domingo, 30 de novembro de 2014

Paltalk Satsang: Tudo isso já está debaixo do seu nariz





Você está infeliz, deprimido, ansioso, confuso, etc... Porque está perdido na mente, nesta ilusória identidade que você acredita ser você. Deixa eu simplificar isso pra você. Todo o pensamento que acontece aí dentro de sua cabeça, você salta sobre ele, se agarra a ele. Acreditando que são seus, acredita neles. Assim, acredita ser você que está pensando isso. É o que chamo de identificação com o pensamento, não salte sobre nenhum deles, sejam eles “positivos” ou “negativos” isto é um simples exercício, seja uma testemunha deles, experimente isso e observe o que acontece.

Você não será feliz, isso não é possível. Você já é felicidade, é impossível mudar isso. Toda sua dificuldade é que você não sabe quem é você. Realização é a constatação inequívoca de que você é suprema felicidade. Realização é a constatação inquestionável de que tudo já está em seu próprio lugar. Realização é a constatação inconfundível de que tudo é o que é. Isso é Deus. Qualquer outra coisa que vemos além disso são imagens mentais, ilusões do pensamento.

Estou sempre dizendo aqueles que vem aqui, sinta o que está aqui. Não se importe com as minhas palavras. Quando você está presente neste momento você já tem a coisa toda aqui. A coisa toda está agora neste presente momento. 
 
Chega um momento em que nada mais faz qualquer sentido, nada mais consegue abafar a dor, servir de meio de escape para esse sofrimento. Algo parece estar fora do lugar. É quando o coração clama por algo fora de toda essa loucura, e assim somos atraídos a esta Presença que nos fala ao coração, ela tem algo em sua voz. Tem algo em seu silêncio. É a resposta. É a resposta. É o fim da ilusão. É o coração do Amado.

Portanto, tudo o que estamos fazendo nesses encontros é lhe dar indicações óbvias. Tudo isso já esta debaixo do seu nariz, sempre esteve, porém a mente não lhe permitiu ver isso até agora. A primeira coisa que você constata é que essa mente não é sua, nada que passa aí dentro de sua cabeça é você, ou o que acontece a esse corpo não está acontecendo a você. O que você tem sobre si próprio são crenças, e se todas elas terminam você está diante da Suprema, Direta e Simples Felicidade de sua Real Natureza.

Qualquer pensamento aí é um acontecimento sem a sua escolha, qualquer sentimento aí é um sentimento sem a sua escolha ou qualquer sensação está acontecendo sem a sua escolha. Apesar de acreditar que está no controle, você não está no controle de nada, portanto, não se importe com nada disso, não se importe com eles que aparecem, e logo vão embora.

A pergunta que lhe faço é a seguinte: você pode permanecer neste espaço onde eles surgem? Você não está separado disso, sabendo ser esse espaço você pode acolher tudo neste amoroso abraço? Não percebe o que estou dizendo? Você não pode deixar de ser o que é porque um pensamento, sentimento ou sensação está aí agora neste instante, isso não muda o que você é, seu estado natural de ser, que é esse espaço onde tudo isso acontece.

O estado que não é um estado, o estado livre de todos os estados, ou a única experiência livre de todas as experiências, podemos chamar isso do que quisermos, como liberdade, beatitude, paz, amor, felicidade, etc.

Esse estado no qual os estados acontecem e as experiências aparecem para depois desaparecerem, tudo isso é você em sua verdadeira natureza, e esta é a Única e Ilimitada Presença se desdobrando neste presente momento.


Você vê a vida assim, quando na verdade, tudo o que você tem são crenças, opiniões e conclusões sobre tudo o que você vê a sua volta. Sua visão está colorida. Não me importo se você me diz coisas que nascem dessas ideias e, assim, sente isso. 
 
Examine isso, olhe o que você diz, o que você sente. Olhe os pensamentos aparecendo aí. Dê atenção a esse olhar, constate o quanto isso é simples de ser visto sem qualquer identificação, como uma testemunha que testemunha essas ideias e crenças. E assim você está livre. Repare que não há nenhuma coisa especial nisso. É um trabalho simples, que não requer nenhuma disciplina, esforço, ou prática dessas assim conhecidas práticas espirituais.

Olhe. Apenas olhe, ouça, sinta a temperatura do ambiente onde você está. Você está presente neste momento. As cores e formatos de tudo, das “coisas”, dos sons, dos pensamentos, e assim por diante, o que acontece neste instante, simplesmente observe isso. Assim, vemos que se manifesta este profundo Silêncio que tudo contém, no qual tudo aparece, na “experiência”. Mas não há ninguém nela. Chamo isso de Única Experiência ou posso chamar isso de nenhuma experiência, é apenas Você em sua Real Natureza. É beleza, que é silêncio, que é paz, que é amor, que é liberdade, que é felicidade.

Você pediu pra falar sobre o perdão. Perdão. Falar sobre perdão é como falar sobre o sol frio. É impossível falar sobre o perdão. O que é o perdão? O que é exatamente o perdão? Como é possível uma ofensa ser perdoada? Qual o sinônimo da palavra perdão? É esquecer. Qual é o outro sinônimo para essa palavra? Relevar. Qual o outro sinônimo? Renovação. Não guardar mágoas. Qualquer um desses significados, isso é possível? Espere. "Estou ofendido. Estou ofendido." Trinta minutos depois, posso esquecer isso? Posso olhar para isso de uma forma “ignorando”, “vendo a irrelevância disso”, “não dando valor a isso” ou não ficando magoado. Isso é possível? 
 
Eu digo: não é possível. Você não muda o que é. Você está diante da ofensa. Você vive a ofensa. Meia hora depois, você não tem mais a ofensa, tudo que você tem é a lembrança disso. Aí você pode usar qualquer uma dessas expressões que acabamos de colocar, mas isso não é real. Ou seja: É possível estarmos livres da ofensa quando acontece o momento da ofensa? Isso seria real. Dez minutos depois, meia hora depois, um dia depois. Esquecer isso, tentar uma renovação ou ver a irrelevância disso, ou não ficar magoado com isso é simplesmente impossível. 
 
O que você tem é uma memória. Então, está dando para acompanhar o que estou dizendo? O que você tem agora, depois de dez minutos, trinta minutos, é só uma memória. 
 
Então repare o que estou dizendo: estou perguntando a você se é possível, no momento em que ocorre o desafio da ofensa, não acontecer a ofensa. Porque não há ofendido. Se não há ofendido, não há ofensor. Então, não há necessidade dessa coisa chamada “perdão”. E aquilo que nós chamamos de perdão, dez minutos, ou 30 minutos, ou alguns dias depois, ou anos depois. Isso não acontece. Porque isso não pode ser simplesmente esquecido, ou não ficar magoado, ou relevar ou não ficar, ou buscar uma renovação, porque isso já aconteceu, isso não pode ser mudado. 
 
Então, não há perdão. Perdão não existe. O real é não haver o sentido de "ofendibilidade", nessa ausência de um ofensor e de um ofendido. Você pode chamar isso de perdão, pode chamar de renovação, pode chamar de não ficar magoado, pode chamar de relevar. Agora sim, o perdão existe. Então, isso é o real perdão: estar no momento presente livre do sentido de ser alguém. Porque se não há alguém, não há ofendido e não há ofensor, não existe nenhum sentido de ofensa porque não há separação.

Reparem o que estou dizendo pra vocês. Estamos colocando aqui: toda situação, nesse instante, nesse momento presente, é possível sem o sentido do “mim”, do “eu” “da pessoa”. Toda situação, seja ela agradável ou desagradável. Isso não deixa cicatriz, porque não acontece feridas. É simples. Então, use a expressão “perdão” apenas nesse sentido. Qualquer outro sentido é falso. A mente não pode dar perdão. É da natureza da mente se manter como uma entidade separada, como alguém que tenta esquecer, que tenta depois se libertar da mágoa, que tenta depois encontrar essa renovação, que tenta depois ver isso tudo como algo irrelevante. Mas isso é uma ilusão. Enquanto houver um “eu”, enquanto houver um sentido de vulnerabilidade a ofensa, que é a existência da mente, sua autodefesa, que tenta se proteger, que algumas vezes ataca, por medo, sempre vai acontecer a mesma coisa. Tudo vai se manter da mesma forma.

Seu desafio é não existir. Então, jamais haverá alguém aí ofendido. Jamais haverá necessidade de esquecer, ou de não ficar magoado, ou de ver a irrelevância ou de haver uma renovação. Seu desafio é desistir dessa confiança de ser alguém, quando acontece esse momento, que se aproxima acusando, difamando, ferindo, magoando. "Magoando", "ferindo", "difamando" quem?  É isso. O perdão é não existir para perdoar. Isso é o real perdão. 
 
Não há alguém. Você não pode ser ofendido por si mesmo. Se tudo que você vê é essa mesma Presença em toda parte, você não existe como “alguém” para ficar ofendido e para ofender a si próprio. Qualquer opinião, ideia, conceito, julgamento, qualquer coisa relativa a alguém presente aqui, nesse organismo, nesse organismo aí, se esse sentido do “mim” não está presente, o real perdão está presente. Porque a ofensa jamais acontece.
 
Então, não se fala de perdoar, nem se fala mais de perdão. Nem se fala mais de ofendido, nem de ofensor. Você não precisa “não ficar magoado”, você não precisa “procurar renovação”, você não precisa “ver a irrelevância disso”, você não precisa “esquecer isso”, porque isso nunca existiu. Porque você não existe. Isso não existe. É simples assim. Não há perdão. Repito: Não há perdão. É isso.


Fala transcrita e revisada a partir de um encontro via paltalk em novembro de 2014
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quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Satsang: Tudo o que buscamos é aquilo que já somos!



A essência, a base, o fundamento de toda experiência que acontece agora, no presente momento, é essa Presença, que é tudo o que nós procuramos; é a volta ao lar. Tudo o que buscamos é aquilo que já somos: esse estado leve, suave, pacífico, silencioso, completo, feliz e amoroso de ser.

É isso que somos agora, aqui, neste instante, quando a mente não está presente, quando todo o sentido de separação não está presente. É somente isso que buscamos: a base, o substrato, a essência, o fundamento de toda experiência, que é essa Presença. É aquilo que, na verdade, somos quando há silêncio – o silêncio da ausência da mente.

O que estamos dizendo é que você olha a vida sendo a própria vida quando o pensamento não está presente se separando daquilo que acontece, e isso é Paz, é Silêncio, é Verdade, Quietude, Alegria, Felicidade, Completude...

Não há nada fora isso que você É... Seu Estado Real, seu Estado Natural de Ser, a Presença... Tudo o mais é invenção da mente... Tudo o mais. A sua Natureza Real é Felicidade, Paz, Amor, Liberdade. É esta Consciência. É esta Presença neste presente momento.

