domingo, 28 de setembro de 2014

Paltalk Satsang: Na Claridade da Simplicidade de Ser!


Nós estamos nesta claridade, na claridade da simplicidade de ser, onde nosso olhar está apontado para esse lugar, que é Consciência; para esse lugar que é Presença; para esse lugar que é a Verdade. Este lugar não é outra realidade, separada desse instante; não é uma verdade separada daquilo que se apresenta nesse momento. É a Verdade sem nenhuma mudança, sem nenhuma separação. Nossa ênfase em Satsang é para que você mergulhe nessa claridade, na simplicidade de ser. Isso só é possível nessa entrega, nessa confiança, nessa disposição de se abandonar em Deus, de se permitir a não resistir a essa Presença.

A visão mais comum é a de que nós conseguimos fazer isso sozinhos; que podemos realizar isso sozinhos e que somos fortes o suficiente para realizar isso. Acreditamos que nós temos toda a energia, capacidade, habilidade, inteligência e poder para realizar isso, mas é uma ilusão. Estamos sempre colocando para vocês a importância dessa entrega. Isso é algo tão sutil, algo tão fora dessa presunção e dessa mudança da mente, que a mente tenta transformá-lo em algo dela. Então, você pode passar a vida inteira tentando se render, tentando se entregar, sem de fato saber o que isso significa.

É algo que é simples e Natural diante da Presença de um Mestre vivo, mas que se apresenta como alguma coisa impossível, incapaz de ser feita, quando está afastado dessa oportunidade chamada Satsang.

Satsang é um presente Divino, um presente de Deus, uma dádiva sagrada; a oportunidade de se deparar com isso, reconhecer isso, mergulhar nisso, se entregar inteiramente a isso. Então, o trabalho acontece de uma forma bem natural, não é você quem faz. Despertar não é uma ação sua. A entrega é um movimento da própria Graça, onde você apenas participa desse movimento. Você não está separado da Graça nesse movimento de entrega, mas a mente pode teorizar sobre isso - é o que ela faz muito bem. Você descobre o que é entrega na entrega, mas quem realiza isso é essa Presença. Nesse sentido, o Guru é fundamental. 
 Guru é sinônimo de Satsang, sinônimo de trabalho, sinônimo de não resistência ao que É. O ego, em sua arrogância, se manterá constantemente teorizando sobre isso. É a natureza da mente escapar disso, viver constantemente afastada disso, porque Isso é a morte da mente. Aqui, a morte da mente é o fim da ilusão; o fim da ilusão de alguém no controle, alguém na ação. Por isso que nunca funciona, nunca dá certo. 

Alguns que escrevem e-mails pra mim, outros em encontros presenciais, estão sempre  diante dessa pergunta sem resposta. A pergunta é: o que é que está faltando? Porque não acontece? A pergunta é sempre a mesma, só muda o formato dela. Aqui, nos falta essa clareza da entrega, essa imprescindível entrega, a simplicidade da entrega. Nos falta essa não resistência ao que É. É bastante cômico, muito, mas muito engraçado, esse diálogo que acontece entre nós. Vocês se aproximam e querem Isso como uma coisa muito urgente; urgente dentro das condições que vocês acreditam, de forma inconsciente, é claro. Querem saber como isso deve se processar, como isso deve acontecer. Na mente vocês nunca estão dispostos a ouvir. Vocês querem compreender isso, querem tornar isso razoável e, claro, nos termos da mente; depois irão pensar (aqui, pensar é analisar) se vale a pena ou não se render, se entregar, deixar tudo por isso. Isso leva muito, muito tempo. Vocês podem levar a vida inteira nessa coisa.

Essa Presença, essa Graça, esse Ser, essa Consciência, Deus, o Guru, como vocês queiram chamar isso, irá continuar esperando por você. Em toda a eternidade, além do tempo, irá esperar isso, esperar essa entrega, essa sua parte, que é a parte da Graça ainda. Eu sei que é paradoxal, mas é assim. Você não vão compreender isso, não precisam compreender isso, não há como compreender isso. Podem continuar tentando. Podem continuar ajustando intelectualmente frases soltas, ou não soltas, de textos que vocês encontram ou escutam, e as crenças e ideias que vocês já trazem, mas isso não vai funcionar, pois não é assim que acontece. Não é do seu modo, nem nas suas condições, nem dentro da sua condição. Podemos ficar encantados com algumas coisas que ouvimos ou com as leituras que fazemos. Podemos achar interessante, sábio, divino, algo inspirador, mas e daí? A Realização não está no campo do intelecto, não está no campo da emoção. Não basta a coisa ser romântica ou inteligente, no sentido de ser compreensível ao intelecto, para funcionar. Realização é o Despertar de sua Natureza Real, que está além do tempo, além do corpo e além da mente. Despertar é o fim da loucura, da loucura de ser alguém. Vocês estão identificados com a imagem de ser mãe, pai, filho, marido, esposa, do sexo feminino, masculino. Na ilusão de estarem no corpo, vivendo no mundo, na ilusão de ser alguém.

Estamos falando dessa simplicidade, dessa claridade. Estamos falando da clareza dessa simplicidade, da simplicidade dessa claridade de Ser. É o Puro Ser, simplesmente Ser, e, claramente, Ser Deus, Consciência, Presença, além do tempo e espaço, além do corpo, da mente e da experiência do mundo - mental e sensorial. Não estamos falando nada místico, nada esotérico, nada espiritual. Estamos falando sobre essa possibilidade de ser aquilo que você nasce para ser: Felicidade, Amor, Paz, Liberdade. Viver livre do ego, inveja, medo, ciúmes, desejos, receios, anseios, temores; a lista é grande, é enorme. Há muito medo nessa crença, nessa ideia, nesse estado hipnótico de se mover nesse mundo. Há muito medo, porque no ego só há medo, muito medo. Estamos juntos?

Nós estamos apontando essa Verdade para você: a Verdade da suprema felicidade, da Realização de Deus. Amor é sua Natureza, Sabedoria é sua Natureza, Felicidade é sua Natureza, Paz é sua Natureza. Enquanto não abandonarem o intelecto, não saberão o que é Isso. Eu sei que ouvir isso é devastador, é terrível, um tsunami, mas é assim. Precisam chegar a zero: zero de crenças, zero de teorias, zero de conclusões. Vocês estão cheios disso e, quando conversam comigo, é só o que expressam: conclusões. Eu acho muito engraçado, mas não posso rir diante de vocês, porque ficariam muito irritados comigo. Eu começo a dar algumas respostas e vocês não conseguem pegar isso;  logo já estão discutindo comigo (risos)... não demora muito, vocês começam a discutir comigo. Claro que isso é totalmente inconsciente, mas é um vício. Vocês "sabem" demais. Na verdade, "sabem" tudo; "sabem" até realizar Deus, a Verdade sobre si mesmos (risos). Nós não temos esta clareza e simplicidade, porque não temos entrega. Quando eu lhe convido a vir ao Satsang é para ver se aqui, por ação dessa Graça, você consegue parar de brigar e discutir comigo, parar de reivindicar seus direitos de saber alguma coisa. Mas vocês já têm teorias sobre isso, muitas e muitas teorias sobre isso, e a crença de que já podem resolver isso sozinhos. Até agora não resolveram nada (risos). Simplesmente porque não dá crianças, não é assim... não é assim.

Vamos ficar por aqui? Já cansaram, não é? Namastê.


Fala transcrita, revisada e corrigida a partir de Satsang on-line via Paltalk Senses no da 15 de Setembro de 2014
Encontros todas às segundas, quartas e sextas às 22h - Baixem gratuitamente o Paltalk e Participem!

sábado, 20 de setembro de 2014

Paltalk Satsang: A Verdade é Mergulhar no Coração





Vocês sabem que Satsang propõe a Liberação. Alguns chamam essa Liberação de Iluminação ou Autorrealização, ou simplesmente ver aquilo que É. Na verdade, é impossível nós conhecermos uma palavra que possa definir isso. Iluminação significa realizar a si mesmo. Esta realização de si mesmo, a realização de sua Natureza Real, é tudo isso que nós procuramos, buscamos, do lado de fora, durante toda a nossa vida, por meio de caminhos indiretos.

Nosso maior impedimento é a própria imaginação acerca disso: a imaginação que a mente cria acerca dessa verdade, dessa realidade tão simples, que é o despertar. É algo infinitamente muito mais valioso do que isso, do que criar qualquer expectativa além disso. A verdade é mergulhar no coração.

