quarta-feira, 18 de abril de 2018

Um Grande Milagre



Satsang é um grande milagre! Ter o coração voltado para este encontro, para este momento, é um grande milagre! Na mente, você está sempre inquieto e infeliz, portanto, a oportunidade de investigar a natureza da Verdade sobre si mesmo é um grande milagre!

Você nunca tem dado atenção para si mesmo e, agora, tem essa oportunidade. Sua mente está sempre ligada a pessoas, ideias, coisas, imagens… Assim, essa oportunidade de dar atenção a si mesmo e abandonar a mente é um milagre! Observe como você funciona, quais são as suas reações, motivos, intenções, lembranças, memórias, imagens… Tudo isso está atrelado a situações externas, imaginárias, ligadas ao pensamento. É assim que a mente funciona. Esse não é o seu Estado Natural, Real; essa não é a Verdade sobre você. Na Índia, eles tem um nome para essa Verdade sobre você: Samadhi. Isso não é especificamente um estado, mas é o seu Ser, Aquilo que está fora de todos os estados conhecidos da mente. Nessas falas, eu chamo Isso de Meditação. Meditação é o seu Estado Natural. 

A mente, que é aquilo que se ocupa com ideias, pessoas, coisas e imagens, é uma imaginária e fictícia prisão, a qual você construiu em volta de si mesmo. Enquanto você estiver preso nessa prisão imaginária, não estará em seu Ser, em seu Estado Natural. Uma coisa é certa: o Real não é imaginário, mas tudo que você pode viver na mente é. Então, essas coisas, pessoas, ideias, imagens e ocupações na mente são todas imaginárias. O que você precisa é ir além das tendências desse falso “eu”, que é a mente no movimento dela. Assim, é um verdadeiro milagre você estar aqui podendo investigar, inquirir, observar, duvidar desse movimento, que é o velho e conhecido movimento da mente. 

Não existe nada peculiar nesse momento presente, pois ele não é, basicamente, diferente do passado ou do que o futuro irá apresentar. Entretanto, existe “algo” presente que está além desse presente momento, além do passado e do futuro. Essa é a Beleza, o Milagre, a Graça de Satsang! Estamos falando dessa Presença! Eu Sou sempre agora! Não se trata do que acontece. Coisas aconteceram no passado, estão acontecendo no presente e acontecerão no futuro, mas o que faz toda a diferença é que Eu Sou! Esse “Eu Sou” é essa Presença imutável, que não está ligada ao corpo, à mente, e nem aos acontecimentos no tempo. Então, o que faz este presente momento ser tão diferente? Obviamente, minha Presença, meu Ser, minha Natureza Verdadeira. Você precisa tomar ciência Disso, ou continuará no tempo, no presente, no passado, caminhando para o futuro, preso às situações, circunstâncias e acontecimentos, confundindo-se com o corpo e com a mente. Quando isso acontece, você fica preso nessa prisão imaginária da mente. O passado está nas recordações, memórias; o futuro, nas imaginações, desejos e sonhos; e, entre o passado e o futuro, está o medo presente, a ansiedade presente.

Portanto, esse presente momento fica assim, carregado com o passado (remorso, culpa arrependimento…) e com o futuro (desejo, sonho, imaginação…). Essa é a prisão desse personagem imaginário, desse falso “eu”. Então, você termina dando realidade a situações transitórias, como sentimentos, pensamentos, emoções, sensações e percepções. Tudo isso está atrelado ao corpo e às experiências da mente, não é Você, não é a Verdade sobre Você! Quanto mais você faz isso, mais fortalece a ilusão de ser uma entidade separada no tempo e no espaço, vivendo uma história humana. Dessa forma, você fica sempre preso a essa limitação de tempo e espaço — um tempo criado pela mente e um espaço criado pelas sensações e percepções dos sentidos; pela ideia de um corpo presente. Tudo isso é resultado da ignorância acerca da Verdade sobre si mesmo. 

Não existe uma causa particular para os acontecimentos, tudo está apenas acontecendo. O particular é imaginário. A mente cria uma relação de causa e efeito na tentativa de explicar o que acontece para uma suposta entidade particular presente no tempo e no espaço. Na verdade, o tempo é irreal, o espaço é irreal, o particular é irreal e os acontecimentos também. 

