terça-feira, 29 de abril de 2014

Paltalk Satsang - Pela Graça é Possível o Despertar





Quem bom estarmos juntos e nos mantermos assim conectados, internamente em contato, estamos em Satsang, na realidade nos voltando para aquilo que somos, é natural que aconteça uma mudança, uma mudança no modo como nos aproximamos dessa assim chamada vida, nossa aproximação da vida é uma aproximação que está acontecendo em cima daquilo que acreditamos ser a vida, assim não temos a vida, temos o nosso quadro da vida, a nossa pintura, o nosso panorama, o horizonte que estamos vendo ao longe é este que a mente tem criado.

Nesses encontros você é convidado a desaparecer, esse seu desaparecimento é o desaparecimento dessa suposta vida, dessa imaginária aproximação, dessa imaginária existência, nesse imaginário eu, nessa imaginária pessoa, é nela que essa vida está acontecendo, e quando você se aproxima de Satsang, a princípio isto é muito assustador, você está vivendo a muito, a muito tempo dentro de uma câmara escura, e nessa investigação, acerca daquilo que de fato é a realidade, é a verdade, é como se você estivesse entrando em contato pela primeira vez com algo fora dessa câmara escura, com essa luz do lado de fora, a mente é uma prisão, uma cela escura, nela você está alienado, insciente, inconsciente de si mesmo, dessa realidade do seu estado verdadeiro, do seu estado natural de ser. Isto significa inconsciência, automatismo, mecanicidade, naturalmente separatividade, o sentido de uma contração de uma identidade presente, que é basicamente nesse movimento dessa entidade, conflito, sofrimento, inadequação, aquilo que não é real se passando pelo real, esse sentido do mim, desse alguém presente, sua natureza essencial, é a sua natureza real, ela é a única realidade, sobreposta a essa realidade, temos o movimento da mente, caótico, conflituoso, inconsciente, toda essa confiança como sempre temos dito, toda essa confiança que se dá a este movimento cria essa entidade, isto cria a imaginação de alguém presente, essa é a vida na câmara escura.

Essa suposta identidade com sua avidez, inveja, desejos, anseios, receios, temores diversos, incontável miséria, a miséria da separação, a miséria do medo, não há nenhuma realidade nisso, ou a realidade disso é a realidade de uma aparição, de uma imaginação, durante muito, muito tempo, temos afirmado essa suposta identidade através de crenças, temos confirmado sua presença através do sofrimento, que esse sentido de separação produz, agora você chega a Satsang e eu lhe convido a ouvir dessa vez, e da próxima vez e, da próxima vez, a mesma coisa, assim vez após vez, após vez, você escuta basicamente o mesmo, é preciso que essa hipnose seja quebrada, isso significa não somente o fim das crenças, mas o fim dessa contração aí nesse mecanismo, nessa suposta identidade, que não é constituída apenas de crenças, ideologias, superstições, conceitos, acúmulo de experiências, memórias, ela também é algo muito mais sólido, muito mais vivencial, ela é uma contração nesse mecanismo, ela impregna esse corpo-mente, toda memória de sentimento, emoções e sensações, isso não apenas é fortalecido por essas crenças, superstições, conclusões, paradigmas, e tudo o mais, mas ela além de confirmar isso tudo, ela se mantém nessa realimentação, tudo isso é pura inconsciência

Nos falta essa auto-investigação, ou essa investigação acerca de nós mesmos, não só a investigação desse aspecto mental, mas deste aspecto fisiológico, biológico, dessa mecânica, da mecânica do eu, da mecânica dessa suposta identidade separada, isso só é possível nessa ação da Graça, nessa ação da Presença, nessa ação de Deus, pela Presença, pela Graça é possível o despertar, um despertar para isso, um despertar para aquilo que somos, para a nossa real identidade, essa real identidade não é mais uma contração nesse mecanismo corpo-mente, está além dessa mecânica, está além dessa memória, focalizada nesse mecanismo, nesse organismo, é por isso que temos dito que o despertar é a realização do fim dessa programação, dessa memória nesse mecanismo, nesse corpo-mente. Na Índia eles chamam isso de o fim dos vasanas, vasanas são essas tendências dentro do mecanismo, nesse corpo-mente, essa forte e irresistível atração, inconsciente e mecânica, nessa resposta automática a esta inconsciência. 

