segunda-feira, 30 de junho de 2014

Satsang: Não há diferenças entre Você, Deus e o Guru!


Existe algo que precisa ser considerado aí por cada um de vocês. Aquilo que se constitui como o fator mais importante nesse despertar, precisa que haja uma intensidade por isso, uma disposição, uma completa entrega. Não como essas resoluções, nascidas de um desejo que vem e vai, mas algo que seja real, que lhe faça arder, queimar como uma vela. Há uma palavra boa pra isso: Devoção, é preciso devoção. Devoção é sinônimo de entrega, entrega a Deus, a si mesmo, ao que é, devoção ao trabalho, é devoção a si próprio, é fidelidade a si mesmo. Isso é o encontro com a Verdade.

Como a verdade não está separada de você, ela é encontrada por você. E não há como o coração se enganar. É assim que acontece, quando encontramos o trabalho ou quando somos encontrados por ele, que é ser encontrado por Deus, que é ser encontrado pelo Guru, que é ser encontrado pelo Mestre.

Não há qualquer separação entre você, o trabalho e Deus. Não há qualquer diferença entre o que você é, o que Deus é, e o que o Guru é. Assim não há uma devoção a outro, há só uma devoção, pura e direta devoção a ISSO, que é Verdade. E essa disposição de soltar, de dispensar, de deixar desaparecer tudo aquilo que até então te segurou, te prendeu no terreno, no espaço da ilusão. Essa disposição só é possível nessa entrega, nessa devoção, nesse queimar por isso.

A devoção sempre será necessária, a entrega sempre será necessária, o queimar por ISSO sempre será necessário, o Guru sempre será necessário. Deus é a única necessidade. E isso não é nada, é só você mesmo. É você se encontrando, é você sendo necessário, é você se reconhecendo, é você indo além dessa limitação que a ilusão da mente produz. É isso o que significa a entrega, a Verdade.

Quando Jesus disse: Eu Sou a porta. Ele estava dizendo “Eu sou”. Ele se refere a Você, a sua própria natureza inata, aquilo que é Você em seu estado natural se constatando, percebendo a si mesmo, nessa devoção, nessa entrega, nesta disposição de Ser. É sobre isso que falamos.

É possível sentir, vivenciar, experimentar sem qualquer sentido de separação essa pura devoção ao Guru, a Deus, a si mesmo, ao trabalho, é tudo uma coisa só. É este Eu Sou que é a única porta para essa Realização. Este “Eu Sou” é Cristo, é você, é a Verdade, é Deus, é o que é. Os nomes são diferentes, mas é a mesma graça, a mesma Presença, o mesmo Guru, o mesmo discípulo. Só os nomes são diferentes.

Essa entrega a Deus é a entrega a si próprio, não tem nenhum Deus separado disso que é você. Essa entrega ao Guru é uma entrega a si próprio, não tem nenhum Guru separado do que é você. Mestre, ensino e discípulo, uma só e a mesma coisa.

Apenas a mente cria a divisão, cria a separação, e se segura na não devoção, na não entrega, no não trabalho, para se manter nessa continuidade dela, por puro medo de deixar de ser quem ela é, o que ela acredita ser, de desaparecer, de fenecer, de morrer.

Essa Realização do que você é, é a constatação da real devoção a essa Verdade. 

Só há felicidade, paz e amor nesta liberdade de ser você mesmo, neste Eu Sou. É esse o ponto aqui, a ênfase nossa. Isso é devoção. Isso é amor ao que é. Amor a Verdade acima de qualquer ideia, crença ou conceito acerca disso. Uma disposição de ser: Puro Ser, Pura Presença, Pura Graça, Pura Verdade.

É isso!

*Transcrição de uma fala ocorrida durante um encontro presencial no ano de 2014.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Satsang O Despertar e Consciência (A ciência do que é)



Aí está a Realização! Realização, a liberação aqui é o fim do medo. Fim do medo é o fim da crença, é o fim da mente, é o fim desse movimento caótico, conflituoso, inquieto, inconsciente, desordeiro, mecânico, que é a mente, significa os pensamentos em movimento, não observados, nesse mecanismo, nesse organismo.

