domingo, 31 de maio de 2015

O caminho é permanecer em sua Natureza Real


A vida é algo sempre presente como uma oportunidade para esse reconhecimento da realidade da “não-mente”. É possível na vida enxergarmos claramente isso, termos isso muito claro e nítido. O seu trabalho é constatar isso, tanto nas experiências e nos estados internos, quanto nos pensamentos e na percepção direta de lugares, coisas e pessoas. É algo como uma bela oportunidade. Não temos que procurar isso, porque isso já está presente, e a vida já nos apresenta esta oportunidade e estamos sempre lidando com isso. Estará, sempre, surgindo essa oportunidade do reconhecimento direto, claro e nítido de algo acontecendo nesse momento. No entanto, isso que está acontecendo, e que aqui chamamos de “movimento da vida”, não afeta de forma alguma essa Consciência, Presença. É ela que torna possível isso, não podemos negar; é algo inegável. Ela torna possível aquilo que aqui chamamos de “vida acontecendo”.

Tudo o que surge, que aparece, que acontece, assim como tudo o que também não acontece, é para todos nós essa oportunidade. Nada pode aparecer, surgir ou acontecer sem essa energia, sem essa Presença. Assim, na mente, você se confunde com essas experiências, esses pensamentos e essas percepções, ou permanece não identificado com isso. Se você permanece não identificado, você começa a perceber que toda essa aflição, todo esse conflito, medo, e toda essa resistência à vida, cai, desaparece. É quando você, como Consciência, não identificado com a mente egoica, está nesse fluxo da vida, sem resistência. É disso que tratamos em Satsang: falamos do Estado Natural, estado livre do ego, livre de resistência. 
 
Isso não é algo que possa ser cultivado; não podemos cultivar isso, porque é algo que requer Consciência, Presença. Você não pode levar isso de um momento para o outro; é algo que tem que estar presente nesse instante, nesse momento, e no momento seguinte…. e no outro. Você não pode cultivar a Consciência, a Presença, esse estado de alerteza. Você pergunta para mim quando isso se tornará natural? Isso é natural agora, aqui, nesse instante, nesse momento de atenção, de Presença, de Consciência. Então, o futuro não importa. Essa ideia de conseguir isso, conquistar isso, levar isso para amanhã, não importa. 
 
Evidente que chega um momento em que essa Consciência, essa Presença, essa alerteza, é tão natural que você, no agora, se encontra em seu Estado Natural. Você não pode mais ser capturado pela ilusão do pensamento e de um experimentador presente, nem no pensamento, nem na sensação, nem na percepção, nem na experiência. É uma questão de trabalho, de Meditação.

Repare que meditação não é uma prática, como algo em que você se aprimora. Meditação é algo presente nesta Consciência, nesta alerteza; vem e aparece completa. Meditação não é algo que cresce, evolui, progride, e sim algo presente neste instante, nessa totalidade. Chega um ponto, um momento em que não há mais sofrimento, porque não há mais ilusão, não há mais a identificação com o sentido de um “eu”, uma identidade presente tentando resolver, escolher, preferir. É como uma dança na qual o que importa é o ritmo da música, ritmo este que determina o movimento. Aqui o ritmo da vida – a vida como ela é – determina absolutamente tudo.

Estamos falando do real, no sentido absoluto, que tem que ser verdadeiro em qualquer momento e situação, sem nenhuma possibilidade de escolha e de qualquer decisão pessoal. Os Sábios, os Mestres, os Acordados de todos os tempos sempre nos falaram sobre esta Verdade, bem como onde encontrá-la. Eles nos dizem, e sempre nos disseram, que Isto não está no tempo, pois é algo presente nesse instante, nessa Presença que somos; é algo dentro de nós, e não algo no mundo, lá fora; não é algo nas ideias, que podemos aprender, estudar, mas é algo já presente em nossa experiência direta. Essa experiência direta é a presença daquilo, livre do experimentador, que somos; é a pura experiência de Ser nesta Consciência, algo que já está aqui. Isso significa que nós não podemos compreender ou entender esta coisa, pois não é um objeto, algo a ser aprendido, que podemos estudar ou sobre a qual podemos discutir. 
 
A Consciência não é um objeto, é a própria Presença daquilo que somos, e está além da ideia de sujeito e de objeto; é algo livre daquilo que é observado e do próprio observador. É aquilo que contém a aparição do observado e contém, também, essa ilusão de um observador. Isso é algo que sempre esteve aqui. A palavra “sempre”, como já coloquei algumas vezes, não é uma boa palavra. Isso que está aqui, só está aqui. É a única Realidade atemporal, muito além de toda definição e da ideia de tempo. (risos)

Participante: Mestre está dando um nó na mente. Estou querendo entender quem é o observador.

Mestre Gualberto: A tentativa de alcançar Isso por meio do pensamento é a ilusão da presença de “alguém” capaz de apreender e entender isso. Relaxe e escute: você diz “estou querendo entender quem é o observador”, e lhe digo que o observador é aquela ilusão daquele que observa, daquilo que é observado. O observador sempre aparece com aquilo que é observado, e desaparece, também, junto com ele. Aquilo que é observado somente é real para o observador. Se não é observado, onde está o observador? Onde está a realidade daquilo que não pode ser observado? Então, repare que aquilo que é observado aparece com o observador, e ambos aparecem e desaparecem simultaneamente, não sendo real, portanto. A Realidade é aquilo no qual tanto o observador como o observado aparecem e desaparecem. Dê um salto para além do pensamento, da imagem, da ideia, e assim fica Aquilo que é intocável, incognoscível. 
 
Estamos apontando em Satsang para aquilo que É. E isso está além dessa aparição e desaparição, do sujeito e do objeto, do observador e da coisa observada. Quando você diz “estou querendo entender quem é o observador”, isso significa algo sendo capturado por aquele que entende, e aquilo que é capturado por aquele que entende aparece em conjunto; essas duas coisas aparecem juntas: aquele que entende e aquilo que é capturado. Ainda estamos tratando de uma limitação, de uma ilusão, de uma aparição. A pergunta é: onde isto aparece? Onde aparece isso que é observado, quando este observador não está? Onde aparece este observador, se não há essa coisa observada?

Estamos tratando desta indescritível, inominável e incognoscível Presença, da Consciência, de sua Natureza Real. Repare que isso não está limitado ao corpo e nem à mente. O corpo é uma experiência, a mente é uma experiência, esta podendo ser descrita por um observador, mas a pergunta é: onde aparece e desaparece esta experiência?

Participante: Então, o caminho é desviar o olhar quando a observação aparece?