Na razão em que você se aproxima da real auto-investigação que é meditação, meditação só é possível na real auto-ivestigação, auto-investigação é meditação, meditação é entrega, entrega à realidade do Ser, dessa Consciência, dessa Presença, dessa Graça, na razão em que isso acontece, este mecanismo corpo-mente começa a trabalhar de uma forma totalmente diferente, começa a ter novas respostas, para esse condicionamento, para essa programação, para essa memória, tudo isso é por Graça, você não faz a coisa, apenas fica quieto e ela acontece, como agora aqui em Satsang. Você precisa descobrir o que é estar em silêncio, o que é se manter na não-resistência, isto significa entrega, entrega a esta Presença, a este momento de Graça, a esse momento de liberação. 

Tudo o que acontece em Satsang é real meditação, meditação é o estado natural, que é Graça, vocês têm tentado durante muito tempo, através de diversos métodos, rituais, cerimônias, práticas, leituras, e tudo o mais, agora eu lhe convido em Satsang apenas a estarmos juntos, nesse coração, no coração da Graça, em um só coração, em um só ouvir, em um só olhar, sem resistência, sem discutirmos com o que é, reparem que nenhuma opinião é colocada, nenhuma conclusão podemos tirar de uma fala como essa, não há nada sendo dito em tudo que está sendo falado, nada que você possa capturar e transformar num sistema, num novo sistema de crenças, numa nova crença, já temos crenças suficientes, assim ficamos apenas com este instante, com este momento com esta Presença, que é Graça, que é Ser, que é Silêncio, descobrimos o que é deixar solto, o sentido de alguém opinando, julgando, comparando, aceitando intelectualmente isso que está sendo dito ou rejeitando, ficamos apenas nesse ouvir, nessa olhar, nesse coração, nessa Graça, nessa Presença e tudo o mais acontece naturalmente, o despertar é uma ação natural da Graça.

Se não houver pergunta permaneça aí, nesse silêncio. Vamos ficar por aqui.

Namastê!


Fala transcrita de um encontro ocorrido através do Paltalk Senses no dia 28 de abril de 2014
Encontros todas as segundas, quartas e sextas às 22h - Participem!

sábado, 26 de abril de 2014

Paltalk Satsang - A Ausência do Conhecido





Tudo aquilo que nós conhecemos tem o seu oposto, está dentro da limitação do conhecimento, está dentro da limitação do conceito, do entendimento, da compreensão verbal, intelectual, aqui portanto nesse uso da fala apontamos para a não-fala, para o não-dizer, para o não-conceito, para o não-entendimento, esse não está além de todos os opostos, quando falamos por exemplo da Consciência, não estamos falando da Consciência segundo a Psicologia, segunda a ciência, estamos falando da Consciência que não pode ser definida, estamos falando da não conceitual Consciência, essa não conceitual Consciência é esse silêncio que não tem oposto, liberdade, paz, felicidade que não tem opostos, é essa verdade que não tem opostos.

Em Satsang nós empurramos você para o vazio, para o vazio que não tem oposto, para o não definível, não explicável, para o não descritível, assim não são as falas que tem importância, as palavras ditas em Satsang, nenhuma delas é autêntica, elas não são autênticas porque não podem definir, e no entanto estão o tempo inteiro definindo, é inevitável no uso da fala deixamos de definir, mas essas definição não é a realidade, então ela não são autênticas, a autenticidade dessas falas está nesse apontar, está nesse silêncio, está nessa liberdade, nessa felicidade, nesse amor, nessa paz, nessa realidade, nessa verdade sem opostos. 

Esta investigação traz essa meditação, essa ausência do sentido de limitação, a ausência do conhecido. 
 
PARTICIPANTE: Então espiritualidade também é só mais uma palavra, um conceito, uma ideia mental?

