sábado, 19 de agosto de 2017

Investigue profundamente isto



Afinal, o que fazemos em Satsang? 

Satsang é um momento onde você tem a oportunidade de descobrir a limitação em que você mesmo se coloca. Isso é algo basicamente simples de ser constatado e um pouco complicado de ser abandonado. Podemos até teorizar sobre isso e há muitas pessoas fazendo isso. Isso é algo que tem se tornado bastante comum – há muitas pessoas sabendo sobre esse assunto; há muita teoria sendo badalada, propagada, divulgada.

É necessário ter uma aproximação de profundo discernimento ou você continuará se enganando ou sendo enganado, porque somente teoria e conhecimento não bastam. Isso é como saber pilotar um avião virtual, na tela do seu videogame... Você pega seu pequeno avião, na tela do computador, e pode pilotá-lo, brincar de fazer guerra, de ser um piloto de um avião de guerra. Assim, também, você pode brincar com o conhecimento espiritual, ou Advaita, ou Neo Advaita. Você pode saber tudo sobre Isso e, mesmo assim, ainda se sentir como uma entidade separada e, lá no fundo, profundamente, secretamente, ainda ser “alguém” fingindo que é um ninguém. 

Eu tenho falado muito sobre isso com o pessoal que se aproxima, porque estamos num momento onde a “sabedoria” da Vedanta está muito divulgada pela internet (tem muita gente aprendendo sobre isso). Depois que você aprende, que já conhece a teoria da Vedanta, esse assunto torna-se bem interessante e você também começa a falar sobre ele. Alguns falam sobre futebol, outros sobre política e outros falam sobre Realização de Deus, como se Isso fosse a coisa mais fácil do mundo. 

Então, você confunde o que é simples com o que é fácil... É algo simples, mas não é fácil. Isso requer um trabalho sobre si mesmo, uma profunda investigação da Natureza do Ser. Por que estou lhe dizendo isso? Porque estou vendo isso acontecer! É necessária uma profunda honestidade, sinceridade e clareza de propósito para um verdadeiro trabalho acontecer. Eu tenho encontrado alguns bastante apressados... Eles chegam em Satsang, assistem a três ou quatro encontros presenciais, se aborrecem com alguma coisa, se afastam, evidentemente continuam lendo e estudando o assunto, e logo começam, também, a falar sobre isso.

Realização é o seu Estado Natural, onde, de fato, real e verdadeiramente, não há mais conflito, sofrimento, ilusão. Assim, o que eu lhe recomendo é ser muito honesto quanto a isso e investigar, com verdade, o que tem criado esse sentido de limitação e está sustentando essa falsa identidade aí presente. A minha primeira recomendação para todos é: investigue profundamente isso, de preferência em silêncio. Uma das coisas básicas, nesse trabalho verdadeiro, é o silêncio. 

No primeiro contato com meu Mestre, com meu Guru, eu tinha apenas 24 anos de idade e somente 21 anos depois, quando definitivamente o sentido de separação terminou (eu não sei explicar ou colocar em palavras o porquê), veio esse impulso de compartilhar. Não houve uma escolha, uma determinação pessoal, um desejo ou uma ambição de poder para fazer isso – o que é muito comum no ego. Por isso eu tenho recomendado àqueles que se aproximam para deixarem a “semente na terra”... Você coloca uma semente na terra e não fica cavando toda hora para ver se ela já germinou; você deixa a semente lá, em silêncio, e um dia ela germina e frutifica por uma ação da Graça. 

Pior do que estar identificado com o sentido de um “eu” presente, do que viver com esse sentido de uma egoidentidade, é ter um ego espiritual, um ego “iluminado”. Essa ampla divulgação do conhecimento espiritual, em razão da globalização da informação através da internet, tem facilitado isso. A natureza do ego é ser ambicioso, buscar o poder, desejar o reconhecimento e isso é muito complicado. O próprio Cristo dizia que quando um cego guia outro cego ambos caem numa cova; o cego não pode ser o guia de outro cego. Então, o próprio Cristo advertia quanto aos falsos profetas, que hoje são os gurus, e isso já é algo muito comum na Europa e em diversos países ao redor do mundo. Hoje há muito conhecimento, muita coisa sendo aprendida e o intelecto pode aprender tudo. 

