sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Ninguém realmente é feliz sendo alguém


 

Abrindo mão do pensamento inconsciente, de todos esses movimentos internos, não compreendidos e não observados, em cada um de nós, saímos desta inconsciência para uma nova dimensão, onde a real presença Divina que somos se revela em liberdade e felicidade.

Não há mais nada a ser encontrado do lado de fora, porque aqui as divisões se foram, toda a separação não está mais presente e aquela fantasia da mente desapareceu. É sobre isso que estamos compartilhando, partilhando esta Unicidade, ou não-dual visão da vida.

Esta realização é o Despertar de nossa natureza Divina, além de toda a limitação do corpo-mente e mundo. O que sentimos como sofrimento tem suas raízes nesta separação ilusória que o pensamento afirmou, com a ideia de um "eu", de alguém" a procura de algo fora de si mesmo, vendo tudo à sua volta como algo para si mesmo, querendo alguma coisa - isso é conflito, é contradição, é medo.

Aprenda a olhar esses padrões mentais, a vê-los se manifestando; não se preocupe com eles, pois eles são habituais, repetitivos, automáticos e mecânicos, e podem parecer, neste momento, como parte do organismo, enquanto estiverem aí, como um condicionamento. Todo este movimento pode parecer ter uma velocidade muito rápida, incontrolável pela força do hábito, mas nada disso está perto de ser a verdade: isso é uma ilusão imposta pelo desejo de continuidade do que é comum a todos; estamos falando de algo criado pelo próprio pensamento.

Olhe para isso, perceba a futilidade e inutilidade da assim chamada vida pessoal, pois não estamos confortáveis aí, e ninguém realmente é feliz sendo “alguém”, não importa o que esse “alguém” realize ou conquiste. E por que ser “alguém”? Ser alguém é estar separado, buscando ainda novas realizações e conquistas fora de si mesmo, e acreditar ser “alguém” é sinal de não saber o “que” de fato se é. Este “alguém” não tem uma real sustentação, por ser ele encontrado no próprio “ato”, e a autossabotagem da inconsciência não pode mais acontecer.

Essa ilusão termina, assim que for constatada, e a autoimagem é desalojada pela própria ação da Consciência; ação desta atenção e vivacidade; ação desta luz, da atenção sem escolha, sem separação, sem interferência do desejo – esta é uma ação real. Isto é parte da meditação.


         Não somos isso que “acreditamos” ser; isto não é natural, no corpo-mente, neste organismo, pois é algo aprendido, como muitos outros comportamentos mentais que manifestamos, e por isso somos assim: ambiciosos, invejosos, temerosos, ressentidos, com essas chamadas emoções negativas, e respostas reativas do pensamento. Tudo isso nós herdamos, adquirimos, aprendemos. Somos estes condicionamentos, na superfície, “alguém” assim em nossa expressão, mas não em nossa realidade.


     Por isso falamos da Meditação, que é o fim do “alguém”, da “pessoa” do “mim”, da mente…. Que é o constatar, pegar, no “ato”, essa inconsciência, e assim, nesta luz da observação, sem interferir no que se observa, e constatar o fim do pensamento condicionado; é o fim do pensamento inconsciente. E, quando esse pensamento termina, o sofrimento termina, o medo termina, a ilusão termina…. A mente termina…. Na real felicidade não há “alguém”…. É a real felicidade de “ninguém”.


*Texto escrito pelo Mestre em Agosto de 2011


quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

A Autorrealização e o Conhecimento




A Autorrealização, ainda que também possa ser apontada por meio de palavras, não pode ser reduzida ao campo do saber através do uso de qualquer terminologia.

Todas as palavras ditas por Aquele que floresceu em seu Estado Natural não podem ser utilizadas como base para uma discussão de princípios que norteiam a autorrealização.

Aqueles que leem sobre este assunto estão mais perdidos do que aqueles que nunca ouviram falar sobre. Toda e qualquer leitura sobre autorrealização é na verdade um convite, um chamado, para estarmos na Presença daquele que é "autorrealizado", e não um meio para se adquirir o real conhecimento sobre o tema.

Somente a atmosfera da Presença daquele que atravessou para a outra margem do rio traz, em si, a fragrância do desconhecido, que, por meio da ação de um elemento estranho e incompreensível para a mente, por alguns é chamado de Graça, por outros de Consciência, Shakitipat, intervenção divina, etc, pode compartilhar isto por meio da sua Presença, da sua imagem, do seu silêncio, do seu abraço, do seu toque, do seu sopro, do seu olhar, da sua lembrança e da sua fala, ou seja, a autorrealização não é transmitida a partir de um conhecimento ordinário e que não pode ser divulgada em livros. Livros apenas podem levar ao conhecimento de todos, que com eles têm contato, que existe, sim, um estado sem ego, disponível para todos aqueles que anseiam pela verdade.

Mas a mente é muito hábil em criar a impressão dentro de um aspirante à autorrealização de que ele possui o conhecimento necessário para trilhar a própria senda de sua autorrealização, e, com base na lógica, na comparação, nos estudos, no contato superficial, sem a devida entrega e rendição em Satsangs, na sua autoconfiança, na habilidade da fala através de sua eloquência, é capaz de falar sobre o assunto, como um verdadeiro especialista, além disso, para a sua desgraça, convencer a si mesmo de ele agora possui o real conhecimento sobre a verdade.

Sem este elemento que é a Graça, sem vivenciar com profundidade a comunhão de coração com aquele que é autorrealizado, sem a rendição à Luz de Sua Presença, sem a simplicidade e a inocência, torna-se impossível descobrir o que é Estado sem ego, o que é a não-mente, o que é o Estado Natural. É aí que muitos nadam, nadam, e morrem sem sair da praia.

Venham olhar nos olhos daquele que se encontra mergulhado nessa verdade, vivendo em seu Estado Natural, compartilhando através daquilo que Ele é, a autorrealização.

Acesse a nossa agenda e programe-se para estar conosco. Este é uma chamado da Graça, um chamado para um encontro com a Verdade!


Tom de Aquino

domingo, 21 de dezembro de 2014

Você é o que é sempre, e isso é imutável!



Você não pode ser ensinado sobre isso. Não há nada a ser acrescentado. Isso é como tentar ensinar uma mangueira a produzir mangas. Ela não pode ser ensinada, não precisa ser ensinada. Ela não pode produzir outra coisa - é algo inerente a ela produzir mangas, e não abacaxis. Os abacaxis nascem rentes ao chão, e as mangas aparecem no alto, é a ordem natural das coisas. 

