terça-feira, 26 de agosto de 2014

Um Real Trabalho de Autorrealização





Um real trabalho de autorrealização só tem início, a partir do momento em que a busca termina. E a busca só pode terminar quando encontramos o nosso Guru.

Se ao encontrar o Guru a sua busca continua, é porque você, de fato, ainda não se permitiu ser encontrado por Ele.

Você apenas esbarrou no Mestre, mas a sua arrogância ainda faz você acreditar que sozinho, a partir desta falsa e ilusória entidade separada que você acredita ser, você possa chegar em algum lugar...

Como pode a Graça trabalhar sobre você, se você se mantém em movimento, se debatendo como um peixe fora d'água? Como poderia um cirurgião lhe retirar um tumor, sem primeiro lhe dar uma anestesia que possa te paralisar, para você ficar imóvel e, para que o corte seja preciso, cirurgico?

Você não pode ir até o Guru, para ter suas crenças confirmadas, para ter reconhecido os seus vãos e inúteis esforços, pois se não fossem inúteis, porque você precisaria ir até o Mestre? 

Você não vai até um Guru, para com sua tagarelice ficar reclamando da vida, dos seus problemas, das suas dificuldades, um Guru não é um terapeuta...

Você não deve ir até um Guru, achando que você alcançará a iluminação, porque isto seria muita pretensão, completa arrogância...

Você vai até o Guru para ficar quieto, para deixar de se debater como um peixe fora d'água. 

Para simplesmente parar. 

Para que a Graça possa trabalhar em você, harmonizar este corpo perturbado que você traz e que está o tempo todo oscilando, e como um cão faminto sempre desesperado por encontrar alguma forma de preenchimento externo, que está desesperado por encontrar migalhas de alegrias, oferecida por relações...

Tudo o que você anda fazendo é o que está lhe perturbando, você já é paz, mas não pode perceber a paz, vivendo como um cão faminto, com este corpo perturbado perambulando e revirando latas de lixo. 

Sim, seu desejo, é de encontrar alguma iguaria, algum divino manjar, dentro de latas de lixo. E por isso você está em busca, em movimento, é para isto que você levanta todos os dias da sua cama, para viver essa vida miserável, onde só dois movimentos são possíveis, dois medíocres movimentos, o de busca de prazer e o de fuga da dor.

Você vai até o Guru, para que a Sua Graça possa destruir toda essa mediocridade. Para que o Guru possa lhe ajudar a lembrar que você não é um mendigo, implorando por atenção e preenchimento, implorando por migalhas de prazeres e alegrias fugazes.

Sim, tudo o que você precisa é deste encontro. 

E a partir deste encontro, abandone toda busca, para de se debater, pare de mendigar, fique aí, na Graça da Presença do Guru. 

Deus não precisa que você faça mais nada, para que Ele possa fazer tudo o que é necessário, porque tudo já foi feito, tudo está em seu lugar. 

Apenas pare. Apenas fique na Graça da Presença Amorosa do Guru.




Jaya Guru Deva meu amado Baghavan Marcos Gualberto.

Tom de Aquino

 



quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Paltalk Satsang: Este é o fim de toda busca por preenchimento


Vamos começar dizendo para vocês algo assim: Este encontro com a Verdade não é um encontro com essa assim conhecida religião, ou sentido de religião, ou o que nós conhecemos como religião, dogmas, rituais, cerimônias, crenças. Não é alguma coisa também como experiências. A Verdade não é algo que pode ser tocada pelo pensamento, não é algo que pode ser encontrada na imaginação. A Verdade é algo que pode Ser, e somente será, encontrada no coração. O coração, para nós aqui, é o cerne de tudo. O cerne de tudo, que nós poderemos chamar de “o portal” e, ao mesmo tempo, aquele que está depois deste “portal”.

A mente facilmente se prende à necessidade de crenças, sutis ou complexas, e  ensinamentos espirituais. Neste reino da mente, tudo o que temos é a imaginação; imaginação como guia para essa realidade. Para a mente, quanto mais complexas são as técnicas, as práticas e as experiências, maior é a sensação de estar indo para algum lugar...  Para algum lugar chamado verdade, realidade.

A mente sempre se oculta atrás da imaginação; imaginação de alguma coisa além daquilo que é comum, daquilo que é rotineiro. Sempre à procura da imaginação de uma experiência extraordinária. Esta experiência, ela pode chamar de despertar espiritual ou iluminação espiritual. E assim ficamos na mente, sempre caminhando em círculos.

Na mente, é indispensável este elemento, o elemento chamado experiência. A mente é um emaranhado de crenças, desejos, ideias de todos os tipos.

Às vezes eu recebo e-mails de alguns que escrevem falando de suas experiências esotéricas, místicas e espirituais, fruto de longo tempo de prática meditativa, desta procura da última realidade, a procura de alguém para encontrar esta última realidade. Há uma ênfase exagerada nessa conhecida meditação, meditação como algo, como objetivo, como intenção, quando que meditação real não é um meio para se chegar a um fim. O propósito real da meditação não é encontrar alguma coisa, não é chegar em algum lugar.  A verdadeira meditação é a pura expressão da realidade, sem a mente, sem imaginação. Não é um fim a ser alcançado. A Verdade não é um fim a ser alcançado através de um meio chamado meditação.

A meditação já é a realidade. A meditação não está separada do viver, do dia-a-dia. Não é um caminho para a liberação, a meditação é a própria liberação. Eu tenho falado muito sobre meditação nesses encontros. Meditação é a arte de abraçar o que vem e o que vai. Permitir que cada coisa seja simplesmente o que ela é, da maneira mais simples e profunda. Significa o viver sem a interpretação, sem o significado que a mente dá, sem a imaginação que a mente tem. É esse silêncio, é essa quietude, é essa ausência de conflito. Não é uma técnica.

A verdadeira meditação é essa rendição ao que é. Não há nenhum objetivo, nenhuma direção. Agora mesmo, enquanto esse ouvir sem resistência, esse ouvir sem qualquer opinião, sem qualquer conclusão, sem qualquer aceitação ou rejeição. Apenas o direto e simples ouvir, sem colocar um significado pessoal, particular, mental. Esse ouvir a vida, dessa mesma forma; esse ver a vida, dessa mesma forma; esse sentir a vida, dessa mesma forma. Sem a presunção da comparação, do julgamento, do saber. Então, você pode se deparar diretamente com o que é, nessa liberdade de ser livre do sentido de separatividade, livre dessa importância que a mente dá a si própria, livre da dualidade. Aqui, estamos falando do seu estado real, do seu estado verdadeiro, do seu estado natural. Isso significa o fim do conflito, o fim do sofrimento, o fim do medo. Esta é a liberdade da realização.

