sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Satsang: Você é a Única Realidade



Qualquer ideia que tenhamos a respeito de nos livrarmos de algo é uma ilusão. Nós podemos usar a palavra “liberdade”, mas a expressão “se livrar de” é uma ilusão. Você não tem que “se livrar de”; você não tem que se livrar de crenças, de conclusões e de suas opiniões; você não tem que se livrar da pessoa, do eu, do ego. 

De onde parte exatamente essa ideia de se livrar? Quem se livra do quê? Vocês estão acompanhando? Por que quero me livrar? O que me impulsiona a trabalhar nessa direção, na direção de me livrar de algo, como, por exemplo, o apego? Reparem que é muito comum a ideia de nos livrarmos de apegos, a ideia da renúncia... Onde isso acontece? Quem tem essa necessidade de “se livrar de”? Percebem aí? 

Então, eu quero colocar para vocês claramente: você está onde o Despertar está, porque você é essa liberdade. É do sentido de separação, de separatividade, que você precisa estar livre, permanecendo em sua Real Natureza; e, ao estar em sua real natureza, você já está, naturalmente, livre disso. 

Você não pode caminhar nessa direção e não precisa se livrar disso, falando assim, de forma mais acurada e cuidadosa... O que você precisa é constatar a ilusão desse sentido de separatividade. Esse constatar já é a Liberdade que é você.

Então, repito: o Despertar está onde você está, porque você não é o sentido de separatividade. É uma coisa interessante isso ser visto. O ego, o eu, a pessoa, é só uma crença, não é uma realidade, não é o que você é. Você é isso no qual tudo está incluído, inclusive o sentido de separatividade, a pessoa, a individualidade, o eu, o mim, o meu, o apego e o desapego. Não existe uma ação que possa ser feita na direção desse despertar, porque despertar é o simples constatar de sua Real Natureza. Isso é um acontecimento da Graça, na constatação da não existência do ego, do eu, do mim, do sentido de separação, de separatividade.  Está claro isso?

É exatamente a ideia de nos livrarmos de algo que fortalece o sentido de separação, quando esse trabalho  é direcionado a um objetivo (e o objetivo agora é a prática espiritual), como no esforço, nas técnicas de respiração, nos mantras sendo cantados e nas diversas práticas de meditação. 


Apenas deixe cair tudo isso, por meio da desidentificação com o sentido que essa crença produziu, que é o sentido desse mim, desse eu, dessa pessoa. Aquilo que você é, em sua Real Natureza, abraça incondicionalmente qualquer aparição. O sentido de separatividade também é uma aparição. Identificar-se com esse sentido de separatividade é estar em sono. Desidentificar-se desse sentido de separatividade é estar livre, é ser livre, o que, na realidade, é a própria liberdade, pois não há alguém nisso, não há alguém na liberdade, não há alguém acordado, desperto, iluminado.

Aquele que desperta, aquele que acorda, aquele que vivencia a realidade não é o mim, o eu, o ego, a pessoa; não há alguém nisso. O que nós temos é só o Despertar, o Acordar, a Iluminação, a Realização, ou qualquer um desses nomes, mas não tem alguém nisso. Então,  eu repito: onde você está, o Despertar está.

Esse você, naturalmente, não é uma pessoa, não é um indivíduo, não é um eu, um mim, um ego, mas é essa Ilimitada Presença, essa Ilimitada Consciência, onde tudo aparece e desaparece. Você é Iluminação. A crença que você tem sobre si mesmo é a ilusão de uma falsa identidade, aquilo que chamamos de ego, eu, mim, pessoa. Isso jamais desperta, jamais acorda, simplesmente porque isso não existe, é uma ilusão.

Olhe Isso, que é você sem conceitos. Isso significa vivenciar diretamente seu Estado Natural, que já é Meditação, aqui, agora e neste instante. Meditação não é uma prática, é o seu Estado Natural de desidentificação com tudo aquilo que aparece e desaparece, como são os sentimentos, pensamentos, emoções, o corpo e qualquer experiência sensorial. No entanto, Meditação, como Estado Natural, inclui tudo isso.


Então, não existe qualquer ideia de nos libertarmos disso, porque isso só aparece e desaparece Naquilo que é este “Eu Sou”, que é anterior a qualquer conceito, a qualquer ideia, a qualquer ir e vir. Essa é a sua Real Natureza, e essa é a natureza do Despertar, da Iluminação.

"Alguém" jamais se ilumina. Nunca houve alguém Iluminado. Isto, que é você em sua Real Natureza, que é este “Eu Sou”, nunca deixou de ser o que É. Você é Iluminação! Nós temos dito isso aqui sempre, nesses encontros. Trata-se apenas de uma mudança de olhar. O que acontece na Auto-Investigação, na Meditação e na Entrega não é uma prática, é um trabalho desta Graça, desta Presença, que acontece neste instante, agora, aqui. Simples isso ou complicado?

Nesse ouvir sem conceitos, nesse ouvir direto, tudo é muito, muito, muito simples. Não podemos ver isso que está sendo colocado aqui pelo intelecto, através de avaliações, comparações, com base em conclusões já tiradas anteriormente. Só podemos ver isso agora, aqui, nesse instante, nesse ouvir sem esse elemento chamado intelecto - aqui ele não entra.

Há algo novo presente nesse constatar da realidade ou da falsidade de uma fala como essa: é esse ouvir diretamente. Não fazemos muito uso de algumas palavras, senão eu chamaria isso de ouvir intuitivamente, ouvir com o coração, como eu prefiro chamar. Isso significa Ser, Meditação, que é Auto-Investigação, que é Entrega. Uma fala que nasce desse estado de Presença - esse falar, que agora, neste instante, flui - é só um acontecimento.

Eu escuto com você qualquer palavra que acabo de colocar, nascida desse estado de Presença, nessa visão de que acontece agora, nesse instante. Estou vendo exatamente junto com você, colocando isso em palavras. A palavra que nasce dessa Presença se encontra nessa Presença, nesse comungar ou nessa comunhão. Isso é Silêncio, isso é compreensão, isso é constatação, sem alguém que constata, sem alguém que compreende e sem alguém envolvido nesse Silêncio.

Agora mesmo, aqui, onde você está, está o Despertar. Não há nada separado disso que é você nesse instante. A simples constatação do que é, daquilo que se apresenta aqui e agora, põe fim a ilusão de toda separação, separatividade; isso é o término do sono. Não há essa coisa do passo “A” até o passo “Z”, não há qualquer progresso ou evolução, nenhuma transformação se faz necessária, não existe nenhum elemento, aí, passando por essa transformação. Tudo está agora nisso que é você, como uma experiência acontecendo nisso que é você, nessa ilimitada Consciência, nessa Ilimitada Presença, nessa Liberdade, nessa Verdade, neste Silêncio, nessa Única Realidade que é Você.

Isto é beatitude, é felicidade, é amor, é paz, é qualquer um desses nomes, ou nenhum deles. Eles chamam isso de Iluminação, que na realidade é o seu Estado Natural, é você mesmo; não é uma outra coisa separada disso que é você, aqui e agora, neste instante.

Você não pode deixar de ser o que É. Até mesmo a ilusão dessa falsa identidade acontece nisso que não muda, que é você em sua Real Natureza. Não pode haver nada, absolutamente nada, separado dessa única Presença. Não há eu, mundo, ego, indivíduos, Deus, nem nada, fora dessa única realidade. Essa única realidade é esta Presença, que é Ser, que é Você, e aqui eu coloco a palavra Deus, não no sentido de uma crença, de um conceito, de uma ideia, de um elemento separado. Estamos dizendo que só há Deus, só há esta Presença, só há este Ser, só há Você. Até aquilo que chamamos de dualismo ou dualidade aparece nisso que é Você.

Você é a única realidade que pode testemunhar qualquer coisa.
 


Trecho de uma fala em um encontro presencial, transcrita e revisada

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Satsang: O UNIVERSO EXISTE EM VOCÊ