Nós podemos é descobrir o que significa não interferir, não boicotar isso, não atrasar isso, não criar confusão nisso. Toda nossa ação, esforço e procura nessa direção só cria distúrbio, só interfere. Aqui, nós podemos ganhar tempo. E ganhar tempo, aqui, significa aparentemente adiar a coisa, o inevitável. 

Porque você não pode evitar que a mangueira produza mangas, porque isso é sua natureza. Mas nós procuramos escolas, procuramos ensinos, procuramos meios, expedientes para que isso aconteça no nosso tempo. E o "nosso tempo" é a interferência e postergação de todo o processo. Na ilusão de que nós estamos presentes fazendo alguma coisa, produzindo alguma coisa, que estamos no controle de alguma coisa - alguma coisa exatamente como essa, que ultrapassa qualquer perspectiva, qualquer programa de ordem pessoal. 

É como a historia do monge diante do mestre Zen. Ele disse ao mestre: "Mestre, acabei de entrar no mosteiro, estou aqui para ser ensinado. Por favor, me mostre o que é o Zen." À isso o mestre disse: 

- Você já tomou o seu mingau de arroz?

Ele, sem entender que relação tinha esta fala do mestre com o que ele tinha perguntado disse: "Sim, mas e daí?". À isso o Mestre respondeu:

- Então, vá rápido, agora, nesse instante, lavar as tigelas.

Nós queremos uma amostragem que possa ser aplicada logo depois de ser aprendida, de ser intelectualizada, de ser assimilada, memorizada, claramente escutada, intelectualmente, perfeitamente aceita. Algo que possa ser aplicado depois. Como se houvesse o depois! O depois é o tempo, o depois é o adiamento, é essa ideia de aprender para agir, descobrir para Ser. Sempre o fator tempo envolvido nesta simples e direta constatação, de que não há espaço - nem tempo! - nesta realização do que É... Que está agora, aqui neste instante.

Por isso, a coisa não é ensinável, nem é praticável, porque não está separada desse instante. Nada se separa do que é. O Que É contém tudo, o que é contém Ser. Não é ser para fazer, não é ser para ter, não é ser para realizar... Ser contém tudo, não há separação. Não há tempo e espaço, não há evolução aí, não há nenhum processo aí, por que não há alguém aí! Não há alguma coisa fora Disso. 

Lavar as tigelas, tomar o mingau de arroz. Isso é o zen. Não há distância entre isto e aquilo, entre o “eu” e o “não eu”, entre o que está dentro e o que está fora. Percebam isso, é só o constatar desse instante como ele se desdobra, exteriormente, internamente, sem mesmo a noção de externo e interno. Um só movimento presente nesta Presença que não muda. Nada pode ser acrescentada a Ela, ou tirada dEla. Nenhum nome pra isso, nenhuma nome pra aquilo, absolutamente! Nada tem nome, nada tem uma forma que seja especificamente, singularmente, separada de tudo à sua volta.

Se você fecha os olhos, o mundo visual desaparece. Se você abre os olhos, o mundo visual aparece. Mas quem separa e distingue formas desse mundo visual é só a ideia. Se não houver a ideia, vai haver só a visão, que não separa, que não distingue, que não vê diferença. Reparem o que estou dizendo para vocês agora, reparem isso: essa distinção de cor e forma, essa noção de aparências. Só o intelecto distingue isso, essa percepção visual é Única, é uma só. Ela não faz diferença. Diferenças entre árvores, seres humanos e animais - ela não faz diferença entre o sexo, entre cor de pele. É só uma percepção visual Una, Única. Acompanham isso? Que é só o intelecto que diz a você: árvore, pedra, cachorro, homem, mulher, criança, branco, preto, azul, vermelho? A percepção visual é Una, não há divisão. Quando você escuta os sons chegando, você só tem os sons chegando, não há distinção entre o que é música e o que é fala, ou o canto de um pássaro - é só um som. A distinção está toda nesse censor intelectual, nesse censor que compara, avalia, classifica, qualifica. Acompanham isso? Que não há distinção de sons? Que não há distinção alguma? De visão? Da mesma forma não há distinção nenhuma de sentir. É sempre o intelecto, com esse censor em nós, que diz: isso é bom, isso é ruim, gosto disso que estou sentindo, não gosto disso que estou sentido. Mas a pergunta que fica é: aonde isso está acontecendo? Há uma distinção? Aonde isso está acontecendo há uma separação? 

Então, a separação é algo que surge posterior e a isso, a esse sentir, a esse ouvir, a esse ver. Estamos dizendo que você, em sua natureza real, não precisa aprender a ser! Você é o que é sempre, e isso é imutável. E para Isso que você é não há diferença entre positivo e negativo, entre o bom e ruim, entre árvores e seres humanos. Nesta não-separação de sua real identidade, nesta não-divisão, sem este sentido de algo dentro e algo fora, não há conflito. Perceberam? Não há dualidade, não há “eu” e “não eu”, não há ser e não ser, ok?

Há só o que é! E você é o que é. Porque você não está separado disso que se apresenta. Então, não há nada para alcançar, porque não há nada que tenha sido perdido. Você não tem que integrar nada, porque você não existe separado de tudo isso que aparece e desaparece. 

Aparece a você, de olhos abertos, o mundo visual - sem nomes, sem cores, sem formas, uma só realidade presente. Você fecha os olhos, o mundo visual desaparece. Mas desaparece e aparece nesta Presença que vê tudo, nesta unicidade, nesta não-separação. O fundamento disso é beatitude. O fundamento disso é Verdade, é não-conflito. Porque não há comparação, não há julgamento, não há certo, errado, isso, aquilo, eu, não-eu. Não há iluminado e não há não-iluminado, não há verdadeiro, não há falso. Nada. Apenas Isso. Aí o Mestre diz ao discípulo - o discípulo quer saber sobre a visão do zen ("Acabei de entrar no mosteiro, preciso aprender o Zen") - o Mestre diz:

- Você já tomou o mingau de arroz? 

- Sim 

- Então, de imediato, agora, neste instante, vá lavar as tigelas! 

Não há separação, não há divisão, não há nada separado dessa Presença, na qual tudo aparece e desaparece, como ela própria, fazendo aparecer, fazendo desaparecer. Ela é a matéria-prima, ela é a substância, e ela é a testemunha. Não se separa nunca.

Termina toda busca, toda procura, toda tentativa de ser algo. Porque isso seria adiar, isso seria escapar, ou procurar escapar - coisa impossível. Você não pode deixar de ser aquilo que você É! Pode apenas acreditar que pode vir a ser alguma coisa diferente, ter alguma coisa diferente, ganhar alguma coisa diferente... Ok, pessoal?


Fala transcrita a partir de um encontro Presencial no Rio de Janeiro em 2012

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Satsang: O Que é Meditação?


