quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Satsang é o Espelho da Graça




Porém, uma vez descoberto a profundidade da vida além da separação, além da distância entre sujeito e objeto, além do desejo e do medo, além do sentimento, do pensamento e da emoção, além do corpo e da mente, um olhar sem separação onde tudo é visto sem as divisões do intelecto, aquilo que o pensamento tem por natureza fazer, não há mais nada a se fazer. O que estamos lhe dizendo é que não há nada fora do lugar, não há nada para consertar, ou ajustar, pois tudo é o que é, porque nada pode ser diferente, pois assim isto é. Descubra isso...

Onde temos falhado, senão em olharmos a vida através dos conceitos que são as ideias em que acreditamos? Onde está tudo isso? Não está apenas em nosso particular modo de ver tudo? E o que esse modo particular implica?

Estamos adormecidos... Que noite estranha... Que sonhos são esses? Onde está a vida? Que vida é essa...? Estou deprimido, estou sofrendo, estou em solidão... Isso é a "minha" vida? Quando você entra neste blog, o que você tem aqui? Um momento Único de olhar e se perguntar: é isso assim mesmo? Estou diante da vida? Ou estou diante do pensamento sobre ela? Do sentimento que esse pensamento produz, na particularização de uma história ligada a este corpo que digo a todos ser o  "meu" corpo?... Podemos deixar isso de lado — esta concepção mental —, descobrindo o que a vida de fato é, no que é? Sem "alguém", sem o "mim", com uma  história sobre isso? É possível uma vida só Vida? Sem uma história, onde não há mais "eu? Nenhuma imagem de si próprio que possa ser ofendida, magoada, ferida, deprimida, etc?

Posso lhe dizer algumas coisas, mas que importância isso tem para você? É só mais uma das coisas que lemos ou que ouvimos de "alguém", e "alguém" não pode nos mostrar nada além do que ele conhece; e o que "alguém" conhece, é somente parte do que ele também acredita: parte dos conceitos, das ideias e pensamentos que leva consigo. Sabe o que isso significa? Você não sabe? Você não pode receber isso de "outro", apenas mais continuidade, crença, mais repetição, mais imitação, mais ajustamentos, mais "sonhos"... Não há realidade no pensamento de "alguém", apenas a realidade que o pensamento tem. Um conceito, uma crença, uma forma de padrão mental, distante da realidade, do Ser, da realidade do que é...

Agora, vamos falar algumas coisas sobre essa visão simples, com diretividade, sem o véu das interpretações mentais. O que lhe parece uma vida assim, sem motivos pessoais? Em uma resposta direta a todo movimento da vida assim como ela acontece, a sua volta? Repare a dificuldade que  sua mente tem para compreender o que estamos dizendo... Como isso lhe parece? Uma pipoca sem sal? Algo nada interessante? Porque seria interessante? O que é uma vida assim? Sem essa limitação de uma proposta pessoal? Estamos falando da vida real, desconhecida da maioria, da vida de compaixão, de amor, de paz, de liberdade, de bem-aventurança... O que há de interessante nisso, esta Vida onde a verdade está presente, onde não há ilusões, onde há profundidade, riqueza e aquela indescritível alegria de Ser? Deste pleno sentido de completude e de totalidade...

Não pergunte sobre isso a "alguém", quem poderia lhe comunicar  isso? E lhe provar a verdade do que você acabou de ler... Isto é o que você é. Diante de um espelho em Satsang você pode ver isto por si mesmo, sem um espelho isto não pode ser visto, como olhar para si mesmo sem um espelho? Como sair de si mesmo e olhar para si mesmo? Satsang é o espelho da graça, onde a graça que é você é espelhada sem ser vista, mas sendo recordada, desperta, nesse belo trabalho que é Satsang. Venha, e se permita descobrir a profundidade da vida, além da separação...

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Você não é confiável, a Graça sim! - Encontro Online


Mais uma vez em mais um encontro em Satsang. Satsang é um encontro com esse desafio. O desafio que você tem em Satsang é se encontrar. Se encontrar significa ir além de suas crenças, além de seus padrões, além desse gostar e não gostar, além dessa postura individual, pessoal, essa coisa da preferência. Quando nós falamos sobre o sentido de uma identidade separada, isso fica muito vago. Isso só começa realmente a ser visto nesse incômodo. Na verdade, você está cheio disso, e você não tem a mínima consciência. Você está permanentemente num estado de autodefesa. Nesse estado de autodefesa, você não quer ser tocado, não quer ser invadido, você não quer ser ferido, magoado, ofendido. O desafio para você é algo muito doloroso.

E o desafio aqui é o desmascaramento desse sentido de identidade presente. É por isso que Satsang é mortal. Essas falas em Satsang estão apontando exatamente para isso. É muito fácil ouvir uma fala como essa, e a mente logo racionaliza acerca disso, cria ideias sobre isso, tira conclusões acerca disso, dessa coisa que está sendo dita. No entanto, isso é inofensivo assim. Mas, na verdade, isso não é Satsang. Satsang é estar diante deste desafio que é a Graça, que é esse desmascaramento, que é poder constatar a possibilidade do fim dessa ilusão, da ilusão dessa identidade – essa que gosta, não gosta, controla, essa que não quer ser ferida.

Então, nós ficamos com aquilo que é prático quanto a isso. Já não estamos mais diante da teoria. É nesse sentido que Satsang funciona, é o espelho dessa Presença na figura do mestre, daquele que está desperto, que não está inconsciente quanto a isso. Só esse é um espelho ideal. É isso que eu chamo de real investigação, é se permitir olhar para isso, se permitir não ser poupado. A sua mente está cheia de razões, cheia de projeções, cheia de crenças, ideias. Você até mesmo sabe como o mestre deve agir. Você sabe até mesmo escolher o mestre ideal. O mestre ideal para você é como aquele espelho que não pode refletir. O mestre ideal para você é aquele que ama você. Esse “você” é a ilusão. Esse “você” é esse suposto “eu”, essa suposta identidade separada – caprichosa, vaidosa, ocupada com ela própria, que sabe tudo.

E é exatamente isso que tem que ser visto por você: a crença que você faz acerca de si mesmo. Um espelho real, um espelho ideal, é a Presença viva de pura Consciência, essa chama que devora essa ilusão. Aí está o mestre. Desconfortável, doloroso, difícil de lidar, difícil de aceitar, mas é assim. Seu ego vai querer fugir, mas ele jamais vai dizer para você que ele é o ego. Mais uma vez ele vai se passar por você nessa “inteligência” de resolução, nessa “inteligência” de não ser manipulado, nessa “inteligência” de ter o perfeito discernimento. Na verdade, você quer essa libertação, mas do modo que você pode querer essa libertação – ainda se mantendo sendo “você”. É “você” liberto, do seu jeito.