Você está interessado em espiritualidade, em evolução espiritual, em experiências. Você está olhando para mais uma proposta equivocada da mente, para mais uma coisa na qual a mente está também ainda interessada. A Verdade é algo presente e isso é meditação.

Quando a mente, com suas intenções, desejos, razões, crenças, todos esses tipos de coisas, não está mais presente, só, então, você pode desfrutar de sua natureza verdadeira. Ser aí é estar nesse cerne, nesse coração. É estar nesse portal, atravessando este portal. É estar dentro dessa realidade.

Este lugar é sempre aquilo que nós chamamos de Presença, Consciência, essencial liberdade. Você nasceu para realizar isso, para viver sua Natureza Verdadeira, na desidentificação com o corpo e com a mente. Viver sua Natureza Verdadeira na desidentificação com todas as histórias, do lado de fora do corpo e do lado de dentro do corpo, que a mente constrói e conta observando os acidentes e incidentes externos. Uma fala dessas não preenche nossas expectativas, nossos motivos pessoais, pois elas não aparecem aqui, nestes momentos, como mais uma coisa a nos estimular a alcançar algo, ou que possa nos preencher. Este é o fim da busca de todo preenchimento. Isso significa o fim da ilusão. Estamos juntos?

Nessa fala, estamos apontando para isso, mais uma vez. Vez após vez, após vez, apontamos sempre para o mesmo. Para o mesmo espaço, para o mesmo lugar, para este cerne.

Alguma pergunta?

PARTICIPANTE: Esta é uma sala budista?

M.G.: Não! É apenas uma sala. Onde ouvimos algumas coisas bobas, mas seja bem-vindo!
Aqui não temos ensinos. Aqui, apenas dizemos algumas coisas. Você pode entrar no blog e ver do que tratamos aqui.

PARTICIPANTE: É uma sala de doidos?

M.G.: Isso mesmo! É mais uma sala de doidos (risos).

PARTICIPANTE: Vocês são maconheiros?

M.G.: (risos) É... alguém na sala pode gostar de maconha, outros de cachaça... mas, no geral, acho que nem todos (risos).

Mas, de qualquer forma, pessoal, valeu pelo encontro (risos)

Até o próximo encontro, boa noite... Namastê!


Fala transcrita, revisada e corrigida a partir de um encontro online via Paltalk Senses no dia 11 de Agosto de 2014,
Encontros todas as segundas, quartas e sextas-feiras às 22h - Participem!

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Paltalk Satsang: Permaneça neste não-saber





Muito bom estarmos juntos em mais um encontro. Vocês sabem que essas perguntas, de certa forma, são importantes, porque é uma oportunidade de vocês se desvencilharem de crenças. Então, quando você faz essas perguntas, tem a oportunidade de investigar suas crenças; nós temos muitas crenças. Quando eu digo para você em Satsang, quando eu digo para você nesses encontros que aquilo que você É, não carrega crenças, isso soa muito estranho a princípio, porque toda imagem que temos de nós mesmos está baseada nessas crenças. Você só acredita em si mesmo, porque tem muitas crenças, e esse "si mesmo" é um conjunto de crenças. Este "você" nada mais é que um conjunto de ideias, conclusões e opiniões sobre si próprio.

É muito estranho ouvir isso, mas o convite dentro desse espaço chamado Satsang é para que você permaneça nesse não saber. Permaneça sem conclusões, sem opiniões e sem crenças. Sem opiniões, conclusões e crenças, o que sobra?: aquilo que se mostra, aquilo que está aí. "É muito difícil viver assim", diz a mente; para ela isto é muito complicado. A mente diz: como pode alguém viver assim? E mais uma vez ela tem razão. Aliás, a mente sempre tem razão.

Eu tenho dito, nessas falas, que jamais discuta com a mente. Quem discutiria com a mente aí dentro da sua cabeça? Quem venceria a mente, aí dentro da sua cabeça? Quem teria uma razão maior do que a mente? Aí dentro da sua cabeça, quem venceria este jogo? A mente sempre tem razão; a razão da mente é a razão dela para com ela própria. No campo dela, ela é invencível; na verdade, no campo dela, só há ela com ela mesma. Você acredita que está pensando, você acredita que está escolhendo, você acredita que pode entrar num debate com a mente e vencê-la. Tudo o que você quer é se livrar da mente. Mas como pode a mente se livrar da mente? Como pode a mente deixar de ter razão para ela própria?

Soa estranho, uma fala assim, mas é exatamente assim como você se sente: você se sente dois ou mais de dois. É muito fácil observar que é assim que acontece, tanto é assim que você fala com você mesmo, você se flagra falando consigo próprio. Como pode você falar com você próprio, como pode haver dois de você? Você, a mente sem razão, e você, com razão; a mente da qual você não quer se livrar e você se livrando da mente. É nesse estado de dualidade que vivemos.

Enquanto você me escuta, se surgir alguma pergunta você pode colocá-la.

Eu posso, nesses encontros, apenas apontar para este estado de não-mente, mas eu não posso falar do que se trata. Falar da não-mente é fazer uso de conceitos da própria mente, para falar de algo fora dela. A não-mente é um estado livre da mente. É o Estado Natural onde a mente aparece de forma inofensiva, quando, naturalmente, você está livre em seu Ser, não mais se confundindo com a mente. Então, podem aparecer pensamentos, emoções, sensações, sentimentos, tudo aquilo que nós chamamos de mente, mas é algo inofensivo. Não está mais presente o sentido de dualidade, não há mais o diálogo interno.

Na não-mente não há mais o diálogo interno; não há nem o monólogo, nem o diálogo. Na mente, nós temos presentes o monólogo e o diálogo. Isto é algo tão automático e inconsciente, que, a princípio, quando falamos disso, ou de algo para alguém, ele é capaz de jurar que não tem esse diálogo interno; ele é capaz de jurar que não existe nenhuma tagarelice dentro da sua cabeça; ele é capaz de jurar que não quer se livrar nunca da mente. Isso não é verdade, pois, quando ele se encontra preocupado, a mente se separa dela própria e tenta controlar esse movimento de pensamentos; então, tudo o que aquele que se sente preocupado mais quer fazer é livrar- se dos pensamentos de preocupação.

Vamos ficar por aqui. Namastê!


Falta transcrita, revisada e corrigida a partir de uma fala via Paltalk Senses no dia 08 de Agosto de 2014
Encontros todas as segundas, quartas e sextas-feiras às 22h Baixe o Paltalk gratuitamente e Participem!

sábado, 16 de agosto de 2014

Paltalk Satsang: O ego precisa se manter em conflito





Sejam bem-vindos a mais esse encontro aqui pelo Paltalk. Bom estarmos juntos olhando para isso, para a mesma direção, para este lugar.