Então, eu diria a você que está neste encontro, aqui nesta sala: tenha paciência! Não tente acelerar o “rio”... Deixe o “rio” seguir o fluxo na velocidade dele, naturalmente. Em outras palavras: cave fundo, dentro de si mesmo! Observe suas reações, esse movimento interno! Tenha cuidado com essa armadilha do autoconvencimento ou do convencimento alheio... Não caia nela!  Afinal de contas, é a sua vida e não a vida do outro. Descubra sua Real Natureza, a Verdade sobre si mesmo! Vá além da dualidade! 

Nesse sentido, o Silêncio é importante. Estar diante de uma investigação verdadeira é muito importante. Um cego não pode guiar você sem o perigo de cair no buraco com você. Em outras palavras: o ensinamento intelectual, um mero conhecimento teórico, que o ego tenha sobre Isso, não irá ajudar. Quando um ego dá a mão a outro ego, ambos continuam na egoidade. 

Quando você vai à Índia (como nós, que já estivemos lá), também vê muitos gurus, muita gente ensinando, muita gente que tem alguma experiência com a meditação, algum contato com essa Presença e, portanto, também tem alguma Presença ali... É “alguém” bonito! Quando você carrega certa Presença de Deus, você fica bonito! Então, você tem certo silêncio, certo olhar... um “charme” divino, vamos chamar assim. Todavia, não se impressione com isso, porque é somente um ego espiritualizado e isso não é algo fácil de discernir.

Eu estou dizendo isso para você: não assuma esse papel, nem entre nesse jogo com aquele  ego que assumiu isso, senão você estará numa armadilha. Essa Realização é resultado de um verdadeiro trabalho nessa direção. Você só pode levar o outro até onde você chegou. 

O que eu descobri, ao longo desses anos, é que há pouca honestidade no ego. O ego não tem honestidade, sinceridade e paciência para realizar Isso. Então, o que ele faz? Ele cria isso, se auto-hipnotiza... Aquilo que acredita existir, o ego cria. 

Se você for a um manicômio, você descobrirá “grandes personagens da história” - “Adolf Hitler” está lá, “Napoleão Bonaparte”, também, está. Certo dia fui visitar alguém que estava internado e fui apresentado a “Pedro Álvares Cabral”. Quando você acredita que é Pedro Álvares Cabral, fala como Pedro Álvares Cabral; se acreditar que é Napoleão, você falará como Napoleão. Se você acredita que é um iluminado, falará como um Iluminado. Se você, também, estiver procurando Pedro Álvares Cabral, você irá encontrá-lo, assim como, se o seu desejo de se encontrar com Napoleão for muito grande, você encontrará o “seu” Napoleão... É a busca por algo rápido, sem paciência, sem honestidade, sem sinceridade. Assim, são os dois lados da mesma moeda. Essa moeda é a armadilha do ego.

Eu quero lhe recomendar isso: vá para dentro! Seja sincero, honesto e paciente! Renda-se à Graça, à sua Divina Verdade, a Deus, e Ele conduzirá você. Se você tiver isso – sinceridade, honestidade, paciência – e um coração verdadeiro para Deus, uma oração sincera no coração, você não será enganado, não se deixará enganar... Há algo dentro de você que irá lhe mostrar, e “esse” algo é seu próprio, real e verdadeiro Guru.

Ok? Vamos ficar por aqui! Valeu pelo encontro! Namastê!