Aqui nós recomendamos a você, que apenas aprecie o que vem e vai, não se confunda com o que vem e vai. Reparem que sensações vem e vão, pensamentos vem e vão, ideias, elas veem e vão, comparações, julgamentos, essas noções de certo e errado, ideias como: deve ser, não deve ser, pode ser, não pode ser, seria assim ou deveria ser assado, isso pode, isso não pode, isso está certo, isso está errado, isso vem e vai, e a vida permanece como Consciência Imutável nela mesma, presenciando toda essa mudança, sem um destino, sem um futuro, sem um programa. Para nós existe uma programação, tudo tem que ter uma razão de ser e uma forma de acontecer, mas isso é só uma crença mental. 

A vida mesma conhece uma outra ordem, que não é o caos como a mente conhece, e não é a ordem como a mente conhece. É uma ordem de outra ordem. E aqui essa ciência do que é, que é Consciência, significa essa visão. 

Reparem que a compreensão, ela está presente no silêncio, quando há compreensão, o silêncio está presente. Na compreensão não há perguntas, não há explicações, não há respostas, nada disso se faz necessário. Assim a compreensão acompanha o silêncio, e o silêncio está nessa constatação. Quando há essa constatação direta do que é, há silêncio. E esse silêncio, sem perguntar nada, sem explicar nada, sem responder nada, é a visão simples da Verdade, que é compreensão. 

E nessa compreensão, nenhuma contradição, nenhum conflito, nenhuma ordem como conhecemos, também nenhuma desordem. É só a Vida acontecendo, sem programa, sem planejamento, algo sem passado, algo sem futuro, algo livre do tempo.

Despertar é isso, é essa Consciência ciente dela própria, imutável, silêncio, compreensão, paz, essa liberdade de olhar para aquilo que se manifesta, sabendo que é assim, que não pode ser de outra forma.

Então, todo esse peso desaparece, todo esse sentido de exclusão desaparece, todo esse sentido de isolacionismo, separatividade, de inadequação, desaparece.


Trecho de um Satsang gravado em Laranjeiras - Rio de Janeiro - RJ

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Paltalk Satsang: O Segredo é Estar no Coração



Estamos sempre em Satsang falando de algo muito simples, de uma simplicidade tão natural que a mente não alcança, nós não vivenciamos esta liberdade porque vivemos presos a ilusão dessa falsa entidade que acreditamos ser. Em Satsang nós temos a oportunidade de investigar isso, de olhar diretamente para isso.

Esta procura de todos vocês, esta procura nossa é uma coisa que jamais termina, na mente não temos como deixar de estar inquietos, deixar de estar nessa procura, a mente é insatisfação, a mente é conflito, viver na mente é viver em conflito, é viver em sofrimento.O sofrimento, o conflito e o medo, esse medo, esse conflito, esse sofrimento presente, ele tem importância a partir desse sentido de separatividade que a mente mantém, nós nos sentimos como alguém, como pessoas, pessoa com uma história, pessoas carregando uma história. 

É preciso nos livrarmos desse sentido de separação, enquanto houver esse sentido de separatividade, de separação, enquanto persistir essa crença,o mundo e eu, eu dentro e o mundo fora, o medo, o conflito, o sofrimento se mantém, essa inquietude se mantém, essa insatisfação se mantém.

Tudo o que podemos fazer nesses encontros é investigar essa ilusão, não podemos trazer a verdade, não podemos encontrar a verdade, mas podemos nos libertar da ilusão, se libertar da ilusão significa habitar na verdade, assumir a verdade, estar consciente da verdade, constatar a verdade. A liberação é o fim dessa ilusão, a ilusão desse sentido de separação, desse sentido dual de viver. 

Aqueles que realizaram isso, estão fora dessa prisão. E eles e somente eles podem nos falar alguma coisa sobre isso, nós podemos ficar dentro da prisão conjecturando, imaginando, trocando ideias, palestrando sobre isso, sobre isso que imaginamos, não há como saber sem essa liberdade de Ser. Este saber sem a liberdade de Ser é puro conhecimento, os sábios vivem um "saber", um "saber" que não é conhecimento, um "saber" que não é experiência, um "saber" que não pode ser definido, que não pode ser explicado. Isto significa estar fora da prisão, da prisão da dualidade, da prisão da separação, da separatividade dessa ilusão, da ilusão do mim, do eu, do ego. 