O fato é que você está sempre neste lugar, que é totalidade e completude, onde não há qualquer carência ou necessidade, pois cada acontecimento aparece como uma resposta precisa para aquele exato instante. 
Eu poderia chamar este encontro, esta fala, de "onisciência". A palavra "consciência" significa "ciência com".  A mente duvida, a Consciência é "com ciência", ou seja, a compreensão desse momento presente, enquanto a "onisciência" é aquilo que tudo sabe.
Como pode esta Consciência se esquecer dela mesma? Como pode isso, a expressão dessa identidade separada, a ilusão, a ignorância, ser possível na "com ciência"? O fato é que não pode. A Consciência é sempre esta "com ciência". A Consciência não deixa de estar, de ser ciente dela mesma. Ela é onisciente e consciente. Como pode a ignorância, a ilusão, o sentido de uma identidade separada, aparecerem na Consciência, se ela é onisciente? Quero repetir isso: só parece aparecer. Não há tal coisa como ilusão, não há tal coisa como ignorância, não há tal coisa como separação. E todo sofrimento implicado nisso, isso apenas parece ser.
Não parece ser para a Consciência, parece ser para a mente. Para a mente parece ser, para a Consciência apenas aparece, no Ser. A Consciência está sempre ciente do seu próprio Ser. O Ser ciente de si mesmo. Em resumo, Consciência é o que é.  Na Índia eles chamam:  a "ilusão da ignorância”.
A investigação dessa ilusão acontece na mente, e a mente é a própria ilusão. Aqui está toda a coisa: como a ilusão pode investigar a ilusão? Como a mente, que é uma ilusão, pode ver a si mesma? O trabalho sempre é todo da Graça, sempre é todo da Consciência. Não faz o mínimo sentido isso, é algo completamente sem sentido. Mas aí é que está: nenhuma brincadeira precisa fazer sentido para ser divertida. A brincadeira já é divertida por ser uma brincadeira.
Este é o encontro daquilo que não está perdido, o fim da ilusão que nunca existiu, a Consciência se mostrando consciente sem nunca ter estado inconsciente; esta é a brincadeira que não faz sentido. Curiosamente, na mente, isso é uma coisa muito séria, porque, na mente, este estado de brincadeira é o estado de miséria, conflito,  dor e sofrimento.
Mestre - Você quer me perguntar alguma coisa sobre isso?
Participante - Ela é a brincadeira ou ela é o brinquedo?
Mestre - Ela é o brinquedo e a brincadeira. Somente a Consciência é o que brinca, é a brincadeira e é o brinquedo. A mente só pode fazer o papel do brinquedo e da brincadeira. Mente aqui é o processo, o desenrolar do sonho; o sonho da ignorância e dessa ilusão. O brinquedo é o fenomênico. Toda a manifestação fenomênica é o brinquedo, e a mente é a brincadeira, mas o brinquedo ainda é a mente, e o que brinca é a onisciência da Consciência. Ela brinca de se esconder na mente, e depois revela-se como Aquilo aonde a mente aparenta aparecer.
Não se confundir com nenhum fenômeno, com nenhuma experiência, com nenhum processo mental, é a Consciência ciente do Ser, é o Ser ciente de Si mesmo. Eu quero repetir isto: Ela nunca deixou de estar ciente de Si mesma, apenas aparenta esquecer-se disso. Esta é a brincadeira, por isso é engraçado.
Participante - Eu não sei se eu rio ou se eu choro ! (rindo)
Mestre - Sorrir ou chorar é a própria brincadeira. Despertar é estar neste sonho em plena ciência de que é um sonho. É estar na brincadeira sabendo que você é o que brinca, além da brincadeira e do brinquedo, sem separação: sorrisos e lágrimas, prazer e dor, ganhar e perder, chegar e partir, nascer e morrer, isto e aquilo; mente, corpo e mundo no coração dessa experiência, desse experimentar, agora presente. Estar aqui é onisciência e liberação. Sobram apenas felicidade, paz e amor.

Isto não é só onisciente, mas sim todo o poder. É o único autor de todos os feitos e ações.  É o único que faz acontecer e desfaz. É onisciência e onipotência. É o único poder que está em toda parte e em nenhuma parte, que interpenetra e torna viável cada experiência acontecendo.

Não existe algo acontecendo fora Disso que move tudo. É Isso que faz os seus olhos piscarem e o seu coração bater.  Isso faz o ar entrar e sair dos pulmões. É Isso que constrói e destrói.

A mente se preocupa, na arrogância do sentido de separatividade, a criar a ilusão de ser o autor, o mantenedor e o destruidor. Apenas o "eu" acredita na ilusão dessa falsa identidade, que imagina estar no controle. Reparem a preocupação que temos nessa ilusão do poder de criar, manter e destruir.

O mundo não é problema seu, o planeta não é problema seu, este corpo aí que é o que você tem de mais íntimo, de mais próximo,  ainda não é problema seu, simplesmente porque você não existe neste corpo. É este corpo que existe em você, é este mundo que existe em você, é este planeta que existe em você. É este universo que existe em você. Em sua Natureza Real você é onisciente e onipotente.  Não é você que está no mundo, é o mundo que está em Você.

O corpo aparece e desaparece, o mundo aparece e desaparece, o planeta aparece e desaparece. Tudo o que apareceu um dia irá desaparecer. Tudo o que vem e vai, tudo o que aparece e desaparece, absolutamente tudo, está dentro desse processo de transformação e mudança, dentro dessa onipotência e onisciência da Consciência, presente  além de tempo e espaço, sempre.
A sua Natureza Real é onipresente. É nessa onipresença que o tempo e o espaço na mente aparecem. Esses nomes diferentes estão apontando para esta Única Presença, para esta única, ilimitada e indescritível Consciência.
Essa é a Verdade sobre você. Esta é a Verdade sobre tudo.

Para terminar, eu diria que tudo o que existe é Consciência. O Ser é tudo o que existe.  É o que é!

Namastê!


Trecho de uma fala transcrita e revisada a partir de um encontro presencial

domingo, 25 de janeiro de 2015

Paltalk Satsang: Ouvindo o meu cântico, o som da alegria que se espalha por todas as partes!



Mais uma vez, bem vindos a esse espaço desconhecido, esse espaço inédito!  A Consciência é esse espaço... Todos os dias, estamos compartilhando Isso, pela fala ou pelo silêncio; compartilhando esse encontro... um encontro neste lugar. Você pode sempre acolher aqueles que se aproximam de você neste lugar, que é um lugar novo, desconhecido, inédito, chamado Consciência.

Consciência é esse oceano sem praias; é essa indescritível quantidade de água por todos os lados. Essas águas representam, nesta metáfora, essa Luz... Aquilo que permeia, interpenetra... e está em toda parte. E mais do que isso, sendo todas as coisas. Nada está separado disso.

Estou todos os dias convidando você para ir além dessa limitação, que é ser um objeto, ser uma coisa ou ser algo, para ser aquilo que você É: esse oceano sem praias. Esse oceano sem praias é Deus; Aquilo ou Aquele que permanecerá sempre sem nome, sem localização, sem tempo e sem espaço. É essa coisa imensurável, que banha tudo em suas águas. Nada pode escapar d’Ele.

Você não sabe porque veio a esse espaço chamado Satsang, mas eu sei porque você veio. Você está ouvindo a minha canção, meu cântico. A dança que acontece, ao som dessa música, espalhou alegria por toda parte... Você ouviu isso... Você veio. Você é o meu convidado... minha convidada. Meu convite lhe permite banhar-se nessas águas, ao ouvir esse cântico, e dançar comigo.

Há tantas lágrimas em toda parte... Há a aparência da escuridão diante de toda essa luz da Consciência... Há a aparência da secura de todo esse deserto, diante dessa imensidão de águas, que umedece e molha tudo. Nada escapa.

Na Índia eles chamam de sat-chit-ananda: Ser, Consciência, Felicidade. Essa é a sua Natureza Real, natureza de Deus. Essa é a música dos seus lábios, os passos da sua dança e o brilho no seu olhar. Parece que você esqueceu... parece que você esqueceu.

Você não escolheu vir. Eu resolvi buscar você, apesar de você e de toda a sua briga comigo; apesar de você e de toda a sua resistência e aparente surdez, pois você se diz surdo e paralítico, sem poder ouvir e sem poder dançar, como esse deserto seco, sem vida. Mas, apesar de você, apesar de toda a sua persuasão, seu empenho e desejo de me convencer do contrário, você continua sendo para mim aquilo que você É: sat-chit-ananda. Eu não vou desistir de você, porque você É o que Eu Sou... Você É o que Eu Sou.

Satsang é isso: assumir essa imensidão de águas... de luz da Presença, que é Consciência. Satsang é não só ouvir o cântico, mas cantar também... Não só ver a dança, mas abandonar a ilusão da paralisia e da surdez... Ouvir e também dançar.

Eu Sou Aquele sem nome, que não pode ser localizado no tempo... não está no passado... não está no presente... não está no futuro. Não estive lá, não estou aqui e não estarei acolá.

Esse momento é o seu momento, que, embora haja muita Graça, está muito sem graça. Eu trago Graça, trazendo você para essa festa. Vai ficar bem melhor assim. Foi por isso que Eu entrei, cheguei e parei aqui, agora, na Sua Vida. Eu Sou Ela... Ela sou Eu... Ela é o Eu Sou... Eu Sou. Você não sabe disso? Não mesmo? Você sabe, mas esqueceu. Eu repito, você sabe, mas esqueceu. Você se confunde, se deixa perturbar, se deixa afligir pelo sonho de ser "alguém"... alguém que está só... alguém que tem medo. Você não percebe ou não quer perceber? Não é possível estar só, porque Eu estou com você... Não é possível estar só, porque Eu Sou Você. E onde estou há muita celebração, há muita alegria, há muita dança, há muita música. Apenas pare de mentir, confiando em historinhas mentais, em sonhos, em crenças, ou dando a si mesmo, a si mesma, esse sentido de ser alguém só, alguém em solidão. Eu Sou a sua alegria; você É a minha alegria.

Você está comigo em toda parte, espalhado, espalhada, por todos os lados, como essa luz presente, na qual o mundo inteiro aparece. Você é essa luz, a luz desse mundo. Um dia Cristo falou dessa Luz, referindo-se a você, quando Ele disse: “Vós sois a luz do mundo”; Ele falava dessa imensidão, dessa indescritível Presença em toda parte, tornando possíveis todas as aparições. Você esquece quem você É e para de dançar, vendo-se sem pernas, inútil, numa suposta paralisia; além de surda, sem ouvir. Por isso, Eu vim lembrá-lo, lembrá-la, de quem você É: Deus é o seu nome; Verdade é o seu nome; Paz é seu nome; Liberdade é seu nome; Felicidade é seu nome; Graça é seu nome; Santidade é seu nome; Presença é seu nome; Silêncio é seu nome. E assim é: Eu estou aqui por Você.

É isso... Alguma pergunta? Então, pessoal, vamos ficar por aqui!

Até o próximo encontro.


Fala transcrita e revisada a partir de um Satsang online via Paltalk Senses no dia 16/01/15
Encontros todas as segundas, quartas e sextas-feiras a partir das 22h - horário de Brasília

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Permaneça Neste Eu Sou - Satsang


Todos os relacionamentos são baseados no pressuposto de "alguém com alguém", porém eles aparecem nesse ilimitado espaço que é você, dentro desse Ser indescritível. Tudo está aparecendo, como os parentes, amigos, outras pessoas, coisas e lugares, mas, enquanto tudo isso muda, você não muda.