M.G: É o que estamos dizendo, aqueles que fazem uso de palavras em Satsang, alguns escolhem algumas palavras e outros escolhem outras palavras, mas uma vez que esse estado natural esteja presente, eles sabem que essas palavras não dizem nada, palavras como Ser, Consciência, Presença, Espiríto, Deus, Verdade, Liberdade, Espiritualidade, alguns preferem algumas palavras e outras preferem outras palavras, mas está muito claro para eles isso. A verdade do seu estado natural, a verdade daquilo que é você é a não mente, é o não pensamento, nenhuma imagem, nenhum quadro, nenhum conceito, nenhuma palavra. A completa ausência de ruído, a completa ausência de definições, de conclusões, de ideias, de crenças, aqui não há nenhuma forma de imaginação, nenhuma necessidade de palavras, muita verbosidade é sinal claro de um intelecto muito avantajado, apenas isso.

PARTICIPANTE: Uma palavra é universal a todos os mestres: Presença.

M.G: É uma boa observação, interessante isto. De fato Presença está apontando para algo, para essa coisa, para aquilo que não está no tempo, que é atemporal, pura Presença, Presença Pura, disso que todos nós precisamos perceber, não se prenda a palavras, não agarrem conceitos, não julguem pelas palavras, elas não dizem nada, na realidade as palavras são contraditórias, não tem como ser diferente, elas são dualistas, não tem como ser diferente, elas estão equivocadas, não tem como ser diferentes, como quando fazemos uso de metáforas, todas elas são limitadas, absolutamente todas. Assim sempre olhem, para aquilo que os olhos não podem ver, e escutem o que os ouvidos não podem escutar, e percebam o que o sentidos não podem perceber, diante da Presença, só a Presença se reconhece, assim você não pode ter uma aproximação intelectual em Satsang, uma aproximação intelectual em Satsang é uma não aproximação, você não pode entender isso. 

Onde o entendimento acontece é aonde você não está, onde você está não há entendimento... Aonde você está não há saber, não há conhecimento, o conhecer é possível, o conhecedor não, o conhecer é possível, o conhecimento não, a constatação é possível, a compreensão para uma posterior explicação não, o experimentar é possível, a experiência não. Quando você diz: Não entendo o que é estar em Satsang – a minha resposta é: Nem eu. 

Satsang é; agora entra uma metáfora, naturalmente limitada, como estar diante de uma flor, diante de sua Presença, sem julgá-la, sem compará-la, sem qualificá-la, sem defini-la, apenas ali, naquele instante, naquele momento, sem a limitação da palavra que diz, como é bonito isto, como é lindo isto, como ela é linda, apenas estar ali, é como estar diante de um pôr ou um nascer do sol, diante deste impacto dessa Presença, sem a palavra, sem a definição, sem o pensamento a cerca disso, é isso, Satsang é o encontro com essa Presença, nesse encontro você desaparece, o sentido de "alguém" desaparece, o sentido de limitação, deste conjuntos de crenças, de memórias, de lembranças de todos os tipos, isso seria a definição de "alguém", essa definição é . O sentido de pessoa desaparece, porque não há nenhuma pessoa, só há esta Graça, esta liberdade, este amor, esta paz, está consciência, sem opostos, sem definição, sem conceituação, algo que pode ser aqui nesse instante, vivenciado, por esse não alguém, então não é uma vivência, é a própria vida, percebem a dificuldade de colocar em palavras essa coisa? Simplesmente porque não dá! Vamos ficar por aqui?


Transcrito de uma fala do Paltalk ocorrida no dia  21 de Abril de 2014
Encontros às segundas, quartas e sextas às 22h - Participem!

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Paltalk Satsang - Ser Deus é algo muito natural



Sejam todos bem-vindos a mais um satsang online, a mais um momento de Satsang, que bom estarmos juntos mais uma vez, como temos feito todas segundas, quartas e sextas, com algumas raras exceções, semanalmente temos nos encontrado por aqui, para olharmos para isto juntos. 

