segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Paltalk Satsang: A Pura Percepção do Mundo é o Fim do Conflito


Olá boa noite, sejam todos bem vindos a mais um encontro, a mais esse momento de Satsang.

Tudo o que a mente conhece é a dualidade. A Natureza da mente é o conflito e o medo, frutos desse sentido de separatividade. Os objetos percebidos como imagens, quadros, lembranças presentes no corpo, oriundos do mundo, são conhecidos pela mente dentro de um sentido de separação.  Na verdade nosso único conhecimento de mundo, de corpo e de mente é a pura percepção.

O conhecimento que você tem do mundo, do corpo e da mente (objetos, imagens, lembranças) parece ser separado de você.  Existe a crença de que você pode alterar alguma coisa. Se existe um pensamento de tristeza, e uma história ligada a este sentimento, a ilusão da mente diz que você pode mudar isto, como se você fosse alguém separado desta experiência, desta história, desta memória. Então a sensação que a mente cria é que aquilo que se apresenta nela mesma, no corpo e no mundo é algo fora dela. Isto basicamente é a dualidade, o sentido de separação e mantém a ideia de que algo pode ser feito, de que existe alguém capaz de mudar isto. Em Satsang você aprende que não existe esta separação e aí o conflito termina. Fica somente o experimentar, sem alguém nesta experiência.

Esta pura percepção do mundo, da mente, do corpo é o fim do conflito, da ilusão de separatividade e do ego, mas não é assim que a mente vê. Durante muito tempo, a mente vem criando esta separação, criando um eu separado dos próprios pensamentos, da própria experiência do corpo e da própria experiência do mundo. Assim, nós não ficamos com esta direta percepção.

O único conhecimento presente na mente, no corpo e no mundo é o conhecimento direto de percepção pura, sem um "alguém" nela.  Há somente percepção. Esse perceber sem alguém é o fim do conflito, do ego. Tudo o que há nesta experiência do corpo, da mente, é este perceber. Então,  não há esta tentativa de mudar nada.    Ficamos com esse perceber, este experimentar direto. Esse perceber sem aquele que percebe, o experimentar sem o experimentador, é algo íntimo com você, ou melhor, é você. Não há duas coisas aí. Na prática, eu diria para você: no momento em que estiver acontecendo uma perturbação, seja ela física, emocional ou pensamento, não se separe desta experiência, permaneça aí, sem essa ilusória separação.

Qualquer tentativa de se separar aumenta a ideia de alguém podendo fazer algo. Por isso nunca nos livramos do medo: porque há alguém presente nesta ilusão, experiência, ou sentimento, alguém que nomeia isto e quer se livrar disto.

Não há duas coisas: a experiência e aquele que experimenta, o perceber e aquele que percebe o experimentar, bem como aquele que está presente neste experimentar. É preciso trazer consciência para este instante, para este momento. Quando há esta consciência, este perceber, que é só o que nós temos presente, isto é meditação. Quando há só o perceber, sem "alguém" percebendo, só o experimentar, sem "alguém" experimentando,  isto é meditação.

Temos que descartar a ideia de alguém querendo se livrar das experiências desagradáveis e conservar as boas. Este movimento de se livrar ou conservar mantém a ideia de alguém presente podendo mudar. O puro perceber, o puro experimentar é o que somos. Aquilo que está presente em toda e qualquer sensação, experiência ou percepção é essa Consciência, e esse perceber; não há nada fora disso. É uma peça única, que engloba tudo. Ela é perfeita. A Consciência engloba todas as peças, todas as sensações, percepções, emoções pensamentos, seres objetos, coisas, lugares, absolutamente tudo.