Então, nosso convite, em Satsang, é para que você vá além do que a mente está produzindo. Ela tem produzido isso tudo, toda essa noção de realidade, corpo, mente, mundo, tempo, espaço, pessoa, história… Essa é a ilusão dessa identidade separada. Assim, permaneça nessa gratidão interna por esse milagre chamado Satsang, pela oportunidade de estar presente nessa investigação.

Namastê.

* Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite do dia 19 de Março de 2018 - Encontros online todas as segundas, quartas e sextas às 22h - Pará participar baixe o Paltalk em seu smartphone, computador ou tablet. 

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Assim é a sua Natureza Real





Há um real e definitivo Estado Natural de Ser. Você não pode permanecer na ilusão quanto a isso, mesmo porque você nasceu para essa Realização. A Vida tem uma representação impessoal, ou seja, Ela não se importa com as ideias que você tem. A mente egoica, por natureza, vive se importando com todo e qualquer pensamento sobre o mundo externo ou o mundo interno. Dentro de sua busca de satisfação e preenchimento, ela faz isso, e é algo constante em todos.

A ilusão da impermanência de seu Estado Natural faz com que você se confunda, permanentemente, com aquilo que não é real, porque você não sabe nada a respeito de “quem você é”. Você tem uma ilusão sobre si mesmo muito ampla e forte: você se vê como um ser impermanente e completamente identificado com o que acontece externamente ou internamente. Estar confundido com isso é o que eu chamo de “identificação com a mente egoica”. Sim, há algo impermanente, mas isso não é real, não é Você em seu Ser, em sua Natureza Verdadeira.

Durante longos e longos anos, você tem se confundido com a mente egoica e, assim, tem se confundido com estados que vêm e vão; são assim seus estados internos e a sua representação externa desses estados. Então, você tem se confundido com emoções, pensamentos, sensações físicas e percepções sensoriais. Você acredita que isso é você, e, por já ter observado que isso é impermanente, que vem e vai, acha que este é o seu estado real.

Quando você vem a Satsang, eu o convido a ver que isso tudo é uma ilusão. Você está se confundindo com ilusórios estados que vêm e vão e, assim, está dando identidade ao que não tem esse é o sentido de dualidade, o tão badalado sentido de separação.

As sensações vêm e vão, assim como os pensamentos, as emoções, o corpo…  É apenas nesse sentido que não há nada permanente nesse mundo. A impermanência é o sinal daquilo que aparece e desaparece; esse é o selo que marca todas as aparições. Enquanto você se mantém dessa forma, tomando isso como algo real para si mesmo, como sendo “você”, permanece na ilusão da dualidade, não importa o quanto você saiba falar e ensinar sobre isso, nem o quanto você fale sobre amor, paz, liberdade, felicidade e consciência.

A Autorrealização tem uma marca infalível, assim como a ilusão tem um selo que facilmente se pode identificar. Quando falamos de Autorrealização, estamos falando de Realização de Deus, de Consciência de Deus, de Consciência não dual, e Isso não é o que vem e vai. Assim, não podemos falar de Iluminação, ou Autorrealização, se essa “marca” (do aparecer e desaparecer) ainda está presente, e se você se identifica com estados que vêm e vão, ainda.

Como a mente é muito hábil em racionalizar, ela vai fazer isso. Se ela for uma mente educada, treinada, que estudou bastante tempo essa questão da Iluminação, que já assistiu a muitas falas, visitou muitos gurus, estudou muitos livros, assistiu a muitos vídeos, ela vai, infalivelmente, racionalizar, e, nesse momento, você poderá cair em uma armadilha a armadilha de estar “iluminado”, sem estar nada iluminado; de estar “realizado”, sem estar nada realizado.

Seu Estado Natural é imutável. Você é Consciência; essa é sua Natureza Verdadeira. Então, se você está entrando em estados que trazem esta “marca” de aparecer e desaparecer, é sinal de que você, ainda, está se confundindo com a mente egoica; nesse ou naquele aspecto, você está preso à ilusão, ainda. Então, é fundamental se investigar isso, e isso é algo que não pode ser feito intelectualmente. É necessária a rendição desse falso “eu”; é preciso soltar essa marca de identidade pessoal, que faz com que você esteja em um momento de uma forma e no momento seguinte de outra.