Estamos falando para você sempre sobre esta identificação particular: um nome, com um corpo específico e uma mente especifica. Aqui começa a criação dessa pessoa e é assim que se desenvolve esse sentido ilusório de ser alguém. O ego é uma ficção, é uma imaginação, mas uma ficção e uma imaginação bastante reais, em seus termos. Aquilo que acontece na mente, para a mente é muito verdadeiro. Então, este nome particular, este corpo particular, esta mente particular, cria este processo de uma suposta entidade separada, decidindo, escolhendo, agindo, falando, pensando, decidindo, enfim...

E aqui estamos diante de uma barreira. Toda barreira, nesse sentido, é imaginária, mas mesmo assim ainda é uma barreira. Essa barreira imaginária está impedindo a realização de nossa verdadeira identidade. Então, este falso centro, este falso ser, esta falsa entidade, assume o lugar daquilo que você verdadeiramente é. Aí falsifica tudo; falsifica a liberdade, a paz, o amor, a felicidade. Isso é essencialmente um psicológico processo ocorrendo na mente. Este processo está sempre organizando, traduzindo, sempre dando significado a tudo. Este sentido ilusório de ser toma por completo este mecanismo, este corpo/mente, e aí está você alienado de sua Natureza Divina, identificado com uma imaginação. O ego, o "sentido do eu”, é basicamente isso.

O problema é que este "sentido do eu” é muito convincente, é um fantasma que assombra muito, e vive sendo constantemente realimentado por conflitos. O conflito é, basicamente, a energia que mantém o sentido de separação. Escutem com calma isso, olhem e vocês vão ver o quanto isso é assim.

A mente se alimenta de conflito, o ego se alimenta de conflito. Se tem algo indigesto para a mente, que ela não consegue digerir bem, é o silêncio, é a paz; ela precisa da guerra. O ego precisa se manter em conflito, este é o alimento dele. A energia do conflito mantém o sentido de separação e nós estamos viciados nisso. Sem o conflito e sem o sentido de separação: sem ego! Você agora tem que desaprender isso. Você tem passado a vida inteira identificado com essa ideia de ser alguém, em guerra é claro, sempre se defendendo e atacando.

A resistência é a base do ego. Por isso que este convite, que você tem em Satsang, a grande maioria não aprecia, pois precisa continuar no seu caminho, no caminho de ser alguém, no caminho da guerra. Eu quero lhe convidar a soltar este sonho, eu lhe convido a essa felicidade suprema, que é a realização da Verdade em você mesmo, que é a realização de Deus. Eu convido você a sair dessa noite, a abandonar essa noite, a acordar deste sonho, a sair deste sonho, a deixar este pesadelo, o pesadelo de ser alguém que está sempre buscando alguma coisa. Nesta busca, você está sempre sentindo-se um guerreiro, um combatente, na procura de uma felicidade imaginária, na procura de uma paz imaginária, sendo uma entidade imaginária. Sendo agressivo, possessivo, ambicioso, lutando por este sonho, que é um pesadelo, um pesadelo de vida de uma suposta pessoa.

A Verdade está além de tudo isso, acontecendo fora desta ilusão, onde a mente não está. Este é o nosso convite pra você, em Satsang: que vá além da mente, além desse sentido de separação, além dessa imaginação de ser alguém, para essa perfeita e indescritível liberdade. Eu chamo isso despertar, realização, o seu Estado Natural.

Você é Deus, mas se esqueceu disso, se esqueceu de sua Real Natureza, se esqueceu de quem, de fato, você É. E aqui estamos nós, olhando para isso juntos.

Alguma pergunta? É só soltar aí... mande aí...

A sala está silenciosa hoje, que legal! Todo mundo quieto, que bom. Todo mundo em silêncio... É... a mente de vocês está silenciando.

PARTICIPANTE: É porque não existe ninguém aqui.

MARCOS GUALBERTO.: É verdade, mas vocês se esquecem disso o tempo todo, de que não tem ninguém aí.

PARTICIPANTE: Poderia falar sobre o que é esse sentido de separação?

MARCOS GUALBERTO.: Sim, vamos lá... O sentido de separação é algo muito simples. Quem está pensando aí agora? Quem está fazendo esta pergunta? Quem quer saber alguma coisa sobre isso? Este é o sentido de separação. Alguém dentro do corpo e um mundo fora do corpo. Alguém pensando determinado pensamento, formulando determinada pergunta, porque quer saber alguma coisa; aí está o sentido de separação - isso é uma ilusão. Não tem ninguém pensando, não tem ninguém querendo saber nada, não tem alguém dentro do corpo, não tem o corpo, não tem o mundo. Este é o sentido de separação, a ilusão de estar vivo, de estar vivendo, de ser alguém.

Alguém vivo, vivendo, é sempre medo, medo de deixar de ser. Em sono profundo, não há este sentido de separação. Todos nós dormimos profundamente à noite e não tem qualquer sentido de separação; não há nenhuma ideia de que você está vivo, de que está morto, de que pode morrer ou que quer saber alguma coisa... Não há qualquer sentido de separação aqui, porque o sentido de "ser alguém" desaparece em sono profundo. O Seu Estado Natural é o estado de plena Consciência, sem o sentido de separação, exatamente como acontece em sono profundo, só que agora em estado de vigília. Não há como imaginar isso, mas é possível viver isso.

“Eu” aqui e o “mundo” lá fora, eu experimentando essa experiência, seja a experiência de falar, de pensar, de viver, tudo isso é uma ilusão. Só existe a Consciência não-separada e ela é essa experiência, sem qualquer ideia sobre isso, sem qualquer alguém nisso. Deu para pegar isso?

PARTICIPANTE: Somos todos um só então?

MARCOS GUALBERTO: Não! Não somos todos um só. Não tem todos. Todos é uma ideia, é só um pensamento. É esse sentido de uma identidade presente traduzindo, interpretando a experiência de muitos, muitos presentes. Só há esta Consciência, ou aquilo que presencia toda aparição, mas não está separado disso como uma testemunha observando algo fora de si mesmo. A dificuldade que nós temos aqui é de que onde a mente entra, ela entra separando, dividindo, testemunhando, e isso é real só para ela, não é a realidade de sua Natureza Real. Você em sua Natureza Real é esta Consciência, onde nada está separado Dela.

Por exemplo: você não está me ouvindo, você não está me vendo. Este ouvir e ver é só uma ideia de algo que parece estar acontecendo. Só há uma única Consciência, nesse movimento chamado vir e ir, e Ela não está separada desse movimento. Esta separação é meramente mental, intelectual, apenas uma crença. Vocês aqui da sala ouviram isso? ... (risos)

PARTICIPANTE: Existe um eu, além do nosso ilusório?