Trecho transcrito de um Satsang Presencial

domingo, 23 de novembro de 2014

Paltalk Satsang: A Liberdade de Sua Verdadeira Natureza



Satsang é o momento de constatação da realidade. Nós tratamos em Satsang desta base; estamos apontando em Satsang para esta Verdade Presente. A pergunta é: podemos ver de forma clara, desobstruída, livre de conceitos, que o pensamento sobrepõe toda e qualquer experiência? É disso que tratamos em Satsang. Estamos falando da liberdade de ser, desta liberdade da Consciência, da Liberdade de sua Natureza Real. Estamos tratando em Satsang desta chave.

Na Verdade, a maioria de nós vive de uma forma inteiramente inconsciente. A nossa experiência de vida, a nossa experiência de viver, é algo acontecendo dentro desse filtro – é uma experiência filtrada através de uma malha fina de pensamentos; uma malha de pensamentos conceituais. Isso faz com que, em nossa experiência, a vida se apresente de uma forma completamente diferente de como ela realmente é. É assim que tem sido a nossa vida.

Estamos dizendo que essa fina malha de pensamentos, de ideias, crenças, conceitos, paradigmas, nos faz ter uma percepção diferente da realidade. O fato é que temos negligenciado a Realidade, e o que nós temos é uma visão ilusória da vida. Estamos vendo a vida através da ilusão da mente egoica, da ilusão desse sentido de separatividade, desse sentido de ser alguém experimentando, sentindo, pensando, vendo, ouvindo...  Nós tratamos em Satsang da oportunidade dessa liberdade: a Liberdade da Consciência; a Liberdade de sua Natureza Verdadeira – daquilo que você É; da visão, do sentir, do ouvir e do experimentar livres do ego, do sentido do “eu”, de alguém nessa coisa.

Como soa isso para você? Algo absurdo? Algo possível? Algo irreal? Como é isso?

Algumas vezes, ouvimos a expressão: “o mundo é uma ilusão”. No entanto, a ilusão é apenas a leitura que a mente faz do mundo. Essa é a única ilusão: a suposta realidade de nossa experiência quando ela está baseada nesse filtro, quando ela está baseada no pensamento. Então, naturalmente, a nossa experiência é falsificada. Eu tenho falado muito em Satsang sobre essa fraude que é você, e muitos não compreendem. Quando digo que você é uma fraude, estou dizendo que o mundo em que você vive é uma fraude, a vida é uma fraude, o mundo em sua totalidade é uma fraude. Estou dizendo: você é uma fraude, assim como sua vida e seu mundo, porque toda experiência que você tem, baseada no sentido de ser alguém, distorce a realidade. Então, essa sua realidade é a realidade da ilusão; é uma ilusória realidade. Eu sei que, mais uma vez, pode soar estranho, mas você não está vendo neste momento alguma coisa. Quando você olha para alguém – e eu falo dessa visão sensorial mesmo – você não está diante daquele que está ali. O que você tem é uma interpretação acerca dele ou dela. Você está diante de uma projeção, de uma crença. É a sua mente criando essa “realidade”, fazendo uma leitura disso, e você tem aí uma imagem de si mesmo, projetada naquilo ou naquela que está diante de você. Ali está o seu ego. Essa é a visão de maya. Essa é a ilusão.

Nós aqui estamos investigando juntos, olhando juntos para isso, para a natureza ilusória da percepção, da experiência, da visão. Estamos olhando para essa leitura falsa.

Pergunta: O mundo fora de nós é só uma crença dentro desse sentido de separação?

Mestre: Não é o mundo fora de nós; é a ilusão do mundo fora de nós. Vocês fazem observações intelectuais fadadas ao fracasso. Fazer uso do intelecto para investigar isso é um erro. Não há um mundo fora de nós. Essa ilusão de um mundo a partir desse olhar de dentro é a natureza da mente.
Pergunta: Então não seria impossível explicar isso aqui em palavras? Por que Satsang?

Mestre: Satsang não são palavras; está além de palavras, e nossa intenção aqui não é explicar nada, porque isso não é possível. Mas é possível ver o silêncio através destas palavras; essa é a chave. Palavras não interrompem o silêncio, não afetam o silêncio que é Satsang. Aqui há um equívoco muito comum: vocês acreditam que tem alguém falando e alguém ouvindo – é exatamente o que estamos dizendo – e estamos fazendo isso o tempo todo; falsificando a experiência através de interpretações mentais.

A Verdade é este silêncio onde as palavras estão acontecendo, assim como toda e qualquer experiência. O que quer que apareça, aparece sobre um fundo, ou uma base. Por exemplo: diante de um filme, você tem a tela; ou, você olha para cima pela manhã e vê nuvens com o céu ao fundo. Quando você olha para uma cadeira, o lugar onde ela está apoiada também está ali. O que quer que esteja aparecendo está aparecendo sobre uma base. Assim, esse som, essa fala, ou qualquer experiência, está acontecendo sobre uma base ou em uma base. O problema conosco é que, quando focamos na experiência, perdemos a base. Focando no filme, perdemos a tela; na nuvem, perdemos o céu; na cadeira, perdemos o espaço.

Quando você vem a Satsang , quero lhe convidar a conhecer este espaço onde a fala está acontecendo. Estamos lhe convidando a viver a realidade livre dos filtros da mente egoica, desse sentido de separação, que aparece avaliando, interpretando, vivendo nesse gostar ou não-gostar. Esse é o ego, o sentido do “eu”. Aí está a ilusão.

Estamos lhe convidando a viver sem ego, viver sem interpretações, sem conhecimento, sem certezas, sem convicções, sem crenças, sem opiniões. Viver em Liberdade! Aí está o Amor, a Paz, a Verdade, a Verdadeira Sabedoria. Não “alguém” sábio nela, não “alguém” em paz, mas apenas a Paz. Não alguém livre, mas a Liberdade. Então nós temos a base sobre a qual se apoiam todas as experiências. Por isso temos dito que sensações e experiências não são problemas, porque o filme não pode ser contra a tela, a nuvem não pode ser contra o céu, o pensamento não pode ser contra a Consciência. Os pensamentos e as emoções não podem ser contra a Consciência; eles surgem Nela. Tudo isso aparece nesta base, e não é contra esta base. Nada pode ser contra esta base. É algo que surge nela e que a tem como fundo. Aqui estamos trabalhando isso: o fim dessa identificação com aquilo que é visto, sentido e pensado.

Nossa experiência de mundo, de corpo, de mente tem um fundo, o qual é imutável e jamais tocado por essa experiência. E aqui estamos interessados nesse fundo, que é a Natureza de Deus, que é a sua Real Natureza, do estado livre do ego, do medo, desses amores e desamores, gostos e desgostos; livre dessas alegrias e tristezas, dessa moralidade e imoralidade. Em outras palavras, mente, corpo e mundo são aparições inofensivas, aparecendo e desaparecendo constantemente, e você não se confunde mais com isso.

Tudo que nós sabemos do mundo são essas aparições, sensações, percepções, que aparecem e desaparecem. No entanto, tudo isso tem que acontecer sobre uma base. E o que é esta base? Na índia, eles chama de Sat Chit Ananda esta imutável base. Quando você se depara com um acordado, você se depara com esta Presença: Sat Chit Ananda. Você está diante de si mesmo, desta Liberdade; diante desta base, deste fundo. Assim como a nuvem precisa do céu no fundo, sensações, percepções e pensamentos precisam deste fundo, que é a Consciência.

Temos falado constantemente – tenho repassado isso muitas vezes – que você não é uma pessoa. Uma pessoa é o sentido de uma identidade na experiência; isso é apenas uma crença, uma grande ilusão. Não confunda o corpo como sendo você; não confunda a mente como sendo você; não confunda pensamentos que aparecem aí como sendo a sua história; emoções que aparecem como sendo as suas emoções.

Talvez você ache interessante ouvir tudo isso aqui no Paltalk, mas não se engane: você está apenas diante de uma fala. Você só pode aprofundar esse silêncio presente numa entrega, e parte disso é participar de Satsang presencial. É lá que a coisa começa para valer. O trabalho só acontece em encontros presenciais; aqui é apenas um perfume, uma amostra da fragrância, mas você não fica perfumado só porque sentiu a fragrância do perfume. O problema de vocês é que querem ficar perfumados sentindo a fragrância do perfume. Quando assistem a um vídeo de Eckhart Tolle, Mooji ou Marcos Gualberto, acham que isso será suficiente; mas não funciona. É necessário que você morra, mas você não vai morrer vendo um vídeo ou lendo um livro. Pode ler centenas deles, ver centenas de vídeos ou Paltalks, mas isso não vai funcionar; a mente de vocês é muito tagarela. Vocês precisam dar o coração a estas falas. Silenciar. Prestar atenção.

Pergunta: Como encerrar com todas as perguntas da mente?

Mestre: Venha ao Satsang; aqui está o segredo desta realização de Marcos Gualberto. Satsang é o grande segredo. É aqui que a Graça pode trabalhar com o seu mecanismo.
Pergunta: Poderia falar sobre o campo de Presença que ocorre no Satsang presencial?

Mestre: É este campo de Presença em Satsang presencial que esmaga esse sentido de separação e arrogância da mente egoica. Isso esmaga e silencia a mente. É preciso a mente mergulhar na fonte. Quando a mente mergulha na fonte, ela desaparece nela, o que significa o sentido de separatividade esmagado pela Presença. Isso se chama Shaktipat na Índia, o que só é possível na presença de um Mestre vivo, e não em vídeos e livros.

Pergunta: Por que não me rendo?

Mestre: Porque você não pode. A mente não se rende, é um trabalho da Graça. Todo o seu trabalho é resistência, não-rendição. Você jamais vai se render; o ego não se rende nunca. É a natureza da mente (ego) se manter nisso que ela é, ou seja, resistência. O que vocês ainda não perceberam, e que estamos falando constantemente nestes encontros, é que isso é um trabalho da Graça, da Verdade, do Mestre, e não seu. O Mestre é essa Consciência, esta Verdade. O Guru externo é o Guru interno, mas você não tem acesso ao Guru interno sem o externo. A verdade está na Graça, nesse poder de Presença que acontece em Satsang presencial, quando a mente em sua arrogância cai. Então, a rendição é este trabalho desta Presença, da Graça. Venha ao Satsang presencial e você vai descobrir o que é rendição. Rendição não é algo que acontece em um único encontro.
 
Participante: Alguns estão sempre aqui, mas nunca foram a Satsang. A mente vai só acumular conceitos por aqui.

Mestre: Vocês estão acabando de ler algo de alguém que está sempre em Satsang presencial. É isso que descobrimos em Satsang presencial. Essa fala em vídeos e livros vai lhe encher de conceitos. Na verdade vocês já estão cheios de conceitos. Venham ao Satsang presencial. Nós estamos nos unindo e em breve teremos um Ashram no Brasil. Teremos o nosso Ramanashram Brasil – este será o nome do nosso Ashram, em tributo ao meu mestre e Guru Ramana Maharshi, aquele que encontrei quando tinha apenas 24 anos de idade. Hoje tenho 52 anos; compartilho com vocês a partir desta minha experiência, deste contato, desta realização aos pés do meu Mestre, aos pés do meu Guru. Teremos aqui no Brasil o nosso Ramanashram; a Graça está nos dando esse espaço e quero contar com todos vocês para fazer isso acontecer aqui no Brasil. Essa é a única coisa que vale a pena: realizar Deus, realizar a Verdade, a Paz, o Amor, a Consciência.

