segunda-feira, 4 de julho de 2016

Esse vazio é o absoluto


Olá pessoal, sejam todos bem-vindos a mais esse encontro aqui pelo Paltalk!

O que traz você a essa sala? Qual é a razão de você estar nesse encontro, nesse espaço chamado Satsang? O que esse espaço lhe mostra, o que esse espaço lhe revela, afinal?

Quem é você? Essa é uma grande pergunta! O fato é que nós experimentamos todas as coisas como uma aparição e uma desaparição. A questão é: quem é aquele que experimenta isso? Tem alguém ou é só a experiência, a pura e direta experiência? Há algo que percebe tudo. O que é Aquilo que tudo percebe? O que é esse “algo” que percebe tudo? Essa experiência, agora mesmo, de ouvir ou de escrever...

Nossos encontros têm o propósito de, juntos, investigarmos a natureza dessa experiência. Estamos, aqui, investigando a natureza última dessa experiência de ouvir essa fala, ou de olhar para essa tela, ou de estar sentado no quarto ou na sala ou diante da mesa do computador... Essa experiência de expressar ideias, verbalizar palavras ou ouvir palavras... O que significa essa experiência? Onde ela acontece?

A ideia de estar acontecendo “comigo” ou “para mim” é só uma ideia. O pensamento “pensa”: esta fala está sendo dirigida a alguém – esse alguém sou eu – e tem alguém fazendo uso da palavra, que está falando. Ou seja, tem alguém falando, tem alguém ouvindo, alguém escrevendo, alguém olhando para a tela do computador, assentado à mesa do computador...

Nossa ênfase, nesses encontros, nessas falas, é lhe apontar a ausência dessa entidade presente. A ilusão é acreditar numa entidade presente nessa experiência. Nessa sala, nós estamos apontando para a ausência dessa entidade, dessa pessoa que você acredita ser, que parece estar ouvindo, ou olhando para a tela, ou escrevendo alguma coisa agora, ou tendo que aprender alguma coisa... Isso não é verdade, e é aí que está a ilusão. Há somente a experiência acontecendo nesse instante, sempre nesse instante, uma experiência sem autor, sem agente. Não há transmissor ou receptor, não há sujeito ou objeto, não há ouvintes e palestrante, não há discípulos e mestre.

Nós nunca relaxamos nesse Estado Natural, há sempre essa tensão para deixar de ser alguma coisa, deixar de ser alguém. Tentar ser algo ou deixar de algo; tentar ser alguém ou deixar de ser alguém... Esse momento de encontro com Aquilo que somos é um momento em que esse alguém ou esse algo desaparece.

Nós nunca experimentamos, diretamente, qualquer coisa. Tudo o que experimentamos são aparições e desaparições. Experimentamos sensações, pensamentos, sentimentos, os sons que ouvimos, e isso aparece e desaparece. Quando eu digo “ouvimos”, quero dizer que há só o ouvir, e não alguém ouvindo. Então, tudo o que experimentamos, na verdade, nós não experimentamos, pois há somente o experimentar, a pura e direta “experiência do experimentar”.

Quando você julga que isso está acontecendo para você, para esse alguém que você acredita ser, você assume a ilusão de uma identidade. Quando isso acontece, esse “eu” fica dentro desse estado egoico circunstancial, sujeito a todo tipo de conflito, todo tipo de contrariedade, de sofrimento, de aborrecimento, e aí está a ilusão do “eu”, do “mim”, da pessoa, daquele que acredita que está tendo essa experiência. Quando a mente se confunde com o que acontece, o sentido do “eu” aparece. Quando você se confunde com aquilo que se apresenta, torna isso pessoal, e isso o afeta, positiva ou negativamente. No entanto, quer isso o afete positivamente ou negativamente, o próprio sentido de alguém presente nessa experiência é o conflito, é o sofrimento. É exatamente isso que sustenta a ilusão da separação, a ilusão de uma entidade presente naquilo que acontece, nisso que está acontecendo.

