sexta-feira, 26 de maio de 2017

Liberdade é assumir a Verdade de sua Real Natureza






Nesses encontros, nós temos a oportunidade de nos sentarmos juntos, de nos aquietarmos e entrarmos nesse momento de investigação, nesse momento de silêncio.

É fundamental compreender que a vida é um jogo. Na verdade, uma brincadeira divina. Só resta a você desidentificar-se internamente, psicologicamente, e tudo ficará bem. Estou dizendo que você precisa deixar a vida seguir e apenas permitir que tudo seja visto dessa forma. 

Não há nada o que fazer! Tudo já está acontecendo! Tudo já está acontecendo segundo essa Vontade Divina! Aquilo que prevalece na sua vida é essa Vontade Divina, que é aquilo que acontece.

Permita cada coisa acontecer, cada coisa aparecer… Aparecer como é! É importante que você lembre que os pensamentos também fazem parte disso; os sentimentos também. Você também é parte disso que está aparecendo. Não tem nada fugindo dessa Vontade Divina! Isso pode soar muito estranho, mas é assim. Essas respostas de ações, pensamentos, sentimentos, tudo isso é parte dessa aparição, disso que está aparecendo. Quando você não se confunde mais como "alguém presente" nessas aparições, você está livre! Você é essa Liberdade! Os problemas aparecem apenas quando você se confunde com a crença de ser “alguém”, que tem que assumir responsabilidades, nessa ideia de ser o autor, o realizador, o fazedor, aquele que escolhe, aquele que decide, aquele que manda.

Não existe nenhum indivíduo cuidando dos seus próprios assuntos. O que prevalece é essa Inteligência, essa absoluta Presença, Aquilo que não pode ser explicado. O que prevalece é esse Silêncio. Todos estão preocupados em se livrar da mente – isso é a mente procurando se livrar da mente. Todos estão tentando, de uma forma muito dura, muito complicada, se livrar da mente. A forma mais rápida é simplesmente perguntar: “Para quem esses pensamentos estão acontecendo?" ou “De onde esses pensamentos vêm?”. Então, nós chegamos a um ponto onde não há alguém… Porque não há alguém! Os pensamentos, os sentimentos, as sensações e as emoções são aparições sem um autor. Isso é Liberdade! Liberdade é assumir a Verdade de sua Real Natureza, de sua Real Identidade, que não é pessoal. Não há “pessoa”, não existe o “eu”! 

Isso é muito básico… Muito estranho, mas básico. É estranho e básico, mas fundamental! Essa percepção direta Disso, sentir Isso de uma forma direta, é lindo demais! Quando você usa palavras, você destrói Isso, porque Isso está além das palavras, além dos pensamentos. Palavras como “despertar”, “iluminação”, “realização”, também são apenas palavras. 


*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite de 14 de Novembro de 2016 - Encontros online todas as segundas, quartas e sextas-feiras as 22h. Para participar baixe o Paltalk App, para maiores informações clique aqui

 

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Deus é a única Verdade sobre Você!





O que fazemos juntos nesses encontros? Estamos nos aproximando de uma investigação acerca de quem nós verdadeiramente somos. É importante que você compreenda algo básico aqui nesse encontro chamado Satsang, que significa “encontro com O que é”, "encontro com a Realidade, com a Verdade". Aqui, a primeira coisa é a compreensão de que você não é os seus pensamentos. Essa é a primeira coisa a ser compreendida e precisamos ter isso muito claro. Você não é os seus pensamentos! Isso significa que qualquer ideia que você tenha sobre si mesmo não é você, ou seja, seu nome não é você; seu corpo não é você; sua mente não é você. É interessante falarmos do corpo e da mente nessa investigação. 

Primeiro, o seu corpo não é bem seu. A natureza lhe emprestou temporariamente um mecanismo, com um par de olhos e de ouvidos, uma única boca e um único nariz, um par de pernas, braços e mãos. Esse corpo, você sabe, é todo ele uma herança, algo que você herdou dos seus antepassados. Portanto, ele não é seu. Da mesma forma, o que você chama de mente é somente um condicionamento cultural. A língua portuguesa, ou inglesa, ou alemã, é uma coisa aprendida, de acordo com a cultura do lugar em que você nasceu. Se você fala tâmil, português, inglês ou alemão, é porque esse corpo nasceu dentro dessa cultura. 