MARCOS GUALBERTO: Vocês estavam tão quietinhos, agora ficaram entusiasmados... Acabei de dar esta resposta, não foi? Não precisa voltar para ela...

PARTICIPANTE: Existe uma constatação de acordado em sono profundo?

MARCOS GUALBERTO: Eita! Este viajou mesmo. Deixe pra lá... Esqueça isso menino, você já está com sono. Vão dar 23 horas, já... Vamos ver a outra pergunta, ver se faz mais sentido (risos).

PARTICIPANTE: Mestre, os objetos inanimados, há consciência neles, ou sobre eles, fora desse sentido de um “Eu” presente?

MARCOS GUALBERTO: Que salada! Deixe-me ler de novo... Olha só: quem é que está vendo estes objetos fora? Acabei de colocar isso. Já acabei de responder a mesma coisa... Não existem objetos fora, não existe nada fora. A ideia de que há algo fora é esse sentido de separatividade que cria, isso é pura imaginação. O ego, esse sentido de um “eu”, é essa imaginação de que ele está aqui e coisas estão lá; não tem ninguém aí, não tem nenhum “eu” aí.

PARTICIPANTE: A falsa noção de que o céu, as estrelas, seja o que for, estão separados de você.

MARCOS GUALBERTO: É isso mesmo, mas tem que deixar a teoria sobre isso, tem que ver assim mesmo. É só ver assim, pronto! Está resolvido...

Vocês são tão lindinhos...

Recomendo a todos virem ao Satsang presencial, pois isto aqui é só um momento.

Ok, pessoal, vamos ficar por aqui? Acho que está todo mundo com sono, já. (risos)

Tchau, tchau. Namastê!


Fala transcrita, revisada e corrigida de um encontro via Paltalk Senses do dia 06 de Agosto de 2014
Encontros todas as segundas, quarta e sextas-feiras às 22h. Baixem o programa gratuito e Participem!

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Paltalk Satsang: Um Falso Centro com Muitas Faces


Nós estamos lidando com a vida, esse movimento da vida, a partir do fragmento, a partir de um centro falso. Este falso centro é aquele que cresce nos dando esse ilusório sentido de ser, um falso centro com muitas faces. Este falso centro é uma imaginária fundação. Sobre essa fundação está aquilo que nós chamamos de nossa vida, o que significa a vida a partir do fragmento, a vida sendo colocada dentro de ajustamentos imaginários, e é curioso... Eu falava agora aqui, com o Roberto, como é engraçado tudo isso; como é engraçado o ponto de vista a partir dessa fundação imaginária, este fundamento imaginário deste falso centro, dessa inconsciência que a mente nos diz, o tempo todo, que está plenamente consciente. Este falso centro é toda a barreira, toda a dificuldade que nós temos.

Esta barreira é o impedimento para a nossa real realização, que é a realização de nossa verdadeira identidade, a Presença desta Consciência real, que não está limitada a nenhum formato do pensamento, a nenhum formato de conclusões e de ideias. Nós vivemos dentro desse movimento inconsciente que é a mente, essa mente egóica, este falso centro, o sentido ilusório de ser, esta fundação imaginária sobre a qual se assentam todas as nossas experiências dessa suposta identidade. Isto é muito curioso, bastante engraçado (risos), porque não há realidade nisso; é a vida centrada, contraída, num movimento completamente estranho, fora da realidade, fora do que É. Isso explica toda a frustração existencial no mundo, todo o sofrimento no mundo, toda incerteza, toda insegurança, todo medo, toda infelicidade, toda incompletude.

Quando nós nos identificamos com um nome particular, com um conjunto de opiniões e de crenças, quando nós nos confundimos com um posicionamento de julgamento e de avaliação, isso é só inconsciência da mente; o movimento desse falso centro, daquilo que se passa por você, como se fosse você. Isso é profunda insatisfação, isso é conflito, isso é medo.

É interessante, porque todo desenvolvimento humano precisa passar por esse processo, essa expressão ilusória, este falso centro, que é uma barreira para a manifestação daquilo que é você, em sua Real Natureza, e, ao mesmo tempo, um portal. Você precisa passar por esse portal. De um lado do portal você é uma flor que não floresceu, do outro lado é a mesma flor já florescida. Então, aquilo que é o maior obstáculo é, também, um portal para o reconhecimento da sua realidade, daquilo que você de fato É: sua Verdade Divina.

Eu sei que é bem estranha essa coisa. O problema é que nós estamos fundamentando a nossa existência nessa inconsciência, nossa vida está baseada nisso; nós estamos convencidos desse “real eu”, que, na verdade, é só um fantasma, uma abstração. Esse “você”, que você conhece, experimenta e vivencia, é só uma abstração mental, um fantasma, uma ilusão. Esse “eu” vive animado por emoções e pensamentos conflituosos. O conflito só é possível no sentido de separação, no sentido do “eu” experimentando o mundo, o “eu”, dentro, experimentando o “mundo” do lado de fora; esta suposta identidade presente se relacionando com coisas, pessoas, lugares e situações que estão no lado de fora. A vida é uma coisa única, não essa vida centrada nesta suposta entidade. Centrado nessa suposta entidade está esse conflito dual de separação, de separatividade, que é inconsciência, que é medo, que é sofrimento.

Nós temos que atravessar este portal. Estamos do lado de cá, presos a essa identificação, dentro dessa estrutura ilusória, presos a um fundamento ilusório, a uma fundação ilusória, sob a qual há um edifício ilusório. Temos que atravessar este portal.

Quando isso acontece, não há mais o sentido de separação; aí fica claro que era só um fantasma, um falso centro, que essa “pessoa” era só uma suposta pessoa. Você escuta isso e soa estranho, sobretudo para aqueles que estão pela primeira vez nessa sala. Estamos apontando para algo inteiramente novo, algo fora desses limites, algo além dessa limitação conhecida, que a maioria de nós vive. Estamos apontando para o Estado Natural, livre de conflitos, porque você fica apenas com o que é, com aquilo que se apresenta, sem nenhuma ideia, sem nenhuma crença, sem nenhuma opinião e conclusão, sem nenhuma imaginação, sem nenhuma ideologia; a vida como se mostra, sem qualquer sentido de uma identidade presente nessa experiência. Essa identidade presente, em uma dada experiência, é sempre o sentido de separação, é sempre este falso centro, este falso eu, este falso ser, este mim, esta ilusão. Estão ouvindo isto?