Mestre Gualberto: O caminho é permanecer em sua Natureza Real, que não se preocupa com o que é observado. Isso significa que não se ocupa com o observador, por estar além de ambos, observado e observador. O único caminho é: permaneça em seu Estado Natural, que é pura Consciência não identificada com a experiência, com o observador e com a coisa observada. Permaneça além dessa identificação, da experiência mente e corpo, e o que quer que apareça como mente, como o corpo ou como o mundo, que não é de sua alçada, não é de seu interesse, não é um assunto seu. Isso é só o que é, e você, em sua Natureza Real, está livre dessa aparição. Colocamos de uma forma bem direta: qualquer aparição não tem importância nenhuma. Se seus sentimentos, pensamentos, emoções, sensações e percepções aparecem para o sentido de “alguém”, aí se encontra a ilusão. Mas, se são apenas aparições sem importância para o sentido de “alguém”, não causam nenhum problema, não há nenhum conflito, medo ou sofrimento; é somente a vida, como ela é. 

Essa é a proposta em Satsang: permaneça em seu Estado Natural, que é o estado livre de todos os estados, livre do estado “eu sou a mente e eu sou o corpo”. Você não é a experiência do pensador no pensamento, daquilo que sente na sensação, daquele que está emocionado na emoção, ou que está percebendo na percepção. Você é Consciência, é esta Presença livre desse conteúdo.

Participante: Neste estado de ser posso interagir com o externo?

Mestre Gualberto: Não! Não tem você interagindo com o externo. Não tem você e não tem o externo. Só há essa única Consciência. Essa única Consciência é pura Consciência. Essa pura Consciência é ação, não é a ação de “alguém”; nessa ação não há interno e nem externo. Estou dizendo que não há experimentador e experiência, não há pensador e pensamento, não há observador e coisa observada. A ideia de ser “alguém” presente é a crença de interagir, ou seja, “alguém” presente dentro, interagindo com um mundo do lado de fora. Não existe alguém dentro, não existe um mundo do lado de fora, pois nada disso é real.

Participante: Entendi, grato.

Mestre Gualberto: Esse é o equívoco, porque Isso não pode ser entendido, não pode ter alguém capaz de entender isso. A constatação dessa Verdade é uma experiência direta, sem o experimentador. Não é possível haver entendimento sobre Isso, mas sim a vivência direta do que está sendo colocado, porém, não a vivência, o entendimento ou a compreensão de “alguém”.

Participante: Mestre, então a todo momento eu estou identificada com aparições. Como esse trabalho acontece, então? O que tenho que fazer?

Mestre Gualberto: A única coisa possível aqui é a não identificação com o sentido de “alguém” na experiência. Esse é um fazer “não-fazer”. Eu chamo isso de estar quieto, permanecer quieto, descobrir o que é estar quieto, sem esforço de estar quieto. É possível descobrirmos isso no silêncio desta Presença, que é Consciência, que eu chamo de Satsang presencial. Não é um trabalho seu, e que “alguém” possa fazer. Então, a pergunta não é “o que tenho que fazer?”, mas sim “o que significa desistir de tentar fazer?”; “o que significa a pura experiência, sem o experimentador?”; “o que sou eu ou quem sou eu?” 
 
Por hoje vamos ficar por aqui, grato a todos pela presença. Namastê.


*Extraído de uma fala ocorrida via Paltalk Senses no dia 20 de Maio de 2015


sexta-feira, 29 de maio de 2015

Não existe Iluminação fora do que está aqui - Satsang

 


Questionador: Mestre, eu não entendo. Algumas vezes sinto que posso fazer alguma coisa, mas quando estamos juntos em Satsang fica tudo muito claro, e o desejo de fazer alguma coisa desaparece completamente. Já me sinto em paz, em silêncio... Há muita alegria aqui! O que acontece, então?

Mestre Gualberto: Você não pode realizar ou deixar de realizar a Verdade, porque você não existe como acredita existir. Sua insistência é somente uma ideia teimosa. Este "você" é só uma ideia. Tudo isso é somente uma ideia que o afasta do que realmente está aqui, neste momento.

Apenas viva, sem passado e sem futuro. Ontem foi o presente vivo acontecendo, e amanhã será o presente vivo acontecendo também. Onde está "você" em tudo isso? Você realmente é tudo isso que está acontecendo agora, aqui em Satsang; esta vida no presente momento, sem qualquer resistência.

Isso é Liberdade, Completude, Paz, Felicidade e não-dualismo. Eu, geralmente, digo que nada acontece em Satsang, porque aqui não há "alguém" fazendo, ou não fazendo, e você constata que é bom estar aqui exatamente por isso.

Questionador: Mestre, por que estou sempre em sofrimento? Às vezes estou tão bem, mas bate uma tristeza, uma inconformação, um nervosismo. Já notei que sempre tem um pensamento por trás disso. Em seu caso, como você lida com os pensamentos?

Mestre Gualberto: Minha resposta também é a sua resposta, e a de todos aqui. Falar sobre mim é falar sobre você. Não há perguntas nem respostas individuais. Não existem indivíduos, pessoas, histórias e problemas pessoais, apenas aparentemente. Assim, não estou respondendo nada para você, estou falando comigo mesmo, e isso é você falando com você mesmo!

Como é possível, ainda, alguma forma de ilusão ou sofrimento, quando o pensamento é só um pensamento? Quando chove, está chovendo, quando faz sol, está fazendo sol. Assim também são os pensamentos acontecendo. Não discuto com o que acontece, nem do lado de fora, nem do lado de dentro; nem com a chuva, nem com o sol; e nem com os pensamentos. Tudo é o que é.
 
É assim, e isso para mim já é fato. Não me identifico com nada, nem fora, nem dentro. É como quando encontro pela manhã o pneu do carro furado antes de sair de casa. Não discuto com o pneu, não brigo com o carro, nem fico nervoso quanto a isso. É só um fato. Assim são os pensamentos: eles vêm e vão; mas quem se importa? Existe "alguém" nisso? Por que dar tanta importância a isso, se fundindo, se identificando, acreditando em pensamentos que, por sua própria natureza, são temporários? Sou sempre, incondicionalmente, invariavelmente, imutavelmente, ISSO que não muda, que não vem, nem vai.

Assim, não há qualquer ilusão, qualquer sobreposição ao que É. Estou sempre aqui, em Paz, em Amor, em Liberdade, em Felicidade, porque ISSO é o que Sou. E Isso é o que você É.

Somente este momento pode revelar a inocência, o frescor do despertar, nesta simples realidade deste instante. Não há nada real fora do que se encontra aqui. Não existe iluminação fora do que está aqui agora. Quando me perguntam o que estamos fazendo em Satsang, minha resposta é: "descansando".

Questionador: Como assim?

Mestre Gualberto: Sim, descansar nesta Presença! É simples: deixe cair todas as comparações, julgamentos e expectativas. Isso é tudo. É isso que acontece em Satsang. Somente isso e nada mais.