Aqui apenas nos assentamos em silêncio, não há nada sendo dito nessas falas, não há nada que possa ser dito aqui que você possa trabalhar com isso, se você puder trabalhar com alguma coisa que seja dito aqui estará você nessa coisa, e aquilo que estamos falando está além desse você, assim sendo qualquer trabalho seu está ainda dentro desta limitação, da limitação do conhecimento, da limitação da experiência, da limitação desse comum conhecer, desse comum saber, a verdade é sabedoria, e sabedoria é liberdade, e isso é indescritível, não ensinável, não explicável, é possível Ser, mas não traduzir isso em palavras, não há como colocar isso em palavras. É possível Ser porque você já é isso, de uma certa forma eu não posso ser seu professor, isso é algo que precisa ficar claro para você.

Eu posso compartilhar o meu Ser, e não o meu conhecer, é isso que o Mestre faz. O Mestre é diferente de um professor, o professor tem ensino, tem experiência, tem conhecimento, tem o saber comum, funcional, técnico, ele pode te explicar como isso funciona, não é o caso de um Mestre, ele pode te dar o "saber" disso, mas não pode lhe dar isso. Ele pode lhe dar o sabor no sentido de trabalhar isso aí, tornar isso acessível a você, isso que já é você. Ele conhece o som da nota, assim dá para ele trabalhar essa afinação, porque ele sabe,  não lhe pergunte como ele sabe, porque ele não vai poder lhe explicar como sabe, ele apenas "sabe", mas não sabe como sabe. 

Se insistir com isso ele lhe dirá, eu sei que não sei, e mesmo assim continuará "sabendo", porque é impossível você também, deixar de saber aquilo que já é você, é que na mente você está esquecido, você está identificado com um mundo de sonhos, o mundo da experiência, o mundo do conhecimento, o mundo do saber comum, esse é o mundo do sonho, você esqueceu que "sabe" sobre si mesmo, você se confunde com aquilo que acredita acerca de si mesmo, e aquilo que você acredita acerca de si mesmo, está baseado no saber comum, na experiência, no conhecimento, em tudo aquilo que lhe foi ensinado, mostrado, e você hoje, imita, repete de forma totalmente inconsciente, mecânica, tudo aquilo que aprendeu. Liberação, iluminação, despertar é estar totalmente ciente dessa sua real identidade, e essa real identidade é a sua verdadeira natureza, não é uma identidade como a mente conhece, eu diria para a mente que é uma não-identidade, ser para a mente é uma não-identidade, por isso que quando você se aproxima desses encontros, o que a mente tenta é captura isso em seus termos, em sua própria linguagem, a linguagem da ilusão.

O que eu tenho dito sempre para vocês é: escute essas falas mas não leve essas falas a sério, a verdade não está aqui nessa palavras, está sim no espaço entre essas palavras, essas palavras são apenas conceitos, apenas ideias, apenas um blá blá blá, algo sem importância, o que tem importância é essa Presença, que é você em seu Estado Natural, que pode constar isso, aquilo que hoje aqui chamei de "saber", aquele saber incomunicável, intransferível, indescritível, aquele "saber"que é um não-saber. 

O segredo é estar no coração, enquanto você nos escuta nesse momento, há algo por trás dessa fala, nesse silêncio, que lhe confirma aí, nesse lugar, que é o seu lugar, que é você mesmo, isto não é estranho a você porque isso já é você, você já é essa verdade, essa liberdade, essa graça, essa paz, esse silêncio, esse amor, essa sabedoria, essa é sua natureza divina, essa é sua natureza real.
Meu convite em Satsang a você é: Realize a sua natureza que é amor, paz, liberdade, felicidade, não há sofrimento, não há medo, não há conflito, isso perde completamente a importância, a importância de tudo isso está nessa mente egóica, nesse sentido de separação, quando isso cai tudo assume o lugar que sempre teve, tudo é visto no seu próprio, tudo assume o seu próprio lugar, tudo já está em seu lugar e agora fica claro. Fica claro porque esse "mim", esse "eu", esse sentido de alguém, caiu fora. Na índia eles chamam isso de Sat, Chit e Ananda, Ser, Consciência e bem-aventurança, é a sua natureza divina, é a sua verdade, você é Deus, eu quero repetir isso novamente: Você é Deus!

O fim de todas as crenças, absolutamente de todas as crenças é a constatação disso, de que você é essa única verdade, essa única realidade, é o primeiro sem um segundo, terceiro ou quarto, você é o único, o único, só há você, só há Deus, só tem um, só tem Ele. Pessoas presentes nessa sala é só um sonho, pessoas lhe dando com suas famílias, e essas pessoas é só sonhos, o mundo do lado de fora, ocupação, trabalho, ganhar, perder, saúde, doença, nascer, morrer, um sonho divino, um sonho Nele, nessa única realidade, que é a sua natureza real, que é a sua natureza divina. Essas falas são muito doidas, ou a nossa mente é muito doida para essas falas.