Tudo isso são truques, truques de continuidade dessa falsa identidade. O que estamos dizendo nesta fala, neste encontro, nesta noite, é que esse ego, esse “eu”, esse “mim”, essa falsa identidade, esse sentido de “alguém”, não vai se render, não vai se entregar. Ele vai continuar fugindo. Ele vai sobreviver a todas as bombas, ataques terrestres ou aéreos, a toda e qualquer investida da Graça. Ele vai se disfarçar, ele vai se esconder, ele vai escapar. Ele não diz que é você, você não sente que é ele, mas é assim que ele consegue. É por isso que nós temos insistido nessa coisa, na importância do Satsang, quando esse “você” fica exposto e a dor aparece, o medo aparece.

Alguns de vocês já decidiram ir embora. Tem a dor em algum lugar aí acontecendo. Alguns já foram embora, e outros mantém uma certa distância para não doer muito. Mas eu tenho que dizer para vocês uma coisa: isso não funciona. Realizar isso é atravessar essa dor, é descobrir que isso tudo é uma ilusão, que não há qualquer desafio mesmo, apenas essa suposta identidade sente isso como algo desafiador, está disposta a fazer qualquer coisa para escapar disso.

P – A maior dor é se achar um “eu”.

M – Sim, é isso mesmo. A maior dor é o sentido de separatividade. A maior dor é o sentido de uma identidade separada. A maior dor é o medo. O que estamos apontando para você em Satsang é o fim do medo, o fim desse sentido de separação. Estamos apontando para você em Satsang para a bem aventurança, para a felicidade, para a liberdade, para o amor, para a paz. Estamos apontando em Satsang para a sua Real Natureza, para a real Vida. Você não é confiável, a Graça sim. Essa Presença é confiável. Deus é confiável. É por isso que ele toma forma. Se você não pode encontra-lo na forma, você não pode encontra-lo fora da forma. É na forma que você se vê, é na forma que você tem que econtra-lo.

Quando você o encontra na forma você está além da forma. Se você não poder encontra-lo no mestre não pode encontra-lo em si mesmo. Esse “si mesmo” é só uma teoria, é só um conceito mental, é só uma crença, é só a “não forma”, é só o conceito de algo dentro. Isso porque na verdade você se vê no corpo, você se vê na forma. Existem alguns pontos aí que podem ser investigados. Podemos falar um bom tempo sobre isso. O problema é que a sua mente vai editar essa coisa, ela vai fazer recortes. Ela sabe habilmente escolher o que lhe convém. Assim, não adianta nós falarmos sobre isso fora desse encontro presencialmente. Então venha ao Satsang presencial, olhar em meus olhos, e me permita olhar em seus olhos.

Se permita ter raiva de mim, ver inveja em mim, ambição em mim, desejos e medos em mim, se permita ver arrogância em mim, prepotência, personalidade forte, um ego muito grande. Tudo o que você está vendo é você mesmo, a coisa está toda aí. Na verdade, você está vendo qualquer coisa fora de si mesmo. Mas o que você está vendo fora de si mesmo é parte da crença que você tem acerca do mundo, e isso está assentado nessa base, na base dessa falsa identidade, se passando por você. Isso significa pura inconsciência, isso significa medo. Ego é medo. A pessoa é medo. Enquanto a pessoa estiver aí, o medo está aí. A pessoa aí é a ilusão de alguém vendo coisas do lado de fora.

O que estamos dizendo para você sempre em Satsang é que não tem jeito, você não tem salvação. Você não tem conserto, não há tratamento para você. Tem mesmo é que desaparecer. Isso é algo simples, mas não é algo fácil. Isso é o fim da inconsciência. Isso é o seu fim. É o fim da pessoa.

P – Eu realmente estou cansado do sofrimento psicológico, mental, da mente tagarela. Me parece que o simples conhecimento das coisas espirituais, filosofias, não estão me ajudando a me tornar uma pessoa melhor.

M – E agora? O que você acha que pode fazer ainda?

P – Realmente não sei. O que sei é que não tem funcionado.

M – É muito bom isso. Você chegou num ponto excelente. Espero que tenha chegado mesmo nesse ponto. Provavelmente você já parou de ler todos os livros, já parou de praticar, já parou de frequentar sebos esotéricos, místicos, religiosos, filosóficos.

P – Sim. E junto com isso me dá um vazio por não ter chegado lá.

M – Aí está o ponto. Despertar, realizar Deus, realização, iluminação, qualquer nome para isso, não é chegar lá. Esse chegar lá é só uma projeção ainda da mente. Essa é a primeira coisa a ser compreendida: não há como chegar lá, porque não tem lá, não tem alguém aí para chegar. Despertar, iluminação ou realização é o fim da ideia de alguém para chegar em algum lugar. De forma objetiva, prática, o que posso lhe dizer é que um trabalho se faz necessário. Mas não é um trabalho no sentido de uma procura, de uma prática, de uma dedicação à espiritualidade ou à filosofia. É um trabalho no sentido da investigação daquilo que se passa por você e que não é você, não é a sua Real Natureza.

Então, isso termina com essa ilusão – a ilusão do ego, a ilusão do “eu”, a ilusão do sentido de alguém. Quando isso termina, o Despertar está presente, a iluminação está presente. Isso é o fim da insatisfação, isso é o fim do sofrimento. Na Índia eles chamam isso de Sat-Chit-Ananda, Ser-Consciência-Felicidade. Satsang significa estar diante disso diretamente, estar diante dessa autoinvestigação, ou dessa investigação de si mesmo, que é meditação, que é essa entrega à sua Real Natureza. Lhe recomendo, e a todos presentes: venha ao Satsang. Você não pode realizar isso, mas pode estar vulnerável, se permitir essa realização em Satsang. Não é você que realiza, é Deus que realiza, é a Graça que realiza, é o mestre que realiza, é essa Presença que realiza, é a sua Natureza Real tomando ciência dela própria. Isso é o fim desses padrões mentais. Isso é tudo o que a mente não quer fazer

P – Já li de uns 8 a 9 acordados a mesma ladainha: o “eu” não é real, é uma ilusão, mas e daí? De que me serve entender e compreender isso?