Ok? Vamos ficar por aqui. Namastê.


Fala transcrita e revisada a partir de uma fala via Paltalk Senses
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quinta-feira, 20 de novembro de 2014

SATSANG: NADA SEPARADO DA VIDA COMO ELA É




Aquilo que está presente aqui jamais se ocupa. Não é possível encontrar a Verdade, porque ela não está separada deste instante, oculta em algum lugar; e a palavra Verdade não é a coisa.

A mente tem uma forte habilidade, uma forte tendência, um persistente hábito, de sobrepor a realidade deste instante com uma ideia, uma crença, um conceito, uma posição. A verdade é o “que é” neste instante, é aquilo que se apresenta não separado do viver. O viver revela a Verdade do “que é”, que é a Vida como ela se mostra. Como a Vida se mostra? Como ela é.

Como ela É, nenhuma sobreposição mental a essa realidade diz qualquer coisa, apenas separa o conceito, a crença, a ideia, o sentido de alguém nessa avaliação, dessa realidade presente que é a Vida.

Todas as nuances da vida alegria e dor, sorrisos, gritos e lágrimas, preocupações, ansiedades, medos— não estão separadas do viver, que é a Vida como ela é. Isso é a Verdade! A ideia de que algo tem que ser diferente do que se mostra cria o sentido de uma identidade no controle, com resoluções, com posicionamentos...  Grande ilusão!
 
Experimente a disposição da não-resistência à Vida como ela se mostra, sem uma identidade que interprete aquilo que acontece.

Experimente isso!


Fala transcrita e revisada a partir de um encontro presencial em Satsang

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Paltalk Satsang: A base desta estrutura é o medo


 
Sejam bem vindos a mais um momento. Mais uma vez nos encontramos neste não espaço; no Vazio. Bem-vindos à Vida, ao mundo em sua Totalidade. Bem-vindos à Consciência.

Este lugar, para o qual você é convidado a estar, é o não espaço, é esta não localidade, é este mundo real em sua totalidade, onde não há, e nunca houve, nenhuma separação. É  este o lugar onde sempre nos encontramos.

Somente aqui é possível esta Paz, a Paz que todos vocês estiveram buscando, mas nunca puderam encontrar. Porque  não puderam encontrá-la  até hoje? Porque até hoje não aprenderam a olhar para ela. A partir deste momento, vocês encontram-se neste Espaço e aqui está esta Paz, porque agora estão olhando para ela. Esta Paz nunca foi perdida; não é uma possibilidade de existir algum dia, não é uma possibilidade de futuro. Esta Paz não é algo a ser encontrado no final, é algo que está presente logo neste primeiro passo, neste salto inicial, que é estar aqui neste encontro. A verdade é algo presente neste salto inicial. Mas é preciso ir além do mundo, deste mundo que não é a Totalidade; deste mundo parcial;  deste mundo de ideias, de crenças; deste mundo louco, onde somos escravizados e experimentamos a escravidão da ilusão.

A base desta estrutura é o medo. É assim que nós vivemos e morremos. Isto é o mundo do ego; é o mundo da ilusão. É maravilhoso estarmos aqui vendo o jogo deste mundo, este mundo de crenças, de ideias, julgamentos, desejos, fugas, medo. É maravilhoso ver o quanto este mundo é convincente, o quanto este truque é convincente. É maravilhoso estarmos desidentificados disto; não estarmos mais nesta posição de prisioneiros.

Esse é o convite em Satsang: a esta liberdade, ao seu próprio ser; um convite à sua própria vida, ao mundo em sua totalidade, a essa vida real, a esta completude. Eu não falo de um mundo exterior, nem de um mundo interno; falo de um mundo que é Deus. Nele você não é mais um pensador pensando os seus pensamentos; nele você não é mais uma pessoa, com sua história, presa a essa ideia de ser alguém no mundo, ou alguém em relação com o mundo de objetos, coisas e pessoas do lado de fora.
Agora não há mais um pensador, não há mais o sentido de alguém que faz, de alguém no controle. Eu falo deste Estado Natural, onde não há nada lá fora, nem nada aqui dentro. Eu já falei com vocês, aqui e inúmeras vezes, sobre a ilusão, esta primária ilusão, que é o sentido de um eu pensador, um eu fazedor; de um eu que decide, que controla, que resolve, que sabe. Ela é apenas um pensamento, somente um pensamento, uma imagem aparecendo neste campo indescritível que é a Consciência. Percebam isto: cada um de vocês é apenas uma crença, um pensamento, uma ideia, uma imagem.  Quando vocês falam de si mesmos, estão falando desta fraude, desta ilusão.

Nós estamos apontando para algo real, para este vazio mais profundo que é esta plenitude total, que é esse não espaço, este mundo em Totalidade. Você não está separado disso; você é Isso, o que significa dizer que não há um "você separado" nos investigando aqui. Nós nunca vemos Isso. Nunca conseguimos ficar cientes disso, embora em alguns momentos, alguns “breves momentos”, tenhamos alguns lampejos desta Totalidade, desta completude, deste vazio mais profundo, desta plenitude total, deste mundo em Totalidade. Entretanto, é algo muito breve, porque você logo se recompõe, ativando todo o seu padrão ilusório, com todo o seu maravilhoso jogo.

Reparem que toda essa pressão que a mente faz é um grande jogo dela. Vocês acreditam que há um mundo real do lado de fora, com pessoas reais do lado de fora, quando, na verdade,  deparam-se com a própria mente, fechando o cerco. É um grande jogo. A mente, em desespero, cria todo o tipo de pressão para arrastar vocês e trazê-los de volta para o mundo dela. Quando eu me dirijo a vocês,  falo da Realidade, desta Verdade, daquilo que se mantém imutável. Quanto à mente, ela levará vocês, mais uma vez, para maya.

Discípulo: Parece uma segunda Natureza...

Mestre: Na verdade, é uma ilusão de uma segunda Natureza, mas uma ilusão muito convincente, muito persuasiva, muito habilidosa.

Discípulo: Sou como um personagem no grande sonho de Deus?

Mestre: No grande sonho de Deus, tudo são somente aparições. Tudo é visto como aparições. Esse personagem aqui significa alguém representando algo, isso não é real. A Verdade é que são apenas aparições e não tem um personagem, ou dois, ou dez; só tem ele aparecendo, nesta ou naquela forma. Tudo é esta Presença, tudo é Deus. Tudo é essa única Verdade. Quem faz toda essa separação é o intelecto.

Discípulo: Quando estamos no Paltalk, podemos sentir a Presença?

Mestre: Certamente que sim. Esta Presença está agora, aqui, neste instante, sempre em Satsang, sempre quando nós estamos neste encontro. Satsang significa encontro com a Presença, com a Graça, com a Verdade. A Presença se manifesta, sim, através e além das palavras,  assim como no Silêncio. Esta disposição interna, esta disposição do Coração, de estar em Satsang coloca você diante desta Presença, neste sentir, direto, a Presença. Sentir a Presença é ser a Presença; é estar mergulhado na não separatividade, na não dualidade. Sentir a Presença é estar fora deste limite da mente e do conhecido; estar fora desta pressão, desta opressão do sentido egóico.

Todo o nosso olhar se volta para o Mestre, quando está focado no Coração, focado neste espaço, neste Silêncio, nesta desidentificação com a mente e com seus movimentos: memórias, lembranças, crenças, posicionamentos, incertezas; toda esta confiança e arrogância que a mente tem. Esta é a real Meditação. Aqui Meditação é esta Consciência, é este olhar para a Presença, para a Verdade.

Mais do que esta fala, aí está a Presença, que está além da mente; que está além do medo, que é a mente.

Vamos ficar por aqui. Valeu pelo encontro. Namastê.

Fala transcrita e revisada a partir de um encontro via Paltalk no dia 10 de novembro de 2014
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domingo, 16 de novembro de 2014

Paltalk Sangha: A Luz da Presença, A Luz da Consciência À Luz do Guru



Há uma limitação com relação a palavras e o intelecto é muito raso para poder nos permitir o mergulho real, intenso e verdadeiro nisso, nesta realidade do Ser, nisto que somos. Para isto Satsang é a proposta de um trabalho de auto investigação, meditação e entrega que acontece diante da Presença.
 
Quando falamos de Presença, estamos falando de Consciência, daquele que desperto para a sua real natureza não se confunde mais com estados mentais, e consciente desta Presença se mostra como uma chama que nos permite olhar para isto. A auto investigação acontece na presença do Mestre. A autoinvestigação não é uma ação intelectual, não é um método de ensino, uma técnica ou conjunto de princípios, e tampouco um abc espiritual onde você seguirá passo a passo até chegar a um objetivo, isto não é autoinvestigação. Para descobrir o que é auto investigação, é necessário sem dúvida alguma, se dar a oportunidade de estar na Presença daquele que se encontra fora de padrões mentais, fora desses condicionamentos, dessa vida mecânica, robótica e inconsciente, fora dessa Matrix, dessa matriz do pensamento, do intelecto, das limitações dos sentidos.

No Paltalk temos uma oportunidade de nos mantermos focados nesse trabalho, foco aqui é fundamental; reunimo-nos nesta plataforma para que possamos estar com os corações abertos, disponíveis, para que esta Presença, esta Graça, esta Consciência possa trabalhar em nós, em cada um dos mecanismos presentes nesses encontros.

A primeira vista ouvir isto parece muito estranho, soa como se fosse algo místico ou esotérico (risos). Como assim algo trabalhar sobre nós? Algo que chamamos de Consciência, de Presença ou de Deus. O que isso diferencia da religião?

Então a princípio isso parece um pouco esotérico, místico, para alguns até um pouco filosófico, porque ao ouvir o Mestre, aquele que se encontra em seu Estado Natural, percebe-se um perfume de sabedoria que exala de sua Presença, nas suas palavras. E a mente busca construir por meios de suas interpretações, buscando extrair um conhecimento, ou seja, presente em Satsang ouvindo a voz do Silêncio articular palavras que apontam para Isto, aquele que se encontra no equívoco de tentar interpretar o desconhecido, denomina isto de esotérico, místico ou filosófico. Mas estamos diante de palavras que apenas apontam, tal como uma placa que lhe indica virar à direita ou dobrar à esquerda, esta é a simplicidade deste apontar.

Se você pergunta a um transeunte onde fica os Correios, e ele de repente lhe aponta de certa distância e mostra uma certa referência: está vendo aquela loja na frente com a faixada pintada de vermelho?  Então, não dá para ver deste lado da calçada, mas os Correios ficam em frente.  Aí você olha e diz assim: Aaah !!! Aquela loja ali ao lado daquele Fusca rosa? (Risos) O transeunte lhe diz: sim, é esta mesmo,  e você completa: beleza, estou vendo. Aí você vai caminhar em direção ao Fusca cor de rosa para tentar se libertar do elefante branco (risos), mas aí é uma questão de dizer “você viu, está visto isto?”.