O incrível é que estamos sempre dispostos a aceitar desafios, desafios tão complexos, como o desafio de dar continuidade a uma vida, a uma existência tão cheia de conflitos, temores, anseios, receios e medos. E é incrível este tipo de desafio que nós aceitamos; isto é complexo demais, pois não ser natural é muito complexo.

E assim eu quero convidá-los esta noite, neste encontro, a olharem, juntos comigo, esta coisa tão terna, tão singela, tão simples, tão sublime, que é ser natural. Isto significa abrir mão do sofrimento, abrir mão do desafio complexo que é viver fora de si mesmo.

Vocês sabem o que significa viver fora de si mesmos? Viver fora de si mesmo significa viver dentro de um padrão que todos repetem, dias após dia... após dia... após dia. O padrão da procura de alguma coisa não natural é que produz o conflito, o medo, a inquietação, e que nos lança para fora de nós mesmos, para este “tão tamanho”, terrível, desafio que é essa vida não natural; essa vida com base numa crença que, através de um árduo e difícil esforço, nós conseguimos obter.

Eu falo desta crença de ser "alguém". E quando você se depara com este momento, como nós estamos tendo aqui, em que se vê, se olha, pode dar a si mesmo a oportunidade de encontrar aquilo que  é, você descobre o quanto Isso é tão simples; não requer esforço, ou qualquer preparo, pois é como a própria respiração: acontece tão naturalmente que você não está presente; sua "presença", como "alguém",  tem sido a causa deste desafio aceito - de não ser você mesmo -, a causa da desordem, da confusão, da complexa vida, em que você hoje se encontra. Isto é tão simples, que nos parece muito complexo. Nós fomos treinados, conduzidos, manipulados, induzidos, a ver a vida assim: aquilo que é não-natural, simplesmente, ser aceito como padrão real da nossa existência e aquilo que é natural não ser reconhecido tão claramente, tão naturalmente.

Assim é muito bom estarmos juntos nesse encontro, nesta noite, neste momento, descobrindo o absurdo deste enorme desafio de ser não-natural, eu disse "de ser não-natural". Temos que aprender sobre isto; que coisa absurda! Isto é como ensinar um peixe a nadar ou um pássaro a voar. Temos que aprender sobre isto, e é como tentar ajudar o sol a iluminar o mundo ou tentar fazer que a lua brilhe sozinha, sem a ajuda de “alguém” chamado Sol.

Eu estou aqui para dizer para vocês que nós não temos que aprender nada sobre isto, ninguém pode ensinar isto a vocês. Vocês não precisam ser ensinados sobre isto.

Assim como você não precisa pensar a respeito da respiração, não precisa ser ensinado a respeito daquilo que de fato você é! Podemos fazer um jogo com a palavra desafio, aqui. O que acabo de dizer  é que você não precisa deste desafio, que é o desafio de ser não-natural, desafio este aceito, acatado, cultivado, pela grande maioria de nós. Precisamos, sim, aceitar um desafio novo e, repito, para vocês não é bem um desafio: desfazer-se do desafio, para que você seja você mesma (o) e possa desfrutar daquilo que você É.

Isto significa estar fora de casa sem sair de casa. Significa lidar com todos e com tudo à sua volta, sabendo que cada coisa tem o seu lugar ali, mas que você está ali, em si próprio, em si mesmo (a), e vendo naturalmente aquilo que você é. Você é silêncio!

Quando nós falamos que você é silêncio, estamos dizendo que você não sofre agitação. Não estamos apontando para a ausência do som, estamos apontando para a ausência de toda a agitação, para aquela quietude, que é ser natural, que é viver naturalmente. E esse é o seu desafio: abrir mão do desafio de ser não-natural, para viver. Estou dizendo viver, apenas viver, que significa ouvir, falar, sorrir, caminhar, trabalhar, voltar pra casa, dormir e levantar, sem jamais se identificar com a ilusão. Viver é não se identificar com a ilusão de confiar naquilo que a sua formação lhe deu, tudo aquilo adquirido por meio do treinamento social que recebeu dos pais e dos educadores, estes que vieram antes de você.

Então, estou apontando aqui para algo singular, se você pode perceber. Quando eu digo algo singular, não estou dizendo que seja algo antinatural, especial nesse sentido. Estou dizendo que é algo simples, direto, real e verdadeiro, essa coisa de aceitar o silêncio, a quietude, desse estado natural e imperturbável, onde você está do lado de fora, sem sair daí. Só a ação acontece do lado de fora, e essa presença interna torna isso possível; você jamais sai de casa, embora esteja o tempo todo ocupado, envolvido com o mundo externo.

Escutem isso que estou dizendo pra vocês, aqui: estou falando da arte de lidar com o mundo exterior, de lidar com a vida externa, mas estar sempre presente nesse Silêncio, nessa quietude, nesse imperturbável estado de ser, que é você. Por isso, nós temos falado sobre a meditação, tocado nesta questão da meditação. Meditação não é uma prática, não é um exercício. Meditação é aprender a olhar, olhar naturalmente, sem estar perdido neste mundo mental, nesse mundo de pensamentos, de emoções e de sentimentos; sem estar perdido nesse mundo de condicionamentos. É sobre isso que estamos falando nesse momento disponível, que é revelador e único, e, quando eu digo que é o único momento, é porque não há outro momento fora esse.

Tudo o que esta acontecendo, esta acontecendo sempre nesse momento, nesse momento único. Assim sendo, podemos olhar pra isso: para o valor e a beleza da meditação, porque a Meditação é o passo único para esse Silêncio, que é essa quietude natural, que é você. Meditação já é o seu Estado Natural; não é uma prática, não há nenhum método, nenhum sistema, nada que você possa fazer, como passo número um, número dois, três, e assim por diante. Então, se nós estamos aqui dispostos a aceitar esse desafio, que é abrir mão do desafio de ser não-natural, temos que aprofundar essa "coisa", nos abrirmos a apreender o significado profundo e real disso, que é essa “coisa”, paradoxalmente, tão simples, chamada Meditação.

Talvez você me pergunte "o que é meditação"? Meditação? Não medite sobre isso. Se alguém manda você parar de pensar, e você se esforça nessa direção, logo descobre que não há como. Isso porque o pensamento acontece sem você. E aqui nós temos algo interessante a ser dito, pois, da mesma forma, a Meditação é algo que acontece sem você; assim como o esforço não faz o pensamento parar de acontecer, a Meditação não requer esforço para que aconteça. O Estado Natural já é meditativo, quando não há identificação com a mente e não há essa obsessão pelo pensamento. Quando não há essa fixação e essa importância indevida, que temos dado ao pensamento, a Meditação está presente e isto é muito natural.