Então, a resposta para essas questões fundamentais não vão resolver nada. Todas essas respostas intelectuais e verbais são apenas mais conceitos, mais crenças. Realização, despertar,  é o fim do sentido de separatividade; é o fim do sentido de alguém presente nessa, assim chamada, “vida de procura”, uma vida de medo. 

A realidade desses “ensinos”, que nós temos em Satsang, é apontar para além da necessidade de aprendermos qualquer coisa. Então, esses “ensinos” não são ensinos, no sentido literal da palavra. Você não pode ganhar isso, merecer isso, alcançar isso. Você não pode obter isso, degrau por degrau, numa escalada, como alguém que escala uma montanha e vai deixando as pedras e os obstáculos para trás, crescendo à medida que vai deixando esses obstáculos para trás. Aqui não se trata de uma evolução ou de um crescimento, no sentido em que conhecemos. Não existe nenhuma razão para que você continue acreditando nisso, imaginando algo sobre isso, através de seus esforços. Estamos apontando e estamos dando a você dicas sobre Isso; é Isso que nós chamamos de Real Ensino. Estamos falando que esta é uma ação dessa Presença, dessa Graça, algo que vem naturalmente nessa Entrega. A Liberação não é mais um sistema de crenças.

E a mente pensa: “depois que criarmos esse sistema de crenças, nos tornaremos livres’; ‘depois de lermos alguns livros, nos tornaremos livres’; ‘depois que aprendermos algumas coisas, nos tornaremos livres’; ‘assim que adquirirmos certas conclusões, nos tornaremos livres”. A mente não pensa de outra forma. Nesse despertar, nessa realização, não há caminho. Nenhum caminho pode lhe dar isso, lhe permitir isso. Nenhum caminho pode explicar Isso e tornar Isso viável para você.

Então, as pessoas estão entendendo mal tudo isso. Elas acreditam que, enquanto pessoas,  podem viver tudo isso, sendo acrescentado algo a elas. Ainda nessa crença, que são "pessoas"; pessoas evoluindo, crescendo, se espiritualizando, ou seja, através de seu próprio mérito a pessoa chega lá, naquilo que a mente imagina, especula e acredita. Entretanto, a Realização é algo presente nesse lugar, nesse tempo, nesses, assim chamados, lugar e tempo. É algo presente em toda parte e é algo presente em todos os tempos. Eu diria, também, que é algo presente em nenhum lugar e em nenhum tempo; algo presente como pura Presença, como pura Consciência, não espacial e algo atemporal. É a simples remoção de toda e qualquer ilusão, o fim dessa ilusão primária: a ilusão do sentido de uma entidade separada presente. Significa o fim dessa nuvem que impede a percepção da Realidade.

Como temos dito, essa Real Liberação é a única medicina para curar você dos outros estados mentais e espirituais que nós conhecemos. Essa única medicina acontece como a real cura, para aquele que na verdade nunca foi um paciente. Essa cura é o desaparecimento desse paciente doente, carente, necessitado; é o desaparecimento desse eu, desse ego, desse sentido de ser alguém, desse sentido de separação. É uma medicina que não é uma medicina, é uma cura que não é uma cura. 

A Verdade não se revela na palavra. A Verdade é algo presente, é algo vivencial, mas não é nada explicável, ou que possa ser traduzida em palavras. Palavras entram somente para remover imaginários obstáculos, criados por essa ilusão da mente, dessa mente que criou essa suposta separação, que é uma crença imaginária. É essa imaginária crença que lhe coloca um nome, dentro de uma raça, pertencendo a um grupo, sendo alguém materialista ou espiritualista; coloca você como alguém que viveu o passado, está vivendo o presente e irá viver o futuro. Estamos juntos?

Reparem como as pessoas fazem essas viagens tão longas, saem de seus países, para virem para a Índia. Na mente dessas pessoas, a Verdade é algo do lado de fora e elas precisam de um grande deslocamento do lado de fora. Precisam viajar milhares e milhares de quilômetros para encontrar a Verdade. É, de fato, maravilhoso estarmos juntos olhando para isso, para esse maravilhoso milagre que é a Verdade de Deus.

As pessoas se submetem a todo tipo de dieta alimentar, como se a Verdade pudesse ser encontrada, como se esse sonho de separatividade pudesse ser desfeito pelo próprio sonho de alguém; um alguém fazendo alguma coisa, realizando alguma coisa, deixando de fazer alguma coisa ou abrindo mão de fazer alguma coisa. O fazedor é sempre uma ideia, é sempre uma crença, é sempre um sonho. Realização não tem nada a ver com fazer ou deixar de fazer. Não há um caminho nesse fazer, ou deixar de fazer, para constatar a Verdade desse "não alguém", desse "não autor", desse "não fazedor". Existem milhares e milhares de livros, talvez milhões deles, ensinando isso para você; ensinando o que você precisa ou não precisa, o que precisa fazer e o que precisa deixar de fazer, ou o que não precisa fazer para realizar Isso. Também, ensinando que você precisa viajar para longe, praticar muita coisa e aprender muito, estudar muito.

A Liberação não é uma forma de psicoterapia para nos curar, para nos libertar; não é uma forma de aprendizado para nos fazer escapar de todas as dificuldades da vida, de todo o sofrimento da vida. De início, porque tudo aquilo que chamamos de sofrimento, males, problemas, ainda é a mente; não há alguém que possa escapar disso, não tem alguém presente para escapar de tudo isso. Segundo,  porque o grande e verdadeiro problema humano não é a vida e seus problemas, mas é a mente em sua confiança, a mente em sua leitura acerca do que é a vida ou do que deveria ser a vida. Estamos juntos?

Vamos ficar por aqui. Namastê.



Fala transcrita, revisada e corrigida, a partir de um encontro online via Paltalk no dia 10 de Setembro de 2014
Encontros todas as segundas, quartas e sextas feiras às 22h. Baixe o Paltalk gratuitamente e participem!

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Paltalk Satsang: Toda e qualquer definição é só uma ideia


 

É importante você compreender que este momento de Satsang não é um momento de tagarelice verbal. Como a mente é muito tagarela, você tem essa excitação de viver nessa tagarelice. Esta tagarelice mental faz de você um tagarela verbal; agora na sala acabamos de presenciar isso.

Nós queremos lhe convidar, em Satsang, a trazer a atenção para este instante. Atenção para este momento presente. Atenção é Consciência, que é essa Presença de Ser, de estar aqui e agora. A mente está sempre se agarrando a imagens, a histórias, e este é o movimento dela.  Em Satsang, você é a testemunha e ao mesmo tempo é o testemunhado, mas não está mais conduzido por essa mente louca, por essa confusão que é este movimento inconsciente da mente.

Eu desafio você a ouvir, nessa noite, sem o intelecto. Se tentar ouvir com o intelecto, você irá se confundir, aqui. Há um modo de ouvir, livre do intelecto, um ouvir no qual a confusão não se encontra, pois não há a interpretação, o julgamento e a avaliação. É um ouvir no qual a mente não tem nada a ver, absolutamente nada para fazer, com aquilo que está se apresentando neste ouvir. Assim, eu quero que vocês não se enganem, não se equivoquem, porque a mensagem aqui é muito ameaçadora para mente. É uma mensagem que está apontando para o nada, que é o todo. Também está apontando para nada menos que o fim da mente.  Não é uma questão de fazer isso, é uma questão de constatar isso.

Não é um fazer que a pessoa possa fazer. É um constatar, presente na Consciência, desta visão daquilo que somos agora mesmo, sem a confusão, sem a balbúrdia e a tagarelice da mente. Quando a identificação aparece, somos capturados pela ilusão de uma suposta entidade presente, esta que julga, compara, avalia, interpreta, sonha. Percebam que a mente está sempre lhe dando uma sugestão para fazer algo. Depois ela lhe dá uma sugestão, que parece ser uma solução para o fim dela,  quando diz: "Eu preciso me livrar da mente". Então, a própria mente, incomodada com ela própria, diz: "Eu vou encontrar um método, uma fórmula, uma maneira, um caminho para me livrar de toda essa confusão, de toda essa perturbação, de toda essa desordem interna, preciso me livrar da mente". A mente está sempre procurando fazer alguma coisa, sempre em busca de uma satisfação maior, mais ampla, mais profunda, e, é claro, dentro dela mesma. E essa satisfação, que ela imagina ser a mais elevada, a suprema satisfação, é a mente dizendo para si mesma: "Eu preciso me livrar de você". Claro que tudo isto é bastante inconsciente. Aqui, neste constatar direto, neste observar sem escolha, neste não interpretar, neste não julgar, neste não imaginar, neste ficar simples e diretamente com aquilo que se apresenta, com aquilo que se mostra, é o fim da mente, mas não é o fim que a mente imagina, como o "fim da mente".