Os pensamentos que passam em sua cabeça são, também, culturais. Um pensamento político, social, as ideologias, as crenças religiosas, tudo isso faz parte de um condicionamento cultural. Alguns pensamentos são bons, outros são ruins; alguns pensamentos são para o bem e outros são para o mal. Repare que você pode observar  esses pensamentos, essas ideologias, crenças políticas, sociais… Ou seja, você pode observar tudo que lhe foi ensinado. É possível uma observação daquilo que se passa tanto no corpo quanto na mente. Então, você não é o corpo e nem é a mente. Da mesma forma, você pode observar sentimentos, sensações, emoções, percepções, e, se tudo isso pode ser observado, trata-se de algo externo, ainda do lado de fora. Se isso pode ser testemunhado, não é você. Então, tanto o que se passa “dentro” ou “fora”, ainda é algo externo a Você; não é Você. 

No entanto, isso tem criado uma ilusão, na qual você tem colocado toda a sua vida, a sua existência – a ilusão de que isso é algo pessoal, algo seu, tão íntimo que você se confunde com ele, acreditando ser isso. Então, você se confunde com os pensamentos, como se eles fossem você. Esses pensamentos são tomados, aí, como sendo você mesmo. Quando você fala, a ilusão é que essa fala é você. Quando o pensamento acontece aí, a ilusão é que você está pensando, que esse pensamento é seu. Assim, quando acontece um sentimento, isso “é você”. Da mesma forma, “é sua” uma sensação, uma percepção, uma emoção. Isso está acontecendo ao corpo e à mente e você se confunde com o corpo e dá uma identidade a esse movimento da mente. Estar se confundindo assim nós chamamos de “estar identificado”, e esse é o estado comum a todos, é o condicionamento que tem criado a ilusão de uma identidade presente em tudo isso, pensando, sentindo, amando, odiando, triste, alegre, saudável, doente… É assim que você se confunde com o corpo. 

Pergunta: O que é esse Despertar, essa Realização, essa Iluminação? 

Mestre Gualberto: A iluminação é o fim dessa ilusão de uma entidade presente na experiência desse instante, seja qual for a experiência. Não se trata de alguém presente aqui e agora, mas é exatamente o fim dessa ilusão de que existe uma entidade presente nesse instante, nesse momento. Trabalhar isso é a real Meditação. 

Meditação é a arte de Ser, mas Ser não significa estar presente como “alguém”. Ser significa o fim dessa ilusão de uma identidade separada, da ilusão de um “eu”, desse “mim”, dessa “pessoa” com sua cultura, história, seus sentimentos, suas sensações, emoções e percepções. Estamos aqui fazendo algumas afirmações que podem ser testificadas por você mesmo. A Realização não requer nenhuma crença. Aquilo que chamamos de Realização é algo que pode ser verificado como sendo sua Verdadeira Natureza, o seu Ser Real. 

Portanto, estar em Satsang significa estar nesse encontro com a Realidade, com a Verdade de sua Natureza Real. Isso é o fim do sofrimento, do conflito e do medo. Esse é o Despertar da Sabedoria! Autoconhecimento não é o conhecimento de um “eu”, mas sim o reconhecimento da Verdade de que não há qualquer “eu” para ser conhecido, e isso é o Despertar da Sabedoria. Quando há autoconhecimento, está presente essa Autorrealização, o Despertar da Sabedoria, e, assim, você está além da limitação, que é a limitação da cultura, de toda forma de condicionamento, do conhecimento e da experiência. Você nasceu para realizar Isso! Você nasceu para a Realização de Deus!

Deus é a única Verdade sobre Você! Deus é a única Realidade, e onde há Deus, não há conflito, medo e sofrimento; não há nascimento ou morte. Assim, é fundamental realizar Isso, O que Você é. Isso não tem nada a ver com qualquer realização externa. Não importa o que você já realizou ou pretende realizar externamente. Sem essa Realização da Verdade sobre você mesmo, toda e qualquer realização do lado de fora não significa absolutamente nada. A única coisa que realmente vale a pena, que realmente importa, é realizar Deus! Você nasceu apenas para Isso! Essa Realização de Deus é a Realização da Felicidade!

Transcrito a partir de uma fala via em um encontro online na noite de 24 de Abril de 2017 - 
Encontros online todas as segundas, quartas e sextas as 22h - Para maiores informações clique aqui

sexta-feira, 19 de maio de 2017

O que é que você veio fazer aqui?