Não é um apontar simples em que você recebe a informação, veja só, a proposta aqui não é acumular informações, aquela informação servirá apenas para aquele instante. Toda e qualquer conclusão que você chegar aqui neste espaço, não servirá para levá-lo adiante, em pouquíssimo tempo se transformará em conhecimento, que apenas é rigidez.

Com base em conhecimento, em crenças e conclusões, nós criamos uma ideia de mundo e esperamos que o mundo se adapte a tais ideias, crendo que tudo sairá conforme nossa capacidade de interpretar a partir do conhecido, e isto é limitação, é medo.

 A proposta de Satsang é abrir mão disso, é descobrir quem é Você, não há nada nem ninguém que possa lhe dizer quem é Você, não há ninguém, não há um livro que possa lhe ensinar, a você, ser quem é Você em seu Estado Natural, seu estado real, em sua Real Natureza.

Porque todo o aprendizado leva a imitação, você aprende um ofício, um exemplo: você vai fazer um curso e vai se formar nesse curso em um mecânico de automóveis. O professor lhe mostrará diversas situações de avaria do veículo e outras tantas que levam ao mau funcionamento do motor do veículo. Você irá procurar prestar o máximo de atenção no que aquele professor está lhe ensinando, para que você possa reproduzir, ou seja, para que você possa repetir aquelas soluções apresentadas pelo professor, para cada problema específico. Então você cria sua habilidade em cima da sua capacidade de imitar.

Satsang não é isto, não é possível imitar o Mestre (risos), não é possível começar a ouvir aquilo que o Mestre diz e então repetir como um papagaio, não é isso, isto não seria autêntico, verdadeiro, não seria real. É real quando nós estamos falando neste nível da técnica, do aprendizado, da mecânica, da engenharia, mas isso não é real quando estamos falando deste “voltar-se para si mesmo”, da resposta para a questão “Quem é você?”, isso não seria real se você estivesse aqui ou eu estivesse aqui, repetindo aquelas palavras que ouvimos do nosso amado Mestre. Caso eu estivesse aqui repetindo tais palavras, simplesmente estaria transformando isto num padrão, este de acreditar que você possa aprender com o outro a seu respeito (risos), que possa aprender com o outro aquilo que é Você. Isto não é possível, o trabalho em Satsang é apontar pra você os padrões aos quais foram aprendidos, e os quais nós reproduzimos por estarmos completamente inconsciente de nossa real natureza. Inconsciência esta que nos torna apenas robôs, máquinas muito sofisticadas, que no entanto, como diria nosso Mestre Marcos Gualberto “é uma máquina quebrada” (risos), por que diferente de um computador que funciona com um sistema operacional, ao qual foi instalado, nós somos uma máquina que recebemos diversas programações, todas conflitantes, aplicativos que não funcionam na presença de outros aplicativos e que, no entanto, estão sempre tentando rodar aí nesta máquina, gerando muitos conflitos.

Você tem uma dúvida com relação a um determinado problema, problema este que é só imaginação, só existe na sua cabeça. Nós estamos programados a identificar problemas, identificar erros, nós acreditamos no nosso julgamento, na nossa habilidade, na nossa capacidade de julgar a realidade a nossa volta, e aí você diz: “isto é um problema, preciso resolver isto, preciso solucionar isto”, aí lhe surgem não menos de vinte meios ou formas de resolver este problema, com isso aparece um diálogo interno na sua cabeça e dentro deste diálogo começa a dizer “bem, este problema está me incomodando muito, preciso me livrar dele. Mas como faço para me livrar dele se...?”.

A partir daí começa toda uma estória, começa você dentro de um problema, de um desafio da vida, você acredita que a vida está lhe desafiando e que você agora precisa supera-lo, para que você possa crescer, amadurecer (risos)... Aí surgem várias vozes, uma voz diz que você precisa fazer isso, outra voz diz que você precisa fazer aquilo, outra voz diz que a solução é aquela, outra lhe diz que você sabe como resolver isso, mas você não quer resolver isto de fato, porque se você resolver isto, você irá perder aquilo. E aí tem início a este conflito continuo decorrente dessas muitas programações, vozes, crenças, dessa inconsciência, dessa loucura presente aí neste organismo, dentro deste corpo, acreditando ser alguém capaz de fazer escolhas, tomar decisões, resolver problemas, de determinar a realidade, e nisso nós entramos neste jogo, neste labirinto sem saída.

Satsang lhe ajuda, o Mestre, a Presença do Mestre, a Presença desta Graça irá lhe apontar como esta atenção foi aprisionada dentro deste jogo, de que maneira esta atenção está sendo aprisionada dentro desta ilusão, dentro deste parecer ser isto ou aquilo. Cada um presente em Satsang está de alguma forma, de algum nível ou em algum ponto em conflito, e não há dúvidas quanto a isso, porque quando você está diante daquilo que é, você resiste. Se não houvesse conflito aí, você simplesmente fluiria com a vida sendo paz, liberdade e felicidade.

Mas não, parece que todos estão em busca de alguma coisa que está além de si mesmo, todos estão em busca de acrescentar algo a si, todos sentem que há um desconforto ou que lhes faltam alguma coisa, estão todos em busca disso, da felicidade, desta plenitude, e quanto mais intensa for esta busca por felicidade, por completude, quanto mais energia você coloca nesta busca, proporcional será o tamanho da sua frustração. Quanto maior é a sua tentativa em dominar, em controlar a vida, maior é a energia desprendida e o sentimento de fracasso, sentimento de estresse, maior é o peso diante dessa tentativa de controle. Quanto mais você busca conhecimento, por exemplo, mais ignorante você fica, de fato menos você sabe, quanto mais informações você tem, menos você sabe (risos).

Tudo lhe conduzindo a um caminho inverso daquele a qual sua busca tem como princípio, e é isto que vai sendo lhe apresentado em Satsang, é isto que vai sendo colocado. Tudo isso que eu coloco aqui, é apenas uma fala, um falar. Se eu sei, de fato, o que é tudo isto? Estaria mentindo se eu soubesse, eu não sei (risos), é tudo muito incrível e tudo muito louco, só sobram risadas diante de tudo disso, só sobra rir.

Depois de um tempo em Satsang, o que resta a você é ser um bobo alegre (risos), um bobo alegre não está preocupado mais em saber, não está preocupado mais em atingir um estado diferente deste estado, que é uma ausência de estados, que aqui se encontra. O bobo alegre não está mais preocupado se pessoas, podem passar ele para trás, por que ele não enxerga mais pessoas.

O bobo alegre não vê a "situação caótica do mundo", que só a mente pode enxergar e ele olha para isso e não vê mais nenhuma tragédia acontecendo, ele está feliz, não mais sofrendo com esses estados de ansiedade, de desejo, inquietude, alegria, euforia, depressão, estados que ficam oscilando em graus de intensidade, e cada um que sente tudo isso dá uma grande importância a cada um desses fenômenos que estão acontecendo “comigo”. Você chega diante de um amigo e diz assim: “nossa, você não acredita o que aconteceu comigo”, o bobo alegre não diz isso, ele não vai dizer isso, porque ele não acredita que alguma coisa possa acontecer pra ele, tudo só acontece.

Não é porque o bobo alegre saiu de casa em um dia que parecia ser bonito e que começa a chover, estragando a chapinha que ele fez no cabelo (risos), que ele vai dizer assim: “a vida está contra mim” -  porque esta pretensão não está mais presente, não está mais ali, não há mais esta ideia de que a vida acontece "para mim". A vida simplesmente acontece e não há quem explique  porque que ela acontece, como ela acontece. Eu disse um monte de coisas aqui e não disse nada, olha que coisa engraçada, é só uma fala acontecendo, não há nada importante nessa fala acontecendo, não há nada (risos).

Aquilo que é importante não precisa ser declarado, aquilo que é importante simplesmente “É”, e aquilo que é, é o que importa. Diante daquilo que é, não há alguém, não há ninguém para determinar como deve ser ou como deveria ser, aquilo que é “É”, é o que se apresenta aqui e agora, nesse instante, nesse momento através do seu ouvir, que você não determina, esse ouvir acontece. Por de trás deste ouvir está um condicionamento presente, que tem como origem o medo, e que está incentivando a interpretar isso, a tirar proveito disso, por exemplo, você se encontra aqui no encontro via Paltalk, você poderia estar fazendo qualquer outra coisa, do que estar ouvindo essas abobrinhas ao léu, você poderia estar ouvindo alguém dizer qualquer outra coisa em outro tom, porém você não está, você está aqui, diante do computador, do tablet ou do celular, ouvindo isso.

Por que você está fazendo isso, se você poderia estar fazendo qualquer outra coisa? A maioria de vocês acredita que estão aqui motivados a conquistarem alguma coisa, que aqui existe alguma coisa para vocês conquistarem, alguma coisa para vocês alcançarem e como nós estamos muito habituados e condicionados a usar tudo a nossa volta, como se tudo fosse utensílios para que nós pudéssemos tirar proveito, nós estamos aqui para tentar tirar proveito deste encontro, esse é o padrão, o padrão mental é: O que eu posso ganhar? O que posso levar com isso? Qual vantagem eu tenho em estar aqui? O Padrão mental é este, estar sempre em busca de vantagens, de segurança, sempre em busca de alcançar algo. Por que está sempre em busca disso? Porque está com medo. Existe um medo, por detrás desta atitude de estar em busca de tirar proveito de um encontro, de tirar proveito de um professor, de um ensino, mas aqui não há ensino.

Se a sua intenção, seu desejo, é encontrar um ensino aqui, está na sala errada. Se a intenção e o desejo aí são de acrescentar conhecimento, esta não é a sala indicada. Satsang não é indicado para você. Se sua intenção aqui é tirar proveito, aqui não é o lugar (risos), esse aqui não é o espaço para isso. Este é o espaço onde você está só para olhar para si e se reconhecer, a princípio se reconhecer em sua miséria, e é isto que incomoda muito em Satsang. Em Satsang esta miséria é desnudada, porque esta pretensão, esta arrogância, este medo por de trás dessas atitudes, que nos faz tão inquietos em busca de tirar proveito de tudo, ou seja, Satsang mostra-nos e nos aponta isso, para aquilo que é a farsa, aquilo que não é real simplesmente possa cair, e aquilo que não é real parece muito real para este eu que acredita ser alguém.

Tom – Alguém deseja fazer alguma pergunta ou falar algo em relação a estas abobrinhas?
Participante  – Isso tudo é lógico, participo de um grupo muito semelhante ao Satsang e tudo dito traz uma clareza enorme, onde não gera pergunta alguma.

Participante  – Sugestão: não tenham mestre, isso é um enorme perigo.

RESPOSTA: (Risos) A relação mestre/discípulo é a última relação, se você permitir-se vivê-la, porque de fato não há nenhuma relação real acontecendo. Você está interagindo o tempo todo com você mesmo. É um enorme perigo. Mas é um enorme perigo para quem? Quem é que está correndo perigo? Quem é que pode correr algum perigo?