M – É exatamente isso. Isso não serve para nada. É só mais uma crença. Ler o que os acordados dizem ou disseram, ouvir o que eles dizem ou disseram, nada disso funciona. O que funciona é essa entrega a essa Presença. O que funciona é a ação dessa Graça, é estar diante desta Graça, a Graça em forma. O mestre em forma, o acordado em forma, ele não é suas palavras, ele não é suas falas, ele é você, ele é a sua Natureza Real, é esse espelho real. É onde o trabalho acontece. Ele vai lhe provocar, ele vai lhe contrariar, ele vai lhe aborrecer, ele vai lhe chatear. Ele será tudo o que você precisa ver em si mesmo. O seu anjo mau e o seu anjo bom, o seu próprio satanás e o seu próprio Deus. E é só você que vai ver isso, não tem ninguém mais para ver isso em seu lugar. Isso funciona, o mais são só teorias, conceitos, crenças, palavras, blá blá blá. É isso aí.

*Fala transcrita a partir de um encontro online em 12 de Fevereiro de 2014 
Encontros online todas às segundas, quartas e sextas-feiras às 22h Participe!
 

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Patalk Satsang - O Real Sentido da Oração


P - Qual é a diferença entre acreditar que não existe, que não se é nada, e a baixa autoestima?
Mestre - Onde houver qualquer crença, em cima dessa crença, uma conclusão aparece, e essa conclusão é mental. “Eu não sou importante nem necessário, eu não existo” e a baixa autoestima, na verdade, são a mesma coisa, do ponto de vista da crença. A crença de que não se é importante, ou de que não se existe, e a baixa autoestima é só uma crença, e não tem nada de real nisso. Se você acreditar que não existe, se você acreditar que não é importante, ou qualquer outro tipo de crença desse tipo, é a mesma coisa. Aqui não se trata de acreditar em alguma coisa. Qualquer forma de crença, positiva ou negativa, é só uma crença.
P – A autoinvestigação é o melhor meio de derrubar o ego? Como posso fazê-la?
M – Você não pode derrubar o ego. Não há nenhum ego para ser derrubado. A ideia de derrubar o ego ainda é do ego – desse ego que não é real, mas que se apresenta real tentando fazer alguma coisa, como essa coisa da autoinvestigação, como essa coisa de derrubar o ego. Esse trabalho de autoinvestigação não é seu, é um trabalho da Presença, é um trabalho da Graça, é um trabalho de Satsang. Não há qualquer esforço que você possa fazer para realizar isso, embora o trabalho seja importante, seja necessário. Esse trabalho de autoinvestigação – que não é ego-investigação, que não é mente-investigação -, é Graça-investigação, é Presença-investigação, é Satsang-investigação.
Não há como deixar de atrelar o Despertar a uma ação da Graça, a um trabalho da Graça, a um trabalho dessa Presença. Aqui, só lhe resta um “fazer”, e esse “fazer” é deixar de fazer, é ficar quieto, é se entregar a Deus, que é a Graça, que é a Presença. Isso é Satsang. Há um poder que faz isso. O seu trabalho não é seu trabalho. Você não pode encontrar esse caminho - esse é o ponto. Você não pode dar o seu jeito. Isso é algo que vem até você, mas você não pode ir até Isso. É o Mestre que encontra você... Não é você que encontra o Mestre. É a Graça que alcança você... Não é você que alcança a Graça. Coloque o seu coração na Graça, na Presença. Fique ligado, no coração, com essa Presença, porque somente assim você fica quieto, e a Graça faz o trabalho.
O seu trabalho é ter essa disposição. Você faz o seu trabalho e a Presença faz o trabalho dela, e tudo isso é o próprio trabalho da Presença, é o próprio trabalho da Graça; só tem ela mesmo. Este é o real sentido da oração: essa disposição de não questionar, não discutir, não se proteger, não se defender. Isso é real rendição, real entrega. O grande momento em Satsang é o momento do silêncio, da entrega. Esse é o momento do coração, nessa disposição de deixar tudo, de soltar tudo, de colocar tudo diante dessa Presença; é o sentido de tocar os pés do Guru. O Guru não é outro senão você mesmo, sua Natureza Real... É o divino aí, em seu próprio coração.
Essa é a única coisa que você pode fazer. E isso é o fim dessa ilusão, a ilusão do ego, a ilusão desse “mim”. Ramana dizia que a porta de Deus está sempre aberta, mas a verga da porta é muito baixa, e para atravessar essa porta só de joelhos. E ele dizia: são muito poucos os que conseguem. Vocês querem ouvir o meu segredo?
P – Não tem ninguém aqui para querer saber coisa alguma.
M – Isso é verdade? Perguntem a si mesmos se isso é verdade. Eu não sei porque a sala está tão cheia se isso é verdade... Quando quiserem saber o segredo para alcançar Deus, perguntem. Vocês fazem perguntas muito inocentes, que não atingem nada, como flecha sem ponta; flecha sem ponta não penetra, não atinge o alvo.
P – Qual é o segredo?
M – Só um teve a coragem de perguntar qual é o segredo. E qual é o segredo de realizar Deus? Eu vou dizer para você: dê tudo ao Guru. Tudo o que ele lhe pedir, você dá a ele. Dê a ele, quando você encontrar o Guru, puder reconhecer o Guru – isso é quando você só vê Deus... Foi o que eu vi em Ramana. Ele era o Cristo a quem eu orava, diante de quem eu jejuava, e ele apareceu a mim. Pediu todas as minhas crenças, minhas defesas, meus desejos, todas as minhas seguranças, todos os meus medos.
P – Entregou orando?
M – Sim. Oração é entrega. A oração abre a porta para essa entrega. Assim você não pode mais desconfiar de Deus e reivindicar nada para si mesmo. Então, essa falsa identidade cai, porque ela não pode resistir a essa amorosa Presença.
P – Expor os problemas para si mesmo e admitir os erros é um começo?
M – Não; nada disso. Nem mesmo o direito de ter problemas você tem, porém, admitir os erros você pode, quando você entrega tudo a Deus. Você não tem mais o direito de sentir-se um pecador, nem de buscar ser um santo. Acontece quando seu coração queimar diante da sua Presença, e Ele é o bem amado, porque somente Ele é confiável. Você não existe mais para admitir nada, para errar novamente. Se você não pode chorar por isso, essa deve ser a sua primeira oração, a sua primeira entrega. Seja honesto quanto a isso, e diga a Ele que você não pode chorar por isso, que você não pode confiar.
P – É bom isso, sinceridade absoluta.

M – Sim, criança, é isso. Você não pode mentir para si mesmo. Você não pode ser desonesto consigo próprio. Isso é real. Expor problemas e admitir erros não é Isso. Não se trata de querer alguma solução, que é querer melhorar; aqui não se trata disso. Não pode ter você e Deus. Deus não aceita concorrência, ninguém ao lado dele. Não é possível a Verdade e você. Então, que seja só a Verdade, que seja só Deus, e que você desapareça. Que esse “você” possa se dissolver nessas lágrimas sinceras. Isso significa explodir as pontes... elas ficam para trás, e não há mais como voltar.