Sua Natureza Verdadeira, sua natureza real, é silencio; sua natureza real é paz. Em sua natureza real não há conflito, porque não há esse sentido de separação; não há alguém experimentando, não há alguém pensando, não há alguém sentindo, não há alguém vivendo. Só há o pensar, o sentir, o experimentar e o viver. Não tem alguém nisso.

Nós trabalhamos isso, juntos, em Satsang, o final desse “você” que você acredita ser, enquanto ainda houver esse sentido do “você” se movendo em alguma direção. Estamos dizendo que a paz está presente quando todo o movimento termina; a liberdade está presente quando todo o movimento termina; a verdade está presente quando todo o movimento termina; o amor está presente quando todo o movimento termina, quando não há mais esse movimento de buscar, de correr de um lado para o outro, de escolher, de esperar, de aguardar. Isto requer esta disposição de entrega à verdade, isto requer não mais fugir de si mesmo, isto requer não mais se identificar com a ilusão da mente.

Alguns chamam isso despertar, iluminação, realização, eu sempre chamo isso de O Estado Natural, aquilo que é você quando este sentido de “você” já não está mais presente. Este é o seu real “encontro” com você mesmo, é a sua realização e Deus, é a sua “união” com Deus. Na realidade não há dois, só há Um sendo constatado. Este Um sendo constatado, além do portal, é a realização da paz que ultrapassa toda a compreensão humana. A Bíblia fala algo assim, todas as escrituras religiosas falam deste estado natural, quando não há mais sofrimento.

Não há mais sofrimento, porque não há mais medo; não há mais medo, porque não há mais o sentido de separação. Como pode haver medo, sem o sentido de separação? Como você pode temer algo, se não há “você” e esse “algo”? Se todo o sentido de separação caiu e não está mais presente?

Você é puro amor, pura verdade, pura liberdade, pura Graça, pura sabedoria, pura paz. Estamos falando de uma paz e de um amor, de Graça, de uma sabedoria que não é aquela que pode ser explicada, ensinada, aprendida. É o florescer dessa realidade que somos neste instante, neste presente momento, a Consciência de Deus. Essa Consciência que é a não-conceitual consciência, essa Consciência que é a não-imaginada consciência, a não-teórica consciência, a não-espiritual consciência, a não-filosófica consciência. Estamos falando da Consciência não-conceitual, daquela na qual tudo está acontecendo e desaparecendo, sem nenhuma separação. Você é isso, você já é o que precisa ser; você já é aquilo que a mente, de forma equivocada, pelos caminhos dela, da maneira dela, no formato dela, está procurando do lado de fora. Estamos juntos?

Eu chamo essa Consciência de “aquilo que É o que É”. Isso significa o fim de toda busca, de toda procura, de todo este movimento para o lado de fora. Tudo o que você procura, sem saber o que é, assim encontra dentro de você: no silêncio, na quietude, no amor, na paz, na verdade, na sabedoria de sua real natureza. Alguma pergunta? (risos) Alguém tem alguma pergunta ai? Se é que depois de uma fala dessas fica alguma pergunta... (risos)

PARTICIPANTES: Sem perguntas

MARCOS GUALBERTO: Legal, ok! Crianças, legal! Mais uma vez juntos. Vamos ficar por aqui. Até o próximo encontro. Namastê! Boa noite a todos.


Fala Transcrita - Corrigida e Revisada - de uma fala via Paltalk no dia 04 de Agosto de 2014
Encontros todas as segundas, quartas e sextas às 22h

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Decharacterizing the sense of authorship



You know that these speeches in Satsang, have a unique proposal, that  is what we could call, now, in this instant, decharacterization.  Decharacterization of something, that we consider so basic to be experienced. This happens in this decharacterization of the authorship sense. 

We have a strong sense of being the author, that we are in the control. We spend a lifetime without questioning it.  All kinds of speech we hear, the books we read, the conversations we had,  there  are  many ways  to happen, socially speaking,  trying to convince us, day after day. This happens  in the  books, in the dialogues , in the contacts and such things,  that we are lords, responsible for our actions, naturally for our future, guilty for our past, if it was not good or if it is not being generous to us now, in this instant. The common speech is, build, accomplish, do, go there and conquer, you are someone, you can. There are numerous speeches, phrases, all kind of placements  that we have like this. So many placements we hear of this type, evolve, grow, spiritualize yourself, perform your virtues, reach your virtues, ultimately, there are a lot of talks in this direction. 

But, actually what do we have? We have now a characterization that must be seen, it is mischaracterized in a statement about what we are, in a direct investigation. Satsang is this proposal, of this self inquiry, of this state of meditation, that is your natural state and of a Real Surrender to this Presence, to what  in fact we are. What we have to ask ourselves is:  "if we are living or if life is happening." The idea is that we are living and we do not have the slightest notion that life is just happening. 

When you stop and say, "I'm living ', what do you mean by that when you say ,” I'm living?” What do you call, what do you denominate, what do you mean by this, "I`m" living? For example, the body is breathing, but this, is this something that you're doing? The body is breathing, are you doing it? You have just  had lunch, is the digestion happening or not? Or is that you who is doing it ? When you lie down to sleep, is the sleepiness that catches you or is that you who falls asleep? When people say, I fell asleep, what do we mean by, "I fell asleep"? Is that you who grabbed the sleepiness? In the morning, when you find yourself already woken up,  out of sleep, was it you who came out from sleep or is the sleep over? 

Get it? Where are you on it? Where are you in the breath? Are you responsible for the breathing? Are you? By  the digestion? Falling asleep? Exiting sleepness?  When you move your arm like this, are you responsible for that? Is that enough just a decision? Just an idea to determine  this  event?  Is it like that? Help me! I just have the idea, I'll get up and walk? Is that how it works? Just that? Does an idea make it happen? Oh, of course not!

You are healthy, is this your decision? Yes or no? No! You forgot the key, there in your work and came home without the key, is that true? Was that you who forgot the key? Did you take that decision? Do you decide? What do you decide? Where are you? I'm wondering where are you in the simple actions, day by day, it is not in the special tasks, I mean in the simple actions. Do you notice  that we are not even in the simple actions? How does someone says: I  realized, I won? A guy won a  fortune, became a millionaire, is this true? Can you decide to become a millionaire? And what about this decision that is only a wish, necessarily is fulfilled, Is this because was there  a decision? Can´t we realize that there are many factors involved, for a simple action to happen? This simple action, such as raising the arm, moving the arm or standing, walking, or any other. In this  simple action, there is so much involved in it, how can you locate an element called "I" in it? 