*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite do dia 17 de Setembro de 2017 
Encontros online todas as segundas, quartas e sextas as 22h - Baixe o Paltalk App e participe

terça-feira, 15 de agosto de 2017

A Felicidade é a realização daquilo que Você é


Em Satsang, você está diante de sua real e única oportunidade. Nesse encontro, você se depara com um desafio, que é soltar a ilusão – soltar as suas escolhas, seus desejos, medos; soltar tanto aquilo que você acredita que irá fazê-lo feliz, torná-lo uma pessoa melhor, como também aquilo que, declaradamente, você sabe que, até hoje, só lhe criou problemas. Assim, quando você se depara com esse desafio, você está diante de algo, de fato, único: a investigação sobre a Felicidade. Aquilo que você tem de mais precioso é a realização dessa Felicidade. 

Quando você está sonhando e não sabe disso, é difícil acordar. Geralmente, todos os sonhos são assim: você sonha e não sabe que está sonhando. Raramente você percebe que é um sonho; isso é bastante difícil de acontecer. Quando as pessoas me procuram, elas não desconfiam do “sonho” que elas estão vivendo. Eu tenho que falar para elas que estão “sonhando” e, mesmo assim, elas não acreditam. Eu digo para elas: “Você está sonhando!”. A ideia de ser uma “pessoa” é um “sonho” difícil, complicado. Elas não acreditam no que eu lhes digo. Quando eu digo que elas não são felizes, elas dizem: “Não! Eu sou feliz! Sou feliz porque eu me casei, tenho filhos, um emprego… Eu sou funcionário público federal, trabalho para o Temer”. Essas pessoas vêm a mim, mas parece que eu é que devo ir até elas, para convencê-las de que estão vivendo uma vida miserável; tenho que questionar a felicidade que elas acreditam ter. 

Na verdade, a mente não tem qualquer parâmetro sobre essa questão da Felicidade. Felicidade é Ser, e isso não é circunstancial. Para a mente, felicidade é ter alguma coisa que a preencha momentaneamente. A Verdade é o sinal da presença da Felicidade – a não contradição, o não conflito, o não medo, o não desejo. 

Esse trabalho se propõe a mostrar a você esse caminho direto, o caminho dessa Realização. Ele mostra a você a importância de deixar tudo que você tem. Afinal, o que é que você tem? Parece-me que tudo o que você tem lhe dá um misto de prazer e dor, alegria e tristeza. Contudo, a minha ênfase, nesses encontros, é a importância de um esvaziamento completo de todo esse conteúdo, de todo acúmulo. É fundamental ir além dessa limitação, pois nada daquilo que o “eu” acredita ter, que a “pessoa” acredita possuir, pode lhe dar a Real Felicidade. Muito pelo contrário, isso mantém você preocupado demais.

As pessoas lutam para obter coisas e, depois, elas querem substituir aquelas coisas por outras coisas. Na verdade, se você observar a sua vida, verá que quanto mais coisas você tem, maiores são as suas preocupações para guardá-las, protegê-las e mantê-las com você. Então, as coisas não nos dão felicidade, elas dão “aporrinhação”, preocupação. Se você tem dois carros, preocupa-se com eles, pois o ladrão pode roubar os dois, não um somente; o seguro e o IPVA são para os dois carros, assim como a garagem tem que ser maior para guardá-los. 

Agora vamos para uma coisa que, supostamente, lhe dê mais felicidade… Por exemplo: duas namoradas. A preocupação com duas namoradas é maior do que com uma só. Tudo é muito complicado quando você tem muitas coisas. 

A Felicidade é a realização daquilo que Você é, e Isso não está na realização de coisas que você tem. 

*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite de 14 de Julho de 2017 - Encontros online todas as segundas, quartas e sextas as 22h - Baixe o App Paltalk e participe

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Lembrar-se de Deus é lembrar-se de Si mesmo