Transmitido no dia 10 de Fevereiro de 2014

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Somente um Filme




Se você nunca ouviu isso, não se assuste com o que vou lhe dizer, mas sua vida é só um filme, nada real está acontecendo para "quem" realmente é você, para sua real natureza. 

Ela não está nem aí pra esse personagem que você acredita ser, ela esta AQUI intocada por tudo o que acontece neste filme que é sua vida. Este "personagem" não é real, enquanto aquele que está esquecido de si mesmo sim.

Sabe por que você encontrou esse blog? Porque seu Ser real decidiu "lembrar-se" de si mesmo, estou falando de sua real natureza. E Quem é esse personagem? Quem acredita ser real? Alguns chamam de "ego", mas o que é isso?.O ego?.Isto é real?

O ego é esse sentido da mente em direção aos objetos, em apego, ou em afastamento, nesta forma de desejo ou aversão, esse movimento cria a ideia de um "eu" separado, vivendo um drama, uma situação, um conflito, um determinado sofrimento, o que na realidade é apenas um "filme", um sonho acontecendo na mente, neste mar de pensamentos, é um filme acontecendo dentro de uma história mental. 

Assim, aquilo que é verdadeiro para a mente, são suas impressões, seus pensamentos, suas crenças, mas isso que tens e tudo o que podes aceitar como sendo "você", não tem qualquer realidade, é somente um sonho ou ilusão, para esta Presença Ilimitada, para a Consciência, sua Real Natureza, seu Verdadeiro Ser, que agora decidiu constatar a si mesmo...

Quando descubro como observar aquilo que está acontecendo no "filme" sem interferir, sem me confundir, internamente com o que acontece, sou uma testemunha desidentificada, como pura Consciência, Primordial Consciência que observa, pura observação, neste momento presente. Assim constato quem sou, e isto é feito AGORA, este momento é o momento perfeito, ele é único, não há outro separado desse. 

A mente se projeta no futuro em direção a algo melhor e mais preenchedor, algo que se encontra, fora daquilo que sou neste momento. Em sua ambição, a mente se volta continuamente também para o exterior, nossos pensamentos e sentidos físicos estão constantemente voltados para o exterior, obscurecendo a Consciência, no personagem que acredito ser. Mas, se minha Real Presença, que é minha Real Natureza é constatada, se pela auto-investigação este véu de obscurecimento é levantado, a mente é descartada, o intelecto assume seu lugar, e assim não há mais esta fundição da Consciência com a mente e naturalmente com esta ilusão "eu sou o corpo", o personagem desaparece como algo real. 

E assim fica claro, que não estamos no mundo e sim o mundo em nós, não estamos no corpo e sim o corpo que está em nós, não estamos na mente, a mente é só um fenômeno que aparece naquilo que sou... Tudo aparece e desaparece, no que sou, sou o que sou... 

E tudo mais é somente um filme...


sábado, 8 de fevereiro de 2014

Paltalk Satsang - Isso não requer nenhum conhecimento especial, nenhuma formação, nem uma preparação...



Mais uma vez, neste encontro aqui, estamos colocando bem claro, já a princípio, como sempre temos feito, que nós não estamos em um encontro de palestras. Isso aqui não é um encontro de mais uma noite de palestras. Aqui, não estamos e nem estaremos discutindo acerca de algum assunto específico, ligado a conceitos religiosos, filosóficos, místicos, a doutrinas, conceitos políticos ou de outros tipos. Nós estamos neste encontro apenas para conversarmos juntos, para estarmos quietos, para estarmos em silêncio, embora alguém faça uso do microfone, nessa posição de orador, daquele que está com ele, mas o propósito aqui não é bem ouvirmos palavras.

Não é um encontro de conversas, de trocas de palavras, de perguntas, de informações... É um encontro de autorrealização, é um encontro de investigação acerca de nós mesmos, de descobrimento sobre quem realmente somos. E é sobre isso que vocês irão ouvir nesse encontro. É sobre isso que nós estaremos conversando aqui, embora apenas um com o uso do microfone. Mas, se nós acompanharmos com calma, nós vamos descobrir que apesar de um com o microfone, nós estamos juntos. Não estamos num debate, não estamos tratando de nada estranho, de nada que exija muito de cada um de nós. Isso não requer nenhum conhecimento especial, nenhuma formação, nem uma preparação...

Na verdade, os assuntos essenciais da vida são muito simples, no entanto, nosso intelecto tem essa grande habilidade de criar complicações diversas a respeito daquilo que é fundamental, importante e ao mesmo tempo simples. Toda complicação acerca da vida, ou do viver, não é porque a vida seja complexa, ou seja difícil, mas é porque o intelecto tem gerado tudo isso, tem produzido tudo isso. O propósito de um encontro como este é descobrirmos nossa essencial natureza; é termos uma aproximação desta verdade inerente a cada um de nós. Descobrirmos quem realmente somos, além daquilo que o intelecto nos tem dito. Temos vivido pelo intelecto... Estamos nos expressando através do intelecto. Estamos tirando conclusões acerca da vida à nossa volta através do intelecto. Discutimos uns com os outros através do intelecto. Acreditamos que a vida no intelecto seja a vida inteligente. No entanto, a vida inteligente é a vida em sua totalidade, algo que o intelecto, uma parte, apenas um fragmento, não consegue alcançar. Por isso o convite neste encontro de Satsang, que significa "O encontro com a Verdade"...

A própria palavra "Verdade", para o intelecto, tem que ter um significado, porque é da natureza do intelecto dar significados e dar sempre algum adjetivo, uma explicação, ou buscar uma explicação para um adjetivo ou para um substantivo, e assim por diante. Mas, quando usamos a palavra "Verdade", em Satsang, estamos falando da "Verdade do Ser", da Verdade desta Ilimitada Presença, desta Ilimitada Consciência, que não pode ser definida em palavras, que não pode ser explicada... Portanto, o nosso empenho neste encontro é descobrirmos "quem somos", descobrimos esta natureza essencial de cada um de nós. Irmos além desta limitação, deste fragmento chamado intelecto. Então, não são as palavras aqui que nos interessam. 

Não estamos interessados na análise, na conclusão, no ajuntamento de ideias para depois termos alguma coisa para levar para casa, ou para irmos dormir daqui a pouco. Não é isso! Nós estamos aqui apenas para descobrirmos o que significa "estar em QUIETUDE" e ter nesta quietude esta revelação de nossa "Real Natureza". E essa investigação de nossa Real Natureza passa necessariamente pelo descobrimento daquilo que não somos - e que até então acreditamos ser. Parte disso, essa habilidade intelectual de vivermos... Por isso deixamos isso de lado e fazemos esta aproximação com uma clara importância para cada um de nós, da investigação, a importância da investigação. Nós chamamos isso nesses encontros de "autoinvestigação" — esta investigação de nós mesmos, daquilo que se passa em nossa mente e em nossos corações; das nossas reações, dos nossos sentimentos, das nossas emoções, dos nossos pensamentos. Essa investigação acerca de quem somos e do que expressamos em nosso viver, em nosso viver diário, em nossos relacionamentos com os outros. Não é algo que alguém possa fazer em nosso lugar, é algo que nós precisamos fazer por nós mesmos.