Toda a sua miséria, dor e sofrimento estão nessa ilusão. Na ilusão do esforço, na ilusão do controle, na ilusão de estar fazendo, constantemente, uma leitura daquilo que se apresenta, através do pensamento. Isto é estar identificado com este movimento interno, que nós chamamos de mente. Reparem que só há presente, neste instante, a batida do coração, é só o que está presente. A respiração e o sons acontecendo, como, também, os pensamentos aparecendo e depois indo embora. Não tem alguém fazendo isso. Não existe esta implicação de um julgador, de um comparador, de um controlador, de alguém para aceitar ou rejeitar. Você está se identificando com uma suposta pessoa, que é só uma imagem que a mente tem dela mesma, que faz dela própria. Se eu lhe pergunto  "Quem é você?", vai se definir como uma história, mas não é você se definindo como você; é essa autoimagem se expressando, de forma imaginativa, acerca dela mesma, tentando me convencer de que isso é você. É disso que estamos falando. Estamos lhe apresentando um mergulho no desconhecido, na Totalidade da existência, no mistério da Vida.

PARTICIPANTE: É mesmo! Eu não quero pensar, mas os pensamentos vem...então, não sou eu que penso?

MARCOS GUALBERTO: Não tem alguém aí pensando. Só tem os pensamentos acontecendo. Eles acontecem e recebem a credibilidade de uma suposta pessoa. Aí está a ilusão, pensamentos são como gotas que caem do céu, que nós chamamos de chuva, e ninguém controla isso. Essas gotas caem, com o tempo, e depois param de cair; assim é a chuva, ela vem e vai, e não há ninguém para controlar isso, para determinar isso, para determinar o tempo que dura essa chuva, nem o modo como ela acontece. Pensamentos, sentimentos, emoções, sensações, ou qualquer uma experiência, é só uma experiência que vem e vai, diante deste desconhecido, diante deste mistério, que é a Consciência, que é a vida.

Você acredita ser alguém, só porque tem um nome e uma história, que são só memórias, só pensamentos, que em alguns momentos estão presentes, noutros não estão. O seu nome, por exemplo, não está presente sempre, aparecendo só quando ele é pronunciado, quando lhe solicitam e chamam pelo nome, mas você nunca tem nome; assim, também, você nunca tem história, é só memória. Assim, também,  são os sentimentos, como mágoas, ressentimentos, rancores, ódio, indiferença e desejos. Tudo isto está baseado no pensamento, vive na memória, e você dá a essa memória o sentido de uma identidade nessa experiência.

Temos apenas pensamentos, eventos surgindo e se dissolvendo, diante dessa Consciência, desse mistério e dessa Presença, nessa clareza, nessa abertura, nessa transparência, e isso não é nada pessoal. De forma equivocada você está fortalecendo este sentido ilusório de pessoa, dando a esse sentido ilusório uma autoimportância muito grande, e esta é a causa de todo sofrimento. Sua natureza real é incondicional e puro amor, livre da pessoa, livre de interpretações, desejos, julgamentos,preferências e escolhas da pessoa.

Eu sei que isso é muito desesperador para o ego, para esse sentido de mim, este sentido de pessoa, porque isto é a morte de tudo o que você conhece ou já conheceu; é a morte deste você, como você conhece e experimenta a si mesmo. Mas, na verdade, é aí que está este portal, esta abertura, para esta transparência, para esta liberdade, para esta Graça.

Este espaço, esta transparência, esta Consciência engloba todas as coisas e permite que todas as coisas sejam como são. É uma espaço que jamais foi contaminado, jamais será contaminado pelo que acontece, ou deixa de acontecer; a dor vem e vai, a raiva vem e vai, o medo vem e vai, isto internamente, neste organismo, neste mecanismo, neste corpo- mente aí. Do lado de fora, as guerras vem e vão, os ditadores nascem e morrem, temos as chuvas, os ventos, os terremotos, os tsunamis, os vulcões;  do lado de fora, também,  os entes querido morrem e nascem; da mesma forma que vemos o sol nascendo e se pondo, vemos as nuvens passando, tudo acontecendo, diante deste espaço ilimitado de Presença, de Consciência, de Liberdade, de incondicional amor, de indescritível verdade.

Nunca há qualquer divisão. Nunca existe qualquer separação. Assentar nisso, assentar aí, é ver o que É. É não mais se confundir, é não mais se perder na ilusão da autoimportância e do controle.

Então, você pergunta: como podemos definir o que existe nessa máquina?

Quem precisa definir? Toda e qualquer definição é só uma ideia, é só um pensamento, é só uma limitação. Estamos falando exatamente outra coisa, estamos dizendo: assuma a sua Real Natureza, que permanecerá sempre desconhecida, indescritível, inominável.

Eu vou terminar dizendo para vocês que há apenas essa Verdade: este é o milagre que estivemos sempre buscando, é o único milagre. Este milagre é o fim dessa limitação, o fim desse sentido de ser alguém, esse alguém que vive assustado.

Há um koan Zen, quando o mestre chega para o discípulo e pergunta: "Você já tomou sua sopa? Se já acabou de tomar vá lavar a sua tigela". Essa simplicidade absoluta, a vida cotidiana, simples e natural, sem interpretações, crenças, julgamentos e comparações, é o único milagre, mas a mente jamais será capaz de ver isso.

Vamos ficar por aqui? Namastê!


Fala transcrita, revisada e corrigida a partir de um encontro online via Patalk no dia 02 de Setembro de 2014
Encontros todas as segundas, quartas e sextas às 22h - Participem! Baixem o programa gratuitamente.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Paltalk Satsang: Não há alguém aí dentro e nem há um mundo do lado de fora!




Deixem-me dizer para vocês o que significa este convite. Na verdade, é um "bem-vindo a esse espaço". Este espaço é toda a manifestação, é o espaço da totalidade, é o espaço de todas as aparições, é o vazio da totalidade. Nele não há qualquer separação. Reparem que é para esse espaço, para esse vazio, para essa totalidade, que você é convidado em Satsang. Isso significa o reconhecimento daquilo que você É, esse Nada. O Nada que contém todas as aparições.

Eu preciso lhe dizer algo nesses encontros. Preciso lhe dizer que é somente aqui, neste instante, agora, que a Liberdade, a Felicidade e a Paz, que você tem buscado do lado de fora, já se encontram presentes. Você nunca poderá encontrar isso. A Paz não é encontrável, o Amor não é encontrável, a Liberdade não é algo encontrável. Você pode encontrar qualquer coisa, menos aquilo que já está presente neste instante, aqui, exatamente porque isso jamais esteve ausente ou perdido. Por isso, é simplesmente lindo este convite, o convite a essa Totalidade. Não é a completude de alguém, não é a completude da pessoa, não é a totalidade da pessoa, não é a totalidade do indivíduo. É a Totalidade da Presença, da Consciência.

Isso nos escapa porque não estamos olhando para a direção correta. Nosso olhar está perdido para o lado de fora, para a exterioridade. Eu chamo esse olhar perdido de dispersão,  distração ou dispersividade. Nós vivemos numa constante distração. Estamos distraídos acerca de quem somos. Estar aí significa estar perdido nesse emaranhado de conceitos, crenças, conclusões, ideias, sugestões do pensamento e imaginações. E assim, com esse olhar para essa direção errada, contrária e  equivocada, nós estamos destruindo essa possibilidade. A possibilidade de perceber aquilo que já está presente neste instante, neste exato momento.

Isso que não pode ser encontrado por meio de pesquisas, estudos, práticas ou experiências. O interesse da mente é sempre o interesse naquilo que está dentro do que ela conhece, naquilo que está dentro do seu espaço, do seu terreno, e que faz parte de sua realidade. Assim, por mais que a mente experimente algo novo, esse novo ainda é parte dela mesma, porque não há nada novo na mente. A mente é só um movimento de repetição. Estamos lhe convidando a ir além da mente, além dessa limitação. O pensamento é limitado, a mente é limitada. Ela cumpre muito bem o papel dela, mas é só o que ela pode cumprir. O papel dela é lhe posicionar no tempo e no espaço, atendendo aos assuntos da personalidade, que são os assuntos dela. 

Na verdade, é lindo, é maravilhoso estarmos juntos diante da Graça, da Presença, percebendo esse maravilhoso jogo Divino. Esse jogo Divino nós chamamos de ilusão, mas é só um jogo, um jogo Divino. É ilusão porque a mente tem esse jogo como realidade; ela se confunde com esse jogo; ela leva muito a sério esse jogo; ela dá realidade a esse jogo. E assim a ilusão se apresenta. Nessa ilusão está o sofrimento. Todo sofrimento é a ilusão da pessoa, dessa pessoa carregada do sentido de ser, do sentido de autoimportância. Esse é o jogo da ilusão, a ilusão como jogo, e um jogo bastante convincente.