*Extraído de uma fala ocorrida em Abril de 2012

 

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Um Encontro Para Uma Profunda Mudança - Satsang

 
É muito bom estarmos juntos! Esse encontro tem como propósito, como objetivo, qualquer coisa, menos aquilo que parece ser o mais aguardado, o mais esperado, dentro de um encontro em que uma fala acontece. Qualquer coisa pode acontecer aqui, neste instante, menos um encontro com a informação. Aqui, ser informado – fazendo um trocadilho com palavras – é diferente de receber informações, pois pode representar uma profunda mudança em nosso modo de nos aproximarmos da vida. Nesse encontro, ser informado significa receber um “toque”, um “empurrão”, ou uma “mão”, que pega na nossa e nos leva para perto. Isso é uma indicação daquilo que podemos ver, perceber, juntos aqui. É nisso que está a beleza desse encontro. Mais uma vez, um trocadilho com palavras: o encontro da beleza desse encontro está em perceber Isso que está presente agora, não como parte de sua vida, mas como a sua própria vida!

A vida, para nós, é um conjunto de regras, de padrões aprendidos, de comportamentos adquiridos, em meio a toda forma de frustração, medo, conflito e desejo. E, aqui, quero dizer a você que a sua vida é a sua existência, e essa sua existência é a própria Existência. Ela não é algo pessoal, algo particular e, portanto, não é algo dentro desses padrões, dessas regras, desse modelo de existência frustrada, complexa, desordenada, infeliz.

Aqui falo da Vida, da Existência, que acontece neste instante. É neste momento, que, de forma inocente, sentimos o pulsar da Existência, livres de regras, padrões e qualquer esquema desses que têm sido tão comuns a cada um de nós. Falo dessa Vida que acontece neste presente momento; dessa Existência que se revela neste instante. Isso significa estar livre de tudo aquilo que o pensamento tem produzido e colocado aí; daquilo que ele nos forçou a sentir e ter como real. Fica claro – como o céu sem nuvens em um dia ensolarado – que a sua Vida, a sua Existência, é algo muito maior que essa tolerância, que essa aceitação de uma vida pequena, restrita, mesquinha, tão estreita, como tem sido a vida pessoal, essa existência pessoal, de cada um de nós.

Então, tal encontro é como um convite a esse céu aberto, luminoso, sem nuvens! É quando você se encontra com Você mesmo! Quando você se encontra naquilo que Você é. Você é essa imensidão! Se o céu pode ser todo seu, ou se você pode ser todo esse céu, por que olhar para esse céu através da moldura de uma janela, de dentro de uma casa? Porque assim tem sido a nossa vida, nossa existência.

Nós temos frisado muito isso: a Vida não é sua, a Existência não é sua! E Isso é lindo demais! Isso significa não estar restrito, não ser responsável e não se sentir assim. Nós fomos treinados a nos sentirmos assim, a nos sentirmos responsáveis. O Despertar é esse salto para fora de tudo isso, para fora dessa limitação que tem sido essa vida, essa existência, através dessa ótica que é olhar para apenas esse pedaço de céu, através dessa janela. Como é que soa isso para vocês?

A meditação é essa porta, que é o seu Estado Real, seu Estado Natural, que lhe mostra o que a Vida é, o que a Existência é, quando a vida não tem mais o formato desse enquadramento, dessa janela. Aí, a Vida é esse céu, a Existência é esse céu, a Meditação é esse céu. Ela não só lhe mostra Isso, ela também é Isso! Isso é o Estado Natural, que se revela, se mostra, se declara, de forma inconfundível! É tão natural isso! É aquilo que Você é!

A pergunta que temos presente aqui é se podemos assumir isso, se estamos dispostos a assumir isso de estar fora de toda essa limitação, de todo esse senso de responsabilidade e de padronização, de tudo isso que tem criado essa artificial vida, existência, de cada um de nós. Isso significa se reconhecer naquilo que não tem forma, que não tem nome; naquilo que é Verdade, Beleza, Graça, Liberdade, Amor; naquilo que é o Sagrado! Esse novo modo de olhar, sentir e ser é esse imenso e extraordinário modo de viver. 

A boa notícia é que Isso está presente agora, aí mesmo! Eu posso ver Isso aí! Você não vai trazer Isso de fora, não vai construir Isso, então não precisa acreditar que em um determinado momento Isso vai chegar à sua vida, à sua existência, pois isso já é “sua” Existência, já é “sua” Vida. Está claro isso? Se isso se torna claro, assim acontece exatamente a Isso que Você é, e não a esses padrões de crenças que você já tem. Então, se estiver claro, fique com essa clareza, e, se não estiver claro, não muda em nada aquilo que aqui estamos dizendo.

Essa é uma fala que nos conduz à perfeita constatação daquilo que eu posso ver aí, e isso você percebe quando ela lhe aponta esse silêncio. Assim, nós colocamos muitas palavras, como aquele pintor colocando tinta sobre a tela, produzindo um quadro, mas quando você está aberto a isso, desde o primeiro minuto da fala você já tem o quadro todo, antes mesmo de vê-lo terminado. Faz sentido isso? Faz sentido eu dizer para você que não é a fala? Que não é o que dizemos, mas sim o que Você é? É o que Você é quando essa visão se mostra inteira, completa, total. Você é sempre essa Realidade! Um céu sem nuvens, em plena claridade, tão claro, tão luminoso... Fique aí!

Assim sendo, apenas mais uma coisa: veja isso diretamente, sem qualquer apoio, sem qualquer ajuda, sem qualquer necessidade da intervenção das ideias, das crenças e dos conceitos. Ouvir essa fala faz muito sentido quando o coração está presente ouvindo, quando, de fato, desde o primeiro minuto já fica clara toda essa pintura sobre a tela. Essa é a “sua” Vida, é a “sua” Existência, é a “sua” REALIDADE. É isso. É somente isso.


*Trecho de um fala ocorrida em um Satsang presencial em Março de 2012

 