Você não vai mudar o lado de fora, não vai salvar, consertar, reformar alguma coisa. Você não vai mudar o destino da humanidade, do homem; não vai parar as guerras, acabar com a fome, espiritualizar a humanidade, nem salvar a flora ou a fauna. As pessoas se importam com isso, vivem em suas exterioridades, em um mundo projetado pelo pensamento. A Felicidade não! A Felicidade já salvou o mundo! Ela é como um quadro, no qual a imagem do mundo aparece. Uma vez que a Felicidade está presente, o mundo está a salvo! Então, não se preocupe em, na mente, salvar o mundo. Trabalhe o fim da mente e o mundo fica aos cuidados da Felicidade. Eu sei que vocês foram ensinados a serem boas pessoas, e é possível ser uma boa pessoa depois de muito treino. Porém, uma boa pessoa ainda é parte de um mundo perdido, sem salvação. Sem “pessoa”, ou seja, na Felicidade, o mundo está a salvo, mas não foi você quem o salvou. Quando você desaparece, o mundo fica livre, porque você é a doença; você é o vírus, a bactéria. A ilusão de “ser alguém” causa a dor, deixa o mundo enfermo – isso é a doença do mundo! 

Você é a maldade do mundo, desse mundo que só existe para pessoas, nas pessoas e com as pessoas. Não tem nada de errado com o mundo! Na visão da Felicidade, o mundo é o que é, mas, na visão da pessoa, o mundo é miserável, sofredor, está doente, perdido, precisando de salvação. Deixe o mundo em paz! Deixe o outro em paz! Enquanto houver “você”, há o outro. Certo filósofo disse: “O inferno é o outro!”. Não sei se era isso que ele queria dizer, mas, pelo menos, é o que estou dizendo… Enquanto você estiver presente, o outro será infernal; quando você não estiver mais presente, não haverá mais inferno. O Amor é invencível, impoluto, imbatível. O Amor é a Natureza do Ser, que é a Felicidade. Não tem inferno, desordem, caos, nem confusão, quando há Amor, que é Consciência, Felicidade. 

Então, a lição que fica para você é: não espere, não busque, não tente encontrar, desconecte-se. Você está conectado o tempo todo, acessando um mundo específico. Desconectado, esse mundo específico desaparece e fica a Vida como Ela é: Real! O mundo fica como ele é: Real! É só desconectar! Na Índia, eles chamam isso de Samadhi… Ser, Consciência, Felicidade! É a desconexão da ilusão, das aparições da mente e suas criações imaginárias, do sentido ilusório de um “eu” presente. Desconexão… Samadhi! Isso é Beatitude, Bem-Aventurança… Isso é O que é, Isso é Felicidade, que é quando o mundo não precisa ser salvo; quando não tem nenhum mundo doente precisando de cura.

Como soa isso para você? Para mim, soa como algo assim: Silêncio, Quietude… Não interfira, deixe como está, não se envolva, não se meta nesses assuntos! “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus!” – está na Bíblia, no Salmo 46, versículo 10. Desconsidere a “pessoa” que você acredita ser quando ela for ofendida, magoada, chateada, aborrecida, maltratada, desprezada, desacreditada, rejeitada… Desconsidere a “pessoa” que você acredita ser nesses momentos. Olhe como é prático isso! Pare de invocar seu poderio, sua realeza, seu poder de alterar o que os outros pensam e esperam de você. Isso tudo é medo, sofrimento. Desconsidere isso, anule-se! Aceite ser nada, ser sem ego. Ego, aqui, é a resposta que reage, de uma forma muito rápida, numa autodefesa amedrontada, querendo impor sua vontade, seus desejos, controles, suas determinações… Puro ego! Isso sustenta e mantém a miséria, a ilusão. Isso deixa o mundo enfermo!

Você precisa de algum tempo nisso. Você vai à academia uma vez a cada seis meses e espera algum resultado… Levará muito tempo! Talvez, antes que você veja qualquer resultado, o corpo já tenha dado algum “piripaque”, porque a frequência não é essa, o aconselhamento não é para ir de seis em seis meses. Essa observação daquilo que se passa aí “dentro” e o que se passa “fora” deve ser feita momento a momento. É nesse momento que você deve observar a linguagem que sai da sua boca, os pensamentos que aparecem na sua cabeça, como você olha para alguém, como você fala com alguém, o que pensa sobre alguém ou sobre uma dada situação, quais são as suas reações diante do que acontece… É nesse momento! É momento a momento e não daqui a seis meses! Você precisa treinar isso, trabalhar isso, colocar o coração nisso, dormir e acordar com isso.

