domingo, 28 de julho de 2013

Satsang - É impossível deixar de ser o que você é






Desaprender o que aprendemos, desaprender a ser alguém. Ficar apenas nesse "se mover com a vida como ela se mostra momento a momento" é a coisa toda. Deixar o sentido de auto-importância.

Há necessidade de ser protegido. Há necessidade de ser ajudado. Há necessidade ser carregado, ser amparado, ser amado, de ser aceito, de ser, de ser, de ser, de ser...

Há necessidade de ser alguém, necessidade de ser, de ser, de ser... De ser alguma coisa para si mesmo, para outros. Essa "necessidade" é o sentido dessa falsa identidade sobrevivendo, se mantendo dentro dessa ilusão... Ser melhor, ser mais virtuoso, ser considerado, ser aceito... Ser, ser, ser... ser... ser...

Disseram para nós que tínhamos que ser alguém, não só para nós mesmos, para os outros também. O medo de não ser... Abrace o medo, acolha o medo. Fique com isso. É só quando você pode ser, é quando abandona o medo de "não ser". Realmente ser é deixar o medo de "procurar ser alguma coisa para si mesmo ou para alguém". É impossível deixar de ser o que você é essencialmente.

Todo o esforço para vir a ser, para ser algo para si mesmo, para ser alguém para si mesmo, para ser alguém para outros, para "ser algo para outros", é medo. A infelicidade é impossível, o medo é impossível, o sofrimento é impossível na Consciência. Só na mente, e em suas histórias; só na mente, e em suas imagens. Só na mente, e em suas ideias – a ideia de ser, de se tornar, se mover, como se algo fora desse instante fosse possível, ou seja, na imaginação.

A vida é completa, plena, pura graça. O amor, a paz, o silêncio, é o coração desse instante. Agora! Esse sentido imaginário mental de "ser" é a ilusão da autoimportância – algo puramente imaginário.

Num campo de tulipas, nenhuma é mais importante que as demais.
Num campo de orquídeas, nenhuma é mais importante que as demais.
Num campo de rosas, nenhuma é mais importante que as demais.
Na existência, não há nada como isso.

A rejeição da existência como ela se mostra – essa tentativa de "se destacar", de "ser especial", é de "ser alguém"... Aí está a infelicidade! Aí está o sofrimento! É preciso ser muito importante para ser miserável, para ser sofredor, para ser infeliz. É preciso ser muito mais do que se é. Só assim é possível essa crença se manter.

Solte todas as suas defesas, todas as suas seguranças, todas as suas certezas, todas as suas imagens. Largue tudo! Solte tudo! Deixe tudo solto flutuando no ar, tudo o que aprenderam sobre si mesmos, tudo o que sabe sobre os demais, tudo o que acreditam sobre a vida, sobre tudo.

Fique nesse não saber. Aí encontra esse "não ser alguma coisa". É quando só o que é possível é ser. É quando fica claro que a infelicidade é impossível. A miséria, o sofrimento é impossível.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Satsang - Se livrar do que ?




A vida é simples de grande e extraordinária beleza quando não há escolha, quando não há julgamento, quando não há comparação, quando a ideia sobre "o que É" não está presente, porque "o que É" é a Vida em sua beleza, é o Sagrado, é o Divino, é a Verdade. Não é a verdade como o contrário da não-verdade, é a verdade que não tem contrário. O "contrário" é uma ideia, o "contrário" é uma crença, o "contrário" é uma posição de opinião, a ilusão não é real. É aqui que a ilusão entra, por isso chamamos de ilusão.

A não-verdade é uma ilusão,
A não-beleza é uma ilusão,
O errado ou o certo é uma ilusão,
O bem e o mal é uma ilusão,
Perfeição ou imperfeição são conceitos mentais,
portanto são ilusões também,
porque tudo isso são conceitos,
conceitos mentais.

Não se trata de nos libertarmos do que não é, que o que não é, já não é.

Alguns de vocês vem ao Satsang, e a princípio vocês tem algumas ideias, aliás, muitas ideias. Parece que esse é todo o problema. Porque as ideias estão exatamente no campo da ilusão. São ideias. Não são fatos, são ideias.

Nós temos muitas ideias. Uma delas é de nos livrarmos da ilusão. Nós nunca nos perguntamos "quem está preocupado com isso?". Só pode ser uma preocupação. Uma preocupação é só uma "ideia", é só um "pensamento" a cerca do que É, portanto é uma "ilusão".

Uma ilusão, de onde nasce? Qual a origem da ilusão? Aí está a resposta ao "quem sou eu". Esse "quem", esse "alguém" que quer se livrar da ilusão não existe. Quem se livra do quê, ou seja, o que temos? Pensamentos! Pensamentos acontecendo – uma sobreposição da realidade "daquele" ou "desse momento presente", "aquilo que acontece", "disso que acontece" – posicionamento de uma visão particular, que interpreta, que julga, que compara, que avalia, que faz tudo isso e muito mais – ideologicamente, é claro. E é claro que se tudo isso é algo meramente acontecendo no campo das ideias, é aqui que acontece todo o conflito nosso.

O "seu" sofrimento é uma ficção, "sua" dor – uma ficção, o "seu" medo é uma ficção. Toda forma de conflito nessa pseudo-identidade, nesse centro, é uma ilusão, nesse "sensor". É uma ilusão. Talvez você pergunte "e isso que sinto?". Isso que você sente não é você sentindo, é o "corpo" sentindo, é a "mente" sentindo, é o "sistema" sentindo, é o "organismo" sentindo, é a "programação" sentindo, mas isso não é você. Você não é o corpo. Constatar quem é você, é descobrir que você não existe como uma identidade separada. Você (existe como) é o que É, e com o que É não é nada particular, não é alguém.

