sexta-feira, 29 de abril de 2016

A Vida Real





O mundo é você, você é o mundo. O mundo está livre quando você está livre. O mundo fica livre de você quando você liberta o mundo.



Essa coisa do ego, que representa papéis e que eu chamei de autoimagem, é algo muito técnico. Você tem que abandonar essa coisa técnica, intelectual, verbal e entrar na prática. E a prática é: o que lhe causa dor, ou saudade, ou onde você está sempre procurando prazer? O que é isso? Onde é que existe “alguém” aí, se situando na realidade?



A Vida é um movimento sem princípio e sem fim, um fluir constante, algo sem espaço e tempo, sem começo e fim, sem fronteiras. Se posicionar no contexto histórico é fazer uma história acontecer. Se não há esse posicionamento, não há história; e se não há história, só há a Vida sem nenhuma limitação, sem nenhuma fronteira. É a Vida pura! Não é a vida de “alguém”, é só a Vida. Um nasce e outro morre, um chega e outro vai... A Vida acontecendo!



Então, essa explosão de respostas na Vida, da própria Vida, da forma como a Vida se expressa – como prazer e dor, alegria e tristeza, chegar e partir, nascer e morrer – é tão natural! Por que você tem que se contextualizar nisso, se fazendo aparecer, sendo tão importante e único, sendo “alguém”?



É uma questão de assumir essas palavras vivencialmente, senão elas ficam no campo dos livros, no campo da descrição, das formulações verbais, das palavras – preto sobre o branco ou verbalizadas, o que dá no mesmo, pois não servem para nada, são um grande entulho de conceitos e de teorias.



Aproveitar cada momento como o único momento, como um portal para essa Vida sem fronteiras e sem limitações, é algo extraordinário, belíssimo, imperdível. Qual é o momento que você está vivendo agora? Você não vai poder viver esse momento depois. Então, esse é “o” momento. É nesse momento que você precisa ver o quanto o sentido de “alguém” ainda aparece, porque, se não aparece esse sentido de alguém, você é a própria Vida. Mas se aparece é uma restrição, é uma limitação, é uma contração, é uma fronteira.



Nesse instante, fique alerta, se mantenha consciente e não sucumba a essa tentação de se contextualizar na história, de se fazer como “alguém”, de tentar se passar por “alguém”. É um trabalho seu, não é um trabalho de Deus. É um trabalho de Deus que é Você. Não é um trabalho que você não faz; é o trabalho de Deus que Você faz, porque Você é Deus.



Você acha que Ele vai vir do céu para libertar você dos seus apuros, daquilo que eu acabei de chamar de se contextualizar em uma história fictícia, criada pelo pensamento? Não! Deus não está interessado em seus problemas. Deus está interessado Nele, que é Você! Deus está interessado em Você que é Ele, mas não nos problemas que o pensamento cria se contextualizando, fazendo essa história ser real. Não é Real... Não é mesmo! 


É isso!

*Fala transcrita a partir de um encontro presencial na cidade de Fortaleza em Abril de 2016
 

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Uma guiança de liberdade e amor





Essas falas e palavras são meras expressões do pensamento. Em geral, nós estamos condicionados a confiar no pensamento, nessas imagens que surgem, porque o pensamento sempre aparece representando imagens e as imagens são muito importantes para o ego.

Quando falamos de ego, aqui nós estamos falando dessa ilusão do sentido de separação que está presente, até que isso seja profundamente investigado. Uma vez isso investigado, acontece um colapso dessa ilusão, que é a ilusão do “eu”, a ilusão da separatividade, e, quando isso termina, toda essa importância de “imagens”, também, termina... É quando o pensamento não tem mais importância, e, portanto, as palavras não são importantes, uma vez que essas palavras representam essas imagens. Aqui, até certo ponto, nós fazemos o uso da fala e naturalmente estamos expressando ideias. Essas ideias, que representam imagens, são apenas pensamentos, e, assim, não estamos lidando com a realidade, estamos lidando com ideias. Eu quero convidá-los a ficarem com aquilo que é relevante, e aqui o relevante é Aquilo que está fora dessas ideias, desses pensamentos, dessas imagens, que é essa Presença, que é esse Silêncio.

Deixe-me falar um pouco, para você hoje, sobre essa questão da dualidade. A dualidade sempre aparece entre dois objetos, e é também só uma ilusão, uma expressão do pensamento. Quando falamos de "alguém" presente pensando, ouvindo, vendo e sentindo, estamos falando da ilusão da separatividade. Isso é somente uma criação do pensamento. Então, nós temos aquele que pensa e o pensamento, aquele que escuta e aquilo que é escutado, aquele que sente e o próprio sentimento, e isto está assentado em uma ilusão – a ilusão de que nessa experiência estão presentes duas partes, dois objetos. Basicamente, essa questão da dualidade é assim tão simples.