Você acorda e se lembra de Deus – lembrar-se de Deus é lembrar-se de Si mesmo. Você dorme, acorda e o primeiro pensamento pela manhã é observar o pensamento. O pensamento é: observe o pensamento! Então, você dá um passo para trás e observa o pensamento que observou o pensamento. Pela manhã, você já acorda assim, passa o dia assim e, então, você tem um santuário, onde você está devotando a sua vida a Deus. 

Lembro que, quando eu era criança, vivia orando. Eu não sabia nada sobre Meditação, sobre essa atenção, sobre o movimento da mente. Eu ficava curioso e meu pai dizia: “É assim mesmo! Feche seus olhos, coloque suas mãos sobre os joelhos e coloque sua mente em Deus!”. Então, ele me ensinou a meditar, mesmo sem sabermos o que era isso. Eu entrava no ônibus, naquela época, e ficava com a mente em Deus, porque a mente era muito barulhenta, cheia de pensamentos feios e eu me sentia mal com aquilo. Eu sabia que tinha algo errado, mas não sabia o que era. 

Então, você acorda pela manhã e já começa a colocar a sua mente voltada para Deus, para a oração, para a prece, para a lembrança do Divino… Colocar o seu coração voltado para aquela imagem que lembra Deus, para O que está além dela, além da própria mente. Então, a mente começa a se tornar pura. Na Índia, eles chamam de Sattva esse poder de tornar a mente pura. A mente, a princípio, é cheia de pecados, cheia de desejos, sempre voltada para o exterior, para as coisas externas, para os objetos. Ela quer uma bolsa nova, um sapato novo, uma casa nova, um namorado novo… É sempre alguma coisa nova! A mente está sempre entediada de si mesma, porém ela acha que está entediada dos objetos antigos que ela tem. Na verdade, a mente está entediada dela mesma, ela não se suporta e, então, quer alguma coisa nova. Ela fica nesse jogo de substituição, sempre voltada para o exterior. Então, você acorda pela manhã e já coloca a sua mente nessa observação. Quando faz isso, você já coloca sua mente em Deus, voltada para a observação do seu movimento.

*Transcrito a partir de uma fala no encontro presencial de João Pessoa em Julho de 2017 Acesse a nossa agenda e se programe para estar conosco: http://mestregualberto.com/agenda/agenda-satsang

terça-feira, 8 de agosto de 2017

A ilusão do controle


A mente tem a ilusão de que pode controlar as coisas. Um dia, Ramana Maharshi fez uma observação para Annamalai Swami. Ele disse: “As pessoas vêm aqui, fazem a sua saudação e ficam aqui por um tempo. Mas, no tempo que passam aqui, elas agem como se estivessem dentro de um reino, no qual elas se sentem reis. Elas esquecem por que motivo estão aqui e querem agir como se fossem verdadeiros reis, como se tudo aqui existisse para servi-las. Elas querem mandar, então dizem: ‘Vamos fazer assim… Vamos resolver isso, fazer aquilo’. Depois, olham para mim e dizem: ‘Bem que o Mestre poderia fazer isso ou aquilo; poderia sair pelo mundo levando a sua mensagem’. As pessoas esquecem por que estão aqui; elas querem reformar o Ashram e querem que eu mude!”.

Uma coisa que eu acho interessante, para você observar, é a necessidade ilusória que a mente tem de que as coisas aconteçam do jeito que ela quer. Você carrega essa ilusão na mente, mas precisa observar isso. Para você, a felicidade virá quando as coisas acontecerem como você espera que elas aconteçam. Quer seja aqui dentro ou lá fora, você sempre vai querer alguma coisa da vida. 