Nada está acontecendo, só parece ser assim. Nem nada está acontecendo como, muito menos, está acontecendo para alguém, porque não há esse alguém para o qual algo poderia acontecer. Então, essa busca de ser algo ou de ser alguém é a base da infelicidade, é a base de toda a miséria humana, de todo o conflito existencial.

Agora mesmo, você escuta uma fala que vem desse vazio, desse nada. Esse nada, esse vazio é o Absoluto. Só há o Absoluto! Só há esse experimentar e não alguém nessa experiência. Então, se isso assume o lugar que tem agora, aí, o que assume é Meditação, é essa Presença, é essa Verdade. Isso é Meditação! Meditação é pura Consciência, pura Presença, pura experiência. Não é uma experiência específica de algo, de alguma coisa. É só a experiência. Toda experiência é uma única experiência, que é Consciência.

Essa Meditação é Silêncio, é Consciência, é Presença. É estar completamente vazio de todo o conteúdo, de toda a sujeição a ideias, a crenças, a desejos, a sonhos, a preocupações, a pensamentos, a estar completamente livre para não se perder nisso, para não se identificar com isso, para não assumir essa ilusória identidade nessa experiência do sentir, ou do pensamento, ou da sensação.

Essa Presença é algo não conceitual, indescritível. Ela nunca desaparece, nunca morre. Essa Presença é essa Consciência, é Deus, é essa Verdade. Não há qualquer objeto que possa prender, segurar, atar essa Presença, tal como o corpo ou a mente. Ou seja, nem o corpo nem a mente podem prender Isso, podem aprisionar essa Presença.

Estamos juntos? Dá para acompanhar isso?

Reparem que essa Presença não é pessoal. Dentro dessa fala, você não encontrou “a pessoa e sua história”. Eu não tenho qualquer interesse nisso, porque “pessoa” é só uma ideia, uma crença. Todos os problemas que você tem, você só os tem porque se considera uma pessoa. Problemas pessoais são possíveis apenas na ilusão da pessoa. Se não há essa ilusão, não há problemas. Sofrimento, conflito, medo, depressão, ansiedade, culpa, remorso, ciúmes, inveja, desejo, tudo isso que se constitui problema, só é possível na pessoa. Enquanto houver a ilusão da pessoa, essa ilusão do problema também vai estar presente, e esse ilusório problema será muito real para a pessoa, que por sua vez, não é real.

O seu condicionamento é esse, o condicionamento que recebemos foi esse: você se vê no corpo, na mente, como alguém, dentro de uma história, dentro de um contexto, com um nome e uma forma. E essas experiências – ouvir, falar, sentar, caminhar, sorrir – essas inúmeras experiências, dentro dessa ilusão de condicionamento, parecem estar acontecendo para alguém, para essa pessoa que você acredita ser. Então, é inevitável que você esteja em apuros, uma vez que “você” esteja presente – e estou falando desse “mim”, desse “eu”, dessa pessoa que você acredita ser. Enquanto que essa Presença, que é esse puro experimentar impessoal, não conhece nenhum conflito, nenhum problema, nenhum sofrimento.

Então, seu trabalho aqui é exercitar isso, exercitar essa Verdade que é você em sua Natureza Real, que é Presença, que é Consciência, que é essa pura experiência, que é esse puro experimentar, sem valorizar alguém presente aí. O pensamento, o sentimento, as ações do corpo acontecem no trabalho, na profissão, no caminhar, no sentar, no levantar-se, no comer, deitar, dormir, acordar, ouvir, falar, e você permite que isso seja apenas o que é. E o que é isso? Pura experiência! Não é algo para alguém. Isso, então, não vai valorizar a história desse alguém aí.

Ok? Vamos ficar por aqui! Valeu pelo encontro! Namastê!


*fala transcrita de um encontro online na noite de 22 de Junho de  2016 
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