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Nada Aconteceu - Satsang


Observe, escute o som: a criança lá longe, a mãe falando... um pássaro aqui. É o som que você escuta. É o brilho das coisas aqui à sua volta – nada, além disso. Há, também, a ideia sobre isso surgindo, colorindo e buscando formatar isso que está sendo experimentado nesse instante. A mente nada mais é do que isso: uma tentativa grotesca de formatar o que acontece, dentro de um padrão que ela possa identificar depois; é o que chamamos de memória.
Nada aconteceu. A formatação, que é essa tentativa de colocar uma identidade num dado instante, é sempre um fracasso. O detalhe é que, sem a percepção disso, sua vida se resume a esse fracasso, que é a confiança e a crença de que aquilo que está aí como passado, que nada mais é do que a interpretação deste momento, que já foi, é real. Você tem sempre esse momento, nada além dele, e isso instante a instante, sempre esse momento. É só você dizer para si mesmo: “esse momento”.
Isso não satisfaz a mente. Ela quer eternizar esse momento, e por isso ela faz tal coisa. Ela vai lá e ajunta esses diversos quadros: o som daquela criança com a mãe agora há pouco; o som desse pássaro aqui em cima; e dessa outra criança aqui à direita. Nas cores, no brilho do sol, na luminosidade do ambiente, no momento, num copo d'água na mão, ou seja, em qualquer cena, evento, pequeno incidente, em qualquer acontecimento, é aí que está a mente. O presente momento, aquilo que nada mais é do que esse instante, o que se apresenta agora, aqui, sem a intervenção do pensamento, é tudo.
Não tem “alguém” aí, a não ser que o passado se apresente com essa formatação, agora, aqui, como uma cortina, impedindo você de ouvir esse pássaro cantando, agora, aqui em cima, e as crianças correndo e gritando lá longe. Nada disso aqui é importante para você quando a mente está presente. Para a mente, “você” é importante e isso aqui é tempo perdido; “nada disso está acontecendo”, porque você é o centro desse lugar, o agora - isso é o sentido de separatividade. Aqui, você é mais importante do que todos os outros presentes, do que essas árvores, aqui em volta; mais importante do que aquela criança gritando lá longe, do que o pássaro cantando ou as crianças correndo. Não tem mais ninguém aqui, só sua mente: o “centro do universo”, que deve ter um espaço em volta. Isso é mental. Isso é “você”. A mente egóica, o sentido do “mim”, do “eu”, é somente isso; não é esse ouvir claro, esse olhar claro, esse sentir claro, porque não há clareza na mente. Mente é alienação desse instante. Passa o pássaro agora, voando sobre nós, e a mente ignora isso, porque o som dela é mais alto do que o daquelas crianças e o desse pássaro. Observe: ela está aí, ocupando-se com o “seu universo”, do qual ela é o centro.

E você me pergunta: O que é ser livre? E eu lhe respondo: não há fórmula para isso. Acho que temos que comprar um livro a respeito disso (risos). Temos que aprender sobre isso em algum manual. Tem o livro “como ficar rico” e tem o livro “como se iluminar”, um de 07 passos e, também, o de 14 passos (risos).
A Iluminação, ou Realização, ou Despertar, não é nada que a mente possa saber do que se trata. É exatamente quando ela não está que este momento está presente, o momento do despertar. Este instante é o despertar. Não há “ninguém” ou “alguém” para despertar, porque esse “alguém” seria o centro do seu universo.
A graça, a beleza, a maravilha, o silêncio, o amor presente nesse instante é você em seu Ser, quando a mente não está. Esse é o Despertar; só não tem alguém aí.

*Extraído do trecho de uma fala ocorrida em Novembro de 2012 no Parque Eduardo Ginle, Larenjeiras, Rio de Janeiro - RJ

 

terça-feira, 26 de maio de 2015

Fique Atento a este movimento interno - Satsang


Fique atento a esse movimento interno, sem saltar por cima dele, sem se agarrar, se prender a ele, sem se confundir e se misturar com ele. Quando alguém pergunta o que é que eu quero dizer com a palavra identificação, é exatamente isso: você se identifica com um pensamento e ele o transporta para todos aqueles estados, e, então, “você” é aquilo! Você é aquele medo, aquela depressão, a ansiedade, a contrariedade, o aborrecimento... “Você” é aquilo! Isso é inconsciência, é estar adormecido. Essa inconsciência absoluta é o que poderíamos chamar de “mente egoica”.

Não há verdade no ego e na mente, porque não há ego, nem mente. No entanto, eles aparecem juntos como um só movimento, nessa inconsciência, nessa desatenção. Isso está presente, e “você” é isso. Você não é outra coisa nessa identificação. Curiosamente, você nunca deixa de ser quem de fato Você é: essa própria Presença, desidentificada dessa historinha, desse padrão, desse condicionamento que está se manifestando neste instante. Isso é muito sutil.

Por uma força de hábito, noventa e nove vezes a cada cem, a sua mente o carrega para esses estados de autoidentificação, autoidentidade e autoexpressão. Assim, esse trabalho de atenção sobre si, de observação desse movimento interno, requer energia disponível para isso; essa mesma energia despendida no “tagarelar” desnecessário, nessa coisa de falar o tempo todo, de imaginar coisas, de “viajar” nessas imaginações, algo tão comum nesse devaneio (a expressão é essa). Seu corpo está presente, agora, aqui; você está inteiro, completo, agora, aqui, mas o pensamento vem e o transporta, nessa inconsciência, para esse estado que ele autoprojeta, que ele idealiza. Essa é a viagem do sentido de separação, de divisão, de não atenção a esse instante, a esse momento, ao “agora-aqui”.

Essa inconsciência, essa mecanicidade, essa desatenção àquilo que Você é agora, aqui, se tornou o padrão comum da Consciência. No entanto, se você fica atento a esse movimento interno acontecendo, descobre que ele está acontecendo agora. Você não o rejeita, não luta contra ele, não faz nada; simplesmente constata a sua presença acontecendo agora, aqui. Assim, você não é capturado, não é conduzido por essa inconsciência, por essa mecanicidade, por esse padrão habitual. Você agora está ciente do que É. Não importa o que apareça aí dentro da Consciência, Você é essa Consciência agora, presente. É assim. Você é essa Presença, essa Consciência. Você é Isso, no qual tudo mais acontece, e isso é Liberdade! Então, suas respostas já não são mecânicas, não são reativas, automáticas, inconscientes. Se há uma resposta, é uma resposta presente agora, acontecendo aqui, com nada fora desse momento, desse instante.

Alguém diz: “você não gosta de mim”. Quando alguém diz isso, a mente ali, naquele organismo, naquele ser humano, está configurando um quadro de alguma coisa que viveu há dois dias, e, agora, aquela memória vem, assume esse estado de inconsciência naquele organismo, naquele ser humano diante de você, que diz: “você não gosta de mim”. Inconsciência pura! Uma imagem assumiu o controle, e aí você entra no jogo. Você tenta justificar, explicar, faz perguntas acerca disso… Pronto! Você caiu no jogo! O que é que nós temos? Duas imagens se encontrando, mas imagens não se encontram nunca! O conflito é certo, é algo “líquido”, algo que está aí, que sobra em todo esse jogo de personalidades, imagens e inconsciência.

Se você está atento a esse movimento interno em si, percebe isso claramente. Você sabe que não há nada a ser feito ali no “outro”, mas aí sim: Atenção, Presença, Consciência. Você sabe que tudo aquilo é uma ilusão. Você vê a ilusão e, nessa atenção sobre si, há uma profunda compreensão daquele estado, porque não é algo diferente do que já se passou aí, ou daquilo que se passa aí quando essa inconsciência também está presente. Vocês estão compreendendo isso? Isso põe fim ao conflito. Não põe fim ao ilusório sofrimento ali, mas põe fim ao sofrimento aí, porque existe a percepção de toda essa bobagem, de toda essa ilusão.