É assim: um chega, o outro vai; enquanto um nasce, o outro morre; um amigo se afasta, o outro chega; um professor chega, o outro vai embora; um aluno vem, o outro vai. São somente experiências nessa única experiência imutável, que é pura Consciência, que é pura Presença, que é você, e que nunca perde ou ganha; não aumenta, quando chega mais, nem diminui, quando coisas desaparecem. É tão simples isso!

Apenas a mente vê diferença, porque sempre tem um outro ponto de vista. Estou  dizendo que só há um ponto de vista, que é aquele da Consciência. Pode-se chamar isso de "Visão Panorâmica". Esse é o único ponto de vista real, mas a mente criou uma visão particular, baseada em toda representação de história que ela conhece. Toda a interpretação da vida, que é relacionada com essa história, está dentro desse ponto de vista puramente mental e ilusório, que fraciona, separa, divide, compara, julga, ganha, perde e, consequentemente, cria a multiplicidade. Este é o ponto de vista da mente.

A visão distorcida e ilusória da mente dá azo a uma falsa identidade que se passa por você. A ênfase nesses encontros é olharmos e percebermos claramente isso: a ilusão do ponto de vista mental.

Você é o som do pássaro que canta, no momento em que acontece. Você é sempre o que aconteceu, o que acontece e o que acontecerá. Tudo está acontecendo em você; não há lucro ou perda,  nada é acrescentado ou tirado. Fique nesse Eu Sou, que é você. Somente assim todas as crenças, como "eu sou isso, eu sou aquilo", "sou assim, sou assado", "cozido ou mal passado", desaparecem.

Permaneça nesse Eu Sou, que é a única porta. Somente, então, é que aparecem a Graça, o amor, a liberdade e a felicidade.  Atravessando essa porta surge, enfim, a sabedoria de sua Natureza Verdadeira, que sempre esteve aí.



 Trecho transcrito e revisado de um Fala de um Satsang em um encontro Presencial

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Paltalk Satsang: Esta Vida é para esta Realização!




Realização não é um trabalho de um fim de semana. Você não pode olhar para esse trabalho desta forma, porque isso aqui não é como um workshop ou um curso, com uma carga horária determinada, que após concluídos está tudo resolvido. Você tem essa vida para realizar isso. É importante que você escute isso, muitas vezes: essa vida é somente para realizar Isso. Essa vida que você tem, que acredita ter, e da qual acredita ser dono, senhor e diretor, tudo isso, é uma crença. Essa vida é para esta Realização: da única vida, da Real Vida.

Essa Real Vida eu chamo de liberação, algo presente nesse instante. Esse é o momento único dessa Realização, não há outro momento. Você não pode impor uma condição, não pode idealizar uma forma, planejar um caminho, caminhar numa determinada direção, ou seja, não há nada que você possa idealizar, planejar e fazer para realizar Isso.

No entanto, isso requer, paradoxalmente, um grande esforço, que não é um esforço no formato daquilo que a mente pode propor, mas, mesmo assim, é um esforço. É preciso uma aplicação total, uma dedicação total; é preciso toda a sua vida dedicada ao fim dessa suposta vida que você acreditar ter, controlar, construir e ser alguém nela. Todas as vezes que abrimos a boca para falar sobre Isso, nós nos encontramos dentro desse paradoxo, algo indizível sendo colocado em palavras, impossível método, caminho ou formato. No entanto, estamos aqui, neste espaço chamado Satsang, colocando em palavras o que está fora das palavras, e propondo algo fora daquilo que a mente pode realizar, através de seus planos, intenções, motivos e desejos.

Estamos juntos?

É algo fundamental a paciência de se deparar com Isso, que é desconhecido e não pode ser alcançado pelo pensamento, nem, a princípio, idealizado, planejado e executado pelo pensamento. Essa paciência na aproximação desse desconhecido, que é fundamental, é o que eu acabo de chamar de esforço. Mas repare: você é impotente e não pode realizar Isso. No entanto, Isso precisa ser realizado.

É aqui que nos deparamos com este paradoxo: um esforço seu só o afasta da Realização. Tudo o que você pode fazer, nesse esforço pessoal, o afasta, porque está baseado em suas crenças e desejos pessoais, e na imaginação acerca disso. No entanto, eu o convido a um esforço, entretanto é o esforço de uma outra ordem. Há um texto de Annamalai Swami no qual ele fala de um esforço, que se faz necessário. É desse tipo de esforço que estamos falando e eu chamo de "se aquietar". Durante muito e muito tempo, o seu movimento está no fazer, idealizar, planejar e buscar execução, num grande esforço de "alguém" dentro de um objetivo, de um sonho e de uma imaginação, todavia este esforço é inútil. Estamos falando de um esforço totalmente diferente, que eu chamaria de não-ação, não-planejamento, não-imaginação e não-execução, descobrindo a ciência de estar quieto.

Para vocês a coisa mais complicada, a mais difícil de todas, que requer o real e maior esforço, não é a idealização, o planejamento e a execução, mas, sim, o desistir, o ficar quieto, o abandonar-se, o render-se, o entregar-se; é confiar inteiramente na Graça, pois realizar Isso somente é possível pela própria Graça. É aqui que a presença do Mestre se faz necessária e é algo insubstituível, porque, por sua Graça, somente Ele faz você aquietar-se, diante do olhar dessa Presença. O Guru, Deus, Consciência, sempre, sempre e sempre será necessário e você não pode substituí-lo por uma ideologia, por uma crença, ou pela recusa de olhar esta verdade: você não pode realizar Isso no intelecto, por mais habilidoso, eficiente, bem treinado e culto que ele seja, ou por mais formação que ele tenha, ou quão grande seja a habilidade adquirida ao longe dos anos. A Realização não faz parte do intelecto, que é parte da mente e um ótimo instrumento para separar, multiplicar, dividir, somar, avaliar, comparar, julgar, ponderar, refletir, entender, justificar, explicar e assim por diante. Portanto, quando falamos daquilo que está além da mente, ao intelecto é possível somente imaginar a respeito, algo que pode fazer muito bem, o que vocês tem feito ao longo desses anos e, justamente por isso, não podem se aquietar e ficar quietos.

Somente uma ação desta Graça, desta Presença, que varre o intelecto e põe fim a este movimento de inquietude, pode trazer essa quietude. Você não pode fazer isso, pois esse esforço não é seu; é o esforço dessa Presença, desta Graça, acontecendo aí. Isso não é simples, ou quando falado a respeito fica simples, embora possa parecer difícil, mas, com um pouquinho de dedicação, você pode perceber o quanto isso é simples. Entretanto, o que quero dizer é que, embora seja simples, estamos diante de algo que não é fácil: estar nesse esforço, que não é um esforço pessoal. Isso é uma entrega que a mente, o intelecto e a pessoa não conhecem; que o suposto autor das ações não conhece. Então, só lhe resta o olhar desta Graça, desta Presença.

Dedique o seu coração a essa entrega, à busca do sagrado, e, de todo o seu coração, deixe essa chama arder e queimar, pois assim o Guru aparece, o Mestre aparece, a Graça aparece, e o Real esforço é possível. Somente quando esse esforço opera, trabalha e realiza o seu propósito, você, nessa quietude, pode chegar a esse ponto e, num belo dia, isso amadurece e torna-se o seu Estado Natural. Todavia, enquanto Isso não estiver estabelecido e não for aquilo que você é - seu estado real, seu estado natural -, é uma grande estupidez falar de não-esforço, excluindo a presença da Graça, do Mestre, de Deus.

Chegará o dia em que não haverá nenhum esforço, pois estar quieto não requer nenhum esforço. Na Bíblia há um versículo que diz "Ficai quieto e sabei que eu sou Deus", que está falando exatamente sobre isso. Compreender esse princípio intelectualmente não resolve, por tornar-se um sistema ideológico, filosófico, de crenças e um sistema espiritual, o que é algo bastante inútil. O que funciona somente é o poder dessa Presença, o poder dessa Graça, que é Consciência. Então, esse estar quieto, ou ficar quieto, é o único esforço. Essa entrega, de fato, não requer esforço, mas, mesmo assim, é o único esforço que se faz necessário.

Estamos falando desta Realização, não de uma crença. Vocês estão cheios de crenças e, provavelmente, já ouviram milhares de falas, leram dezenas de livros e frequentaram várias escolas iniciativas, místicas, esotéricas, espirituais, religiosas, filosóficas, e etc., etc. Sabem tudo, mas ainda estão nessa tagarelice mental. Não há espaço, não há silêncio e não há quietude; não há um real esforço, que é esse não-esforço; não há uma ação da Presença, da Graça, da Consciência, desse amor divino realizando a coisa.

O esforço que se faz necessário significa ir além do mundo; o mundo que você vê e experimenta; o mundo que você, como entidade separada dele, desfruta e no qual sofre, como "alguém" dentro dele. É preciso ir além desse mundo, indo além do sentido de "alguém" nessa experimentação.

PERGUNTA: Seria um esforço nosso, não um esforço para se realizar, mas sim um esforço para não atrapalhar?

MESTRE: É parte disso, mas não é só isso. Estar quieto não significa apenas não atrapalhar. Estar quieto significa se permitir; jamais resistir, lutar ou se defender; jamais fazer, tentar fazer, acreditar poder fazer ou imaginar ser capaz de fazer qualquer coisa. Isso é um real esforço, porque é contrário a tudo o que vocês têm vivido até hoje. É relaxar em seu Ser, não dar asas a nenhuma imaginação; não confiar absolutamente em nenhum pensamento, em nenhuma sensação, em nenhum sentimento, em nenhuma emoção e em nenhuma crença, conclusão, imaginação ou ideologia.