Escute com calma isso. Eu estou dizendo que, quando você olha alguma coisa, o pensamento não está presente, mas um segundo depois ele surge e diz “eu quero” ou "não quero",  “gosto" ou "não gosto”, ou qualquer outra coisa. Entretanto, no momento do olhar, nesse exato instante, não há pensamento. É assim também com o ouvir, pois você escuta um som e, no momento exato do som escutado, não há qualquer interpretação do som, como “gosto" ou "não gosto”,  "me perturba ou não me perturba", "é bom" ou "é ruim". Então, eu quero convidar você para ficar aí, apenas nos ouvir, sem julgar, traduzir ou interpretar; a ficar no olhar, no ver, sem traduzir, interpretar ou julgar, sem dizer "gosto" ou "não gosto". E isso é possível quando você esta atento a esse movimento do pensamento que acontece, e essa atenção põe fim a este padrão condicionado, que é o padrão mental, este sempre nos colocando nesse desafio não-natural de “ser alguém”, de ser alguma coisa, como “alguém” que gosta “alguém”, que não gosta de algo que escuta ou vê. Vocês acompanharam o que eu disse? Ser natural é não ser alguém ali, aqui, nesse instante. Isso, gente, que é tão simples, muito simples, é o trabalho. Reparem que não é o "seu" trabalho, é só o trabalho, porque, se você entra para fazer alguma coisa, você destrói isso. Você não entra aí, pois o trabalho acontece sem você; você não está inserido nisso, nem envolvido nisso; você não tem nada a ver com isso.

Temos isso, muito forte, dentro de cada um de nós: querer aparecer sempre, sobretudo quando não somos solicitados. Você não tem que se envolver com qualquer coisa, não tem que se envolver em tudo, mas a mente está sempre se envolvendo com qualquer coisa, com tudo, e isso quebra, desfaz, sua naturalidade, o Estado Natural, que é Silêncio, quietude e paz. Então, eu quero dizer para você: fique AÍ. Mesmo quando você sair, estiver do lado de “fora”, falando, conversando, tendo que tomar posições, tiver suas posições, e precisar estar aí, do lado de fora, não saia de casa, permaneça AÍ. Essa é a arte de ser, de ser você mesmo, ser você mesma. Isto é natural, muito natural. Há uma “disciplina” presente, mas é uma disciplina de uma ordem nova, que é a disciplina da autoinvestigação, da Meditação e da entrega. Está claro isso, gente? Isso vem naturalmente e é tão natural quanto o peixe poder nadar, a ave poder voar e o sol brilhar. Isso é assim, tão natural. É isso... 

Fala transcrita a partir de um encontro presencial em Itaquaquecetuba - SP em Fevereiro de 2012 

domingo, 14 de dezembro de 2014

A Volta ao Lar




A essência, a base, o fundamento de toda experiência que acontece agora, no presente momento, é essa Presença, que é tudo o que nós procuramos; é a volta ao lar. Tudo o que buscamos é aquilo que já somos: esse estado leve, suave, pacífico, silencioso, completo, feliz e amoroso de ser.

É isso que somos agora, aqui, neste instante, quando a mente não está presente, quando todo o sentido de separação não está presente. É somente isso que buscamos: a base, o substrato, a essência, o fundamento de toda experiência, que é essa Presença. É aquilo que, na verdade, somos quando há silêncio – o silêncio da ausência da mente.

O que estamos dizendo é que você olha a vida sendo a própria vida, quando o pensamento não está presente ali separando você daquilo que acontece, e isso é Paz, é Silêncio, é Verdade, Quietude, Alegria, Felicidade e Completude.

Não há nada fora disso que você É: o Estado Real, o Estado Natural de Ser, a Presença. Tudo o mais é invenção da mente... tudo o mais. A sua Natureza Real é Felicidade, Paz, Amor, Liberdade. É esta Consciência. É esta Presença neste presente momento.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Paltalk Satsang: Leve tudo Mestre!



Olá. Boa noite. Sejam bem vindos a mais um encontro pelo Paltalk.

Vamos começar com estas palavras do Léo. Ele escreveu algo e vamos tornar isso público aqui.

Discípulo: Mestre, esse seu acolhimento, essa liberdade que você é e essa não necessidade de nos "possuir", o que é algo vivencial em sua presença e não uma ideia, estão evidenciando as prisões em que eu vivo e deixando muito claras as tentativas de manipulação daqueles que estão à minha volta; estão me mostrando que não há possibilidade de liberdade em ser "alguém". É somente em sua presença que posso sentir uma liberdade real. Ali não sou um instrumento para a satisfação de alguém. Você me aceita e olha para mim como eu sou, sem interesse algum, e é o suficiente. Não consigo mais querer nada menos que isso; nada além dessa liberdade. Isso criou um furacão nessa chamada minha vida, que parecia ter se acalmado, mas não, ele está bem vivo. Sei que é a Graça varrendo. Leve tudo, mestre, mas me ajude a ficar em paz, dentro do seu amor, nesses momentos em que a dor de ainda ser uma pessoa resolve bater.

Mestre: Eu queria começar dizendo para você uma coisa. Normalmente nós pensamos e este pensar é somente uma crença. O pensamento sempre nos coloca neste mundo imaginário. Normalmente, nós pensamos que viver com este sentido de separação, viver este sentido como “alguém”, é algo simples e fácil. Acreditamos que é algo simples e fácil, sem qualquer dificuldade, viver com este sentido de separatividade, carregando a ideia de ser “alguém”, e que isto não requer nenhum trabalho, dificuldade ou esforço. Entretanto, acreditamos que este estado de Presença, de ausência de separatividade, é algo que requer muito esforço e trabalho. Então, perceba: nós acreditamos que não requer esforço ser alguém, mas é exatamente o contrário.

Nós temos uma grande dificuldade, um grande e árduo trabalho, para manter este sentido de ser “alguém”, porque isso não é algo leve; é, na verdade, algo muito pesado.  Não é algo que não requer esforço, mas na verdade requer muito esforço. Manter-se como “alguém” é muito complicado, requer esforço e trabalho, enquanto que se manter livre do peso de ser “alguém” não requer nenhum trabalho, ou seja, nenhum esforço e nenhuma dificuldade, como nós conhecemos. Quando o Léo diz “(...) esta Liberdade que você (...) esta não necessidade de possuir  (...) é algo vivencial em sua presença (...)",  está evidenciando a posição como eu vivo. Portanto, carregar o peso de ser “alguém”  é algo que requer muito trabalho, muito esforço e não é nada simples.

