grande comédia, uma grande piada, uma coisa muito engraçada, porque Ele não se vê separado de nada. Tudo é esse Amor, essa Graça, essa Liberdade, mas Ele não está nesse sonho (de ser pai, mãe, filho, mulher, namorada...). 

É preciso abandonar esse sonho. Como vocês vão trabalhar essa Liberação se não começarem a fazer isso agora, já? Vocês têm que fazer isso agora! 

Alguém diz assim: "Mas... olhe, eu não estou pronto." Se você não está pronto, dê seu jeito, torne-se pronto, porque o momento é este. Você não pode deixar este momento para depois. É agora que você tem que se tornar pronto, porque ninguém tem que se tornar pronto no seu lugar... é você mesmo! Se você não está pronto, fique pronto agora! 

*fala transcrita a partir do encontro presencial de João Pessoa em Julho de 2014

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