Você chama de "sofrimento acontecendo á você", eu chamo de "memória programada" se repetindo vez, após vez, após vez, após vez, nesse "mecanismo corpo-mente". Se você descobre como olhar para isso como parte de uma experiência nesse instante, sem um "sensor" que julga, que compara, que rejeita... Se você aprende a olhar para isso como algo que está acontecendo sem identificar isso como sendo você, mas simplesmente acontecendo...

A tristeza acontece, a preocupação acontece, o medo acontece, a ansiedade acontece... São só sensações. Escute(m)... Sensações acontecendo á esse mecanismo, não á mim. O problema conosco é esse: "é sempre á mim", ou, "ao outro" que acontece. Não percebemos que a coisa simplesmente acontece. A memória, ela acontece. É só memória. É uma memória de dor... Poderia ser uma memória de prazer... Uma memória na máquina do organismo, desse corpo-mente. Não tem nada a ver com você.

Você é essa Consciência, essa Presença. Você é esse não-observador, não-sensor. É Isso que é ilimitado. É Isso que é indescritível. É Isso que é sem nome, que é sem forma. É isso que é o Campo do qual essa experiência acontece.

"Não se identificar a si mesmo como 'esse que sofre', mas observar o que vem e vai, o que chamamos de sofrimento; toda memória é assim, toda tristeza é assim, toda angústia é assim, toda ansiedade é assim, toda depressão é assim, todo o desconforto que chamamos de 'sofrimento' é assim – vem e vai".

Você já teve muitos momentos na vida em que acreditou que iria "morrer" de tanta tristeza, de tanta busca, de tanta dor. Eu não estou dizendo que ela não aparece. Eu só estou dizendo que isso "vem e vai". Quando eu disse que o sofrimento não é seu, eu estou dizendo que o sofrimento "vem e vai". Não estou dizendo que ele não acontece. Quando eu estou dizendo que a depressão não é sua, não estou dizendo que a depressão não acontece, que a ansiedade não acontece, que o medo não acontece, mas é algo que tem que ser visto nessa Clareza, nessa Claridade, nessa Constatação, então você não permanece, porque a memória não se mantém com continuidade, ela não pode se repetir, ela é queimada nesse Constatar Direto. Mas se ela não é observada, se ela não é queimada nesse Constatar Direto – é o que temos feito ao longo de todos esses anos – a coisa se mantém. O sentido de uma identidade por trás se mantém – aquele trauma, aquela dor específica, aquele sofrimento especificamente ligado naquela memória, repare(m): "é só uma sensação". Não tem "alguém" nisso.

Nossa insistência é sempre essa: "De novo! Novamente! De novo! E novamente! Novamente! E de novo!" E depois mais uma vez: "Novamente! E de novo! E de novo! Novamente!". Estamos dizendo para você: "Você não existe como uma 'ideia', como uma 'crença', como um 'conceito sobre si mesmo'! Uma fraude! Você não existe!". Como você existe? Impensável! Indizível! Indescritível! Então não se fala mais nisso!

Você existe como a Vida, e como a Vida você não é uma pessoa. Você é o que acontece. Você é o que acontece e o que não acontece, e é anterior á isso. Você nunca nasceu, nem vai morrer; como nunca sofreu, nem vai sofrer. E no entanto, o corpo nasceu, e o corpo vai morrer; o corpo passa por sofrimento, e por prazer. Mas o corpo é só um acontecimento insignificante... Completamente insignificante. Você dá muita importância ao corpo. Como dá muita importância ao corpo, se confunde com ele. O corpo sofre mudanças, é natural.

Tudo o que tem início caminha na sua continuidade até o fim.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Satsang - Estar só, livre para olhar




Vamos assumir "essa" ou "aquela posição", vamos levantar "essa" ou "aquela bandeira", vamos entrar "nesse" ou "naquele movimento", vamos "reformar", vamos "mudar", vamos "ajudar", vamos "cooperar", vamos "trabalhar juntos", vamos "empreender", vamos "fazer". Essa é a ideia de uma "identidade coletiva". Existe a ideia de uma identidade individual, e agora a ideia de uma identidade coletiva.

Ficar só...

...e descobrir nesse "estar só", que não há alguém...

...curioso dizer isso, mas é nesse "estar só"...

Quando se está só, é quando se está livre. Livre para olhar isso tudo, para observar isso tudo; isso que é comum, coletivo; isso que é o modelo de linha de produção.

"Investigar tudo isso, e ver a falácia, a fraude, que é isso tudo".

Somente quando se está só, se pode constatar que não há tal coisa, como estar só, como alguém só.

Reparem como é simples "desaprender", mas como nos parece complexo essa coisa. Isso, porque até no "desaprender" você quer "aprender", você quer "entender"; você quer sair daqui com uma "fórmula", com um modelo de ação, e estar só sem nenhum suporte desses... São os padrões da indústria.

Vivemos nessas fábricas para cada produto, para cada modelo de produto, um design, um formato, uma cor, um símbolo, *uma variedade, e depois uma aprovação para sair para o mercado para as relações humanas...

Percebe(m) o que estamos dizendo? Ou não?

Satsang - Aí está a liberação





Bem vindo a mais um Satsang, a mais um momento, mais um momento de atentarmos para Isso, para Aquilo que somos.