O que os Sábios sabem, que é tão simples? É que a vida se move do jeito dela. Em alguns momentos, ela vai lhe oferecer sofrimento, o que, na verdade, é só um movimento dela. A vida não se importa com você! Você não é importante para ela! Ela acontece como tem de acontecer, mas você interpreta isso como sofrimento. Em alguns momentos, você percebe que a vida lhe oferta sofrimento, mas essa é a sua falsa interpretação do que acontece. Em outros momentos, ela oferece satisfação, prazer e preenchimento, o que, também, é uma falsa interpretação daquilo que acontece  - é um modo particular, pessoal, de ver o que acontece. 

Enquanto estiver esperando da vida alguma coisa, você jamais será feliz, jamais conhecerá a Felicidade, porque o conceito de felicidade que se tem é o de satisfação e prazer, que se realiza e conquista naquilo que acontece, naquilo que se apresenta. Mas, nem sempre é assim, porque nem sempre a vida corresponde às suas expectativas. Boa parte das vezes (para não dizer na maioria das vezes), exatamente porque você não existe – embora se sinta tão importante nessa crença – a vida vai surpreender você negativamente. 

Por mais que alguém diga que o Universo está conspirando a seu favor – o que soa muito bonito e romântico – isso é somente uma ficção; é uma dessas frases que a imaginação criou e por detrás dela, você se esconde, ouvindo falas sobre positivismo, adquirindo essa coisa tão infantil que são os ensinamentos sobre autoajuda. É próprio da mente, em sua ingenuidade, buscar ser ensinada, e ela busca isso nos ensinos de como ajudar a si mesma para ter sucesso, realizar-se, concretizar algum objetivo, alvo, para sentir-se bem com ela mesma e, depois, jamais chamar isso de felicidade.

Você nunca tem um lado da moeda sem ter o outro. A natureza da mente é dual – nunca haverá o bem sem o mal, o certo sem o errado, a felicidade sem a infelicidade, o prazer sem a dor. Então, você não pode esperar do mundo externo alguma coisa, ou pode esperar qualquer coisa, mas não uma coisa positiva e definitiva, como a felicidade permanente, o sucesso permanente… O sucesso de hoje é o fracasso de amanhã; o prazer de hoje é a dor de amanhã; a felicidade de hoje é a infelicidade de amanhã. 

A Felicidade Real não vem da vida, não é uma coisa chegando até você. A Felicidade Real é um transbordamento do seu Ser! Não é algo que chega, é algo que sai; não é algo que vem, é algo que vai daqui para lá… Não vem de lá para cá. A mente quer fazer a coisa certa, mas quer a “sua” coisa certa, que não é tão certa, porque ela está tremendamente equivocada na própria raiz. Se o equívoco está na raiz, no tronco, no caule, nos galhos, nas folhas, então você vai encontrar o mesmo engano nos frutos. O fruto do equívoco é o equívoco; da confusão, a confusão; da ilusão, a ilusão.

Tudo que vocês receberam da cultura, receberam da mente. A cultura é a mente e está dentro dessa dualidade, dessa experiência dual. Essa experiência dual da mente é verdade e falsidade, prazer e dor, certo e errado, bem e mal… O que nasce da mente é parte dela mesma. Não há Sabedoria na mente – há muito conhecimento, mas não Sabedoria. Conhecimento e Sabedoria são coisas diferentes: o conhecimento é cultural; a Sabedoria é existencial. Tem que ir além da mente! O conhecimento é dual e a Sabedoria é não dual, porque Nela não há opostos. No conhecimento, na cultura, na mente, você encontra sempre os opostos, com as suas contradições.

A minha recomendação a você é: vá além da cultura, do conhecimento e do que você chama de “vida”, a qual tem ofertas para você. Assim, a Felicidade é possível, porque a Felicidade não é cultural e ela não nasce, não é fruto do conhecimento, nem descansa nele. Ela é algo além do conhecido, não faz parte da mente… Ela está além da mente e, assim sendo, está além destes opostos, da dualidade. Então, ela não vem de fora; vem de dentro. 