Um exemplo: As assim chamadas pessoas estão em igrejas neste momento, em igrejas evangélicas pagando seu dízimo. O que há de errado nisso? É perigoso para quem? Quem está sendo iludido, quem está sendo enganado, onde está o engano? Simplesmente tudo está em seu lugar, tudo aquilo que acontece diante de Você, diante desta Atenção, diante desta Presença, é aquilo que É, é o movimento da Vida, é a Vida se mostrando.

No entanto, aquilo que É não pode ser interpretado, elucidado, explicado. Aquilo que É, é de forma misteriosa, é a Vida em seu movimento e você não existe separado da vida, Você é a vida. Porém há uma impressão presente no corpo, uma impressão criada pelo próprio corpo de que existe um eu aí presente, e isso é fundamental para o próprio corpo, do ponto de vista do corpo, para que este eu possa buscar o que é necessário para mantê-lo, para manter a sua segurança. Então este eu, precisa estar ali pronto para buscar o alimento, para levar o corpo até o banheiro no momento em que ele sente necessidades, para manter uma higiene, já que a higiene faz-se necessária até certo ponto para a saúde do corpo, para que o corpo possa trabalhar e com seu trabalho possa conquistar meios de subsistência.

Portanto, o corpo com toda sua base, seu sistema neural, com essa tremenda máquina que é o cérebro, capaz de fazer leituras, capaz de tirar fotografias de tudo a sua volta, o corpo cria todos estes registros e de forma mecânica os pensamentos acontecem com base nessas fotografias, assim ele procura seu sustento. Entretanto, este “eu” que é apenas uma impressão, uma projeção, ele ganha uma dimensão gigantesca e passa a ser o que há de mais importante, ele se torna alguém e este alguém, que na verdade é só o corpo, está sempre diante daquilo que É.

Não há ninguém para enganar ninguém, não há nenhum perigo diante de nenhuma situação há não ser aquele perigo que a imaginação concebe, há não ser aquilo que parece colocar em risco este eu. Em Satsang descobrimos, e este descobrir é apenas um descobrir e não uma conclusão, mas nós constatamos de forma muito direta que estar diante do Mestre é realmente perigosíssimo. Mas, para quem? Não é perigoso para a Vida, de fato não há perigo algum. O único perigo é todas as suas crenças serem destruídas, é você descobrir e observar no apontar desta Presença, que todas as suas crenças não passam de ilusão, são apenas peso.

Todavia, mesmo com todo seu conhecimento, se diante daquilo que É ocorre o sofrer, ocorre a resistência, ocorre esta negação ao momento presente, e quanto maior é o seu conhecimento serão maiores seus conflitos, porque esta entidade, este eu que parece existir, ele se alimenta e torna-se muito fortinho, ele vira o incrível Hulk (risos) e na medida em que ele fica muito forte, que ele come seu espinafre, como o Popeye (risos), em Satsang nós vamos descobrindo que tudo parece ser um grande desenho animado, porque esses “eus” são só figurinhas.

Imaginem os chamados tataravôs desses corpitchos, se eles não eram personagens históricos ninguém registrou seus grandes feitos, com certeza você não saberá dizer o que se passou com eles, porque eram apenas figurinhas.  Todos aqueles problemas, todas aquelas dificuldades, todo aquele  sofrimento evaporou, nunca existiram de fato e hoje nós acreditamos estarmos aqui, nós acreditamos que eles estavam aqui antes e que agora é a nossa vez de estamos aqui e inclusive "sabemos" porque estamos aqui.

Outra coisa, é com base nesse saber que nós sofremos, porque você acredita que está sofrendo por um ou por outro motivo, por falta disso ou daquilo. Esse seu saber só lhe permite saber disso, o que lhe incomoda, e lhe incomoda porque você sabe, pois do contrário, não se incomodaria com nada.  O não saber é uma bênção. Este não saber, simplesmente nos faz deslizar para o Estado Natural, que é o estado do não saber. É o estado da ausência de todos os estados, é apenas um olhar, de tão simples nos escapa. Não há como teorizar sobre isso, não há como falar sobre isso, não há como colocar isso em pilares, explicações e ensinos. Aquele que se encontra Acordado, em seu Estado Natural, compartilha o Ser e não um ensino. Se aproximar de um Mestre é se aproximar daquilo que É,  é aquilo que É  profundamente amoroso, profundamente acolhedor.

O Mestre quando olha para você não se sente separado daquilo que ele  É, ele não lhe vê maior ou menor, não lhe vê como uma ameaça, como um perigo, não lhe vê como uma pessoa com problemas, ele não vê separação entre Aquilo que ele É e Aquilo que é Você. Então quando você se aproxima do Guru, do Satguru, ele lhe abraça, lhe acolhe com um amor que só é possível nessa total ausência de medo, que só é possível nesse Estado Natural, que só é possível nesse não saber, se você sabe muito não pode amar. Quando você sabe muito, sabe o que pode lhe ameaçar, quando você sabe muito, você está com medo, e na presença do medo não há amor, há ataque e defesa.

O Mestre ao lhe acolher nessa presença amorosa, de forma misteriosa e inexplicável este amor faz queimar todos esses padrões presentes neste corpo, ele faz queimar todos esses incômodos, todo este conhecimento, todas as crenças, todo esse saber, todas estas conclusões, todas as certezas, ele te faz deslizar para este não saber, e ao deslizar para este não saber você desliza para este estado natural de Ser, de ser simplesmente este olhar, esta Consciência, esta Presença, que é a mesma  aqui nesse instante, que parece estar falando com você e que parece estar ouvindo aquilo que o outro diz, mas de fato só há esta Presença constatando.

Aqui as palavras surgindo e sendo ouvidas da mesma forma que aí, esta única Consciência, esta única Presença, muitas vezes, na maioria dos corpos, confundida com uma pessoa, confundida com histórias e dentro de um trabalho de Satsang, diante de um Mestre, se permitindo abrir mão de todas as defesas, de todos os medos e pesos, de toda arrogância e pretensão, abrindo mão de todas as exigências, deixando de exigir da vida aquilo que ela deve ser, porque simplesmente ela é o que É, e não o que você acha o que ela deveria ser.

Essa Atenção presente em você, ela vai se desvencilhando de toda essa ilusão, de toda essa identificação com este personagem que não é real, que não é Você, até que essa Atenção possa se voltar completamente para a sua fonte que é o Amor do Mestre, a Graça do Guru que é a Graça da Vida, que é a Graça presente em tudo, tudo é Graça.

Então neste momento está última relação acaba. O Mestre é a sua última relação, até que o seu contato com ele deixe de ser uma relação e essa simples constatação feita por esta atenção aí presente, reconhecendo no Mestre esta mesma Atenção presente, o mesmo mistério, a mesma Graça, o mesmo silêncio. Desta forma não há mais uma relação, há apenas uma profunda gratidão e você não sabe de quem é, mas surge aí em seu peito,  em seu coração, um reverenciar e um Namastê diante da Vida, diante daquilo que É, diante da Presença.

É isto... Tudo bem, pessoal?

Espero que de alguma forma este encontro tenha sido válido (risos), que possamos ter tirado proveito dele (risos). Não proveito no sentido de tirar alguma coisa, mas que ele possa ter nos ajudado a desistir de tirar proveito de tudo, que ele possa ter nos ajudado a aquietar um pouquinho mais, a parar, a voltar-nos para o silêncio.

Satsang é um convite para desistir da busca, desistir de ser alguém e permitir que a Vida seja aquilo que ela é, sem nenhuma interferência arrogante, de alguém que queira interpretar ou mudar esta grandiosidade que é a Vida.

Tom – É isso aí, agradeço a presença de todos, retornaremos na sexta feira ás vinte e duas horas, Namastê.

Fala transcrita a partir de um encontro via Paltalk Senses no dia 08 de Outubro de 2014
Encontros todas as segundas, quartas e sextas às 22h - Participem!

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

SATSANG – ACOLHA O QUE VIER, NÃO FUJA DISSO!



O que sobra, o que resta, é aquilo que sempre está presente como o fundo de toda experiência. O fundo da experiência da depressão ainda é Amor e Paz; o fundo da experiência do medo ainda é Amor e Paz; o fundo da experiência da ansiedade ainda é Amor e Paz. Isso (depressão/medo/ansiedade) é periférico, está na superfície, não na profundidade. Para isso ter força de continuidade, é preciso uma ilusória entidade que mantenha uma sobreposição, uma realidade além daquilo que se mostra; uma crença, uma ideologia.

A ênfase sempre aqui é: acolha o que vier, não fuja disso! Você só pode fugir através da ideia de que “aquilo que é” não deve ser; de que não deve estar ali aquilo que ali está. A separação surge nesse dualismo e, então, a fuga acontece. Uma fuga impossível, porque aquele que cria a ilusão da separação jamais escapa de si mesmo. Acompanhem isso: é uma ilusão! Muito convincente, persuasiva, recorrente, de grande habilidade, mas, mesmo assim, é uma ilusão.

Satsang é a confirmação do “que é” nisso que acontece neste instante. Assim sendo, Satsang é estar presente com o “que é”. Não importa o que aparece; aparece para logo desaparecer nisso, que é Paz e Amor, que é a essência dessa única experiência, onde todas as experiências acontecem.

Ser não requer habilidades, porém a ilusão de não ser precisa da habilidade do esforço, da intenção, da motivação, do desejo, da fuga. Ser é algo natural - é impossível não ser. A infelicidade requer a necessidade de um grande esforço - a felicidade não requer nenhuma habilidade, nenhum esforço. Se você entra fundo aqui neste instante, sem resistência ao “que é”, não importa a dor dessa experiência particular, no fundo está o Amor e a Paz, que é a natureza divina de toda experiência. A experiência mais amada, a mais dolorosa, a mais infeliz, só parece ser assim para esse sentido de uma resistência que rejeita, a qual vem e vai. Tudo vem e vai naquilo que não muda.

Permaneça no coração de todas as experiências e você encontrará essa única experiência, a essência dessa única experiência, que é Amor e Paz. Amor e Paz são outras palavras para Silêncio, que é a sua natureza, que não requer nenhum esforço. Esse Silêncio, que eu chamo de Felicidade, não é prazer, não é satisfação, não é uma sensação, é somente Silêncio.

Isso é meditação no seu estado natural. Não é uma prática, pois uma prática requer alguém para meditar, requer um meditador. O que acontece é que o meditador inicia a meditação, e quando ele termina, então a meditação termina. Só parece ser assim. É uma grande ilusão ser meditador.

Não há meditador, só há Meditação, só há Silêncio, só há Paz e Amor, só há Felicidade, só há Liberdade. Isso não é você como acredita ser. Isso é Você! É Você fora de todas as crenças, todas as ideias, conceitos, posicionamentos...

Assim sendo, quero repetir novamente isso: não está separado deste presente momento aquilo que é Real, que é a Verdade.

É isso aí!

Fala transcrita e revisada a partir de uma fala em um encontro presencial.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Paltalk Satsang: É necessária uma profunda confiança no desconhecido





Olá pessoal. Boa noite a todos.  Sejam bem vindos.