Ser é pura alegria, pura liberdade. Eu acho muito engraçado essa figura de alguém, essa figura de alguém chamado Marcos, falando alguma coisa... É apenas o vazio, esse espaço, a dança desse espaço, o espaço em dança com um nome chamado Marcos. Você me faz perguntas e eu lhe dou algumas respostas, mas tanto as perguntas quanto as respostas não dizem nada mesmo. Porque é só o vazio se encontrando com o vazio. É só a dança desse vazio nesse vazio. 

PARTICIPANTE: É Certo dizer que Deus é coração?

Sim. Deus é tudo. Todas as coisas. Deus é todos os nomes e todas as coisas, só não é nenhuma coisa e nenhum dos nomes. Deus pode ser qualquer coisa e deixar de ser qualquer coisa. Você são lindos Crianças.

Estamos juntos, porque somos Um. Namastê!
Fala transcrita de um encontro via Paltalk Senseso no dia 25 de Junho de 2014

terça-feira, 24 de junho de 2014

Satsang: A Busca e a Felicidade


Tudo que você tem feito e ainda vai tentar fazer, na crença de que é alguém que pode encontrar alguma coisa, fará na tentativa de encontrar a felicidade, mas a felicidade jamais será encontrada por alguém que procura, não há alguém na felicidade, a procura da felicidade por alguém, é a procura da mente por alguma coisa que ela idealizou. É o que alguém chama de, "cachorro correndo atrás do próprio rabo". 

Você vai pela rua, aí você vê um cachorro correndo atrás de um carro, ele fica desesperado e sai correndo atrás do carro, na verdade, ele está correndo atrás da roda, quando o carro para, aí ele não sabe o que fazer com o carro, com a roda. Ele corre, corre, corre, quando ele alcança a roda que o carro para, aí ele não sabe o que fazer. A mente é exatamente assim, ela alcança alguma coisa pela qual trabalhou tanto, tanto, tanto, tanto, aí quando alcança, ela descobre que não pode fazer nada com aquilo. Aí ela tem que descobrir outra coisa pela qual, correr atrás, outra coisa na qual, ela tem que encontrar aquilo que busca. Mas afinal o que é que ela busca? É como este cachorro correndo atrás da roda do carro. 

E por que todos procuram a felicidade? Porque acreditam que é algo que possa ser encontrado. Basicamente porque há uma insatisfação da mente, está procurando uma forma ou outra de preenchimento, de realização. Mas a boa notícia é que o seu coração se inclina para qualquer coisa que realmente lhe faça feliz. Porque isso faz com que você se lembre, de que a sua natureza já é isso. 

Assim, a questão não é que seja não natural procurar a felicidade, porque a felicidade é o que você é, mas na mente a insatisfação presente lhe impede de ver isso, aqui a questão é compreender que isto não está na mente, não faz parte da mente, é algo que faz parte do que você é. Na verdade, é o que você é. É a sua essência, é a sua natureza, é a sua realidade.

Então é natural a procura da felicidade, não é natural a procura da felicidade na mente. Então esse primeiro impulso, se ele é mental em direção a esse encontro, ele sempre fracassa.

Aqui se trata em descobrir que realização, seu estado real, seu estado natural é felicidade, e isso não está na mente, nem naquilo que ela possa encontrar dentro de sua procura. É aqui que entra essa inclinação do seu coração, para a meditação, para a autoinvestigação, para a entrega, para o Satsang, para um trabalho de constatação daquilo que é você, deste “Quem sou eu ?”

Felicidade é a sua real natureza. Qualquer coisa menos que isso, jamais lhe dará completude, satisfação e sentido de realização.

Aqui se trata de olhar para isso como prioridade máxima, como a única coisa importante, como a única coisa válida, necessária, insubstituível.

Ficar quieto e constatar, ficar quieto e perceber, ficar quieto é Ser, é constatar, é perceber sem alguém o que é. E o que é, é Amor, é Paz, é Felicidade.

É isso!


Gravado em Laranjeiras - Rio de Janeiro - RJ

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Paltalk Satsang: Não é possível alcançar aquilo que estamos buscando!