Quando eu falo “dentro”, eu falo da Natureza do Ser, da Natureza da Realidade última, da Absoluta Realidade, Daquilo que é indefinível, indescritível, inominável. Assim sendo, além da mente é a Meditação, que está além dos opostos. A Meditação é o acesso a essa interioridade e está além dessa, assim chamada, “vida” que faz ofertas. Talvez, Ela seja a própria Vida que está além dos opostos, mas não aquilo que você chama de “vida”, porque você chama de “vida” aquilo que acontece do lado de fora. O que acontece do lado de fora, somente acontece, sem a preocupação de “alguém” interpretando isso. Assim, estamos diante da Vida Real e, nesse sentido, Ela é a Felicidade. Mas, se o que encaramos como vida é aquilo que acontece, porque temos expectativas com relação a isso, aí já estamos numa falsa interpretação do que de fato é a Vida, como Ela acontece, como Ela é. 

A Sabedoria não dual, além da mente, além dos opostos, que é Meditação, é a Felicidade. Ela não é circunstancial, aparente, não depende do que acontece, ou que parece acontecer, externamente. Isso significa que você não procura nada, nem espera nada de nada, de ninguém, de coisa alguma. Você fica com o que é, sem julgamento, sem comparação, sem rejeição e sem aceitação. Então, você está além da mente, e isso é estar além dessa “vida” que a mente conhece. Traga Meditação para essa “vida” que você conhece (que é a vida que a mente conhece), que, então, ela se dissolve, desaparece, e a Felicidade se faz presente. Ela não virá; ela brotará… Ela surgirá de dentro da própria Vida Real. 

*Transcrito a partir de uma fala em um encontro presencial em Julho de 2017 
na cidade de João Pessoa. Acesse a nossa agenda e se programe para estar conosco: 
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segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Profundamente guardado dentro de nós



Em Satsang, estamos falando sobre Liberdade, Felicidade, Deus, sobre nós mesmos… Aquilo que está profundamente guardado dentro de nós. A Felicidade é algo que depende dessa maestria de Ser, mas poucos neste mundo estão interessados na real Felicidade. Isso porque poucos estão mergulhando dentro de si mesmos para encontrar Isso, para tomar ciência Disso.

A natureza da mente é se voltar para as exterioridades, para o lado de fora. A mente está interessada em satisfação, preenchimento, conforto, prazer, desejo… As pessoas vêm a mim, mas elas não estão interessadas no que tenho para entregar para elas. Elas estão muito dispersas, muito fixadas em exterioridades, em realizações do lado de fora. A Felicidade não está em objetos externos, mas sim em nós, dentro de nós, e a maestria, a arte da Felicidade é Ser, não é ter coisas, como um novo marido, uma nova casa, nova realização sentimental, emocional, pelas quais a mente está interessada. 

As pessoas estão interessadas em seus projetos e pensamentos, no mundo das formas, das aparências, das cores, dos nomes, na exterioridade. A beleza, a riqueza e os objetos não darão Felicidade, tampouco o conhecimento. Você só encontra Isso aí dentro! Todo meu interesse é nessa Felicidade, e isso não é algo desse mundo da mente. 

A mente é confusão, desordem, sofrimento. A mente é samsara, o que significa “a roda da confusão”, “a roda do engano”. Se você tem a intenção de realizar a Felicidade, tem que se tornar um mestre na ciência de Ser; tem que sair da mente, porque ela é conflito. Permaneça voltado para o Coração, volte-se para dentro, vá além das aparências, dos nomes, das formas, das cores… Externamente, do lado de fora, está o furacão. Porém, no olho do furacão, está a calmaria. Isso é a Verdade presente, aqui, neste instante.

Então, torne-se um mestre de si mesmo. Encontre Isso no Silêncio, dentro de você, não do lado de fora. A Coisa toda está dentro e não fora. A miséria morre quando a mente morre, mas vocês estão viciados em pensamentos, em sentimentos, agarrados a percepções, a sensações.

*Transcrito a partir de um encontro online na noite de 07 de Setembro de 2017 - Encontros todas as segundas, quartas e sextas as 22h - Para participar baixe o App Paltalk em seu computador ou dispositivo móvel.

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