Discípulo: Mestre, poderia falar um pouco sobre fé.

Mestre: Essa palavra está muito carregada com religião. Não uso muito esta palavra e nem me lembro muito de tê-la usado. Não sei bem o significado desta palavra neste trabalho. O que seria? Confiança? Esperar um milagre? Como você poderia formular melhor esta pergunta?

Discípulo: Acreditar em algo que não compreendemos

Mestre: Que necessidade nós temos de acreditar em algo ou de compreender alguma coisa? Assim, que necessidade nós temos dessa, assim chamada, fé. A Verdade é tão direta e tão inexplicável que ela não pode ser compreendida, muito menos acreditada. Ela é algo presente. A necessidade de acreditar ainda é uma necessidade mental. A necessidade de esperar ainda é uma necessidade mental. Nós precisamos de confiança. É necessária uma profunda confiança no desconhecido. Isto dispensa compreensão. Isto, de fato, dispensa a necessidade de compreendermos alguma coisa.

Nesse trabalho a confiança é possível nessa entrega e essa entrega só é possível nessa confiança. Se você quer chamar isto de fé, ok. Eu prefiro chamar de Confiança. Você não precisa compreender nada daquilo que escuta em Satsang, para que a Verdade disso que está sendo mostrado, apresentado, seja constatado por você. Isto porque nós tratamos daquilo que está aí, presente, daquilo que já é, embora a mente não possa aprender o significado disso. Isto não está dentro daquilo que a mente conhece. Essa confiança no desconhecido, essa entrega, é a verdadeira fé. Fé nesta Graça, Fé nesta Presença, Fé naquilo que a Verdade está apresentando.

Reparem que constantemente há uma luta dentro de vocês. As coisas que vocês escutam em Satsang nascem deste lugar, deste desconhecido. Dentro de vocês, esta luta é tentar tornar isto confortável, compreensível, inteligível para a mente e isto não e possível. Quando tenta isto, você perde esta confiança; há uma barreira e você trava. Então, não há mais fé, o que eu, ainda, prefiro chamar de confiança; não há mais essa entrega.

Discípulo: Mestre, como alcançar a Presença?

Mestre: Você não pode alcançar a Presença, mas pode parar de resistir, de lutar; pode abandonar sua autossuficiência, sua arrogância, sua presunção. Você não alcança a Presença. Ela já está presente, quando tudo isso aí já não está.

Vocês têm a noção de Graça ou Presença ou Deus, como algo a ser alcançado. Mas esta é uma noção da imaginação da mente. A Graça, a Presença, Deus, não pode ser alcançada. Ela nunca foi perdida, entretanto, há apenas esta sobreposição, essa cortina, esse véu da mente, esta ilusão, encobrindo a realidade da Graça, de Deus, da Presença.

Você jamais deixará de ser o que você É. No entanto, na mente, você jamais perceberá isso. É preciso uma disposição de confiança, de entrega. É preciso ficar quieto, permitir-se isto.
O Amor não é algo que você alcança. O amor é algo que alcança você; você não o escolhe, ele escolhe você. Você não vai até Deus. Deus vem até você.

Eu "ensino" você a desaprender, pois somente assim pode ser literalmente atropelado, esmagado... Esse Amor é aquilo que esmaga a arrogância, o medo, a ilusão. Você está diante desta voz do Amor, da Presença, da Graça, de Deus. Você está diante deste Silêncio, da Graça, de Deus... Esta voz e este Silêncio nunca estão ausentes.

Você não pode emudecer diante deste Silêncio, estando no ego, na arrogância, na presunção,  mantendo-se como "alguém". Também, você não pode ouvir esta voz, estando no ego, na presunção, na arrogância, nesta ilusão de ser "alguém". É necessário e fundamental abandonar-se nisto. É necessário abandonar-se neste desconhecido, no final de suas certezas, desse sentido de ser alguém, na zero experiência, no total completo e absoluto vazio - o Silêncio total. O Silêncio, aqui, não é estar surdo, é, sim, estar mudo; somente assim você pode ouvir esta voz, a voz da Verdade, a voz da Liberdade, a voz da Graça.

Na mente, você tem crenças. No coração, você tem confiança. Na cabeça, você quer entender, procura entender e acredita nisso. No coração, você se abandona nessa mudez e nesse ouvir. O sábio é resultado de um coração real e zero de cabeça. Todo o movimento na cultura em que fomos educados, neste padrão de condicionamento em que fomos ensinados a viver, há uma grande valorização da cabeça, uma grande necessidade egóica de tudo explicado, de um perfeito entendimento. O resultado disto é esse medo em que todos nós vivemos, porque não há confiança, não há coração, e, consequentemente, a entrega se torna impossível; é quando o ego prevalece... e você é tão miserável no ego, tão pesado. Você vive lutando para suportar a si mesmo e é isso que termina por levar a estados de grande peso, como: ansiedade, depressão, solidão.

Então, está aí. Estamos colocando isto para você.

Ok, pessoal. Vamos ficar por aqui. Valeu pelo encontro. Namastê.

Fala transcrita e revisada a partir de um encontro via Paltalk Senses do dia 05 de Novembro de 2014
Encontros todas as segundas, quartas e sextas as 22h - horário de Brasília - Participem!

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

SATSANG – RESISTÊNCIA, CONFLITO E O DUALISMO



Não importa se coisas boas ou ruins estão acontecendo. Somente há conflito quando há resistência, decorrente de interpretações de uma entidade ilusória que acredita estar no controle das situações, decidindo o que deve, ou não, acontecer. É isso o que é dissecado dentro de Satsang, onde ocorre a constatação da Verdade que é pura liberdade, pois verifica-se que não há uma entidade independente, mas, sim, a própria vida única.

O conflito termina quando cada experiência, acontecendo nesse instante, é percebida sem uma interpretação ou julgamento com bases preconcebidas de cunho ideológico, filosófico, espiritual, mental  ou de qualquer tipo.

Quando isso é visto em fluxo com a existência, sem resistência, o conflito some e o sofrimento termina, pois estes pressupõem uma separação entre o que se mostra de fato e a idéia do que deveria ser; este erro primordial é a essência do dualismo.

Dessa forma, é importante a compreensão de que o dualismo é apenas a crença de que há alguém na escolha, e de que o que ocorre não deveria acontecer, pondo o suposto indivíduo em contraponto com a existência de fato, que ocorre independentemente de sua vontade.

Entretanto, o que acontece, ou parece acontecer, decorre da experimentação sensorial das infinitas e múltiplas aparições dentro desta única realidade, embora não exista, de fato, um experimentador como sujeito separado do objeto experimentado. Há, apenas, a própria experiência em si mesma, que é una e indivisível, indecifrável no transbordamento de Amor e Paz sem conflitos, porque não há dualismo, não há o eu, nem o outro.

Somente há um acontecer único, como um pássaro que canta, o vento que sopra entre as folhas de algumas árvores, enquanto, simultaneamente, um cachorro late e uma voz humana pode ser escutada ao longe.

Nessa única experiência, não há conflito. Apenas acontece a Vontade Divina, que é absolutamente TUDO!



Transcrito e Revisado a partir de uma fala de um encontro presencial

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Paltalk Satsang: Essa é a Natureza de Deus!



Sejam todos bem vindos a mais um Satsang.

Nós estamos vendo a vida através de algumas fendas estreitas de uma caverna. Esta tem sido a nossa experiência ligada a um centro ilusório: a visão da vida de dentro de uma caverna.  Assim é a experiência que temos da vida. É algo imaginado. Nós estamos vivendo uma vida imaginária. O ser dividido nestes dois ingredientes: sujeito e objeto. O sujeito chamado "eu", no interior do corpo e da mente, e, do lado de fora, o objeto, o mundo. Esta distância imaginária nós chamamos de "sentido de separação".

Em Satsang, estamos trabalhando o fim desta distância. Estamos trabalhando um constatar direto da Natureza Real; o fim desta ilusão de um alguém que tem o conhecimento e de algo sendo conhecido. Estamos trabalhando o fim deste tempo, neste espaço imaginário. É o fim desta separação entre eu e o mundo: eu dentro e o mundo fora.

Não há alguém nessa percepção. Colocando de uma forma bem objetiva, eu diria que só há o ver, ouvir, tocar e pensar, sem a ideia de separação de duas coisas: uma parte que sabe e outra que a mente cria. Entretanto, essa é a visão que estamos tendo, baseada na imaginação:  de algo criado pelo pensamento, a ideia de alguém pensando, concluindo, sabendo, conhecendo, sentindo; de alguém presente nesta emoção, nesta sensação. Tudo o que temos é só o que acontece neste presente momento, sem ninguém para julgar, para conhecer, para entender ou para tirar conclusões. Não tem ninguém falando ou ouvindo. Você é esse conhecer, é essa percepção. Estamos falando desta única consciência, sem alguém dentro dela.

Assim sendo, a crença de que "você está aí" é uma ilusão. Tudo o que temos aí é esta percepção, é esta consciência presente, agora, neste instante. Essa percepção é feita de Puro Ser, de Pura Consciência. Esse conhecer, este Ser, este saber não está contaminado com nenhuma subjetividade ou objetividade. É a ausência de um sujeito e um objeto. Estar aí é meditação. Não há conflito, porque não há separação.

Repare que o sentido da pessoa não está presente nesta percepção direta. São irrelevantes suas crenças e opiniões. Tudo o que você pode aprender não é a verdade. A Verdade é aquilo onde isto está aparecendo, onde toda a experiência está aparecendo. Essa experiência não é particular. Esse é um chamado ao Silêncio, ao reconhecimento da natureza do Ser. Então, você se depara com a única realidade divina: a realidade da Consciência. Nesta realidade Divina, que é a Consciência, tudo está presente.  É o fim do sentido egóico. Essa natureza da experiência, livre desta dualidade, deste sentido de separação, é paz, amor, verdade e liberdade. Assim, como nós entramos fundo em nós mesmos, todo o sentido de dualidade desaparece. Então, sua natureza verdadeira se revela como esta Presença que comporta todas as aparições.

Isto é Silêncio, Liberdade, Verdade, Amor e Deus. Isto significa ver a vida como ela é, não mais através destas fendas estreitas de sua caverna. A mente é essa caverna com fendas estreitas, que são as avaliações, os julgamentos, as crenças e ideias. Na Consciência, tudo brilha nesta mesma luz de puro ser, puro saber. Alguém chamaria isto de "ver Deus em toda parte". Eu diria: Deus se vendo em toda parte, sem se separar, sem ser um observador separado daquilo que observa.

Assim fica esta visão não dual, não separatista. Nela não há aquele que vê e aquilo que é visto. Há somente esta Visão, como somente este saber, este conhecer, esta consciência. Não é alguém nisso. É o fim dessa ilusão de alguém nisso. Estamos apontando para algo além da mente, além do conhecido, além do limite entre pensador e pensamento: apenas o olhar, o ouvir, o sentir. Permaneça aí, neste espaço sem limitações, e, então, não haverá nenhuma caverna ou mente, nenhuma visão através de fendas estreitas, porque não há nenhuma crença ou prisão.  É assim que tem acontecido ao homem: ele está fechado, preso em sua própria caverna, olhando, através de suas fendas estreitas, um mundo imaginário criado por essa ilusão. Tudo isso é algo imaginado pelo pensamento.