Esses contatos que nós temos são fundamentais. Estarmos juntos é algo fundamental, estarmos presentes olhando para isto, investigando isto, então temos a oportunidade de estarmos juntos nesses encontros, e é algo maravilhoso isso, alguns nos fazem perguntas pelo Facebook, mas a dificuldade é que as resposta não são respostas, elas não vão de fato funcionar, nós podemos continuar brincando de espiritualidade, e vocês podem continuar se espiritualizando dia após dia, após dia... Vocês podem continuar brincando de se espiritualizar, vocês podem continuar se espiritualizando, quando estiverem com 99 anos vão descobrir que andaram em círculos durante todo esse tempo, aqui não se trata de construirmos alguma coisa, não se trata de sob esta estrutura antiga construirmos um edifício, é preciso que esta estrutura que está aí desabe, caia! 

Essa brincadeirinha de espiritualidade, isso não vai funcionar, então muitos se aproximam fazendo perguntas, e essas perguntas é um andar em círculos, ser é algo muito natural, é simplesmente estar despido do sentido de separação, do sentido de separatividade, isso não tem nada de espiritual, não tem nada de místico, nada de esotérico, nada de especial, ser Deus é algo muito natural, Deus não é espiritual, Deus não conhece espiritualidade, o Ser não conhece espiritualidade, a vida não conhece espiritualidade, vocês estão cheios disso, agarrado à práticas, rituais, cerimônias, à leituras de livros sagrados, à recitação de palavras sagradas, às escrituras, à bíblia ou qualquer outra escritura, os mantras, nada disso é real, ou tudo isso ainda é parte daquilo com que a mente pode se distrair.  

Nós precisamos cansar dessa coisa e abandonar tudo isso, eu chamo de estado natural, porque não há nada espiritual nisso, em Ser Deus, em viver em seu estado verdadeiro, em seu estado sagrado, em seu estado divino, sem medo, sem sofrimento, sem crenças, sem ilusões, eu sempre lhe convido a este olhar, o olhar para "fora" do eu, o olhar para "fora" da separação, "fora" da mente, o olhar para "fora" das crenças, para "fora" das práticas, para "fora" dos rituais, o convite para este silêncio, para esta liberdade de ser, a esta beleza de ser nada, nada de ser construído, de ser reformado, nada de evoluir, nada de conquistar, conquistar uma elevação, conquistar um degrau, um patamar diferente, nada disso, apenas simplesmente ser, não ser alguma coisa, mas simplesmente ser, aqui se trata em Ser no não-ser, eu disse exatamente isso, aqui se trata em ser no não-ser, ser no vazio, ser no nada, no nada ser, no vazio ser, no natural ser, Ser o natural, não importa o que alguns acordados disseram ou estão dizendo, nada disso pode ser suficiente, nenhuma palavra pode, nenhum conhecimento pode, nenhuma expressão verbal, a cerca disso pode ser suficiente, leitura de livros, palestras, assistir vídeos, práticas, aquilo que pode ajudar até certo ponto, se torna um grande e extraordinário obstáculo, um grande e forte e poderoso impedimento, ouviram isso? 

Uma muleta pode ser um belo auxilio para aquele que está se recuperando de um acidente, mas ele terá que se livrar dessas muletas, ou jamais poderá caminhar em liberdade com as próprias pernas, nós estamos lhe convidando a Ser, a se abismar nesse silêncio, a se soltar nesse vazio da totalidade, nessa totalidade de ser, nesse ser nada, naquilo que é essa Ilimitada Presença, Ilimitada Consciência, naquilo que é você agora aqui, sem qualquer muleta, sem qualquer apoio externo, sem qualquer ajuda, te convido a mergulhar nesse instante, nesse silêncio, nessa quietude, nessa Graça e beleza, nessa verdade divina, nesse silêncio, nada, vazio, consciência, Presença, Ser, Deus, você, é tudo a mesma coisa, você não precisa de nada, você já é o que precisa ser. 