Despertar nada mais é do que ter plena ciência de que nesse momento tudo faz parte de uma coisa só, não há nenhuma separação, e de que nada é estranho, nada se opõe, nada é contrário, nada é antagônico. É essa plena ciência de que não há inimigos, não há adversários, não há nada fora do lugar, e todas essas palavras, não dizem nada – permanece sempre Aquilo que é imutável por trás de tudo aquilo que muda, tudo aquilo que vem e vai. Assim o Despertar não é algo que acontece ao corpo, é algo que é constatado na consciência, como consciência, é a ciência da consciência na consciência. Mas é essa percepção do "corpo-mente", é essa ciência da consciência na consciência. Isso é basicamente silêncio, é basicamente não-separação, não-conflito, não-sofrimento.

O sofrimento aqui é visto como um fenômeno que vem e vai – a multiplicidade, essa aparente separação de tudo, é só um fenômeno meramente mental. Como fenômeno mental a verdade disso está na mente, e não na consciência.

O corpo não experimenta separação, a mente experimenta separação. A mente experiência separação como uma crença. A mente é só uma crença, é um fenômeno na consciência. Enquanto o corpo não experimenta a separação, a mente experimenta a separação, é um fenômeno que experimenta a separação, é uma crença que experimenta a separação. O corpo aparece na mente, mas o corpo desempenha muito bem a sua função, o seu papel, enquanto que a mente, ela está em desordem, em razão, desse modo de operar, desse modo próprio de operação dela, e ela está no lugar dela fazendo o que ela sabe fazer bem, o corpo está no lugar dele fazendo o que ele sabe fazer bem, e isso acontece nessa consciência.

Consciência ciente dela própria é o Despertar nessa harmonia do corpo e mente á essa ciência. Aí está a liberação. Aí está a realização.

domingo, 14 de julho de 2013

Permaneça Neste EU SOU





Se o nosso propósito é a liberação, algumas coisas precisam ser compreendidas por cada um de vocês. 

Se há um propósito, este propósito nasce disso, que está queimando aí dentro, se não é um mero desejo, uma curiosidade, mais uma alternativa de fuga de nossas frustrações, de nossos conflitos, de nossos medos, se isto está aí de verdade, algumas coisas precisam ser compreendidas. 

Uma delas é que toda impressão que você tem do mundo, da vida, essa sua impressão é puramente mental, ela não é como parece ser, a vida não é, a vida é como ela é. 

Qualquer impressão que você tem é a sua impressão. Se você está olhando para a liberação, você tem que deixar essa impressão no lugar dela, e o lugar dela é dentro da mente, não tem nada de real naquilo que é você. 

Qualquer impressão que você tenha é só uma impressão mental, o mundo não lhe causa nenhuma impressão, as experiências da vida não lhe causam nenhuma impressão. Estar dando autenticidade a esta impressão é se manter na ilusão. Isto é esta falsa identidade fazendo.

Você em seu Ser está livre, é a própria liberdade, é a liberdade do medo, é a liberdade da mente, é a liberdade do sentido de alguém tendo impressões da vida. Tendo impressões, interpretando, analisando, traduzindo, gostando, não gostando, querendo bem, não querendo bem, aceitando, rejeitando, nesse ilimitado espaço de Puro Ser, de Pura Consciência, você é a liberdade. Não está vinculado a nenhuma experiência. 

Esta última noite no sono profundo, não havia nenhuma impressão do mundo, não havia nenhuma experiência particular, havia só esta única experiência, que não deixou registro, que não deixou memória, esta experiência de Ser, de Pura Consciência, sem nome e sem forma, sem objetividade, sem subjetividade, sem objetos, sem pessoas, sem lugares, liberação é o seu estado natural. 

Esta experiência única de Ilimitada Presença, de Ilimitada Consciência, sem passado, sem futuro, sem qualquer particular experiência, sem qualquer impressão do sono profundo, esta experiência única do sono profundo, sem o sentido de um eu, de um mundo, ou de qualquer coisa dele. 

Seu estado de liberdade, seu estado verdadeiro, seu estado de liberação, é esta única experiência de sono profundo, plenamente desperto, acordado. Só existe este estado, só existe esta única Presença, esta única experiência de Puro Ser, de Pura Consciência, o sono profundo está dentro dele, o estado de vigília está dentro dele, o estado de sonho está dentro dele, tudo aparece e desaparece nele e ele é você. 

Mas é a experiência comum de todos nós, de que não há qualquer impressão, qualquer dependência, qualquer impacto mental distorcendo esta realidade da Consciência no sono profundo, todos nós vivenciamos isto, então é um estado, que é comum a todos nós. 

Olhem para esta experiência acontecendo agora, como esta experiência de Pura Consciência, sem se vincular a qualquer sensação, sentimento, emoção, qualquer imagem, a qualquer história mental, então você está livre, você é a liberdade. 

Todos esses nós precisam ser desatados, eles são desatados quando são vistos, como uma mera projeção da mente, acontecendo nesse espaço de Pura Consciência, de Pura Presença. Não se separem dessa Consciência, impressionado com impressões mentais, se mantenha neste "EU SOU", comendo, falando, caminhando, trabalhando, dormindo, acordado, o corpo passando por qualquer experiência, a mente passando por qualquer experiência particular, se mantenha neste EU SOU. 