Temos visto à nossa volta muito pesar, muito sofrimento, muita miséria. A vida humana centrada nessa identidade ilusória, que ainda não foi investigada, compreendida - e da qual nós ainda não nos livramos. Isso tem significado uma vida em profunda confusão, em profunda desordem, em profundo sofrimento, em profunda miséria. E, no entanto, nossa essencial natureza, nossa Real Natureza - aqueles que têm trabalhado em si mesmos, que têm investigado a si próprios, aqueles que têm entrado fundo, além dessas superficiais camadas da consciência (que é a consciência do homem comum, do homem que carrega esse peso de contradição, conflitos, dia após dia, após dia), - aqueles que têm entrado fundo nessa investigação de si mesmos, que têm o empenho, o interesse real... Aqueles que têm se voltado com fervor nessa direção... Eles têm descoberto e estão nos dizendo que, em nossa Real Natureza, somos essencialmente Perfeição, Verdade, Beleza, Paz, Felicidade.


Assim, resta a cada um de nós descobrirmos isso. Não ficar apenas no campo teórico, no campo da especulação, da crença, mas descobrirmos por nós mesmos! E por isso temos esta sala, temos esta oportunidade. E por isto temos esta divina oportunidade de estar dentro deste encontro, com este empenho, com este interesse real de olharmos por nós mesmos. E nesta "viagem" que não é uma viagem, que juntos estamos fazendo (sem nada fazer), - cada um tendo sua própria oportunidade de vivenciar isto de uma forma direta, sem procurar informações de segunda mão, sem procurar repetir isso apenas verbalmente, intelectualmente... Estamos falando de uma vivência direta. Estamos falando de um experimentar direto (sem um experimentador) de nossa Real Natureza, de nossa Essência Divina, daquilo que somos e que está esquecido...

Esta sala é a sala da lembrança, da recordação. É a sala na qual, ao entramos dentro de um encontro como este, podemos voltar novamente a ser crianças, a descobrir esta simplicidade, com a qual cada um de nós nasceu, mas que está esquecida, que está sufocada por esse comportamento estranho, criado pela copiação, pela imitação, por esse enorme condicionamento que temos recebido desde a infância — e ela mesma ficou lá para trás... E nós aqui temos esta alegria de estarmos juntos. E aqui temos esta oportunidade de ficarmos quietos e olharmos para "dentro de nós mesmos", com aquele olhar simples de quem procura descobrir, sem nenhuma intervenção, sem nenhuma interferência, nenhum apoio intelectual, mas um olhar direto, deixando que aquilo que está dentro venha, aflore e apareça.

Satsang é isso: é esse encontro com nós mesmos! É esse encontro com a Verdade do Ser! Não é algo que possamos ser informados intelectualmente, temos que vivenciar diretamente. Temos que aprender o significado de uma forma direta. Temos que ter essa aproximação. E estamos aqui esta noite exatamente para isso.

Por isso, é uma alegria tê-los conosco neste encontro. Não importa se estamos dentro de uma sala virtual. O assunto que tratamos nestes encontros é O Assunto, no singular, e não no plural. É o assunto do Ser. Os assuntos são diversos, mas basicamente o foco central é o Ser real de cada um de nós, é a nossa Real Natureza. E se estamos numa sala, — embora ela seja uma sala virtual — se os nossos corações estiverem unidos neste empenho, devotados a isso de uma forma simples, de uma forma objetiva, de uma forma direta, de uma forma ardorosa, fervorosa... Se estivermos empenhados aqui juntos, fazendo isso... Nossos corações serão unidos em um só coração! E sentiremos esta Graça, esta Divina Presença despertando em cada um de nós, gerando esse profundo senso de Unidade, esse profundo senso de Unicidade, de Cumplicidade, de uma Única e Real Verdade que somos.

Portanto, relaxem, abram seus corações. Esqueçamos o senso de pessoa, de identidade separada. Tudo isso criado por este sentido separatista que tem uma base muito, muito, muito forte no próprio intelecto. Por isso, o propósito aqui não é intelectual, o propósito aqui não é verbal, não é teórico. O propósito aqui não é ficarmos em nossos cérebros, procurando dentro dele, dentro das informações que já temos e trazemos já de muito tempo, descobrir isso. Não é possível termos esta aproximação direta daquilo que somos através do intelecto, através do pensamento. 


Sabedoria não nasce do intelecto. Nasce da compreensão de quem verdadeiramente somos em nossa Real Natureza. O intelecto é limitado; é um instrumento útil dentro de propósitos bem específicos na vida comum. Mas, no que diz respeito ao despertar de nossa Essência, de nossa Real Natureza, de nossa Consciência, desta Verdade do Ser, desta Verdade daquilo que chamo de Ilimitada Consciência, ou Consciência Primordial, ou Deus, nós temos que descobrir essa realidade a partir do silêncio, a partir desse mergulho, deixando tudo aquilo que nos prendia na superfície, largando todo o peso, tudo aquilo que nos segurava, tudo aquilo que nos prendia, que nos amarrava, que nos mantinha na superfície, para irmos além desta pessoa, desta identidade pessoal, nesta completa realização daquilo que somos, nesta completa realização desta Verdade que somos. Esta Verdade que somos, - acabamos aqui de dar um exemplo, nós podemos dar muitos nomes para ela, mas nenhum desses nomes é real se ficar apenas no campo do intelecto, como informação e como lembrança, como pensamento intelectual, que a gente repete, repete, repete... Os nomes não importam muito; podem ser diversos. Acabei de colocar alguns: Ilimitada ConsciênciaPrimordial Consciência, nossa Natureza RealSer RealDeus... Enfim, não são as palavras que nos interessam; a vivência nos interessa. A vivência desta quietude, a vivência desta Presença.