Tudo o que nos separa é a ilusão criada pela mente: a mente que nos dá um nome, uma forma e uma história; a mente que nos limita como uma entidade separada, com um nome e experiências particulares. É natural que isto soe muito estranho. Isto porque não estamos falando daquilo que a mente tanto aprecia, não estamos aqui valorizando as experiências dela, suas crenças, opiniões, conclusões e conceitos. Estamos apontando para esta Consciência, para esta realidade fora da mente, na qual a mente aparece e desaparece, sem qualquer importância, apenas como um fenômeno qualquer.  O condicionamento está identificado com a mente nesta história: a história de ser alguém, preso à ideia de que “Eu sou o corpo, eu sou a mente, eu sou aquilo que acontece no corpo, eu sou aquilo que acontece na mente”. Aí está a separação e o sentido de ser alguém. Esse alguém é sempre a ilusão da mente se defendendo. Esse é o movimento do condicionamento. Esse é o movimento do sentido pessoal ilusório desse Mim, desse Eu, desse Ego, dessa Pessoa.

Esse é o momento de constatação deste Silêncio sem separação: só o saber, sem algo para se saber; só o conhecer, sem algo para se conhecer; só a experiência nesse experimentar, sem alguém experimentando. Esse instante, esse momento, o que quer que ele apresente, o que quer que se apresente, está dentro deste espaço. Isto é Meditação. Então, você não coloca nada, não acrescenta nada ao que É, e permanece como este ilimitado espaço de Consciência. Esta é a única Verdade. Essa é a Natureza de Deus. Na Índia eles chamam de Sat-Chit-Ananda: Ser, Consciência e Felicidade.

 Namastê!

Fala transcrita, revisada e corrigida a partir de um encontro via Paltalk Senses no dia 29 de Outubro de 2014
Encontros todas as segundas, quartas e sextas às 22h. Participem!

domingo, 2 de novembro de 2014

Paltalk Sangha: A entrega ao Guru é uma entrega a si mesmo!



O objetivo de nos reunirmos em Sangha é fortalecermos esse foco, é olharmos nessa direção, é nos voltarmos, de coração, para isso que o Mestre nos aponta e que ele tem trabalhado conosco em encontros presenciais, por meio do Paltalk, por meio das redes sociais e por meio do Whatsapp. Desta forma, nós nos aproximamos de coração, cada vez mais atraídos e entregues a esta Graça.

No encontro da Sangha, como sempre coloco, eu (TOM), que acabo ficando com 
o microfone, abro também para perguntas, porque fico muito à vontade em compartilhar isto que eu nem sei o que é, justamente pelo fato de eu nem saber o que é isto. Se eu soubesse o que é isto que compartilhamos aqui, eu poderia ficar preocupado em dizer alguma bobeira, em cometer algum erro e em dizer algo que não seria a verdade, por não estar de acordo com a perfeição métrica da iluminação. Mas, como não há nada disso aqui,  há  simplesmente esse compartilhar despretensioso, amoroso e completamente ignorante. É apenas uma fala, mas aquele que fala não se importa nem em saber sobre o que está falando de fato, pois ele aponta, apenas de coração entregue a esta presença e compartilha isto. E se isto fizer algum sentido aí para você, se isso tocar de alguma forma em seu coração, é porque isto já é você também, é porque isto já está presente ai. Então nós vamos levando isso desta forma, essas falas do encontro da Sangha.

Caso alguém queira fazer perguntas concernentes a este trabalho e como ele tem sido processado aqui, o que posso falar é sobre as impressões presentes aqui, a respeito deste trabalho.

Participante: Tom, o Mestre sempre fala que tudo é a Graça que faz, que só devemos nos entregar e não atrapalhar. Tem como a gente contribuir para esta entrega ou a entrega também é algo da Graça?

TOM: Nós não podemos separar a Graça daquilo que somos. Só há uma única realidade presente em tudo, uma única vontade, e esta é a vontade da Graça, nós somos esta vontade. Então, não há como nos separarmos da Graça. Nós somos a obra da Graça. Nós somos esta Graça. Então se não houver uma disposição de entrega, não digo a própria entrega, se não houver uma disposição, disponibilidade, para que esta entrega possa acontecer, ela não irá acontecer. À medida que você permanece em Satsang, a coisa vai ficando cada vez mais estreita. O que quero dizer com isto? Quando nós chegamos em Satsang nós temos muitas ideias, muitas crenças, até mesmo acreditamos que sabemos de forma clara o que estamos buscando afinal. Então, chegamos muito acelerados, muito agitados e inquietos. E é justamente esta inquietude, esta agitação e este vazio que nos incomodam e que, de alguma forma, nos empurraram para Satsang. Ou seja, este incomodo, este vazio e esta inquietude são uma obra da Graça; uma obra da Graça nos empurrando para irmos em direção a algo completamente novo, porque o velho e o conhecido não estão nos dando resultado. Então nós nos voltamos e nos deparamos com um Mestre. O Mestre nos encontra nessa caminhada.

A partir do momento que somos encontrados pela Graça, a Graça em nós reconhece a Graça na presença do Mestre. Só há uma atenção presente, não importa do que chamemos essa atenção, de Tom, de Marcos,  de pessoas, etc. A atenção é uma única atenção, no entanto esta atenção se expressando neste corpo, que é a Graça, aí se encontra confundida com uma história pessoal. Este corpo coletou informações, registros, experiências, desde a sua infância, desde o seu nascimento,  acontecendo as  sinapses cerebrais que irão determinar suas crenças, ações, atitudes, atividades, gostos e desejos. Tudo isso, ali na infância, já determinado, decorrente das experiências que esta atenção aí vivenciou. Esta atenção que é a Graça, confundida com uma história pessoal ligada a este corpo, encontra-se confundida, além  de distraída com desejos, vontades, sonhos, buscas e procuras, porque acredita ser alguém; acredita ser uma pessoa. Esta atenção aí fixou-se, cristalizou-se, contraiu-se neste corpo, vendo-se através do reflexo de uma autoprojeção, como sendo alguém, um eu, e confundida, é claro.

No fundo, lá no seu íntimo, você sabe que tudo aquilo que busca para trazer  satisfação pessoal,  alegria,  plenitude e felicidade, é um caminho natural da busca desta atenção aí presente. E você sabe, no seu íntimo, que tudo aquilo que  busca não irá lhe trazer isto verdadeiramente, irá lhe trazer somente experiências momentâneas. Como, por exemplo, as experiências de alegria no momento em que você conquista o cargo que almejou, estudou e  trabalhou para alcançar; ou o projeto é ter um filho, seu sonho é ter um filho, em que  você irá vivenciar uma experiência de alegria no momento do seu nascimento; ou quando o seu desejo é casar-se, em que vivenciará uma experiência de alegria no momento do casamento. No entanto, tudo isso é somente a vivência de experiências. E na experiência não se encontra a felicidade real, o amor real, a verdade, e tudo o que esta atenção aí presente, confundida com uma pessoa e com o ego, sabe fazer é caminhar em busca de experiências. Nós somos viciados em buscar experiências, chamando de felicidade essas sensações de prazer e de alegria, e, por conhecermos esta felicidade, então estamos viciados em buscar estes estímulos que nos tragam esta alegria.

Para muitos esta alegria e este prazer se dão através do conhecimento, por exemplo, quando acreditam estar caminhando e evoluindo na senda do conhecimento,  e que, por meio do acesso a informações privilegiadas, tornam-se  distintos.  Há a crença de que agora sabe, conhece e aprendeu,  porque se esforçou e sacrificou, podendo ensinar ao demais que estão a sua volta. É o ego esclarecido e, aí, a alegria e o prazer  vêm desta sensação de poder. Portanto, viciados em experiências, nós nos confundimos e por isso nos perguntamos, quando nos deparamos com Satsang, se é a Graça ou se há algum esforço que possamos fazer que nos ajudará no processo de entrega. Quem pergunta isso, afinal de contas, a não ser este que está viciado em buscar experiências, porque quem busca experiências esta viciado em ser alguém?!. Ser alguém é estar em buscas de experiências, que nós consideramos a felicidade, que seria a repetição do prazer. Você conheceu o prazer de alcançar um determinado cargo, ou de passar num concurso, e agora você quer o prazer de alcançar um cargo ainda maior em um outro concurso. Na verdade, você só quer repetir o prazer, porque está sempre em busca de um prazer ainda mais intenso, maior. Você alcançou, assim, a felicidade na experiência de um momento fugaz de comprar aquele carro zero KM, naquele momento ele é zero KM, você tirou da concessionária ele já não é mais, você já rodou com ele. Os ponteiros que marcam os KM do veículo já foram, então sua felicidade fugaz dura por um certo período e, passado um tempo, ela já não está mais lá, porque ela é apenas uma experiência. A experiência é apenas um fenômeno indo e vindo, um fenômeno passando, que não é possível agarrar, e, por esta razão, nós caímos nesse jogo e ficamos desesperados em busca de repetir aquele prazer anterior vivido, que está registrado no corpo, daquela sensação, por que cada prazer libera determinadas enzimas, endorfinas, estímulos químicos, etc. Então, cada uma destas sensações liberam determinados hormônios no organismo, no corpo, que nada mais é que o uso de drogas presentes no próprio organismo. Muitas vezes condenamos aqueles que estão usando drogas, como maconha, LSD, dentre outras, porque estão em busca de sensações, mas nós, na mente e viciados em experiências, estamos fazendo o mesmo. Estamos em busca de novas sensações, de sensações mais intensas, que possam provocar essas reações no organismo e que, naquele momento, a gente possa se sentir feliz.

Entretanto, agora você se deparou com Satsang. Aqueles que estão na sala e não estiveram presentes em encontros presenciais, eu recomendo que venham estar conosco em encontros presenciais. Há algo em Satsang que está muito além do conhecimento, além da mente, além de palavras, além de experiências e, por estar além do além, nada melhor do que estar diante daquele que está vendo isso de forma muito clara, daquele que está acordado; daquele que está assentado em sua Real Natureza e que transmite essa fragrância por simplesmente ser aquilo que ele É, por ser livre, por ser a Graça, plenamente consciente de que é a Graça. Nosso Guru é a Graça, que é Deus, plenamente consciente, acordado para realidade de que ele é Deus. Cada um presente nesta sala é uma atenção divina, é Deus, no entanto, está confundido com uma história pessoal, brincando de esquecer-se de si mesmo, e agora está aqui em busca de encontrar Deus. Um jogo incrível isso, somente Deus poderia criar um jogo tão perfeito como este e se esconder de maneira tão perfeita, como sendo várias pessoas, como se Ele fosse muitos, como se Ele fosse sete bilhões de habitantes no planeta.