Estar quieto é se permitir esse espaço, esse silêncio, esse vazio. Então, o muro, a muralha, o obstáculo, que é o sentido de controle, cai. Assim, a pessoa, ou alguém, cai, e esse "alguém", esse "mim", esse "eu", não está mais aí. Vocês aprenderam a estar no controle por muito tempo, porém isso não requer nenhum esforço; aprenderam, há muito tempo, a assumir responsabilidades, a se sentirem responsáveis por si mesmos, pelos outros, pelo mundo, e isso não requer nenhum esforço. Toda disciplina, toda prática, toda virtude que adquiriram, ou querem adquirir, é para continuarem essa coisa que não requer nenhum esforço.

Viver assim é algo que todos vocês, todos nós fomos treinados a vida toda, inclusive por livros, que nos ensinam as práticas espirituais, religiosas, filosóficas. O que requer seu esforço Real é desistir disso, parar com tudo isso, abrir mão de tudo isso. Um real esforço é não confiar nesse si mesmo, nesse mim, nesse sentido de alguém. 

PERGUNTA: Quietude parece sinônimo de que há um problema! No senso comum, eu me refiro.

MESTRE: Só há um problema, porque você está treinado a estar no controle. É natural ter a virtude do chamado esforço, que é essa coisa de ser ativo, tentar controlar, de tentar realizar e de tentar fazer, mas na verdade não requer esforço algum. Quando você começa a se aproximar dessa verdade, da verdade sobre si mesmo, nessa quietude, isso requer a presença da Graça, de Deus, do Guru, do Mestre, da Consciência, daquilo que está dentro e que agora se apresenta como a mesma Consciência na forma do Mestre. Quando você faz isso, esse real estar quieto, esse real esforço, você sai do senso comum. 

Todos vão olhá-lo como se houvesse um problema. Você é o problema, apenas porque está quieto; não tem mais a disposição de controlar, manipular, opinar, decidir, escolher, resolver ou julgar, e assim por diante; é um intelecto inativo. Para esses fins, você sai do senso comum e, agora, realmente é um idiota, um imbecil, um lunático, um alienado, um estranho. Observem o que eu estou falando, se é isso ou não é isso. O real esforço, de nenhum esforço, é visto dessa forma. Aí, não há mais interesse em discutir, dar opiniões, em brigar com os outros, em impor crenças aos outros, em se ocupar com a vida deles, em tentar moldá-los, mudá-los, transformá-los, ensiná-los, orientá-los e ajudá-los. Você abandonou o ilusório fazer e está no real esforço, porque abandonou o ilusório esforço, que não era esforço, mas somente um hábito, o movimento comum, o movimento desse "mim", desse "eu", do ego, dessa pessoa.

PERGUNTA: A gente, que está aqui a mais tempo, costuma fazer uma divisão didática de que existe uma real natureza e de que existe a mente. E, quando está falando com a gente, você não está falando para a mente, está falando para nossa real natureza. Então, você manda um paradoxo destes, “um esforço que não necessita de esforço” e a gente acredita que já está resolvendo esse paradoxo, porque, se existe a real natureza e a mente, a real natureza não se esforça e a mente se esforça. Como a gente “resolve” o paradoxo, parece que está enfraquecendo a sua fala e está perdendo novamente o ponto, pois parece que o intelecto está entrando aí para, mais uma vez, se apropriar e criar um entendimento. Então, eu gostaria que você comentasse isso: essa divisão que você está fazendo de real natureza e de mente, quando não tem mais paradoxo na sua fala, porque uma coisa é para um e outra coisa é para mente, por exemplo.

MESTRE: Aqui tem uma coisa que escapa, realmente, quando a gente coloca essas falas. Quando usamos a expressão paradoxo, não é nenhum paradoxo, pois é só o modo como a mente se aproxima disso. Se você tiver uma aproximação mental dessas falas em Satsang, você vai estar sempre diante de um paradoxo, de algo difícil de ser visto. Então, a melhor forma de ouvir essas falas é permitir-se ouvir, apenas ouvir. Há algo que não ficou claro, ainda, para vocês em Satsang: não há alguém falando e alguém ouvindo; há somente o ouvir, sempre. Se isso ficar claro, que só o ouvir importa, a questão que se torna paradoxal perde inteiramente a importância, bem como a resposta a este paradoxo. Quando tem alguém ouvindo, como quando tem alguém falando, vamos sempre nos deparar com essa coisa do paradoxo, porque alguém que nos escuta vai nos ouvir com um fundo de interpretação, de avaliação, de entendimento. Então, se houver apenas o ouvir, que é o propósito do Satsang, a fala que se dirige a esse espaço, a essa Consciência, a essa Presença, cumpre o trabalho dela.

Então, não se preocupem com nada, com essa questão do entendimento, pois somente assim vocês irão deixar de ver o paradoxo. Embora seja possível que, no que é manifestado verbalmente, isso seja percebido, internamente isso não terá mais nenhuma importância; esse é o sinal de que está presente apenas o ouvir, o ouvir direto. Quando há o ouvir direto, nesse ouvir direto não há nada paradoxal. A palavra é paradoxal, a palavra é dual; isso é a natureza da palavra, mas não é a natureza da Consciência, não é a natureza do ouvir. No ouvir direto, sem a separação que o intelecto faz, não há paradoxo. Está claro isso aí? Não há nenhum problema na palavra, na dualidade da palavra, no paradoxo da resposta por meio da palavra, quando há o verdadeiro ouvir.

Vamos ficar por aqui. Namastê. 


Fala transcrita e revisada tendo como fonte um encontro via Patalk Senses no dia 14/01/15
Encontros todas as segundas, quartas e sextas às 22h - Participem!

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Há um Perfume em Satsang




Eu costumo dizer que se reconhecer é simples, mas não é fácil... Eu não estou dizendo que seja difícil. É que por um longo tempo você tem confiado no pensamento. Há tanto tempo você tem ideias, acredita em conceitos, tem crenças e julgamentos, opiniões, e toda forma de ensino, que se confunde com isso... acredita ser "alguém", acredita ser "isso", mas “isso” nada mais é que um conjunto de pensamentos, que encontram fortalecimento e continuidade pela simples força do hábito. Isso é o sonho, é o sono... a ilusão.

Então, se você também acredita que o Despertar, a Iluminação, é algo sobrenatural, está vendo aqueles que estão fora do sonho, do sono, da ilusão, como super-humanos, privilegiados. A mente aí continuará repetindo: “isso não é para mim", "não vou conseguir", "isso é como achar o trevo de quatro folhas”... no entanto, isso é um truque da mente, na busca de sua continuidade.

Realizar ou constatar “o que você É” é simples, porque Isso é o que você já É. Porém, se você não colocar o coração nisso por completo, inteiramente, tudo continuará como sempre tem sido: sonho, sono, ilusão...

Há um perfume em Satsang: o perfume de seu Estado Real, de seu Estado Verdadeiro. No entanto, a mente vive de imagens e, naturalmente, cria uma imagem também acerca desse estado natural. Tenho algo a lhe dizer: enquanto você mantiver essas imagens acerca de "si próprio", estará vivendo uma ilusão, em meio a todas as suas práticas, seus estudos e leituras espirituais. Assim, enquanto houver essas imagens aí, ou qualquer imagem sobre "si mesmo", sobre o que anda "lhe" acontecendo, sobre qualquer experiência que esteja tendo, você estará vivendo uma ilusão: a ilusão dessa hipnótica falsa identidade, a ideia de ser “alguém”.

Não importa o quanto sua mente acumulou ao longo dessa longa jornada de aprendizado e crescimento, isso aqui é outra coisa. O Despertar é literalmente o fim do sentido de separatividade, ou de “alguém” presente. O que fica é só esta Presença. É preciso descobrir como ouvir o próprio coração, em simplicidade e entrega. A verdade só conhece essa forma, porque não há outra para ela se manifestar. Não pense, não analise e nem reflita sobre isso... Apenas sinta o que estou dizendo ou tudo continuará na mesma. Aqui, em Satsang, o perfume é do coração e não da cabeça.

Questionador: Estou ouvindo seu vídeo: “Satsang - A Ilusão de Um Eu na Ação”... Se tudo acontece sem mente, tudo é um “acontecer”, como a mente interfere? Por identificação?”

Mestre Marcos Gualberto: Aquilo que chamamos de “mente” é essa identificação com os pensamentos, ou seja, essa comum ideia: “estou pensando”, “sou eu que penso”... Saltamos sobre um pensamento e damos uma identidade a ele. É aqui que temos a crença nessa falsa identidade. É a “mente” a responsável pela ilusão da separação, assim como pela crença do “autor”, “realizador”, “controlador”.

Questionador: Amanhã, a minha mente terá um desafio: falar para mais pessoas. Sob pressão, é impossível para mim. Eu tento achar maneiras de relaxar, mas minha mente só foca nisso, como se tivesse algo que eu pudesse fazer. É provável que a pressão venha, e é sempre assim, como se a mente me atacasse com reações indesejáveis. Então, inconscientemente, acabo produzindo mais pressão pra “arrumar” isso... O que fazer, Marcos?

Mestre Marcos Gualberto: Você acredita que está no controle. Assim, a ansiedade está presente, e agora você quer vencê-la; mas você não vence a ansiedade... Essa é outra ilusão... A ansiedade é olhada de perto, em intimidade, porém não crie a ilusão de uma separação entre você e essa ansiedade; permita que ela se desdobre por completo aí nesse mecanismo, nesse organismo, nesse corpo-mente. Isso é feito sempre no momento em que essa energia se manifesta. Não se importe com os pensamentos que aparecem aí, não se identifique com eles... O que importa é como essa energia se manifesta agora, neste momento. Deixe essa energia vir; não reprima e nem se identifique com ela... libere-a, e perceberá que ela se dissipará. Isso é o fim da ansiedade. Então, não importa mais o resultado do que tem que acontecer. O que tem que acontecer, acontecerá. Não há “alguém” nisso.

Questionador: Mestre, você sempre fala que não tem “ninguém”, não tem nenhum “mim”, nenhum “fazedor”... E quando acontece um crime como esses, que vemos nas notícias diariamente? Também não tem ninguém? Então quem é que age?