Sobretudo aqueles que estão conosco pela primeira vez, sejam bem vindos, que bom estarmos juntos... Paltalk não substitui esses encontros presenciais, mas nós temos aqui no Paltalk uma ferramenta, mais uma ferramenta que também nos facilita àquilo que eu tenho chamado de estar focado nisso, passamos alguns minutos juntos nesse encontro, aqueles que tem estado conosco nesses encontros presenciais sabem o que estou dizendo, que esses encontros aqui no Paltalk de fato. não substituem os encontros Presenciais, para alguns de vocês são os primeiros contatos com este trabalho, para outros que já estão dentro deste trabalho é uma oportunidade para se aprofundarem nisso, assim estamos nos abrindo mais e mais para este trabalho interno, este trabalho se processa num nível completamente diferente do conhecido, não pode ser descrito, só pode ser descrito aquilo que está dentro do conhecido, a Graça realiza um trabalho completamente desconhecido, algo fora da mente, vamos a fala então, do encontro dessa noite.

O que nós precisamos a princípio é compreender juntos que não é possível alcançar aquilo que estamos buscando, não é possível alcançar essa libertação, seu maior impedimento é a crença da pessoa presente nessa procura, de alguém capaz de realizar isso, é uma das primeiras coisas que, nós temos batido muito, enfatizado muito nesses encontros, a primeira coisa que assusta você quando chega nesse encontro chamado Satsang, quando você vem a um desses encontros, é perceber que nós desconsideramos completamente essa ideia que é crença central, que todos nós temos, carregamos esse conceito de aqui estarmos, de estarmos presente, como uma entidade separada, assim sendo a primeira coisa que precisamos compreender é que se você acredita que você é uma pessoa, nessa vida, nessa existência, nesse lugar, aqui nessa sala por exemplo, que pode alcançar esta libertação, é exatamente essa crença, essa imaginação, esse conceito, é exatamente este pensamento que está impedindo a visão de sua real natureza. 

Libertação é a consciência de sua verdadeira natureza, daquilo que já está aqui presente, completo, perfeito, aquilo que não pode ser alterado, aquilo que é sempre presente, assim sendo esse pensamento de alguém dentro do corpo, com um mundo fora do corpo, essa posição dual, separatista, isso para a mente é algo muito emocionante, a mente alimenta isso constantemente, esse sentido de maravilhamento, isso lhe possibilidade imaginar um universo dentro de um outro universo, o microcosmo dentro do macrocosmo, o menor dentro do maior, isso é algo bastante excitante para mente, essa possibilidade de investigar infinitamente o mundo externo, o mundo do lado de fora, é claro que tem sempre alguém nessa investigação, alguns chamam isso de expansão da consciência, uma consciência que se expande infinitamente, uma possibilidade infinita de aprender, crescer, evoluir, quando você se aproxima desses encontros, isso lhe é tirado, essa doce e extraordinária crença lhe é tirada. Aqui nós dizemos que você não existe, só há esta Única Presença, que não é você, você como esse sentido de pessoa, de individualidade, de separatividade, assim a primeira coisa que precisa cair, desaparecer, é essa ilusão, a ilusão de estar presente, sendo alguém.

Este é o final deste jogo, não há nada fora de si mesmo, esse si mesmo, é só uma crença, tudo está no lugar, não há do que se libertar, porque nada está do lado de fora para ser mudado, alterado, aquilo que consideramos a dor do sofrimento, a dor da miséria, a dor do conflito, do medo, isso nada mais é do que também um pensamento, um pensamento que se mantém como um crença, que se sustenta nesse sentido de uma identidade presente, quando dizemos por exemplo “estou sofrendo”, é um pensamento, pode ser um pensamento poderoso, o sentido dessa forte identidade daquele que sofre, então a mente se agarra a isso, e ela mantém isso, esse sentido de auto importância, e assim o sentido de separação se mantém, isto é uma tremenda ilusão, o ego é uma ilusão, este mim, esta pessoa, é uma ilusão, não adianta falarmos de libertação para a pessoa, a pessoa jamais será livre, não adianta falar de libertação para mim, este mim, este eu, jamais será livre, enquanto existir esse sentido do mim, do eu, da pessoa, enquanto permanecer a ideia de alguém presente, que diz: “estou sofrendo, preciso me livrar desse meu sofrimento” essa é a ideia de alcançar algo, alcançar a liberação, se você quer a verdade precisa ficar com aquilo que é como é, como se mostra, como se apresenta, ou seja, não há alguém nessa coisa, não há alguém na decisão, na escolha, nesse encontro de solução de continuidade da dor, de sofrimento, da miséria, do medo.