Geralmente nós pensamos o contrário. Achamos que viver o Estado Natural, viver livre deste sentido do “eu”, viver como esta Consciência, como este Vazio, requer esforço, quando, na verdade, Isto não requer nenhum esforço. Viver como entidade separada é que requer um esforço enorme de “alguém” sentindo, desejando, julgando, comparando, decidindo e agindo;  é, então, um imaginar a si mesmo como o ser separado. Isso é algo muito trabalhoso; se olharem, observarem com calma, irão perceber isto. Viver sem julgamentos, sem opiniões, sem comparações, sem pré-julgamentos, sem escolhas, sem buscas, sem desejos, sem expectativas, sem esperanças ou desesperanças, viver sem medo, não requer esforço. Viver como esta Presença, como esta Liberdade, como esta Graça, não requer esforço. Assim, estamos diante de algo natural, simples, divino, sagrado. Estamos diante daquilo que somos.
Manter-se como ego é muito trabalhoso. O ego é muito stress, é muita tensão e luta; é muito esforço; é muito desejo; é muito medo. Viver livre do ego, viver este instante, este momento, sem imaginação, sem o passado, sem o futuro, é algo muito natural. E é sobre isto que tratamos em Satsang: estamos mostrando para você como viver sem se imaginar, sem imaginar a si mesmo como o ser separado.

Nós achamos algo muito normal, natural, nos considerarmos como pessoas. Você na verdade é esta Presença divina. Nós achamos uma blasfêmia ouvir isto, porque fomos educados e condicionados a pensar assim: que Deus é divino; que nós somos pessoas, humanos, mortais, pecadores; que somos pessoas separadas do todo – achamos isto normal. Acreditamos ser uma blasfêmia dizer que só há Deus e a única realidade presente é Deus. Você é Deus. O corpo e a mente são irrelevantes, assim como as sensações, os pensamentos, as emoções e os sentimentos; o que acontece ou parece acontecer é algo irrelevante. Só há Deus, entretanto achamos isso uma heresia, inaceitável; achamos normal nos imaginarmos como entidades separadas.  E aqui, na sua fala, o Léo diz: “Está me mostrando que não há possibilidade de liberdade em ser alguém. É só em sua presença que posso sentir uma liberdade real. Ali não sou um instrumento para a satisfação de alguém. Você me aceita e olha para mim como eu sou, sem interesse algum, e é o suficiente. Não consigo mais querer nada menos que isso; nada além dessa liberdade.”

Estamos falando em Satsang que a Liberdade é a sua Natureza Real. Entretanto, a não liberdade requer esforço, trabalho árduo e a imaginação de ser alguém; isto não é a sua Natureza Real. Aqui estamos investigando a natureza da ilusão e isto é o fim dela. Podemos investigar a natureza da mente egoica, o sentido de separatividade, esta ilusão de ser alguém. Então, na verdade, imaginar a si mesmo como um ser separado é que é uma grande heresia, uma grande blasfêmia.

A heresia é esta: “Eu sou um ser separado, eu sou alguém. Eu aqui e Deus lá. Deus em algum lugar eu aqui”. Em Satsang, estou afirmando que a sua mente é uma única realidade: é esta Consciência, que é a Graça, que é Deus, que é você. Isto, sim, é natural, simples e não requer esforço. Este vazio, que é o "não eu'', que é a Presença, não conhece esforço. Ego, pessoa, “eu” é stress, é conflito, é não Liberdade, é medo.

Nós estamos dizendo para você que no profundo, no íntimo, aí mesmo, em seu coração, se encontra esta suprema e indescritível Liberdade, e isto é algo natural. Estamos dizendo que no íntimo, no fundo, no silêncio do Coração se encontra a mais perfeita e indescritível Alegria, Amor e Paz.

Aí está a Eternidade, aí está o Supremo. Há algo que lhe traz ao Satsang: é esta memória da eternidade. Aquilo que é o anelo em cada coração. O seu único anseio real nesta vida é por Amor, Paz, Silêncio, Liberdade, Deus, Consciência. Você quer relaxar nesta beatitude, em Sat-chit-Ananda, em Ser, Consciência e Felicidade. Agora mesmo, neste encontro, você está diante deste Silêncio, desta Graça, desta Presença. Quando nós compreendemos profundamente, além da mente – esta é uma compreensão não verbal, não lógica ou intelectual – que jamais encontraremos em qualquer objeto, relação, anseio, desejo do lado de fora, esta Verdade, esta Eternidade, esta Realidade, então podemos constatar a presença Dela neste instante, além do corpo/mente/mundo. Isto é o que o seu coração anela. Seu único anelo real é por Deus, pela Verdade, que está dentro de você; que está além da mente e do corpo e de qualquer imaginação; que está além de qualquer coisa que a mente ainda possa produzir.

Mestre: Como você se sente neste momento? O que significa ouvir isto?

Discípulo: Estar em casa, Mestre.

Mestre: Você é sempre esta alegria, esta Liberdade, esta Graça, este Silêncio.

Discípulo: Isso é o verdadeiro grande livramento de Deus.

Discípulo: Só você parece que me vê, Mestre.

Mestre: Vocês são lindos. Estamos diante deste Silêncio, desta Liberdade, desta Verdade Divina que somos.

Ok. Vamos ficar por aqui. Valeu pelo encontro. Namastê.



Paltalk transmitido no dia 03 de Dezembro de 2014  (transcrito e revisado)
Encontro todas as segundas, quartas e sextas pela internet, via o programa Paltalk Senses.
Participem!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Quando Deus Está em Busca de Si Mesmo





Deus só tem uma coisa a fazer. Quando a Verdade assenta e esse poder misterioso assume a forma, o Silêncio do amor, ali, aparece como a coisa mais atraente e desejada.

A Verdade não é mais uma coisa, porque é, sim, a Única coisa, quando Deus está em busca de Si mesmo. Enquanto isto não estiver resolvido aí, o medo ainda terá muita importância.

Você deve desistir, até que Ele resolva definitivamente essa coisa. Não pode ter você aí e ELE também. Não tente saber nada sobre como isso acontece, pois as ações de Deus serão sempre um assunto Dele.

Você não pode vê-Lo, até que Ele resolva a forma disto tudo acontecer. Que fique claro, aqui: quando Isto acontece, você não permanece. Você, esse "alguém", não pode desejar Isto, porque Isto vai destruí-lo, entretanto, essa é a única vez em que você ganha tudo. Tudo agora é seu, de uma vez e para sempre.

Esqueça todas as necessidades e fique disponível, mergulhe de todo o coração e permaneça focado nesta entrega, nesta Graça, e tudo vem naturalmente.

Quando a chuva cai, como está acontecendo neste momento aqui em Recife, com o som da água batendo nas folhas da árvore, na frente da janela do quarto, o que isso significa? Quem fica para se importar com isso? Na mente, tudo tem que ter um significado; sem a mente, tudo é o que É, tudo é Graça. Esse é o mistério.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Paltalk Satsang: Deus é a única realidade!