Mestre Marcos Gualberto: Porque isolamos um pequeno evento ou acontecimento, como se ele fosse possível sem muitos outros pequenos eventos por detrás dele, seja ele um crime ou a queda de um avião, ou qualquer feliz ou infeliz acontecimento? O que temos por trás disso são inúmeros outros acontecimentos. Como podemos isolar um “eu” responsável, como o autor disso? Só há uma única Presença por detrás de tudo o que acontece, ou parece acontecer, até mesmo no cair de uma única folha de uma árvore. Há apenas um Autor e só um aparente acontecer, e isso está aqui neste presente momento... É assim...


quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Paltak Satsang: Tudo o que você pode buscar na mente é parte de sua limitação!



Boa noite a todos.

Esse momento é o momento do despertar. Isso significa o fim da mente, o fim da limitação. Estamos falando do fim desta limitação, que para vocês não fica muito claro. Quando falamos de limitação estamos falando do movimento da mente.

O que significa a mente? Qual a proposta e o significado que ela tem?  O que ela representa? A mente, assim como o corpo, pode ser testemunhada, por ser ainda, um objeto. Aqui, mente é esse conjunto de pensamentos, de ideias e crenças, de opiniões e conclusões.

Onde houver certeza, lá estará a incerteza a espreita. Onde houver segurança, lá estará a insegurança à espreita. Onde houver preenchimento, lá estará o não preenchimento, também.

Não há oposto sem o seu contrário. Tudo o que pode ser conhecido e limitado tem o seu oposto, tem o seu contrário, e isso é a limitação. Essa limitação é dualidade, que é o movimento da mente. A mente é dualista, e, em seu movimento, tudo o que ela produz tem o seu oposto, o contrário. Para ela, não pode haver o bem sem o mal, a justiça sem a injustiça, a bondade sem a maldade.  O amor que nós conhecemos contém o seu oposto; a vida que conhecemos contém o seu oposto; a liberdade que conhecemos, também, contém o seu oposto.

Dessa maneira, o amor que conhecemos é o amor que carrega o seu oposto e, por estar dentro dessa limitação, logo se transforma em ódio. Então, isso não é amor. O amor real não pode ser conhecido, não pode estar limitado, não pode transportar o oposto; não pode ter o oposto, que seria esse ódio à espreita.

A vida Real, também, não pode carregar o seu oposto, não pode ter um oposto à espreita. A vida Real não pode carregar a morte. A vida que conhecemos é aquilo que é conhecido e está dentro da limitação. Essa vida conhecida pode desaparecer nessa, assim chamada, morte. Portanto, a liberdade que nós conhecemos é a liberdade da limitação. O que quer que você experimente como liberdade não é a Liberdade, pois o que conhecemos é uma reação de opção ao seu contrário, ou seja, é uma reação de oposição à não-liberdade.

Então, a liberdade que vocês conhecem está dentro dessa limitação, carrega esse oposto e é uma reatividade à não-liberdade. É interessante ouvir isso, porque quando vocês vêm a Satsang investigar isso comigo, quando se dispõem a estar aqui, vocês não estão interessados na  vida Real, mas na vida contrária à morte; não estão interessados no amor real, mas no amor que preenche vocês e não permite mais sofrer, que é o oposto dessa coisa limitada chamada ódio.

Quando você vem em busca dessa liberdade, vem à procura de uma resposta para essa não-liberdade. Então, o que você está buscando é uma reatividade. Você não está em busca do amor real, da vida real, da liberdade real. Tudo o que você pode buscar na mente é parte de sua limitação, porque é só o que ela conhece. Entretanto, aqui você se depara com algo totalmente diferente de tudo isso.
Estamos juntos?

Quando nós nos encontramos nesse espaço chamado Satsang, estamos diante do espaço desconhecido, em contato com a Graça, que é Isso; é o fim de toda essa  limitação: da vida limitada, do amor limitado e da liberdade limitada. São limitados a verdade, o amor e a vida que você busca; eu posso juntar, ainda, a felicidade, a paz e a consciência que você busca.

A consciência que você busca contém, também, a mesma limitação, porque contém a inconsciência, que é seu oposto, o contrário. A felicidade que você busca não é a real felicidade, porque, na mente, nessa limitação, tudo o que você busca é prazer, é preenchimento, é limitação. Então, essa felicidade que você busca contém seu oposto, estando fadada, destinada, a ser a felicidade infeliz; a infelicidade, chamada felicidade pela mente.

Assim, tenham paciência, paciência, paciência e paciência. Em sua Natureza Real não existe oposto, pois Ela permanece, sempre, incognoscível, a dimensão real, a vida real, o amor real, a paz real, a liberdade real e a felicidade real.  Sua Natureza Real é algo que permanecerá sempre inalcançável, mas não porque é algo distante ou impossível de ser tocada; permanecerá inalcançável porque a mente não pode, em sua limitação, apreender o significado disso. Você tem que desistir da mente e desistir, definitivamente, de toda e qualquer crença, conclusão, ideia, certeza e definição.

Então, despertar é o florescer dessa Verdade não limitada, desconhecida, inalcançável. Ela não é algo prático, no sentido de que possa fazer dessa vida limitada, que você acredita ser "sua vida", uma vida gloriosa. É preciso que essa "sua vida" e  essa limitação na mente desapareçam; enfim, que essa suposta felicidade, essa suposta paz, essa suposta vida e essa suposta liberdade desapareçam.
Eu sei que não sobra muito e você fica diante de um impasse: você não pode fazer nada e fica completamente impotente diante disso. Então, aqui está a Graça; somente Ela pode realizar esse trabalho, que é dela.

Quando você para, fica quieto, e desiste do conhecido, da limitação e da mente, isso é Meditação, que não é uma prática ou uma ação. Ela não caminha para uma direção, nem pretende lhe dar um transporte, rápido e seguro, para chegar lá. Meditação não é um fim, não é um meio; não é um ponto de parada, nem um transporte para esse lugar. Meditação é a natureza do incognoscível, do desconhecido, da não-mente.

E na natureza dessa Presença, que permanecerá sempre inalcançável, você não chegará, porque não pode chegar em um lugar que não existe. Você não pode, em sua imaginação,  transformar a visão da imagem de uma corda, num quadro na parede, em uma serpente. A mente tem produzido tudo isso, no entanto ela não pode se livrar do que produz. Tudo o que a mente pode fazer é lhe dar um caminho, depois um segundo caminho e depois mais um caminho; depois um novo caminho, e assim por diante. O objetivo da mente é atingir algo, é alcançar Isso, mas é pura imaginação, ou seja, está vendo e almejando algo que não está ali, que ela não alcança.

Como é que soa isso para você? Dá para acompanhar?

Você não está aqui para ser poupado, pois ser poupado significaria ter a vida, a liberdade, a felicidade e a verdade que você sonha, e isso não é possível. Isso é pura imaginação; é, ainda, o movimento do conhecido, que parte da mente.

Despertar é estar fora disso. É a Consciência desconhecida, Inominável, Indescritível. É a paz, além dos opostos, não aquela paz que se procura, que se busca. É felicidade, além dos opostos, não a felicidade que se busca. É a vida além dos opostos, não a vida que entendemos como vida. É o amor que não pode ser encontrado, assim sendo é o amor que não se busca; é o amor que não tem o oposto. 

Boa noite. Namastê.



Corrigido, revisado e transcrito a partir de uma fala via Paltalk Senses no dia 12/01/15
Encontros todas as segundas, quartas e sextas às 22h.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Paltalk Satsang: A parede do "eu" como o alicerce para a ilusão da separatividade



 Olá, pessoal! Boa noite e sejam todos bem vindos a mais um encontro, aqui pelo Paltalk.

Aqui estamos em mais um momento no qual temos essa oportunidade de nos encontramos.

Na verdade, nos encontramos mais uma vez nesse "não-lugar", que é o único "não-lugar" onde é possível um encontro. Entretanto, nesse "não-lugar", em que esse encontro é possível, não é possível um encontro, porque o vazio não pode se encontrar com ele mesmo; tudo o que pode ser feito para o encontro entre o vazio e ele próprio é o fim de uma parede. Se há uma parede entre dois espaços e ela é tirada, encontra-se o vazio. E é nesse vazio que nós nos encontramos. Estamos indicando nesses encontros um lugar que não é um lugar, um encontro que não é um encontro, e chamamos de vazio esse "não-lugar", esse espaço. Assim, sejam bem vindos ao "nada", ao vazio desse "não-espaço". Aqui é o único lugar em que é possível o fim da busca. É aqui que está a paz, a liberdade e a  felicidade que você sempre esteve buscando. Como nós não temos os olhos treinados para olhar e atentar para isso, nunca estamos olhando para essa direção e, por isso, a paz nos parece perdida, a felicidade parece não existir e a liberdade é só um sonho.

Estamos juntos?

Nossa crença é de que um dia podemos encontrar isso, porém, estou dizendo que isso não pode ser encontrado. Esperamos criar um terreno, uma condição e uma facilitação para esse encontro. E eu estou dizendo que você está sempre aqui, nesse "não-lugar"que, às vezes, eu chamo de único lugar; nesse "não-espaço" que eu chamo, às vezes, de "único espaço". Você não sai, Isso nunca desaparece, nunca está ausente. A parede, sim, aparece aí, que é um ilusório obstáculo, uma ilusória divisão, entre esse e aquele espaço. O espaço é um só; a parede é a ilusão que separa. Essa ilusão é o sentido de "alguém" presente, "alguém"  aí, e, por isso, sempre estamos falando da qualidade da Presença, da Realidade, que não é esse sentido do eu presente. Portanto, é sempre aqui que estão o alfa e o ômega, a criação e a destruição. É de fato maravilhoso estarmos aqui e saber que tudo está perfeitamente bem, perfeitamente no lugar.  A mente criou a ilusão dessa parede e da separação entre "o eu" e o mundo, entre "o eu" e Deus; Deus, como uma crença, e o mundo, como uma ideia, para esse "eu",  que é um conjunto de crenças, uma quantidade indescritível de imagens.