*Extraído de uma fala de um Satsang Presencial no Rio de Janeiro em Março de 2012 

 

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Apenas ficar com isso que somos - Satsang



Há somente o vazio, e esse é o pleno preenchimento. Toda essa procura por alguma coisa presente é todo o absurdo. É absurda a tentativa de encontrar Aquilo que já se encontra aqui.

Nós temos aqui duas coisas bem claras. A primeira é a ideia de encontrar algo, sempre implicando alguma coisa que temos como um conceito. Um conceito é uma imagem, e uma imagem é algo que a nossa imaginação cria. Então, a primeira coisa a ser vista é essa: não podemos encontrar um conceito, uma imaginação, uma imagem.

A segunda coisa a ser vista é que aquilo que procuramos lá no íntimo, no fundo, nada tem a ver com essa imagem, com esse conceito, com essa imaginação. Isso não precisa ser encontrado, já está presente. Isso que no íntimo queremos encontrar não pode ser encontrado, porque já está presente, já está aqui. E aquilo que imaginamos que pode ser encontrado não faz parte da realidade. Então, ficamos com essa coisa absurda.

Você não pode encontrar o que não pode ser encontrado. Você não pode encontrar, também, aquilo que a sua imaginação fabricou, construiu, idealizou, que ela projeta como algo real. Veja em que situação nos encontramos. Nessa procura, repare na situação em que nos encontramos!

Você não tem que dar um passo, ou criar um só pensamento acerca disso. Você só precisa ouvir o seu coração. Ele é o único que pode lhe falar algo a respeito daquilo que ele mesmo anseia, busca, procura. E a única coisa que ele vai lhe dizer é: não procure; estou aqui, basta me ouvir; não saia, não se mova.

Essa é a mensagem da Verdade presente. Essa é a palavra real a ser ouvida, que só é ouvida no coração. Assim é porque vocês não escutam um intelecto que fala a respeito disso, mas um coração que vive isso agora, nesse instante. Então, é um coração que fala, que escuta - é um coração que fala consigo próprio. É ele que precisa ser ouvido.

Essa voz é a voz Divina, a voz da Verdade, é a voz do Encontro. Esse encontro é uma constatação simples e direta, inconfundível. Quando ISSO está presente não há dúvida, não há medo, não há receio; não há qualquer anseio, também. Assim, não há mais esse absurdo de querer "encontrar", longe, do lado de fora, em alguma parte.

Você só pode ouvir a Si Mesmo em um encontro que realiza essa Verdade do “preenchimento”. Não esse preenchimento que a mente procura, mas um tipo de “preenchimento” no qual nada fica para ser preenchido; só o “preenchimento” está presente, e nada presente para ser sentido. Isso é bem paradoxal, mas a vida é assim.

A Liberdade é assim, o Amor é assim. Tudo o que é Real é paradoxal, como, também, esse “encontro” e o “preenchimento”. Reparem que podemos colocar isso de outra forma, também. Há um vazio presente: se você o aceita, ele é o seu próprio preenchimento. Porém, se não aceita esse vazio, você quer caminhar para algum lugar e encontrar isso lá fora - aí você entra na ilusão de encontrar alguma coisa que sua mente projetou, idealizou, imaginou.

A Verdade que seu coração anela é encontrada quando você não se move, quando aceita esse vazio. Então, esse vazio é seu próprio preenchimento.

A mente teme esse vazio, e busca um tipo de preenchimento diferente desse que estamos falando. Ela quer preencher esse vazio, então a gente começa a viajar. Mas você não tem que viajar para algum lugar; apenas a viagem de alguns poucos centímetros, na realidade menos de 50 cm - do cérebro ao coração. Isso dá menos de 50 centímetros. Você tem que sair da cabeça e olhar tudo. E esse olhar tem que nascer dessa luz presente em seu coração. Aí está tudo, tudo, tudo.

Só há o vazio, e esse é o pleno preenchimento. Esse é o preenchimento no qual você não está presente como alguém, como uma pessoa. Você não é o corpo, não é a mente, não é uma pessoa, não é alguém, não é um ser humano! Você é esse vazio. A mente teme esse vazio, quer construir algo sobre ele, mas esse vazio não pode ser estrutura para alguma coisa. Assim, no dia em que isso é claro - naquele dia não, e sim naquele momento, instante, em que fica claro - você desiste de procurar, de bater em todas as portas.

Nem a filosofia, nem a religião, nem a psicologia, nem a lógica, nem a ciência, nada disso pode ser uma construção sobre esse vazio. Eu poderia aqui entrar em detalhes, mas isso não é necessário. Nós estamos colocando de uma forma direta que nenhum desses ramos - da ciência, da religião ou da psicologia - qualquer uma dessas coisas construídas pelo intelecto, por essa habilidade ou capacidade humana de verificações, de descobertas, pesquisas - nada disso pode ter uma base real sobre esse vazio que É Você.

Então, nós não podemos construir nada. Podemos apenas ficar com Isso que somos, com esse Vazio. Esse vazio você sente, porque ele reflete, espelha, e aqui, quando digo "espelha", em palavras, estamos apontando para essa Essência, para a Natureza Essencial de cada um de nós, para essa Realidade do que somos. E essa Realidade que somos, essa Natureza Real que todos nós somos, o Estado Natural em nós, já é o final de toda essa procura absurda que temos aqui, Naquilo que somos.

Assim, faça essa única viagem, que é a viagem para dentro de Si Mesmo. Saia desse modelo de vida cerebral, para esse desconhecido, extraordinário e maravilhoso estado de existência no coração... Para essa realização, o estado livre do eu, do mim e de todo esse sentido de separação, separatividade, dualidade, dualismo. Você está vivendo no coração, sua fala é do coração, seu movimento é do coração, seu olhar também é do coração. E isso é Liberdade, Paz e Felicidade; é o Verdadeiro Encontro, presente, agora, aqui, neste instante.

Nós temos confiado muito no cérebro - uma excelente ferramenta,  útil para seus propósitos específicos. Reparem que quando você chega em casa, você faz uso da sua chave, não da chave da porta da casa do seu vizinho. Não é assim? É sempre assim. Você sempre faz uso da sua chave, a chave da porta da sua casa. Você não vai lá na casa do vizinho e pede a chave dele.

Nós estamos tentando essa coisa absurda: ter acesso à nós próprios - Àquilo que somos - dessa maneira! Isso é absurdo, é estúpido, não faz sentido, não vai dar certo. Você tem que olhar pra Si Mesmo, tem que dar a Si Mesmo esse momento que você está dando aqui.

Satsang é esse momento no qual você fica sozinho com esse vazio, que É Você. E você assume esse vazio. Você não quer mais construir nada. Sabe que não deu certo até hoje essa coisa de ir lá fora procurar a chave do seu vizinho - chave que ele usa pra abrir portas, que não tem nada a ver com as portas da sua casa!