A diferença entre uma tela de cinema e os filmes que ali aparecem, é que esses vêm e vão, mas a tela continua a mesma; uma mesma tela para muitos filmes. Alguns filmes tratam de romantismo, outros de terror, suspense e assim por diante, mas a tela permanece a mesma. Assim é o seu Estado Natural, diferente dessas imagens que vêm e vão, porque seu Ser permanece imutável, intocável por qualquer experiência, sensação, emoção, pensamento.

Porém, se você está vivendo a experiência do pensamento, da sensação, da emoção, da percepção e está se embolando com isso, não adianta racionalizar, dizendo que “isso não é real, vem e vai”, embora seja um fato. Realmente, isso vem e vai, mas você, também, está indo e vindo com isso essa é a ilusão de “ser alguém” , e é assim para todos. Então, se você se sente iluminado, esse é o teste de qualidade, é a prova de fogo. Se você é Real, então você é Isso o tempo todo é um Jivamukti, um Ser liberto em Vida (liberto dessas identificações, da ilusão do “experimentador”). Compreendem isso?

Eu comecei falando que a Vida não se importa com você, porque ela carrega a “marca” da impessoalidade, da naturalidade, da realidade, da imutabilidade. Tudo que aparece na Vida muda, mas a Vida, em Si, é O que É. Ela pode se expressar mudando, mas é, em Si mesma, imutável. Assim é a sua Natureza Real, a sua Identidade Real. É disso que tratamos, quando você vem a Satsang (que não é o que estão chamando de satsang por aí).


* Transcrito a partir de uma fala em um encontro presencial no Ramanashram Gualberto em Campos do Jordão em dezembro de 2017

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Enquanto você não descobrir o amor em si mesmo...




Viver é uma arte! Assumir responsabilidade sobre si mesmo e ser feliz é uma arte. Quando você é verdadeiramente feliz, não está preocupado com o mundo, com ninguém! Na verdade, ninguém quer compartilhar dessa sua Felicidade. Então, você assume Isso e Deus se encarrega de trazer para sua proximidade somente aqueles que estão dispostos a viver essa Felicidade, a descobrir o “perfume” que Você tem. Você tem que ser livre, independente! Você não pode ser carente, necessitado, ficar buscando apreciação, reconhecimento, amor, amizade, companheirismo, cumplicidade… Estar só é Felicidade!

Eu vejo pessoas sofrendo de solidão, mas elas não estão sós, pois estão acompanhadas internamente de carências, de desejo de apreciação, de pessoas… Elas não estão, definitivamente, sozinhas. Eu estou só! Somente estando só, você descobre o Amor em si mesmo, e o Amor é uma doação. Eu sou Amor e estou doando Amor. Quem está perto de mim não está me dando nada; não tem ninguém me dando nada! Eu estou só, já “morri”, já perdi tudo! Como vou sofrer de solidão? Entenda o que é estar só: estar só é Amor!

Então, quando você vê as pessoas sofrendo de solidão, elas estão sofrendo de imaginação, do desejo de serem alguém para alguém, de terem outros para si mesmas. Elas são carentes, estão buscando coisas para preenchê-las e fazem algo para serem preenchidas: assistem a filmes, vão a parques, a baladas, ao teatro, associam-se a clubes… tudo para não ficarem sós. Mesmo assim, elas estão sós, no meio da multidão, mas é um “só” cheio de gente, profundamente povoado de carências e necessidades psicológicas.

Você está só, de fato, quando está livre do ego, deste falso “eu”; livre do mundo, de coisas, pessoas e da necessidade de estar em lugares. Aí, sim, você está só, então a Existência inteira se derrama e diz: “Eu estou com Você”. Assim, Você está entre as plantas, entre os animais e as pessoas… Você está cercado do Universo inteiro e ele está dentro de Você. No ego, este “estar só” é estar isolado, cheio de preferências e escolhas, de imaginações, de supostas necessidades e de carências psicológicas.