Estamos nesses encontros investigando a natureza dessa ilusão, a ilusão da parede, a ilusão daquilo que cria o sentido de separação. Estamos aqui como recém-nascidos e, mais um vez, abertos, sensíveis, transparentes e receptivos a esse Todo, a essa Totalidade, a essa Verdade. É seu "próprio eu", com um particular senso de controle, de julgamento e de entendimento, que lhe impede de constatar essa Realidade. Você se vê como "alguém" pensando, decidindo, escolhendo, resolvendo e sabendo; tendo uma perfeita noção da vida, das coisas. E, assim, você lança para fora de si mesmo, nessa imaginação de ser "alguém", o mundo; aí seu mundo inteiro "nasce". Tudo isso se dá com base nesse pensador, que é, também, uma ideia, uma crença e parte dessa imaginação. Nos estamos apontando para o fim desse sentido de separatividade,  dessa parede,  da ilusão, de todas as crenças e julgamentos, de todas as comparações, de todas as certezas e incertezas, de todas as esperanças e desesperanças. Estamos apontando para o fim da dualidade, como certo e errado, positivo e negativo, bem e mal, verdade e mentira, ou seja, para tudo aquilo em que a mente se firma, se apoia. Estamos falando do fim da mente e isso é muito assustador, porque você quer uma felicidade,  uma paz e uma liberdade que a mente projetou; é por isso que continua essa busca, essa procura. O único lugar em que tudo isso está presente, mas não como a mente imagina, de fato, isso está presente como uma verdade, como uma realidade, é aqui neste instante, neste não-espaço; ou neste indescritível espaço chamado Consciência, Presença.

Juntos ainda?

A realização disso é o Despertar. Não ideologicamente, ou conceitualmente,  ou teoricamente, pois mesmo sabendo colocar as palavras no lugar certo, sobre Isso, não significa nada. Não estamos falando de teorias, de crenças ou de repetir isso, como um papagaio. Estamos falando de ser Isso, que é viver sem medo e conflito; viver sem ilusão, livre de todas as ilusões e de tudo isso que a mente representa; viver livre desse "você", desse senso de "mim", de "eu". Aí, nesse mecanismo, esse é apenas um pensamento, uma contração, uma ideia que se configura nesse corpo-mente, como uma presença real. Mas isso não é real, pois é só um condicionamento, uma programação; isso termina. É essencial e fundamental que isso termine. Nós temos expressões, como "eu acredito", "eu pensei que", "eu acho que", que são todas ilusões, no sentido de "alguém" afirmando ter isso como uma experiência pessoal. Na verdade são só pensamentos que, por falta dessa atenção, desse trabalho em si mesmo, você acata, adota e aceita como uma verdade, que é a verdade de alguém controlando, sentindo, pensando e acreditando. Entretanto, na verdade, tudo isso é apenas um pensamento.

A coisa curiosa é toda essa busca da maioria de vocês, a chamada busca espiritual. Alguns dos meios utilizados são a leitura e cursos, que não terminam nunca. Você nunca para de ler, saindo de um livro para outro, e sua mente sempre descobre algo mais precioso, como o Alcorão, a Bíblia, Curso em Milagres, além de impressionar, como o Bhagavad Gita. Portanto, essa coisa de ler e estudar não termina nunca e, aqui, eu convido você a permanecer em sua Real Natureza, a soltar a mente e suas escolhas, buscas, análises, estudos, desejos e crenças. Convido você a posicionar-se nesse não- espaço ou nesse ilimitado e indescritível espaço do coração, que eu chamo de Consciência. Convido você a permanecer nesse vazio, nesse Silêncio, na Presença, onde não existe o "mim", a "pessoa", porque há somente Deus, a Verdade. É nesse vazio que está a plenitude total; é nessa plenitude total que está essa Presença e a Presença é a plenitude total, que é essa Consciência. Não é possível ver isso por meio do intelecto e é por isso que toda essa leitura não ajuda.

Participante: Perder o interesse em leitura é bom?

Mestre: A questão é "no que você pode estar de fato interessado? Sua Natureza Real, que espécie de interesse ela teria? Se há um interesse presente, para onde esse interesse aponta? Você pergunta, é bom? O que significa 'bom ou mal'? O que significa viver no interesse?" É da natureza da mente ter interesses e classificar esses interesses em bons interesses ou em interesses que não são bons. Sua Natureza Real é algo além disso. É preciso, em você, um queimar por Isso, pois Isso não é um interesse ou desejo. Isso é a única coisa. A única coisa é esse queimar por Isso.

Participante: Estar aqui é ter interesse.

Mestre: Se você está aqui em razão de um interesse apenas, isso não vai durar muito tempo e logo  cairá fora, porque não suportará o fogo dessa Presença. É preciso estar "queimando" para se sentir à vontade dentro desse fogo, "queimando"  por Isso. É preciso toda sua energia, todo seu ser, todo seu coração, nessa coisa, nesse trabalho, nessa entrega. É muito superficial, muito frágil, muito pequeno e muito fraco o propósito, quando há apenas desejo, interesse, por Isso. Não adianta ler e estudar sobre Isso, porque fica apenas no campo do intelecto e não atinge o cerne, que é o coração, não sendo possível um trabalho.

Satsang é uma oportunidade única, por ser possível estar diante de um Mestre vivo, daquele ou daquela que, de fato, é Isso. Ele ou ela não são mensageiros, pois não têm uma mensagem. Eles são o fogo; carregam o fogo que lhe permite arder, se você está queimando por Isso. Eu chamo Isso de Satsang. Sem isso você apenas namora de longe. A verdade é realizada na intimidade. Assim, aqueles de vocês que estão na sala do Paltalk e não sabem o que significa Satsang presencial, venham.

Aqueles que nunca ouviram, vão ouvir pela primeira vez, e aqueles que já ouviram, não é demais ouvir novamente:
_ Você só tem uma coisa para realizar nessa vida, que é a verdade daquilo que você é, a verdade da sua real natureza: você está aqui para realizar Deus. Você terá que morrer para realizar isso. Essa "pessoa" que está presente terá que desaparecer.

Estamos chegando ao final. Boa noite! Valeu, pelo encontro!


Transcrito e revisado a partir de uma fala via Paltalk Senses, ocorrida no dia 07 de Janeiro de 2015
Encontros todas as segundas, quartas e sextas às 22h - Participem!

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

A Verdade daquilo que somos é o caminho da autorrealização



A Verdade daquilo que somos, o descobrimento dessa verdade daquilo que somos, acontece quando estamos inteiramente livres e completamente despidos de tudo aquilo que aprisiona o homem. Essa liberdade é nossa por herança, advinda do nosso nascimento. Nós já somos livres, mas não temos consciência, nem estamos apercebidos, dessa liberdade que trazemos, porque estamos presos dentro de uma identificação com os pensamentos. Esse é o estado em que todos nós, como seres humanos, nos encontramos e, boa parte deles, permanecem nesse estado do nascimento até a morte, sem uma real compreensão de si mesmos. 

Toda essa tentativa nossa de compreender o mundo, sem compreendermos a nós mesmos, é algo fútil e que não nos leva à verdadeira vida, que é a vida de Graça, a vida de Plenitude, a vida de Sabedoria, a vida de Liberdade. A liberdade é a consciência de quem somos; não se trata de um esforço em direção à liberdade, mas a percepção da liberdade que nós já trazemos. 

Se pudéssemos definir "Realização", diríamos que é a compreensão do "não-eu", da não-existência de um "eu" separatista, que divide, que se afasta, por suas divisas, seus caprichos, medos e desejos, Daquilo que é.  A visão simples e clara da realidade que somos, como Pura Consciência, no qual tudo surge e desaparece, é o que poderia ser definida como "libertação", ou "Realização Divina". Realização Divina é a compreensão da realidade que somos, além dos pensamentos. Somos Pura Consciência, fora dos pensamentos. 

É muito simples você constatar isso. Os pensamentos vêm e vão, mas a Consciência se mantém. Os sentimentos vêm e vão, mas a Consciência se mantém. O corpo sofre mudanças ao longo dos anos, mas a mesma Consciência se mantém, observando todo esse processo de mudança nos pensamentos, nos sentimentos e no corpo. A Consciência é o fator único, o fator principal, o fator real, a base na qual tudo surge e tudo desaparece. Realização é a clara visão, o claro sentimento e experimentar isso, a Consciência Pura, que é livre do pensamento, de tudo que o pensamento tem produzido e ali colocado. Essa Verdade, que é a verdade de quem somos, no íntimo, é a verdade que, quando se manifesta plenamente, todos os conflitos, medos, desejos e toda ambição desaparecem; é a plenitude da realização humana, é a plenitude da realização divina.

Alguém chama isso de Iluminação, de Realização, de Salvação, de mente de Cristo, mas os nomes não são importantes, porque nomes são apenas nomes. O que nos interessa é assumirmos nossa real identidade e vivermos nela, quer alguém defina ou não, use termos para descrevê-la ou não; isso não importa. O que importa verdadeiramente é estarmos cientes de nós mesmos, vivendo essa plenitude, que é a plenitude da realização no estado livre de todos os outros estados. Todos os estados que nós conhecemos vem e vão, eles aparecem e desaparecem. Nós não continuamos permanentemente alegres, pois  logo depois da alegria a tristeza surge; depois da tristeza, vem a euforia; depois da euforia, o tédio; depois do tédio, o medo; depois do medo, a ansiedade... E esses estados vão mudando constantemente.  Durante o dia nós temos muitos estados e estes estados são acompanhados por pensamentos peculiares. Cada pensamento toca uma nota, despertando determinado sentimento, determinado estado, porque os pensamentos são acompanhados por esses estados. Por sua vez, esses estados são acompanhados por pensamentos. Desta forma, seguimos o curso de nossa vida, durante 50, 60, 80 anos, sem a plena compreensão daquilo que somos, sem a plena visão da realidade divina que trazemos dentro de nós. E, assim, vivemos  dentro de estados que mudam. Por isso eu digo que esse Estado, na realidade, é um Estado livre de todos os estados; é o Estado Real onde a Consciência Pura é o pleno sentido de unidade ou unicidade, livre de toda dualidade.