Esse puro perceber, essa Consciência de ilimitado espaço que nunca é alterado, poderia ser comparado a uma tela com suas projeções. Repare que as imagens projetadas na tela não afetam a tela. Os quadros e imagens estão passando nesta tela que permanece em sua natureza de puro perceber, de puro conhecer, de pura liberdade.  Em cada momento presente em Satsang, nós lhe trazemos para este ponto, que não é um ponto localizado; é este ilimitado espaço que é a Consciência, onde não há um experimentador, onde o sentido de pessoa não tem qualquer importância, onde a história pessoal é somente imagens aparecendo nesta tela intocada. Esta tela é o Ser, a Consciência, esta Presença é a Natureza Divina, é a sua Natureza Real, e a Natureza de Deus.

Essa é a única realidade presente em todas as sensações, em todos os pensamentos, em todas as experiências e histórias, em tudo aquilo que acontece com o corpo e a mente. Esta Presença, esta realidade permanece sempre presente como aquilo que sustenta tudo isso. Não há nela nenhuma emenda, costura ou remendo. É uma colcha única, não como uma colcha de retalho que nossas avós faziam antigamente. A soma de todas as experiências, sensações, pensamentos, de tudo aquilo que se apresenta na mente, não forma esta colcha, não são retalhos nesta colcha, são só aparições nessa colcha única, nesta tela.  Você permanece como esta Consciência, como esta Presença, sem conflito, sem medo, sem ser atingido por aquilo que passa  no corpo e na mente. A grande tentação é acreditar que algo pode ser feito, é acreditar que existe alguém separado daquilo que se apresenta. São apenas memórias, sensações, sentimentos e emoções. Aquilo que se apresenta no corpo e na mente não é você.

Você é esta Presença, é esta Consciência. Está além do não se importar. Não há qualquer preocupação de se importar ou não, porque está além disso; isso seria uma conclusão intelectual. A mente pode ter um desejo de não se importar, mas é só um desejo que logo passa, e logo a mente está se importando novamente.

Esse trabalho do despertar é o definitivo assentar para não se levantar mais. É esta Consciência, esta liberdade de puro ser. Assim, esta Consciência é aquilo que somos. Não há nada fora disso. Se entramos fundo nesse perceber, não fica alguém. Encontramos apenas esta ilimitada e indescritível Consciência, ou seja, ela consigo mesma.  Só há ela,  não há alguém. Não dá para intelectualizar isto.

Pergunta: Quando se alcança a Realização do Ser, o fenômeno sofre alteração na sua manifestação com os outros egos?
 
Resposta:  Quando  há  realização,  não  há  mais a ilusão de outros  egos.   A  Natureza  de todo  o  fenômeno é sofrer alteração, mas o  fenômeno  não  é o problema.  Todo fenômeno faz parte deste ilimitado espaço,  onde não existe mais a ilusão de  outros egos,  nem mesmo de um só.  A verdade não é intelectual.  Ela é o que é.  Não há como termos uma aproximação desta verdade,  que  é  esta  liberação ou realização, pelo intelecto.

Não há duas coisas neste perceber, conhecer ou experimentar. Se formos fundo nesse conhecer, veremos que não há nada para ser encontrado, apenas esta direta constatação desta única realidade presente em toda a manifestação, em toda e qualquer aparição. 

Essa Consciência permeia absolutamente tudo. Essa Consciência é conhecida como Presença, liberdade, felicidade e amor. Ela não é afetada ou alterada. Ela não sofre qualquer alteração quando recebe nomes diferentes. É uma tela não afetada pelas imagens.    



Fala transcrita, revisada e corrigida a partir de um encontro via Paltalk Senses no dia 20 de Outubro de 2014
Encontros todas as segundas, quartas e sextas-feiras as 22h - horário de Brasilía



Um comentário:

  1. Conhecer é um atributo da mente

    Conhecimentos antigos e novos estão surgindo à todo momento como verdades compreendidas.O desafio é não ser enganado por eles.
    Permita que venham,mas saiba,não é isso.
    Pegar e largar,pegar e largar,pegar e largar,não pegar,não pegar.....

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