There's no "I"! Get it? What is the next thought that you will have? You can determine this? Or also the thought just happens,? Isn´t it? So, where are you? Where are you in the decision? Is a decision yours? Or is that a thought that comes, lodges, and knocks, knocks, knocks, knocks, keeps knocking . See what we mean? 

When you have this clear, this mischaracterization, this thing that was put there as an idea, because it is only an idea, the idea of being the author, to be in control of doing the things. When there is such mischaracterization, when there is the  end of this idea, so realize how simple it is, as someone said here, now the morning, even  intellectually we can notice this. Can´t we? Even to realize intellectually that you do not exist? Your body is there breathing, the heart is beating, the digestion happening, the desire to go to the bathroom, assimilation, expression, the sleep, everything, everything, and you are not present. 

This  bothers us at first, because it takes from us this responsibility, but  exactly this is the thing, to be without liability, realizing that you do not exist! It is very stupid to get bored with it because it is liberating, it takes a huge burden from  you. Isn´t it true? Isn´t it so? That´s it! Now that´s it! Now you have a  heart to look at life without the idea of someone making it happen. It's when you stop saying "my life",it  is when you stop blaming others for their lives, because everything happens simply because it happens. And there is only one author, the only one who is held responsible and it is not you. So, it takes away from  you a huge weight. 

Ramana said; you enter in the train, and forgetting that it is the train that carries you and your luggage, you stay with it on the shoulders. Take your luggage away and put it in the trunk, and remember:  it is the train that takes you, takes you and your luggage. It's when you have this opportunity to rest, to look at life happening, it is when you have the opportunity to celebrate the life, to have only gratitude, bowing in front of the existence. 

This does not require you to be humble, it requires you to recognize that the Truth is simple. And this recognition in itself is an action of this same Divine Presence. So you start to work it in yourself  to let  in the right hands the right job. You're a dentist, the other is a mechanical. The mechanical surrenders to the dentist for the dentist to take care of his teeth. You're a dentist who surrenders to the mechanic, or deliver your car to him, for him to take care of your car, you are in the right hands. Because  if one tries to do the other's work, as it is impossible to happen,  you can not get anything right. So are we in this idea  of carrying the  life, you can not carry life, because if you carry the life, what are you doing? Who is doing what? Where are you in this? What is its the result? 

An identification with a story. A history with  the sense of someone. We're stuck to this characterization, that is just a characterization. It is the idea of a character, and that's how they call the characters were characterized, they are just characters, they have clothes, a style, an action model, of actions of a character, and this is not real, it is not real, this is the model of action, that I call my life. 


Now look at this so called my life, life is still going on, but the idea of my life, inside the life, is the idea of separation, is the idea of the control, is the idea of manipulation, is the idea of an author . The result of this is stress, anxiety, guilt, fear, remorse, all these names we have given to these mental states, in this identification with a sense of an author, a lord, a controller and a responsible. Isn´t  it? 

But if you rest as the wises from Zen, they say, in Zen, there, the one who is woken up, says: When you are thirsty, drink water .When you are sleepy, sleep. When you feel cold, take a shelter. When you feel hot, remove the coat. So when you just respect this, in a direct form. When you stay  just with this, life shows itself , in a very generous way, because there is no more sense of separation within life, classifying, naming, separating, splitting, adjusting or trying to adjust something. 

All that can be done is already being done, and all that is going to happen, will happen. There is nothing that an idea that you have there, can do something to change it, nothing. This mechanism, this body that appears in the mirror every morning , that you give a bath, give food, give bed to sleep. This body has a schedule that will obey precisely this schedule. It is something precise, accurate, mischaracterization, clearly being  seen. It puts you completely free of any responsibility of authorship. 

Your only freedom here is the freedom to see that Life is what it is. Do you understand that? What is it to be free from  the sense of me, from the “I” ,from  the person, from the ego, as we want to call it, it is simply to see a fact in front of yourself there, in front of the eyes, you're facing  a fact, of something you cannot deny. Thoughts come and go, the programming of the body is already there, the life is happening, and you simply resting in your heart, in your Real Life. 

In this living is revealed  Peace, Silence, Freedom. You can now, here, facing this, have the same essence of the whole thing. You can even be facing one only Reality, which remains as the foundation of everything, then there is no separation. It is a complete disidentification with the history of the body, with its programming, it is a complete disidentification with any mental history, all of it based on a memory connected to that body. And there, there is the Freedom, and there , there is the Peace, Silence, the Truth, and the Divine Love. 

The Divine Love is the sole author of all. I'm saying that behind every experience, also prior to each experiment, and within each experiment, and when I say, every experience I say all experience, in this  One Truth, all we have is this Divine Loving Presence that does everything. When I use the word loving here, it is clear that here it does not enter the sentimental sense, in the sense of the so-called love that we know, love mixed with satisfaction, pleasure, desires, concepts about  what it is and what it is not , about what is right or wrong. Because the word love or loving, is in a completely new direction, in the sense of that all is this Divine Will, complete, perfect. That is what we can call mischaracterization of illusion, we can call this mischaracterize what really took that character of truth, which is in fact an illusion being shown, being seen and being unmasked. It is basically this. 

You are here today, this afternoon, right now, at this moment, more than to hear, you are here to make sure, that there is only this Presence that is all. And it is liberating. To recognize yourself, is to recognize your own  freedom. So simple, so simple, there is nowhere, nowhere there, outside, no work to do there outside, there's nothing to see outside, no author there outside. You are this reality, in which everything happens. 

Then your life, which is this single life is happening now, with deep gratitude. Because you know, you feel it,  it is clear to you there, in your Real Nature, that everything is in its place. So there is no more conflict, no more fear, no more any idea about what it should be, of what it might have been.  That's it!


Link para o texto em Português:

Paltalk Satsang: O Coração Livre...



O fato é que Satsang aponta para a verdade. A verdade é aquilo que nós chamamos de nossa Verdadeira Natureza. Nossa procura durante toda a vida tem sido a procura pela verdade. No fundo, todos nós estamos em busca da verdade. Embora que no fundo seja assim, no início não é essa a nossa busca, esta busca dentro de nós mesmos, no âmago de nosso ser. Em nossos corações, estamos em busca daquilo que possa trazer a completude, o sentido de totalidade.

A mente tem dado um colorido a isso, e tem procurado dar um significado a essa procura. Este significado que ela dá a esta procura se mostra nesta presente situação, na qual nos encontramos. Uma vez que a mente tenha assumido o controle dessa busca, dessa procura, o resultado é esse que nós bem conhecemos. Não somos felizes, não estamos em paz, não há esta completude, não há esta serenidade. É assim que na, mente, nós estamos experimentando a vida. A mente nos desvia desse encontro, que no fundo todos nós almejamos. A mente nos coloca numa posição artificial, superficial, orientada, como ela é, para aquilo que está dentro de seus limites. E você, nesses encontros, está se deparando com esse desafio, de ir além da mente, dessa superficialidade e desses padrões, que você vê à sua volta e, também, dentro de você.