O que geralmente esperamos quando vamos a um encontro, a uma palestra, a uma conferência? Quando vamos a um desses lugares, vamos com a intenção de descobrir alguma coisa que possa funcionar para nossa vida, para que possamos acertá-la, colocá-la numa direção. Mas, olhem para vocês… Há muito tempo já fazem isso! Se não estão numa conferência presencialmente, estão "acompanhados" de algum livro novo. É como aquele que procura uma receita para um novo prato. É assim que tem sido.


Então, vocês não só trocam de palestrante, mas, também, de guru, como você que já está vindo de outro para cá, não é? Daqui você vai para um próximo. Vocês ficam assim: trocando de livro, de guru, de palestrante…  Não dá para trocar de mulher tão facilmente, por não ser tão simples, mas alguns até trocam. Trocar de filho também fica mais difícil, mas mudam de casa, de emprego, de guru, de religião, de médico… querendo algo que funcione. Parece até razoável essa mudança. Em alguns aspectos, é aceitável ou tolerável, mas quando falamos da Realização de Deus, da Realização da Liberdade, da Felicidade, da Realização da Sabedoria, isso não se aplica. 


Você não precisa de mais conhecimento, de mais experiência, de melhor comportamento, de melhores ações, hábitos, ou adquirir novas virtudes e liberar-se de antigos vícios. O que você precisa aqui é render o ego, mas ele não vai fazer isso. Por que as pessoas amam ouvir palestras ou recitar poesias? Porque é algo inofensivo, não vai atingi-las. É assim quando você lê um livro, uma poesia, ou quando assiste a uma palestra, pois você está diante de algo impessoal.


Por que vocês não fazem a pergunta correta? Qual é a pergunta correta? Quem está interessado na pergunta correta? Se tivessem interesse na pergunta correta, estariam formulando-a para si mesmos. Autoajuda, terapias, ensinos espirituais, práticas espiritualistas, nada disso resolve. O que resolve é o abandono da ilusão, daquilo que tem produzido todo o medo, o qual se reflete em todo tipo de comportamento — desonestidade, insinceridade e  descaso com o que é, com a Verdade, com o que se apresenta. Vocês não querem ver o que se apresenta. Não estão dispostos a fazer a pergunta correta, porque não querem ver o que está, de fato, mantendo essa ego-identidade. Basta uma ligeira aproximação disso e vocês correm, pois tudo o que os fere, magoa, ofende, aborrece, entristece, chateia, não dá prazer e não preenche emocionalmente, psicologicamente, fisicamente, então vocês rechaçam, jogam fora, vão atrás de outra coisa. São centenas, milhares de exemplos que se apresentam para mim no dia a dia. O que falam, escrevem, como se comportam, o que exigem de si mesmos, o que exigem de mim, o que exigem da vida, mostra-me claramente isso. 


Não é a Verdade, é o consolo; não é o que é, mas sim o que você quer que seja; não é a vida como ela se mostra, é o que você projeta como um ideal de vida para esse “mim”, para esse “sentido do eu” — é nisso que você está interessado. Nós vemos toda essa confusão, essa coisa cômica e dramática no mundo, porque o mundo é uma extensão maior da sua vida particular: tem confusão dentro, há confusão fora. Na sustentação da imagem de si mesmo não há Liberdade, Consciência, Verdade e, assim, não há Paz, Amor, Felicidade. 


A minha pergunta é: o que você veio fazer aqui? Você não está aqui para aprender algo comigo. Você está aqui para descobrir o que você é, mas isso não é possível — como se acredita por aí — ouvindo falas, palestras, escutando um especialista que sabe algo que você não sabe, que vai lhe comunicar algo que você não conhece, afirmar e confirmar palavras nas quais você acredita, porque já leu isso em algum livro.


Conhecer a si mesmo não é algo acrescentado a você. É algo presente no instante em que o sentido de separação cai. Não é uma teoria, um conceito ou algo que você aprendeu. Conhecer a si mesmo significa estar fora do sentido egoico, do sentido de ego-identidade. Assim, o conhecimento sobre Isso não é Isso. A Realização da Verdade sobre si mesmo não é uma teoria, é algo que se evidencia no viver, na vivência direta. Escritos, falas, poemas, recitações, nada disso é real aqui, no fim desse sentido de dualidade, de separação. 