Em Satsang você fica sozinho com o vazio. E a chave é sua, a casa é sua. Isso é lindo. Não tem outra alternativa, não tem outra forma. Não sejam engenhosos; deixem essa engenhosidade para aqueles que não entenderam isso ainda. Leva algum tempo, eu sei que leva, até você fechar todas as “portas”, cada uma com sua própria chave, sabendo que não tem nada a ver com sua porta, nem com sua chave.

Então, você deixa lá a porta da religião, da filosofia, e tudo aquilo que termina em “ia”, e com “ismo” também! Deixe os "ismos", as "ias", porque são portas, cada uma com sua chave específica, mas não tem nada a ver com você. Você já tem a sua chave, você já tem a sua porta!

Satsang é isso: encontrar-se agora, aqui, neste instante. E  encontrar-se pressupõe não sair do lugar, não dar um só passo - repito de novo isso - parar! É quando você encontra – e essa é a palavra Satsang, encontro com o Ser – esse ver direto, o contemplar diretamente. É olhar a vida, agora, acontecendo neste instante, sem nada dentro para julgar, comparar, avaliar, analisar, deduzir, especular, concluir –  o olhar, sem a mente, apenas o coração olhando. É o coração olhando a luminosidade dos olhos de um sábio,  não da cabeça, porque é o coração dele olhando pra você. Você é esse sábio que olha o mundo assim. E isso é agora, e não amanhã, porque amanhã pressupõe essa saída, muitos passos, muitos passos... É assim que a mente tem feito conosco: ela tem criado a ideia de tempo. 

Repare o quanto é simples isso: não há nada de novo aqui colocado se você está aí no coração, ouvindo o coração. A precisão é cirúrgica, perfeita, milimétrica. E uma fala como esta, em Satsang, alcançando seu objetivo, tem o propósito de fazer perceber essa Realidade. 

Então, aí está a compreensão de que não há nada a ser encontrado, a não ser Isso que está presente aqui, já, neste instante, sendo constatado. Por que sua fala não tem conteúdo? Exatamente porque o vazio não carrega nenhum conteúdo. O vazio não recebe nenhum conteúdo, continua sempre vazio. Isso é a voz do coração, é o ouvir do coração. É só isso.

*Extraído de uma fala de um Satsang Presencial em abril de 2012


sábado, 23 de maio de 2015

Você é um Mestre?

Seja profundamente generoso na rendição. Entregue-se a tudo, tudo mesmo, neste momento. Isso que está aí, agora, está acontecendo como um convite à sua rendição generosa. Tudo está aí para ser abraçado em seu amor incondicional, sem resistência ou qualquer forma de luta. Está aí para ser amado e visto como "isto que É", porque não há "alguém" aí, não há "você". Você não é visto aí, porque você não existe.

Participante: Você é um Mestre? Como é isso para você?

Mestre Gualberto: A transmissão da Verdade de Mestre para discípulo é só uma brincadeira Divina. Alguns estão vindo, e isso requer essa abertura, sensibilidade e disponibilidade. Não requer nenhuma preparação; apenas estar aberto, disponível, livre de conclusões ou julgamentos. A experiência de transmissão – ou Satsang – é, na verdade, a constatação de que não estamos separados. Não há ninguém como um professor, e não há aquele chamado discípulo. É quando, então, e só então, a Verdade do Ser está presente. Neste silêncio, neste sentir direto, é que essa transmissão ocorre; sem Mestre, sem discípulo e sem ensino.

Se você encarna a Paz, então, em certo sentido, dar ou transmitir a Paz é muito natural. Se nós incorporamos Alegria, nós transmitimos Alegria; se incorporamos o Amor, então damos Amor; se incorporamos Liberdade, damos Liberdade. Tudo é sentido à nossa volta. Não há volição no “dar”, ou na transmissão. É como a fragrância de uma rosa: ela é simplesmente emanada. Se o seu nariz está limpo, você pode sentir o cheiro da flor.

Participante: O que faço para me livrar de todas as minhas crenças?

Mestre Gualberto: Você não precisa se livrar das ideias, das crenças, você só precisa deixar de acreditar nelas! Nunca digo: “livre-se!” São só ideias. É como querer se livrar do ego. Eu sempre pergunto aos que me falam sobre esse ego: “onde ele está?” Isso também é só uma ideia, uma crença.

Contanto que você não acredite em suas ideias e crenças, você não está amarrado a elas, preso, acorrentado por elas. Assim, é só ver, ouvir... vê-las claramente, ouvi-las claramente, em silêncio, e, então, não há crenças, não há ego. Deixe-as em paz. Deixe-as para quem se importa, para quem gosta e as aprecia. Tem alguém aí? Não vê que tudo são ideias, apenas crenças?


*Trecho extraído de uma fala em um encontro online via Paltalk Senses em Abril de 2012

 

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Você É Este Espaço Ilimitado de Pura Presença!


Deixem esse Espaço aí livre. Deixem-no ser o que ele É, não forçando a barra, não tentando outra coisa. Olhem para vocês: muito ocupados, sobrecarregados, cheios de histórias... tantas histórias. Histórias são ocupações nesse Espaço que está sempre livre.

Paradoxalmente, você não deixa o Espaço ser o que ele é, sem nunca deixar de ser. Ele é somente esse Espaço ilimitado de pura Presença, no qual, o tempo todo, está você se confundindo com as histórias e todo o tipo de crenças, de padrões mentais.

Você é essa vastidão, mas mantém-se limitado num pequeno e circunscrito espaço, ocupado por pensamentos, dramas, histórias, crenças, conceitos, preconceitos e desejos de todo o tipo de coisas. É como um espaçoso território sem limites. Sua vista não alcança o fim desse "território", que, olhando a partir de qualquer ponto, é um território ilimitado. Entretanto, é como se esse território estivesse partido, e tivessem colocado nele diversas divisões, repartições - o vasto e ilimitado território demarcado por pequenas áreas de terra. O que é que você faz? Você se posiciona em qualquer uma dessas marcações de terra, nesses espaços, e ali fica vivendo, num estreito e limitado pedaço territorial, contido nesse ilimitado espaço que a vista não alcança o fim, nem o princípio.

A mente é essa limitação, e já está habitando esses espaços pequenos e estreitos, pequenos trechos de terra, enquanto que a Consciência é tudo Isso - esse Ilimitado Espaço, sem fronteiras, sem cercas, sem nomes e territórios específicos. É isso.


*Extraído de um trecho de uma fala ocorrida em um Satsang ocorrido em Maio de 2013



quinta-feira, 21 de maio de 2015

O que é a Real Satisfação?

 


O ilusório valor dessa ilusória necessidade, dessa ilusória busca, desse ilusório desejo, dessa ilusória insatisfação, pertence a essa ilusória mente. “Estar livre” é Ser, não é procurar, buscar. Ser, aqui, é estar com o que é, como este som que você escuta.