Eu quero lhe convidar a Satsang. Satsang é o encontro com o que É, o encontro com a Verdade, o encontro com a Realidade; o encontro com o "não eu", o "não mim", a "não mente", a "não pessoa", a "não ilusão", o "não jogo". Isso significa estar completamente transparente. Viver essa transparência de pura Consciência, de pura Presença, onde todas as aparições têm a liberdade de atravessar essa transparência e  aparecer dentro dela. Esse é o seu único Ser verdadeiro, o único Eu real, que não é um “eu” com possibilidade de haver um segundo e um terceiro depois dele. É um Eu que contém todos os outros pronomes, e esses pronomes são só pronomes, não são mais pronomes pessoais. Esse Eu é Aquilo, é a Presença, a Consciência, é o Lugar que sempre É.

O mundo externo e o mundo interno são apenas uma ideia desse “eu”, nesta Consciência. É uma aparição. No Oceano, você vê bolhas aparecendo, quando uma onda quebra, você vê muitas bolhas, mas logo essas bolhas explodem, e é só um fenômeno passageiro. Assim é essa ideia de mundo externo e mundo interno. E você, como essa Consciência, não está separado nem mesmo dessa ideia, desse pensamento “interno e externo”. Nós temos falado muito isso, falado coisas como: você não é o pensador; há só o pensamento acontecendo, mas esse pensamento acontecendo não está separado daquilo que é você. Você não é aquele que está emocionado, a emoção é só algo que acontece, mas ela não está separada daquilo que é você. Você não é aquele que sente, esse sentir é só algo que está aparecendo, mas você não está separado desse sentir. Então, não há mundo interno e mundo externo. Há somente uma aparição para essa Consciência, para essa Presença, que é você em sua Natureza Verdadeira.

Nós não estamos preocupados em terminar com a mente, em exterminar a mente, em terminar com ela. Ela cumpre seu papel, que é o papel de uma aparição inofensiva. O problema é o sentido de uma identidade presente, onde não há nenhuma identidade; o problema é o sentido de uma identidade na mente. A mente é só um fenômeno, é só uma aparição na Consciência, nessa impessoal, não conceitual e indescritível Consciência. Ela é sua Natureza Real, ela é Você.

Vocês passaram muito tempo numa busca equivocada, numa procura espiritual. Essa busca repousava sobre uma hipótese completamente falsa. A hipótese de uma entidade, de alguém que precisa se livrar de alguma coisa: se livrar do negativo, do pecado, do medo e dos desejos;  se livrar desapegando-se  de coisas, de lugares, de pessoas. Sempre essa Hipótese equivocada de que há "alguém" e que esse  "alguém" pode chegar, através de sua espiritualidade, a essa dimensão espiritual, a essa “expansão da consciência”; que pode chegar a essa liberação de um suposto inimigo, um inimigo desse “eu”, dessa entidade, na procura da espiritualidade. Há sempre aquela ideia: um dia chegarei lá, um dia chegarei à perfeição, um dia chegarei à iluminação, um dia chegarei a ser um ser Santo, Divino... sempre um dia, sempre em algum dia, um dia que nunca chega (risos). "Eu preciso me livrar do ego", diz essa entidade, essa suposta entidade, à procura de sua imaginaria iluminação. Estamos juntos?

Percebam isso de uma forma muito clara, crianças. Não há alguém aí dentro e nem há um mundo do lado de fora, do qual você tem que se livrar. A única realidade é esse Silêncio, é esta Presença, é este Vazio Profundo, que é esta Plenitude Total. Nela não há nada separado...  Nela você é tudo. A Liberação não é um estado da mente, a Liberação é o fim dessa ilusão, a ilusão de que existe algum estado para a mente, estado que ela possa alcançar e no qual possa repousar, descansar. Porque nós nunca vemos isso? Porque nós não conseguimos perceber isso? Porque nossas crenças não permitem. Estamos nessa constante e persistente teimosia, a teimosia da resistência, para nos mantermos constantemente resistindo ao que É. Resistir ao que É significa interpretar, avaliar, julgar, comparar, rejeitar. Sempre colocando o sentido de "alguém" presente nessa experiência do pensamento, da sensação, do sentimento. E assim, estamos nesse maravilhoso jogo da ilusão.

A Liberdade é algo completamente sem esforço. A Liberdade só é possível na Consciência e nela não há esforço. Não há qualquer tentativa de mudar, de alterar alguma coisa. Então, o Silêncio, que é essa Presença, que é essa Totalidade, que é esse Vazio, que é essa Completude, que é Isso que está presente, é essa Paz, Liberdade e Realização. Não há mais a mente desempenhando esse papel e tentando se salvar. É bem isso.

Vamos ficar por aqui. Valeu pela presença de todos. Namastê!

Transcrito, revisado e corrigido a partir de uma fala via Paltalk Senses, no dia 25 de Agosto de 2014
Encontros todas às segundas, quartas e sextas às 22h. É só baixar gratuitamente o Paltalk e participar!

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Paltalk Satsang: A Realização disso é uma ação da Graça do Guru





Vocês sabem que nós estamos investigando essa questão da Liberação, da Libertação, que é esse Despertar. Isto é resultado dessa investigação de nós mesmos. Aqui, a palavra “estudar a si mesmo” poderia ser empregada, mas é preciso que compreendamos que esse “estudar a si mesmo” é algo diferente daquilo que entendemos por estudar. Estudar significa acrescentar mais conhecimentos, acrescentar mais experiências a si próprio. Não se trata de acrescentar mais conhecimentos, mais ideias e mais experiências a esse cérebro já tão confuso sobre si mesmo, que cria a realidade de estado mental no qual nos encontramos e que nos torna identificados, naturalmente, com esse sentido de alguém, com a mente egóica. Esse é um estado confuso... É um estado de dúvida...  É um estado de receio... É um estado de conflito... É um estado de medo. Então, não se trata de acrescentar mais conhecimentos, ideias e crenças a esse cérebro, nesse estado em que ele se encontra. Esse “estudar a si mesmo”, ou esse investigar a si próprio, é algo que aqui colocamos no sentido de nos despojarmos desse núcleo ilusório, desse falso centro.

Quando falamos em investigar a nós próprios, ou estudar a nós mesmos, significa nos livrarmos desse núcleo, desse centro ilusório; significa nos livrarmos, por completo, de todas as definições, definições estas que a mente tem sobre ela mesma, nesse estado de autoidentificação em que nos encontramos. Assim, nós estamos nos confundindo com diversas formas de conceitos e crenças. Estamos nos definindo pelo nome e pela raça. Um conjunto de crenças está nos definindo como pessoas, como seres humanos. Estamos carregados de julgamentos internos, julgamentos psicológicos e confundimos isso com esse sentido do “eu sou”, que é um sentido da própria mente.

O verdadeiro “Eu Sou” é livre de qualquer sentido de ser, não carregando nenhuma avaliação e nenhum julgamento sobre ele próprio; não se classifica com um nome, uma raça, uma ocupação, um sexo, um status, uma determinada posição.

PARTICIPANTE: Mestre, se a Verdade última está sempre presente, e é a base de tudo, nunca foi perdida, porque aparentemente é tão difícil despertar?

MARCOS GUALBERTO: Essa dificuldade é parte desse jogo. Ela é assim. Não existe nenhuma razoável explicação porque isso é assim. De fato, não é fácil despertar, mas nós estamos sempre diante de um paradoxo, quando dizemos isso, porque, na verdade, Aquilo que É sempre É, nunca deixa de ser. Nesse sentido, o Estado Natural é o estado onde não há sono, então não há despertar. Mesmo assim, nós nos encontramos diante desse paradoxo.
Despertar requer esse “estudo de si mesmo” ou essa Investigação de Si mesmo. É preciso constatar essa verdade presente no momento, a verdade da ilusão. Constatar a verdade da ilusão é o fim da ilusão e isso já é a Verdade, já é a Realidade. É assim, mas não há como se criar uma formula mágica para que isso seja diferente. Ninguém vai lhe dar uma resposta do porquê ser tão difícil, porque a única resposta é a seguinte: já É o que É; não é fácil, nem difícil, só parece ser assim. Parece ser assim a partir do ponto de vista da mente, que é sempre o ponto de vista da ilusão. Do ponto de vista da Realidade, que nem é um ponto de vista, é a Verdade como Ela É; isso não é difícil, isso já É o que É. Depois de uma resposta dessas, o que você vai fazer com isso? (risos)

PARTICIPANTE: Não é a própria mente se colocando nessa condição?

