quarta-feira, 1 de abril de 2015

O Amor é a Presença dessa Graça - Satsang





Aquele "você" que se ocupa com imagens são os pensamentos. Essa Consciência presente, aí, não se ocupa com imagens; ela se ocupa com percepções. Essas percepções, a expressão dos sentidos nessas percepções,  são o contato com a realidade presente, enquanto que o pensamento se ocupa com imagens. Essas imagens ficam a serviço da imaginação de uma suposta identidade aí presente, dentro do corpo, mais especificamente, dentro da cabeça. 

A sua crença é a de que você está aí. Essa crença é só uma imagem produzida pelo pensamento, com a qual você está ocupado, envolvido. Você está envolvido com este pensamento - o pensamento “eu”, e as imagens que surgem são preocupações imaginárias. A vida se apresenta nesse momento, e o contato real com a vida é o contato da percepção dos sentidos. Tudo o que você tem real é o que está se apresentando nesse instante. O pensamento, também, é algo que se apresenta neste instante, contudo, ele deixa de ser assim, quando é visto a partir de uma suposta entidade imaginando construir um mundo fora do que se apresenta, através dessas imagens. Em outras palavras: tudo o que passa na sua cabeça é uma mentira, se você colocar uma identidade presente para desfrutar disso ou para sofrer isso. Isso é pura imaginação.

Percebem que é assim? Deu para acompanhar isso?

Participante: Então, quando eu olho para aquela rosa eu não estou vendo aquela rosa, eu estou imaginando aquela rosa?

Mestre Gualberto: Você pode construir isso ou você pode deixar isso de lado. A proposta é deixar isso de lado... É deixar de imaginar sobre o que é percebido... É deixar de sobrepor a realidade presente - sendo percebida sensorialmente - com uma imaginação, uma ideia, uma crença. Essa é a proposta.

Participante: Durante muito tempo, eu achava que o meu problema era a raiva, a chateação, o sofrimento, etc. Mas, investigando melhor, eu vejo que o problema é, na verdade, o “eu” que não queria estar passando por isso, que está sempre voltado para o bem-estar.

Mestre Gualberto: E onde está esse eu? Só no pensamento, pura imaginação! Você imagina alguém na experiência, e essa imaginação de alguém na experiência amplifica qualquer contrariedade, qualquer desejo contrariado. E esse desejo contrariado se transforma em raiva, em frustração, e, aí, a gente começa a dar nomes para isso! Na realidade, isso é só a imaginação de alguém, nessa experiência, querendo mudar a vida, mudar o que acontece, revoltado e contrariado com o que é... Pura resistência. Ego é pura resistência. Se não há ego, não há resistência; se não há resistência, não há ego.
As coisas não mudam porque esse “eu” assim quer que mude; não acontece porque esse “eu” assim quer que aconteça; não acontece porque eu desejo que aconteça. As coisas são o que são, acontecem como são, e você não tem importância nisso! É aqui que entra essa suposta entidade presente imaginando, e imaginar é esse vício de criar imagens; é estar ocupado com o pensamento. Vocês vivem ocupados com o pensamento. O pensamento é um vício, uma droga. Você está viciado em confiar nas imagens que aparecem aí. 

Participante: Então, mestre, a gente vive projetando a ilusão dentro de uma realidade que a gente não está vivendo?

Mestre Gualberto: Vamos colocar melhor: você está vivendo uma realidade, só que essa realidade não tem nada a ver com o que a sua mente cria. Então, essa realidade é desprezada em razão de uma ideia, de uma crença, de uma imaginação - a imaginação de alguém presente vivendo. Não tem alguém presente vivendo, só tem a realidade presente e ela não é pessoal. Mas você é pessoal, porque você tem um corpo e uma história, porque você tem a sua memória, você acredita ser uma pessoa e importante. Importante por que? Porque você sabe o que está acontecendo. Esse “você sabe” é pura imaginação. Você não sabe o que está acontecendo. Não há alguém que saiba o que está acontecendo. 

O Estado Natural, que é Consciência, não se importa com o que acontece. É só o ego que se importa. Ele se importa porque ele quer interferir, ele quer mudar, ele quer moldar, ele quer... Ele sabe... Ele tem a arrogância de saber o que anda acontecendo. A vida para o ego  não é um mistério, é um enigma que ele pode decifrar... Não é somente um simples mistério... só um mistério! E vai continuar, sempre, sendo um mistério! A Consciência, a Verdade, sempre será um mistério. Mesmo o sábio não diz “eu sei”; Ele não diz “eu sei” porque ele sabe que não sabe! Ele sabe que não sabe, porque sabe que tudo é um grande mistério! E essa é beleza da vida: ela ser um mistério; ela ser o que ela é; ela não ter explicação; ela não dar explicações sobre ela! É aqui que falha toda a nossa vã filosofia, nossa vã espiritualidade, porque é a tentativa de explicar o inexplicável. Por que você não abraça este "não sei", este "não saber"? Abraçar isso é o fim do sofrimento, que é o fim do eu, que é o fim da imaginação. 
 
Livre-se disso! Pare de ser importante! Fique com o que a vida reservar para você! Um dia, Cristo disse: “quando estiver num espaço, não procure os primeiros assentos, porque você pode estar nos primeiros assentos e vir alguém e tirá-lo dele e colocá-lo nos últimos. Então, não procure os primeiros assentos. Espere que alguém pegue-o dos assentos”. O que Ele está dizendo é: deixe a Vida escolher por você; deixe-a decidir por você; deixe a vida ser o que ela é - muito generosa! Então, deixe-a tirá-lo dos últimos lugares e colocá-lo nos primeiros, mas deixe a Vida fazer isso! Isso é viver sem ego, isso é viver sem o sentido de alguém presente, sendo o tal, sendo importante, fazendo acontecer ou deixando de fazer.

O Amor é a Presença dessa Graça. Ele está onde você não está. A real alegria de ser só é possível nesse vazio, nessa nulidade, nessa ausência de escolha e tomada de decisões. Fique com o que é simples, sem o comprometimento emocional de "alguém" aí. O que estou dizendo é: tome decisões, mas sem o sentido de "alguém" presente nessas decisões.


Transcrito e revisado a partir de uma fala ocorrida
em Satsang presencial no dia 29 de Março de 2015 em Eusébio - CE

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em nossos encontros presenciais!


Um comentário:

  1. O experimentador começa a ter problemas, a ser um problema,quando percebe que os objetos percebidos não são confiáveis.Pais, amigos,professores,religiosos...
    Conflito estabelecido,ele percebe que ele próprio também não é confiável.Ele é um deles.
    Quem vai atirar a primeira pedra? kkkk

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