Portanto, não se trata de acrescentar a você alguma coisa que você não tenha, mas sim de soltar a ilusão que você carrega sobre quem é você. Isso não se aprende! Isso é como cavar um buraco e encontrar um baú antigo, debaixo da terra, cheio de moedas de ouro. Houve um trabalho e o encontro de algo, mas você não aprendeu nada. A Realização é assim. Esse baú já está lá, cheio de moedas de ouro, mas requer um trabalho [para encontrá-lo]. Se acontece o trabalho, acontece o encontro, mas ficar ouvindo sobre um pedaço de terra, onde há um baú enterrado, não vai resolver. Portanto, não adianta ficar ouvindo sobre o Estado livre do ego, da dualidade, sobre Beatitude do Ser, Consciência e Verdade. 


Então, o que significa cavar esse buraco? O que significa desenterrar esse baú? Você é vaidoso, orgulhoso? Tem medo de ser magoado, ofendido? Tem medo da mulher, do marido, dos filhos? Tem medo de adoecer, de envelhecer? Tem medo de morrer? Tem medo da crítica, de ser ridicularizado? Tem inveja, ciúmes? Você tem coisas? É dono de quê? Onde está o “sentido do eu” nessa experiência que você chama de “minha vida”? É isso que tem que ser desenterrado! Compreendem o que eu quero dizer? Você tem inimigos? Tem amigos? Tem pessoas de quem você gosta e outras de quem não gosta? Estamos falando de desenterrar isso. Está vendo como é prático? Não tem nada a ver com teorias! O que se passa na sua cabeça? Quais os pensamentos que predominam aí? É de aquisição material? É com a imagem de alguém poderoso? O que predomina? Com o que a sua mente se ocupa? Com o que você se ocupa, psicologicamente, na maior parte do tempo? É com o futuro? É com o passado? Está vendo o que é "cavar"? 


Sua vida gira em torno de quê? Família, como mulher, filhos, netos? O que se passa aí dentro? Do que você depende? De atenção, prestígio, reconhecimento do outro? O que você teme? O que, se lhe faltasse agora, faria você entrar em desespero? Qual ente querido lhe faria falta se morresse hoje? Quem é importante para você? Qual é a pessoa mais importante na sua vida? Compreendem o que eu chamo de "cavar"? Isso não é uma coisa para aprender! Todo esse blá-blá-blá Advaita, ou Neo-Advaita, que está por aí, não serve para nada. Na verdade, isso pode envaidecê-lo mais ainda, porque agora “você tem um conhecimento que outros não têm", "sabe o que outros não sabem". Pode até escrever livros, recitar poemas, fazer vídeos e palestras sobre isso. 


Compreendem? O ego se tornou mais poderoso ainda! Para si mesmo, é claro. O ego só é uma realidade para si mesmo. É nele mesmo, na autoimagem, que ele se sente mais poderoso. Pura vaidade! Tudo isso você faz por medo. Você tem medo de ver a futilidade, a inutilidade que é esse “sentido do eu”, a estupidez que é carregá-lo. Então, você está sempre tentando preencher isso com alguma coisa, como agora, com o conhecimento espiritual ou Advaita ou Neo-Advaita. Por isso que você se mete em todo tipo de prática, de ensinamento, de conhecimento, de experiência. 


Está claro isso? Está difícil acompanhar? Onde você encontra esse "baú", então? Como você o "desenterra"? É sendo alguma coisa ou descobrindo que não há nada? Não há nada em lugar algum! Não há nada em parte alguma! Então, o que é que você veio fazer aqui? 



*Trecho de uma fala de um encontro presencial ocorrido no encontro de João Pessoa em Março de 2017 
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terça-feira, 16 de maio de 2017

A única Realidade presente é essa Consciência






Satsang é um momento precioso, porque é um momento onde estamos investigando a natureza da Realidade, a natureza da Verdade; um momento dedicado a essa investigação. A palavra Satsang significa próximo da Verdade, na proximidade da Verdade, em companhia da Verdade. É o que nós temos dentro desses encontros.

O pensamento comum é o pensamento dual, é o pensamento da dualidade, em posição de dualismo. Nessa posição, há um vasto espaço, onde aparecem o sujeito e os objetos.  No conceito comum, temos a mente, o corpo e um mundo cheio de objetos – a mente aparecendo dentro do corpo e os objetos aparecendo dentro do mundo. Essa é a forma comum de lidarmos com a Realidade, uma forma ilusória de tratarmos com o que É.