Aqui eu posso lhe dizer algumas palavras, qualquer acordado pode lhe dizer algumas palavras, Jiddu Krishnamurti, Ramana, Buda, Jesus, ou qualquer um outro, mas a coisa não está aqui na palavra, o trabalho está em você, a realização está em você, você é a verdade, nenhum apontar para isso pode ser suficiente, realização significa o fim da ilusão da separação, isso é o resultado de um trabalho da Graça, dessa Presença, que está presente naquilo que é você, agora, aqui já, nesse instante, verbalizações, palavras, nada disso é a coisa, esse silêncio presente nesse instante, nesse silêncio no qual essa fala acontece, essa palavra acontece, essas verbalizações estão aparecendo, esse silêncio presente nesse instante, revelam e expressam, essa única verdade, essa indescritível e inaudita verdade. 

Eu lhe convido a esse mergulho, a essa imersão, nessa Presença, esse auto-abandono, ao abandono de absolutamente tudo, aqui o intelecto não entra, aqui nenhuma experiência entra, nenhum conhecimento entra, esse é o despertar da sabedoria, essa sabedoria só é possível quando não há aquele que sabe... 

É bem engraçado tudo isso, nada razoável, muito paradoxal, indizível, indescritível, não conceitual... vamos ficar por aqui!



Fala transcrita de um encontro via Paltalk Senses no dia 23 de Abril de 2014
Encontros todas as segundas, quartas e sextas às 22h - Participem!

terça-feira, 15 de abril de 2014

Paltalk Satsang - A Chave para o Desaparecimento do Sofredor





Bom estarmos juntos em mais um encontro, em mais um momento de contato com o que é, agora você está na sala, no quarto, em algum aposento aí da sua casa, ou mesmo no trabalho, ocupado com outra tarefa e ao mesmo tempo ouvindo o Satsang. 

Ocupado ou não, estando dentro de um espaço ou outro espaço, tudo o que você tem é aquilo que está presente, é aquilo que se apresenta nesse instante, o próprio pensamento é algo se apresentando nesse instante, aquilo que se apresenta nesse instante é o que é, uma ideia sobre isso, a presença de alguém nessa ideia é a raiz dessa ilusão, o que eu vou pensar, o que eu penso, o que estou pensando, o que estou sentindo, o que estou experimentando, a minha experiência é a ilusão, não há sua experiência, só há a experiência em si, a experiência nela mesma, não é o que eu estou pensando, só há o pensamento acontecendo, reparem nisso, tudo é pura imaginação.

O pensador é uma fantasia, uma imaginação, o pensador foi criado pelo sentido de auto importância, o pensador para se manter, que é essa imaginação da auto importância, tem essa capacidade de pensar, ele tem essa capacidade de escolher, ela tem essa capacidade de se determinar, o pensador tem o poder de criar, de plasmar a realidade, no entanto, o pensador não existe, só há pensamentos, é como a questão da dor física, ou de qualquer sensação na auto importância, o sentido desse eu que diz estou com dor, enquanto que na verdade só há dor, e essa dor é localizada numa parte do corpo. Querem fazer alguma pergunta sobre isso?

Vocês tem problemas com pessoas? Ou os problemas que vocês tem com pessoas é o problema que a mente tem com ela mesma e coloca uma identidade aí? Essa identidade aí é o sentido de identidade separada buscando um reforço, buscando continuar, vocês nunca estão lidando com pessoas, lidar com pessoas é impossível, vocês estão identificados com a mente, não encontrando a mente em outros mecanismos, então na verdade é você mesmo, quando eu digo você é a mente, a mente em apuros, porque você não está separado da mente, e esse você é só a mente, na verdade não tem você, só tem a mente com problemas, problemas de relações. 

Pergunta: E quando a dor não é no físico? 

M.G: Aquilo que você chama de dor nesse caso, um sentido de desconforto, de sofrimento, talvez essa seja emocional, mas a emoção, como o sentimento ou o pensamento não tem dono, é particular nesse corpo, mas não tem dono, quem pode ser dono de uma dor emocional, ou seja, quem pode ser dono do sofrimento, aonde o sofrimento é possível? Ele pode ser particularizado, mas não é pessoal, ele pode ser localizado, tudo o que aparece e desaparece pode ser localizado no espaço, mas continua sem dono, experimente da próxima vez que você se sentir triste, permitir a tristeza sem dono, permitir a tristeza sem dono significa não dar a ela uma identidade através de uma história de pensamentos, aí fica só a tristeza, aí você apenas observa isso, aí você descobre que não tem dono, porque se não tem uma história é só um sentimento, observe por quanto tempo isso permanece aí localizado, o ponto de partida sempre é esse; não há alguém aí nessa experiência, só há a experiência, é a experiência do mecanismo a dor física, é a experiência do mecanismo essa dor sentimental, emocional, é a experiência do mecanismo esse desconforto. O sofrimento sem uma identidade não tem dono, não é sofrimento, é só uma experiência desconfortável, aflitiva, dolorosa, desarmoniosa para o corpo.