A mente projeta uma liberdade, para a mente a liberdade é a ausência do sofrimento, enquanto que a real liberdade não é a ausência de coisa alguma, é apenas o fim da ilusão do sentido de separatividade, é apenas o fim da ilusão de alguém presente em alguma experiência, quando isso termina, o experimentador termina, e a experiência não tem mais importância, o sofrimento adquire importância com a presença do sofredor, o medo adquire importância com a presença do medroso. 

Estamos dizendo que só há a liberdade, nessa ausência dessa suposta entidade, é a liberdade para ser o que é, é a liberdade de ser nada, ou a liberdade de não ser nada, não há qualquer diferença, quando não há o sentido de um experimentador dentro dessa coisa. Na verdade nós estamos tentando acabar com o sofrimento, o sofrimento no mundo, para nós identificados com a mente tudo está do lado de fora, o problema está do lado de fora, o problema é o outro, o problema está no mundo, queremos acabar com a dor, com o sofrimento, com a miséria, com a fome, o que não percebemos é que há sempre presente aí uma ideia central, a ideia de alguém que pode fazer isso, esse alguém está profundamente incomodado com isso, na verdade esse alguém mantém isso tudo. 

É sempre o sentido de alguém presente vendo um mundo do lado de fora, defeituoso, conflituoso, problemático, difícil, se essa ilusão cai, se esse sentido de uma identidade presente aí cai, não há mais o dentro ou o fora, não há mais nenhuma mundo para ser alterado, mudado, transformado, o problema não é o mundo, o problema é o sentido de um eu na experiência de um mundo, experenciando o mundo, sendo o experimentador do mundo, ou seja, o problema somos nós mesmos, este eu mesmo, este si mesmo...

Sem esse sentido de separatividade, sem o sentido do eu, do ego, do mim, da pessoa, a vida é o que é. O Ser é isso. Não é ser alguém experimentando algo, é só o experimentar sem alguém, isso é Ser, isto é liberação, isto é libertação, ou despertar, ou realização de Deus, o nome que você queira dar para isso, é o fim da busca, porque é o fim daquele que busca, você não pode realizar isso, mas pode se render, se entregar, desistir, para de se movimentar, então a Graça pode realizar isso, eu chamo isso de estar focado, estar focado é estar nessa entrega a Graça, à Presença ao Ser. 

Quando meu Guru me encontrou, ficou muito claro isso aqui, não precisava mais buscar alguma coisa do lado de fora, não precisava mais continuar procurando Deus, eu fui criado numa família onde todos buscavam a Deus, queriam ter um encontro com Deus, me ensinaram isso, a crença comum ali era de que Deus podia ser encontrado, quando Ramana apareceu, apareceu dizendo no silêncio: “Eu te encontrei” - na realidade é Deus que vem, é a verdade que vem, é a verdade que te encontra. É sempre a verdade que faz o trabalho todo, você apenas relaxa, se entrega, se rende, de todo coração se entrega a essa Graça, no meu caso eu me entreguei ao meu Mestre, uma profunda confiança, e tudo começou a cair. Você não precisa do que você acredita que precisa, você só precisa do que de fato você precisa e não é você que sabe o que isso significa, somente Ele sabe, somente Deus sabe, somente essa Presença sabe, esta presença está além desse você, com seus conceitos, teorias, crenças e desejos. 

PARTICIPANTE: Quando se acaba essa sensação de separatividade e a ilusão cai, sente-se o quê? 

M.G: Quem sabe? Quem fica para saber? Quem fica para responder? Eu diria que a única coisa que se sente é a Graça. Graça é a única coisa que Graça sente, sem o sentido de separação, sem o sentido de separatividade só há Graça, não há alguém. Tudo é o que é. Tudo isso é graça, sua natureza real é Amor, Paz, Liberdade, Felicidade. Não tem alguém sentindo isso, é o que fica, amor é o que sempre esteve presente, é o que permanece, paz é o que sempre esteve presente, é o que permanece, liberdade é o que sempre este presente, permanece, felicidade é o que sempre esteve presente, permanece, sem o sentido de separação não há mais sofrimento, não há mais conflito, não há mais medo, o que fica é o que sempre esteve presente: Deus. 

Vamos ficar por aqui? 

Namastê! 

Fala transcrita a partir de um encontro via Paltalk Senses na noite do dia 23 de Junho de 2014
Encontros todas as segundas, quartas e sextas, às 22. Baixem gratuitamente o programa e participem!

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