Libertação é  a simples visão desta não-existência do "eu". É a simples e clara, lúcida e autêntica compreensão de quem somos em nossa essência, em nossa Natureza Verdadeira. E não é algo que alguém possa fazer por nós. É algo que nós já somos, é algo que nós já trazemos. A única coisa é que naturalmente precisamos despertar para isso. A autoinvestigação e o estudo de si mesmo, a aplicação desse estudo cuidadoso, dedicado, aplicado, de nós mesmos revela esse Estado, o Estado Real no qual nascemos e também morremos. Talvez, do nascimento à morte, seja possível que alguém não tome consciência nenhuma de sua real natureza, mas ela é a nossa natureza real, ela é a nossa natureza verdadeira. Portanto, a coisa mais importante na vida, em nossa vida, é tomarmos consciência de quem somos; de outra forma, aquilo que chamamos de vida prossegue dentro desse processo de identificação com os pensamentos, inconscientes da realidade que somos, que é paz, amor, alegria, liberdade, felicidade.

Não há necessidade de buscarmos fora aquilo que está dentro. Ao longo de muitos anos, temos feito esse tipo de coisa. Estamos "buscando" na apreciação dos outros,  na realização de projetos pessoais e sonhos,  na conquista do reconhecimento público, da fama,  e na conquista de mais dinheiro, para, por sua vez, conseguirmos mais coisas; e todo o tipo de coisas que fazemos é dentro dessa direção de realizarmos a nossa felicidade, paz eterna, a nossa suprema liberdade. Entretanto, ela não acontece porque estamos olhando para fora, dedicando nosso coração, nossa energia, nossa mente, à aplicação de toda uma vida direcionada para o mundo externo, para o mundo exterior. Isto acontece porque esse tem sido o padrão, porque foi assim que fomos educados,  ensinados, e, como esse tem sido o caminho de todos, acreditamos que deve ser, consequentemente, o nosso caminho.

Nós estamos falando de algo completamente diferente, estamos dizendo que você pode ser feliz sendo você mesmo. E, quando digo "você mesmo", é sendo essa Realidade que ultrapassa esse sentido do "eu", do "meu" e de tudo aquilo que o "eu" busca, trabalha arduamente e persegue. Portanto, esse é o caminho do autoconhecimento, esse é o caminho da autorrealização e da libertação, da liberdade de si mesmo.

Texto escrito pelo mestre no mês 09 do ano de 2011

domingo, 4 de janeiro de 2015

Paltalk Satsang: Realize Aquilo que Você É




Que bom estarmos presentes a mais este encontro, a mais este Satsang, colocando nosso coração disponível a esse momento, que é uma oportunidade que temos. É bem interessante esse encontro que nós estamos tendo aqui. Nós estamos aprendendo dentro desses encontros qual é o tipo de atitude que precisamos ter dentro de uma aproximação real em relações. Nós aqui somos seres humanos em relações, encontrando a disposição real para uma relação e a maneira adequada de termos um encontro entre nós. Nós temos frisado, aqui, a importância de termos esse encontro, sem a presença separatista de personalidades. Nós bem sabemos o que significam as personalidades: sinônimo de crença, de ideias, de conceitos e de predileções, que são posturas pessoais e, também, posturas egocêntricas, quando estão a serviço da separação, a serviço da separatividade. Assim, esse tipo de comportamento não é o mais adequado, não é o comportamento perfeito dentro de um encontro, onde o propósito dentro desta relação é descobrirmos a unidade, a unicidade; é descobrirmos esse estado não-dual, a não dualidade. Nós vamos falar agora um pouco sobre isso:  esse estado não-dual, a não-dualidade.
A não-dualidade não é algo que possa ser descrita. E por que não podemos descrever esse estado além de todos os estados conhecidos por cada um de nós? Porque esse estado não está no campo das ideias, dos conceitos, das opiniões, das predisposições pessoais, ou seja, ele não é parte do fragmento em cada um de nós, que geralmente prevalece e predomina na grande maioria -  eu falo exatamente do intelecto. Estamos dentro de uma limitação muito forte, muito grande, pois  toda aproximação que temos, nas relações pessoais, está acontecendo nesse nível. Relações pessoais são sinônimo de relações sentimentais, emocionais, românticas e intelectuais. Estamos dentro de uma relação fragmentada, não estamos diante da totalidade e, assim, estamos dentro da dualidade.
 
O Satsang é uma proposta nova, porque, aqui, tudo aquilo que acontece nos aponta para essa direção impessoal, que é a direção onde a presença da "pessoa" não tem mais nenhuma importância, não ocupando mais esse destaque, que cria essa separação, essa divisão, essa contradição. Relação pressupõe comunhão. Como pode, então, haver real relação entre "pessoas"? Como pode haver real relação entre duas imagens, entre conceitos antagônicos, entre ideias opostas, entre opiniões diferentes? Então, é inevitável nós estarmos tocando a respeito dessas limitações, não só do intelecto, mas, também, dos sentimentos e das emoções, se queremos nos aproximar desse estado não-dual, desse estado além de todos os estados, porque, ele mesmo, é indescritível.

 Mas, se nós compreendermos essa limitação, podemos, a partir dessa compreensão, nos livrarmos inteiramente dela. E é isso que estamos exatamente fazendo nesses encontros. Observem tudo isso com muito cuidado; vamos observar isso com muita paciência, com muita calma. Todos nós aqui estamos, como seres humanos, investigando a nós mesmos, descobrindo a não existência dessa separação, que foi criada pelo pensamento; uma não existência que se apresenta camuflada pela ilusão de separatividade que o pensamento, o sentimento, a emoção  e o intelecto têm produzido. O próprio pensamento, em sua auto-defesa, procura caminhos onde ele possa ajustar esta compreensão, que necessariamente está além dele mesmo, a alguma coisa que ele conheça. Então, somos constantemente iludidos, enganados, pelo pensamento e ficamos nesse terreno limitado, que é o terreno das ideias, das crenças e dos conceitos, sem esta vivência direta, sem o experimentar direto desse estado além da mente, além do sentimento, da emoção e do intelecto. E é isso que precisa ficar claro para cada um de nós.

Por isso, num encontro onde procuramos esta perfeita relação, ou este relacionamento perfeito, precisamos compreender que isso só é possível quando temos a comunhão e a comunhão só acontece quando a separação desaparece, quando a "pessoa" não está presente, quando a divisão criada pelo pensamento não está presente, quando não há nenhuma disputa, quando não há nenhuma competição, quando aqui não estamos tentando prevalecer uns sobre os outros — até porque essa ideia do "outro" desaparece nesse espaço não-dual, nesse espaço de pura compreensão, nesse espaço onde a verdade se mostra simples, clara, objetiva, direta.

O estado não-dual é esse estado real da vida como ela é e isso é iluminação. Não é a iluminação da pessoa, pois nenhuma pessoa realiza a não-dualidade; nenhuma pessoa realiza esse estado além de todos os estados. Isso é possível ao ser humano, mas não é possível à pessoa. Isso é possível a essa estrutura física e mental, a esse organismo; a ele isso acontece, mas não à pessoa presente nele. Não há nenhuma pessoa presente nesse organismo, apenas esse conjunto de conceitos, opiniões, crenças, ideias, tudo girando ao redor de uma poderosa autoimagem, que chamamos de "eu", "mim".

Por isso estamos aqui colocando isso, bem claro, para cada um de vocês: não existem "pessoas", pois tudo está simplesmente acontecendo a essa estrutura, a esse organismo, a esse mecanismo, a este ser humano, sem a necessidade de "alguém" dentro dele. O som acontece do lado de fora, a fala parte do lado de dentro para fora, alcançando o exterior. O mundo é percebido nesse organismo através dos sentidos, sem nenhuma necessidade da "pessoa": as atividades físicas, a respiração, a digestão, o sentar, o andar, o caminhar, o escrever, o ler; o ato que fazemos, o que está acontecendo agora, neste instante, o ouvir, como vocês tão ouvindo, e o Marcos Gualberto falando. Nós estamos sempre diante de uma relação real, quando  o conceito, a opinião, a ideia, o julgamento, a comparação, a necessidade do chamado "certo", "errado", "concordo" ou "discordo", não estão presentes; quando não há a "pessoa". O que estamos dizendo, aqui neste encontro, é que nesta direta compreensão da verdade a necessidade da presença pessoal cai por terra completamente,  porque, enxergando com muita clareza, podemos perceber toda a ilusão da separação, da separatividade, da existência pessoal, da relação pessoal.
 
Esse é o tipo de fala que é muito desconfortável ouvirmos, do ponto de vista dos sentimentos, porque ele não corresponde à necessidade que a pessoa tem de "sentir certas coisas" quando escuta alguém; de ter  certos sentimentos que o sentido da "pessoa" já carrega, procurando aquela ressonância, aquela afinidade, aquele bem-estar, quando vai ouvir de "outra pessoa", encontrar "noutra pessoa", algo semelhante ao que ela tem, ao que ela traz. É desconfortável ouvir uma fala como essa, para "alguém" que vive à procura de sentimentos, de prazer e de sentimentos específicos, como a  alegria sentimental, a emoção sentimental, o romantismo puramente sentimental. Da mesma forma, é muito desconfortável ouvir essa fala através do intelecto, tentando encontrar ressonância, perfeita ressonância, a fim de  ajustar aquilo que se escuta com aquilo que já se conhece intelectualmente. E, assim, nós podemos passar uma hora, uma hora e meia juntos, nos distraindo intelectualmente com determinado tipo de assunto. Estamos dizendo, aqui, que sempre será muito desconfortável uma fala como essa, enquanto tentarmos apreciar este tipo de fala através de qualquer um desses fragmentos, e que isso é realmente um fato para ser observado.