Olá, pessoal. Boa noite. Sejam bem vindos, mais uma vez, nesta noite de segunda-feira, a mais um encontro no coração, mais um encontro com a verdade. Este é o significado da palavra Satsang: encontro com a Realidade, com o que É. E aqui temos a oportunidade de passarmos alguns minutos juntos com o coração voltado para esta liberdade, para esta única e inigualável Verdade.

Todas estas falas são espontâneas. Estamos falando com você a partir deste lugar, a partir deste espaço, e, ao mesmo tempo, dentro dele, sendo ele. Deste mesmo lugar, você também nos escuta.  A Verdade não conhece a separação entre sujeito e objeto, entre aquele que vê e o que é visto.

Assim, estamos sempre diante de algo muito direto, de algo “nosso”, de algo real. Deus é a única realidade, é esta Realidade sempre presente, além da noção mental que temos de tempo e espaço, além da ilusória noção que temos entre aquele que vê e o que é visto, entre pensamentos e pensador, entre ação e autor da ação. É importante nós investigarmos tudo isso e isso é o que fazemos em Satsang.

Satsang tem dois elementos fundamentais: o primeiro é a autoinvestigação, ou investigação direta (pura investigação), que acontece quando olhamos para estes aspectos ilusórios da mente. Então, fazemos uma investigação verbal e isto tem um poder de sair do campo do intelecto para nos fazer vislumbrar, de uma forma direta, além do intelecto, a verdade daquilo que está sendo dito.  

O segundo elemento é a entrega. Portanto, esses são os dois elementos fundamentais: a autoinvestigação e a entrega. Na autoinvestigação, percebemos a ilusão desta tão conhecida mente egóica; isto em nós que carrega o sentido de separatividade. Outra coisa é esta entrega, que significa devoção à Verdade, significa se devotar à Verdade. Quando há o "queimar" pela Verdade, isto fica facilmente compreensível. Fica muito simples ser compreendido, porque também não precisa do intelecto, não precisa deste elemento que está sempre calculando, analisando, vendo o quanto isto pode lhe dar prejuízo ou lucro; é isto que o intelecto sabe fazer muito bem.

Quando há em nós este queimar pela realização da Verdade (o que chamamos, nestes encontros, de constatação da Verdade), fica muito simples o que, aqui, nós chamamos de entrega, devoção.  Realização, Despertar ou esse novo modo de viver, que é a própria vida, é algo que acontece em razão desta entrega e desta investigação. Então, é possível o despertar da Sabedoria, que é sinônimo de Paz, de Amor, de Liberdade, de Felicidade, de Verdade, de Consciência. Assim, não temos mais a distorção que essa mente egóica, que essa mente separatista, que a ilusão deste “eu” cria. A percepção do corpo, da mente e do mundo, toda a experiência que você tem daquilo que nós chamamos vida é a experiência da mente no mundo. Em Satsang, tudo isso é colocado em palavras, com o propósito de estarmos juntos nesta investigação e nesta entrega.

Esta clareza nos toca, através da fala e do silêncio, nestes encontros, porque há este queimar por Isto; há esta fome, esta sede, este empenho por Isto. Quando Isto chega, fica claro o que pode ser "aprendido" por meio destas falas (não na cabeça, não no intelecto, mas em nosso coração):  a real possibilidade desta Verdade, desta Realização. Começa a ficar claro que toda a noção de separação é apenas uma ilusão mental, uma crença, uma ideia. Então, aquilo que se apresenta em nossa experiência diária, como corpo (que aqui são as sensações agradáveis e desagradáveis, de prazer e dor, oriundas da percepção sensorial, por meio da visão, audição, paladar, olfato e tato), mente (que aqui são as reações de memória, sentimentos, emoções, pensamentos, e assim por diante) e mundo (mundo, aqui, são pessoas, lugares, coisas, eventos, situações), todas essas experiências acontecendo de acordo com essa percepção que temos da vida, começam a ficar claras, não mais intelectual, teórica ou verbal, mas, sim, de uma forma direta, não havendo separação, não existindo um sujeito nesta experimentação, um sujeito que experimenta o mundo.

Nesta clareza há o direto e simples experimentar, sem o sujeito. Quando isso aprofunda naquilo que eu chamo de Meditação, que é esse Estado Natural assumindo esse organismo, esse mecanismo, o sofrimento termina; o medo termina. Este é o Estado Natural para cada um de nós. É assim que o acordado vive: não há mais a ilusão da separatividade, de um experimentador na experiência corpo/mente/mundo. Então, não há mais medo, não há mais sofrimento. Você nasceu para realizar Isto, para realizar o que você é.

Saber qualquer coisa sobre Isto, verbalmente, teoricamente e conceitualmente, como uma ideia, não funciona e não é real. Aqui, estamos falando que esta única realidade presente é o Estado Natural, no qual o corpo, a mente e o mundo aparecem e desaparecem.

Quanto aos pensamentos, imagens, sentimentos, sensações, sabores, aromas, texturas, etc., nós temos a ilusão de estar experimentando tudo isto como “alguém”; esta é a ilusão da separatividade e a base de todo o sofrimento e conflito. Além disso, a ilusão de ser “alguém” é a base da leitura artificial, presa a todo o tipo de conceito e crença, ligada a todos estes padrões tão conhecidos de todos nós. E assim vivemos separados desta Realidade, Felicidade, Amor e Paz Divina. “Nossa vida” é inveja, medo, ciúme, desejo, ansiedade, preocupação, antecipação, imaginação; isso é conflito, sofrimento, miséria.

Portanto, nosso convite em Satsang é para que você realize esta Verdade do Estado Natural, aquilo que você é, e para que se liberte das leituras que a mente faz e do sentido ilusório de ser “alguém” na experiência, que filtra, particulariza e personaliza todas as experiências, como se a vida estivesse acontecendo para “alguém”, para este “mim”, para este “eu”. Então, toda a ideia que você faz de si próprio é esta ilusão da mente separatista, num movimento de crenças, opiniões, julgamentos, conceitos, preconceitos e avaliações sempre ligados a esta suposta identidade que você acredita ser: este “mim”, este “eu”. Nessa ilusão não existe nunca a liberdade de ser a Vida, com toda sua vivacidade, sem ser “alguém”, sem um experimentador, sem uma pessoa presente; é você confundindo-se com uma história que o pensamento conta e que esta suposta identidade presente tem para contar.