Eu quero falar um pouquinho sobre esta questão da Presença. Para muitos a realização desta Verdade que somos é algo que acontecerá no tempo e, por isso, nós temos sido treinados, educados, moldados, incentivados, motivados, instruídos - e nesse sentido os livros também "ajudam" muito - que nós temos que fazer alguma coisa para alcançar isso. Que nós temos que nos esforçar, nos dedicar, praticar diversas formas de disciplinas - chamadas disciplinas espirituais, ou disciplinas mágicas, místicas, ocultas e assim por diante - para realizar Isso em algum momento no futuro. E o que nós estamos dizendo aqui, neste encontro, é que, quando falamos desta Presença, ou Estado Real de Presença, estamos falando de algo a ser realizado neste instante. Presença é algo que se encontra neste momento. De outra forma, não seria Presença. Estamos falando da Presença, desta Presença. E esta Presença é algo que está agora, aqui, já, se apresentando de um modo direto, de um modo claro. Mas de uma clareza que a nossa mente não consegue enxergar. De uma clareza em que nosso condicionamento tem nos impedido de ver.

Por isso é que tem se tornado algo difícil, porque toda dificuldade reside nesse condicionamento que cada um de nós trazemos. Por isso estamos nos empenhando para alcançar Isso, estamos nos empenhando para realizar Isso, estamos exercitando, praticando, nos ligando a diversas formas de conceitos filosóficos, a sistemas de crenças, abarrotando nossos cérebros de informações. Porque acreditamos que, assim, estaremos mais perto, nos aproximaremos com mais rapidez. Porque a noção que temos é que é algo que iremos realizar manhã ou daqui a mil amanhãs. Temos que passar muitas manhãs acordando e muitas noites ainda teremos que dormir, até que um dia possamos realizar isso. E quando nós falamos de Estado de Presença, quando nós falamos de Realização Divina, de Realização de Ser, de Realização de Deus, não estamos falando de algo no tempo. Estamos falando de algo fora do tempo. Estamos falando daquilo que não está limitado ao nosso conhecido tempo.

Se examinarmos bem essa questão do tempo, o único tempo que realmente é razoável, prático, é o tempo que você, ao olhar para o seu pulso, encontra vendo os ponteiros do relógio girarem aí, é o tempo do relógio. Pela manhã, quando você acorda, o sol está num ponto e aos poucos vai mudando de posição. Dentro dessa nossa visão, parece que ele está subindo, subindo, subindo... Então, esse é o tempo. Até que chega a tarde e o sol começa a descer, descer e termina desaparecendo atrás daquela montanha. Nós já vimos isso acontecer muitas vezes. Esse é o único tempo que existe. Agora, nós fomos também condicionados a acreditar em um tempo diferente: o tempo psicológico. Tudo aquilo que me aconteceu, "para mim", aconteceu no passado. Na verdade, se posso me lembrar, eu só consigo me lembrar nesse momento presente. 


Então, na verdade, o que eu tenho do passado é apenas a lembrança. É sempre esse instante, é sempre esse momento presente que torna possível até mesmo o chamado "passado" da lembrança, ou, o "futuro" de um sonho que eu quero realizar, que desejo realizar. É apenas o pensamento se projetando, se movendo dentro do campo da Consciência, e isso acontece agora. Agora é o único momento, agora é a única verdade, agora é a única realidade. 

Não existe tal coisa como o tempo psicológico. O que existe são lembranças. Lembranças cronológicas, de acontecimentos do tempo cronológico. Apenas isso! O dia de ontem ou há trinta minutos - a recordação que tenho, a lembrança que tenho é apenas a recordação do tempo de uma experiência dentro do tempo cronológico chamado "ontem", ou há meia hora. Mas não há tempo psicológico. Não existe nenhum outro tipo de tempo! A Verdade - se ela é a Verdade - está presente agora. Ela não pode trazer no tempo cronológico aquilo que não pode trazer ou manifestar neste momento presente. Ela não pode ser menor agora e maior daqui há dois anos.

Então, é uma ilusão nossa essa ideia de realizar a Verdade do Ser, de realizar Deus, Iluminação - ou qualquer nome que queiramos dar a isso - amanhã, daqui há cinco anos, daqui há dez anos. Como se não estivesse agora, aqui, isso que procuramos, aquilo que buscamos. E, se isso é entendido claramente, a própria questão da palavra, do verbo "buscar", ou "procurar", perde todo sentido. Nós não estamos aqui para continuar buscando. Estamos aqui para ter um encontro com o estado real de Consciência que somos, aqui, neste instante, e agora, neste momento. A dificuldade é que nós não sabemos permitir que isso nos aconteça, porque o intelecto está abarrotado de ideias e conceitos acerca do que deva ser feito ou não para que isso aconteça. E esse é todo o impedimento que temos.

A meditação é o simples deixar que aquilo que está presente se mostre, atravessando essa transparência do pensamento presente, do condicionamento presente. Toda forma de condicionamento é transparente. O Estado de Consciência Real, se ele tem a liberdade de acontecer agora, atravessa todo esse condicionamento de ponta a ponta. Tudo isso de modo simples e direto. Meditação é a constatação do que somos agora. Não requer análises intelectuais, não requer essa coisa de tirar pouco a pouco, de esvaziar pouco a pouco o vaso, até que o vaso esteja inteiramente vazio e depois que o vazio estiver vazio, aí vai chegar a plenitude e encher o vaso... Nada disso! Nesse estado de observar, todo condicionamento se torna transparente, todo movimento interno da consciência se torna transparente. E esse estado de Presença, agora, atravessa completamente todo esse condicionamento. Nesse atravessar, há libertação ou uma liberação desse Estado Real de Consciência que somos. Não há poder nenhum, não há prisão nenhuma, do chamado condicionamento, se ele é percebido dessa forma. A dificuldade que temos é que nós não somos informados acerca disso. Então, eles nos dão regras, nos dão sistemas, disciplinas, padrões de comportamento, nos ensinam técnicas até de meditação, para ver se conseguimos romper com esse condicionamento, através de um determinado esforço...

A pergunta é se nós podemos estar atentos - apenas atentos a esse movimento interno da consciência, sem nenhum esforço, sem nenhuma disciplina, sem essa tentativa de mudar, alterar, transformar aquilo que vemos em outra coisa, mas apenas olhar, ficar diretamente com isso. Não importa que tipo de pensamento, não importa a qualidade dele: se ele é bom, se ele é mal, se ele é falso, se é verdadeiro. Esse fundo que julga, que avalia e diz: disso eu gosto, disso eu não gosto... Quando ficamos diretamente com esta observação direta, tudo isso se torna transparente, e o Estado de Consciência, que está presente agora, assume o seu próprio lugar. E, nessa compreensão direta do que sou, não continuo mais no caminho do método, da disciplina, porque isso está presente agora. Aqui está está paz que ultrapassa toda a compreensão humana. Aqui está esta verdade que não tem nome, não tem forma, que podemos chamar de diversos nomes. Esse é o estado direto de percepção daquilo que sou. Não preciso seguir mais nenhuma religião organizada, não preciso mais acreditar em nada, ou deixar de acreditar em qualquer outra coisa, não preciso trocar desta informação para aquela, não preciso de mais informações. Não preciso de nada disso! Estou diretamente naquilo que é, naquilo que sou. E isso revela a Verdade.