A natureza da mente é ver este instante como insatisfatório, faltando algo, incompleto. Para a mente, há uma necessidade: a necessidade de continuar; e nada melhor para isso que se criar um valor. Essa é a natureza da insatisfação da mente, e valores “fora” são suas criações, suas motivações.

Sem mente, tudo está completo. Não há nenhuma carência, necessidade, desejo, antecipação... Isso é Você em seu Ser, relaxado em sua Natureza Essencial, que é pura beleza, pura Graça, pura satisfação; sem "alguém". Isso é Meditação, seu Estado Natural. Quando há a constatação de que aquilo que é visto e aquilo que vê são um só, há a constatação de que o experimentador e a experiência são uma só, e única, coisa; que não há nenhuma separação, porque não há nenhum "eu" e um mundo fora; nenhum "eu" à procura de um preenchimento, de uma satisfação, de uma realização, de uma completude que possa vir, chegar. Então, toda ideia de valor e importância separada desse instante termina. É quando, nesse testemunhar, a testemunha e o testemunhável são uma única realidade presente.

Seu sonhos, desejos e motivos não têm importância, porque você não tem importância. A vida é o que é! Você é a Vida, e só isso importa. Nada pode ser feito e nada pode ser desfeito; nada pode ser acrescentado ou tirado. Eu chamo isso de satisfação, sem alguém satisfeito; de realização, sem alguém realizado; de completude, sem alguém completo; de despertar, sem alguém desperto. Isso não tem oposto, não tem contrário. Isso é assim, quando a ilusão do "eu" cai. E isso é agora! O tempo é irrelevante nesse constatar. Ele está agora e aqui. É assim. É isso.

 *trecho transcrito a partir de uma fala em um encontro presencial em Maio de 2013 

 

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Desperte para a Sua Real Natureza



Você está se confundindo com uma ficção: a ficção do “eu”, a ilusão da presença de “alguém”. Há somente a Presença, mas você se confunde e a particulariza, a torna pessoal. Quando ganha alguma coisa, é “você” ganhando; quando acontece alguma coisa, é algo acontecendo a “você”. Se é algo bom, “você” fica feliz; se é ruim, “você” fica triste, amargo, chateado... Mas é sempre a velha noção de que “você” é a Presença que está aí.

Como “você” pensa, sente e age, suas ações, seus sentimentos e seus pensamentos estão aí nessa ilusão; na ilusão de que estão acontecendo porque “você” está produzindo isso, ou na ilusão de que é algo que está acontecendo para “você”, como uma entidade separada, como uma pessoa. Então, isso  sempre será difícil, porque você está lidando com uma ilusão.

Como pode haver verdade na ilusão? Como pode haver liberdade na ilusão? Como pode haver paz na ilusão? Por isso eu tenho dito: “você” é uma fraude, porque é só uma imaginação; a imaginação de alguém sofrendo ou gozando as consequências das ações, dos pensamentos e dos sentimentos. Quando está alegre, você diz: “eu estou alegre”; quando está triste: “eu estou triste”; quando coisas boas acontecem, acontecem a “você”; quando coisas ruins acontecem, acontecem a “você”.

Dessa forma, como vocês vão lidar com isso? Como você, que é médico do corpo, vai lidar com o seu paciente dizendo-lhe que ele não é o corpo? Que isso está acontecendo, mas não a ele, e sim ao corpo? Como você, que é médico da mente, vai dizer ao seu paciente que isso está acontecendo à mente, e não a ele? Como é que você, quando não receber algo de alguém, vai olhar para si mesmo e ver, claramente, que não tem problema, que ela ou ele não está lidando com uma "pessoa", aí?

Ramana dizia: “o corpo é a doença”. Quando o corpo está doente, como isso pode ser ruim, se a doença está atacando a própria doença? Quando alguém vem a mim e pergunta sobre como se livrar da ansiedade, como se livrar da depressão, eu digo: “por que você quer se livrar disso?” Aí, eles respondem: “porque isso está atrapalhando tudo, isso é ruim, eu me sinto mal"... Vindo uma série de respostas. Então, digo a eles: “você está em um grande momento! Um momento de entrar em decepção! Você vai ficar decepcionado consigo mesmo; vai ver a sua incompetência, a sua incapacidade, e o quanto é inadequado carregar esse sentido de 'alguém' no seu viver. Isso é só um convite para você abandonar esse sentido de alguém, não é uma coisa ruim acontecendo. Na verdade, é uma grande bênção essa depressão! Isso é um convite da Graça, da Consciência, para você abandonar esse sentido de uma identidade pessoal na experiência. Só isso! Não tem nada de errado acontecendo. É a doença atacando a doença. Isso é uma bênção! É o sentido do 'eu', que é uma doença, atacando a ele próprio, autoafligindo-se”. É nesse sentido, também, que Ramana dizia que o corpo é uma doença: se o corpo está doente, isso é uma coisa boa; é a doença atacando a doença.

Quando a experiência do viver não é somente a "experiência do viver", e há a ilusão de "alguém" nessa experiência tentando controlar, ajustar, acertar, fazer algo com isso – quando tem esse “alguém” aí – surge o conflito, surge o problema, surge a doença, que não é uma coisa ruim, mas apenas uma cobrança da Existência, da Vida, da Consciência, para que as coisas voltem ao lugar.

Como o corpo não tem conserto, porque ele está destinado à morte, ele nunca vai ficar saudável e terá sempre uma doença. Assim como a mente egoica, por estar destinada a desaparecer, também nunca vai ter saúde. A natureza da mente é ser insana, e a natureza do corpo é ser doente. Você nunca vai encontrar um corpo humano sem um problema de saúde. É a natureza do corpo, assim como é a natureza da mente. Ambos estão destinados a desaparecer, porque são aparições do desejo, do ego. É o ego que deseja o corpo para experimentar o mundo como uma entidade. Então, o corpo não tem cura, doutor; mente não tem cura, doutor. Você não tem cura como uma entidade separada, como alguém, como uma pessoa. Você não é isso! Mas, confundido com esse corpo-mente, você é incurável! Então, não se importe com o corpo, não se importe com a mente. Veja até onde isso aí aguenta e, nesse ínterim, desperte para a sua Real Natureza!


*Trecho extraído da fala de encontro presencial na cidade do Rio de Janeiro em Maio de 2015




terça-feira, 19 de maio de 2015

Estou, aqui, indo na raiz!


Isso requer, naturalmente, essa atenção sem escolha, e esse é o ponto: a ideia de uma identidade na escolha é todo o seu atropelo. Não se importe com o que vem e vai. Não escolha! Se você não escolhe, não dá identidade ao que aparece. O que aparece, desaparece, é mutável. Saber que isso aparece NAQUILO que não muda, que é Você, é abraçar incondicionalmente o que quer que surja nesse cenário; é não se importar com isso; é não dar importância a isso; é não se tornar importante nisso; é não se separar disso. 