Os nossos pais e avós morreram em solidão. O Sábio não morre em solidão; Ele morre só, não em solidão. Eu não vivo em solidão, mas estou só. Estar só é ver a Verdade na ilusão. Eu estou sempre falando de você. Você tem que descobrir Isso, a beleza que é estar só. Por que as pessoas se casam, têm filhos? Por que, depois dos filhos, elas começam a desejar netos, e, depois que tem netos, começam a desejar bisnetos? Por que isso? Porque elas querem estar preenchidas, continuar se preenchendo em suas imagens prediletas. Tem imagem mais predileta do que um filho, depois um neto e depois um bisneto? Tudo para não ficarem sós. Então, as pessoas se casam, buscam companhia… mas elas têm companhia, mesmo? Você acha que têm? Observe: quando você está acompanhado, está realmente acompanhado? O outro sabe o que se passa aí dentro e realmente se importa com você? O outro sente a sua dor de “ser alguém”? Assim, você está só, mas é um “só” em solidão, na multidão; é um “só” desejando muito, muitos. Então, não há Liberdade. Enquanto você não descobrir o Amor em si mesmo, jamais vai receber Isso do mundo externo, jamais vai descobrir Isso na multidão.

* Transcrito a partir de uma fala em um encontro presencial na cidade de Campos do Jordão, no Ramanashram Gualberto no mês de novembro de 2017
Acesse a nossa agenda e se programa para estar conosco: http://mestregualberto.com/agenda/agenda-satsang

terça-feira, 10 de abril de 2018

Conflito é sinal de resistência à Vida!



Todos os conflitos são sinais de resistência à Vida! Conflito na vida é resistência à Vida! A vida em conflito é sinal do “sentido de alguém” presente nesse experimentar. A vida, em si, não carrega conflito; a pessoa, em si, não vive sem conflito; a pessoa é esse “alguém” no experimentar.
Se não houver resistência, todas as vezes que você se deparar com a vida, não terá conflito. Quando não há resistência, não há conflito e, assim, Você é a Vida! Mas, todas as vezes que você se deparar com a vida e houver conflito, “você” será o conflito, nessa “vida pessoal”. Ou seja, o conflito é o sinal da presença da “pessoa”. Esse sentido de ser e ter, que é o que cria essa “minha mente”, esse “meu eu”, esse “mim mesmo”, é o sentido da vida que jamais deixa de carregar o conflito, porque “você” está lá, sempre resistindo ao que É, àquilo que acontece.
Nada está acontecendo pelo fato de você estar presente. O que parece estar acontecendo é a Vida se expressando, e Ela não é pessoal, não é a presença deste “você” que determina, controla ou muda as coisas que acontecem. A presença desse “você” é a resistência; é a ilusão de uma “vida pessoal” na Vida única, na única Realidade, que é a Vida como Ela É. A ciência ou a arte da Felicidade, que é viver sem conflito, é viver a Vida como Ela É. Isso significa uma profunda confiança naquilo que acontece, como sendo Deus acontecendo, a Verdade acontecendo. Isso significa não ser importante, não resistir, não ser pessoal, ou seja, não ser o “experimentador” nessa experiência que é a Vida.
Todas as vezes que você estiver sofrendo, será a ilusão de alguém presente batendo de frente ou confrontando com aquilo que a Vida manifesta, com aquilo que Ela É! Não há nenhum sofrimento, conflito e problema, quando não há resistência, que é quando não há o “eu”, essa mente egoica, esse movimento separatista que cria essa dualidade “eu e a vida”, “eu e aquilo que acontece". Nessa separação, você tem o conflito, porque tem a resistência. O que eu estou dizendo é que viver sem ego é muito simples! Viver no ego é que é complicado, porque viver dessa forma requer muita coisa.
Para ser feliz, basta Ser! Para ser infeliz, basta ter qualquer coisa: ideias, crenças, conclusões, opiniões, julgamentos, comparações, objetos, pessoas, resistência. Você não precisa de nada para ser feliz, porque essa é a sua Natureza como Ser. Agora, você precisa de qualquer coisa para ser infeliz, porque essa não é a sua Natureza como Ser. Ser infeliz é a natureza da mente dualista, ilusória, do “sentido de alguém” presente, sempre tentando ajustar, reformar, consertar, controlar, determinar.
Não é simples isso? Estar nessa separação entre “você” e o que vai acontecer é conflito. Isso é ser uma “pessoa”, o que é uma ilusão, porque não há “pessoa”; há somente um movimento de pensamentos, crenças, opiniões, julgamentos e desejos, com os quais você se confunde, se identifica. Assim, você passa a existir separadamente, para “ser alguém”, e, é claro, para sofrer ‒ o ego não pode viver sem isso.
É por isso que eu encontro poucos interessados no que tenho para compartilhar. Todos querem ser alguém, ter, alcançar ou realizar algo; todos querem resistir! É como se estivesse faltando alguma coisa, agora, para serem felizes! A mente egoica cria isso, essa ilusão dessa “pessoa” que precisa de algo.
No dia em que não houver mais aí essa imaturidade, esse posicionamento, que é baseado nesse desejo de ser, ter, fazer, poder realizar algo ou chegar a algum lugar, a Existência toda se derramará! Quando você não mais deseja, nada mais lhe falta. A Verdade é a única forma de você ser, verdadeiramente, milionário, multimilionário; você não deseja nada, porque nada lhe falta. A maneira de ser pobre e profundamente miserável é tendo desejo. Os pobres querem ser ricos, os ricos querem ser milionários, os milionários querem ser multimilionários. Todos são pobres!
Nessa resistência, a pobreza se mantém. A pobreza é essa miséria, essa alienação de sua Verdadeira Natureza, que é Riqueza, Plenitude, Completude, Felicidade. Essa alienação é a verdadeira pobreza, a qual está em cima da resistência. O que está faltando? Qualquer coisa que esteja faltando torna você miserável… qualquer coisa! Não importa o quanto você é milionário ou bilionário, se tem algo faltando, você continua pobre, um pedinte. Porém, se você não tem desejo, você é um Príncipe, um Rei!
Depois que Buda deixou os seus três palácios e toda a sua riqueza, que o tornava miserável, ele passou a andar como um Rei. Depois que ele abriu mão de tudo e não era mais rei, não tinha mais os palácios, nem o reconhecimento público, tornou-se um verdadeiro Rei. Quando Acordou, foi além do desejo, e, então, passou a andar e viver como Rei. Ramana Maharshi também viveu como um Rei!