Nessa revelação da Verdade, sou livre, vivencio essa liberdade de minha essência, essa liberdade de minha real natureza. Todo esse condicionamento é quebrado, toda essa ilusão é desfeita. Não há mais procura, não há mais busca, não há mais necessidade de continuar correndo de um padrão para outro, de uma disciplina para outra, de uma prática para outra, de uma religião para outra, de um livro para outro. Tudo isso se desfaz, tudo isso desaparece. E, quando isso acontece - e isso acontece agora, nesse presente momento - há uma energia nova. Há um novo fluir, um novo acontecer, um novo momento. Um momento indescritível, um momento de extraordinária quietude, de extraordinária beleza. Um momento no qual um espaço se abre em meu coração, e ele agora tem uma energia e uma presença nova, esta presença da compaixão, esta presença do amor, esta presença desta Divina Graça. Não há mais sofrimento, não há mais conflito, medo, ansiedade, desespero - como também não há mais esperança. A razão de ser é ser, ser e ser. Uma razão sem razão, como um estado livre de todos os outros estados. Esta é uma alegria sem causa, sem motivo externo aparente. Uma existência livre do sentido separatista do eu; uma existência consciente, em plena consciência de que tudo, absolutamente tudo, está dentro desta Única Consciência que manifesta e que oculta todas as coisas.

Unicidade, não dualismo, não separação, não separatividade. Não há mais o conceito eu, o mundo e Deus. Apenas esse estado livre, no qual a liberdade é o próprio estado e a pessoa não está mais presente. O organismo continua presente, ainda com os seus gostos, determinados alimentos; se o organismo sabe alguma profissão, ela continua. Tudo continua como antes, nada é diferente, do ponto de vista físico, externo, biológico, tudo é exatamente o que era antes. Mas, do ponto de vista interno, do ponto de vista interior, uma nova visão da vida, uma nova percepção da vida. Todo o conceito de "minha vida" se foi. Todo conceito de "minha história", baseada no intelecto, no pensamento, em todo esse acumulo chamado "eu" desaparece. Isso chama-se Auto-Realização, Iluminação, Libertação. Todos procuram Isso, todos buscam Isso - e querem encontrar do lado de fora.

Nós somos Isso, agora e aqui. Só não fomos informados ainda. Ninguém nos informou acerca disso, ainda. Estamos dando informações diversas, mas ninguém nos disse isso ainda. Estão tentando nos dar alguma coisa, mas não nos deram isso, não nos mostraram isso que é tão simples e direto. Aqui, estamos só para isso: para vivermos um momento de despertar, juntos. Uma vida completamente livre, porque é só há Vida. Agora, é só há Vida. Não a "minha vida", mas a Vida, a Vida em sua Graça, em sua Beleza, em seu Encanto, em sua Verdade... O descobrimento desta Suprema Realidade que está presente agora.

Assim, neste encontro, neste momento - estamos falando há quase sessenta minutos, mas, se observaram o que foi colocado, não falamos de nenhuma fórmula, não falamos de nenhum sistema, de nenhuma determinada prática. Estamos apenas através desse momento de encontro procurando aqui nos lembrar a respeito disso. Estamos procurando ter uma lembrança clara desses assuntos, desses assuntos que é só um assunto: é o Assunto do Ser, da Verdade que somos. Se vocês nos acompanharam até agora neste momento, ouvindo, não avaliando, não analisando, não discutindo dentro da própria cabeça. "Com isso que ele falou eu concordo, com isso eu discordo"... Se vocês realmente ouviram até agora, inteira e completamente... Alguns de vocês, eu diria todos, estamos juntos num estado de Presença onde muito mais do que esta visão interna está acontecendo. Neste exato momento temos esta Percepção Direta.

Creio que seja o suficiente. 


Muito obrigado a todos!



Transmitido em 20 de Junho de 2011

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Livre arbítrio, determinismo,escolha, acaso.






Vamos começar com uma resposta a uma pergunta. A pergunta é: Quando não há mais um fazedor, um autor, como alguém que pedala uma bicicleta, ainda assim a bicicleta continua o movimento por inércia, por padrão, por programação da própria máquina?

Essa pergunta, vamos fazer uma observação em cima dela. Não há esse fazedor, não há esse autor. Esse fazedor, esse autor, nunca esteve presente, ele não é real. O que nós temos aparentemente por presente nessa crença, nessa imaginação, é a ideia de um fazedor, é a crença de um autor. A bicicleta está sendo pedalada, mas não tem alguém criando essa força sobre os pedais. E ainda assim a bicicleta continua.

Então, não se trata, como aqui na sua pergunta, de se a bicicleta vai continuar o seu movimento por inércia. A bicicleta já tem o seu próprio movimento, e esse movimento é só um movimento sem alguém nele, sem um movimentador. Esse movimento da bicicleta continua até que o mecanismo desapareça. Enquanto a bicicleta tiver rodas, pedais, guidom e tudo o mais, a coisa vai continuar. Já não tem um autor agora, já não tem um fazedor agora. Então, a primeira coisa a ser compreendida é essa.

A segunda coisa é: e quanto aos padrões? Já estou reformulando sua pergunta. São esses padrões que desaparecem junto com uma crença do sentido de identidade, junto com o sentido de um fazedor, de um realizador. Uma vez que a crença de um realizador, de um fazedor, de um autor não está mais presente, os padrões começam a desaparecer. Esses padrões é o desconforto dessa pseudo identidade, dessa ilusória identidade. Todo o sofrimento do ego, desse mim, desse eu, desse “realizador”, é esse padrão. É isso que desaparece.

Então, compreendam isso: no Despertar, na Realização, como você queira chamar, a ação não é de alguém, não há alguém nela. Você não existe. Existe você como crença, não há você como real. Esse mecanismo, esse corpo-mente tem uma programação. À parte dessa programação desse mecanismo há padrões de uma suposta identidade separada. Esses padrões são essas impressões nesse mecanismo, nesse corpo-mente, são esses padrões que desaparecem com o desaparecimento do ego, do eu. Porque esse ego, esse eu, não é nada além que padrões de uma suposta identidade se passando por você.

Deixando agora a metáfora da bicicleta, esse mecanismo é a bicicleta, e essa ação do movimento desse mecanismo é uma ação dessa Presença, dessa Consciência impessoal, não tem alguém aí. Agora podemos deixar essa metáfora e dizer que a única coisa que desaparece com o desaparecimento dessa suposta identidade são as programações dessa suposta identidade: ambição, inveja, ciúme, ansiedade, desejo, medo. A lista, você vai lá no dicionário Aurélio e dá uma procurada. E tudo o que você vê de ruim e de bom nesse assim chamado “ser humano” é essa suposta identidade presente numa suposta ação.