Não existe “alguém”, apenas a crença, a ideia, a imagem, a imaginação. Então, essa assim chamada “sua vida” é esta imaginação, uma imaginação em conflito com a realidade. Alguns vêm a mim e perguntam sobre a realidade daquilo que estão vivendo. A Vida é real, porém a interpretação que você faz daquilo que acontece, e que chama de vida, não é real, pois está baseada neste fundo, nesta ilusão. No Oriente, na Índia, eles chamam de maya esta ilusão, que é apoiada nesta base imaginária, neste centro imaginário, nesta suposta pessoa.

As falas, aqui nestes encontros, não são falas da mente para a mente; é somente uma fala acontecendo, dizendo “nada com coisa nenhuma”, pois não há nada para ser dito, nem ninguém para ouvir ou dizer alguma coisa. Então, nós ficamos aqui, apenas cantando esta música, apontando para este ilimitado, indescritível e sempre presente desconhecido, o inominável, que nós chamamos de Consciência, de Presença, de Ser, de Deus. Estamos falando com você acerca desta oportunidade única, que é única porque a sua vida é somente a sua vida. Porém, paradoxalmente, não é a “sua” vida; é somente a vida acontecendo, se expressando neste mecanismo, ao qual foi dado um nome. Há uma história, um destino ligado a este mecanismo, mas você não é esse nome, nem esta história. Você é a vida presente e aqui estamos trabalhando este despertar, este florescer, o constatar disto. Então, esta Felicidade, Paz, Amor, Verdade, Ser, Presença, Deus, é possível, não como uma crença ou uma teoria.  Na Índia, eles chamam Isto de Liberação; aquele que realiza Isto eles chamam de Jivamukti, palavra empregada para aquele que realizou este Estado Natural, ou Jnani, aquele que está liberto em vida; é aquela rosa que não é mais botão, é aquela flor que desabrochou. Estou falando de você, daquilo que é você. É fundamental mergulhar nisto, dedicar sua vida inteira a este trabalho, porque você só tem isto para fazer, para realizar nesta vida, que é realizar Deus, realizar esta libertação.

Você está aqui para curtir, para desfrutar desta Presença, desta Bem-aventurança, deste Estado Natural. Na Yoga eles chamam de Sahaj Samadhi, o Samadhi natural.

Pergunta: A ideia de dedicar a vida a isto é abandonar todos os projetos e desejos?

Mestre: Sim. Todos os projetos e desejos só são possíveis para quem ainda está na busca de algo. A ideia de Liberação, Libertação, Realização, é o único real projeto e real desejo, que explode todos os outros projetos, que realiza todos os outros desejos. Ao realizar Isto, não há mais a particularidade de um outro projeto, nenhuma realização do lado de fora.

Pergunta: Porque nos reunimos virtualmente? Satsang virtual está na Graça?

Mestre: Nós não nos reunimos virtualmente. Nossos encontros são presenciais. Satsang significa encontro presencial com o que é, diante da Presença, da Graça, Daquele que está livre, compartilhando este Estado Natural. Este é o real Satsang.

Uma vez que fique compreendido o significado de Satsang, o Satsang fica realmente claro no encontro presencial, não havendo mais o "Satsang virtual". Satsang é sempre este contato direto com a Presença; é um trabalho direto que é possível, somente, quando há o contato com o Mestre, com o Guru. Qualquer outra coisa é apenas algo teórico. Estas falas aqui, agora, neste instante, não significam nada, pois são somente mais falas. Assistir a vídeos e ler livros assume um real significado quando tem um trabalho real acontecendo, quando o Guru aparece. O Mestre aparece quando o discípulo está pronto. Portanto, isto aqui não é Satsang e somente quando há o encontro presencial é possível ter este encontro virtual.

Este encontro virtual, aqui pelo Paltalk, torna-se muito real para os que estão em encontros presenciais, porque estão de fato neste trabalho, neste contato direto com a Presença do Mestre.

Recomendo a todos vocês: venham ao presencial. É aqui que a coisa começa. É diante deste Silêncio, além do toque físico e do olhar do Mestre, no encontro presencial, que o trabalho acontece, diretamente com cada um. Em Satsang presencial há uma ligação, um contato e um trabalho direto da Graça, que é a Presença do Mestre, com cada um. Não há separação entre Guru, Graça, Deus, Verdade e Consciência.

Pergunta: Mestre é onde tudo começa e acaba ao mesmo tempo?

Mestre: Sim. O Mestre é onde tudo começa e termina. Realização é ser o que você é e isto significa ser um com o Guru. É desaparecer nele e se tornar um. Este se tornar um significa assumir esta Consciência, mas não teoricamente, como um conceito ou crença, mas como uma verdade indiscutível, insofismável.

Vamos ficar por aqui. Valeu pelo encontro. Namastê.


Fala transcrita e corrigida a partir de um encontro via Paltalk Senses do dia 24 de Novembro de 2014
Encontros todas as segundas, quartas e sextas as 22h - Participem!

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Paltalk Satsang: É preciso ter uma aproximação inteiramente nova!


Boa noite! Sejam todos bem-vindos a mais um momento de Satsang pelo Paltalk.

Aqui, aquilo que é mais importante é esse encontro. Não é a fala que acontece nesse encontro, esse encontro chamado Satsang. Esse lugar é sempre esse único lugar, o lugar aonde nós nos encontramos sempre uma vez mais. Sempre mais uma vez abertos ao que é. Esse único lugar que sempre é. Esse lugar eu chamo de Presença.

Presença é aquilo que nunca está ausente. Esta Presença é aquilo que ocupa, que preenche todo esse maravilhoso jogo, esse jogo convincente que é o jogo da ilusão. Não há nada separado desta Presença. Ela preenche tudo. Maya é uma manifestação ainda desta Presença, e isto dá um nó no intelecto. Você não pode se aproximar disso no intelecto ou ficará mais perdido que cego em tiroteio.
É preciso ter uma aproximação inteiramente nova. A ilusão está nesta ideia de um mundo “exterior”. A ilusão é apenas isto: uma ideia, uma crença, um conceito mental. Quando você se separa desta ideia, e estamos dizendo a você neste encontro que você não está separado desta ideia, como um pensador pensando sobre isto, acreditando, conceituando, vendo este mundo externo.

Parece um pouco confuso isto. O próprio intelecto produz uma confusão e o que é simples parece confuso. Este intelecto em nós é altamente treinado no que diz respeito ao que é, ao que claramente se apresenta, pois você não tem como se aproximar da verdade pelo intelecto. Percebam que estamos desafiando você ao despertar da Sabedoria, desta Realização. Aquilo que eu chamo de florescer desta consciência. A Consciência deste Consciente, desta Presença.