Percebem o que estou dizendo? Estou, aqui, indo na raiz. Estou dizendo que você "energiza" - com o sentido de uma identidade - uma sensação, uma emoção, um pensamento, separando-se disso, e tornando-se uma entidade à parte daquilo que vem e vai. Você é essa Liberdade sem escolha, pura Liberdade, pura Consciência, pura Presença, não separada de qualquer experiência nesse presente momento.

Sendo assim, não há nada fora do lugar, e nada pode ser mais do que aquilo que é. E onde você entra nisso? Mais uma vez, repito, aqui está o ponto: você não entra! Aquele que testemunha e aquilo que é testemunhado aparecem NISSO que é imutável! Chame Isso de Pura Presença, Ser, Consciência, Real Natureza, Verdade, Deus, Silêncio, Meditação... 

Esse som da voz, ou o som lá fora, é algo acontecendo aí, assim como um pensamento, que pode chegar agora e ir embora, ou qualquer outra percepção sensorial, como a visão (você está de olhos abertos, com cores e diferentes formas sendo percebidas NISSO que não muda). As cores mudam na percepção visual,  a percepção auditiva muda, o pensamento muda, e uma sensação física, como calor ou frio, ou mesmo uma certa dor, também muda; mas tudo está acontecendo NISSO que não muda. 

Você é esse Silêncio, é essa Presença, essa Imutável Realidade, com ou sem sensações físicas, percepções sensoriais, sentimentos, pensamentos, emoções. Você sempre permanece Nisso, sendo Isso que percebe e que é percebido. Somente na fala há diferença, porém, na verdade, não há diferença alguma. Na fala há essas palavras sendo usadas: pensamento, sentimentos, sensações, percepções, e assim por diante, mas somente Isso, que é esse Silêncio, essa Presença, está acontecendo, deixando de acontecer e permanecendo imutável. É isso!


*Extraído de um encontro presencial ocorrido em Maio de 2013


segunda-feira, 18 de maio de 2015

Onde estão o medo e a dor?


 
 Pergunta:

  - Mestre, conforme postei na comunidade do UCEM (Um Curso em Milagres), seria proveitoso ao ser humano considerar a dor incompreensível? Devemos "atravessar" a dor?
Mestre Gualberto:

  - O que de fato significa a palavra “dor” aqui? Se provo uma manga e ela é doce, há prazer nisso. Se sou picado por uma formiga, há dor nisso. Mas é dessa dor de que estamos falando? Essa dor é algo muito simples e direto acontecendo no corpo, algo muito natural. O corpo vive em dor e em prazer durante toda a sua vida. Isso é bem simples, é da natureza do corpo. Entretanto, estamos falando aqui de outro tipo de dor, que é aquela que surge quando você é abandonado, sente-se em solidão, perde o que é “seu"; a dor da ansiedade ou do medo, em suas variadas formas, como o medo da morte, por exemplo. Que realidade isso tem? Onde isso acontece? O que é sua estrutura? Existe "alguém" sentindo isso? Há alguma “pessoa”, algum “mim”, algum “eu”?
Já entrou fundo nisso, sem julgar, racionalizar, justificar ou fugir? O que acontece? É possível ficar neste presente momento, abraçando o que quer que apareça aqui, neste amor incondicional? Sem qualquer ideia de que deve livrar-se de alguma coisa que chama de "dor"? Sem separar-se da experiência? É aqui que está a coisa toda. O pensamento sempre se separa da dor e escolhe o prazer, criando uma resistência, e nesta resistência cria o conflito, o sentido de um “eu” que sofre, uma “história” sobre a experiência. Porém, só há experiência, e não “alguém” vivendo essa experiência. Neste ver diretamente temos o fim dessa ideia de um “eu” separado. Se isso é visto, é o fim do sentido de separatividade, o fim da “dor”, de um “mim”, de um “eu”. Onde está a “dor”, então?


 *Extraído de um encontro ocorrido em maio de 2012

 

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Seu problema existe porque você existe

 
Todo o seu problema só existe porque “você” existe (risos). Engraçado, isso? Se você insistir nisso, persistir nessa ideia, você vai continuar sofrendo, sempre tendo problemas. A ideia de existir é só o que você tem. Você não existe! Mas a ideia de "existir" é o seu problema.

O seu desafio é não ter "desafios". Se não existe a crença de ser alguém, o “desafio” desaparece. Todos esses desafios é que se tornam problemas: essa crença de que você existe, para dar uma resposta para esses desafios. Isto porque esse “você” tem responsabilidades com esses "desafios"; “você” tem que ajustar esses, assim chamados, “desafios” a um modo de conduta, de comportamento e de resposta que "lhe" satisfaça, que seja adequado a “você”, perfeito para “si” próprio. E isso é conflito, sofrimento e problema.

Mas, se você se livra dessa ideia de ser alguém, o que acontece com os problemas? Com esses “desafios” desse "eu"? O que acontece? Esse "eu", basicamente, é pensamento! Se não há pensamento, não há problema! Me mostre um problema sem o pensamento a respeito disso? Você pode se lembrar de um problema, mas agora, aqui, você não tem problema. Entretanto, você pode buscar aí na memória o problema, pois ele faz parte do pensamento. Uma situação agora, aqui, acontecendo não é um problema: é um evento, é um acontecimento, é um adequado “desafio”, perfeito “desafio”, mas não está acontecendo para “alguém”, para “mim”, para o “eu”.

Nós fomos condicionados a ter problemas. O “eu”, essa crença, dá continuidade ao “problema”, e o problema dá continuidade ao “eu”. Então, é um círculo vicioso, que se repete o tempo todo. O tempo todo se repete, mas se você pode olhar para isso e ver que é só algo produzido pelo pensamento, dentro de uma historinha que o pensamento cria - e isso é visto agora, aqui - você percebe que não há nada, a não ser uma história criada pelo pensamento. E isso é o fim do “problema”, porque é o fim do “eu”... É o fim do eu... Como pode terminar aquilo que nunca existiu?

O que termina aqui é a crença, é a confiança, é a convicção; o que quebra aqui é esse círculo vicioso. Então, a Vida é o que É, tudo é o que É. E você, como acredita existir, já não existe. Você, em sua Real Natureza, é o que É. Isso é outra coisa: Você, em sua Real Natureza, é Paz... É Silêncio... É Liberdade... É não resistência... É Amor Real, incondicional, que abraça esse momento presente, como ele se apresenta. Faz sentido, isso?

É o que chamam de Despertar! É a simples constatação de que não há “eu”, não há o “mim”, não há nada separado disso que está aqui, ou disso que acontece agora, neste presente momento. Isso é tudo... Isso é tudo!


*Trecho extraído de uma fala de um Satsang presencial em maio de 2012


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