MARCOS GUALBERTO: É simples, muito simples, mas a dificuldade continua a mesma (risos). Continuamos sem resposta.

PARTICIPANTE: Mestre, quero perguntar se essa volta perene ao observador é mais um movimento da mente ou pode ser feito?

MARCOS GUALBERTO: Eu diria para você que vá além do observador, dê um passo atrás. Solte o observador, também, que ele ainda não é o que nos interessa aqui. Esse observador é uma verdade relativa, é apenas uma etapa, é apenas uma fase também. Sua Natureza Real está além do observador, está além do observado. Quando eu digo solte, eu sei muito bem que você não pode fazer isso, mas que precisa ser feito. Clame pela Graça, suspire pela Graça, se entregue à Graça.

PARTICIPANTE: Então, para perceber a ilusão é preciso perceber a Verdade pelo menos uma vez, para servir de contraste.

MARCOS GUALBERTO: A Verdade é algo sempre presente. Perceber a Verdade não é a dificuldade. A dificuldade que vocês têm é para essa Verdade assentar. Isso significa o fim da ilusão, mas tudo o que a mente conhece é a ilusão. Então, a Verdade é percebida como lampejos que, aparentemente, vêm e vão, aparecem e desaparecem, e não é verdade. Não é a Verdade que aparece e desaparece, o que aparece e desaparece é essa nuvem chamada mente egóica. É ela que está ocultando a Realidade da Verdade sempre presente. 

A verdade não vai se revelar em dado momento, porque ela nunca deixa de ser o que ela É. Aqui, não é a revelação da Verdade que nos interessa, mas é a constatação da ilusão; isso é o fim da ilusão, é a queda da ilusão, é o desaparecimento da ilusão. A realização disso é uma ação da Graça do Guru. Guru, aqui, é sinônimo de Presença, Consciência, Ser, sua Natureza Divina, a Natureza de Deus, que é a Natureza da Verdade. Esta Verdade nunca está oculta, mas a presença da mente cria essa ilusória sensação.

PARTICIPANTE: Mestre, esse observador é ainda a mente dando conta de si próprio?

MARCOS GUALBERTO: Sim, esse observador é ainda a mente.

PARTICIPANTE: O que É, é como lampejo Mestre?

MARCOS GUALBERTO: Acabei de responder isso. Lampejo é a aparição da nuvem, porque só aquilo que aparece e desaparece pode aparecer e desaparecer como lampejo. Ou seja, não tem Verdade, não tem Realidade, não é Real, no caso aí é a mente.

Mais uma vez, estamos afirmando que aquilo que vem e vai não é real. Isso é uma boa notícia, isso é uma ótima notícia para você. Se você se sente aprisionado, infeliz, em conflito, em sofrimento, em perplexidade e medo, isso é algo que vem e vai. Então, não é real, não é você, não é a Natureza da Verdade, não é a sua Natureza Real, não é a Natureza da Graça, não é a Natureza da Presença, não é a Natureza do Guru.

Eu acho importante, aqui, ficar claro que não há diferença entre você e o Guru, entre você e a Graça, entre você e a Verdade, entre você e Deus. E, aqui, quando me refiro a você, que fique claro, estou me referindo à sua Realidade, à sua Verdade, à Imutável Verdade do seu Ser.

PARTICIPANTE: Lampejos de Consciência.

MARCOS GUALBERTO: Aí você tenta concertar dizendo “Lampejos de Consciência”. Não existe lampejo de Consciência. Todo lampejo é de inconsciência. Nós só podemos ter lampejos de inconsciência, porque a Consciência não tem lampejos. (risos) Está claro isso, gente? Aquilo que tem lampejo ainda é parte da mente.

É por isso que existem muitos que estão confusos quanto ao significado que dão a denominada  “expansão da consciência”. Se há uma “consciência em expansão", ainda é parte desse movimento ilusório. A Consciência não conhece expansão, não conhece estados. Fala-se muito de “estados de consciência”, que nada mais são que lampejos, “lampejos de consciência” que você acabou de colocar aqui. São puramente mentais.

Gente, isso tem que ficar claro para vocês, porque há uma confusão muito grande por aí. Reparem essa coisa de silenciar a mente na meditação. Uma mente silenciada na meditação é uma mente em lampejo; isso não tem nada a ver com Consciência (risos). Escutem isso, esse Despertar Real, que aqui eu nem chamo de “espiritual”, chamo de Despertar Real, é o Despertar no sentido de fim desses lampejos. O Estado Desperto é o Estado que vai do sonho de inconsciência, que é o sonho da mente em seus lampejos, para esse Estado Natural além do ego, além do sentido de separatividade, além desses lampejos, além dessa expansão de consciência, além desses estados de consciência. Está claro isso, gente?

PARTICIPANTE: Está cheio de “mente” tateando no escuro por aí.

MARCOS GUALBERTO: Na verdade, mente é sinônimo de inconsciência, de escuridão e de ilusão. Esse tipo de fala é muito radical. Isso aqui não é para buscadores que estão procurando alimentos rápidos de fácil digestão, nem alguma coisa para aliviar a insatisfação deles, a insatisfação desse estado de sonho, de sono e de inconsciência. Aqui não há essa comida rápida, não é fast food. Uma coisa que muita gente faz é dar duas mordidas e, pronto, está resolvido; gente que vem a dois Satsangs e, pronto, está resolvido. E tem aqueles que nem querem vir ao Satsang, aí fica perigoso essa coisa de ficar só aqui no Paltalk, tá? Para você que nunca veio a um Satsang presencial, você não tem ideia do que é a coisa. Ou só tem ideia (risos), mas só ideia não adianta.

A Verdade não vai se conformar com a nossa tragédia, com essa fuga frenética e maluca, porque ela não vai se ajustar a isso. Você está aqui, talvez você tenha mais 10, 15, 20, 30 ou 50 anos, e tem uma vida inteira para resolver isso. Então, não tenha pressa. Quando eu digo “não tenha pressa”, não estou dizendo: fique em casa vendo televisão o fim de semana inteiro. Estou dizendo: Venha para o Satsang e tenha paciência, paciência, paciência e paciência.

PARTICIPANTE: Que Deus me ajude.

MARCOS GUALBERTO: (risos)

PARTICIPANTE: Negocie com tudo, menos com Satsang.

PARTICIPANTE: Desde que seja nessa vida, está bom.

MARCOS GUALBERTO: É. Está no lucro, não é, menino?

PARTICIPANTE: Tenho pressa, tenho sentido de urgência. O tempo urge.

PARTICIPANTE: Se eu estivesse mais próximo, já estava lá. Moro em Porto Alegre.

MARCOS GUALBERTO: Ah, Porto Alegre é ali do lado, Está pertinho. São Paulo é um pulo, muito rápido.

PARTICIPANTE: R$300,00, ida e volta.

MARCOS GUALBERTO: Mesmo que fosse R$13.000,00... mesmo que fosse R$30.000,00. Quanto vale? Bem, pessoal, vamos ficar por aqui. Tchau... tchau... Namastê. Até o próximo encontro!



Texto transcrito, revisado e corrigido a partir de uma fala via Paltalk Senses do dia 22 de Agosto de 2014
Encontros todas às segundas, quartas e sextas às 22h - Participem!

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Paltalk Satsang: Você em seu Estado Natural é Pura Celebração!





Você sabe que nós estamos nesses encontros diante de um grande desafio. Esse não é um encontro de aperfeiçoamento espiritual. É a primeira coisa que devemos compreender aqui. Aqui não é um encontro onde podemos desenvolver nossa espiritualidade.

Despertar não significa, também, um estado alterado de consciência. Não há nada de superior nesse estado chamado Estado Natural. Aquele estado espiritual está num patamar diferente, num patamar muito especial, e isso é o que a mente sempre procura. A mente está procurando algo especial, algo espiritual, algo que a torne mais destacada.

O despertar não é isso. Realização significa a remoção de todas as ilusões, especialmente essas que estão sempre valorizando o sentido de “alguém”, tornando esse alguém “especial”, um “ser evoluído”, um “ser espiritual”, alguém que “vive” num estado alterado de consciência. Nada disso tem qualquer valor aqui, qualquer realidade aqui nesses encontros. Nós estamos em Satsang para ver o fim das ilusões, todas as ilusões. Satsang significa o fim das ilusões. Este “eu” que acreditamos ser, este “eu” com suas histórias, crenças, suas superstições, seus desejos, anseios e receios, buscas.