O que nós temos colocado em Satsang é que a Consciência não conhece objetos, a Consciência não conhece dualidade. Portanto, aqui quando falamos de Consciência, estamos falando dessa Presença, dessa única Presença não dual. Deste modo, Isso não conhece objeto. Assim, não há um sujeito numa relação com o objeto. Isso é só uma coisa aparente. Portanto, nessa noite, nesse encontro, nesse instante, estamos apenas como pura Presença, presenciando, sem qualquer separação, este único fenômeno chamado “Consciência”.

Então, não há um palestrante com os seus ouvintes, não há aqui um orador diante de uma plateia ou de uma audiência. É um único, sendo o mesmo, fenômeno e isso basicamente é Silêncio. Portanto, ao ouvir esta fala não se separe, senão você vai perder a fala. Se você criar a ilusão de que precisa entender o que está sendo dito, você já se separa como um sensor, um juiz, "alguém" que escuta para avaliar, para comparar, para julgar, para dizer “concordo” ou “discordo”; tudo isso internamente é claro. Aí está a ilusão, aí está o sentido de separatividade. Quando você faz isso, de fato, não está nesse ouvir. Esse “ouvir” é o ouvir não-dual. Nesse ouvir, só tem o ouvir; não tem "alguém" dizendo algo para você concordar ou discordar, porque não tem "você", assim como não tem aquele que fala – é um fenômeno, só.

Aquele que está aqui pela primeira vez, ou segunda vez, talvez estranhe isso; tenha paciência e você vai perceber o que estamos apontando neste encontro. A minha sugestão é que você permaneça com esse único "professor"; a minha sugestão para você é que acompanhe isso com o seu coração... Com todo o seu coração, sem se separar.

Esse momento é um momento assim, em que você não precisa de nenhum esforço para acompanhar essa fala. Não tem nada aqui que esteja sendo dito, que requer um grande esforço intelectual de sua parte para ser compreendido, absolutamente. Relaxe e coloque seu coração nisso, não se preocupe em segurar as palavras, em se prender ao significado verbal delas. Há algo maior do que as palavras neste momento, neste instante, aqui, naquilo que nós chamamos de Satsang, que é "o encontro com O que É", encontro com a simples verdade. A verdade deste momento não tem nada de filosófico, nada de espiritual, nada de místico, nada como uma doutrina, um sistema de crenças ou uma filosofia; nada disso.

Estamos simplesmente diante da beleza. A beleza é aquilo que vê, não é aquilo que é visto, não é aquilo que é ouvido; é aquilo que ouve e é aquilo que vê. Então, não há beleza nessas palavras, porque a beleza está Naquilo aonde as palavras estão acontecendo, nesse simples ouvir diretamente. A Verdade é sinônimo de beleza, que é sinônimo de Graça, que é sinônimo de realidade – isso chama-se “Satsang”.

O que chamo de Meditação é aquilo que vê, que ouve, que abarca esse único fenômeno. Nesse fenômeno de ouvir, o som não está separado dele; nesse fenômeno de ver, a experiência do objeto presenciado, também, não está separado – aí está a beleza, aí está a verdade. Esse Estado Natural é a Consciência não-dual, onde não existe o som e aquilo que escuta, onde não existe o objeto visto e aquilo que vê. Essa Consciência é a Presença que escuta, que vê e que experimenta. Não existe qualquer independência de objetos, independência na experiência, não há dualidade, não há separação. Portanto, mais importante que ouvir essas palavras que estão sendo aqui colocadas, pronunciadas, é estar Naquilo que escuta; isso é mais do que ouvir essas palavras, é permanecer Nisto.

Isso significa ser guiado pela liberdade e pelo amor. Liberdade e amor são a Consciência, que não se trata de nenhum entendimento, de nenhuma compreensão verbal, mas desse sentir diretamente. Novamente, eu repito isso: Isso significa ser guiado, não por um conjunto de palavras, um conjunto de ideias, de afirmações verbais, mas ser guiado pela liberdade e pelo amor. Essa experiência da Graça, esse reconhecimento do seu próprio Ser, desse Estado Natural não-dual, que  é Consciência, que é Presença, é algo sempre disponível, não importa o que esteja acontecendo do lado de fora, ou mesmo ao corpo ou a mente; isso é algo além do corpo e da mente.

Alguma pergunta, pessoal? Está muito estranho tudo isso para alguém aqui?

Participante: Mestre eu percebi a unidade por detrás de sua fala.

Mestre Gualberto: Sim, é isso! O Silêncio é algo presente, algo por trás dessa fala, superior a essa fala. Quando você diz "percebi a unidade", eu colocaria que há só a percepção, essa pura e direta percepção e isso basta; a percepção da Realidade, da não dualidade – eu colocaria dessa forma.

Portanto, eu continuo afirmando para vocês isto: não se trata de relações ou relacionamentos entre coisas separadas, pois há somente essa Consciência mesmo, a única Consciência, que é Silêncio e não conhece dualidade.

Um outro nome para essa Consciência não-dual é, como falei há pouco, “Beleza e Amor”.