Você fica com essa base real: você não tem importância porque você não existe, dê esse mesmo tratamento a todas as suas histórias de memórias, você foi abandonado pela mulher, pela marido, pelos filhos, isso é só uma história de alguém no abandono, não tem ninguém no abandono, só tem a vida se movimento dessa forma nova, assim como se aproxima ela se afasta, assim como ela traz ela leva, assim como algo chega, algo vai embora, não coloque uma identidade nisso, depois me conta sobre esse sofredor, fica algum sofredor? Fica algum experimentador quando nada é rejeitado? Não é rejeitado, se nada é rejeitado, que importância você tem, aonde é que você entra? Aonde é que está o valor da sua existência separada? Estão percebendo como é prático isso que estamos colocando? Exercite isso, exercite não ser alguém, exercite esse não experimentador, esse não observador, esse não monitor, esse não controlador, esse que não escolhe, trabalhe isso de uma forma prática no seu dia a dia, você estava no ponto do ônibus e o motorista não parou o ônibus para você, apenas olhe para isso, aguarde o próximo ônibus, é possível que o próximo pare, mas isso não tem a menor importância, se você não tem importância ali, você não escolhe, rejeitar chegar atrasado, no seu compromisso, as coisas são como são, se você não escolhe chegar atrasado no seu compromisso, isso lhe coloca numa posição de escolha, de contrariedade, de aborrecimento, de insatisfação, de revolta, de raiva, você fica livre disso, você fica com esse movimento da vida, o movimento da vida é esse que se apresenta, o motorista deixou você para trás, não parou para você, você fica com o lado prático, ou você aguarda o próximo ônibus, ou se tem dinheiro pega um taxi, mas internamente permanece aí a não escolha, sem essa escolha, sem qualquer contrariedade, sem ego, sem auto importância, sem o sentido de separação. Está claro isso? 

A vida no desafio dela não se importando com você, você não é especial, reparem que isso é contrário a tudo o que aprendemos até hoje, é por isso que estamos tão limitados, dentro desse sentido de pessoa, e naturalmente resistindo a vida como ela se apresenta. Essa resistência é a presença do sofredor quando os seus desejos são contrariados, quando suas expectativas são frustradas, quando o seu auto valor não tem qualquer valor


Esse "não" nos dá uma liberdade total de aceitar o que nos acontece, sem julgamentos... E o "não" com sabor de "Sim!" Identificar com esse "não" egóico nos aprisiona no julgamento e no vitimismo.   

Pergunta: Será possível não fazermos escolhas e ainda assim darmos conta da vida? dos afazeres, empregos, concursos, pagamento de contas... Isso não parece contraditório?

M.G: Sim. Na mente isso soa muito estranho, mas na verdade quando você pergunta "Será possível não fazermos escolhas e ainda assim darmos conta da vida?" Estamos dizendo que não há escolhas, a vida já está acontecendo sem qualquer escolha nossa, isso significa que nós não estamos dando conta da vida, é a vida que está dando conta de tudo, ou seja, pode soar estranho isso, mas quem cuida desses afazeres, pagamentos de contas, não é você é a própria vida. 

Ok Pessoal? Vamos ficar por aqui! Obrigado pelo encontro, e vamos trabalhar isso, e quando eu digo vamos trabalhar isso é vamos aprender a ficar quietos, até o próximo encontro!


Fala transmitida via Paltalk Senses no dia 11 de Abril de 2014
Encontros às segundas, quartas e sextas às 22h Participem!

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