A viagem que fazemos, ou que estamos procurando fazer, por esse assim chamado mundo espiritual, nessa chamada evolução espiritual, é ainda a viagem de “alguém”. Alguém que antecipa, em sua crença, aquilo que chama de iluminação ou despertar. Na verdade, aquilo que foi vendido dessa forma.

Não tratamos disso aqui nesses encontros. Não posso lhe prometer uma felicidade a ser alcançada, uma liberdade a ser alcançada. Isso é como lhe prometer a ganhar na loteria. Ninguém pode lhe prometer isso. Não há nada a ser alcançado, não há nada a ser obtido nesse Estado Natural. Felicidade já é algo presente, não é algo a ser obtido. A verdade não é algo a ser obtido, já é algo presente nesse Estado Natural. Isso não tem nada a ver com ser especial, não tem nada a ver com caminhar em direção a Isso, progredir em direção a Isso, dar muitos passos até realizar Isso. Então, não tratamos disso nesses encontros.

Na verdade, muitos buscadores estão vivendo já uma “dieta”, praticando alguma coisa, exercitando alguma coisa; estão se disciplinando para alguma coisa. Se você gosta desse tipo de coisa, Satsang não é para você. Aqui nós não temos pistas, nós não vamos deixar pistas para você. Você não pode perceber a realidade através de pistas deixadas por outros. Assim como você jamais saberá o que significa Realização, Despertar ou Iluminação, através daquilo que alguém já tenha falado, alguém já tenha escrito. Isso é algo que você vivencia de uma forma direta. Então, só assim você sabe, sabe por si mesmo; e, depois que sabe por si mesmo, não tem como relatar isso para alguém, porque é você em seu Estado Natural.

A verdade não é como fastfood, não é como uma refeição rápida. Você não obtém  Isso dessa forma. Nós vivemos num momento em que esperamos tudo muito rápido. Queremos dar duas ou três mordidas e, pronto, ter a fome saciada. Isso fazemos, ou procuramos fazer, de uma forma muito rápida. Queremos Isso de uma forma rápida, para podermos seguir com nossas vidas apressadas, cheias de urgências. A Verdade não vai se conformar com nossas urgências, com nossos desejos. É preciso que você morra por Isso. Não podem estar presentes um “você” e a Verdade.

Despertar não é uma cura mágica, gente. É isso que estamos dizendo aqui para vocês. Isso aqui não é uma cura mágica para tudo aquilo que aflige você; não é a fuga de suas dificuldades da vida. Vocês vão encontrar muitos círculos, muitos grupos, muitos movimentos, lhes oferecendo alguma coisa desse tipo, algo mágico, contra o desdobramento dessa realidade chamada vida. Eu quero que você entenda que isso requer mais que o entendimento intelectual. Em Satsang, você abraça em seu coração esse “não ensinamento”como se fosse uma fórmula mágica, mas é algo que se propõe a despertar você para essa realidade, a realidade de sua Natureza Verdadeira. Isso não significa uma fuga ao movimento imprevisível, ao movimento incerto que é a vida.

A realidade põe fim ao sofrimento, exatamente porque põe fim a todas as ilusões. Mas o fim das ilusões só é possível quando não há mais nenhuma fuga, quando não há mais qualquer sobreposição a essa realidade, que é a vida como ela se apresenta, como ela se mostra. Onde temos o bem e o mal, a saúde e a doença. Onde temos o nascer e o morrer. Onde temos a escassez e a fartura. Onde temos todos os contrastes. Onde encontramos essa expressão de dualidade.

O despertar não lhe coloca num mundo sem problemas. O despertar é apenas o fim desse sentido de alguém nesse mundo com problemas. Tudo continua da mesma forma, mas não tem mais alguém aí. Não tem mais alguém aí para julgar, para avaliar, para quantificar, para escolher, para interpretar, para sobrepor a essa realidade, que é a vida como ela é, uma opinião, uma crença, uma ideia. Faz algum sentido ouvir isso? Ou não faz sentido?

PARTICIPANTE: O despertar faz perceber os problemas. O despertar torna sensível ao exterior, então, os problemas aumentam.

MARCOS GUALBERTO.: Para quem os problemas aumentam? Para quem são os problemas? A questão é que, sem esse sentido de alguém experimentando isso, não está mais presente. Estamos diante da vida como ela se mostra. Podemos dar qualquer palavra para esse desafio, que é esse mover, que é esse movimento da vida. Podemos chamar isso de problema ou solução, mas não faz mais a mínima diferença, uma vez que não há mais o sentido de separação. Não há um “eu” e um “mundo”. Não há alguém experimentando, há só o experimentar. Se há somente o experimentar, ficamos com o que é.

Para esse sentido de separação, que é esse sentido do ego, haverá sempre insatisfação, haverá sempre inadequação, haverá sempre insuficiência, haverá sempre conflito, haverá sempre problemas. A vida, como se mostra nesse espaço ilimitado de pura presença, que é Consciência, que é você em seu Estado Natural, é pura celebração. Esse jogo de contrastes, onde os aparentes problemas aparecem, são apenas, para esse sentido do eu, interpretações, rotulações.
 
Vamos ficar por aqui, valeu pelo encontro. Namastê.


Fala transcrita, revisada e corrigida a partir de um encontro via Paltalk Senses no dia 20 de Agosto de 2014.
Encontros todas as segundas, quartas e sextas às 22h. Baixem o programa que é gratuito e participem!

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Paltalk Satsang: Sinceridade, uma atitude fundamental





Que bom estarmos juntos. Vocês sabem que essas falas em Satsang são sempre falas onde procuramos colocar tudo aquilo que achamos essencial nesse trabalho. Todos nós estamos trabalhando essa coisa aqui. Vocês estão dentro desse encontro para descobrir o que significa sair desse sonho, esse sonho chamado separatividade, esse sonho da separação. Esse é o trabalho de cada um de vocês presentes nesses encontros. Aqueles que realizaram isso, hoje estão vivendo essa verdade de sua Natureza Essencial, de sua Natureza Real.

Temos falado algumas vezes com vocês. Vamos ver se nesse encontro, nesse Satsang,  conseguimos explorar um pouquinho mais isso, como isso é possível. É algo que considero absolutamente necessário para cada um de vocês presentes, para aqueles que se aproximam desses encontros, em Satsang. É o que eu considero muito necessário, absolutamente necessário, para que esse sonho de separação termine, e esse viver a verdade de forma genuína acontecer, aquilo que nós poderíamos chamar de "vida não dividida". O que consideramos absolutamente necessário, é essa qualidade rara chamada sinceridade. É uma das coisas que tenho percebido que é muito raro naqueles que se aproximam, essa sinceridade, essa genuína e honesta sinceridade.

Sinceridade não significa a tentativa de ser perfeito. De fato, toda tentativa de ser perfeito, de agir com perfeição, é algo de bastante insinceridade. A verdade é exatamente o oposto disso. Nessa insinceridade, naqueles que se aproximam estão procurando serem perfeitos, procurando apresentar, demonstrar, uma perfeição que de fato não está ali. Então, há esse esforço, um esforço inútil, na verdade, um esforço de profunda falta de sinceridade. E eu tenho muito claro isso, e quero tornar isso claro dentro dessa fala, desse encontro.

Não podemos evitar não olhar para nós mesmos; é isso que acontece quando há essa insinceridade. É preciso essa honesta, genuína e absoluta sinceridade para que você possa olhar para si mesmo e, nesse instante, ser capaz disso, estar disposto a olhar para isso que se apresenta.  É preciso olhar para quem de fato você é, nesse instante, com toda a sua imperfeição, com todos os seus padrões, com todas as ilusões. Isso naturalmente requer essa sinceridade genuína, essa coragem de olhar para isso.

Eu tenho percebido isso, dia após dia, em Satsang: essa constante tentativa de ocultar de si mesmo seus próprios padrões, suas próprias ilusões, suas próprias imperfeições. E eu quero dizer isso para você aqui, de uma forma bem clara: você nunca será capaz de despertar, de ir além dessas ilusões, desses padrões, dessas assim chamadas imperfeições, enquanto não ficar claro para você que é preciso olhar para isso. E aqui não se trata de passar para o Mestre uma imagem de alguém que não julga a si próprio, uma imagem de alguém que não se compara, uma imagem de alguém que está vendo inteiramente tudo isso. Trata-se de um trabalho absolutamente seu. Este trabalho é essa disposição de entregar isso. Entregar todas as conclusões, entregar todas as crenças, todas as próprias opiniões sobre si mesmo. Então, você se encontra diante dessa necessária e absoluta sinceridade. Todos acompanham isso?