OK! Vamos ficar por aqui. Valeu pelo encontro! Namastê!  

*Fala transcrita a partir de um encontro online via Paltak no dia  18 de Abril de 2016   

terça-feira, 26 de abril de 2016

Tudo o que você precisa é algo que já se encontra presente






Uma das coisas que eu tenho procurado mostrar a você é que tudo o que, de fato, você precisa é algo que já se encontra presente. O que quer que você faça nessa perseguição, nessa busca da Verdade ou da Realidade, o afasta ainda mais disso, porque você só procura fazer isso com base na crença de que algo está faltando.

Não se trata de fazer algo para a Realização, pois você não pode construir Isso. A Realização não é algo que se constrói. Você, não só, não pode fazer Isso, construir Isso, como também não pode adquirir Isso através de um longo período de estudos e aprimoramentos. A Realização é uma constatação daquilo que já está presente como sua Real Identidade, como sua Divina Natureza. Uma coisa muito clara é essa compreensão de que não é possível alcançar o que já se tem. Não se pode obter aquilo que já se tem. Você não pode alcançar aquilo que você já é! Você não pode realizar, no futuro, aquilo que já está neste presente instante.

Por isso que todo esse esforço de disciplina, práticas e essas tão famosas técnicas de meditação funcionam apenas como um afastamento ainda maior, porque a ideia central é a de que há "alguém" para obter alguma coisa, e a Realidade, ou Verdade, não pode ser obtida. Não há "alguém" para obter Isso! Uma coisa muito comum é a mente passar por alguma experiência e confundir essa experiência com uma realização - uma realização que ela pode segurar, sustentar, manter. E essa experiência, puramente mental, passa agora a ser uma propriedade dessa ilusão de alguém que vivenciou isso, experimentou isso, realizou isso, enquanto que a nossa ênfase aqui é o Estado Natural. Esse Estado Natural não pode ser alcançado após uma longa perseguição. Você está sempre nesse Estado. O seu Estado Natural é Meditação – o seu Estado Divino sempre presente. O seu Estado Natural é Deus!

Portanto, não é uma prática, não é algo que se obtém, é algo que se constata, é algo que se percebe presente. No entanto, esse perceber, esse constatar, não é uma experiência mental, não é algo que depois fará parte de uma memória. E  não têm sido assim essas chamadas experiências espirituais.

O meu convite a você é para esta ausência... esta ausência do sentido de alguém, esta presença desta única Realidade, que não se pode obter, não se pode realizar, não se pode alcançar, mas que é possível se constatar.

Assim, estamos diante de algo que é simplesmente maravilhoso, inexplicável, inominável. Estamos diante de nossa Natureza Real, de nossa Natureza Essencial. Estamos diante daquilo que somos! Este Silêncio é a Verdade. Este momento sempre é o momento desta constatação. Este momento sempre é o momento revelador.

Vamos ficar por aqui. Namastê!


*Transcrito a partir de uma fala de um encontro online na noite de 15 de Abril de 2016. 
Encontros online às segundas, quartas e sextas-feiras, às 22hs

segunda-feira, 25 de abril de 2016

O que podemos fazer para servir o nosso próximo?




Participante: Mestre, como você vê toda essa questão ambiental, essa responsabilidade que todos nós temos com o meio ambiente, com o planeta, e com o outro? Em dar uma contribuição para que outros sejam felizes e possam ter uma qualidade de vida melhor? Essa questão social sempre me preocupou muito. Acho que há algo fora do lugar, mas não sei o que fazer. O que podemos fazer para servir ao nosso próximo e ficar no nosso lugar certo? 

Mestre Gualberto: Você quer mesmo o bem do outro? Como sabe do que o outro precisa?  Você sabe quem é o outro? Você sabe quem é você? Conhece mesmo a necessidade do planeta? Onde ele é visto? Onde está o lugar de cada coisa? Não vê que não sabe nada e tudo o que tem sobre si mesmo, sobre o outro, sobre o planeta e sobre a vida são ideias? 

Se não sabe quem é você, como sabe o que anda acontecendo no mundo, acontecendo no planeta, acontecendo com o outro? Acredita que está no controle, que tem uma contribuição, uma responsabilidade, e que é alguém importante, mas eu lhe pergunto: quem é você? 

Sabe o que você pode realmente fazer? A única coisa que você pode fazer é se livrar dessa ilusão de ser alguém. Você está aqui, em Satsang, para olhar para isso. Se isso se assenta aí, esta Graça toma posse de você. Ela já é você, e você é uma bênção! 

É a mesma Graça que está fazendo tudo: caminhando em forma de formiga, nadando em forma de baleia, cantando em forma de pássaros, ou brilhando na forma do sol. Só então você sabe verdadeiramente! Só assim Você sabe! Somente Deus sabe! Então, tudo está bastante claro e é muito simples. Tudo já é uma grande bênção como é, e está em seu único lugar. Este é o seu lugar, que é o lugar de Deus.

*Transcrição de um encontro presencial em novembro de 2012

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