Porque mesmo essa suposta entidade, essa suposta ação, por mais negativa ou positiva, não há nada aí acontecendo de fato. Tudo é somente uma ação dessa Presença, dessa Consciência. Há um único poder que move tudo. A ilusão da suposta identidade separada, é isso que desaparece, e a ideia de um autor presente em qualquer ação. É quando o medo, a inveja, o ciúme, a preocupação, a ansiedade, o desejo, é quando isso desaparece nesse mecanismo, nesse organismo, nesse corpo-mente. Nesse sentido, o que temos aí é algo particular nesse mecanismo. O que chamamos de alguém acordado, alguém desperto, não tem alguém, há só o Despertar. Há só o estado de alerteza, de pura Consciência, de pura Presença naquele mecanismo, trabalhando de uma forma natural. É quando esse mecanismo está no seu Estado Natural.
Sua fala é natural, seu olhar é natural, seu sorrir é natural, seu comer, seu dormir. Há uma nova ordem para esse mecanismo. Esse mecanismo não está mais subjugado a essa opressão mental, a essa opressão da mente egoica, a essa opressão desse sentido de separatividade, a essa opressão dessa programação que é comum apenas a 7 bilhões no planeta. Não há mais medo. Se não há medo, não há ilusão. Se não há mais ilusão, não há mais sofrimento. Sem o medo, sem o sentido de separatividade. Isso significa completa ordem. Não a ordem que a mente conhece, mas exatamente a ordem da ausência da mente. Mente significa comparação, julgamento, avaliação, sobreposição, ajustamento, enquadramento, limitação. Ou seja, resultado ou busca de resultado. Limitação, medo. Limitação, conflito, medo. Limitação, conflito, sofrimento, medo. Ilusão é igual a limitação, conflito, sofrimento, medo.

P - Mas então se o "eu "  é uma ilusão, não há nem livre arbítrio nem determinismo, nem escolha e nem acaso?
M – Não tem nada disso não. Isso aí nasceu da necessidade da mente de explicar. Se a mente deixa de explicar, ela desaparece. Essa é a dificuldade que vocês têm em Satsang. Vocês querem capturar isso para depois terem a sensação de que já sabem, e isso é ego. Nesse momento você escuta uma fala a partir de um lugar que não sabe. Não sei exatamente o que estou falando, quem saberia? Que necessidade tem de alguém aqui e alguém aí? Alguém que sabe explicar e alguém que sabe compreender? O que acontece quando alguém que explica explica e alguém que entende entende? Ambos ficam na limitação do conhecimento. Essa limitação do conhecimento é um espaço circunscrito, é uma sala com quatro paredes. A mente pode apontar para esse espaço, para essa sala, e dizer “está ali”. Mas o que ela pode apontar está dentro da limitação dela.

A mente criou o conceito e a explicação do conceito. E encontrou além do conceito e da explicação uma prova do conceito. Então, ela criou a experimentação para comprovar sua experiência. Na mente, tudo isso existe: livre arbítrio, determinismo, acaso. Tudo isso na mente está presente. Tudo isso é verdadeiro na mente, ela pode provar a validade disso. Quando ela aponta para esse espaço de quatro paredes, esse espaço circunscrito, ela pode provar a validade disso, dentro dela. Isso é parte do conhecido. E aqui em Satsang estamos apontando para além da mente, além da limitação desse espaço. Para uma suposta identidade separada, livre arbítrio explica muita coisa, e determinismo também. Escolha também, acaso também, causa e efeito também.

Mas aonde podemos encontrar essa identidade fora da mente? Ela não está presente no que é, ela só está presente no que foi ou no que pode vir a ser. E o que foi e o que pode vir a ser pode ser explicado pelo determinismo ou pelo livre arbítrio, pela escolha, causa e efeito, acaso. Estamos apontando nesses encontros para a sua Real Natureza. Sua Real Natureza é algo no qual esse mecanismo aparece e depois desaparece. Esse mecanismo aparecendo e desaparecendo tem a importância de qualquer outra aparição para sua Real Natureza. Para sua Real Natureza esse mecanismo ou o mecanismo vizinho são só mecanismos.

Quando o sentido de uma identidade presente, que é uma ilusão, cai, a comparação cai, a inveja cai, a crença de ser especial cai, o sentido de autoimportância cai. É simplesmente maravilhoso isso, constatar a beleza disso, a beleza do fim desse sentido de identidade separada. Essa é a única Liberação. Na Liberação você não é livre, na Liberação não há esse você. Paradoxalmente, você é a Liberação. Mas esse você inclui todas as aparições, todas as desaparições também. Então, nada é importante ou sem importância, nada está no lugar ou fora do lugar. Não há nada real ou irreal. É aqui que você constata que a ilusão nunca existiu. Só parece que foi assim. Mas o tempo também não existiu, só parece que foi assim.

Aqui temos a natural dificuldade de colocarmos isso em palavras. Você pode realizar – aqui realizar é esse constatar – o que você é. Mas não há como falar sobre isso. Aquele que sabe, não tem o que dizer, então não fala. Aquele que fala, é porque tem muito o que dizer, então não sabe. Agora entra o paradoxo: saber aqui é o que eu chamo de Suprema Ignorância, é um saber sem o saber. Vocês têm uma forte preocupação em tentar capturar isso, e eu continuo afirmando para você: apenas fique na proximidade e a coisa acontece. Não há nada para ser conhecido, não há nada para se saber. Não é possível saber. Mais uma vez o paradoxo: não é possível deixar de saber. Aquilo que você é não deixa de ser, quer aconteça uma constatação disso aí ou não. Se não acontece a constatação, a ilusão do sentido de separatividade se mantém. Se acontece a constatação, é o que nós chamamos de Despertar.

Você é sábio, essa é a sua natureza, mas você não sabe disso. Não sabe disso neste momento. Antes desse “Despertar” você não sabe que é sábio, e depois desse “Despertar” você continua não sabendo que é sábio. Eu posso esclarecer isso: a sabedoria desse Estado Natural no Acordado não serve para ele, não é algo que tenha qualquer utilidade para ele. É algo medicinal. Há aqueles que se aproximam, tomam desse medicamento, recebem desse medicamento, e quando estão curados percebem que nunca estiveram doentes também. Então, o sábio não sabe que sabe, e os não sábios não sabem que sabem, mas na verdade não há sábios e não sábios, só há Consciência. Só há Verdade, só há Liberação.

Fala pelo paltalk transmitida no dia 03 de fevereiro de 2014

Compartilhe com outros corações