Reparem o que estamos dizendo para você, reparem o que estamos falando com você nesse encontro: ser sem auto-julgamento, estar em completo acesso a essa verdadeira sinceridade, não mascarar isso. Não mascarar isso como uma suposta honestidade, uma suposta sinceridade, uma suposta espiritualidade, uma suposta perfeição. Nós consideramos isso fundamental. A sinceridade é a única coisa que pode lhe guardar dessa autossugestão, dessa autoilusão, dessa autodecepção. Percebam a importância disso.

A natureza da mente egóica é outra. A natureza da mente egóica é se proteger, se defender; é estar mascarada. É estar usando essa ou aquela medida, para se manter sempre em sua autodefesa. E não há maior desafio para cada um de vocês, não há maior desafio para cada ser humano. Nós chamamos de ser humano, aquele que vive identificado com um padrão de autodefesa, dia após dia... após dia.
Estar sem nenhuma defesa, completamente honesto... honesto para soltar esse sentido de separação e essa ilusão de ser alguém, é quando esse sonho de separatividade pode acabar. Essa é a maravilha de estar em Satsang. Nós estamos sendo colocados diante desse desafio, o maior desafio humano. O desafio de despertar, de sair dessa ilusão, de sair desses padrões, de sair desse sonho. Isso significa despertar, isso significa esse florescimento. Esse florescimento significa não resistir ao que É, não lutar contra o que É; não impor ao que é É suas próprias crenças, suas próprias ideologias, seus próprios conceitos e preconceitos. É estar nessa atenção, percebendo a vida se mostrando,  revelando-se para você.

A primeira coisa que nós temos feito, e isso acontece de uma forma muito rápida, é nos defendermos, é nos protegermos. A questão é: quem está se defendendo? Quem está se protegendo? Fazemos isso nos justificando intelectualmente, fazendo afirmações, fazendo uso de informações, conhecimentos adquiridos. Isso tudo tem que cair, tem que desaparecer. Passamos a maior parte do nosso tempo colocando energia nisso, nessa inconsciente autodefesa, nesses padrões, nos padrões dessa suposta identidade presente, desse eu, desse mim, dessa pessoa. E agora, fazendo uso de toda informação, de todo conhecimento, de toda experiência adquirida. Percebam o perigo disso.[

É bastante curioso como tudo isso acontece. Porque até mesmo essas falas em Satsang, e sobretudo essas, tornaram-se armas poderosos dessa autodefesa egóica, dessa autoproteção. Essa fala para você, nesse encontro, é um alerta.

PARTICIPANTE: (emoticons de tesoura)

MARCOS GUALBERTO: (risos) A tesoura não tem realmente outra utilidade. Não dá para usar uma tesoura no lugar de uma colher ou de um garfo, nem mesmo de uma faca. Ela é especificamente para fazer o seu trabalho, e o seu trabalho é cortar, cortar com precisão. É apenas nessa dimensão de Ser, de pura Consciência, que a Verdade se revela; e não é na dimensão da mente, do conhecimento, da experiência, dessa autodefesa e dessa autoproteção, que é a dimensão de não sinceridade, de desonestidade, que é medo. É preciso reconhecermos a transparência real de tudo isso. É preciso não estarmos capturados. É preciso não estar aprisionado a essa rede de fuga, a essa rede de soluções equivocadas, que é o que a mente sabe fazer muito... muito... muito bem. Vocês tem alguma pergunta sobre isso aí?

PARTICIPANTE: Como enxergar melhor a nossa autodefesa?

MARCOS GUALBERTO: É sobre isso que estamos falando. Essa é toda a dificuldade. A mente não quer ver isso, a mente não está disposta a ver isso. O que a mente sabe fazer bem é se proteger, é se autoiludir. Essa é toda a dificuldade. Nós vamos passar mais 10, 20, 30, 40 anos e se alguns de nós chegar a mais 50, 60, 70 anos, para a mente tudo continuará da mesma forma. Essa é toda a dificuldade. Enxergar só é possível nessa disposição de absoluta entrega, de indiscutível e imprescindível sinceridade. É preciso estar de fato queimando por isso, para valer. É preciso ter a disposição de morrer por isso.

Hoje a Cacau dizia pra mim: “O ego é um osso muito carnudo, muito gostoso, é difícil largar esse osso”. E é difícil exatamente por isso, porque é tudo que a mente conhece, é tudo o que a mente aprecia. Na verdade, ninguém quer morrer (risos), ninguém quer deixar isso, ninguém quer soltar isso.

O despertar é o fim desse sonho de separatividade, que na verdade é um pesadelo. O pesadelo chama-se o sentido de ser, o sentido de ser alguém. Você se depara com Satsang, com uma fala muito direta, com uma oportunidade muito direta de realizar a verdade sobre si mesmo. Você não pode se poupar, você não pode se proteger, você não pode se defender, você não pode tirar conclusões, você não pode fazer uso do conhecimento e da experiência adquirida para tirar qualquer afirmação, para se firmar em qualquer posição. Isso significa soltar, deixar cair tudo.

Quantos apreciam de fato uma fala como essa? Reparem a pergunta. Quantos estão dispostos a ver o que está sendo colocado aqui? A importância disso, o valor disso? Reparem que isso não torna você alguém melhor, isso não lhe dá mais armas para se defender nessa luta chamada vida, a vida como nos conhecemos. Repare que ela não lhe oferece reconhecimento público, prestígio, poder, fama ou qualquer coisa. Na verdade (risos) a sensação que se tem é de que tudo está caindo, tudo está desaparecendo, tudo está indo embora.

PARTICIPANTE: Essa ficha ainda não caiu para mim Mestre.

MARCOS GUALBERTO: Que ficha?

PARTICIPANTE: De que o acordado não é alguém no mundo... Esse ego ainda deseja conquistar isso.

MARCOS GUALBERTO: Mas é assim mesmo. Não existe outra forma inicial de se aproximar desse trabalho.

PARTICIPANTE: Ele (o ego) acha que vai ser melhor com isso.

MARCOS GUALBERTO: É assim mesmo. O que a mente sabe fazer bem é projetar a si mesma. Mais uma vez ela faz isso. Ela olha para isso e coloca dentro da sua lista de ambição. Mas isso cai, isso desaparece.

Esse próprio desejo do despertar, esse próprio desejo da iluminação, ainda é um desejo. Mas eu diria que, se isso é para valer, se você pode queimar por isso, isso ainda é a única coisa. E essa “única coisa” cai também.

PARTICIPANTE: Não tem jeito não. A oportunidade é ficar o mais próximo do fogo.

MARCOS GUALBERTO: É bem isso.

PARTICIPANTE: Não sabemos o que é, mas na sua presença temos uma leve ideia do que é. De qualquer forma, é muito melhor do que viver na mente.

MARCOS GUALBERTO: Alguém tem mais alguma pergunta? ... De qualquer forma, estamos chegando ao final de nosso encontro. Valeu pela presença de todos. Até o próximo encontro. Tchau... tchau, gente. Namastê!

Fala transcrita, revisada e corrigida tendo como origem um encontro online via Paltalk Senses no dia 15 de Agosto de 2014
Encontro online todas as segundas, quartas e sextas, gratuito. Participem!

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Paltalk Satsang: Consciência é a Real Meditação






Bem vindos a mais um Satsang, a mais um momento, a mais um encontro. Esse momento é sempre o momento da Presença; e o momento da Presença é Consciência. Consciência é a real meditação. Nós temos sempre falado com vocês sobre a importância da real meditação; é importante compreendermos o que é meditação. Na realidade, a compreensão do que é meditação significa a compreensão do que a meditação não é. Meditação não é algo restrito ao tempo, assim como essa formal meditação que conhecemos: essa coisa de estar sentado, respirando de uma certa forma, tendo uma atitude mental ou buscando uma atitude mental e especial. Em Satsang nós falamos a respeito da real meditação, que é Consciência, que é Presença. Assim, nesses encontros, nós trabalhamos isso. É preciso que isso fique muito claro para cada um de vocês.

A primeira coisa aqui é que: não há direção, não há nenhum objetivo, não há qualquer resultado a ser alcançado fora deste instante, que é Consciência, que é Presença. Assim, a meditação real é a Consciência deste instante, a clareza deste instante, essa pura rendição a esse momento, porque é nele que este Estado Natural se mostra, se apresenta, se revela. Esta rendição não carrega um significado, é o puro silêncio. Assim, não se encontra qualquer resultado, não há qualquer resultado, não há qualquer significado.