Se volte para este EU SOU, sem distrações, sem ser capturado por qualquer impressão mental, sem ser capturado por qualquer memória, qualquer imaginação, qualquer forma de crença, permaneça contente com a vida como ela se mostra neste momento, é só este momento, olhem qualquer ansiedade, qualquer antecipação, qualquer forma de medo e você vai ver, são só pensamentos, pensamentos relativos ao futuro, não há futuro, só imaginação. Não há nenhum passado, são só lembranças, são só recordações, só imagens, pessoas, lugares e objetos, são só pensamentos, são só crenças, acontecendo agora nesse instante. 

Permaneça neste EU SOU e isto passa, não é você, nada que vem e vai é você, nada que acontece é você, nada que acontecerá é você, você é este Eu Sou, é aí que tudo acontece ou parece acontecer. 

Deixem solta, deixem solta qualquer impressão, qualquer impressão mental, toda impressão que temos é só uma impressão mental, deixem solta. Qualquer lembrança, qualquer reação de sentimentos, de emoções, de sensações, você deixa solto, enquanto você permanece nesse espaço, como esse espaço, neste espaço de Consciência, de Presença, de Ser, só há liberdade. Quando há liberdade não há escolha, a liberdade se move na ação, a ação é liberdade, essa ação e liberdade é alegria. 


Trecho de uma fala em Satsang ocorrida no encontro de Fortaleza, na cidade de Guaramiranga - CE
no retiro ocorrido entre os dias 20 e 24 de Junho de 2013

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Satsang - O aparecimento da ilusão do eu - I





Todos nós nos vemos atrapalhados com isso, com esse sentido do "eu". A questão é: como isso aparece? Como é que isso surge?

Há algo muito direto que pode ser observado de uma forma muito direta, e que claramente explica isso.

Desde a infância nós temos passado por algumas experiências, e algumas experiências, elas criam sensações, elas manifestam sensações, elas explodem sensações – sensações que acontecem no corpo – algumas são prazerosas e outras não. Nós chamamos de "prazerosas" aquelas que conferem prazer naturalmente, [e] as que não, são as sensações dolorosas, essas desconfortáveis.

Geralmente isso vem associado já a uma ideia – a ideia primeira, que já se estabilizou em nós – a ideia de um nome. Então, nós já sabemos o nosso "nome". O nosso "nome" é bem único – algo exclusivo. São quando essas sensações surgem a esse corpo que tem esse nome... E aí a gente aprende o pronome – o pronome "eu". A gente aprende a expressão "mim", "mim mesmo". Então, quando acontece [algo] a esse corpo, acontece a "mim".

Tudo é meramente uma questão de "sensação acontecendo". E o que são essas sensações? Uma resposta do corpo a uma experiência neural – esse mecanismo nesse organismo. Um beliscão, é dor. Uma massagem, um carinho, é prazer. Um prazer á "mim". Uma dor á "mim". É muito simples: está doendo, ou é prazeroso – "Quem sentiu o prazer? Eu"; "Quem sentiu a dor? Eu"; "Quem é que está triste agora? Eu"; "Quem está feliz agora? Eu" –, e aí o corpo se torna um refúgio para uma crença – a "crença do eu" – uma crença que se confirma com uma sensação. A sensação de dor confirma o que aconteceu a "mim", e não a "você", então, "eu sou uma entidade separada de você, porque eu senti, e você não sentiu". 
 
É tão simples como o sentido de separação – que é o sentido do "eu" – surge nesse mecanismo, nesse organismo. Então, eu olho a minha volta e fica claro que "nada está sentindo", "ninguém está sentindo o que eu estou sentindo", então, eu me torno uma "figura importante" – central. 
 
"Eu tenho que me proteger sempre da dor, e sinto quanto o prazer é gratificante, e aí começo a buscar o prazer, e começo a afastar a dor. Então, tudo o que me causa dor, eu procuro afastar. Tudo o que me causa prazer, eu procuro trazer para perto de mim. Então, com o passar dos anos, eu começo a ser afagado: recebo elogios". Isso causa uma impressão também, uma forma de sensação também neural – não tanto física, a princípio, ou parece não ser tão física, mas daqui a pouco, eu começo a descobrir que o sistema, esse sistema em "mim", consegue transformar uma simples palavra associada á esse sentido do "mim" a essa "crença", esse "mim" – numa sensação também – numa sensação de prazer, então, "eu amo ser elogiado, reconhecido, [mas] também de uma forma, eu começo a ser ferido, também. Então, eu me sinto ferido; eu também me sinto magoado; eu também me sinto ofendido quando 'falam mal de mim'". 
 
Esse "mim" agora é uma "imagem refugiada no corpo", tendo uma confirmação dia após dia, ano após ano – uma confirmação de crença e de sensação. Então, os "sentimentos", as "emoções" – qualquer uma dessas "respostas" nesse corpo-mente em "mim", são fortalecidas. Essa crença já está presente "abalizada", robustecida, fortalecida vez após vez... Após vez... Após vez.

O mundo a minha volta só faz uma coisa: é confirmar mais e mais, que estou cercado de "eus", cercado de "pessoas". A palavra "pessoa" é um outro nome para "histórias de eus"; uma "pessoa" significa "um 'eu' com uma história para contar". Então, nós temos "pessoas" [em nós]: são grupos de "eus" associados com ideias comuns, desejos comuns, crenças comuns. E assim prossegue essa assim chamada "minha vida" – a vida desse "mim". É simples.