Uma coisa que eu acho importante dizer a você é que não importa a quantidade de conhecimento que, também, venha a adquirir acerca disso; não importa o quanto você escute falas como essas, leia livros, assista a vídeos. Isso não vai lhe atingir de uma forma significativa, a ponto de desconstruir tudo isso, a ponto de quebrar definitivamente esses padrões.

A Realização é nesse mecanismo corpo e mente, numa nova configuração. É preciso algo além das informações, dos conhecimentos e das experiências adquiridas por cada um de vocês. É necessário que este corpo/mente responda de uma forma diferente, livre destes padrões. Estamos diante de algo bastante simples, mas que vai permanecer sempre como um grande mistério: como este organismo, como este mecanismo, pode se livrar destes padrões. Aqui, os encontros, um trabalho direto, como acontece quando estamos em encontros presenciais, se mostram fundamentais.

A Graça é uma ação misteriosa, divina. Esta própria disposição de rendição, de não resistência, de não confrontar esta realidade da Presença, é algo que acontece de forma misteriosa e é isso que torna possível todo esse trabalho de Deus em cada um. É este mecanismo, este organismo, este corpo/mente passando por essa mudança, por essa transformação, tornando-se apto a trabalhar de uma forma completamente nova. É isso que podemos chamar de Realização: você em seu Estado Natural, com o corpo/mente livre da mente egóica, dos padrões dessa falsa identidade. Esse é um trabalho de toda uma vida; você está aqui só para este momento, apenas para realizar essa liberdade, que é ser aquilo que de fato você é.

Você é Deus. Você é silêncio, é liberdade, é paz... Você é felicidade, você é completude. Você é esta Presença onde não há medo, onde não há crença nem descrença, e agora esse mecanismo, este corpo/mente, manifesta isso em plena liberdade, porque ele está livre dos padrões do ego e do sentido de separatividade. 

Repare que não estamos falando de algo abstrato, estamos falando de algo bem presente nesta estrutura corpo/mente. Esse sentido de separação é uma contração aí, é uma resposta física e mental aí. Assim sendo, o trabalho é inteiramente aí, em cada um, que carrega seus próprios padrões, na verdade, padrões comuns a todos, mas que se apresentam de uma forma peculiar.

Quando esta Presença assume a naturalidade desse corpo/mente, o sofrimento termina, a ilusão termina. Mergulhe nesse silêncio, nessa Presença, nessa completa desidentificação do corpo e da mente. E agora o corpo e a mente seguem o curso natural, sem mais o sentido de alguém presente dentro dele. Esse "alguém" presente dentro dele é essa ilusão da interpretação de tudo aquilo que se apresenta, a partir de conceitos mentais. É o fim das opiniões, é o fim das conclusões, é o fim das certezas e incertezas... É o coração livre, é o corpo livre, é esse mecanismo corpo/mente livre. Essa é a realização de Deus, essa é a paz que ultrapassa toda compreensão humana, falada nas escrituras.


Ok, pessoal. Vamos ficar por aqui. Valeu pelo encontro... Namastê.


Fala transcrita, revisada e corrigida a partir de uma fala via Paltalk Senses no dia 01/08/2014
Encontros online todas as segundas, quartas e sextas às 22h

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Paltalk Satsang: Descubra como é lidar com a vida como ela é!



Basicamente, nós estamos sempre tratando de uma mesma coisa, estamos apontando para este Estado Natural. Agora, este apontar significa mostrar-lhe a importância de não confiar nos pensamentos. A única coisa que nós podemos fazer, quando falamos desse Estado Natural, é lhe dizer aquilo que não é! Não podemos dizer para você aquilo que ele é, podemos dizer aquilo que ele não é. Com certeza ele não é este conjunto de opiniões, julgamentos, ideias, imaginações, conclusões, que temos a respeito da vida acontecendo; agora a pouco nós falávamos isto aqui.

Este Estado Natural é aquele aonde tudo isso é possível, a vida como ela se apresenta, está sempre nela mesmo, livre de conflitos e de contradições. Aquilo que chamamos de polaridades dentro da vida, da existência, não estão em conflito, elas estão em contraste e isto é diferente. A vida não conhece conflito, conhece contrastes; este contraste é o dual estado da vida, como ela se apresenta, e isso é muito natural. Apenas a mente, quando olha para aquilo que acontece, deparando-se com este contraste, com esta apresentação dual que a vida comporta, como saúde e doença, nascer e morrer, positivo e negativo, e assim por diante, olha para isso em conflito. 

O que nós temos para lhe dizer é: descubra o que é lidar com a vida como ela é, porque é o pensamento sobre aquilo que acontece que manifesta o conflito aí, naquilo que você acredita que é você. Todo o seu sofrimento está baseado nesse conflito. Este conflito só é possível nessa separação que a mente produz, quando interpreta a vida, quando julga, quando avalia, quando quantifica, quando compara; essa é a natureza da mente. 

A natureza da mente é o conflito. O sentido de uma existência separada está em cima desse movimento do pensamento, nesse mecanismo constatado, não compreendido. A inconsciência desse movimento sustenta esse sentido de separatividade. Aquilo que nós chamamos de "ego", "mim", "pessoa", é esse sentido de existência separada que está assentado nessa base de inconsciência, acerca desse movimento, desse movimento de conflito que é o movimento da separação. Este movimento de separação é que vê o que acontece, que traduz, interpreta, e aí começa toda a história de uma suposta pessoa presente que sabe o que deveria ser e o que não deveria ser, o que está certo e o que está errado, o que está no lugar e o que está fora do lugar; pura imaginação, ninguém sabe, não há ninguém aí para saber.

Você é livre em sua Natureza Real da ideia de ser alguém. Em sua Natureza Real tudo está no lugar, porque não tem você, para saber o que é e o que não é; o que pode e o que não pode; o que deve e o que não deve. Toda essa noção de certo e errado é uma coisa aprendida, uma coisa que sustentamos para manter essa identidade; quanto mais mantemos essa identidade maior é o medo. Na realidade o sentido de um eu presente, que é este sentido de separação, está baseado nesse medo. 