Temos muita fome emocional, sentimental, intelectual, e a proposta deste encontro em Satsang é abrirmos mão, completamente, de toda esta limitação e descobrirmos "Aquilo" que está além de tudo isso; descobrirmos aquilo que está além daquilo que nós conhecemos, que temos vivenciado e experimentado como "pessoas"; essas "pessoas" que acreditamos ser, porque estamos nos identificando com estes fragmentos.

Observem bem o que estamos colocando. Para alguns, o sentimento predomina; para outros, o intelecto predomina; para alguns, a busca de sensações emocionais é algo muito importante. Passamos a vida inteira envolvidos nisso, presos a este círculo fechado do sentido de um "eu" separado, de uma "identidade" separada. Esta autoinvestigação, este silenciar que nasce naturalmente da compreensão dessa autoinvestigação, nos faz compreender a verdade não-dual de nossa natureza essencial, a beleza, a Graça, a Verdade, desse indescritível Estado, que pode ser vivenciado diretamente e nunca descrito, nunca colocado em palavras. Todo nosso empenho nesse encontro, toda a dedicação de nosso coração, todo o nosso interesse aqui é exatamente esse: nós estamos dispostos, sensíveis, e nos voltamos inteiramente para isso. De nada adianta estarmos presentes neste encontro, acompanhando esta fala através do áudio ou lendo estas palavras, porque foram transcritas, se a sua disposição interna, mental, é essa disposição própria do sentimento, da emoção e do intelecto, que é "dissecar", fazer aqueles cortes, cuidadosos e minuciosos, assim como faz o cientista, no laboratório, para examinar alguma coisa, num exame puramente intelectual, dividindo, separando, cortando, levando ao microscópio, executando uma experimentação ali. Porém, aquilo que está sendo examinado termina sendo visto em partes e, depois, se tenta somar todos os experimentos para tirar uma conclusão de tudo aquilo.
Aqui nós estamos lhe convidando a enxergar com a totalidade, sem essa necessidade de cortar, dividir, separar, olhar em pedaços, e a ter essa visão total, completa, imediata, fazendo uso desta sua natureza essencial, que é a Consciência, que é não intelectual, não sentimental e não emocional; algo além desta própria estrutura corpo/mente. Essa é a forma, essa é a maneira adequada de estarmos dentro deste encontro. Isso, em si, é o estado da Meditação.

Meditação é observar, olhar, estando diretamente com o que é, sem essa pretensa necessidade de agir de forma "pessoal", procurando satisfação sentimental, emocional, ou razões intelectuais naquilo que está sendo visto, ouvido, proposto, nisso que estamos colocando agora, aqui, neste instante, nessa fala. Espero que isto esteja claro para cada um de nós. Reparem que esta fala, tudo que aqui está sendo dito, está apontando, está direcionando, cada um de nós, para um encontro único, que é o encontro com esta realidade do ser, a realidade da Pura Consciência. Esta Pura Consciência é o que temos como real instrumento neste divino laboratório, que é a Vida, a existência, para descobrirmos essa realidade que é a Realidade do "Eu Sou". É o descobrimento da Consciência, é a constatação da Consciência acerca dela própria, acerca dela mesma. Este é o estado não-dual, e a Vida é este estado não-dual, que constatado sem a limitação do condicionamento que temos carregado no círculo "intelecto-sentimentos-emoções". Livres disso, dessa fragmentação, estamos diante deste Estado livre de todos os estados, o Estado não-dual.

Estamos diante da Vida como ela é e isso é Realização. É que, ao longo de todos esses anos, tudo o que sabemos sobre nós próprios é aquilo que nós "acreditamos acerca de nós mesmos", porque não temos vivenciado esses vislumbres diretos de nossa essência, de nossa Real Natureza. Evidente que temos passado por isso muitas vezes, mas, por não conhecermos a devida importância  desses momentos, é como se não os tivéssemos tido, diretamente, ou não tivéssemos vivido isso, embora, de fato, desde crianças, tenhamos tido momentos de percepções fora do intelecto, do sentimento, da emoção, e fora, até mesmo, dessa estrutura que é o corpo físico. Assim, fora do corpo e da mente, nós temos tido momentos de vislumbres, de ausência completa deste sentido do "eu", da "pessoa", do "ego", da "personalidade"; são os momentos mais extraordinários de nossas vidas, pelos quais nós já passamos.  Diante de um cenário, diante da experiência de uma determinada situação que nos aconteceu, naquele momento todo sentido do "eu" foi banido, vivenciando um momento de imensa e profunda alegria, algo muito profundo e extraordinário. E, ao longo de todos estes anos, também, temos vivido estes momentos, diante da conquista de algo pelo qual lutamos durante muito tempo; quando ela chega, naquele momento, acontece uma grande alegria, que parece nos invadir do exterior, mas que, na realidade, nasce do interior de cada um de nós, varrendo completamente todo sentido de separação, de separatividade. Essas experiências duram apenas alguns segundos, e todos nós sabemos do que estamos falando, porque já vivemos isso, já evidenciamos isso, apenas não conseguimos perceber o valor e a importância desses instantes, nos apontando, nos mostrando, nos indicando a beleza que é viver a vida sem o sentido da separação, da separatividade, criada por esta fragmentação.

Se vocês podem nos acompanhar aqui, se de fato estão nos acompanhando, estão realmente apreendendo isso e está havendo uma apreensão direta daquilo que está sendo explicado. Vejam, estamos indicando com palavras aquilo que não pode ser descrito, colocado, e explicado por meio de palavras. Esse Estado é algo livre de todos os estados, livre de toda separação, de toda divisão, de toda dualidade: bom, mau, certo, errado, positivo, negativo. Esse Estado revela "Algo" imensurável. Foi assim na última viagem, naquele lugar novo; assentado ali na praia, olhando as ondas batendo contra as rochas, o céu azul, algumas nuvens passando... O sol trazendo toda aquela força, a beleza, o calor, aluminando tudo ali a volta. Naquele instante completo, de esvaziamento do sentido "pessoal", todas as lembranças, todas as obrigações -  ser pai de família, pagar as contas, dívidas, os compromissos, os problemas com os filhos, os problemas de relacionamentos pessoais -  desapareceram completamente. Isso durou apenas alguns segundos, mas, durante esses segundos, há um estado de beleza indescritível, de pura unidade, de pura unicidade, de não dualismo; "ninguém" presente nesse instante, não podia lembrar-se do "mim", da "pessoa ". Não havia lembranças, nem aflição; não havia medo, inveja, desejos, a importância do nome, a preocupação com ele, como ser aceito ou não, o desejo de brigar, de contender, de disputar... Não havia inveja, ansiedade, nenhuma forma de preocupação, mas isso veio e se foi. Logo voltei para tudo isso: para o "mim", para o "eu"; isso é a realidade, isso é a verdade.

Nós estamos dizendo aqui que essa é a verdade do hábito, é a verdade do condicionamento, é a verdade do "mim", é a verdade do "eu", é a verdade da "pessoa", é a verdade do sentido de separação, de separatividade. Estamos convidando você, no Satsang, a ter este encontro com a Verdade, com a Verdade do Ser, com a Verdade não-dual de sua essência, de sua Real Natureza, de sua liberdade, de sua felicidade, algo natural, algo real, não "pessoal", e é sobre isso que estamos falando neste encontro. Por isso, o que mais importa neste encontro não é a descrição, não são as colocações verbais, mas o experimentar direto desse Estado, compreendendo o valor e a importância dele, porque ele nos aponta para o nosso Estado Natural, para o nosso estado real de ser livres; livres de toda ilusão, de todo sofrimento, de toda confusão. A realização disso é o real poder que temos para dar ao mundo esta Verdade do novo homem, esta Verdade da nova criatura humana, do novo ser humano, vivendo e compartilhando esta realidade divina, esta realidade de Deus, esta única Verdade não-dual de Ser.

Realizar Isso é, em si mesmo, afetar toda a humanidade, é trabalhar profundamente para todo o bem-comum, para esta transformação humana, para o despertar desta realidade, desta nova consciência do homem, e isto começa agora, aqui, em Marcos Gualberto, em você, em cada um de nós. Realize Aquilo que você é, isto é a única coisa que você tem para compartilhar e que a todos, sem exceção, interessa. A sua liberdade é a liberdade humana, é a liberdade do homem, é a liberdade em suas relações, porque esta é a real relação, onde estamos diante de algo paradoxal. A relação sempre é possível entre dois e aqui estamos dizendo que, nesta relação, não há dois, sendo assim uma relação paradoxal... É o comunicar, é o compartilhar nesta comunhão deste sublime e extraordinário Estado de suprema felicidade e liberdade, nesta ausência completa, total, do sentido de separação, onde a única Verdade se mostra como puro Ser, onde não há dualidade. Aqui temos a felicidade, a liberdade, a compaixão, a verdade, o amor se expressando, a verdadeira religião, o coração profundamente religioso, nesta unicidade com a Totalidade que é a verdade divina.
Esta é a fala deste encontro, nesta noite. Muito obrigado pela paciência de nos ouvirem, de estarem conosco, de terem estado neste encontro conosco. Muito obrigado!


Transcrito a partir de uma fala via Paltalk Senses no dia 05 de setembro de 2011

Compartilhe com outros corações