Agora vamos ver como fazer um reverso disso, como, pela investigação, a gente pode ver que não é real. Toda "sensação" está presente, mas ela não necessita desse amparo – do amparo de uma identidade por trás da sensação. Então, o que fazemos juntos, investigando isso, olhando para isso, o que nós fazemos? Ficamos cientes do que acontece. Então vamos lá: 
 
O que de fato acontece? Quando alguém elogia você: a quem está elogiando? Quando, como alguém critica você: a quem está criticando? Pois eu digo: [é] uma crença. Essa crença é o "mim mesmo". Essa crença é o "eu". Esse "eu" tem um nome e uma forma, e esse nome e essa forma é só uma "imagem". Se muda o nome (já não estou falando de "mim", estou falando de outro "mim", de um outro "eu") então isso não me ofende, não a "mim", então, eu passo a bola para outro "mim", que fica ofendido. Se alguém elogia com um outro nome, [isso] se refere a outra pessoa, não há mim, então eu fico triste, porque "o elogio não veio para mim", ou seja, não veio para essa "imagem [sobre mim]". Então, na verdade o quê que nós temos? Um jogo de imagens. Quem é você? Uma crença, uma imagem.

Então, um aspecto do "eu", é o aspecto psicológico – esse aspecto da imagem. E o outro aspecto do "eu", é o aspecto físico. Esse aspecto psicológico se reflete nesse aspecto físico do "eu", então, o prazer sentido, ele é físico aqui; a dor sentida, ela é física aqui. Quando ela [a sensação] aparece aqui em forma de tristeza, de depressão, de angústia, de ressentimento, de mágoa – é uma sensação desconfortável, de "não prazer", mas o que vale para uma sensação assim, vale para uma sensação de prazer. O que é essa "sensação"? O que é esse aspecto físico desse "eu"? [É] apenas uma vibração no mecanismo, no organismo, que a gente chama de "sentimento", que a gente chama também de "emoção" – é uma sensação.

Se a gente entrar mais fundo nisso, nós vamos descobrir o que? É só uma sensação de prazer ou de dor. É só uma sensação sem uma "entidade" nessa sensação. Essa "entidade" nessa "sensação" é só a crença de alguém especial no corpo – alguém que tem um "nome", que tem uma "imagem". Uma "imagem" e um "nome" é alguém chamado "fulano", que é esse "mim", que é esse "eu". O que nós temos de verdade? [Temos] uma vibração do sistema, uma vibração nervosa, uma vibração também neural – prazer ou dor – a crença de uma "entidade separada dentro do corpo". E o que é o corpo? A história [da "imagem do mim"] fortalece isso.

Pergunta para você: "sem um nome, sem a imagem [de ser esse corpo, essa pessoa], sem a história a ser defendida, o que fica?
Como alguém pode ser ferido? Como alguém pode ser magoado? Como alguém pode ser elogiado?É necessário uma "imagem". É necessário um "nome". É necessário uma "história". É necessário "alguém" refugiado dentro do mecanismo, dentro desse corpo se confundindo com esse processo de sensações. 
 
Eu não estou dizendo que a sensação deixa de vir, deixa de aparecer. Esse mecanismo [corpo-mente] está perfeitamente funcionando assim, com sensações.


segunda-feira, 8 de julho de 2013

Satsang - A vida, o sagrado, o Divino







Agora mesmo nós nos deparamos com Algo Novo.

Toda experiência, ela é algo acontecendo sempre nesse instante. O nosso modo de aproximação daquilo que acontece como Agora, aqui acontecendo, é algo que precisa ser compreendido.

Essa forma de aproximação, geralmente nós tiramos essa forma de aproximação de um contexto real, quando, através de lembranças, de recordações, através de ideias, nós olhamos e traduzimos Aquilo que se mostra nesse instante.

Satsang é o Encontro com a Verdade – a Verdade Daquilo que aqui está. A Verdade nunca se separa dessa experiência acontecendo nesse momento. Nossa ênfase em Satsang, nesses encontros – Encontros com a Verdade - é esse "apreender" dessa Realidade Presente que somos, como consciência, na qual a experiência está inserida – a experiência desse momento.

Aqui nos deparamos com uma grande dificuldade, porque todo o nosso condicionamento ("condicionamento" é uma outra palavra para "programação"), toda a nossa programação, ela nos situa dentro da experiência como algo separado dela, como o "observador" separado dela ("observador", por sinal, de grande importância), porque ele pode não gostar do que presencia, [ou] ele pode gostar do que presencia; ele pode amar isso, ou odiar isso; ele pode classificar, ele pode nomear; ele pode rejeitar, ele pode apreciar e aceitar; ele pode... E ele pode... Ele pode... Ele pode...

Isso tudo é uma mera presunção – a presunção de um "observador" dentro da experiência, como um "sensor" que pode medir o que acontece, classificar o que acontece. Isso é uma ilusão!

A experiência, ela é única no sentido de que não há alguém dentro dela... Não há esse "sensor", não há esse "observador". Então, isso dá essa Transparência. Isso traz essa Transparência Absoluta.

Nada pode ser capturado. Nada é específico. Nada está localizado. É um Acontecimento Único sem separação. E quando não há separação, quando não há nenhum tipo de divisão, quando não há nenhum tipo de orientação para determinar, para dizer "sim", para dizer "não"; para aceitar, rejeitar; do "gostar", do "não gostar"; quando isso não está presente, quando essa programação, esse condicionamento não está presente, tudo o que se tem é o que É. E o que É Aqui sem essa programação, sem essa orientação dessa ilusória identidade presente, o que está presente é Paz.

O que estamos dizendo é que o coração dessa experiência e não importa. Não importa se é um dia de chuva ou se é um dia de sol, se há vento ou não há vento, se o mar está calmo ou se há muitas ondas se levantando, se é maré ou vazante, se existe o nascer ou o morrer – a essência dessa experiência é Paz. O que É é Paz.