A dificuldade que nós temos de apreciar a Beleza, a Graça, a Verdade dessa coisa singular que é Satsang, é justamente por isto: estamos por demais agarrados a esse sentido de ser alguém, porque, para nós, avaliar, julgar, comparar, interpretar, tudo o que acontece nos valoriza muito; isto nos mantém muito importantes dentro do contexto daquilo que acontece. Não queremos perder isso, pois isso é tudo o que nós conhecemos acerca daquilo que nós acreditamos ser. Nós acreditamos que somos isso, acreditamos que somos assim, tudo o que vemos à nossa volta é isso, então para nós isso é um padrão comum, mas não há verdade nisso. 

Eu estou lhe desafiando sempre, em Satsang, a olhar para aquilo que está além do tempo, além da mente, além desse sentido de separação; somente aí está a verdade, a realidade, a vida em sua expressão. Eu lhe garanto que a vida em sua expressão É Amor, É Paz, É Verdade, É Silêncio, não importa o que esteja acontecendo detrás de toda e qualquer experiência, por mais dramática, difícil, complicada e dolorida que pareça. O que permanece é a Imutável e Indescritível Presença, na qual esta situação, que parece ser assim, está acontecendo. 

Meu convite é para que você descubra a natureza da realidade. A natureza da realidade é esta base que sustenta essa aparição de contrastes, onde tanto o mal quanto o bem, tanto a chamada verdade quanto a ilusão, positivo e negativo, saúde e doença, nascer e morrer, estão aparecendo.


Perguntas?

PARTICIPANTE:  Como deixar de ser um eu?

OUTRO PARTICIPANTE: Mestre, é certo dizer: "O único significado da vida é descobrir que não tem nenhum significado para ela, pois ela é o significado" 

MARCOS GUALBERTO: Sim, é exatamente isto, só que isto, agora, já se tornou uma conclusão para você e, agora, já não é verdade mais. (risos). Na verdade o único significado da vida é a vida nela própria, mas não é para alguém esse significado. Nós nos consideramos tão importantes que estamos tentando descobrir o significado da vida, porque isso irá nos valorizar; se alguém puder descobrir o significado da vida, vai se tornar muito importante, porque será o único a conseguir. Eu vou lhe dizer qual o significado da vida: É Ser quem você É! É Ser Deus! Eu vou repetir: É Ser Deus. É Ser Liberdade. É Ser Amor. É Ser Paz. É Ser Felicidade. Este é o significado da vida. Mas nesse Ser não tem alguém, só tem a vida, só tem aquilo ou essa coisa, que não é uma coisa e não é aquilo. 

PARTICIPANTE: O desapego a tudo seria uma forma de sentir o silêncio, sentir Deus, sentir Ser Ele e não ser ao mesmo tempo?

MARCOS GUALBERTO: Desapego de quem? Desapego para quê? Por que você se desapegaria? Para sentir Deus? Para ser Ele? Quem está na intenção disso? Quem estaria tão interessado em se desapegar? Desapegar do quê? Para que? Para quem? O problema não está nas coisas, o problema não está na relação com as coisas, o problema é só um: o problema é confiar nessa crença de que você está nisso, de que tem você aí; se esta crença permanece não importa a quantidade de coisas das quais você consiga se desapegar, porque aquele que se desapega continua presente e a coisa continua. Aquilo que tem que sair de cena - você que pergunta “O ser tem que sair de cena”?- o que tem que sair de cena é aquilo que nunca esteve aí, é a fraude, é a ilusão dessa aparição fantasmagórica do sentido de ser alguém. O que nunca esteve ali é o que deve desaparecer daí. Mas isto não pode desaparecer daí, porque a ilusão continua sendo uma ilusão; ela só se mantém como algo a ser constatado, se for constatado que não há essa ilusão aí, fica claro que ela nunca esteve aí. Você não pode realizar isso que você já é! O que pode desaparecer é aquilo que nunca esteve aí. Eu sei que soa muito louco isso, muito contraditório, muito paradoxal, o ego não tem uma existência, tem uma imaginação e não uma existência.

PARTICIPANTE: Quem imagina o ego?

MARCOS GUALBERTO: Mas quem não imagina o ego? Imaginar o ego é conflito,  imaginar-se sem ego também é conflito. Crianças, não adianta teorizarmos sobre isto, não adianta você dizer que não há ego. Um acordado pode dizer que não há ego. Mas se isto não está claro aí, é apenas um conceito intelectual; dizer isso é uma ilusão. Uma ilusão é uma ilusão, mas enquanto se mantém como uma ilusão é muito real, enquanto houver o sentido de alguém nessa coisa, qualquer coisa que esse sentido de alguém diga não tem verdade nenhuma! 

PARTICIPANTE: A ilusão é acreditar ser o que não é? O que não existe?
OUTRO PARTICIPANTE: Em uma conversa com um amigo, disse-lhe que oriento meu filho a não cair nas armadilhas da mente e ele diz que eu não devo me envolver. Isto é certo, pois trata-se de um jovem. O que o Mestre diz? 

MARCOS GUALBERTO: (Risos) Vocês estão tentando ensinar aos filhos de vocês a como viverem sem ego, como vocês conseguirão isso? (risos). Vocês querem dar o que não tem. Estamos cheios disso, "nesse nosso mundo", estamos cheios de professores - Você diz: “Mas posso alertá-lo" - Eu lhe aconselho a descobrir o silêncio e a comunicar esse silêncio para o seu filho. Essa é a única forma de torná-lo alerta, porque a palavra alerta, o que você quer dizer por alertá-lo é torná-lo alerta, não é isso? Você só pode tornar o outro alerta, se você estiver alerta. Na mente não há como trazer este alerta ao outro, estar alerta significa estar cônscio, consciente, sem se perder na desatenção do sono. Então trabalhe essa coisa de estar alerta, comunique essa alerteza ao seu filho. 

O seu Estado Natural é de alerta, é de prontidão; neste Estado Natural você não vacila. Na expressão de Cristo, quando ele diz “Vigiai para que vocês não caiam em tentação”, Ele falava desse estado de alertaza, de desidentificação com o sono; Ele estava no Getsemani e os discípulos estavam cochilando e ele disse: “Vocês não podem ficar alerta nenhum um pouquinho comigo? Não podem vigiar nenhum pouquinho comigo? Nem por algumas horas”? Ele estava perto de ser capturado, preso, e lhes disse isso.

PARTICIPANTE: Você pode ver a ilusão, conviver com ela, mas saber que ela não é real, e não fazê-la desaparecer, porque se dar identidade ela nunca existiu, é isso mestre?


MARCOS GUALBERTO: Criança, seu mau é sono, vamos dormir e chega por hoje. E neste final de semana nos veremos aí, no encontro presencial em São Paulo. Namastê! Até o próximo encontro!


Transcrito e revisado de uma fala via Paltalk Senses no dia 28 de Julho de 2014
Encontros onlines às segundas, quartas e sextas-feiras às 22h Participem!




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