* Transcrito a partir de uma fala em um encontro presencial realizado em Fortaleza, em Setembro de 2016.


sexta-feira, 6 de abril de 2018

O Conhecimento Real é vivencial



Estamos diante de algo do qual nada pode ser falado. Satsang é algo surpreendentemente inexplicável. A Verdade É ‒ é simplesmente assim. Nada pode ser dito sobre Isso. Então, esse encontro é um momento sem explicações; é um momento de revelação da Verdade, do Silêncio. Essa é a grandeza, a simplicidade e a singularidade de Satsang. Pode parecer muito estranho o que você escuta aqui, mas posso lhe garantir que, quanto mais você tenta conhecer sobre a Verdade, mais se distancia Dela, mais você fica dentro desse “sono”.

Esse é o momento de viver essa Presença, senti-La, ter a Sua revelação, e não a explicação sobre Ela. Eu não sou um filósofo, um professor ou um pregador que você está ouvindo. Não existe nenhum caminho, nenhuma fórmula, nenhum método ou sistema para você conhecer Isso, para que Isso se revele a você. É possível você desaparecer Nisso, mas não “você” compreender Isso. Em outras palavras, Isso não é algo objetivo, que “você”, como um sujeito, pode conhecer. Você não pode segurar Isso em suas mãos e dizer: “Eu apanhei isso! Tenho isso aqui comigo, agora é meu!” ‒ isso não é possível!

Se você for a um professor de Advaita-Vedanta, ele lhe dará explicações, falará da natureza não dual da Existência, da natureza da Verdade… Então, ele lhe dirá que tudo já é o que é, que a Verdade é algo que está presente e que a sua verdadeira natureza é essa Verdade. Enfim, ele vai lhe dizer bastante coisa, dará a você muitas explicações, e, dessa forma, você terminará aprendendo sobre isso.