A ideia sobre o que É pode ser boa ou pode não ser boa; pode ser positiva, ou pode ser negativa; pode ser certa, pode ser errada. A ideia sobre o que É é baseada nesse "sensor", nesse "observador", nesse que se coloca dentro da experiência como algo separado – uma ficção, uma ilusão – é o condicionamento que temos.


A Vida é simples, de grande e extraordinária beleza. [E] quando não há escolha, quando não há julgamento, quando não há comparação, quando a ideia sobre o que É não está presente – porque o que É... O que É é a Vida. E sua beleza é o Sagrado, é o Divino.

domingo, 7 de julho de 2013

Satsang - Você é a Consciência- Isso não dorme.





VOCÊ É A CONSCIÊNCIA – ISSO NÃO DORME

Só você é o Atalaia, é o Guardião do seu mosteiro. Sabe o que faz um Atalaia? Ele não pode dormir.

Nos antigos mosteiros zen, o mestre elegia alguém para ser o Atalaia, o Guardião do mosteiro. Eu tenho para mim que você acabou de ser eleito... Elegido.

Parece que foi agora, mas sempre foi assim. Mas agora você está a par disso, sabendo que é assim. Portanto, não durma! Deixe o corpo dormir, mas não durma! A natureza da mente é "sono". Deixe a mente dormir. Mas você, não durma! Você não é a mente. Você não é o corpo. Você se confunde com a mente, você se confunde com o corpo, e dorme... E esquece que é um Atalaia, que é um Guardião.

Consciência é Presença, que não dorme, nunca dorme.
Mente é inconsciência, que nunca está desperta, nunca acorda.

Em seu Estado Verdadeiro, seu Estado Natural de Atalaia, de Guardião desse mosteiro [corpo e mente], tudo está completo. Por isso eles chamam de "acordado", "desperto" – Aquele que não dorme.

Não há alguém aí para dormir. Você não é "alguém".

A ilusão desse "alguém" é estar em "sonho", é estar aqui no sono, é estar equivocado. Não se equivoque. Não adormeça. Não se confunda. Você é Aquele na torre – a Torre de Vigília. Esse nunca dorme.

A mente está dormindo há milênios, não Você. Você se confunde com a mente. Ela se passa por você. E ela vem fazendo isso com muita maestria, há um bom tempo... Há um bom tempo.

Eu sei que não é nada confortável sair desse sono no qual você nunca entrou, só parece que é assim, mas esse "parecer" é muito verdadeiro, embora não seja real. Por isso na Índia eles chamam de "ilusão da ignorância". Não há nenhuma ignorância, como não há nenhum sono – só parece ser assim. É que isso é muito convincente, muito persuasivo... Tamanha é a habilidade e o poder da ilusão.

Na Índia eles chamam de Maya essa brincadeira da ilusão, do equívoco. [Sendo] assim, fique aí, no seu lugar, deixando tudo no seu lugar. Isso é estar Acordado, Desperto, Consciente – é ser Presença – é o Despertar, ou qualquer nome que você tenha para Isso.

Esqueça os nomes!
Todos eles!

Apenas brinque com os nomes,
assim como: "divirta-se com as formas".

Nada é oneroso!
Nada é pesado!
Tudo está no seu lugar!

O Atalaia não interfere, Ele é só uma Testemunha, que observa com bastante acuidade, atenção e paciência, "sem dormir".

NÃO VALE DORMIR!


quinta-feira, 4 de julho de 2013

Satsang - O desaprender e o real lembrar





Lembrar aquilo que você é...
É somente isso...
Lembrar aquilo que você é...

Lhe contaram muitas coisas sobre o que você é. Só não lhe fizeram lembrar Aquilo que de fato você é. É tão direto assim, sem rodeios...

Desaprender...

Desaprender a inveja, o ciúme, a posse, o domínio, o poder, o saber, o escolher, o determinar, o resolver, o autor das ações, o ganhar, o perder...

Desaprender é lembrar o que você é. [Isso] só requer essa prontidão, essa entrega... Requer esse Olhar Direto... Requer esse descondicionamento, essa desprogramação...

Esse Olhar Direto eu chamo de Olhar Inocente, que não pressupõe nada, que não procura, que não quer, que não busca, que não resolve, que não decide, que não compara, que não julga; que apenas observa, sem se ocupar com honra ou desonra, com sucesso ou fracasso, com ganhar ou perder, com ter ou não ter.

Tudo é tão incerto, tão duvidoso, tão inseguro – é a natureza da vida, e essa é a beleza dela – a incerteza, a insegurança, a não fixação. Tudo está mudando a cada momento.

Esse momento é o momento onde cada coisa está mudando. Esse "lembrar", é o lembrar Isso [a Real Natureza Agora], e não se importar com a mudança.

Só uma coisa é certa: a incerteza.
Só uma coisa é realmente segura: a insegurança.
Isso não é assustador.
Isso é a maravilha da vida:
Esse lugar, esse fluir;
Essa não solidez.