Todos estes métodos para se realizar um significado, para se dar um significado à vida, são o que se procura, quando se buscam estados internos, realização de estados internos. Na verdade, todos esses estados são puramente mentais e podemos chamá-los de estados espirituais ou estados de consciência. Podemos chamar, ainda, de estados elevados de consciência, mas, na verdade, todos são limitados, porque na mente estão condicionados. Nós vivemos estes estados, fascinados por estes estados, à procura destes estados. Isso, na verdade, é sempre dependência, é sempre uma prisão; a mente em sua prisão. Na mente, nós não somos capazes de saber o que isso significa, podemos encontrar estados maravilhosos, estados de quietude, de paz, de silêncio, de alegria, mas ainda são estados limitados, impermanentes e mutáveis. Ainda são estados condicionados, ainda são estados da mente.

Uma das coisas que considero fundamental, dentro destes encontros, é limparmos este terreno, tratarmos disso logo no começo. Alguns, até mesmo, não continuam conosco, porque estão em busca de algum estado. E aqui, para nós, todos os estados são egóicos, apenas estados da mente. Isso não põe fim ao sentido do ego, ao sentido do mim, do eu, ao sentido de separatividade.

A real meditação é o estado de Pura Consciência; é algo espontâneo que aparece, naturalmente, quando esta Consciência, esta Presença, este estado natural, que é meditação, não está carregado desse sentido de controle, de manipulação. O que a mente faz é buscar o controle, é controlar, é dar um significado em direção a essa ideia, a essa projeção, a esse conceito, o conceito que ela faz sobre isso. Isso não traz real libertação, isso não traz real liberação, isso não traz o fim da ilusão, porque, quando você medita, ali está você. Sua atenção é capturada por esse próprio sentido de "alguém" presente. Esta presença, esta consciência, fica aprisionada a esse sentido de "alguém" que vive presente na prática; alguém em paz, em silêncio, experimentando um certo estado de quietude, de alegria interior. Tudo isso ainda é mental, não há qualquer realidade nisso, qualquer verdade nisso, a não ser essa “verdade”, a “verdade” da mente. Ou seja, a verdade de um estado induzido pela mente.

Não sei se minha fala hoje soa claro para vocês. Geralmente não. Estas falas são muito estranhas, não estão dizendo nada.

E assim, quando somos capturados por esse sentido de ser alguém, ficamos presos dentro dessa própria sensação, desse estado que a mente produz. Além disso, a mente, compulsivamente, interpreta, naturalmente controlando tudo isso, como algo puramente mecânico. É uma forma distorcida, é só mais uma experiência da própria mente, essa assim chamada meditação, que é só uma distorção. Na verdade, a real meditação é aquela onde tudo, absolutamente tudo, todos os objetos (e aqui objetos são sentimentos, pensamentos, sensações, emoções, memórias), toda e qualquer experiência é deixada em sua função normal, em seu funcionamento natural. Isso significa que não há qualquer esforço, pois a mente não está em seu foco, manipulando, controlando, desejando, procurando um estado especial. Quando isso está presente, podemos nos deparar com Aquilo que É: Graça, a beleza, a verdade do que É. Essa é a real meditação.

Nessa real meditação, a ênfase é puro Ser. É esse puro e ilimitado espaço, onde todas essas aparições (e aqui são esses objetos, pensamentos, sensações, emoções, etc), aparecem e depois vão embora. E aí continua você, você em seu Estado Natural, livre do sentido de alguém. Comendo, falando, trabalhando, caminhando, dirigindo seu carro, lidando com negócios, comprando, vendendo. Na meditação, você não tenta mudar sua experiência. Na meditação real, a experiência está acontecendo sem esse "sentido de você" que você acredita ser. É só a liberdade, a fluidez, a graça da experiência sem o experimentador.

Como soa isso pra você? Confuso, claro, estranho, maluco? Estamos dizendo que você não está em busca de mudar a experiência, que não tem "você". Não importa se a experiência de viver a vida se mostre agradável ou desagradável, aí está você acolhendo, abraçando, esse ilimitado espaço que é Presença, que é Consciência, que é você em seu Estado Natural, que é meditação. Estamos diante dessa real meditação. Então, essa mente separada, essa mente com o sentido de separação, essa mente dual, essa mente em sua crença de ser alguém, desaparece. Você está suavemente, gentilmente, sem qualquer esforço, relaxado nessa consciência. Você é Ela. Ela é você, sem esse “você”, sem esse “mim”, sem esse sentido de alguém, alguém espiritual, alguém que experimenta estados místicos, alguém que sente certas energias, certas vibrações. Não tem alguém nisso. Em Deus não tem alguém. Deus não é alguém. Você não é alguém, você é Deus, você não é uma pessoa.

Nessa direta e receptiva atitude, livre de objetivos, propósitos, sonhos, intenções e desejos, somente aqui pode se revelar essa bem-aventurança, essa alegria real, esse amor real, essa paz real, essa liberdade de ser o que você É. Essa Consciência retorna ao seu Estado Natural, à sua condição Natural, condição natural de Ser, com todo o seu imanifesto e manifesto potencial de Graça e Verdade. Isso é realização, isso é o despertar, isso é Consciência de Deus.

Esse silêncio é a única realidade, esse silêncio é esse vazio, este abismo insondável; Felicidade, Bem-aventurança e Amor. Então, nós precisamos reconhecer isso, reconhecer o que somos e esse reconhecimento é o fim de alguém, de alguém experimentando alguma coisa, de alguém sentindo alguma coisa, de alguém fascinado com algum estado especial. Na verdade, todos esses estados especiais que podemos adquirir em qualquer prática, e aqui estamos falando de meditação, são estados de fuga; enquanto eles estão presentes você aparentemente não está, mas, na verdade, lá está você. Nenhum estado que se experimenta pode libertar, liberar essa Consciência, pode dar essa Real Liberação a esse Ser, a essa Presença, a esta Consciência, porque é sempre a mente nisso.

Faz sentido isso ou soa estranho demais? Alguém tem alguma pergunta sobre isso ou você que está nessa sala conosco, em Satsang, já lhe parece algo bem natural?

Tenho outra coisa a lhe dizer a respeito disso. Você não pode realizar esse estado, ele é uma ação da Graça. Somente a Graça pode realizar isso. Realização é uma ação da Graça, uma ação da Presença, é uma ação da Consciência. Essa ação da Presença, da Graça, da Consciência, é algo que acontece muito naturalmente em Satsang. É aqui que entra o Mestre, Presença. O Mestre, a Presença, a Graça, a Consciência é uma só, e é a mesma coisa. Realização é algo concedido pela Graça. Essa Consciência dentro é a Consciência do lado de fora, na figura do Mestre. Compreendam vocês, que ainda não estiveram em Satsang presencial, a importância da Graça, da Graça do Mestre, da Graça que é Consciência, que é Ser. O Mestre nada mais é do que você do lado de fora, apenas uma aparição para os sentidos. Apenas os sentidos físicos dizem que Ele está do lado de fora, mas ele é a mesma Presença, que não está nem dentro e nem fora. Você precisa estar nesse campo de Graça, de Presença, chamado Satsang.

Não se pode obter isso com técnicas, com práticas, com estudos e leituras. Você vai assistir a milhares e milhares de vídeos, de todos os Mestres do passado e do presente... Você vai ler todos os livros que foram escritos sobre os Mestres, ou alguns que foram escritos pelos próprios Mestres, do passado e do presente... Você irá ouvir todas as falas, mas posso garantir que isso não funciona. Garanto com base na minha própria experiência, naquilo que eu poderia chamar de minha experiência. Realização é o despertar da Consciência. Só o despertador pode fazer isso. Só um despertador pode despertar essa Consciência.

A consciência interna e a consciência externa são uma única Consciência. Assim sendo, é só um trabalho, um único trabalho acontecendo nesse mecanismo corpo/mente. E esse é um trabalho da Graça nesse mecanismo; um trabalho do Guru, um trabalho do Mestre. Então, a meditação é possível. Então, o despertar é possível, essa Presença é possível. Então, essa Graça é possível. E agora, não estamos tratando mais de uma teoria, de uma crença, de um conceito. Nós estamos diante daquilo que se mostra.

Esta realidade está no fim do experimentador, no fim de toda e qualquer experiência, no fim de todo e qualquer conhecimento, no fim de todo e qualquer fascinante estado. Na Índia eles chamam de Sat, Chit, e Ananda. Não é um estado, não é um conhecimento, não é uma experiência.

Ok pessoal? Vamos ficar por aqui? Valeu pelo encontro. Namastê...


Transcrição corrigida e revisada a partir de uma fala via Paltalk Senses no dia 13 de Agosto de 2014
Encontros todas as segundas, quartas e sextas-feiras às 22h - Baixem o Paltalk e Participem é Gratuito

Compartilhe com outros corações