Isso acontece em razão de uma falta de investigação correta, de forma profunda. Se você entrar fundo nessa experiência “mente-corpo-mundo”, você descobrirá que não há essa separação, ou, simplesmente, que o corpo, a mente e o mundo são só aparições nesta única Presença, a qual não se divide, não se separa entre sujeito e objeto. Essa única Presença aparece como essas aparições, mas está além delas. Se o seu interesse real é ir além da dualidade, além do sentido de separação, e, portanto, além do conflito, além do sofrimento, você precisa descobrir a Natureza Real das experiências, dessas aparições. É isso que fazemos em Satsang!

Esse sentido de separação entre sujeito e objeto é uma ilusão. Isso não é real! O pensamento formula isso e dá realidade a essa ilusão, mas ele também é só uma aparição, dentre outras, e todas essas aparições estão surgindo, aparecendo, nessa Realidade, nessa Presença, nessa Verdade, nessa Consciência.

Todo problema, conflito, sofrimento e confusão estão dentro dessa dualidade. Quando  não há dualidade, não há conflito, não há sofrimento, tudo está no lugar. Não existe a ilusão de um personagem defendendo e tentando sustentar, segurar, manter coisas. Esse personagem não é importante… Ele nem aparece! Ele só “aparece” dentro dessa ilusão.

Todas as aparições surgem como sensações, percepções, pensamentos, e todas são feitas desta única Consciência, desta única Presença, sem separação. Só há esta Presença, só há esta Realidade e Ela é não dual. Apenas o pensamento está criando a ideia de um mundo do lado de fora e de alguém dentro do corpo, que é essa “pessoa” que você acredita ser. Não tem “alguém” aí! É só uma crença, uma ideia, uma imaginação. Tudo está sendo construído pela imaginação! Toda essa dualidade, e, portanto, todos os problemas da sua vida – nessa ideia de que você tem uma vida pessoal, própria, particular – são, também, só uma imaginação.

Se você olhar com aproximação real, você vai descobrir que a nossa primária experiência é essa Consciência. Só existe Ela!

É essa Consciência que toma forma de mente, corpo, mundo, pensamentos, sensações e todas as aparições. A única Realidade presente é essa Consciência, é este Silêncio, é Aquilo que está além da ilusão da dualidade, além da ilusão da separação, além de todo conflito, sofrimento e medo.

A natureza da Felicidade é você em seu Estado Natural, em que não há dualidade, não há o “eu”, o sentido de “alguém”. A questão é que vocês estão muito agarrados a essa ilusão, tentando manter a história dessa suposta entidade, só porque ela se vê cercada de coisas particulares, pessoas, lugares e objetos. Vocês estão viciados nessa crença e não estão dispostos a soltá-la, por isso é que dá um pouco de trabalho. Não é isso mesmo? Ou você tem alguma outra explicação do porquê disso acontecer dessa forma? Você está apegado à história de namorado, de esposo, de filho, de avó, de mãe, de sobrinha, de tia… Você está agarrado a essa responsabilidade. Uma coisa engendrada, criada, pelo pensamento. Não é isso? Você não quer deixar isso explodir.

É linda a compreensão disso! É de uma grande beleza a compreensão disso! Tremendamente libertadora! Mas você precisa assumir essa Liberdade ou, então, viverá estressado. Aliás, o estresse só é possível quando há essa vinculação com essas imagens, com essas histórias que você não quer soltar. Dessa forma, você está presente na experiência do estresse, da ansiedade, da depressão… Tudo criado pela imaginação de um suposto pensador dentro da sua cabeça, de alguém que quer ser responsável por tudo, que quer mudar o rumo das coisas, que quer consertar o que está errado. Como se houvesse alguma coisa errada! Como se você tivesse qualquer poder de fazer alguma coisa! É muito engraçado isso! É ridículo, estúpido e engraçado o modo como o ego se comporta. O ego é essa estupidez mesmo! Não tem conserto!

Os terapeutas estão tentando melhorar isso. Eles têm um trabalho incrível, um trabalho “danado”, uma coisa como enxugar gelo. Os psiquiatras, os psicólogos, os terapeutas, os conselheiros matrimoniais, enfim, toda essa gente de boa intenção, todo esse pessoal bem-intencionado, está tentando, mas não está dando certo, não! Contudo, nós podemos descobrir o verdadeiro Silêncio, esta Realidade presente. 

*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite de 20 de Fevereiro de 2017 - Encontros todas as segundas, quartas e sextas as 22h - É só baixar o app Paltalk e participar 
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