Só a ilusão do pensamento, que se configura com toda a sua história numa falsa identidade, é que tem mantido a ilusão de que tudo caminha dentro dessa segurança para uma resolução, para uma solução final. Não tem fim, não tem começo, não tem meio. É essa insegurança a grande certeza. Isso tira debaixo dos seus pés toda a pretensão, toda a vaidade, toda a presunção, quando isso não está presente. [Então] fica esse reconhecer, que é o Real Lembrar, de que a vida é Isso [em nós].

terça-feira, 2 de julho de 2013

Nossas Curiosas Fantasias





Questão enviada por e-mail:

Olá Marcos, 

Por favor me responda como você ouve os sons? Você sente tudo no universo, ou seja é o próprio universo? Eu sou você? Por favor sem conceitos mentais, quero saber sua experiência direta da unidade! Você se sente leve como o ar? Parecendo mesmo que vai plainar? Sente as correntes de energia circulando pelo corpo como milhões de volts? Quando você dorme você sonha? Ou sente-se desperto mesmo dormindo? Dependendo das respostas saberei se sua experiência é autêntica ou não (o que posso falar é que conheço tudo isso e muito mais, por experiência própria).

Resposta:

Se sabe em sua própria vivência porque esse interesse em saber o que outro sente ou não sente? Quem sente? Quem é o outro? O que é esse sentir? Onde ele ocorre? O que você pergunta só tem uma resposta vindo de um experimentador. Quem é o experimentador?

Que importância tem essa coisa chamada iluminação? Não sei nada sobre isso e não sei mesmo, o que sei é que não há mais qualquer crença-sentimento aqui neste neste mecanismo (corpo-mente) de algo fora ou dentro, para ser alcançado ou perdido, não há pessoas, coisas, lugares ou qualquer experiência dentro ou fora acontecendo, a vida é simples e natural. Sinto fome e como todos os dias, durmo todos os dias, vou ao banheiro todos os dias, essa é minha experiência de iluminação, sou "iluminado" como todos são.

Lhe aconselho a esquecer essa coisa de investigador policial da existência...

Um grande abraço!



segunda-feira, 1 de julho de 2013

Satsang - Deus e a Ilusão da Dualidade parte 2



Se você presenciar um passarinho pousado numa árvore, quando olha para aquele passarinho pousado naquele galho, naquela árvore, naquelas folhas, de baixo daquele sol, é lindo. Quando você olha Nesse Olhar, nesse Olhar Simples, nesse Olhar Direto, não há imagem [imagem é mental]. Não existem imagens [não há imaginação que fantasie isso, que interprete, ou que analise isso]. E como a imagem não está, não há conflito. Você não tem nenhum conflito com aquela árvore, nenhum conflito com aquele pássaro. Você não tem nenhum conflito com aquilo que você está vendo. E por que não há conflito? Porque a divisão criada pelo pensamento não está. É que muitas das vezes que nós olhamos para uma árvore, para um pássaro, ou para um animal, para qualquer coisa que a gente interpreta e traduz aquilo dentro do nosso conhecimento, dentro das nossas lembranças, dentro das nossas experiências, e isso cria a imagem também, daquilo. E nós não estamos numa Relação Direta. A Relação Direta, é a relação livre dessa imagem. É a Relação Livre desse fundo, dessa memória.

Mas é muito mais fácil você olhar para qualquer coisa na natureza sem imagem do que você olhar para uma pessoa. Porque você tem uma base de lembrança, uma base de memória, e essa base de memória, essa base de lembrança, essa base de conhecimento, gera a imagem, e a imagem gera conflito. Essa é a causa de todo conflito em nossas relações.

Nossas relações estão baseadas na imagem... Baseada na imagem "que eu tenho dele", e "que ela tem de mim"... "Que ela tem de mim"; "que eu tenho dela"; "que ele tem dela", e vice-versa.

Todas essas imagens geradas, produzidas pelo pensamento, é a base de todo conflito em nossas relações. Isso é dualidade.

Dualidade é se relacionar com a vida, com o mundo, com a natureza, com as pessoas, com base nesse sentido de imagens que o "eu" tem produzido, e por tanto, gerado separação. Nisto de gerar separação continuamente há sempre sofrimento, há sempre contrariedade, há sempre frustração, há sempre medo, há sempre desejo, existem sempre aborrecimentos e contradições.

Quando olhamos, ou aprendemos a Olhar Diretamente, nos despindo desse sentido de imagem que temos, com isso, esse sentido do "eu", ele é desfeito, ele é desmantelado, ele é completamente desmontado, e quando isso acontece, há uma relação livre deste "ego", deste "eu". E nesta relação temos a base para a Paz, a base para a Verdadeira Alegria, a base para o Verdadeiro Amor, é aquilo que nem poderiamos chamar de "relação", porque a relação está sempre baseada em imagens.

Quando não há imagens, o que existe é uma Unidade, uma Plena Unidade. Nessa Unidade, nós não temos a relação "eu e o outro"; "eu e ele"; "nós e eles"... Existe Unidade.

Nós temos momentos de Unidade, momentos de Não-dualidade, momentos de Plena Liberdade do "eu" diante, por exemplo, da natureza, quando vemos o pôr do sol, ou, o nascer do sol – assentados num lugar como uma praia; quando temos Aquela Visão, há um sentido de beleza extraordinário, e esse sentido de beleza, ele, na realidade nasce desse estado livre das imagens, desse estado livre de tudo aquilo que o pensamento tem colocado ali. Nós amamos viagens, nós amamos passeios, nós amamos presenciar coisas bonitas. Por que? Porque elas conseguem de uma forma naturalmente passageira e temporária, mas elas conseguem anular completamente, romper com esse padrão de condicionamento que o pensamento tem criado produzindo imagens, e nesse momento você está plenamente livre desta dualidade. E essa liberdade é algo que te coloca diretamente no Agora. Nós temos falado pouco sobre isso, e vamos continuar falando á você sobre isso.