Então observe isto: esta crença neste pensador cria este mundo “exterior”. Então nasce um mundo de coisas, lugares, pessoas, esse pensador lança para fora como algo separado dele esse mundo objetivo. Isso tudo é uma crença: o pensador e o mundo que ele projeta para fora dele. O pensador é uma crença, o pensamento como algo separado deste pensador é uma crença. A única verdade é o pensamento acontecendo sem o pensador. A única verdade é a vida acontecendo sem um pensador. A única verdade é o mundo acontecendo sem o pensador. Isto significa um mundo não imaginário. Isso significa a vida não imaginada. Isso significa o pensamento como ele é.

Quando este pensador surge, aí surgem os problemas, porque ele quer mudar o que é. Ele faz uma sobreposição com o seu mundo imaginário a esse mundo presente. Ele faz uma sobreposição com uma vida imaginária a essa vida presente. Ele faz uma sobreposição através de desejos, crenças, opiniões, sobre o pensamento presente, sobre aquilo que simplesmente está acontecendo. Então nós temos esta presença ilusória. Esta presença ilusória é Maya, é a ilusão desta separatividade. E mesmo assim, isto tudo está acontecendo nesta única realidade que chamamos de Presença. Não esta ilusão imaginária, não este sentido de alguém, não este pensador. Estamos falando desta Consciência, desta Presença Real que nunca está ausente.

Depois nos vemos em apertos, em complicações, em dificuldades, porque estamos identificados com esta ilusão, estamos perdidos nesta ilusão, confundidos com ela criando uma vida imaginária para esta ilusão, esta ilusão do “mim”, do “eu”, desta pessoa que sou “eu”. Estamos trabalhando o fim desta ilusão, o fim deste sentido de separatividade, o fim da ilusão do pensador, o fim da ilusão deste mundo “exterior” no qual a suposta pessoa está vivendo, o suposto pensador está vivendo. O fim disto é a libertação.

É esta Liberação, ou Iluminação, ou Realização de Deus. Afinal onde é que está esta mente? Aonde está esta mente onde nossas vidas estão inteiramente baseadas? Onde está este “mim”? Quando realmente olhamos, que é o que estamos fazendo juntos em Satsang, tudo o que podemos encontrar é uma aparência, uma aparição. E quando nos deparamos com este vazio mais profundo, não tem alguém ali.

Este vazio mais profundo é a plenitude total, e você como consciência não está separado disso. Então estamos sempre dizendo que não há um você nisso tudo. Esse “você”, esse “mim”, esse “pensador”, esta “pessoa” é uma fraude. Isto é bastante natural. É algo Divino, algo Real. Esse é o Despertar, esta é a Realização.

É esse mistério além de todo o entendimento e toda a compreensão, a Verdade além de toda possibilidade de compreensão. Vocês precisam desistir de compreender isto. Apenas vivenciar. Deus é vivencial mas não é compreensível. A Verdade é vivencial, mas não compreensível, explicável ou razoável. Intelecto e razão não podem alcançar isto.

O problema é que somos muito inteligentes, mas Deus não é para os inteligentes. A inteligência neste mundo “exterior”, a sabedoria neste mundo “exterior”, neste mundo criado por este sentido de separatividade é uma tremenda loucura. É algo muito complicado e a verdade é muito simples, muito natural. O Amor é algo simples, é algo natural, enquanto que o desejo é algo complexo e muito artificial.

Nossa vida baseada no intelecto está assentada na ambição, na busca por mais, no desejo, na complexidade do desejo, na busca de uma realização, que para o intelecto significa preenchimento. O desejo é aquilo que lhe coloca como esta entidade separada no tempo, que basicamente é medo.
Quando falo deste amor, não falo de algo que tem um oposto. Desse Amor que é simples e natural. Esse amor que conhece um oposto ainda é parte de um desejo, ainda está dentro do medo. Ainda tem alguém nisto. É pelo desejo que alguém se esforça, realiza um sonho, faz suas escolhas, acumula e se torna alguém especial deste mundo “exterior”. Percebam isto, a ilusão disto, a frustração presente nisso. Uma vida neste desejo, amor, medo.

Enquanto que nós lhe convidamos a perceber a verdade deste amor sem oposto. Esse amor que é sinônimo de Liberdade, Paz, Felicidade, Consciência, Presença, aonde todo este jogo de ilusão é visto apenas como uma aparição, algo inofensivo porque não tem mais alguém nisto. Não tem mais esta ilusão, a ilusão deste “eu”, deste ego.

Como está isso aí para você? Estão nós voltamos sempre a este ponto aqui: essa continuidade da pessoa, a ilusão deste pensador funciona mantendo isto, este maravilhoso jogo da ilusão. Então este “eu” diz: não quero morrer. Para a mente, isso é muito desesperador.

Nós passamos a vida toda agarrada a este sentido de “mim”. Nós passamos a vida inteira agarrados a este sentido do “eu”, e a mente tem muito medo de perder isto. Por isso é que há muito medo da morte física, a morte do corpo. Isso é o fim deste “eu”, da minha vida, minha história, minhas conquistas, meus desejos, meu amor, minha realização e nós não queremos perder isto. O que será de “mim”, deste “eu”? O que será deste pensador sem este mundo “exterior”, sem esta sua criação?
Pergunta: Mestre, aprendemos na escola que dois corpos não ocupam o mesmo espaço ao mesmo tempo, mas isto me parece uma fraude, pois não tem 2, certo mestre?

Mestre: Isto está muito intelectual. Façam perguntas simples, o que isto tem a ver com o que estamos falando? Enquanto a fala se desenrola em Satsang, vocês levantam perguntas que não têm a ver com o Satsang. A mente de vocês é muito barulhenta. Venha para o presencial que você vai ganhar muito mais.

Pergunta: Você sempre fala mais do que não é o Ser, e menos do que é o Ser!

Mestre: O que significa isto? O que se pode falar do Ser? Vocês acham que se pode falar algo do Ser? Tudo o que nós podemos fazer em Satsang é investigar a natureza da ilusão. O fim desta ilusão é o Ser. Não podemos falar nada sobre Deus, sobre a Verdade, sobre a Realização. Só podemos realizar e viver isto. Aqui se alguém fala, é porque não sabe.

Em Satsang nós não investigamos o que é, nós investigamos a ilusão daquilo que parece ser. O que parece ser pode ser investigado, o que é não. Podemos investigar a ilusão das crenças, das opiniões, dos julgamentos, desse sentido de separatividade. Agora não podemos tocar naquilo que é indescritível, inominável, que está além da mente. A realização disto é possível, o falar sobre isto não.

Chegamos ao final do nosso encontro. Até o nosso próximo encontro.

Namastê.

Fala transcrita e revisada a partir de um encontro via Paltalk Senses no dia 26 de Novembro de 2014
Encontros todas as segundas, quartas e sextas as 22h - Participem!
 

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