Aqui, nesses encontros, o que você faz é investigar a natureza da Verdade sobre si mesmo; não se trata de ter um conhecimento sobre Isso. Esse tipo de conhecimento é, também, parte da ignorância, porque é algo meramente teórico; são apenas palavras acumuladas, com as quais você cria um novo conhecimento. Na realidade, Consciência é Conhecimento, mas é um outro tipo de conhecimento. Não é o conhecimento de palavras, é o Conhecimento de Ser. Esse é o real Conhecimento da Verdade, o puro Conhecimento, que é Ser, Consciência, o qual não se trata de um conhecimento verbal, intelectual. Assim, você pode conhecer palavras, como: amor, verdade ou liberdade. Contudo, conhecer a palavra amor não significa conhecer o Amor; conhecer a palavra verdade não significa conhecer a Verdade; conhecer a palavra liberdade não significa conhecer a Liberdade, assim como conhecer a palavra Deus não significa conhecer Deus. Portanto, a palavra não é a coisa em si.

A Verdade é existencial, enquanto que o conhecimento da mente é não existencial, é verbal, teórico, conceitual. Então, aquilo que a mente conhece como verdade, liberdade, Deus e amor são somente palavras. Assim, ou você é Isso ou você fala sobre Isso. Percebem a diferença? Se você é Isso, então não é um professor, não é alguém que está falando sobre isso ‒ você está vivendo Isso! Se você é um professor, está apenas falando sobre Isso. Então, essa é a diferença clara entre o Sábio e o filósofo; entre Ser e meramente conhecer.

Quando há Amor, não há necessidade de palavras, como: “Eu amo você”. Quando há Verdade, não existe necessidade de explicações longas, lógicas, conceituais sobre Isso. A Verdade pode ser sentida, vivenciada; não pode ser conhecida, nem explicada. Na verdade, é possível se explicar a Verdade, mas assim Ela é destruída, já não está lá, porque Ela não está nas explicações, na fala. Quando eu digo que você pode sentir Isso, viver Isso, quero dizer que você pode estar presente Nisso, que Isso está presente em você, sendo Você! O que temos nesses encontros, como nos retiros, é a oportunidade de estar nesse direto “sentir”, de puramente Ser ‒ Isso é a Verdade, é o Amor, é a Liberdade! Isso é Deus!

Esse é o verdadeiro trabalho da Realização. Você não pode examinar Isso como algo que está do lado de fora. Esse “sentir” é o único Conhecimento possível, pois você não pode examinar Isso, que está somente dentro, como se fosse algo externo, do lado de fora. Esse “sentir”, esse Ser, é o único Conhecimento possível, o qual chamo de Conhecimento Real, que é Consciência. Então, esse Conhecimento Real, que é Ser, é a Sabedoria! O conhecimento que é entendimento e compreensão de palavras é pura ignorância, mas não é a bela Ignorância do Sábio; isso é mero intelectualismo e entendimento verbal, teórico. Então, esse conhecimento é verdadeira ignorância, e isso não representa Realização, porque não representa Consciência.

Quando há Consciência, o verdadeiro Conhecimento está presente, e, então, a Verdade não pode ser ignorada. Nesse sentido, conhecer Deus é Ser Deus, pois não se trata de aprender sobre Deus. Também, não se trata de aprender sobre o Amor, a Verdade, a Liberdade, mas, sim, de ser esse Amor, essa Liberdade, essa Verdade. A Verdade está nesse Silêncio, nessa Consciência, nesse Amor, nessa Liberdade; não está nessas palavras.

Então, essa vivência é Consciência, algo que acontece dentro de você. Você não vai ouvir, ler, nem aprender sobre Isso. Há somente uma forma direta de vivenciar Isso, que é através da devoção e pelo Despertar na autoinvestigação — a autoinvestigação traz o Despertar dessa vivência direta e a devoção é aquilo que torna isso possível. Você não pode ler Isso nas escrituras, nem pode ouvir de alguém.


* Transcrito a partir de uma fala de um encontro online realizado em 5 de Fevereiro de 2018.

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