Nós não precisamos viajar, procurar uma praia, um lugar próximo a natureza, ou escalar uma montanha, ou fazer coisa desse tipo para estarmos nesse estado, para vivenciarmos este estado. A única coisa que se faz necessário é tomarmos consciência da nossa Real Presença no Agora, da nossa Real Presença livre dessas imagens, livre desse sentido isolacionista e separatista, que o "eu" tem criado, e isso é algo que acontece sempre no Agora, nesse exato momento.

Se a sua atenção se torna plena com relação á todo movimento do pensamento, sem julgar, sem avaliar, sem criticar, sem dizer "eu gosto", ou, "eu não gosto", mas a Pura Observação Simples, sem essa identificação, sem esse mergulho do pensamento.

Quando há essa Percepção Plena, estamos diante da Pura Consciência do Agora, livre dessas imagens e nesse momento, Algo Extraordinário se revela, Algo Maravilhoso se revela, Algo que as palavras não podem definir se revela, é a Presença Consciente de Deus, a Presença Consciente da Verdade...

Satsang - Deus e a Ilusão da dualidade



Algumas pessoas estão me perguntando "o que é dualidade?", e "o que é não-dualidade?". Essa é uma expressão muito comum hoje sendo usada, quando as pessoas se interessam em trabalhar em si mesmas, em tomar conhecimento da autorrealização, elas se deparam com essas expressões. Em inglês é "nonduality", e a gente encontra muito essas expressões na internet, em alguns blogs, em alguns sites, e as pessoas estão perguntando o que é isso, o que é afinal dualidade e não-dualidade (duality and nonduality). O que significa isso?

Bem, a dualidade, ela é a base dessa "desfiguração" – colocando dessa maneira – da Visão Verdadeira, da Visão Real. Nós vivemos dentro de um conceito de "dualidade". A palavra "dualidade", significa literalmente "dois"; ou, "duas coisas". E esse sentido do "eu" que temos dentro dessa separação que sentimos com tudo á nossa volta, é nascido da dualidade – "eu e o outro"; "eu e o mundo"; "eu e Deus"; "eu e a vida".

Esse "eu" está constantemente lutando em meio aquilo que ele acredita estar fora dele. Tudo isso baseado nesse conceito: "ele e outra coisa fora dele". Mas na verdade o "eu", ele, através do pensamento, ele tem produzido essa divisão, essa separação – a separação da dualidade. E esse separação da dualidade, é a base de todos os nossos conflitos e todos os nossos problemas.

Se nós nos tornarmos cônscios de nós mesmos, se nós investigarmos á nós mesmos, se nós olharmos para dentro de nós mesmos, e para fora de nós próprios, mas com esse Olhar, apenas o olhar da Observação Direta, nós não vamos encontrar esse "eu", e este "outro". E quando isso acontece, termina essa "separação", termina essa "dualidade", termina naturalmente todo o conflito criado por essa dualidade, e esse sentido completo de separação que sentimos com relação á vida, e com relação ás coisas, com relação á tudo, á nossa volta, inclusive com relação á sentimentos, á pensamentos e emoções. Tudo isso é nascido dentro desse conceito chamado "eu", que produz através do pensamento essa "dualidade", por tanto, essa separação.

Esse é um assunto muito importante, muito interessante, que precisamos investigar com o coração bem aberto, e com a mente capaz de deixar de lado seus conceitos; as suas ideias; toda a sua programação; todos os seus paradigmas; todas as suas crenças; para descobrir alguma coisa; algo além de tudo isso; algo fora de tudo isso; algo que está fora desse conceito dual, que é a realidade; a realidade que somos; a realidade que trazemos; a realidade, que é a verdade sobre nós mesmos. Isso significa o fim do conflito, o fim (como eu disse agora pouco), o fim do sofrimento. E nós vamos dar á você um exemplo de como acontece, através do pensamento, essa fantasia da dualidade, essa ilusão da dualidade, porque na realidade não existe dualidade. Toda dualidade é criada pelo pensamento. Todo esse conceito de um "eu separado do outro", "separado do mundo", "separado de Deus", isso é uma ilusão criada pelo pensamento, e é muito fácil vermos isso, quando, por exemplo, você olha para a sua esposa, quando você olha para o seu marido, quando você olha para um de seus filhos, na realidade, você não os vê. O que você tem deles naquele exato momento é uma "imagem", uma imagem que é baseado numa memória, numa lembrança, ou numa série de lembranças que você tem daquela pessoa, e você guardou isso dentro de você, está guardado dentro de você, e isso acontece de uma forma involuntária e automática.

É assim que funciona a memória. Ela acontece. Ela é registrada ali nas células cerebrais, e quando você olha a pessoa, na realidade você tem dela uma imagem, e essa imagem está baseada na memória, no conhecimento, que na realidade é puro pensamento. Então, o pensamento, quando ele entra em ação, ele cria a imagem, e com a imagem, ele cria esse conceito dual "eu e o outro", "eu e ele".

Quando olhamos a esposa, o marido, os filhos, o patrão, o empregado, ou qualquer outra pessoa com base nessas imagens que o pensamento colocou ali, o que nós temos? Nós temos, naturalmente "divisão" – a divisão da dualidade, e onde há divisão, há conflito.

O marido não se relaciona com a esposa. O que ele tem da esposa, são imagens e vice-versa. As nossas relações estão todas baseadas em imagens, e essas imagens estão constantemente gerando conflito. É interessante você refletir sobre isso.

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