E aí, esquecendo-se de si mesmo, ele deixa de ser a Graça, acredita que não é mais a Graça. Ele acredita que é uma pessoa e que esta pessoa é uma entidade separada de Deus, separada da realidade, separada da verdade e separada da Graça. E então ele se pergunta, afinal, quando é que essa entrega acontece? Essa entrega é a Graça que faz?  É a Graça que está fazendo tudo, desde a mais bela obra de arte, até o mais hediondo assassinato. Mas onde é que isto tudo está acontecendo? Este é o ponto. Então, é assim, tentando ser conciso e concluindo a resposta: você é a Graça que decidiu recordar-se de quem é. A Graça que decidiu agora sair da brincadeirinha do esquecimento e voltar-se para a verdade daquilo que é você; voltar-se para sua Real Natureza. E por isso você está em Satsang, por isso você chegou em Satsang. No entanto, aqueles velhos padrões, esses vícios por busca de experiências, irão permanecer aí, por um bom tempo, e isso dependerá da disponibilidade de entrega. A entrega quem realiza é a Graça, o que nós realmente podemos fazer, nós como Graça, é nos tornarmos disponíveis para esta entrega; é estando próximo ao Mestre, de coração. Estar próximo ao Mestre, de coração, não significa, somente, estar presente nos encontros presenciais. Significa, ao acordar pela manhã, recordar-se das palavras do seu Mestre, do seu Guru; a coisa não está nas palavras, mas as palavras do seu Guru têm um poder especial para você, se ele é o Guru em seu coração. Então, você acordará pela manhã e se recordará de que você está aqui para ser livre, para viver esta felicidade plena, para viver em seu Estado Natural, para ser Deus, para realizar Deus. Entretanto, isso só será possível se esta atenção voltar-se para si mesma; voltar-se para esta Graça, através da presença do Mestre, do Guru.

A entrega ao Mestre, ao Guru, é uma entrega a si mesmo. Não sei se esta resposta lhe ajudou aí, mas basta permanecer disponível e a entrega acontecerá por si mesma. Tudo acontece por si mesmo, tudo simplesmente acontece e não há você presente nesta história. Você, como uma entidade separada, viciado em experiências, como um conjunto de memórias destas experiências, tentando repetir estas experiências de prazer e fugir da dor, nada mais é do que apenas um mecanismo, nada mais é do que apenas padrões se repetindo, nada mais é do que um robô, nada mais é que a morte, a não existência. Você não existe, você não é real vivendo como padrões, dentro de padrões, e inconsciente de sua Real Natureza. Continuar buscando repetir prazeres é viver esta vida robótica, aprisionada por padrões, por condicionamentos; viver assim é desconhecer a real liberdade.

Dúvidas? Se há dúvidas, nós colocamos disponíveis a Presença para que elas queimem, não para que esta pseudo-personalidade e entidade fique esclarecida, pois  todas as nossas conclusões se transformam em crenças.

A sua personalidade, a chamada personalidade, palavra que vem do grego Persona, que significa máscara, ou seja, na própria origem da palavra se revelando como uma fraude, se formou na infância, a partir de estímulos externos recebidos, quando ocorrem fixações de sensações de prazer e dor no corpo, a partir das experiências vividas no corpo e organismo. Estes estímulos irão fixar determinadas sensações, que serão a base e o pilar da formação daquilo que chamamos personalidade. Então, você vai viver 10, 20, 30, 40, 50 anos, até 80 ou 90 anos, como um robô, que foi programado, naquele período, por aquelas fixações, totalmente inconsciente de sua Real Natureza e de quem é você,  apenas repetindo padrões, reagindo e buscando a felicidade de uma forma totalmente equivocada, com base naquilo que foi aprendido com daqueles que estavam a nossa volta, durante esse processo de formação. Aqueles que nos ensinaram como ser felizes, sendo seres infelizes;  que nos ensinaram como alcançar essa felicidade e a realização, mas que não conheciam nada do que é a real realização e que, sequer, vieram a conhecer, ou conhecem, o que é a felicidade. Foi com eles que você aprendeu como ser feliz. Foi com esse mundo infeliz que você aprendeu a ser feliz e, enquanto acreditar nesse seu aprendizado, continuará preso a esta limitação, ilusões e crenças; completamente aprisionado por estes padrões que estão aí programados, registrados e condicionados, desde o dedinho do pé até o fio do cabelo, e em todo esse sistema neural, que projeta a ideia de um eu para defender e para proteger toda essa estrutura aí, desse corpo. Que coisa terrível e que parece tão trágico, mas não há nada trágico; é tudo tão bonito, tão lindo e incrível.

Uma participante nos escreveu  que, para interino, a fala esta tão bonita... Pena que a coisa não está na palavra, não é mesmo?! O falar bonito não é a coisa, mas, sem dúvida alguma, esta nossa comunhão de coração é a coisa. Quando nós nos aproximamos um do outro, quando nos aproximamos em Sangha, quando nos aproximamos do Mestre, nessa total disponibilidade de entrega, de comunhão real e verdadeira, de coração, nos abrimos para a possibilidade de descobrirmos que não estamos separados um do outro; que nós não precisamos nos defender, desconfiar e temer uns aos outros. Em Sangha e na presença do Guru nós temos a oportunidade de vivenciar nesta comunhão de coração, uma quebra desta ideia ou desse sentido de separatividade que é o Eu.

E a partir dessa comunhão de coração, dessa entrega, dessa confiança, desse amor, desse puro amor, nós podemos tocar os pés do Mestre, nos tocarmos e abraçarmos, e descobrirmos no íntimo, em nossos corações, que toda a separação que acreditávamos existir era, na verdade, apenas uma ilusão, uma impressão presente no corpo, impressão essa quebrada pela presença do amor do Guru. É o amor do Mestre, com essa nossa disponibilidade de entrega a este amor, que realiza todo o trabalho, que não é um conhecimento, não é uma técnica, não é um ensino, é nos aproximarmos daquele que está vivenciando este Estado Natural, que está vivendo assentado em sua Real Natureza. Quando nos aproximamos dele, o seu olhar revela algo extraordinário, porque em seu olhar ele não nos vê separado daquilo que ELE É. Ele não nos vê separado dele e, por isso, nos vê tal como nós somos em Nossa Real natureza, porque ele sabe quem ELE É, o Guru sabe quem é ele, portanto ele sabe quem é você. Então, se você puder permanecer nessa proximidade e olhar nos olhos Dele, aquilo que É e que há você se revelará neste olhar. Portanto, ao se aproximar do Mestre é impossível o Guru não olhar com amor, não lhe abraçar com amor, porque o Mestre é o primeiro que se entrega. Ele se entrega completamente ao amor que é você, porque ele sabe que Ele é amor; Ele sabe que Ele é você e que você é Ele. Então, à medida que mantivermos essa proximidade, que formos nos aquietando, o trabalho acontece, porque o trabalho em Satsang é parar, é abandonar a busca, aquietar-se, calar-se, é ficar em silêncio. É neste parar que nós temos a oportunidade de olharmos pela primeira vez, como nunca olhamos antes, e nos olhos do Mestre, nos olhos do Guru, descobrirmos esse amor real, essa presença, o indescritível, o imutável, o inominável.

Aqui em Satsang não há nenhum conhecimento a ser adquirido, a ser conquistado, ou nada para se perder, porque aqui é, simplesmente, o lugar do reconhecimento daquilo que é você. Todo e qualquer sofrimento e incomodo apenas acontece para esta atenção, que está desatenta de si mesmo, desatenta de sua Real Natureza. Quando esta atenção volta-se para si mesma, e esse voltar para si mesmo é voltar-se para o Mestre, para a Graça, para o Guru, para Deus, porque a Graça, o Guru, a Presença e Deus não estão separados daquilo que é você, o Guru é uma porta a ser atravessada. Não é uma porta na qual você deve parar diante dela e transformá-la num ídolo ou parar diante dela e simplesmente ficar ali. O Guru é uma porta a ser atravessada. E quem irá atravessar esta porta? É o próprio Deus, porque só há Ele. Então, só Ele pode realizar isto e Ele é você, é Isto. Estamos aqui para nos recordarmos de quem somos, para sairmos dessa brincadeirinha de ser uma pessoa, de ser alguém e de viver limitados na mente. A mente, que não é nada mais que tráfego de pensamentos, baseados em registros de memórias,  impressões gravadas no corpo e padrões, e que busca repetir as sensações de prazer e a fuga da dor.

É isto gente! É o que posso compartilhar hoje, desta forma mesmo, e eu digo para vocês que eu não sei o que é Isto. Eu não sei o que é isto, mas sei é que Isto me encontrou, e ter sido encontrado por Isto é uma alegria muito grande e intensa. É realmente sentir o coração transbordar, por se ter sido encontrado, porque Isso era tudo o que eu precisava, buscava, sem saber que era Isso o que eu buscava. Eu estava buscando isso no prazer, em experiências e vivências de um eu, que eu acreditava ser, mas isto me encontrou e, a partir do instante que me encontrou, me apontou para isto que eu sou. Digo que eu não posso e não tenho como, de maneira nenhuma, descrever aquilo que eu sou, por meio de palavras, de conhecimentos, de conceitos, de ideias e construções mentais,  porque aquilo que eu sou está além de tudo que eu possa pensar a respeito do que eu realmente seja, e você é isto. Você é o indescritível, o inominável, o mistério que jamais pode ser revelado, você é aquilo que tudo vê e não pode ser visto.

E é isto, por isso nós silenciamos, nos calamos diante disso que somos, diante disso que é você, diante disso que eu sou. É o que podemos dizer. É isso PARTICIPANTE, esses padrões aí, de busca e fuga da dor, são apenas padrões - um vício presente no corpo em busca de estímulos e experiências. A partir do momento que isto é visto com clareza, padrões que escravizam e fazem você viver esta vida robótica, esta fraude,  você se torna disposto a parar e a desistir, porque toda ação sua será sempre uma ação de busca de prazer ou fuga da dor. Somente parando diante da Graça, que é o Mestre, que é a Presença, é que Deus poderá realizar este trabalho de queimar isso aí, neste corpo, e o que nós fazemos é nos tornarmos disponíveis a Presença, a Graça, para que ela faça e realize Isso.

Não há ninguém para realizar isso, para despertar, para iluminar, ou que esteja na beirinha da iluminação, porque, simplesmente, não há ninguém. Há somente esta Graça, esta Presença, brincando de acordar, de dormir, de chegar a algum lugar, de sair de algum lugar e de ser uma pessoa aí em você, com um nome, forma e com uma história pessoal, que nada mais é que registro e memória de experiências, vivências e sensações provocadas de uma forma misteriosa aí neste corpo. Tudo simplesmente é esse grande mistério.

Este foi o encontro da Sangha de hoje.

PARTICIPANTE: É sempre muito bom a possibilidade de estar presente e prestar atenção em si mesmo.

TOM: Eu que agradeço a presença de cada um de vocês, muito grato.


Fala transmitida, corrigida e revisada a partir de um encontro via Paltalk no dia 17 de Setembro de 2014
Encontros todas as segundas, quartas e sextas as 22h. Participem!

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